#06 Idade Média – parte 2: papado, monasticismo e cruzadas

6.1. O Papado

Pilares do papado: 1) Religião Oficial do Império; 2) Ausência dos Césares; 3) Distanciamento da Igreja Apostólica Primitiva; 4) Associação com o paganismo.

  • Foi a primeira instituição inovadora da Idade Média, após a morte dos apóstolos, a cristianização e queda do Império Romano, alguém tinha que manter-se no trono de Roma.
  • Não haviam mais imperadores, os bárbaros tinham invadido a região. Tudo o que sobrou foi a Igreja em Roma.
  • O Papado nasce de uma heresia (que também serviu de defesa contra outras falsas doutrinas – dos males o menor), denominada “sucessão apostólica”, que ensinava que havia uma continuidade de transmissão da autoridade sobre toda a Igreja, iniciada no “pontificado” (aquele que está na ponta), que seria de Pedro.
  • Para ensinarem isso, foi necessário a completa deturpação do texto de Mateus c. 16 v. 16-19. Jesus é a pedra (petra), chama Pedro de petros (fragmento de pedra).

6.1.1. Primeiros Pontífices e os mais famosos

Leão Magno (440-461) – o primeiro Papa.

Gregório Magno (590-604) – primeiro a tomar o lugar dos imperadores. Ensinou o purgatório, penitências e transubstanciação.

Gregório VII (1073-1085) – implementou a reforma monástica e determinou o celibato de todos os clérigos. Disse que o Papa era senhor absoluto da igreja e do mundo, e não comete(u) erros.

Inocêncio III (1198-1216) – ápice do poder papal, os reis temiam. Poder da interdição. A devoção de Francisco de Assis (ordem mendicante). Implementou também a inquisição e a confissão auricular.

6.1.2. A CORRUPÇÃO DO PAPADO

•O “Exílio Babilônico” do papado (1309-1377), período em que o papa Clemente V, por problemas do pontífice anterior, Bonifácio VIII, com o Rei Felipe IV, transferiu o poder político de seu governo, por interesses políticos para Avignon no Sul da França, onde permaneceu 70 anos como um joguete nas mãos do rei da França. Diziam que ouviam gritos no castelo de Avignon, gritos de tortura e de orgias que o papa fazia.

O Grande Cisma do Ocidente (1378) – os cardeais franceses nomearam um papa e os cardeais romanos nomearam outro papa, e essa luta dos papas perdurou até o Concílio de Constância (1416).

Os papas do Renascimento – todos eles foram papas que amavam as artes. Foi um período em que afloraram as artes e as letras clássicas. Amavam o luxo, as artes plásticas. Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, todos eles recebiam dinheiro dos papas para pintar as capelas e fazer grandes obras em Roma, e nas cidades mais famosa: Florença, Veneza.

Castelo de Avignon serviu como a grande Diocese francesa no período chamado “Cativeiro do papado”

6.2. Monasticismo Medieval

Distinções importantes:

– Monasticismo Anacoreta (Anachoréo = do grego retirar-se) – alguém que se isola. Modelo adotado pelos monges eremitas, especialmente nos primórdios do cristianismo.

Monasticismo Cenobítico: Modelo em que o monge leva uma vida retirada, mas em comum com outros. Vem dos termos gregos koinos e bios – vida em comum.

Pacômio (m. 348) é reconhecido como o fundador do monasticismo cenobítico. Ele iniciou, em 320, uma comunidade monástica no Egito.

6.2.1. Famosas Regras de S. Bento

Moderação na prática ascética – não aceitavam exageros de nenhuma espécie. Martinho Lutero era exemplo de Monge Ascético, que chegava a desmaiar de tanto jejuar.

Permanência no mosteiro de origem – problemas nos mosteiros não permitiam que se mudassem de um mosteiro a outro. O Monge que entrava em um mosteiro tinha que ficar lá até o fim da vida. Só poderia sair diante de ordem das autoridades monásticas.

Pronta obediência ao abade.

Disciplina para recuperação do rebelde (admoestação particular -> repreensão pública -> excomunhão -> açoite -> expulsão do mosteiro).

Trabalho braçal – lema dos monges “ora et labora” – ore e trabalhe.

Igualdade (baseada na pobreza comum) – para se tornar monge era necessário abrir mão de tudo que tinha. A pobreza era absoluta, todas as doações eram dos mosteiros, os monges, em si, não tinham nada.

Oração e recitação das Escrituras (sete vezes durante o dia e uma vez no meio da noite)

6.2.2. Benefícios do Monasticismo na História

Preservação de manuscritos. “Scriptorium” – Lugar onde se escreve, copiavam livros – Monges copistas.

Preservação dos conhecimentos antigos (centro de estudo).

Educação de crianças

Nova concepção acerca do trabalho árduo.

Socorro às vítimas da guerra, da fome e das doenças.

Trabalho missionário: Agostinho de Canterbury (Inglaterra) e Bonifácio (Alemanha).

6.2.3. Reforma Monástica

O monasticismo se corrompeu, assim como a igreja (como organização na Idade Média).

O Mosteiro de Cluny: Fundado em 909 d.C. pelo duque da Aquitânia, Guilherme III. Combateram a simonia (compra de cargos eclesiásticos – Atos 9).

• Propriedade doada aos apóstolos Pedro e Paulo, sob proteção da Santa Sé.

• Ênfase na estrita observância da Regra de São Bento. Estendeu seu alvo reformador a outros mosteiros.

• Por fim, estendeu sua reforma a toda a igreja (século XI), combatendo a simonia, a investidura leiga e o casamento de clérigos.

Mosteiro Agostiniano Luterano

6.3. AS CRUZADAS

Foram campanhas militares promovidas pelos cristãos europeus entre os séculos XI e XIII visando repelir o avanço turco e libertar a Terra Santa das mãos dos “infiéis” islâmicos.

As cruzadas aconteceram porque essa ameaça islâmica punha em risco algumas práticas cristãs, como a prática da peregrinação. Existia, também, o interesse dos nobres europeus de obter terras, dinheiro e poder com as cruzadas.

IMPORTANTE: Ao tempo da Primeira Cruzada surgiram as ordens militares: os Hospitalárias (cuidavam do hospital, mas pegavam em armas), os Cavaleiros Teutônicos e os Cavaleiros Templários. Estes últimos, cuja ordem foi criada em 1118, seriam destruídos em 1312 devido a pressões de Filipe IV da França sobre o Papa Clemente V, que pediu para mandar mata-los por interesse econômico. Eram monges cristãos, denominados soldados/cavaleiros de Cristo.

Cavaleiros Templários sob ótica Romantizada
Gravura mais próxima do que é realmente foi uma cruzada, com pobres, mulheres e crianças

6.4. O LEGADO DAS CRUZADAS

No total foram 9 (nove) cruzadas, entre 1096-1272.

• A antipatia entre cristãos e muçulmanos.

• Enfraquecimento do Império Bizantino.

• Fortalecimento do papado.

• Impacto sobre o monasticismo.

• Nova ênfase no combate às heresias (os cátaros – seita gnóstica que se estabeleceu no sul da França, em Albi, também eram chamados de Albigences).

• Cristianismo mais militante e agressivo.

• Maior intercâmbio econômico e cultural entre o Oriente e o Ocidente.

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