#11 As Assembleias de Deus no Brasil

11.1. A chama pentecostal é acesa no Brasil

No mês de novembro de 1910, os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren vieram ao Brasil, enviados pelo Espírito Santo, por meio de profecia do irmão Alfredo Uldin (seguida de arrebatamento de sentidos), para pregarem a mensagem pentecostal em solo brasileiro.

Os missionários suecos não tinham a intenção de abrir uma nova Igreja, é necessário que isso esteja bem claro quando falamos da História da Assembleia de Deus.

Após a chegada dos missionários, em 19.11.1910, eles ficaram hospedados no porão da Igreja Batista no Pará, onde passaram a congregar.

Até que em uma visita à irmã Celina Albuquerque, após esta ser curada pela oração ministrada pelos missionários, ela ficou em oração com a irmã Maria Nazareth pela madrugada, tendo sido ambas batizadas com o Espírito Santo.

Referido acontecimento gerou a expulsão dos missionários e mais alguns irmãos, dentre eles diáconos, tesoureiro e secretário da Igreja Batista no Pará.

Na casa da irmã Celina Albuquerque, foi aberto um ponto de pregação, que passaram a chamar de “Missão da Fé Apostólica”. Em razão dos movimentos de avivamento mundial, iniciados em 1901 com Charles Fox Parham, que tiveram como mais notório acontecimento os cultos pentecostais da Rua Azusa – Los Angeles.

Contudo, mais tarde, em 11.01.1918 registrariam a Igreja como “Sociedade Evangélica Assembleia de Deus”.

O crescimento da Igreja não pode ser apenas atribuído aos pioneiros. Foram, assim como Paulo e Barnabé, chamados por Deus para acender a chama, mas cada crente que era batizado no Espírito Santo, assim como em Atos, recebia autoridade de Deus para testemunhar em todos os lugares.

  • Irmã Celina Albuquerque: Primeira alma batizada no Espírito Santo em solo brasileiro. Após ser revestida de poder, pregava em todos os lugares onde ia, se tornou um expoente da evangelização nos bairros do Pará.
  • Irmã Maria Nazareth: Amiga de oração de Celina Albuquerque, ao visitar familiares no Ceará, levou a mensagem pentecostal, e suas orações fervorosas chamaram atenção, se tornou fundadora da Assembleia de Deus no Ceará.
  • Manoel Maria Rodrigues: (diácono e secretário) foi o primeiro Presbítero, se empenhava no Evangelismo, na obra Missionária em Portugal e Argentina, e no sustento de missionários.
  • Lydia Rodrigues: filha de Manoel Maria Rodrigues, casou-se com o Missionário Sueco Nels Nelson filho dos missionários Otto e Adina Nelson.

Primeiros membros da Assembleia de Deus

Em pé: Manoel Maria Rodrigues (Secretário da Igreja e primeiro Presbítero ordenado); Henrique de Albuquerque (Diácono); sentadas: Tereza Silva de Jesus; Jesusa Dias Rodrigues; Celina Albuquerque; Maria Nazareth (considerada uma das primeiras missionárias)

Leia tabém: Reavivamento Pentecostal – parte 2 – avivamento da Rua Azusa e chegada ao Brasil

11.2. Os Missionários – Daniel Berg e Gunnar Vingren

Gunnar Vingren
1979-1933

Gunnar Vingren, sua esposa Frida e seus filhos Ivar e Margit

Formado em Teologia pelo Instituto Bíblico Batista em Chicago, ao ser batizado no Espírito Santo, se entregou à obra de Deus, tendo aceitado o chamado para o Brasil.

Em solo brasileiro, foi Pastor, dedicado aos cultos, ao ensino e com o cuidado do rebanho de Deus.

Dirigiu as Igrejas Assembleia de Deus no Pará e em São Cristóvão Rio de Janeiro, até 1932.

Daniel Berg
1884-1962

Daniel Berg, sua esposa Sara e seus filhos David e Lisbeth

Ao ser batizado no Espírito Santo no mesmo congresso com Vingren em Chicago, também entregou-se à direção do Espírito de Deus e foi procurar Vingren, anunciando o chamado, confirmado pelo irmão Alfredo Uldin.

Em solo brasileiro, foi Evangelista, saiu do trabalho na fundição e dedicou-se ao serviço de colportagem (venda de livros e periódicos de porta em porta), tendo visto nisso oportunidade de evangelização).

Saía pela linha férrea que conectava as cidades, sendo fácil saber o caminho de volta. Apenas nos 3 primeiros anos, espalhou 2 mil Bíblias, 4 mil novos testamentos, e 6 mil panfletos.

Foi fundador das igrejas em Vitória/ES, Santos/SP e São Paulo/SP.

11.3. Surge o nome “Assembleia de Deus”

02/04/1914 – Houve um Concílio da Assembleia de Deus nos EUA. O nome foi adotado após a consolidação do movimento fé apostólica, em Hot Springs, como “Assembly of God”, desenvolvido em 1912 pelo Pr. Thomas King Leonard, que pastoreava a “Missão da Fé Apostólica” em Findley/Ohio.

Primeiro templo das Assembleias de Deus no Brasil

25/10/1914 – Chega ao Pará Otto e Andina Nelson, para auxiliarem nos trabalhos evangelísticos da Assembleia de Deus no Brasil.

08/11/1914 – A Igreja já com mais de um milhar de membros muda para o Templo na Travessa 9 de Janeiro, nº 75. Ao mudar, Vingren pede aos irmão para decidirem o nome, segundo relato do Pb. Manoel Maria Rodrigues todos concordaram com “Assembleia de Deus”, tendo sido colocado o nome na fachada do novo templo.

No mesmo ano de 1914, Berg e Vingren foram registrados na Suécia como missionários oficiais pelo Pr. Lewi Pethrus, na Igreja em Estocolmo, visto que reconheceram a obra que o Espírito Santo estava fazendo por meio deles no Brasil.

Em 1915 em viagem à Suécia, Gunnar conhece a jovem Frida Strandberg.

Em 1916, chegam ao Brasil novos missionários suecos para auxiliarem no evangelismo, Pr. Samuel e Lina Nyström, enviados pela igreja de Estocolmo.

Em 1917, Frida chega ao Brasil como missionária enviada pela mesma igreja da Suécia, para qual manda uma carta dizendo como encontrou a Igreja no campo missionário brasileiro:

“O local da Igreja era bonito, todo branco contrastando com o verde escuro. Sobre a porta está escrito “Assembleia de Deus”. Ó, como cantavam! Uma irmã sentada bem na frente dirigia os hinos com a sua forte voz de soprano, como uma flauta. Os irmãos Samuel e Adriano falaram e depois houve oração” (Frida Strandberg)

No dia 16.10.1917 – O Pr. Gunnar e a Miss. Frida se casam numa cerimônia ministrada pelo Pr. Samuel Nyström. Deste matrimônio, surge uma coluna no ministério das Assembleias de Deus, Gunnar dirigia os cultos, Frida ensinava jovens, irmãs e compunha louvores e tocava órgão e violão. Juntos fundam o jornal “Voz da Verdade”, que futuramente se chama “Mensageiro da Paz”.

Gunnar Vingren e Frida Vingren

No primeiro jornal da igreja, chamado “Voz da Verdade”, foi publicada a seguinte mensagem, onde se observa que “fé apostólica” era sinônimo de “Assembleia de Deus”:

“Os nossos irmãos Samuel Nystrom e Daniel Berg, em uma viagem evangelística que fizeram a seis igrejas da fé apostólica, no interior deste Estado, batizaram 90 pessoas. A Assembleia de Deus, em São Luiz (Pará), tem crescido tanto que o vasto salão da Casa de Oração tornou-se pequeno para acomodar os irmãos que ali se reúnem. O pastor Gunnar Vingren batizou, no batistério da Assembleia de Deus, nesta cidade (Belém), 12 pessoas que se entregaram a Jesus. O nosso irmão Severino Moreno foi para Manaus e lá testificou acerca da verdade gloriosa de que Jesus batiza no Espírito Santo; foi tão abençoado que precisou ir para aquela capital um missionário da fé apostólica (Assembleia de Deus)”

11.4. A expansão das Assembleias de Deus no Brasil

Percentual da população membro da Assembleia de Deus por estado no Brasil.png
Percentual da população pertencente à Assembleia de Deus, por Estado da federação ( Por Daniel Silva Mendanha – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, Hiperligação)
Missionários que levaram a mensagem Pentecostal a todo Brasil fundando sedes da Assembleia de Deus local

14.1. Organização

As Assembleias de Deus são organizadas em Ministérios, formados por uma Igreja-Sede, o Pastor-Presidente é o Pastor Principal da igreja e dos trabalhos e as congregações setoriais e locais são chamadas Igrejas filhas (filiais).

