O princípio cristão da persistência na oração

A oração não é um caixa eletrônico. Não é um quiosque de água de coco ou um restaurante de “fast food”. Muito menos é uma mensagem de “whatsapp” que enviamos ao amigo e queremos ter a certeza imediata de que fomos atendidos e ainda nos irritamos se a resposta é demorada.

Orar requer do crente uma atitude constante, ainda que não receba de imediato o que se espera. Mas quem é a pessoa que daria sinal ao motorista pela parada do ônibus e logo em seguida continuaria dando sinal tendo ele já passado. Parece ser uma atitude contra a lógica.

Contudo, ao contrário do motorista do ônibus que logo passa, o Pai que está nos céus está sempre presente. Pronto para nos atender no tempo dele, e da maneira que achar oportuna para não perder as nossas almas.

Cristo Jesus muito nos ensinou sobre o dever de orar: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e, ao que bate, se abre” (Mt 7.7-8).

Comentando este ensino, escreveu Robert Jamieson que:

“Embora a atitude persistente possa parecer teimosia ou radical, evidenciados pela importunação crescente,cada uma dessas expressões [“pedi”, “buscai” e “batei”] apresenta o nosso desejo diante de Deus sob uma luz diferente. Pedimos aquilo que desejamos, buscamos aquilo que nos falta e batemos, quando queremos receber aquilo que nos é vedado. Orar segundo essa tríplice representação é a tripla segurança de sucesso em nossos esforços de fé” (in Comentário crítico e explanatório sobre o velho e novo testamento, vol. 5, Ed. George H. Doran Co., p. 30)

Como seres humanos somos tendentes a desistir sempre que pensamos estar perdendo tempo com alguma coisa. Chegamos em uma fila no banco, e se nossa senha demorar, logo reclamamos dos atendentes, dos gerentes, até dos seguranças que não tem nada a ver com o serviço bancário em si.

Nosso Deus, ainda que sejamos assim, não demonstra qualquer preocupação com nossas pressas e nossos caprichos mimados. Isso porque, em primeiro lugar, a oração é um ato de humildade.

Colocarmos diante de Deus nossas petições e nossos maiores anseios, pressupõe reconhecer que é Deus quem controla nossa vida e sabe a hora de estender ou não nos estender a mão, em determinados assuntos (lembre-se de Jó), sempre com a intenção de nós ensinar algo.

Deus se comparou a um juiz injusto (pela ótica humana) em Lucas 18:1-8, a fim de nos ensinar o princípio da persistência na oração que nos revela não só o caráter de Deus diante dos filhos que realmente buscam seu favor, como o caráter do filho que tem a absoluta fé de que o Senhor Deus é o único que pode dirigir sua vida.

Jesus ensina por parábola, naqueles versículos, que numa cidade existia um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum. Isso revela uma posição de soberania, de autossuficiência, de quem não precisa fazer nada se não for de sua livre vontade.

Naquela cidade também havia uma viúva que tinha seus problemas com uma certa pessoa que não é mencionada no texto bíblico que apenas a chama de “adversário”. E por alguns dias o juiz simplesmente não a atendeu, deixou-a só com o seu problema.

A pergunta que fica é: não havia naquela cidade outra pessoa que resolvesse o problema daquela mulher? Não podia ela simplesmente resolver do seu próprio jeito ou com suas próprias mãos?

De certa forma, aquela mulher tinha plena convicção que uma solução perfeita só poderia vir daquele juiz, que tinha um respeito, o poder da decisão definitiva, algo que ela queria ver sendo feito, ao que chamava simplesmente de “justiça”.

Aquela mulher insistiu, persistiu em pedir-lhe todos os dias a mesma coisa. A confiança foi tamanha que, ainda que sendo viúva, uma classe desprezada por muitos naquele tempo, o juiz se levantou e disse: “vou-lhe fazer justiça para que ela não venha me importunar” (Lc 18:5b).

Se isso ocorre com homens que são injustos, que desprezam seus semelhantes, imagina se Deus não fará justiça a quem lhe pede, a quem clama a Ele dia e noite, fazendo-o esperar? (é o que diz Jesus no versículo 7).

Amigos, não podemos desistir e deixar de orar antes de alcançarmos do Céu a certeza de nossa resposta. Não se trata aqui que nossa oração deva ser sempre desesperada ou em tom importunante, mas de uma oração sempre persistente, que revela confiança e esperança no Deus que amamos.

Como nos ensina A. Torrey:

“Devemos ter cuidado acerca daquilo que pedimos a Deus, mas desde que tenhamos começado a orar por alguma coisa, não devemos desistir até alcançarmos aquilo que buscamos, ou até que Deus diga, de forma clara e absoluta, que não é da sua vontade dá-la a nós” (Reuben A. Torrey, Como orar, Ed. Fleminh H. Revell Co, p. 66)

O problema é que muitas vezes deixamos de orar, por temer que nossa vontade não seja igual a vontade de Deus, e que Ele irá sempre nos repreender.

Ora! referido comportamento e pensamento vai totalmente em direção contrária ao que fez Davi ao ajudar o povo de Queila (I Samuel 23), antes consultou a Deus tanto pelo sim quanto pelo não, e foi conservado em vida, em razão de suas orações.

Não podemos temer as respostas de Deus para nós. Devemos crer nos propósitos que Ele tem para nós dentro de sua onisciência, sendo o único conhecedor de nosso passado, presente e futuro.

Para isso, a persistência tem sua importância, para que não demonstremos ao Pai que somos melhores sozinhos, tomando nossas próprias direções, deixando de lado a oração.

Em razão de dificuldades que já eram experimentadas na época, nosso Rei Jesus concluiu seu ensinamento dizendo que Deus “fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?” (versículo 8).

Como é que o Rei nos encontrará? Em uma vida de oração persistente, dirigida por Deus, ou completamente guiada pelos nossos próprios caminhos imperfeitos? (Pv 14:12).

Reflita.

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