#03 A Perseguição Romana: O sangue dos cristãos é semente (slides para download)

3. A Perseguição Romana: O Sangue dos Cristãos é Semente

3.1. Organização política Grega e Romana

3.1.1. GRÉCIA: Ágora, Acrópoli e Areópago (Ágora: governo; Acrópoli: deuses; Areópago: filósofos)

3.1.2. Os Limites do Império Romano (história, nascimento do império, poderio militar, religião e superstições.

formação de uma legião militar romana
mapa do Império Romano

3.1.3. A MISERICÓRDIA DE DEUS NO SOFRIMENTO DE SEUS FILHOS •Tertuliano de Cartago, teólogo e advogado. Presenciou de perto os martírios – do grego “testemunhas”.

“O sangue dos cristãos é semente”

3.2. PERSEGUIÇÃO NO SÉCULO I

3.2.1. IMPERADOR NERO (54-68 d.C.)

Incendiou a cidade de Roma e colocou a culpa nos cristãos. Lançou os cristãos às feras, aos gladiadores e à fogueira. Institucionalizou a matança de cristãos no Circo (anfiteatro ovalado).

3.2.2. IMPERADOR DOMICIANO (81-96 d.C.)

Instituiu impostos sobre os cultos. Com a recusa dos cristãos em pagar, realizou grande perseguição contra eles, chegando a exilar o Apóstolo João na Ilha de Patmos.

crucificação de cristãos sob Nero

3.2.3. LUGARES DOS MARTÍRIOS EM ROMA

a) PRISÃO MARMETINA Próximo ao Fórum Imperial (Capitólio). Foi onde Paulo ficou preso em uma masmorra pequena e fria.

b) COLISEU: construído no ano 80, por escravos.

c) CATACUMBAS ROMANAS: Grandes corredores subterrâneos que serviam como cemitérios.

interior da prisão marmetina
catacumbas de Roma

3.3. AS PERSEGUIÇÕES NO SÉCULO II

3.3.1. A POLÍTICA DE PERSEGUIÇÃO DE TRAJANO (98-117 a.C.)

Um governador chamado Plínio “o moço”, ao ver os templos pagãos esvaziando, e enfraquecendo os senhores que vendiam animais para sacrifício e outras coisas, propõe uma política de perseguição, sob denúncias externas. A defesa de Tertuliano de Cartago.

O Martírio do Pastor Inácio de Antioquia (110 d.C.)

O Martírio do Pastor Policarpo de Esmirna (156 d.C.)

3.3.2. A PERSEGUIÇÃO SOB MARCO AURÉLIO O IMPERADOR E FILÓSOFO (161-180)

Nesse período grandes pragas e epidemias de doenças aconteceram. Como era estoico e supersticioso, acusou os cristãos, por não adorarem os “deuses” pagãos.

Martírio da viúva Felicidade

Martírio da jovem Blandina

3.4.1. IMPERADOR SÉTIMO SEVERO (183-211 d.C.)

Declara os cristãos inimigos do império, e responsáveis pela fraqueza militar e econômica do império.

3.4.2. IMPERADOR DÉCIO (249-251 d.C.)

Estabeleceu a regra do “Libellum” – certificado de paganismo. Para identificar quem era e quem não era cristão.

certificado de queima de incenso ao imperador e aos deuses pagãos romanos

3.4. PERSEGUIÇÕES NO SÉCULO III

3.4.3. IMPERADOR DIOCLECIANO (284-305 d.C.)

Assinou a tormenta final, mandado queimar toda e qualquer das escrituras utilizadas pelos cristãos.

Daí surgiu a consciência de canon” (Novo Testamento). Os cristãos avaliaram quais das epístolas e evangelhos eram mais inspirados, pelos quais valia a pena morrer.

Quem entregava era chamado de “traditore” (traidor – aquele que entrega).

3.5.1. O ÉDITO DE TOLERÂNCIA DE GALÉRIO (311 d.C.)

Documento que deu liberdade de religião aos Cristãos. Era próximo a Diocleciano, e o estimulou a perseguir os cristãos. Disse que as perseguições foram benignas, a fim de que abandonassem tal “superstição”, mas foram teimosos.