Estima-se que existam hoje cerca de 10 mil Igrejas-Sede em todo o Brasil, de campos ou Ministérios, e mais de 100 mil locais de culto distribuídos nos mais de 5 mil municípios brasileiros.

14.2. Crescimento

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no último censo realizado em 2010, apontou 12,3 milhões dos evangélicos no país são da Assembleia de Deus (30%).

Contudo, esta obra realizada pelo Espírito Santo de Deus, por meio das verdades bíblicas de que Jesus Salva, Cura, Batiza no Espírito Santo e breve voltará para buscar sua igreja, desde seu início, conforme o mandamento de Jesus Cristo nas Sagradas Escrituras (Atos 1:8), já em 1967 foi visto pelo brasil inteiro.

Em 1967 o Brasil foi sede da 8ª Conferência Mundial Pentecostal, que ficou conhecida mundialmente como “A maior reunião pentecostal em toda a vitoriosa História da Igreja”.

Jonal divulga o encerramento da oitava conferência mundial pentecostal: “A maior reunião pentecostal em toda a vitoriosa história da Igreja”.

Próxima e última aula: Assembleia de Deus Ministério de Santos

“A cidade de Santos teve o privilégio de ser uma das primeiras no Estado de São Paulo a receber a mensagem pentecostal. Para sermos mais exatos, foi em Santos que se estabeleceu a primeira Assembleia de Deus no Estado de São Paulo. Cinco de maio de 1924 foi a data em que se iniciou a proclamação do trabalho pentecostal na cidade de Santos.” Emílio Conde
(História das Assembleias de Deus no Brasil, 1973, CPAD, pg. 276)

Bibliografia:

Araújo, Isael. História do Movimento Pentecostal no Brasil, CPAD, 2018.

Conde, Emílio. História das Assembleias de Deus no Brasil, CPAD, 1973.

Vingren, Ivar. Diário do Pioneiro, CPAD, 2000.

Berg, David. Enviado por Deus, CPAD, 1995.

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Reforma da Previdência: chegou a hora de converter o tempo especial em comum

Se você trabalhou em atividades perigosas e insalubres e quer fazer a contagem para se aposentar por tempo de contribuição, nunca foi mais urgente do que agora, pois a Reforma da Previdência vem aí!

Se você trabalhou em atividades perigosas e insalubres e quer fazer a contagem para se aposentar por tempo de contribuição, nunca foi mais urgente do que agora, pois a Reforma da Previdência vem aí!

A reforma da previdência vem aí, e não se sabe quais serão as novas interpretações para a conversão do período especial em comum, ainda que a proteção ao direito adquirido seja garantia constitucional.

Com a reforma da previdência a modalidade de Aposentadoria por Tempo de Contribuição irá acabar, e não terá qualquer regra de transição neste sentido. Contudo, você pode ter direito à aposentadoria com a conversão do tempo especial trabalhado e não sabe, e agora é a hora de partir para a ação.

Isso porque as interpretações atuais sobre a conversão da aposentadoria especial (trabalho em situações insalubres e perigosas) em comum (trabalho sem periculosidade ou insalubridade), são amparadas em enunciados de súmulas da Turma Nacional de Uniformização do entendimento dos Juizados Especiais Federais (TNU), que poderão mudar com a aprovação da Reforma da Previdência.

Neste post você vai ser informado do que precisa fazer para converter seu tempo especial em comum e pedir urgentemente sua aposentadoria por tempo de contribuição com aplicação do tempo especial convertido.

Leia também: A reforma da previdência e os princípios cristãos

1. O que é Perfil Profissiográfico Previdenciário?

É o famoso PPP, documento que deve ser solicitado no Departamento de Recursos Humanos da empresa, no qual há a inclusão de todas as informações referentes ao trabalho exercido em situações insalubres e perigosas.

Cuidado com os dados inseridos neste documento, não é o fato de entregarem o documento que lhe dará o direito ao cálculo de tempo especial, mas os dados nele inseridos que devem conter detalhadamente os fatores de risco aos quais o trabalhador esteve exposto no período indicado.

O empregador não pode negar a entrega deste documento ao trabalhador, visto que é documento próprio que serve ao órgão previdenciário, sendo direito social básico do trabalhador (art. 6º, da Constituição Federal).

Caso haja dificuldades na obtenção deste documento, o trabalhador deve procurar apoio do seu sindicato ou de advogado de sua confiança, para que promova notificação e/ou ação judicial no sentido da obrigação de entregar o referido documento.

2. Posso utilizar período especial de qualquer tempo trabalhado?

Sim! Não importa de quando data o trabalho exercido em condições perigosas e insalubres, é possível pedir a conversão e o reconhecimento do período especial para o cálculo do tempo de aposentadoria por tempo de serviço de qualquer período trabalhado.

Este é o entendimento estabelecido pela TNU, conforme o enunciado da Súmula 50, que afirma expressamente que:

“É possível a conversão do tempo de serviço especial em comum do trabalho prestado em qualquer período.” Sumula 50 da TNU

Por isso você pode procurar a empresa (se por ventura ainda estiver em funcionamento), e solicitar seu PPP da época em que lá exerceu trabalho insalubre ou perigoso, sendo completamente válido para a utilização no cálculo do tempo de serviço com a conversão.

3. Tabela de conversão do tempo de serviço especial em comum

A conversão vai depender do grau de exposição a fator de risco, demonstrado pelo grau mínimo, médio e máximo, que correspondem respectivamente à aposentadoria especial de 25, 20 e 15 anos de exposição ao fator de risco.

Cada um desses graus possui um multiplicador para conversão conforme a tabela abaixo:

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Assim, por exemplo, se um homem ficou exposto a fator de risco no grau mínimo, durante 5 (cinco) anos, estes serão multiplicados por 1.4, isto é, 5 x 1.4 = 7. Assim, serão calculados dois anos a mais ao cálculo do tempo de contribuição, em razão da conversão do período especial em grau mínimo.

4. O que fazer depois de estar com os PPP’s nas mãos?

Procure um advogado de sua confiança e faça uma simulação com a aplicação dos períodos (especial e comum). Levar os documentos ao INSS pode não ser uma boa ideia, visto que na situação atual em que se encontra a Previdência Social, entraves burocráticos e falhas na inclusão e interpretação dos dados podem comprometer o seu direito.

Contudo, é possível que você faça sua simulação com login e senha no site http://meu.inss.gov.br/, mas não está disponível qualquer calculadora para conversão do tempo especial em comum, nem mesmo é possível incluir o período como especial no simulador disponibilizado pelo INSS pela internet.

Não há tempo para pensar muito. É necessário tomar atitudes e buscar seus direitos, visto que a Reforma da Previdência, como acima dito, irá extinguir o direito à Aposentadoria por Tempo de Contribuição, e com esta alteração da Constituição, poderá levar à mudança do entendimento do TNU, cessando-se o direito às conversões após a publicação do texto da reforma.

É hora de agir pelos seus direitos.

A Polícia Militar pode multar?

A Polícia Militar pode aplicar multa de trânsito? Este questionamento é muito comum e a resposta não está prevista expressamente no ordenamento jurídico brasileiro, por isso é necessária a cautela e o respeito no trânsito.

A resposta é “SIM, a PM pode multar”. Todavia, explicaremos o porquê.

1. A organização administrativa do trânsito e as competências legislativas e executivas.

A legislação de trânsito é o cumprimento da organização administrativa do tráfego de veículos, principalmente no meio urbano, por meio da qual há o regulamento das liberdades e do direito de propriedade dos condutores na condução de seus veículos.

Portanto, a questão está afeta à competência administrativa. Ou seja, quem pode ou quem não pode fazer valer a ordem no trânsito, conforme as atribuições legais.

Em primeiro momento é necessário falarmos que a competência (atribuição) para legislar sobre trânsito é privativa da União (Federal), (cf. art. 22, XI da Constituição Federal), sendo que os demais Estados poderão legislar apenas sobre questões residuais (ou seja, aquilo que não está previsto na norma federal e está no âmbito da especificidade de cada local), (cf. 22, parágrafo único, da Constituição Federal).

Contudo, legislar é diferente de executar (o poder legislativo não se confunde com o executivo). A execução da lei é feita por meio de ministérios (federal), secretarias (estaduais e municipais) de trânsito, com seu corpo técnico e agentes que fiscalizam o trânsito (cf. art. 144, § 10, inc. II da Constituição Federal).

A fiscalização, portanto, em cada ente federativo é atribuída ao seu corpo de profissionais da organização administrativa de trânsito (Polícia Rodoviária Federal, Estadual e agentes de trânsito municipais).

Mas e as Polícias Militares que não têm atribuição de Polícia Rodoviária, por que podem multar?

