Ser conservador é ser de direita?

Ser conservador nos costumes não implica em estar no espectro político à direita ou à esquerda, visto que tais posicionamentos estão mais ligados a aspectos políticos e econômicos do que a costumes individuais e coletivos sociais, culturais e religiosos.

Isso quer dizer que, independente da própria cultura, religião e construção social, temos razões políticas e econômicas que não se referem a costumes, que podem nos colocar tanto à direita como à esquerda.

Não necessariamente ser conservador nos costumes implica em ser ideologicamente de direita ou de esquerda.

Ser conservador nos costumes não implica em estar no espectro político à direita ou à esquerda, visto que tais posicionamentos estão mais ligados a aspectos políticos e econômicos do que a costumes individuais e coletivos sociais, culturais e religiosos.

Isso quer dizer que, independente da própria cultura, religião e construção social, temos razões políticas e econômicas que não se referem a costumes, que podem nos colocar tanto à direita como à esquerda.

Sejamos mais claros:

Eu posso ter minhas questões sociais, como meu trabalho, educação e minha saúde, minha religião evangélica, gostar de cinema e de arte (dimensão cultural), ser completamente contra o casamento homossexual por questões religiosas e sociais (conservador nos costumes) e ainda assim não ser de direita em razão dos aspectos econômicos e políticos não serem do meu agrado.

Para entender bem isto, devemos verificar como referida divisão ideológica (esquerda x direita) se originou e como percebemos que ser de direita não tem completamente nada a ver com ser conservador nos costumes, que é dever de todo cristão, seja de esquerda ou de direita.

A atual acepção da palavra “ideologia” foi criada pelo filósofo francês Destutt de Tracy, no final do século XVIII, na época da Revolução Francesa, que abalou o cenário político global dando o passo inicial para a participação popular no governo, a partir do brocardo “liberdade, igualdade e fraternidade”.

O objetivo era que a participação popular na política se desenvolvesse através da troca de ideias (ciência das ideias) acerca de como o governo deveria se comportar em relação ao seu povo, provendo as suas necessidades.

Se nota, portanto, que a ideologia nasce como uma discussão de política econômica e não de costumes individuais, como a famigerada ideologia de gênero e o homossexualismo, são discutidas erroneamente como ideologias nos dias atuais. Isso porque a Europa daquela época era eminentemente cristã, não havendo qualquer possibilidade de discussão política sobre comportamentos pecaminosos.

Infelizmente aquele período tornou-se um dos mais sangrentos da história moderna da Europa. Em vez da liberdade de expressão das ideias servir para unir as pessoas em seus ideais, acabou por dividi-las na intransigência causada pela sede poder político da parte burguesa (partidários do rei deposto) e da parte dos revolucionários que almejavam um governo popular.

Em razão de tais divergências, o parlamento recém-criado na França (Assembleia Nacional), após a revolução, acabou por dividir-se entre os partidários do rei (à direita) e os simpatizantes da revolução (à esquerda).

Isso não aconteceu por convicções filosóficas ou sociais em primeiro momento. O efeito prático no âmbito da Assembleia Nacional, pois um grupo ousava divergir com o outro. Os leais ao rei, que queriam que as coisas ficassem como estavam (conservadores), ficaram sentados à direita do parlamento, enquanto aqueles que não aceitavam mais a exploração do povo e exigiam uma nova forma de governo livre (liberais) sentaram-se à esquerda.

A imprensa da época ao tratar dos dois grupos passou a chamá-los simplesmente de “direita” e “esquerda”, para o aperfeiçoamento de compreensão quando estavam a tratar dos partidários do rei ou do governo popular.

Tendo referido comportamento se repetido às vésperas da promulgação da Constituição Francesa de 1791, o modelo de representação pelos assentos continuou, tendo anos depois sido adotados pelos partidos políticos, formando diversos blocos “esquerda republicana”, “centro-direita”, “centro-esquerda”, “extrema-esquerda”, “extrema-direita”, dentre outros, passando os termos a serem associados a ideologias políticas específicas, sendo usados para descrever crenças políticas dos cidadãos.

O que me parece intrigante é que após este período as posições e crenças entre “esquerda” e “direita” foram sendo modificadas.

No início do século XX na França, “direita” não eram mais os políticos que defendiam o rei (até porque o presidencialismo e a democracia já estavam firmes), mas passou a representar aqueles que apoiavam a constituição e o governo popular, e a “esquerda” passou a representar aqueles que, apesar de apoiar a constituição e o modelo republicano apoiavam mudanças radicais no sistema de governo. Daí que, atualmente na França a “esquerda” tem sido chamada de “o partido do movimento” e a direita de “o partido da ordem”.

Com referido resumo histórico do surgimento e desenvolvimento das ideologias políticas, vejo que a união das duas tem sido imprescindível, sob a ótica social, para que as pessoas escolhessem de forma sadia, no momento em que viviam, o melhor partido e crença a ser colocada no poder político da nação, pois as necessidades políticas e sociais vão se transformando no transcorrer dos anos.

Nota-se, também, que as ideologias não são hermeticamente fechadas, já concluídas, com posições absolutas e bem definidas, antes, foram mudando e continuam a mudar com o passar do tempo.  

Nada obstante a tudo isso, infelizmente, a questão político-ideológica não tem sido discutida de forma sadia, com o olhar apenas social e econômico, mas está sendo discutida nos extremos, a ponto de excluir as pessoas, estragar amizades e até mesmo destruir famílias.

E com isso, de forma maligna e completamente desagregadora, ingressou no seio da Igreja de forma a contaminar a mente de jovens, adultos, idosos, sejam membros sejam obreiros da casa de Deus.

