Os Pentecostais são reformados?

Obviamente, para quem é entendido do assunto a pergunta acima pode não parecer ter sentido, visto que os pentecostais são oriundos da reforma protestante. O objetivo, portanto, do presente texto é demonstrar para os leitores médios de teologia (aqueles que não estudam cotidianamente o assunto), a dicotomia atualmente existente no Protestantismo, que dividiu-se na “Teologia Reformada” e na “Teologia Pentecostal”, esta última à qual somos biblicamente adeptos.

Necessário frisar que podem existir outros diversos tipos de “Teologia” dentro do protestantismo atual, em vista da proliferação, nos últimos 30 anos, de Igrejas “neopentecostais”, que trouxeram novas “teologias” focadas no materialismo, como a “teologia da prosperidade” e a “teologia do triunfalismo”, esta que nos últimos anos está a nos assustar com a proliferação da doutrina do “coach cristão”, que prega um evangelho semi-pelagiano, como se o homem, pela sua própria sabedoria e entendimento, fosse capaz de evitar as tribulações – não nos alongaremos neste assunto, pois este não é o foco deste pequeno texto.

Retornando à questão principal, nós Pentecostais somos oriundos da Reforma Protestante e estamos alicerçados sobre os cinco pontos dos reformadores da Igreja da Idade Média: (1) Somente as escrituras (Bíblia) é a fonte do padrão de conduta e prática da Igreja; (2) Somente Cristo é Senhor, Salvador e Intermediário da Igreja diante de Deus; (3) Somente a Graça pode salvar o homem de sua natureza pecaminosa; (4) Somente a fé em Cristo é suficiente para Salvar-nos da perdição; (5) Glória é somente dada à Deus.


Todavia, cremos na “Teologia Pentecostal”, alicerçada na simples leitura do texto do capítulo primeiro de Atos dos Apóstolos, onde nos é apresentada a comissão de Jesus Cristo para seus discípulos, ou seja, para a sua Igreja: “Recebereis poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” Atos 1:8.

O recebimento deste poder ocorreu primeiramente na recém inaugurada Igreja de Cristo em Jerusalém, quando, no dia de Pentecostes (festa de comemoração pela passagem dos 50 dias das primeiras colheitas – festa das primícias), o Espírito Santo veio sobre os Apóstolos e outros discípulos que estavam reunidos no Cenáculo, em oração, aguardando a promessa do Senhor Jesus (Atos 2).

A partir de então, a Igreja recebeu este Batismo com o Espírito Santo, para proclamar, declarar e fazer a obra missionária até aos confins da terra, com poder e graça, com revelações, profecias e operação de maravilhas, assim os sinais seguem os que creem como prometido por Cristo Jesus, confirmando a Palavra (Marcos 16:15-20). Ainda hoje o poder de Deus é manifestado sobre a igreja por meio dos dons do Espírito Santo (1 Co. 12.7-10), que vem para edificar a Igreja, a fim de aperfeiçoar a cada dia mais o povo de Deus para que evangelho avance com poder na vida dos Salvos em Cristo Jesus.

A resposta à pergunta, portanto, é “Somos protestantes, ou seja, oriundos da reforma protestante, porém adeptos da Teologia Pentecostal Arminiana e refutamos a Teologia Reformada Calvinista, pois são doutrinas irreconciliáveis”.

Muito cuidados devemos ter, todavia, com alguns tipos de “franksteins” que tem se erguido no meio dos Pentecostais. Os chamados “Pentecostais Reformados” que querem, ao mesmo tempo que são pentecostais, incluir em nosso meio a “Teologia Reformada”, ou seja, a doutrina Calvinista que possui divergências irreconciliáveis com a doutrina Pentecostal em relação à soteriologia (predestinação e eleição), pneumatologia (Batismo com Espírito Santo e dons espirituais) e pontos de divergências escatológicas (arrebatamento, milênio e segunda vinda de Cristo).

Referida mistura deve ser combatida, pois não há qualquer possibilidade de relação entre o Pentecostalismo e a “Teologia Reformada”. A título de exemplo podemos falar sobre a “capacitação voluntária” do Espírito Santo, que pode evidentemente vir a ser resistido pelos homens que não o quiserem (Atos 7:51). Tal realidade bíblica já faz cair por terra qualquer relação entre o Pentecostalismo e o Calvinismo que prega a “graça irresistível” (que homem não tem possibilidade de resistir ao Espírito da graça) ao mesmo tempo que querem pregar a manifestação do Espírito Santo, sendo que este só pode ser recebido se “voluntariamente buscado” pelos homens (Atos 19.2-6). Observemos, que os Apóstolos e discípulos estavam perseverando em oração quando O receberam (Atos 2:1), sendo evidente a predeterminação racional e voluntária destes homens em receber as virtudes do Espírito.

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