Leia também: Servidor Público pode ser processado por erro grosseiro

2. Delegação administrativa para fiscalização mediante convênio

No Direito Administrativo (Administração Pública) a delegação é uma das espécies de transferência da execução de serviços públicos.

Há muita divergência na doutrina e na jurisprudência acerca da delegação do exercício de Poder de Polícia (administrativo) que é aquele poder que a administração tem de regular, fiscalizar (e até mesmo limitar) o exercício da liberdade e a propriedade dos cidadãos, com a coerção realizada por meio da aplicação de multas.

A divergência reside na questão de que o Poder de Polícia, como ato administrativo vinculado (ou seja, direito da administração de fazer realizar diretamente e coativamente a vontade da lei), não poderia ser exercido por terceiros.

Contudo, atualmente já é ponto pacífico de que os atos materiais, ou seja, atos de fiscalização, podem ser realizados por terceiros. Exemplo: Zona Azul, Radares fotográficos (empresas), dentre outros.

Estes terceiros apenas tomam nota das infrações e as encaminham para o órgão de trânsito competente (federal, estadual ou municipal), que atribuirá o valor que entender cabível diante das informações trazidas, emitindo o auto de infração de trânsito, abrindo-se prazo para defesa.

Assim é com a Polícia Militar, que diante da permissão do artigo 25 do Código de Trânsito Brasileiro, poderá receber, por delegação (na forma de convênio), a atribuição de fiscalizar o trânsito no meio urbano, podendo lavrar autos de infração que devem ser confirmados pelos órgãos de trânsito que lhe conferiram tal competência delegada, nos termos do art. 280, § 4º, do CTB, que diz que:

“Art. 280. § 4º O agente da autoridade de trânsito competente para lavrar o auto de infração poderá ser servidor civil, estatutário ou celetista ou, ainda, policial militar designado pela autoridade de trânsito com jurisdição sobre a via no âmbito de sua competência.”

A previsão da equiparação dos Policiais Militares como agentes de trânsito, quando incumbidos desta função mediante delegação por convênio firmado, está expressamente prevista no artigo 23, inciso III, do CTB, que expressamente dispõe que:

“Art. 23. Compete às Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal: III – executar a fiscalização de trânsito, quando e conforme convênio firmado, como agente do órgão ou entidade executivos de trânsito ou executivos rodoviários, concomitantemente com os demais agentes credenciados”

3. Conclusão

Concluindo, portanto, colaciono trecho do texto de Renato Nery Machado, disponível no site da Câmara dos Deputados, em 24.03.2008 (clique aqui para ler – acesso em 20.10.2019):

“Hoje, para que um policial militar possa autuar nas infrações de competência municipal, há que se celebrar convênio entre estado e município. A Autoridade de Trânsito Municipal deve designar os seus Agentes, e no caso do convênio firmado, estes agentes serão funcionários públicos estaduais (policiais militares). Isto após se cadastrar no Sistema Nacional Trânsito, via DENATRAN.”

Portanto, em seu município, se não souber se há o convênio, sempre presuma existir e respeite os Policiais Militares e agentes de trânsito, melhor: respeite o trânsito, visto que a limitação jurídica de sua liberdade e de sua propriedade na condução de veículo automotor é para o bem de todos!

#10 – Reavivamento Pentecostal – parte 2 – avivamento da Rua Azusa e chegada ao Brasil

10.1. Movimentos Anteriores

Os movimentos anteriores montanismo (sec. II), pietismo (sec. XVI), puritanismo morávio (séc. XVII) e metodismo (séc. XVIII), como precursores do pentecostalismo, despertaram os cristãos “a buscarem uma nova dimensão espiritual;

O Batismo com o Espírito Santo: essa segunda obra da graça, posterior à conversão, libertaria os crentes de sua natureza moral imperfeita, que os têm induzido ao comportamento pecaminoso;

Um fortalecimento moral foi verificada nos lares dos cristãos nos EUA. Charles Finney (pregador metodista), pregava a necessidade de uma vida santificada e o batismo com o Espírito Santo;

Preocupado com a formalidade e frieza presentes na Igreja, Charles passou a usar métodos inovadores, como realizar cultos previamente anunciados por distribuição de folhetos, linguagem coloquial na pregação, horários não padronizados para os cultos, citar os nomes das pessoas nas orações públicas e nos sermões, e o “lugar dos aflitos” ao qual as pessoas com perguntas poderiam ir;

Estima-se que entre 1857 e 1858, que Charles Finney tenha ganhado 50 mil almas por semana para o Senhor Jesus.

É nesse tempo que surge o movimento Holiness, o movimento de santidade e enfatizava a imprescindível busca pela santidade com o objetivo de reformar a Igreja;

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Charles Finney pregando um de seus sermões

10.1.1. Movimento de Santidade (Holiness)

Os pastores do movimento Holiness (santidade), ensinavam que a causa das enfermidades presentes na Igreja era a ausência de santificação total e também a falta de poder espiritual;

Por isso insistiam na necessidade de uma vida consagrada e afastada do pecado, e, para tanto, passaram a pregar a orientação do Espírito Santo;

Santifica a sua vida e receba a cura divina. Daí vem o quadrilátero pentecostal Assembleiano: Jesus Salva, Cura, Batiza com Espírito Santo e em breve Voltará é a junção de todos os ensinos destes homens.

A vida controlada e guiada pelo Espírito Santo passou a ser doutrina central das Igrejas independentes;

Esse ensino provocou desvios entre alguns de seus seguidores;

Surgiram excessos a ponto de alguns se rebelarem contra as autoridades eclesiásticas, rejeitando as ordenanças e em alguns casos extremos (perigo !!) desconsiderando até mesmo a Bíblica como regra de fé;

No entanto, essa distorção foi vencida pelos próprios excessos;

Por outro lado, a experiência demonstrou o potencial explosivo de dependência aos dons espirituais;

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Cruzadas evangelísticas do movimento Holiness

10.1.2. Movimento da Fé Apostólica

Ainda mais, a emoção e a liderança do Espírito, esses fatores foram inerentes ao surgimento do pentecostalismo, poucos anos depois;

O movimento da santidade (Holiness) surgiu muitas cruzadas, chamadas “cultos do fogo”, Moody (grande teólogo americano) foi batizado com o Espírito Santo nesta época.

No início do século XX dezenas de estudantes da Escola Bíblica fundada pelo pastor Charles Fox Parham falaram línguas desconhecidas como sinal do batismo no Espírito Santo, seguindo-se daí outros avivamentos que atraíram milhares de cristãos.

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Parham (no meio) com sua esposa e alunos de do instituto Bíblico Bethel em Topeka – Kansas

Parham cria que o Espírito Santo concederia o dom de línguas com idioma humano (xenolalia), fundou em Topeka-Kansas, o Bethel Bible College;

Em 31 de dezembro e 1900, para aguardar a chegada do novo século (XX), Charles Parham e seus alunos realizaram um culto de vigília no Bible College;

Na ocasião, a estudante Agnes Ozman pediu que lhe impusessem as mãos para que recebesse o Espírito Santo;

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Irmã Agnes Ozman – primeira irmã batizada com o Espírito Santo no Instituto Bíblico Bethel

Durante a oração, para alegria de todos, ela (Agnes Ozaman) falou em línguas desconhecidas;

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Charles Parham

O fenômeno repetiu-se nas reuniões seguintes. Cerca da metade dos 34 alunos do Bible College recebeu o batismo com o Espírito Santo, inclusive o diretor Charles Parham;

Após essa experiência, Parham empenhou-se em espalhar o movimento;

No fim de 1903 aconteceu um avivamento em Galena (Kansas) que enfatizava o batismo com o Espírito Santo e a cura divina;

O movimento de 1903 atraiu milhares de cristãos e impulsionou o ministério de Parham;

Em 1905, com o propósito de treinar evangelistas-missionários, Parham fundou uma Escola Bíblica em Houston, Texas;

Os treinamentos duravam dez semanas;

A princípio, o movimento recebeu diferentes nomes: Movimento da Fé Apostólica, Movimento Pentecostal ou Chuva Serôdia;

Nesse período o EUA vivia o período da segregação racial. Lá na Escola Bíblica os alunos eram brancos, mas apareceu um negro, cego de um olho, que queria assistir aulas, ficou sentado na porta.

Nesse período o EUA vivia o período da segregação racial. Lá na Escola Bíblica os alunos eram brancos, mas apareceu um negro, cego de um olho, que queria assistir aulas, ficou sentado do lado de fora, na janela, se equilibrando com suas anotações.

Mas do lado de fora assistiu o professor ensinar que Jesus batizava com o Espírito Santo.

Depois deste período de estudo, Deus levantou William Seymour, com o coração cheio de fé, munido do conhecimento que recebeu, fundou a Igreja Missão Evangélica da Fé Apostólica na Rua Azuza em Los Angeles.