Um conceito que, como veremos, foi formado por anos de construções mentais humanas, ou seja, raciocínios falhos, voltado, na maioria das vezes, para a maldade, ganância e ao poder, hoje quer arrebatar a mentalidade dos salvos e remidos pelo sangue de Jesus, fazendo-os, por vezes, perder o foco e o tempo de suas vidas em discussões que ao longo da história de nada serviram a não ser para gerar mais dúvida e confusão no coração humano e no seio da sociedade.

Então a conclusão é a seguinte: todos nós, salvos no Senhor Jesus Cristo, somos conservadores nos costumes (quanto à pureza sexual, relacionamento apenas entre homem e mulher, e a favor da família tradicional, biblicamente constituída). Contudo, podemos ser de esquerda ou de direita nas demais questões políticas, sociais e econômicas, isso dependendo da consciência de cada um, pelo que entende ser melhor para a população de nosso país.

#07 – A Regeneração

Regeneração é o a mudança de natureza que acompanha a justificação do homem e da mulher recém convertidos. É o novo nascimento da água e do Espírito (Jo. 3.1-21), que torna nova criatura (2 Co. 5:17).

Regeneração é a mudança de natureza que acompanha a justificação do homem e da mulher recém convertidos. É o novo nascimento da água e do Espírito (Jo. 3.1-21), que os torna nova criatura (2 Co. 5:17).

7.1. O que é a regeneração?

Diretamente, regenerar é reconstituir algo que foi quebrado, deteriorado, machucado, gerando de novo, ou seja, retornando ao estado natural antes de ter sido corrompido. É o que Deus faz na vida da pessoa que recebe o Senhor Jesus como Senhor e Salvador, restaurando a natureza outrora perdida no pecado.

A regeneração é uma ação exclusivamente divina, na qual o homem e a mulher justificados são vestidos de uma nova natureza. A regeneração é o passo que na visão humana sucede a justificação, visto que os homens são seres visuais e a nova natureza é observada por meio dos frutos da justiça (Ef. 2.10). Todavia, devemos lembrar que Deus olha para o coração (1 Sm 16.7).

Entretanto, no plano espiritual é necessário observarmos que a justificação e a regeneração ocorrem simultaneamente, pois alguém que é selado pela salvação recebe o novo nascimento na água e no Espírito. A regeneração acompanha a conversão genuína como uma relação de causa e efeito.

Necessário relembrarmos que a salvação é um processo que se inicia com a pregação da palavra de Deus, resultando na fé, assim que a palavra é ouvida, e, como resultado da fé, o indivíduo reconhece seu pecado – pelo arrependimento – e se converte. Na conversão, está a salvação, a qual traz consigo a justificação, a regeneração e a santificação.

Para entrar no Reino de Deus é necessário ter esta nova natureza, que exige a morte do velho homem e o nascimento do novo (Jo 3.3,5; Ef. 4.22-24; Rm. 8.10).

A regeneração também é chamada de: vivificação (Ef. 2.5,6); nova natureza (Mt 12.33; Ef. 4.24); nova criatura (2 Co 5.17); recriado (Ef. 2.10); família de Deus (Ef. 3.14,15), iluminação (1 Co 2.11-15; Ef. 1.16,17).

7.2. O que a regeneração não é

(a) Não é batismo: “nascer da água” não é o mesmo que batismo nas águas. O ladrão da cruz não foi batizado em águas, (Lc 23:23); Paulo só batizou Crispo e Gaio nas águas em Corinto (1 Co 1.14). No evangelho de João a água que Jesus afirma para Nicodemos é a mesma água que Jesus anuncia à mulher samaritana logo no capítulo imediato (João 4), é um nascimento da água viva, também observada em Tito 3.5. (Ef. 5.26; Jo 15.3; 1 Pe 1.23)

(b) Não é reforma: Não é um processo de reeducação, de etiqueta, não é algo externo, mas interno, pela operação do Pai do Filho e do Espírito Santo, que torna a pessoa participante da natureza divina (2 Pe 1.3,4).

7.3. O que a regeneração produz:

O Espírito Santo produz a regeneração no espírito humano, que está latente, visto que a alma está contaminada no poder do pecado.

7.3.1. Estabelece a distinção da natureza humana e da divina

Há o homem natural, carnal e o espiritual, segundo 1 Coríntios 3.1.

Regenerado é o homem natural que ganhou natureza espiritual (1 Co 2:14,15).

7.3.2. Garante domínio sobre a carne

O crente regenerado adquire a consciência de que deve andar em Espírito (Gl 5.16; Rm 8:2,5; 1 Jo. 3.9).

7.3.3. Capacita o crente a vencer o mundo

Aqui o mundo é observado como um sistema pecaminoso, o qual o apóstolo João adverte a que não amemos (1 Jo 2.15-17). O mundo pode distanciar a pessoa de Deus, vencer o mundo é ter noção de que vivemos em constante guerra contra o sistema pecaminoso.

Nesse sentido, Deus nos propiciou a nova natureza que nos capacita a resistir e vencer o mundo (1 Jo 5.4).

7.3.4. Afasta do pecado

Quem é nascido de Deus não vive na prática do pecado (1 Jo 3.9; 1 Jo 5.4).

7.3.5. Produz amor e conhecimento de Deus

A regeneração induz à prática do amor como elemento central da vida do Cristão, não por obrigação, mas voluntariamente (1 Jo 4.7).

7.3.6. Capacita o crente à prática da justiça

A nova natureza em Deus nos torna capaz de praticar a Justiça, que foi preparada pelo Senhor Jesus para que andássemos nela (Ef. 2.10), algo que somente é possível aos regenerados (Jo 2.29).

7.4. O caráter da regeneração

Conforme ensina o Pr. Walter Brunelli (2015, p. 359): “Não existe meio nascimento: ou a pessoa é nascida ou não é. Uma vez que nasceu de novo, espera-se que cresça; caso contrário, será como os crentes de Corinto, que eram chamados de “meninos” e também de “carnais” (1 Co 3.1), embora houvessem passado pela regeneração (1 Co 6.11)”.