3.5.2. A VITÓRIA DE CONSTANTINO CONTRA MAJÊNCIO

Constantino era um general militar, marchou contra o Imperador Majêncio, e, depois de uma visão (“in hoc signo vinces”), trocou os símbolos militares da águia e do sol pela cruz, e conquistou o senhorio absoluto no oriente e no ocidente. Assinando o Édito de Milão, tornando oficialmente o Cristianismo colo Religião Lícita, e se declarou cristão.

Estátua de Constantino em York

3.6. AS LIÇÕES IMPORTANTES DA PERSEGUIÇÃO

3.6.1. A IGREJA É INDESTRUTÍVEL •A igreja sempre vai ser odiada pelo mundo (1 Jo 5.19). Jesus disse que é natural que o mundo odeie a Igreja, porque os verdadeiros Cristãos não são do mundo (Jo 17:16). Não há como destruir a igreja.

Assim aprendemos que a PERSEGUIÇÃO ROMANA…

ajudou na expansão da igreja;

ajudou na purificação da igreja;

ajudou na reflexão da igreja.

#02 A expansão da Igreja Primitiva – Atos dos Apóstolos parte 2 (slides para download)

A segunda aula de história da igreja é voltada ao ensino da expansão da igreja primitiva da segunda parte de Atos dos Apóstolos, marcada pela conversão e viagens missionárias do Apóstolo Paulo, até sua chegada a Roma.

2.1. A CONVERSÃO DO APÓSTOLO PAULO – UM MISSIONÁRIO COMPLETO

“E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida. E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.”’ Atos 11:18,19

2.1.1.) Saulo fariseu, tinha uma relação de confiança com o sumo sacerdote, a ponto de pegar cartas para prender judeus cristãos, escondidos nas sinagogas. (At 9.1-2)

2.1.2.) Um encontro no caminho de Damasco. Jesus utiliza um homem com grande preparo intelectual e social, para sua obra.

2.1.3) Saulo, recém convertido, pela imposição das mãos de Ananias, foge de Damasco e é levado a Jerusalém e após novas ameaças é enviado de volta para seu lugar de origem (Tarso). (At 9.17-30)

2.1.4) Barnabé busca Saulo em Tarso para servir em Antioquia (vez que a comunidade era miscigenada e era necessário o trabalho de conhecedores da cultura e língua grega) e cooperou levando ajuda aos irmãos de Jerusalém que estavam passando necessidades. (de perseguidor a Cristão At 11.26)

2.1.5) Após anos servindo em Antioquia, o Espírito Santo manda separar Saulo e Barnabé para uma missão (At 13.1-2)

2.1.6) Em Salamina (cidade na ilha de Chipre), local de nascimento de Barnabé, iniciaram a obra missionária. (At 13.4-5)

2.2. AS VIAGENS MISSIONÁRIAS E A EXPANSÃO DA IGREJA NA PALESTINA, ÁSIA MENOR E MACEDÔNIA/GRÉCIA

2.2.1) A primeira viagem missionária de Paulo (o campo de trabalho delimitou-se aos locais onde haviam sinagoga dos judeus e a língua grega). Saulo já começa a ser chamado Paulo.

2.2.1.1.) Passam em Chipre, depois pelas sinagogas da Ásia Menor e retornam para Antioquia (da Turquia).

2.2.1.2.) Em Perge, João Marcos deixam de os seguir, e volta para Jerusalém. Em seguida Paulo e Barnabé vão para outra Antioquia (da Pisídia – na Ásia Menor), onde Paulo prega e é expulso da cidade. (At 13.13)

2.2.1.3.) Em Icônio, foram expulsos novamente e depois seguiram para Listra, onde foram confundidos com deuses romanos (júpiter e mercúrio), depois que Paulo curou um coxo. (At 14.11-12)

2.2.1.4) Em razão de intriga com judeus judaizantes, Paulo foi preso, apedrejado, mas sobreviveu e, com Barnabé, seguiu para Derbe. Retornando, passaram novamente pelas cidades para reforçar os pontos de pregação recém-fundados e terminaram voltando para Antioquia (da Turquia). (At 14.19-28)

Mapa da primeira viagem missionária do Apóstolo Paulo

2.2.) Na segunda viagem, após o concílio de Jerusalém não obrigatoriedade dos rituais judaicos para os gentios (At 15), já em Antioquia, Paulo e Barnabé desejam visitar as igrejas que foram abertas na primeira viagem. Mas Paulo e Barnabé contendem em razão de João Marcos que os haviam abandonado. Paulo então leva Silas. (At 15.36-41)

