#02 Os erros da doutrina Calvinista acerca da Salvação

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João Calvino foi um teólogo francês nascido na cidade de Picardia, na França em 1509 (faleceu em 1564), estudou na Universidade de Paris (entre 1523-1527).

Não foi ordenado a sacerdote, embora fosse chamado de “padre” por muitos. Entre 1532 e 1533 tornou-se protestante, no auge das divulgações por toda a Europa sobre as doutrinas de Lutero.

Fundou a Universidade de Genebra, onde vinham estudar jovens de toda a Europa. Com seu falecimento Teodoro de Beza (um de seus discípulos) assumiu a direção da Universidade, tornando seus ensinos ainda mais conhecidos.

Em síntese, os adeptos de seus ensinos creem que os “decretos” de Deus asseguram a salvação dos eleitos (predestinados), e a perdição dos rejeitados de antemão por Deus (predestinados para a condenação).

Segundo o ensino calvinista, sendo “predestinado”, aquele que é salvo jamais sofre o risco de perder a salvação. (Negam a existência da apostasia – 1 Tm. 1.19,20; 4.1; Hb. 6.4-6; 10.26-29; Gl. 4.2-6)

2.1. Calvinismo x Arminianismo

Armínio e Calvino

Trata-se de um debate histórico e humano, acerca de um ponto secundário, acerca da Mecânica da Salvação (ou seja, como a salvação opera na vida do crente). A controvérsia principal pode ser resumida sobre o ponto de vista da operação da Graça Salvadora na vida do crente.

Para os Calvinistas, a Graça é “irresistível”, o homem que é “predestinado” não teria capacidade de rejeitar o evangelho. Já, para os Arminianos a Graça é “preveniente”, ela está disponível desde sempre no plano da salvação a todos os homens que livremente a aceitarem, por meio da fé.

IMPORTANTE: “monergismo x sinergismo” – Os Calvinistas são “monergistas”, pois acreditam que não há qualquer relação humana do processo da salvação, pauta tal predicado na “Soberania Divina”.

Já os Arminianos são “sinergistas”, pois acreditam que o homem tem um papel fundamental no processo de salvação, tanto na pregação, como por deixar-se convencer e aceitar o chamado salvífico, pautam sua conclusão no “Livre-Arbítrio” dado por Deus ao homem.

Contudo, para além dos referidos conceitos desenvolvidos por homens na história, devemos nos ater à Bíblia Sagrada, que revela-nos a verdade de todas as coisas.

As interpretações equivocadas do texto bíblico acerca da salvação podem gerar inúmeros efeitos negativos como:

• Esfriamento espiritual (ligação quase que sempre presente com o cessacionismo).

• Redução da eficácia espiritual das escrituras. (restrição temporal dos atos do Espírito Santo na Igreja – ponto principal do cessacionismo)

• Redução (ou até mesmo a extinção) do evangelismo e da atividade missionária;

• Negligência da importância da pregação apelativa (chamamento à conversão).

2.2. A teologia de João Calvino sobre a Salvação

Tem como pilar a doutrina da “predestinação” para a salvação. Assim explicada, por suas próprias palavras:

“Chamamos de predestinação o eterno decreto de Deus pelo qual houve por bem determinar o que acerca de cada homem quis que acontecesse. Pois ele não quis criar a todos em igual condição; ao contrário, preordenou a uns a vida eterna; a outros, a condenação eterna. Portanto, como cada um foi criado para um ou outro desses dois destinos, assim dizemos que um foi predestinado ou para a vida, ou para a morte” (CALVINO, João. As Institutas. Tradução de Carlos Eduardo de Oliveira et al. São Paulo: Editora UNESP, 2008, Tomo III. 21.5)

2.2.1. A influência de João Calvino

Calvino não chegou em suas equivocadas conclusões sozinho, sua maior influência foi Agostinho de Hipona, que, mais de mil anos antes (354-430), abriu discussão com um teólogo britânico chamado Pelágio (360-420).