7.5. Resultados da regeneração

O crente regenerado:

  • Não vive pecando (1 Jo 3.9)
  • Pratica a justiça (1 Jo 2.29)
  • Vence o mundo (1 Jo 5.4)
  • Satanás não pode tocá-lo (1 Jo 5.18)
  • Manifesta o fruto do Espírito (Gl 5.22)

Não nos cabe julgar, nem mesmo a nós mesmos (1 Co 11:31), por isso devemos orar por nós e pelos demais irmãos para nos aproximarmos a cada dia mais de Deus, aperfeiçoando a nova natureza que nos foi dada (Filipenses 1.6).

Próxima aula: 08 – Santificação

#06 – A Justificação

A justificação é uma das doutrinas mais importantes da Bíblia, o fundamento do processo da salvação, por meio dela entendemos como fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10).

A justificação é uma das doutrinas mais importantes da Bíblia, o fundamento do processo da salvação, por meio dela entendemos como fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10).

Foi esta doutrina que fez com que Martinho Lutero no séc. XVI desafiasse os doutrinadores da Igreja de sua época, que condicionava o perdão de Deus ao pagamento de indulgências.

A Justificação pela Fé foi a base da reforma protestante, visto que é através dela que podemos entender a gratuidade do evangelho e como não somos merecedores da graça de Deus, recebendo a salvação gratuita e unicamente pela Fé, pois Cristo nos justificou pela sua morte e ressurreição (preço que não podemos pagar).

6.1. O que é Justificação?

Justificação é um ato da graça de Deus, pelo qual Ele imputa à pessoa que crê em Jesus a justiça de Cristo, declarando-a justa.

Pela justificação, Deus trata o homem arrependido através dos méritos da pessoa de seu Mediador, Jesus Cristo.

Portanto, a justificação é uma posição jurídica do homem perante Deus. Isto é, Deus é justo, a justiça é a base de seu trono e denota sua santidade (Salmos 89.14). Assim, o homem jamais seria capaz de cumprir a justiça. Deus se fez homem e habitou entre nós, e cumpriu toda a justiça, morrendo em nosso lugar (Rm 5.10).

Logo, por este ato de justiça, todos fomos feitos participantes da glória do Filho, pela fé. (1 Pe. 4:13)

6.2. Por que o homem e a mulher precisam ser justificados?

A Bíblia é enfática em dizer: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3.23).

Assim:

  • todos são culpados (Rm. 3.9),
  • ninguém é justo (Rm 3.10; Jó 25.4)
  • todos os pecados estão escritos no livro de Deus (Ap. 20.12)
  • e registrados na sua consciência (Jr 17.1).

O resultado só pode ser um: todos estão debaixo da condenação (Rm 3.10, 2.2,3; 1 Tm 5.24).

Isso porque, nenhum homem ou mulher tem condições próprias para livrar-se da sua culpa. Adão e Eva tentaram esconder a vergonha de terem pecado, mas isso não resolveu o problema diante de Deus (Gn 4.3; Is 64.6).

Boas obras não justificam o indivíduo diante de Deus (Gl. 2.16; Ef. 2.8,9). Os fariseus buscavam se justificar por meio de suas próprias obras, mostrando publicamente que cumpriam à risca a lei, mas isso não era suficiente (Mt. 5.20; Lc. 18.14).

Não existe ser algum em todo o universo que tenha condições de justificar o homem diante de Deus. Por isso todas as religiões, em todo o mundo, que procuram justificar o homem diante de Deus por obras são falhas; não produzem justificação.

Diante dessa situação triste e desesperadora, o homem pergunta: “Quem me livrará o corpo desta morte?” (Rm 7.24) e: “Como se justificaria o homem para com Deus?” (Jó 9.2).

A própria Palavra de Deus responde: “Esta é a herança dos servos do Senhor e a sua justiça que vem de mim, diz o Senhor” (Is 54.17).

6.3. Cristo é a nossa Justiça

6.3.1. A Justiça de Deus é perfeita e imutável

Deus jamais pode usar “dois pesos e duas medidas”. Ele feriria a sua justiça caso perdoasse ao pecador sem um meio eficaz de perdão, porque disse: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

6.3.2. Deus providenciou um sacrifício perfeito

Deus então, no seu grande amor, providenciou o sacrifício de seu próprio Filho para, por esse ato, satisfazer a justa exigência da justiça divina (Jo 3.16).

Isso foi possível porque:

  • Jesus, para ser mediador entre Deus e os homens, tinha de ser homem (Fp. 2.6-8; Hb 2.14).
  • Jesus tinha de tomar sobre si a culpa dos homens. A tremenda dívida na conta humana diante de Deus tinha de ser transferida para a conta de Jesus. Foi por isso que Jesus se tornou devedor diante da lei de Deus. A Bíblia diz que Ele foi feito pecado por nós (2 Co. 5.21) e até tornou-se maldição por nós (Gl. 3.13). Isso aconteceu quando Ele, no Getsêmani, tomou o cálice que continha a nossa culpa (Lc. 22.42).
  • Jesus morreu cumprindo a sentença que nossos pecados mereciam. O justo morreu pelos injustos (1 Pe 3.18). Ele levou as nossas transgressões (Is 53.10,4,5,). Aniquilou-se o nosso pecado pelo seu sacrifício, o sacrifício de si mesmo (Hb 9.26; Ef 5.2), e proporcionou, assim, condições para a remissão dos nossos pecados e para nossa justificação.

6.3.3. Jesus tornou-se a nossa Justiça (Jr 23.6)

Ele é a nossa justiça porque tudo o que fez, fez por nós, em nosso favor, como o nosso substituto diante de Deus e da Lei. A Bíblia diz que “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação” (Rm 4.24,25).