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Pr. J. William Seymour e sua esposa Jennie

Leia também: #01 A Fundação da Igreja:  Atos dos Apóstolos pt.1 – Sec. I

10.2. O avivamento da Rua Azusa – Los Angeles

O principal líder foi o pastor Joseph William Seymour, que fora aluno da Escola Bíblica liderada por Charles Fox Parham;

Ao experimentar o batismo com o Espírito Santo, Seymour alugou um salão na Rua Azuza, em Los Angeles para a pregação pentecostal;

Foi em abril de 1906, que o grupo liderado por Seymour alugou um rústico edifício de madeira, no número 312 da Rua Azuza, no centro de Los Angeles;

Esse prédio havia abrigado uma Igreja metodista negra e posteriormente fora usado como cortiço e estábulo;

Os cultos incluíam três ou quatro sermões ministrados pelos cooperadores de Seymour, que era o principal pregador;

O movimento era conhecido como Missão da Fé Apostólica.

A imprensa local costumava divulgar notícias pejorativas e profundas críticas ao movimento.

O principal jornal da cidade mandou um repórter averiguar o fenômeno de falar em outras línguas nos cultos da Rua Azuza;

O artigo, intitulado “Estranha babel de línguas”, repudiou o sermão de Seymour, classificando-o como “confusão bíblica e gritos”;

Contudo, o artigo do jornal funcionou como propaganda, pois em seguida afluíram aos cultos dirigidos por Seymour cristãos de todas as raças e denominações, que, curiosos, queriam saber o que estava acontecendo;

As igrejas tradicionais começaram a perder membros, alguns pastores dessas igrejas foram para ver e muitos também ficaram lá.

As multidões lotavam o salão de cultos e experimentavam o batismo no Espírito Santo;

A mensagem ali ouvida era transmitida para outros lugares do país e do resto do mundo;

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Fachada da congregação da Rua Azusa no centro de Los Angeles/CA, e publicação em jornal da época

Uma das características mais impressionantes das primeiras reuniões pentecostais foi o caráter interracial em tempos de acentuado racismo nos EUA. Frase famosa na época “a linha divisória da cor havia sido lavada pelo sangue de Jesus”.

Considera-se, então, que o avivamento da Rua Azuza foi o movimento pentecostal de maior relevância em virtude de sua abrangência internacional;

No entanto, é preciso salientar que os avivamentos não estavam restritos aos EUA, existem dados que indicam, por exemplo, avivamentos entre batistas na Suécia e em outras partes do mundo;

E, ainda, temos informações relevantes que os batistas suecos, residentes nos EUA experimentaram o pentecostes antes mesmo do movimento da Rua Azusa;

Neste caso, as Assembleias de Deus no Brasil, fundada em 1911 por Gunnar Vingren e Daniel Berg, embora influenciados pelo movimento da Rua Azusa, são originalmente anteriores a tal movimento; (informações mais recentes – materiais em sueco).

10.3. A Chegada de Daniel Berg e Gunnar Vingren ao Brasil

Daniel Berg e Gunnar Vingren, quando experimentaram o batismo com o Espírito Santo em chicago e desembarcarem no Brasil em novembro de 1910, Gunnar Vingren, era Bacharel em Teologia, formado em Chicago.

Chegaram em Belém do Pará com esta mensagem pentecostal.

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Seis meses depois que chegaram ao Brasil pregando o Batismo com o Espírito Santo, nada tinha acontecido.

Houve uma noite que foram fazer um culto no lar, na casa da irmã Celina Albuquerquer, que era professora da Escola Dominical da Igreja Batista, estava afastada por um tumor nos lábios.

Eles mal sabiam o português. Ao final da mensagem disseram a ela: “a irmã crê que Jesus Cura?”. E ao final da oração Jesus operou o milagre instantaneamente e o tumor desapareceu.

A mensagem tinha sido: Jesus Salva, Cura e Batiza com o Espírito Santo. E ela assentou no coração que só faltava o Batismo com o Espírito Santo.

Determinou a não sair de casa até ser batizada, sua amiga Maria Nazaré ficou em oração com ela, e numa quinta-feira pela madrugada enquanto elas oravam, Jesus batizou a irmã Celina Albuquerque com o Espírito Santo, com a evidência das línguas estranhas.

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Irmã Celina Albuquerque – Primeiro batismo com o Espírito Santo no Brasil

Houve um alvoroço naquela Igreja Batista, e no domingo próximo, a irmã Celina Albuquerque voltou para assumir suas funções com sua revista e sua Bíblia, curada e batizada com o Espírito Santo.

Seu pastor, porém, não permitiu que entrasse para dar aula. Ela o informou que havia experimentado e estava na Bíblia, mas não foi permitida dar aula.

A liderança da Igreja, então, marcou uma reunião para uma terça-feira a noite. Naquela reunião, houve uma votação 20 irmãos dos 34 membros da Igreja concordaram com o Batismo e as línguas estranhas, e foram excluídos com os missionários da Igreja.

Aqueles irmãos juntamente com os missionários ficaram para o lado de fora da igreja, sem saber para onde ir, os missionários moravam no porão da igreja e agora estavam na rua.

• A irmã Celina Albuquerque disse: Jesus me salvou, me curou, me batizou com o Espírito Santo, e agora a minha casa é a casa dos pastores.

• E ali foi fundado o primeiro ponto de pregação que recebeu o nome: Missão da Fé Apostólica.

• O foco de evangelização era o que a igreja local não estava fazendo, os pobres, os necessitados, os marginalizados foram evangelizados.

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• A imprensa de Belém do Pará também mandou um repórter para assistir um culto na Igreja, e também falou mal da Igreja, mas os efeitos também foram inversos, o povo foi assistir e muitos foram batizados com o Espírito Santo.

Semana que vem, penúltima aula: ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL

As 4 dicas (regras) de ouro do Contrato de Consumo

Ei, consumidor! Não se engane. A todo o tempo você está contratando, desde o plano de telefonia oferecido por SMS, a compra daquela coxinha e o refrigerante na lanchonete, até o veículo zero quilômetro dos seus sonhos na concessionária.

Tenho 4 (quatro) dicas para você hoje que são, na verdade, para mim, verdadeiras regras que devemos levar conosco quando firmamos um contrato de consumo.

Levando ao seu dia a dia estes comportamentos, você certamente será um consumidor atencioso e não cairá em embaraços dos comerciantes e fabricantes de produtos e prestadores de serviços.

Então, vamos logo a elas:

1. Nunca assine nada sem ler

Parece algo simples e que todo mundo sabe. Mas no dia a dia não é observado. São colocados documentos na nossa frente e logo não nos preocupamos em questionar ou colocar os pontos em dúvida à prova.

Você têm dúvidas acerca do funcionamento do produto? Ou em quais passos serão feitos os serviços? Não hesite em perguntar.

Você só deve comprar aquilo que entender como funciona, como se instala e como será feito.

Esteja sempre atento a cláusulas obscuras, ou seja, que não são de fácil entendimento.

Isso porque, quando as cláusulas não são de fácil compreensão, isso dá motivo para várias interpretações e com certeza serão usadas contra você.

2. Não é “só um contratinho”

É sempre assim. Colocam o documento na frente do consumidor e dizem: “não precisa ler. É só um contratinho”. Não! Não é só um contratinho.

O contrato é um documento que vincula você às responsabilidades ali previstas e onde constam declarações pessoais em seu nome.

A palavra “ratificar” é bem esclarecedora nesse ponto. Ratificar significa “confirmar”, “concordar”, “corroborar”, “consentir”.

Por isso, tudo o que eles colocam no papel e você assina embaixo é uma concordância com as declarações ali previstas.

A questão é que, só percebemos que “não é só um contratinho”, quando somos prejudicados e o contrato é utilizado em nosso desfavor.

Percebemos que os contratos não são documentos quaisquer principalmente quando a situação é levada para sede judicial.

Por isso, sempre pense em um contrato como uma prova que será avaliada por um juiz.

3. Cuidado com os “contratos prontos” (adesão)

Esse “contratinho” que colocam na sua frente. Ou aquele SMS que você recebe para responder “Sim” ou “Não” para trocar de plano, ou aquela ligação em que leem um contrato por telefone na “velocidade da luz” e perguntam ao final se você “aceita”, são todos contratos de adesão.

E volto à palavra “ratificar”, que também tem como sinônimo a palavra “aderir”.

Contrato de adesão é o contrato pronto que você apenas assina, sem ter qualquer direito de incluir ou modificar uma cláusula.

O problema é que, nem todas as cláusulas do contrato de adesão são “abusivas”.

Algumas, não tem problema você aderir, pois você está protegido contra as cláusulas abusivas, por exemplo aquelas que dizem que você desiste de ir à juízo reclamar perdas e danos, que dizem que você renuncia à garantia legal do produto, dentre outras.