2.2.1.) Paulo e Silas viajaram para Tarso, Derbe e Listra. Em Listra encontraram Timóteo. Após uma visão, transpassam o canal que separa a Ásia Menor e a Macedônia. Em Filipos uma multidão fica incitada pelo exorcismo da adivinhadora e encerram Paulo e Silas na prisão, após um terremoto espiritual e a obtenção da liberdade pela cidadania romana, retornaram ao ponto de pregação na casa de Lídia onde muitos irmãos os aguardavam. (At. 16.1-2, 9-40)

2.2.1.) Dali de Filipos, viajam para Tessalônica e em seguida para Bereia, de onde seguiu para Atenas, deixando ali Silas e Timóteo. (At 17.1-14)

2.2.2.) Em Atenas Paulo prega no Areópago, contra os ídolos, fazendo sua pregação ao Deus desconhecido, e converte Dionísio. (At 17.15-34)

2.2.2.) Paulo passou 18 meses em Corinto, onde reencontrou Timóteo e Silas. Ali conheceu Priscila e Áquila, que muito ajudaram no ministério, seguindo-o até Éfeso, onde ficaria em retorno por quase 3 anos (At 19.10). E, voltando por Cesaréia e Jerusalém, retornou a Antioquia. (At 18.1-23)

Mapa da segunda viagem missionária do Apóstolo Paulo

2.3.) Na terceira viagem, Paulo passou por toda região da Galácia e da Frígia, reforçando a Fé dos irmãos, ensinando-os e repreendendo os erros cometidos. (At 19, 20)

2.3.1.) Novamente em Éfeso, ficou por ali quase três anos (At 20.31), pregando e fazendo sinais, curas. Depois ser novamente perseguido, segue para a Macedônia, voltando novamente a Éfeso onde ficou por dois anos e três meses. (At 19)

2.3.2) Em Trôade ressuscitou o jovem Êutico, que caiu de três andares durante uma pregação. Passou depois por Assos, Mitilene, Quios, Samos e Mileto (Atos 20).

2.3.3) Passou ainda por Cós, Rodes, Pátara, onde embargou num navio com destino à Tiro, na Fenícia. Depois de sete dias na cidade, seguiu para Ptolomaida, Cesareia, onde visitou Filipe, o Evangelista e finalmente chegou em Jerusalém (Atos 21).

Mapa da terceira viagem missionária do Apóstolo Paulo

2.3. A CHEGADA DO EVANGELHO À ROMA PARA TODO O MUNDO DA ÉPOCA

2.3.) Paulo foi para Jerusalém, em razão de revelações já recebidas quando ainda dirigia a Igreja em Éfeso (Atos 20.23).

2.3.1.) Chegando em Jerusalém, foi ao templo demonstrar que ainda era cumpridor da Lei, para assim ganhar a confiança dos judaizantes e dos judeus helênicos (de língua grega). (At 21.24)

2.3.2.) Todavia, não levou crédito, pois pregava para os gentios. E foi acusado de blasfemar de Moisés, e pregar contra a circuncisão. (At 21.26-28)

2.3.3.) Paulo, então, foi socorrido pelos romanos, tendo sido espancado e quase morto (At 21.30-33), foi preso em Jerusalém e após levado em segurança a Cesareia Marítima (base militar), onde pregou para Festo, Felix e o Rei Agripa (At. 23, 24, 25). Tendo apelado para Roma, temendo ser entregue aos judeus para ser morto (At 25.11-12).

2.3.4.) Foi então levado a Roma, sofrendo um naufrágio no caminho (At 27), muitos sinais o seguiram (foi picado por uma serpente na Ilha de Malta, tendo sido sinal de milagre diante dos naturais daquela ilha – At 28).

2.3.5.) Após chegar em Roma, ficou em prisão domiciliar, pregando o evangelho para os guardas, tendo sido encerrado depois na prisão, enviou cartas para as igrejas onde passou para encorajar e doutrinar os irmãos. (At 28)

2.3.6) Morreu durante a perseguição Romana de Nero César, decapitado no ano 67 d.C.

Apóstolo Paulo em prisão domiciliar em Roma, ditando a Carta aos Romanos ao escriba Tércio, e um soldado atento aos ensinos de Paulo.