Agostinho de Hipona

Agostinho escreveu em sua obra: “Dá-me o que tu pedes, e pede-me o que quiseres”, ou seja, pautava sua teologia da salvação unicamente na “soberania” divina, visto que a natureza humana era totalmente depravada, não podia achegar-se a Deus voluntariamente. O que revoltou Pelágio, que não acreditava na passividade do homem, sendo ele “absolutamente livre”.

Em suma, Pelágio ensinava que o homem, responsável por si mesmo, poderia chegar-se a Deus em arrependimento para a salvação, pois a queda do homem não lhe tirou a essência divina (imago dei), – conclusão chamada de pelagianismo.

Outros, associados ao pensamento de Pelágio, ensinavam que o homem tinha guardado em si um resquício da imagem de Deus perdida na queda, e, assim, poderia achegar-se até Deus e Deus viria na outra parte até o homem (conclusão chamada de semi-pelagianismo).

Pelágio

Nenhum desses dois pontos radicais (excluir o homem do processo de salvação – agostinianismo; ou atribuir-lhe condição de achegar-se até Deus por vontade própria, auxiliada por Deus – semi-pelagianismo – ou não – pelagianismo), não encontram amparo nas escrituras.

Calvino era agostiniano, e os calvinistas são agostinianos. Contudo, devemos pautar nosso entendimento a partir da verdade das Escrituras Sagradas.

Os apóstolos ao falarem acerca do processo de salvação, tanto acreditavam na ação da graça divina como na disposição dos homens para responderem à fé (At. 6.7).

Os primeiros cristãos acreditavam na salvação pela graça, mediante a fé (Ef. 2.8). Assim, a ação de Deus sempre vem primeiro, dando condição a todo homem de tomar sua decisão (tanto pela revelação natural, como especial – que são expressões da Graça Preveniente).

3. Os cinco pontos do Calvinismo (T.U.L.I.P.)

Broche de Tulipa

Os cinco pontos do calvinismo são:

  1. T = Total Depravation – Depravação Total
  2. U = Uncondicional Election – Eleição Incodicional
  3. L = Limited Atonement – Expiação Limitada
  4. I = Irresistible Grace – Graça Irresistível
  5. P = Perseverance of the Saints – Perseverança dos Santos

3.1. PONTO EM COMUM: Depravação Total – “Total depravity”

Adão e Eva expulsos do Eden

Neste único ponto, tanto Arminianos, quanto Calvinistas, concordam. Visto que é o ponto principal para a eficácia do evangelho, conforme a Palavra de Deus. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3:23).

Todos os homens estão destituídos da glória de Deus. E não possuem condições de voluntariamente buscarem a Deus (Não há só um homem que busque a Deus).

O pecado fez separação total entre o homem e Deus. Israel do Antigo Testamento é um excelente exemplo da dificuldade enfrentada pelos homens de estarem de acordo com a vontade divina. O pecado os fazia desviar de Deus constantemente, por meio da depravação moral, sensual, idolatria, falta de amor ao próximo.

cruz

A providência para restaurar a possibilidade do homem de achegar-se à Deus, era o cumprimento do plano da Salvação, em Jesus Cristo, pois como por um homem veio o pecado e a morte, também por um homem veio a salvação para vida. (Rm. 5.17)

É o encontro real com Jesus que nos faz nascer de novo da água e do espírito, e assim, capacitados de reconciliar-nos com Deus. Vivendo nesta nova aliança no Espírito, temos a imagem de Deus restaurada em nós, e, assim, podemos novamente sermos chamados de Filhos, por adoção, em Cristo Jesus.

Salvar ou não salvar?

3.2. Os erros da soteriologia Calvinista

Neste tópico relacionaremos os demais pontos como erros bíblicos da doutrina calvinista, que não se relacionam com a verdade bíblica acerca do processo da salvação.

3.2.1. Eleição Incondicional: “Unconditional Election”

Será mesmo que Deus escolhe pessoas para a perdição?

A “eleição incondicional” afirma que Deus escolhe (decreta) algumas pessoas para a salvação e outras para a condenação, simplesmente porque quer, e não em nada que seja inerente à pessoa.