Ainda assim você deve ser cauteloso, pois nem todas as cláusulas que prejudicam o consumidor são abusivas, devendo haver atenção, leitura e questionamento completo do que se está assinando.

Fica mais fácil entender este ponto com um exemplo prático que presenciamos no cotidiano, em que uma cláusula que passou despercebida, prejudicou um consumidor desatencioso.

Exemplo prático

Um exemplo prático destas três primeiras dicas é o caso do rapaz que ao adquirir um cartão de crédito, em conjunto lhe foi oferecido um serviço de “seguro de veículo”.

A oferta foi realizada com a informação de que o serviço era melhor que as seguradores tradicionais, pois o rapaz não precisaria levar o veículo para vistoria e que seria apenas pago um valor simbólico na fatura mensal do cartão de crédito.

Aquele jovem, portanto, completamente animado, pois tinha uma Kombi que entregava alimentos há muitos anos e nunca teve seguro para pedir guincho e outros serviços emergenciais, assinou o contrato sem ler.

Meses depois, o veículo quebrou na pista e, tranquilamente, ligou para a seguradora do cartão, que pediu os dados do veículo.

Ao dar os dados e informar o ano de fabricação do veículo, não foi sua surpresa em ouvir que tinha sido recusado o resgate 24horas.

Ao chegar em casa, foi buscar o contrato que havia assinado, e ao ler uma das cláusulas verificou que os veículos aceitos pelo “seguro” não poderiam contar com mais de 10 (dez) anos de fabricação.

Cláusula abusiva? Claramente que não! Bastava ler o contrato.

Logo, ingressou no juizado especial, e teve seu pedido julgado improcedente. Para aprender a ler antes de assinar os contratos, ainda que de adesão.

Estou lhe avisando por este texto: não seja ingênuo no mercado de consumo.

4. VOCÊ NÃO É OBRIGADO A NADA

Por fim, é isso mesmo que você está lendo: VOCÊ NÃO É OBRIGADO A NADA. Não é obrigado a assinar contrato nenhum, a aceitar condição alguma, a contratar serviços e adquirir produtos que não quer.

Você tem plena liberdade no mercado de consumo.

Ainda que passem duas horas lendo condições e contratos no seu ouvido pelo telefone, ainda que você fique horas experimentando um produto ou avaliando a qualidade da apresentação de um prestador de serviços: você não é obrigado a contratar.

Tendo ciência disso, tenho certeza que você vai manter a calma e ter cautela no momento da contratação.

Digo isto porque, muitos com pena dos vendedores ou dos chamativos e prolongados anúncios, psicologicamente se acham obrigados a dar uma contraprestação a este esforço, geralmente aceitando contratar.

Mas não se engane: você é apenas um número no relatório infindo destes grandes fornecedores.

A qualidade dos serviços e dos produtos bem apresentados e as boas propagandas com informações precisas e claras é obrigação deles! Ou seja, não te obrigam, pois é um dever deles e um direito seu (art. 6º, incisos III e IV, do CDC).

Espero que tenha gostado destas verdadeiras “regras de ouro”, guarde e as pratique no dia a dia, certamente suas contratações no mercado de consumo serão mais seguras!

Após a Constituição Federal de 1988 o Brasil se tornou um país Comunista?

Quem faz esta afirmação não sabe o que é comunismo e não conhece a vigente Constituição da República Federativa do Brasil que é a mais democrática e protetora das liberdades de toda nossa história.

Vivemos em uma época na qual é preciso, todos os dias, dizer o óbvio. Dentre as barbaridades que ouvimos é a mentira de que após a redemocratização do país o Brasil se tornou um país comunista.

É de doer os ouvidos. Todos desejamos um dia que o nosso país se interessasse mais pela política, para que não aceitasse o que muitos políticos estavam fazendo no país, roubando os cofres públicos e institucionalizando a corrupção, sem exceção de qualquer partido.

Mas o que presenciamos foi um interesse político amparado em mentiras. Argumentos que desmerecem as conquistas democráticas e as liberdades civis e políticas. Que buscam desmoralizar nossa democracia e entregar o Estado nas mãos de um sistema opressor e fascista, que prega um revisionismo histórico e relativiza vergonhosos períodos da nossa história.

Trazendo de volta sua mentalidade para o presente texto, quero aqui rechaçar, veementemente a atitude, às vezes simplesmente ignorante (por ausência de conhecimento), mas na maioria das vezes recheada pela má-fé, em dizer que o Brasil organizado pela Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, teria se tornado um país comunista.

Primeiro, vamos entender quais são os atos dos Poderes Públicos que revelam que um país é comunista. Em seguida vamos comparar essas características comunistas com nossa identidade assegurada na ordem Constitucional, que é republicana e democrática.

O QUE É COMUNISMO?

Atualmente, quando há esse ódio e oposição violenta ao comunismo, o que se está querendo realmente evitar é o “socialismo marxista”, que segundo o Dicionário de Política de Norberto Bobbio é:

“Em geral, o Socialismo tem sido historicamente definido como programa político das classes trabalhadoras que se foram formando durante a Revolução Industrial. A base comum das múltiplas variantes do Socialismo pode ser identificada na transformação substancial do ordenamento jurídico e econômico fundado na propriedade privada dos meios de produção e troca, numa organização social na qual: a) o direito de propriedade seja fortemente limitado; b) os principais recursos econômicos estejam sob o controle das classes trabalhadoras; c) a sua gestão tenha por objetivo promover a igualdade social (e não somente jurídica ou política), através da intervenção dos poderes públicos. O termo e o conceito de Socialismo andam unidos desde a origem com os de Comunismo (v.), numa relação mutável […]”[1]

Assim, um país que adota referida mentalidade em sua organização de governo, tem como características notória e imediatamente verificáveis, as abaixo discriminadas, dentre outras:

(1) A existência de partido único: é facilmente identificável nos governos comunistas, que impedem a formação de quaisquer partidos de oposição. Todavia, não só o comunismo, mas todo governo que se torna “autoritário” acaba tendo como um de seus métodos a extinção dos demais partidos por ventura existentes. Ou seja, toda a ditadura, seja de esquerda, seja de direita, prega a extinção dos opositores e o governo por meio de um único partido.

(2) A socialização dos meios de produção: o governo comunista, a grosso modo, extingue o direito de propriedade. Os meios de produção são colocados sob propriedade comum da comunidade, que exerce por meio de divisão de trabalho encarregada de elaborar planos de produção anuais. Segundo Bobbio “cada cidadão dá à coletividade uma quantidade igual de trabalho e recebe de um armazém público o necessário para a própria vida”[2].

(3) Controle da mídia: nos governos comunistas a censura é a regra. Há um controle absoluto sobre a mídia e toda a informação prestada ao público é filtrada. Exemplo disso é o controle que era exercido pelo governo soviético (1922-1991), onde todas as informações comerciais, impressos em geral, músicas, obras de arte, romances teatrais, fotografia, cinema, rádio, televisão e toda fonte de informações eram filtrados com o fim de impedir a divulgação de conteúdo “não oficial”.

(4) Ateísmo como política de Estado: para o comunismo toda e qualquer religião enfraquece a população, ou seja, entende que é uma criação dos mais ricos para oprimir o proletariado, fazendo-o aceitar o sofrimento como um tipo de expiação divina, a fim de aceitar a opressão dos detentores dos meios de produção, pois a recompensa não está na Terra.

(5) Organizações de massa de controle do indivíduo ou do cidadão: para fim de fiscalizar que entre a população não surgirão aqueles que concentram bens, burlando o sistema, para se tornar, eventualmente, com mais posses que a maioria da população, um governo comunista cria organizações que controlam a vida cotidiana dos cidadãos, para saber tudo o que produzem e o que possuem.

(6) Passaportes internos para deslocamento entre estados federados: a circulação em um país comunista não é livre. Há a exigência de que se tire passaporte para a locomoção interna, altamente vigiada e fiscalizada. A fim de impedir a circulação e troca clandestina dos meios de produção e realizar o controle populacional nas comunidades. Um exemplo de país no qual este passaporte é exigido é a Coréia do Norte.

FUNDAMENTOS E LIBERDADES DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL QUE SÃO CONTRÁRIOS AO COMUNISMO OU QUALQUER OUTRO TIPO DE TOTALITARISMO POLÍTICO

Nossos princípios constitucionais democráticos impedem veementemente que o governo de nosso país se torne autoritário, e está há anos luz de admitir governos autocráticos como os comunistas. Tornar-se um país comunista exigiria uma completa quebra do pacto republicano feito pela Assembleia Geral Constituinte, que no artigo da Constituição consagrou a República brasileira como “Estado Democrático de Direito”, previu como seus fundamentos:

(1) Pluralismo político (Art. 1º, inciso V): ao contrário do comunismo, o Brasil tem como fundamento o pluripartidarismo. Todo cidadão é livre para se filiar a partidos políticos, sejam de quaisquer pensamentos filosóficos ou ideológicos, o que caracteriza o caráter plural e democrático da sociedade brasileira.

