Arminianos ou Calvinistas, de qual vertente soteriológica somos?

João Calvino e Jacó Arminio. Quem vê pensa que tiveram um mano a mano no século XVI…. mas, na realidade, quando Calvino faleceu, Arminio tinha apenas 4 anos de idade.

O Calvinismo e o Arminianismo são dois sistemas teológicos que tentam explicar a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana em relação à salvação. O Calvinismo recebeu este nome por causa de John Calvin (João Calvino), teólogo francês que viveu de 1509 a 1564. O Arminianismo recebeu este nome por causa de Jacobus Arminius, teólogo holandês que viveu de 1560 a 1609.

Os dois sistemas podem ser resumidos em cinco pontos.

  1. O Calvinismo defende a “depravação total”, enquanto o Arminianismo defende, igualmente, a “depravação total”, porém com visão completamente diferente. Segundo a “depravação total” Calvinista, cada aspecto da humanidade está contaminado pelo pecado, e por isso, os seres humanos são incapazes de vir a Deus por iniciativa própria, sendo dependente única e exclusivamente de Deus a aproximação do homem para a transformação salvífica. A “depravação Total” Arminiana defende, igualmente, que cada aspecto da humanidade está contaminado pelo pecado, e necessita de que Deus aproxime os homens (seja pela revelação especial através da pregação da palavra, seja através de sua revelação geral pelas coisas criadas – Rm. 1:19-20), todavia exige que o homem coopere em parte para que seja salvo, isto é, Deus aproxima se revelando ao homem, porém o homem tem a livre decisão de aceitar a este chamado para a salvação – ficando assim, como escreveu Paulo, inescusáveis.
  2. O Calvinismo defende a “eleição incondicional”, enquanto o Arminianismo defende a “eleição condicional”. A “eleição incondicional” afirma que Deus elege pessoas para a salvação baseado inteiramente em Sua vontade, e não em nada que seja inerente à pessoa. A “eleição condicional” afirma que Deus elege pessoas para a salvação baseado em sua pré-ciência de quem crerá em Cristo para a salvação.
  3. O Calvinismo defende a “expiação limitada”, e o Arminianismo defende a “expiação ilimitada”. Este, dos cinco pontos, é o mais polêmico. A “expiação limitada” é a crença de que Jesus morreu apenas pelos eleitos. A “expiação ilimitada” é a crença de que Jesus morreu por todos, mas que Sua morte não tem efeito enquanto a pessoa não crê.
  4. O Calvinismo defende a “graça irresistível” e o Arminianismo, a “graça resistível”. A “graça irresistível” defende que quando Deus chama alguém para a salvação, esta pessoa inevitavelmente virá para a salvação. A “graça resistível” afirma que Deus chama a todos para a salvação, mas muitas pessoas resistem e rejeitam este chamado.
  5. O Calvinismo defende a “perseverança dos santos”, enquanto o Arminianismo defende a “salvação condicional”. A “perseverança dos santos” se refere ao conceito de que a pessoa que é eleita por Deus irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviará Dele. A “salvação condicional” é a visão de que um crente em Cristo pode, por seu livre arbítrio, se desviar de Cristo e, assim, perder a salvação.

Sendo nós Jovens Pentecostais, portanto, nos alinhamos à doutrina da salvação conforme os cinco pontos dos remostrantes arminianos, conforme se observa abaixo, segundo a sã doutrina bíblica:

  1. Depravação total, todavia, apesar de a humanidade estar contaminada pelo pecado, o homem, após o chamado de Deus para a salvação, tem a responsabilidade (livre escolha) de colocar sua fé em Deus, escolhendo por crer em Cristo Jesus (Mc. 16:16). A graça preveniente, portanto, é dada mediante a fé voluntária para a salvação (Ef. 2:8), sendo diferente daquela fé que é fruto do Espírito, que é aliada ao conceito de confiança e fidelidade à Deus perante os homens, revelando a justiça de Deus em nós que nos foi ensinada pelo Espírito Santo após a salvação (Gl. 5:22).
  2. Eleição condicional, pois são eleitos aqueles que são participantes da noiva do cordeiro: a Igreja! A eleição segundo o beneplácito da vontade de Deus é plural (Ef. 1:5), trata-se da escolha da noiva do cordeiro, corpo coletivo da Igreja, e não cada indivíduo singularmente considerado. Portanto, compor o Corpo de Cristo é condição para ingressar no navio (chamado Igreja) que está predestinado ao seu desiderato final (destino – Céu com Cristo). E Deus, por sua presciência, sabe quem é que ingressará neste navio ou não, mas ainda assim o ingresso é grátis (graça) e ilimitado.
  3. Expiação ilimitada, é vontade de Deus que ninguém se perca (2 Pe. 3:9), mas todos sejam salvos (1 Tm. 2:4). Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho. Devemos pregar o evangelho a toda a criatura, quem crer será salvo, quem não crer será condenado (Mc. 16:15-16). A salvação está disponível a todos que crerem, sem limites! Assim, Cristo morreu por todas as pessoas (Rm 5:18), mas delas é a escolha de compor o Corpo da Igreja que vai morar no Céu, ou não (Rm. 12:5). A Igreja já foi dada por Deus a Cristo Jesus, mas ainda há tempo de que todos os homens escolham compô-la (Mt. 16:18).
  4. Graça resistível, decorre da depravação parcial, pois Deus mediante a graça oportuniza a salvação a todos os homens, porém se o homem não tiver fé em Cristo Jesus, por sua própria escolha, estará livremente resistindo à graça da salvação oportunizada por Deus. Esta resistência fica bem demonstrada quando Estêvão denunciou que os homens que lhe ouviam estavam a resistir ao Espírito Santo (1 Ts. 5:19), sabendo-se que é o Espírito Santo que convence o homem do pecado e do juízo (João 16:8), o homem tem a capacidade de resistir ao chamado de Deus à salvação.
  5. Salvação condicional, conforme visto nos demais pontos, é necessário que aquele que deseja ser e estar salvo em Cristo Jesus seja cumpridor de sua vontade e participante de seu Corpo (Igreja de Cristo – Rm. 12:5). Foi dado à Igreja o poder de ligar e desligar (Mt. 16:19), ou seja, aquela pessoa que demonstrar sua inaptidão para cumprir os mandamentos do Senhor de modo a ferir o corpo, pode ser desligada do Corpo, perdendo sua salvação, até que pelo arrependimento e disciplina possa ser religada. A condição para ser salvo é estar se santificando, senão não poderá ver a Deus (Hb. 12:14). E é papel da Igreja vigiar para ter em seu corpo pessoas aptas à salvação (1 Co. 5:12,13).

Visto isso, se nota que nossa corrente soteriológica não é antibíblica, não é herege, muito menos ilógica. A Bíblia relata que a responsabilidade do homem é apenas dele, não atribuível ao Senhor, que dá todas as oportunidades e condições para que o homem seja liberto e seja salvo pelo Poder do Evangelho de Jesus Cristo.

Se você entrou neste nosso blog e ainda não aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador, mas sentiu o chamado do Espírito Santo para entregar a Ele a sua vida, faça isto neste momento repetindo estas palavras:

"Senhor Jesus, eu acredito que o Senhor é Deus, nasceu de uma virgem, concebido pelo Espírito Santo, e veio ao mundo para me trazer esperança da vida eterna e para salvar-me deste mundo pecaminoso. Acredito que o Senhor morreu na cruz em sacrifício em meu lugar para me reconciliar com Deus. Acredito que ao terceiro dia o Senhor ressuscitou e hoje vive e reina para todo o sempre à destra de Deus. Por isso, eu entrego a minha vida nesta hora em tuas mãos, para fazer parte da sua Igreja que vai morar nos céus, me ajuda a ser Santo, para que eu possa ver a Deus, é o que te peço e te agradeço. Amém"  

Agora, procure uma Igreja Local, próxima de sua casa, se apresente diante da Igreja e confesse ao Senhor Jesus entregando-lhe sua vida. Busque o batismo nas águas e o batismo com o Espírito Santo para ser revestido de Poder para evangelizar outras pessoas, e em breve nos veremos na Glória com o Senhor Jesus. Deus abençoe.

Autor: Rafael J. Dias

Pastor na Assembleia de Deus Ministério de Santos, advogado, escritor e ativista pelos direitos sociais. Formado em Direito pela Universidade Católica de Santos e em Teologia pelo IBAD. Especialista em Direito da Administração Pública pela Estácio. Pós-graduando em Liderança Pastoral pela FABAD.

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