Nesse sentido, a salvação não teria qualquer condição, seria única e exclusivamente vontade de Deus que alguns se percam e outros sejam salvos.

Referido entendimento entra em confronto direto com o que a Palavra de Deus diz em 2 Pedro 3:9. E, ainda, com o texto de 1 Timóteo 2.3-4.

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” 2 Pedro 3:9

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.”
1 Timóteo 2:3,4

3.2.2. Expiação Limitada: “Limited Atonement”

A “expiação limitada” é a crença de que Jesus morreu apenas pelos eleitos (predestinados, segundo os calvinistas), ou seja, ensinam e pregam que Jesus não morreu por toda a humanidade.

É a expressão do “monergismo” calvinista, que ensina erroneamente que o sacrifício de Cristo foi apenas para algumas pessoas.

Tal radicalismo calvinista contraria tudo o que se aprende sobre Cristo na Bíblia Sagrada, principalmente no que tange à bondade, misericórdia, justiça e amor para com os homens, limitando a obra redentora de Cristo na cruz do calvário.

Objetivamente, para se concordar com a doutrina calvinista acerca da salvação é necessário negar que Jesus Cristo morreu por todas as pessoas.

Este entendimento entra em confronto direto com o que ensina o texto bíblico em João 3:16, Tito 2.11, 1 João 2.2 (dentre outros textos).

“Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens,” Tito 2:11

E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” 1 João 2:2

João 3:16

3.2.3. Graça Irresistível: “Irresistible Grace”

A “graça irresistível” defende que quando Deus chama alguém para a salvação, esta pessoa inevitavelmente virá para a salvação.

Não conseguem afirmar conclusivamente como este “chamado” acontece, visto que os maiores pregadores da Bíblia Sagrada foram resistidos, inclusive Cristo (ex: o jovem rico Mc. 10:17-31), Estêvão (Atos. 7.51), Paulo (Atos 28).

Marionetes humanas?

Assim, a afirmação de que a “graça salvadora” seria irresistível, seria transformar o homem e a mulher em marionetes de Deus. Conclusão com a qual não concordamos.

A essência do Evangelho de Jesus Cristo é a liberdade de escolha: Mateus 16.24. A Bíblia ensina que é o Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Ora! Se há um convencimento, há a plena capacidade de o homem resistir ao chamado de Deus à salvação. Só se convence aquele que está relutante, resistente, obstinado a recusar a força persuasiva de alguém.

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;” Mateus 16:24

O homem tem a predisposição de escolher seus próprios caminhos

3.2.4. Perseverança dos Santos: “Perseverance of the Saints”

A “perseverança dos santos” se refere ao conceito de que a pessoa que é eleita por Deus irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviará Dele. Ou seja, este ponto está intimamente ligado ao conceito calvinista de que não seria possível “perder a salvação”, ou seja, “uma vez salvo, salvo para sempre”.

Pedro negou a Jesus três vezes

É um erro, pois nega a existência da apostasia. Jesus profetizou que nos últimos dias a apostasia faria muitos se desviarem (Mateus 24:10-13) (perderem a salvação – saírem do caminho que leva à Deus). 2 Ts.2-4.

A Bíblia nos ensina que devemos perseverar, mas há uma diferença em nosso conceito arminiano de perseverança em relação ao conceito calvinista de perseverança.

Perseverar é uma atitude humana

Para nós, a perseverança é para vigiarmos para preservarmos nossa salvação, ou seja, perseveramos para não perdermos a salvação. É o que Jesus ensina em Mateus 24:13.

“Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.” Mateus 24:13

Já, este conceito calvinista (perseverança dos santos), ensina que aquele que é salvo (escolhido por Deus para a salvação) jamais se desviaria, pois seria impossível para um “predestinado” perder a salvação. Conclusão que contraria os textos bíblicos (1 Tm. 1.19,20; 4.1; Hb. 6.4-6; 10.26-29; Gl. 4.2-6).

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” 1 Timóteo 4:1

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,
E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,
E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.”
Hebreus 6:4-6

“Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído. Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça.” Gálatas 5:4,5

– Próxima aula: A doutrina Arminiana da Salvação.

Armínio