(2) Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e a garantia do direito de propriedade (Art. , IV e art. , XXII da CF): ao contrário dos governos comunistas, onde é pregada a apropriação dos meios de produção e a extinção do direito de propriedade, no Brasil é garantido o trabalho e a livre iniciativa, onde é livre a oferta de trabalho e a contratação pelos donos dos meios de produção desta força de trabalho para desenvolver seu capital. Ainda, é garantida pela Constituição Federal o direito à propriedade, conforme se pode ler no artigo , que diz que o direito de propriedade é inviolável. Esta garantia permite que qualquer pessoa, que engendre esforços em seu ganho de capital se torne proprietário de um meio de produção (ex. empresários individual – pessoas físicas).

(3) É livre a expressão e informação pelas mídias em geral: referida liberdade está prevista no artigo , inciso IX, da Constituição, que garante que a atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, é livre independentemente de censura ou licença. Assim, o governo brasileiro não tem autoridade para limitar a expressão fora dos limites constitucionais.

(4) É livre a consciência, pensamento e crença religiosa: O Brasil tem como princípio a laicidade estatal, que não é sinônimo de que vivemos em um país que rejeita as religiões, muito pelo contrário. A Laicidade Estatal impõe neutralidade axiológica ao Estado em frente a qualquer denominação religiosa, devendo tratar todas as religiões com igualmente e acolher todas as formas de crença, e proteger suas liturgias, respeitados os princípios fundamentais previstos na Constituição, principalmente a vida, a liberdade e a igualdade de todos. Impossível seria no Brasil, portanto, falar-se em “guerra santa”, como vivenciado na Europa entre as cruzadas nos séculos X a XIII. Referido pensamento viola a Constituição.

(5) É livre a concentração de riquezas. E é assegurado o direito de reunião e de associação, vedada a de caráter paramilitar (art. , incisos XVI, XVII, LIV, da CF): No Brasil não há controle de ganho de recursos ou de posses, é o próprio indivíduo que tem o dever cívico de declarar sua renda para fins fiscais (tributários) a fim de que haja a redistribuição justa da renda em serviços públicos (saúde, educação, segurança, saneamento, etc.), mas, caso não o faça, não será privado da sua liberdade, nem serão confiscados seus bens. No caso de sonegação, ou simplesmente falta de pagamento de tributo, responderá ao Devido Processo Legal, assegurados seus direitos constitucionais de defesa. Ainda, é assegurado a todos associarem-se em grupos ou organizações, e nelas fazerem suas reuniões, sem que temam qualquer tipo de fiscalização ou ingerência do Estado.

(6) É livre a locomoção em território nacional (art. , XV da CF): não há no Brasil qualquer exigência de passaporte interno, como ocorre em países comunistas. É livre o direito de ir e vir dentro do território nacional, e ainda o de sair (com passaporte), com ou sem os seus bens. O único caso em que a liberdade de locomoção no território nacional fica restrita é no caso de guerra declarada, em que o governo terá mais responsabilidade em relação aos seus cidadãos, restringindo até mesmo o direito de reunião.Em razão de tais direitos e garantias expressos em nossa Carta Constitucional, se observa que o Brasil não é um país comunista e quem assim chama o nosso país, ofende a democracia e a liberdade tanto almejada pela Constituição, que deseja que todos os tipos de opiniões convivam pacificamente, para que se possa discutir em nossos plenários legislativos as melhores formas para o crescimento e o desenvolvimento sadio de nossa nação.

EXEMPLOS DE MECANISMOS DEMOCRÁTICOS QUE FUNCIONAM NO SISTEMA POLÍTICO QUE NÃO FUNCIONARIAM EM UM PAÍS COMUNISTA

Além do todo acima demonstrado, existem mecanismos democráticos em nossa Constituição, que estão em pleno funcionamento, que jamais funcionariam em um país comunista:

a) As eleições diretas e secretas – os países comunistas não possuem eleições livres. Ainda que mantenham a pecha de “democráticos”, mantém um absoluto controle dos votos da população, fazendo com que os resultados das eleições sejam predeterminados. No Brasil temos a Justiça Eleitoral, que tem feito um brilhante trabalho nos últimos anos, prezando pela higidez de nossas eleições em todas as esferas de nosso governo.

b) O processo de impeachment – referido processo de retirada de um governante do poder, realizado pelos “checks and balances” (freios e contrapesos), do Poder Legislativo, na figura da Câmara dos Deputados e o Senado Federal, também nunca funcionaria em um país comunista. E já temos em nossa história, em um período de pouco mais de 20 (vinte) anos, e atualmente chegando aos 31 (trinta e um) anos da nossa Constituição Federal, dois presidentes da República foram depostos por meio de referido processo constitucional e democrático.

Os mecanismos constitucionais de alternância e controle dos atos do poder governamental, estando em pleno funcionamento, demonstram que o Brasil não é nem de longe semelhante a qualquer dos países comunistas que existem ou já existiram. Podemos ter orgulho de viver num país onde a democracia tem funcionado normalmente, sendo livre o direito de protestarmos contra os atos do governo e votarmos melhor quando governados por um governo inepto.

Portanto, após este texto, tenho a plena certeza que você poderá dizer para qualquer pessoa que, com base em nossos princípios e regras constitucionais, não vivemos e nunca vivemos em um país totalitário que possui o comunismo como regime de governo.


[1] Bobbio, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 11ª ed., 1998. p. 1196-1197

[2] Op. Cit. p. 208

#09 O reavivamento pentecostal – parte 1

9.1. O Pietismo, Morávios e Metodismo

Também podem ser chamados de sementes pentecostais da reforma.

9.1.1. O Pietismo

(Alemanha – 1650-1800) : (2 Co. 3.6) – (Gl. 5:16-25)

Teve como principal expoente o alemão Philip Jakob Spener (foto abaixo), que não aceitou a “ortodoxia” fria dos luteranos. Defendia a Igreja como organismo vivo de experiências reais com Deus. A “ortodoxia” deveria estar aliada a “ortopraxia”.

A prática da Igreja não pode resumir-se apenas em “palavras”, mas na vida que há na Palavra: uma vida Santa, ajudar os necessitados e dedicar-se na evangelização dos povos.

Spener cria que a reforma não estava completa até que houvesse uma verdadeira vida cristã em cada crente.

Resumo do ensino pietista:

  • Uso mais intensivo da Bíblia na vida do cristão;
  • Renovação do sacerdócio de cada crente (atividade na vida espiritual);
  • Mais prática e não somente o conhecimento das Escrituras; §Mais amor e moderação no tratamento com descrentes e desviados;
  • Preparação dos ministros não apenas academicamente, mas na piedade, devoção e sermões de fácil entendimento para os ouvintes;

9.1.2. Os irmãos Morávios

(Alemanha – 1717-1817) (Ne. 9:38; Lv. 6:12,13; Hb. 12:14)

Em 1727, fugiram de Morávia (Checoslováquia) e foram para Alemanha, eram protestantes radicais nas doutrinas de Lutero, Huss e Calvino, mas eram extremamente briguentos.

Se refugiaram na casa de um crente pietista, chamado Conde de Zinzendorf, que, ao vê-los discutindo questões de fé em acaloradas discussões, em 05 de agosto de 1727 colocou todos os morávios em oração. Passaram a noite toda orando, uns apertavam as mãos dos outros em pacto de amor.

No dia 13 de agosto (domingo), ao celebrarem a ceia, veio um avivamento sobre eles. Em lágrimas, não sabiam o que era oração, louvor, clamor. Prostraram-se ao chão e decidiram que dariam mais lugar ao Espírito Santo do que às próprias razões.

A marca do avivamento entre eles foi: oração, perdão, amor e comunhão. A igreja ali na casa do Conde de Zinzendorf se tornou uma grande Antioquia, um quartel missionário (W.Brunelli, 2016)

Gravura dos crentes morávios em fervorosa oração uns pelos outros: paz, amor e devoção

9.1.3. O Metodismo Wesleyano

(Inglaterra – 1739-atual) (Pv. 13:20; 1 Cor. 15:33; Salmos 119:63; Pv. 15:31)

A vida religiosa na Inglaterra passava por um período de declínio moral e espiritual, com a falta de fervor religioso, hábitos mundanos e egoístas do clero, jogatina e bebedice da população, etc.

Esse foi o ambiente encontrado por John Wesley, o filho de um dos poucos ministros zelosos de seu tempo e de uma mãe dedicada e preocupara com a vida espiritual de seus filhos.

John Wesley tornou-se líder de um grupo de estudantes que eram escrupulosos e metódicos em seus estudos bíblicos, por isso ganharam o nome de “metodistas” ou “clube santo”.