Na próxima aula, terminaremos o período da perseguição judaica, e iniciaremos a perseguição romana, com os ensinos apostólicos já completos.

#01 A Fundação da Igreja:  Atos dos Apóstolos pt.1 – Sec. I

Plenitude dos tempos até a perseguição dos cristãos pelos judeus religiosos

1.1. A PLENITUDE DOS TEMPOS PROPICIOU A VINDA DO EDIFICADOR DA IGREJA

Gálatas 4:4 – “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”

1.1.1. FATORES SOCIAIS, GEOGRÁFICOS E POLÍTICOS QUE PROPICIARAM A EDIFICAÇÃO E O CRESCIMENTO DA IGREJA

A) FATOR GEOGRÁFICO PALESTINO

B) FATOR INTELECTUAL GREGO (A língua grega, o pensamento grego)

C) FATOR RELIGIOSO JUDAICO (a pureza da religião, a rejeição da idolatria e a firmeza na Lei de Moisés).

D) FATOR POLÍTICO ROMANO (“pax romanna” e Via Egnácia)

1.2 ATOS DOS APÓSTOLOS – A FUNDAÇÃO DA IGREJA E AS PRIMEIRAS PERSEGUIÇÕES

Atos 1.8 – “recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”

1.2.1. A GRANDE COMISSÃO – ATOS 1

1.2.2. A INAUGURAÇÃO DA IGREJA NO DIA DE PENTECOSTES – ATOS 2

1.2.3. A PREGAÇÃO PENTECOSTAL DO EVANGELHO, AS PRIMEIRAS CONVERSÕES E A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA (ATOS 3-6)

CRESCIMENTO, PODER DE DEUS E SINAIS

1.2.4. OS JUDEUS: os primeiros perseguidores (ATOS 7 e 12)

O MARTÍRIO DE ESTÊVÃO E A DIÁSPORA CRISTÃ

#00 História da Igreja – Memorizando Nossa Identidade – (Lista de temas e slides para download)

Roteiro do Culto de Doutrina da Assembleia de Deus, para os temas de estudo de História da Igreja.

I. HINOS:
1) Harpa – 24, 26, 65, 94, 100.
2) Irmãs com a Igreja –
Sempre Vou Lembrar e Semente do Sangue – Mara Lima.

II. TEMAS:
1) A fundação da Igreja: Atos dos Apóstolos pt.1 – Sec. I

2) A expansão da Igreja: Atos dos Apóstolos pt.2 – Sec. I

3) A chegada do Evangelho em Roma: as perseguições e os “pais da igreja” (apostólicos, polemistas, apologistas) – Sec. I e II.

4) A cristianização da política e a queda do Império Romano: Constantino e os grandes nomes da teologia antiga. (Agostinho de Hipona, Jerônimo, dentre outros) – Sec. III a V.

5) A Igreja no Tempo Medieval: a “Igreja Católica (universal)” e o surgimento do Islamismo. – Sec. V a X.

6) A Igreja no Tempo Medieval: o cisma da Igreja Católica – cruzadas e o movimento pré-reforma. Séc. XI a XV.

7) A Igreja na Modernidade: A Reforma Protestante – Lutero, Calvino e Armínio e demais reformadores espalham-se pelo mundo. – Séc. XVI a XVII.

8) A Igreja na Modernidade: O surgimento dos “Pietistas” e a busca de experiências reais com Deus. Séc. XVIII.

9) O Reavivamento Pentecostal: O movimento de santidade “holiness” (metodismo de John Wesley), o estudo atual (atualidade) e presente (continuidade) dos Dons Espirituais (Instituto Betel – Kansas) – Movimento Pentecostal na Rua Azuza – Los Angeles. Séc. XVIII a XIX.

10) O Reavivamento Pentecostal: Dois suecos radicados nos EUA são transformados pela experiência pentecostal. Daniel Berg e Gunnar Vingren são chamados para o Brasil e fundam as Assembleias de Deus. – Séc. XIX.

11) A Igreja Contemporânea: História da Assembleia de Deus no Brasil – Séc. XX a XXI.

12) A Igreja Contemporânea: História da Assembleia de Deus Ministério de Santos – 1962 aos dias atuais. – Séc. XX a XXI.

O condomínio pode me impedir de utilizar as áreas comuns se eu estiver em dívida?