Quando Jesus verteu o seu sangue nesse sacrifício inigualável, abriu-se a fonte da graça para a justificação de todo aquele que nEle crê (Rm 5.9; 1 Pe 1.18,19; Cl 1.20).

6.4. Todos os que agora Crêem “estão em Cristo” (Rm 8.1; 2 Co 5.17)

E é por essa aceitação que são declarados justos, porque Jesus é a sua justiça (Jr 23.6). Quando Deus olha para o crente, Ele o vê através da pessoa de Jesus, na qual todos somos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21).

Pela conta credora de Jesus (que não se esgota) foi feito o pagamento do nosso débito, que agora já não mais existe. Assim, o crente pode, vestido do manto da justiça de Jesus (Is 61.10), apresentar-se diante de Deus justificado.

6.5. Passos para a justificação

6.5.1. O caminho da justificação

A Bíblia mostra o caminho da justificação ao afirmar: “Justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue” (Rm 3.24,25).

A justificação é oferecida por Deus pela sua graça (favor imerecido), que Ele agora pode mostrar, por causa da redenção efetuada por Jesus, que remiu o homem vertendo o seu precioso sangue.

Deus agora apresenta Jesus como único meio da justificação e todo aquele que crer no seu sangue, isto é, que aceitar o sacrifício feito por Jesus em seu próprio favor, é justificado, ou seja, declarado justo diante de Deus.

6.5.2. Esse caminho da justificação é único

É o único caminho para grandes e pequenos, para ricos e pobres, para dirigentes e dirigidos! A todos quantos queiram ser justificados, lhes é imposta uma só condição: crer no valor do sangue de Jesus para perdoar e para justificar (Rm 3.25).

6.5.3. Esse caminho não admite vanglória

A fé com a qual o homem crê no sangue justificador de Jesus não constitui nenhum mérito. Representa apenas a aceitação da graça, isto é, do meio que Deus oferece para a nossa justificação (Rm 4.5, 21; At 13.39).

A fé exclui as obras e, assim, não deixa nenhum lugar para a arrogância (Rm 3.27), pois o homem é justificado pela fé sem obras (Rm 3.28; Gl 2.16).

Se a nossa justificação dependesse das obras, ninguém se salvaria, pois nenhum homem conseguiu cumprir a lei. Assim, permaneceríamos todos debaixo da maldição (Gl 3.10).

Quando Tiago escreveu “que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé” (Tg 2.24) não estava contradizendo Paulo, mas completando o pensamento deste. Tiago mostra que a verdadeira fé sempre é acompanhada pelas obras (que são um resultado da fé) e que a fé sem obras é morta.

Ainda, segundo Tiago, a fé sem obras, consequentemente, nada obtém de Deus (Tg 2.14-22). As obras que acompanham a fé são chamadas de “frutos da justiça” (2 Co 9.10), constituindo-se em evidência de que uma fé viva opera na vida daqueles que as praticam.

6.6. Os resultados da justificação na vida do homem

São muitos e maravilhosos os resultados da justificação em nossas vidas. Devemos avançar para que desfrutemos de tudo aquilo que Deus preparou para os justificados pela sua graça.

6.6.1. “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus” (Rm. 5.1)

Essa paz não é somente um sentimento agradável de sossego e tranquilidade, mas é como um estado de “pós-guerra”, quando a beligerância cessa e as relações interrompidas são reatadas. O homem que vive em pecado está separado de Deus (Is 59.2) e debaixo de sua ira (Ef. 2.3).

Quando é declarado justo, entra em um estado de paz com Deus, experimentando harmonia com a divindade, pois passa a ter livre acesso a Deus (Ef. 2.18; Rm 5.2).

6.6.2. “Temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes” (Rm 5.2.)

As bênçãos que acompanham a permanência na graça são grandes. Os crentes crescem na graça (2 Pe 3.18) e essa se manifesta de muitas maneiras para o enriquecimento da vida espiritual dos servos do Senhor.

Veja algumas dessas bênçãos:

  • “Nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.2.). Para os que são “declarados justos”, Deus concede a alegria de participar da sua glória. É uma bênção que eleva os nossos corações às coisas que são de cima (Cl 3.1-3; 1 Ts 1.9,10; Tt 2.13).
  • “Nos gloriamos nas tribulações” (Rm 5.3.). Os sofrimentos que aparecem na vida não abaterão o crente, pois a alegria que Deus lhe deu com a justificação opera nele e é a sua força (Ne 8.10). Em lugar de gemer, se alegra, pois para o crente a tribulação produz paciência, experiência e esperança (Rm 5.3-5).
  • A graça, na vida do justo, constitui também uma certeza da presença do Espírito Santo que derrama o amor de Deus em seu coração (Rm 5.5.). Assim, com a fé e o amor que há em Cristo, a graça transborda (1 Tm 1.14). É bem verdade que “bênçãos há sobre a cabeça do justo” (Pv 10.6). Assim, “todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16).

6.6.3. A Justiça torna o crente ousadamente inabalável (Rm 8.21-29)

A graça de Deus opera no crente tornando manifestas as seguintes declarações da Palavra de Deus:

  • “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31)
  • “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8.32)
  • “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8.33).
  • “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.35-37).

6.6.4. A Justiça é acompanhada de frutos (Fp 1.11; Pv 12.17)

Isso significa que a justiça é posta em prática e opera na maneira de viver do crente (Hb 11.33; 1 Jo 2.29; 1 Ts 2.10).

As obras justas que o crente pratica estão diante dos olhos do povo (Mt 5.16; 1 Pe 2.12,15). Elas são prova de que “Cristo vive em mim” (Gl 2.20; 2 Co 4.10,11).

