O Brasil já disse à tortura: NUNCA MAIS!

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Na imagem em destaque, o Dom Paulo Evaristo Arns, famoso e saudoso Cardeal Arns, Cardeal da Liberdade e dos Oprimidos, está consolando a viúva de Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, assassinado nas masmorras da Ditadura Militar em 1975, em ato de perseguição e repressão a jornalistas supostamente ligados ao, na época clandestino, “Partido Comunista do Brasil”.

Eu li o livro “Brasil: nunca mais”, prefaciado pelo finado Cardeal Arns, já em sua 41ª edição, que se trata de uma pesquisa bem fundamentada em autos de inquéritos e processos da época da Ditadura Militar brasileira (1964-1985), que revelam a institucionalização da prática da tortuna, naquele período histórico, por uma razão completamente infame: perseguição política aos contrários ao regime militar.

Hoje vivemos sob a égide da Constituição Federal de 1988, a qual já prevê como princípio da República o “pluralismo político” (art. 1º, inciso V) e concede direitos civis e políticos para todas as pessoas e grupos que queiram agremiar-se em partidos (art. 17). É traumático, para mim, que nasci neste presente período de liberdades pós-88, descobrir que seis anos antes de eu nascer haviam tais atrocidades ocorrendo no Brasil.

O livro é chocante porque nos aproxima da realidade vivida pelos jovens, adultos e idosos, que foram presos e completamente humilhados pelo regime militar, que, a pretexto de fazer a coisa certa, cometeu horrendos crimes contra a humanidade.

A parte mais especial da narrativa do livro é que conduz a uma leitura que não é feita apenas com base no conteúdo físico do livro. Nas notas de rodapé são colocadas referências aos processos digitalizados e as respectivas páginas dos autos em que estão as informações contidas em cada destaque do livro.

Isto foi possível porque, no período da Ditadura Militar, o Cardeal Arns, como líder da Arquidiocese de São Paulo na época, juntamente com o Conselho Mundial de Igrejas e outros diversos colaboradores da Sociedade Civil, como o rabino Henry Sobel e o pastor James Wright, clandestinamente, microfilmaram (hoje se diz escanearam) vários e vários processos do período, que foram destruídos, mas o registro feito corajosamente por esses ilustres pesquisadores ficou para a história.

O banco de dados se encontra no site http://bnmdigital.mpf.mp.br/pt-br/ mantido pelo Ministério Público Federal, podendo ser acessado e consultado durante a leitura. Onde podemos ver nitidamente a falta de humanidade da repressão que remontou aos períodos mais nefastos do nazismo, onde o desprezo pelo ser humano é a raiz da psicopatia de quem, por justificativas rasas, tem prazer em transformar o corpo humano em um mero objeto de satisfação de poder político.

O pastor James Wright ao sintetizar o objetivo da obra nos convoca ao engajamento contra referidos métodos de repressão política:

“O grande objetivo do livro é que ninguém termine sua leitura sem se comprometer, em juramento sagrado com a própria consciência, a engajar-se numa luta sem tréguas, num mutirão sem limites, para varrer da face da terra a prática das torturas”

Realmente, divergências políticas e críticas ao governo da época não eram justificativa para o massacre das torturas, desaparecimentos e assassinatos que ocorreram no período. Esta leitura nos faz abrir os olhos ao passado para bem enxergarmos os tempos atuais, nos levando à conclusão de que não podemos cometer os mesmos erros, e que somos capazes de impedir que não haja a repetição de referidos crimes através da lembrança vergonha daquele período.

Este livro, portanto, é humanizante, nos faz chorar, ainda que divirjamos de posicionamentos políticos daqueles que foram perseguidos, não podemos deixar de vê-los como seres humanos, que tinham o direito natural à dignidade e à inviolabilidade de sua integridade física e, acima de tudo, de não terem suas vidas ceifadas pelo poder político.

Por tais razões, esta leitura é obrigatória e está super recomendada a todos.

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