O cristão protestante e as ideologias

As ideologias humanas ingressaram com força no círculo evangélico após as eleições presidenciais de 2018 no Brasil. À luz da Palavra de Deus a mistura das ideias humanas com a doutrina bíblica fere os bons costumes, contamina a comunhão e provoca contenda entre os irmãos, além de fazer com que a igreja esqueça de cumprir com seu papel social.

Primeiramente, inicio este texto com a afirmação de que os crentes verdadeiros, que possuem sua confiança e esperança em Cristo Jesus devem estar acima de quaisquer discussões humanas, pois estamos além de qualquer razão social ou jurídica formulada pelos homens. Isto porque vivemos em uma dimensão sobrenatural como igreja, ou seja, estamos acima do natural, do que o mundo ensina, do que o mundo vive.


O Apóstolo Paulo foi bem claro ao afirmar que não vivemos por vista, mas vivemos por fé (2 Cor. 2:7). Fé não se explica, fé se vive. Os homens, desprovidos da sabedoria de Deus, vivem por vista. Tentam explicar racionalmente aquilo que não conseguem compreender. Assim eram os filósofos pré-socráticos. Assim foi Sócrates, mesmo utilizando-se de seu método de questionamentos para ensinar seus pupilos, o objetivo era buscar a verdade; e depois dele os demais filósofos que o sucederam.


As discussões sobre as ideias humanas para explicar os dilemas sociais (ideologias), seguem o mesmo raciocínio dos filósofos, buscando verificar através das discussões do mundo que se vê o que seria “certo” e o que seria “errado”. Diante disso contendem diuturnamente e vivem frustrados, pois a maldade, o sofrimento e a morte são destinos humanos que não há solução no mundo natural.


Sobrevindo os ensinamentos de Jesus Cristo, tudo mudou. Ele, sendo Deus em forma de homem, veio solucionar tais contendas intermináveis em si mesmo, se entregando e fundando a igreja, para que por meio dele realizasse a missão de resgatar os homens da maldade, do sofrimento e da morte, por intermédio da fé que se fundamenta da graça salvadora, encontrando apenas em Jesus as soluções para as mazelas sociais.


O Senhor e Salvador Jesus Cristo foi enfático e definitivo em dizer que apenas Ele é “O Caminho, a Verdade e a Vida”. Todas as ideias humanas devem ser construídas tendo por base o que Ele ensinou para seus discípulos e que foram testemunhas no mundo da época e chegou até nós. Não é Marx, Engels, Jeremy Bentham, Edmund Burke entre expoentes da “esquerda” e “direita” da política moderna que vão dizer para a igreja o que fazer ou como se comportar no meio social. Nossa única e principal fonte de ensino e conduta social é Jesus Cristo, através da Bíblia Sagrada.


A fonte da direção de como a sociedade deve ser conduzida deve ser trazida pela Palavra de Deus. É triste ver no Brasil, pouquíssimas pessoas que se dizem cristãos, mas não usam a Bíblia como fonte de suas “opiniões” políticas. Quando sua posição não se confirma pela Palavra de Deus, são rápidos em dizer que não se pode misturar política com religião. E quando a crítica do outro contra seu candidato político, trata de utilizar texto isolado dizendo que devemos ser “sujeitos às autoridades”, como se isso significasse que devemos descumprir preceitos bíblicos para concordar com posições que não passam pelo crivo da Palavra de Deus.


A verdade é que, a pretexto de buscarem seus próprios interesses muitos cristãos estão relativizando a Palavra de Deus. Negociando o seu “entendimento político” sobrepondo-o à realidade do evangelho de Cristo. Seja o posicionamento ideológico de seu partido ou candidato preferido, sempre que seus argumentos destoarem dos ensinos bíblicos, é dever do verdadeiro cristão discordar dele e exigir a correção de seu pensamento.

Alguns textos bíblicos são maravilhosos para ilustrar o proceder de verdadeiros governantes, que possuem condutas básicas que agradam a Deus. Provérbios 31 foi escrito por um rei árabe, chamado Lemuel, com ensinamentos ilustres que obteve de sua sábia mãe, que, após adverti-lo de se afastar dos prazeres lhe mostrou o caminho correto de um bom governo dizendo:

“Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição. Abre a tua boca; julga retamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados.” Provérbios 31:8,9


Fazer justiça a quem precisa não é “fazer a justiça que queremos”, mas fazer a justiça que as pessoas precisam para viverem suas vidas em paz e com suas necessidades básicas supridas. Isso nos orienta a cumprirmos a responsabilidade social atribuída à Igreja por Jesus Cristo, visto que não mais andamos vivendo para nós mesmos, quando encontramos Jesus vivemos em razão de todos aqueles destinatários da salvação, como nós.


A igreja, biblicamente falando, tem uma responsabilidade perante a sociedade, que se inicia pelo amor ao próximo e pela fé em Deus, sendo manifestada através das boas obras, conforme pontilhou o apóstolo Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg. 1.27).

Neste versículo observamos o compromisso social da igreja, que é fruto do amor de Deus derramado pelo Espírito Santo em nossos corações. Assim como Jesus se interessou e se comoveu em razão das mazelas sociais, a igreja e o ministério, não podem agir diferentemente.

A responsabilidade social consiste em visitar os órfãos, as viúvas, fazer doações, ajudar os carentes, amar os desafortunados, chorar com os que choram, proclamar libertação espiritual aos cativos, fundar instituições sociais e educacionais, que realmente trabalhem com transparência e seriedade.

A igreja contemporânea vem sendo bombardeada pelo comodismo, onde muitos crentes estão com medo de trabalhar, avançar, crescer, marchar e conquistar os propósitos de Deus para o seu povo e para a humanidade. A ação social da igreja reflete o tamanho da fé e o brilho de nossa espiritualidade em Cristo Jesus.

A ética e a responsabilidade social foram vislumbradas por Jesus: “… porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão não me visitastes” (Mateus 25.42,43).

Cuidar daqueles que necessitam de nossa ajuda é uma atitude cristã e abençoadora. Que Deus nos desperte a fazer o bem, sem distinção de classe e etnia, afinal, a igreja foi chamada para ser SAL DA TERRA e LUZ DO MUNDO.


Fujamos, pois, das ideologias humanas e voltemo-nos para a Palavra de Deus, para vivermos um verdadeiros evangelho que traz paz e atrai pessoas para o caminho da verdade que é a salvação em Jesus Cristo.

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