6.6.5. O caminho dos justos é sempre aperfeiçoado

“A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18), pois aquele que é justificado tem um perpétuo fundamento (Pv 10.25) e não se abala (Pv 10:30), pois tem segurança (Is 32.17).

O Reio de Deus é justiça (Rm 14.17), pelo que o crente é vestido com o “linho fino” da justiça dos santos (Ap 19.7,8). Por isso o justo alegra-se esperando a vinda de Jesus, que é a nossa justiça (Jr 23.6).

E é pelo poderoso sangue do Cordeiro, que nos purificou, que entraremos na sua glória (Ap 7.14; 22.14) e seremos coroados com a coroa da justiça (2 Tm 4.8).

Próxima aula: #07 – Regeneração

#05 – A Fé e o Arrependimento

A Fé, o Arrependimento e a Confissão que se fazem em nome do Senhor Jesus Cristo, não são méritos, mas condições estabelecidas por Deus biblicamente para que se possa avançar no processo da salvação.

A Fé, o Arrependimento e a Confissão que se fazem em nome do Senhor Jesus Cristo, não são méritos, mas condições estabelecidas por Deus biblicamente para que o homem possa avançar no processo da salvação.

5.1. O que é Mecânica ou Processo da Salvação?

Também chamado de “ordo saluti” é a ordem em que se apresenta o processo da salvação (clique para ler a primeira aula), que é tema das próximas aulas. O termo “mecânica da salvação” é importante e foi aplicado pelo Pr. Silas Daniel, diretor de publicações da CPAD em seu livro sobre o Arminianismo.

Este processo compreende-se desde a graça salvadora de Deus, disponível aos homens pela morte de Cristo da Cruz do Calvário, estendendo-se à pregação do evangelho e a operação do Espírito Santo convencendo e produzindo a , que leva o homem e a mulher ao arrependimento.

Ao aceitar o evangelho, confessando a Jesus Cristo publicamente como Senhor e Salvador, o homem e a mulher são limpos de todo o pecado, purificados pela justificação em Jesus Cristo, vindo após isso o processo de regeneração, em que efetivamente permanecendo nas obras de Cristo tornam-se nova criatura.

O “status” de nova criatura deve ser alimentado espiritualmente, visto que a carne milita contra o espírito (Gl. 5:16), fazendo com que o homem e a mulher sejam tentados à retornar às práticas da velha criatura, por isso a santificação é uma etapa do processo da salvação que só terá fim com o arrebatamento da Igreja ou com a morte do crente fiel a Deus.

A última etapa é a glorificação, que torna o homem e a mulher coroados com glória que Paulo chama de “prêmio da soberana vocação de Deus” (Fp 3:14), em Cristo Jesus, nosso Senhor que já está glorificado. Os salvos, portanto, serão unidos a Cristo para sempre e receberão um corpo glorificado, e então estarão salvos da morte eterna e viverão eternamente com Jesus.

5.2. A fé e o arrependimento no Antigo Testamento

É necessário distinguirmos os tipos de fé. Existe a fé salvadora (Ef. 2:8), a fé como virtude cardeal (1 Co. 13:13), e a fé como dom espiritual (1 Co. 12:9).

Portanto, como estamos tratando de doutrina da salvação, falaremos apenas acerca da fé salvadora. Onde estiver escrito fé, entenda-se como fé salvadora.

Não vemos o termo “” nos textos do Antigo Testamento. A única vez que aparece a palavra “fé” no Velho Testamento é no livro do profeta Habacuque (Hc 2: 4), na tradução de Almeida Revista e Corrigida.

Mas em Hebreus vemos a galeria dos “heróis da fé” (Hb. 11), personagens bíblicos que passaram por lutas, dificuldades, e que tudo que passaram foi pela fé na promessa, “a promessa”, de toda a Antiga Aliança estava em Jesus Cristo, que é chamado pelo autor de Hebreus de “autor e consumador da nossa fé” (Hb 12:2).

Esta promessa foi feita pelo próprio Deus, ainda do Jardim do Éden, de que da mulher nasceria Aquele que pisaria na cabeça da serpente, que venceria a morte e o inferno, e nEle já estava a “fé” daqueles que creriam, tudo o que ocorreu posteriormente na história foi por causa dEle e tudo continua a acontecer por causa dEle. (Hb. 13:8)

Já o arrependimento aparece no Antigo Testamento por diversas vezes pelos juízos de Deus. Um grande exemplo da consequência da fala de arrependimento foi o dilúvio nos tempos de Noé conforme profetizado pelo Senhor Jesus (Mt 24:37-39).

Deus provou de todas as formas o povo da aliança para levá-lo ao arrependimento, todas as vezes que se desviavam dos mandamentos do Senhor, sobrevinha sobre o povo os juízos de Deus pelo domínio dos outros povos. O último juízo sobre o povo de Israel como consequência da falta de arrependimento e obediência foi o exílio assírio e babilônico durante 70 (setenta) anos.

Israel, portanto, havia se acostumado a tentar fugir da ira do Deus que prometeram obedecer (Js. 24:19-21) adorando outros deuses, e se desviando de cumprir os mandamentos da Lei do Senhor, não sendo possível a fuga da ira de Deus, visto que foi profetizado que sofreriam maior julgamento se não voltassem para os caminhos da promessa (Js. 24:22-24).

Era uma aliança da qual o povo não tinha como fugir.

5.3. A fé e o arrependimento no Novo Testamento

A “voz que clama no deserto”, ou seja, o profeta João Batista nos deixou a profecia que fecha a Antiga Aliança e nos traz a nova, como quem diz que colheremos o juízo de Deus se continuarmos em disputa, fingindo que podemos escapar das consequências do pecado.