Numa viagem, conheceu um grupo de missionários Morávios e esse encontro o transformou, com a oração, o perdão, a vida de santidade, que o transformou no líder do maior avivamento que a Inglaterra já conheceu.

Escreveu, juntamente com muitos homens hinos e louvores. Seu expoente foi a doutrina da perfeição cristã, seu mais veemente discurso. Primava por uma conduta ilibada no meio de uma sociedade moral e espiritualmente corrompida.

Inspirou o movimento Holiness (santidade) dos EUA, William Seymour (pastor da igreja da Rua Azusa) pertencia a este movimento, que defendia que a partir de uma experiência real com a promessa do batismo com Espírito Santo (segunda experiência), o crente é capacitado para viver uma vida de vitória sobre o pecado.

Um reflexo do pensamento Wesleyano é o hino 266 da nossa Harpa Cristã, traduzido por Paulo Leivas Macalão: Resgatados fomos.

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“Nós resgatados fomos,
Por quem nos quis salvar;
Em Cristo livres somos,
Pra nunca mais pecar!
Em Cristo livres somos,
Pra nunca mais pecar!

Resgatados fomos,
Resgatados fomos,
Resgatados fomos,
P’ra nunca mais pecar!”

9.2. A gênese do Pentecostalismo Clássico

Charles Fox Parham (em 1905)

Diretor do Instituto Bíblico Bethel de Topeka/Kansas.

Levou o conjunto (pietista, morávio, metodista), para a sala de aula, juntamente com a doutrina do Batismo no Espírito Santo, e na doutrina dos dons espirituais (inclusive cura divina), visto que o homem, por si, não é capaz de plenamente resistir ao pecado e de testemunhar sem a capacitação espiritual: O Revestimento de Poder.

Próxima aula: Reavivamento da Rua Azusa e os Missionários Suecos.

#08 Reforma Protestante: os cinco solas

8.1. Martinho Lutero – O Cisne

Cem anos antes, quando o pré-reformador John Huss passava pelo seu martírio, profetizou que surgiria um cisne que iria reformar a igreja. Este cisne era Martinho Lutero, monge agostiniano (importância do monasticismo) – que viveu entre 1483-1546.

Características de Lutero:

• No início da caminhada de fé tinha uma noção radical acerca da justiça de Deus (Hb. 10:38)

• Mudou a visão acerca do que estava acontecendo na Igreja quando visitou a cidade de Roma. Indignação com as pregações de Johann Tetzel acerca das indulgências. (concessão de Indulgência Plenária)

• Buscou mais ardentemente as Escrituras, e teve um encontro real com a Justificação por Cristo (Romanos 5:1-2).

• Desenvolveu, com base das escrituras, suas 95 teses, que pregou na porta da Igreja do castelo de Wittenberg na Alemanha, em 31 de outubro de 1517, com base em Mateus 4:17.

O que aconteceu depois:

Lutero enviou cópia das suas 95 teses para o Cardeal Caetano da Alemanha, que a leva para Roma. Após 2 (dois) anos suas teses estão sendo comentadas abertamente em todo o “sacro império Romano” (como chamavam após a coroação de Carlos Magno como imperador em 800 d.C.)

Lutero, então, foi chamado para um Concílio para se explicar e não vai. Pede que seja feito seu julgamento na Alemanha ao chegar mandam que se retrate. Ele apenas diz: “provem-me nas escrituras que estou errado e me retratarei. De outro modo, permanecerei com minha consciência cativa escrituras”. Ali foi chamado de Hussita (seguidor de Jhon Huss). E declaram-no “herege” (Édito de Worms – documento da excomunhão de Lutero).

Ao sair dali condenado, Lutero foi sequestrado por uma horda de cavaleiros mascarados, que cercaram o carro onde estava, e o aprisionaram no castelo de Wartburg.

Escondido naquele castelo, mudou o nome para Jörg, e ficou escondido onde escreveu vários escritos e traduziu o novo testamento para o Alemão. Ali naquela prisão, foram escritos os maiores trabalhos do reformista.

Em 1523, ajudou 12 freiras a escaparem do cativeiro no convento de Nimbschen, e casou-se com Caterina Von Bora, em 13 de junho de 1525, com quem teve seis filhos.

Gravura de Lutero pregando as 95 teses na Igreja do Castelo de Wittenberg em 31 de outubro de 1517

8.2. Os cinco solas. As pedras de toque da reforma.

1. SOMENTE AS ESCRITURAS (Sola Scriptura)

A Bíblia é nossa única regra de conduta e fé. Tem absoluta primazia sobre qualquer construção humana, aquilo que for conflitante com seus ensinamentos não é doutrina. (2 Tm. 3:16)

Lutero disse:

“um simples leigo armado com as escrituras é maior que o mais poderoso papa sem elas”

2. SOMOS SALVOS APENAS PELA GRAÇA (Sola Gratia)

A salvação é pela graça preveniente de Deus, por meio da atuação do Espírito Santo no convencimento do homem. (João 16:8)

Efésios 2:8

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”

3. SOMENTE A FÉ NOS CONDUZ À SALVAÇÃO (Sola Fide)

O crente não é justificado por obras, nem pelo que tem ou que possa oferecer, mas pela fé em Jesus Cristo. (Rm. 5.1-2; Rom. 3:28).

Romanos 3:28

“Concluimos, pois, que o homem é justificado pela fé sem obras da lei.”

4. SOMENTE A DEUS DAI GLÓRIA (Soli Deo Gloria)

Toda a glória é dada apenas a Deus, por si só, a salvação foi dada por Deus, Não há outro intermediador entre Deus e o homem, apenas Jesus Cristo.

Romanos 11.36

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”

5. Somente em Cristo há Salvação (Solus Christus)

O poder salvador da fé reside, não em si mesma, mas apenas na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: autor e consumador da fé verdadeira (Hb. 12.2).

1 Timóteo 2:5

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”

É necessário decorar

#07 O alvorecer da reforma: os pré-reformadores

7.1. Fatores que desencadearam a necessidade da Reforma

O total afastamento das escrituras, com atitudes antibíblicas:

tráfico de cargos eclesiásticos (simonia); submissão inquestionável (infalibilidade papal); Inquisição; Indulgências (compra e  venda do perdão de pecados).

– Corrupção do Clero: cruzadas, renascimento: revolução cultural, exagero nas artes, supervalorização da forma humana, luxúria.

O cativeiro babilônico do papado: 72 anos em que a sede da Igreja permaneceu em Avignon, França.  (Clemente V se submeteu ao Rei da França).

O grande Cisma do Papado: Urbano VI (Roma) e Clemente VII (Avignon). Transformaram a Igreja num sistema de Impostos e exploração.

Gravura de uma mulher pagando indulgência

7.2. Os Pré-reformadores

1305-1517d.C – O ápice das Nações-Estado

• Os constantes conflitos entre “papas” e cardeais (concílios), chegando ao ponto de existir três papas (Alexandre V). Fez surgir a ideia de “Igrejas Nacionais”, nas que cada local tivesse seu corpo representativo.

O movimento Místico: creram que Jesus estabeleceu entre nós um contato com Deus, de forma que administração da Igreja é uma coisa, mas o relacionamento com Deus é direto (1 Pe.2:9). A liderança espiritual devia cuidar (apascentar) deste relacionamento com Deus, e não ser “mediador”. (erro: valorizaram mais a experiência do que a doutrina)

JhonWycliff:

Para ele o evangelho e a liderança tinha que ter simplicidade, não podia ser cercada por luxos.

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Viveu durante o grande cisma do papado. Para ele a liderança bíblica deveria consistir em humildade e dedicação ao serviço espiritual da igreja.

Criticou as indulgências, confissões anuais, peregrinações e adoração de imagens. Se empenhou na tradução das escrituras para o Inglês. Seus ensinos influenciaram outro jovem.

John Huss:

Camponês, do Sul da Boêmia, estudou Teologia e conheceu os escritos de Wycliff e adotou as ideias.

Pregava e ensinava, chegando a mandar pintar nas paredes contradições: papa a cavalo e Cristo descalço, Jesus lavando os pés dos discípulos e o papa tendo o pé beijado.

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Ficou muito conhecido, e também pregou contra as indulgências, por sua causa a Boêmia ficou sob Interdição e Huss teve que se exilar. Pensando que seria ouvido em um concílio, expôs suas ideias e foi condenado, e levado à fogueira da Inquisição.

Morreu cantando. E profetizou: “Hoje vocês estão matando um ganso, mas daqui 100 anos Deus levantará um cisne que não poderão queimar” (morreu em 1415 d.C).

Jerônimo Savonarola:

Em Florença – Itália. Nos tempos dos Borgias. Fez o trabalho dos pré-reformadores, preparando o caminho da reforma.