O Superior Tribunal de Justiça, mais uma vez, lançou uma pá de cal na matéria ao julgar ilícita a disposição no regulamento interno de proibição de utilização das áreas comuns pelo condômino que estiver em dívida.

Conforme o REsp 1.699.022-SP, de relatoria do eminente Ministro Luis Felipe Salomão, que teve seu voto acompanhado por unanimidade na Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, a disposição condominial que proíbe a utilização das áreas comuns do edifício por condômino inadimplente é ilícita. (Informativo 651 – 02.08.2019)

Na prática os condomínios utilizam-se de referida norma no regimento interno com a finalidade de coibir o condômino a pagar suas dívidas junto ao condomínio.

Contudo, referida regra acaba por causar não só a limitação do direito de propriedade, mas acaba por constranger a honra da família perante os demais condôminos e até mesmo visitantes do condomínio, ao limitar o acesso às áreas comuns (piscina e academia, por ex.)

A ilicitude reconhecida pelo STJ, diante da análise concreta do caso, pode gerar pretensão por danos morais, que poderá ser reconhecida com base na atual jurisprudência.

“Mas por que a regra prevista em regimento interno, aprovado em Assembleia pela maioria dos condôminos não tem validade?”

É válido lembrar aqui, dois dos postulados norteadores da aplicação das normas do Código Civil de 2002, legados a nós por Miguel Reale, quais sejam: a eticidade e a sociabilidade.

Pela eticidade, deve ser respeitada a boa-fé objetiva nas relações privadas. E este dever anexo impõe a exigência de que as partes adotem as posturas mais amenas, ou seja, soluções menos gravosas na obtenção de seus fins.

Quanto à sociabilidade, a proibição de utilização das áreas comuns em razão de dívidas pode gerar desconforto ao convívio social, que pode acarretar em constrangimentos e abalos à personalidade dos integrantes da família.

Assim, o contrato interno (regimento), não pode descumprir os deveres anexos da boa-fé objetiva e da boa convivência social, ainda que se saiba que é lícito e de grande importância para a manutenção do condomínio que seus condôminos estejam em dia com sua quota do rateio.

Entretanto, o Código Civil dispõe de outras maneiras para que realizada a cobrança, como: aplicação dos juros, multas, impedimento de votar em determinadas questões em Assembleias e até mesmo estar sujeito a perder o imóvel para quitar referida dívida.

Leia a íntegra do julgado:

CONDOMÍNIO. REGULAMENTO INTERNO. PROIBIÇÃO DE USO DE ÁREA COMUM DESTINADA AO LAZER. CONDÔMINO INADIMPLENTE E SEUS FAMILIARES. IMPOSSIBILIDADE. SANÇÕES PECUNIÁRIAS TAXATIVAMENTE PREVISTAS NO CÓDIGO CIVIL. É certo que, dentre todos os deveres dos condôminos, o que diz respeito ao rateio das despesas condominiais é, sem dúvida, o de maior relevo, por se relacionar diretamente com a viabilidade da existência do próprio condomínio. No entanto, é ilícita a prática de privar o condômino inadimplente do uso de áreas comuns do edifício, incorrendo em abuso de direito a disposição condominial que determina a proibição da utilização como medida coercitiva para obrigar o adimplemento das taxas condominiais. O Código Civil estabeleceu meios legais específicos e rígidos para se alcançar tal desiderato, sem qualquer forma de constrangimento à dignidade do condômino inadimplente: a) ficará automaticamente sujeito aos juros moratórios convencionados ou, não sendo previstos, ao de um por cento ao mês e multa de até dois por cento sobre o débito (§ 1°, art. 1.336); b) o direito de participação e voto nas decisões referentes aos interesses condominiais poderá ser restringido (art. 1.335, III); c) é possível incidir a sanção do art. 1.337, caput, do CC, sendo obrigado a pagar multa em até o quíntuplo do valor atribuído à contribuição para as despesas condominiais, conforme a gravidade da falta e a sua reiteração; d) poderá haver a perda do imóvel, por ser exceção expressa à impenhorabilidade do bem de família (Lei n. 8.009/1990, art. 3º, IV). E como é sabido, por uma questão de hermenêutica jurídica, as normas que restringem direitos devem ser interpretadas restritivamente, não comportando exegese ampliativa.” (STJ REsp 1.699.022-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 28/05/2019, DJe 01/07/2019)