Os partidários religiosos Fariseus e Saduceus, os primeiros adoravam a Lei Escrita, mas de fato não a cumpriam (Mat. 23:13), e os segundos adoravam o templo de pedra, mas o templo espiritual continuava podre, chegando a serem chamados de sepulcro caiado por Jesus e pelo apóstolo Paulo (Mat. 23:27;

João lhes diz que o arrependimento dos pecados produz frutos. Frutos são vistosos, uma árvore boa não consegue esconder seus frutos, portanto, é impossível para uma pessoa esconder seu comportamento diante de Deus e diante dos homens, por mais que digam que conhecem e servem a Deus e que vão todos os dias ao templo, são apenas os frutos que revelam o arrependimento. (Mat. 3:5-11).

É a fé salvadora, concebida pela pregação do evangelho, que gera o arrependimento, mas tudo isso vem primeiramente da graça salvadora de Deus. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

A salvação é fruto da graça, mas concedida mediante a fé (Ef. 2:8). Por isso, João preparou o caminho para o evangelho, para as boas novas da salvação em Cristo, de modo que ao voltar da tentação no deserto, Jesus confirmou a pregação de João: “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mat. 4:17).

Onde não há pregação não há fé e onde não há fé não há salvação; por isso o evangelho tem que ser pregado. A graça é favor imerecido, como vimos na primeira aula, é de iniciativa divina, é preveniente, vem antes de qualquer conduta humana.

Por sua vez, a fé que nasce no coração do homem mediante a pregação da Palavra de Deus é elemento humano, e assim é cobrada do homem. Jesus queixou-se diversas vezes da falta de fé – em todas as suas dimensões – por parte dos que o assistiam (Mt. 21.21; Mc 4.40; Lc. 12:28).

Pelo arrependimento a pessoa enxerga seu próprio estado de miséria, pela a pessoa é capaz de enxergar a força que necessita para caminhar com Cristo. A fé salvadora é uma disposição interior espontânea, gerada pela Palavra de Deus, que capacita o homem a responder positivamente à oferta da graça e essa fé é possível a todos os homens. (Jo 6:29).

“A Bíblia não ensina, em parte alguma, que a fé salvífica é um dom especial de Deus destinado somente a um grupo seleto. Além disso, a Bíblia assume em toda parte que todos que desejarem a salvação podem exercer a fé salvífica. Todas as passagens bíblicas que incitam os descrentes a crerem ou a se arrependerem para a salvação implicam esta verdade” (Geisler, 2010, p. 390)

A missão da Igreja, com a revelação do evangelho de Jesus Cristo é anunciar a Palavra para que todo o ouvinte que queira possa crer no Senhor Jesus, sendo cientes desta boa-nova de salvação poderão crer ou serão julgados (Atos 17:30-31; 16:31). 

5.4. Como o Espírito Santo convence o mundo?

Em João 16:8, o mundo é retratado como a coletividade de pessoas. O Espírito Santo na Igreja é testemunho vivo da Palavra de Deus, da morte e ressurreição do filho (Atos 2), e assim o trabalhar do Espírito Santo faz com que o homem e a mulher revejam os seus próprios caminhos contrários à revelação de Jesus Cristo.

O convencimento é a atividade do Espírito no arrependimento, a fim de que ninguém se declare desavisado, tornando-se todos indesculpáveis perante o Senhor.

O arrependimento faz com que o homem enxergue seus erros, suas falhas, ou seja, entenda que está pecando e que isso o afasta de Deus, pois quem Crê em Cristo cumpre seus mandamentos e anda na luz (Jo 16:9; 1 Jo. 1:5:7).

O arrependimento faz com que saibamos que Cristo é a Justiça de Deus que se cumpre em nós pela sua Palavra, ainda aqui o Espírito Santo nos faz testemunhas da Justiça de Deus em Cristo. (Jo 16:8)

O arrependimento faz com que vejamos que não há escapatória para este mundo, pois Cristo já venceu o mundo e se não deixarmos o mundo, seremos condenados juntamente com os que estão no mundo (Jo 16:10; 1 Co. 11:30-31)

5.5. O Pecado, A Justiça e o Juízo – Pregação do Evangelho

O pecado, a justiça e o juízo são proclamados pela Pregação do Evangelho, por meio deste ministério da palavra atribuído aos homens, e assim o Espírito Santo trabalha em nós operando o convencimento.

A pregação do evangelho é tarefa confiada à Igreja, e não aos seres angelicais. Eles desejariam muito fazer isso “para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pe. 1:12), todavia, não foi aos anjos que o Senhor confiou essa tarefa, mas aos salvos (Hb 2:5).

O retrato desta realidade bíblica foi o dia de pentecostes. Pois, depois que os discípulos forem cheios do Espírito Santo, de todos os que estavam em Jerusalém foi chamada a atenção, permitindo com que Pedro proclamasse o evangelho, chegando aqueles homens, inspirados pela fé no que viram e ouviram a dizer-lhe: “que faremos, homens irmãos?”.

Ao que Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” Atos 2:38,39

O início do processo da salvação, portanto, é uma atuação conjunta do Espírito Santo, pela graça salvadora já presente, a pregação do evangelho pelos homens, a fé em Jesus Cristo que leva ao arrependimento pelo convencimento do pecado, da justiça e do juízo.

Próxima aula: #06 – A Justificação

Os evangélicos podem comemorar o Natal?

Os evangélicos, nome atribuído aos cristãos de origem protestante, não só podem, como devem comemorar o Natal, que é mais uma forma de evangelização mundial, proclamando o nascimento do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

As críticas ao Natal, já são há muito tempo conhecidas, e desde logo já são dispensadas, pois se baseiam em um ódio histórico que em nada edificam, e nem atraem as pessoas para Deus.

Na verdade, desde a antiguidade, as heresias surgem a partir da diminuição da pessoa de Jesus Cristo, dizendo que não era humano ou que não era divino.