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Denunciou os desvios bíblicos da Igreja, enfrentou os governantes da cidade. Como dito, sua carreira não foi fácil, pois conviveu com os piores papas desde o início da história do papado.

Florença era o principal lugar do renascimento que ocorreu na Italia, dali surgiram Leonardo da Vinci, Michelangelo, e outros artistas integrantes da “Escola Florentina”.

Morreu enforcado e foi queimado. Mas a obra e coragem também ficou produzindo resultados no meio da igreja.

7.3. Observações da Pré-reforma

• Foi o acontecimento mais importante dentro da Igreja depois do Pentecostes. (reinauguração – retorno à doutrina dos apóstolos).

• No período dos pré-reformadores, mudanças extraordinárias estavam ocorrendo no mundo (1305-1517d.C) da Idade Média à Idade Moderna (era dos descobrimentos.

• Somos fruto desta época de mudanças, em que tudo se tornou propício para a reforma. O que temos a ver com as cruzadas? Tudo!

• Ordem dos Templários (primeiros bancos). Corrupção e inveja dos papas, morte e excomunhão. Dom Henrique Rei de Portugal. Ordem de Cristo (expansão marítima) financiamento das expedições de expansão marítima, que levaram ao Descobrimento do Brasil.

• Em 15 de outubro de 1517, 17 anos depois que o Brasil foi descoberto, algo de muito extraordinário ocorreria do outro lado do mundo, em uma Cidade chamada Wittenberg, pela coragem de um Monge Agostiniano, chamado Martinho Lutero.

#06 Idade Média – parte 2: papado, monasticismo e cruzadas

6.1. O Papado

Pilares do papado: 1) Religião Oficial do Império; 2) Ausência dos Césares; 3) Distanciamento da Igreja Apostólica Primitiva; 4) Associação com o paganismo.

  • Foi a primeira instituição inovadora da Idade Média, após a morte dos apóstolos, a cristianização e queda do Império Romano, alguém tinha que manter-se no trono de Roma.
  • Não haviam mais imperadores, os bárbaros tinham invadido a região. Tudo o que sobrou foi a Igreja em Roma.
  • O Papado nasce de uma heresia (que também serviu de defesa contra outras falsas doutrinas – dos males o menor), denominada “sucessão apostólica”, que ensinava que havia uma continuidade de transmissão da autoridade sobre toda a Igreja, iniciada no “pontificado” (aquele que está na ponta), que seria de Pedro.
  • Para ensinarem isso, foi necessário a completa deturpação do texto de Mateus c. 16 v. 16-19. Jesus é a pedra (petra), chama Pedro de petros (fragmento de pedra).

6.1.1. Primeiros Pontífices e os mais famosos

Leão Magno (440-461) – o primeiro Papa.

Gregório Magno (590-604) – primeiro a tomar o lugar dos imperadores. Ensinou o purgatório, penitências e transubstanciação.

Gregório VII (1073-1085) – implementou a reforma monástica e determinou o celibato de todos os clérigos. Disse que o Papa era senhor absoluto da igreja e do mundo, e não comete(u) erros.

Inocêncio III (1198-1216) – ápice do poder papal, os reis temiam. Poder da interdição. A devoção de Francisco de Assis (ordem mendicante). Implementou também a inquisição e a confissão auricular.

6.1.2. A CORRUPÇÃO DO PAPADO

•O “Exílio Babilônico” do papado (1309-1377), período em que o papa Clemente V, por problemas do pontífice anterior, Bonifácio VIII, com o Rei Felipe IV, transferiu o poder político de seu governo, por interesses políticos para Avignon no Sul da França, onde permaneceu 70 anos como um joguete nas mãos do rei da França. Diziam que ouviam gritos no castelo de Avignon, gritos de tortura e de orgias que o papa fazia.

O Grande Cisma do Ocidente (1378) – os cardeais franceses nomearam um papa e os cardeais romanos nomearam outro papa, e essa luta dos papas perdurou até o Concílio de Constância (1416).

Os papas do Renascimento – todos eles foram papas que amavam as artes. Foi um período em que afloraram as artes e as letras clássicas. Amavam o luxo, as artes plásticas. Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, todos eles recebiam dinheiro dos papas para pintar as capelas e fazer grandes obras em Roma, e nas cidades mais famosa: Florença, Veneza.

Castelo de Avignon serviu como a grande Diocese francesa no período chamado “Cativeiro do papado”

6.2. Monasticismo Medieval

Distinções importantes:

– Monasticismo Anacoreta (Anachoréo = do grego retirar-se) – alguém que se isola. Modelo adotado pelos monges eremitas, especialmente nos primórdios do cristianismo.

Monasticismo Cenobítico: Modelo em que o monge leva uma vida retirada, mas em comum com outros. Vem dos termos gregos koinos e bios – vida em comum.

Pacômio (m. 348) é reconhecido como o fundador do monasticismo cenobítico. Ele iniciou, em 320, uma comunidade monástica no Egito.

6.2.1. Famosas Regras de S. Bento

Moderação na prática ascética – não aceitavam exageros de nenhuma espécie. Martinho Lutero era exemplo de Monge Ascético, que chegava a desmaiar de tanto jejuar.

Permanência no mosteiro de origem – problemas nos mosteiros não permitiam que se mudassem de um mosteiro a outro. O Monge que entrava em um mosteiro tinha que ficar lá até o fim da vida. Só poderia sair diante de ordem das autoridades monásticas.

Pronta obediência ao abade.

Disciplina para recuperação do rebelde (admoestação particular -> repreensão pública -> excomunhão -> açoite -> expulsão do mosteiro).

Trabalho braçal – lema dos monges “ora et labora” – ore e trabalhe.

Igualdade (baseada na pobreza comum) – para se tornar monge era necessário abrir mão de tudo que tinha. A pobreza era absoluta, todas as doações eram dos mosteiros, os monges, em si, não tinham nada.

Oração e recitação das Escrituras (sete vezes durante o dia e uma vez no meio da noite)

6.2.2. Benefícios do Monasticismo na História

Preservação de manuscritos. “Scriptorium” – Lugar onde se escreve, copiavam livros – Monges copistas.

Preservação dos conhecimentos antigos (centro de estudo).

Educação de crianças

Nova concepção acerca do trabalho árduo.

Socorro às vítimas da guerra, da fome e das doenças.

Trabalho missionário: Agostinho de Canterbury (Inglaterra) e Bonifácio (Alemanha).

6.2.3. Reforma Monástica

O monasticismo se corrompeu, assim como a igreja (como organização na Idade Média).

O Mosteiro de Cluny: Fundado em 909 d.C. pelo duque da Aquitânia, Guilherme III. Combateram a simonia (compra de cargos eclesiásticos – Atos 9).

• Propriedade doada aos apóstolos Pedro e Paulo, sob proteção da Santa Sé.

• Ênfase na estrita observância da Regra de São Bento. Estendeu seu alvo reformador a outros mosteiros.

• Por fim, estendeu sua reforma a toda a igreja (século XI), combatendo a simonia, a investidura leiga e o casamento de clérigos.

Mosteiro Agostiniano Luterano

6.3. AS CRUZADAS

Foram campanhas militares promovidas pelos cristãos europeus entre os séculos XI e XIII visando repelir o avanço turco e libertar a Terra Santa das mãos dos “infiéis” islâmicos.

As cruzadas aconteceram porque essa ameaça islâmica punha em risco algumas práticas cristãs, como a prática da peregrinação. Existia, também, o interesse dos nobres europeus de obter terras, dinheiro e poder com as cruzadas.

IMPORTANTE: Ao tempo da Primeira Cruzada surgiram as ordens militares: os Hospitalárias (cuidavam do hospital, mas pegavam em armas), os Cavaleiros Teutônicos e os Cavaleiros Templários. Estes últimos, cuja ordem foi criada em 1118, seriam destruídos em 1312 devido a pressões de Filipe IV da França sobre o Papa Clemente V, que pediu para mandar mata-los por interesse econômico. Eram monges cristãos, denominados soldados/cavaleiros de Cristo.

Cavaleiros Templários sob ótica Romantizada
Gravura mais próxima do que é realmente foi uma cruzada, com pobres, mulheres e crianças

6.4. O LEGADO DAS CRUZADAS

No total foram 9 (nove) cruzadas, entre 1096-1272.

• A antipatia entre cristãos e muçulmanos.

• Enfraquecimento do Império Bizantino.

• Fortalecimento do papado.

• Impacto sobre o monasticismo.

• Nova ênfase no combate às heresias (os cátaros – seita gnóstica que se estabeleceu no sul da França, em Albi, também eram chamados de Albigences).

• Cristianismo mais militante e agressivo.

• Maior intercâmbio econômico e cultural entre o Oriente e o Ocidente.