Criticar a comemoração do nascimento do Filho de Deus nada mais é do que abrir novamente portas para novas heresias.

Muitos querem criticar a data (25 de dez) em razão de ter sido há muitos séculos atrás uma data pagã (Sec. IV – em Roma – o dia do deus sol “invictus”). Alguns outros a criticam pelas várias e várias lendas urbanas, como exemplo clássico o “Santa Claus”, mais conhecido como Papai Noel, aqui no Brasil. Quantas coisas já inventaram sobre esse sujeito…

Discursos esses que são de maneira vã proferidos até mesmo por quem se diz cristão, e de nada servem para edificar a fé ou atrair as pessoas ao evangelho.

Convém, primeiramente, dizer que o nosso Deus é especialista em transformar maldições em bênçãos (Ne. 13:2b), e se antes (naquela remota época) o Natal era uma festa pagã, hoje podemos usar esta data como um dia de Evangelização Universal. Porque o que importa é que a Palavra da Salvação seja pregada, com prudência, moralidade e sabedoria. (Fp. 1:18)

Resumindo o fundamento e o fantástico significado do Natal – Jesus Cristo veio mudar as nossas vidas, nos trazer a libertação deste mundo, onde tanto sofremos opressões, angústias, perseguições, tribulações, e todos os males que nos aprisionam todos os dias.

Antes de Cristo, a salvação, purificação de pecados, – na origem judaica, e até mesmo em outras religiões, – era eminentemente dependente de patrimônio. A clássica salvação patrimonialista: tinha-se que comprar cada qual o seu cordeiro, pombas, etc, para oferecer em sacrifício, para purificação de pecados.
(chegando tal prática a virar comércio no templo – Jesus arrebentou com esses caras – Mt. 21:12-13)

Imperava no sistema religioso o egoísmo, quem não tinha condições não tinha salvação, não poderia se achegar a Deus sem o seu sacrifício individual de sangue de animais perfeitos, que substituiriam a pessoa no merecido castigo. Quem não podia adquirir animais bons para sacrifício não era digno de remissão de pecados. As pessoas eram discriminadas e não podiam sem esse sacrifício ter parte com o Criador.

Quando Cristo, já prenunciado, veio ao mundo, João Batista já anunciou que o basta nos sacrifícios de animais havia chegado, pois ao ver o Mestre ao longe anunciou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29).

Hoje, depois da vinda, morte e ressurreição de Cristo, sabemos que Ele foi partido por nós. E agora cada um e nós temos uma parte com Ele. Todos fazemos parte de seu sacrifício, basta aceitarmos que somos dependentes do seu Amor, da sua libertação, para fazermos parte de sua paz e podermos nos achegar a Deus, pois por sua perfeição era o único digno de remir todos os nossos pecados, porque nada fez, jamais pecou (1 Timóteo 2:6).

Sua morte foi estritamente necessária. Às vezes podemos nos perguntar, como alguém tão perfeito, a imagem absoluta de Deus, o único filho, aquele que está assemelhado em tudo com Deus, ainda que na forma humana, teria que morrer para que pessoas tão pecadoras como nós fossem justificadas por Ele?
O apóstolo Paulo em 2 Coríntios 5:21, nos ensina que: “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nEle, fôssemos feitos justiça de Deus.”

O presbiteriano J. Edgar Hoover uma vez disse que “o legado de um homem só se define quando a vida dele termina”, e isso é uma grande realidade. Nós não poderíamos ser participantes da salvação que o cordeiro oferece sem o seu sacrifício voluntário naquela cruz. Cristo pregou sobre a herança do Reino dos Céus, uma passagem para a eternidade, somente acessível por aqueles que passam por Ele, pois Ele é a Porta e o Único Caminho, Verdade e a Vida. (João 14:6)

Cristo precisava consumar sua vida aqui, para que sua palavra surtisse efeitos para a salvação de todos nós. O Legado da promessa, o legado da herança.

Ao pensar no Natal não podemos deixar de lembrar que é o nascimento do nosso REI.

Cristo é o nosso governo: em Isaías, está escrito que o Principado está sobre os seus ombros (Is. 9:6). Sabemos que o que está sobre os ombros significa encargo, dever, responsabilidade. E principado, nada mais era na época da tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida (Séc. XVIII), que o sistema de governo mais comum no mundo em razão das pequenas colonizações de territórios.

Nas versões Almeida Revista e Atualizada, bem como na Nova Versão Internacional, consta que “O GOVERNO está sobre os seus ombros”. Assim, Cristo é o nosso comando, a nossa direção, a quem devemos seguir. Toda autoridade e todo o poder pertencem a Ele, pois lhe foi dado no Céu e na Terra (Mateus 28:18).

Por isso, absolutamente todas as coisas do mundo passam, as tecnologias passam, a ciência passa, mas as palavras de Cristo não passam, porque tudo que é transmitido no mundo depende da linguagem, e as Mensagens de Cristos são as únicas que nos atrai o coração. Ele vive em nós, Ele está conosco como prometeu, até a consumação dos séculos. (Mateus 28:20)

Desejo para todos, um Feliz Natal, lembrando o dia que Cristo veio a este mundo para se fazer sacrifício vivo por nós, para que por seu sangue fossemos justificados e atraídos a Deus, enxertados na árvore genealógica da fé, que conduz à vida Eterna.

A igreja e a ética da responsabilidade social

A igreja, biblicamente falando, tem uma responsabilidade perante a sociedade, que se inicia pelo amor ao próximo e pela fé em Deus, sendo manifestada através das boas obras, conforme pontilhou o apóstolo Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg. 1.27).

Neste versículo observamos o compromisso social da igreja, que é fruto do amor de Deus derramado pelo Espírito Santo em nossos corações. Assim como Jesus se interessou e se comoveu em razão das mazelas sociais, a igreja e o ministério (serviço dado por Deus aos crentes), não podem agir diferentemente.

A responsabilidade social consiste em visitar os órfãos, as viúvas, fazer doações, ajudar os carentes, amar os desafortunados, chorar com os que choram, proclamar libertação espiritual aos cativos, fundar instituições sociais e educacionais, que realmente trabalhem com transparência e seriedade.

A igreja contemporânea vem sendo bombardeada pelo comodismo, onde muitos crentes estão com medo de trabalhar, avançar, crescer, marchar e conquistar os propósitos de Deus para o seu povo e para a humanidade. A ação social da igreja reflete o tamanho da fé e o brilho de nossa espiritualidade em Cristo Jesus.

A ética e a responsabilidade social foram vislumbradas por Jesus: “… porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão não me visitastes” (Mateus 25.42,43).

Cuidar daqueles que necessitam de nossa ajuda é uma atitude cristã e abençoadora. Que Deus nos desperte a fazer o bem, sem distinção de classe e etnia, afinal, a igreja foi chamada para ser SAL DA TERRA e LUZ DO MUNDO.

#04 Arminianismo: FACTS – os cinco artigos dos remonstrantes e o vergonhoso Sínodo de Dort

Após o falecimento de Armínio em 1609, quarenta e seis de seus seguidores se reuniram na cidade de Haia, na Holanda, e formalizaram um documento chamado “Remonstrância”.

Estamos em nossa quarta aula sobre a Doutrina da Salvação, onde pontuamos os erros da doutrina calvinista (leia aqui), e iniciamos o estudo da doutrina arminiana sobre a salvação (leia aqui).

Quem eram os Remonstrantes

Estamos agora diante de um cenário triste do início do século XVII, onde, após o falecimento de Armínio em 1609, quarenta e seis de seus seguidores se reuniram na cidade de Haia, na Holanda, e formalizaram um documento chamado “Remonstrância”.

Entre os remonstrantes estavam grandes nomes da filosofia e do direito como Simon Episcopius (1583-1643) e o conhecido jurista Hugo Grócio (1583-1645).

O termo Remonstrância vem de “remonstrar” que significa, por intermédio de argumentos, tornar evidente uma situação.

O documento dos Remonstrantes

A remonstrância, documento dos remonstrantes, foi resumida em 5 (cinco) pontos, assim como os cinco pontos do calvinismo, de forma a refutá-los biblicamente.

Apenas para relembrar, os cinco pontos do calvinismo formam o acróstico T.U.L.I.P.:

  1. Total Depravity (Depravação Total); – o homem é incapaz de por si mesmo ir a Deus.
  2. Unconditional Election (Eleição incondicional); – Deus faria a escolha de quem será ou não salvo, independente das atitudes humanas.
  3. Limited Atonement (Expiação limitada); – Jesus não teria morrido por todas as pessoas.
  4. Irresistible Grace (Graça Irresistível); – Aquele que é “eleito” viria para a salvação de qualquer maneira, independente de suas próprias decisões.
  5. Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos); – Seria impossível para um “eleito” perder a salvação.

Enquanto os cinco pontos dos remonstrantes formam o acróstico F.A.C.T.S., que na língua inglesa traduzido livremente significa FATOS:

  1. Free by grace to believe (Livres pela graça para crer), onde há graça há liberdade para crer ou não crer. É a expressão da graça preveniente.
  2. Atonement for all: (Expiação Ilimitada); Jesus morreu por todas as pessoas.
  3. Condicional Election (Eleição Condicional); existem condições para a salvação disponíveis para todos os homens: arrependimento, fé e confissão.
  4. Total Depravity (Depravação Total); o homem por si mesmo não é capaz de chegar a Deus, apenas diante das revelações disponíveis pela graça.
  5. Security in Christ (Segurança em Cristo); perseverar é estar seguro em Cristo, em constante arrependimento e santificação, fora dEle não há salvação.

Os cinco artigos dos Remonstrantes

*Artigo I – Que Deus, por um eterno e imutável plano em Jesus Cristo, seu Filho, antes que fossem postos os fundamentos do mundo, determinou salvar, de entre a raça humana que tinha caído no pecado – em Cristo, por causa de Cristo e através de Cristo – aqueles que, pela graça do Santo Espírito, crerem neste seu Filho e que, pela mesma graça, perseverarem na mesma fé e obediência de fé até o fim; e, por outro lado, deixar sob o pecado e a ira os contumazes e descrentes, condenando-os como alheios a Cristo, segundo a palavra do Evangelho de Jo 3.36 e outras passagens da Escritura.

Este primeiro artigo revela a Salvação Condicional. As condições resumidas impostas por Deus são “crer no Filho, e perseverar em obediência”. Para ser condenado basta não crer no Filho e permanecer desobediente à Deus, permanecendo ou voltando à vida pecaminosa, que torna o homem e a mulher alheios a Cristo.

*Artigo II – Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes. João 3:16

O segundo artigo é o ponto denominado Expiação Ilimitada, que afirma, biblicamente, que a morte de Cristo na Cruz do Calvário é para todos os homens, porém, deixa claro que só pode fazer parte deste perdão aqueles que crerem e aceitarem este perdão concedido pelo preço de sangue.

*Artigo III – Que o homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de sua própria vontade, de modo que, em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si mesmo, não pode pensar nada que seja bom – nada, a saber, que seja verdadeiramente bom, tal como a fé que salva antes de qualquer outra coisa. Mas que é necessário que, por Deus em Cristo e através de seu Santo Espírito, seja gerado de novo e renovado em entendimento, afeições e vontade e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar, querer e praticar o que é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus [Jo 15.5].

O terceiro ponto demonstra a concordância entre calvinistas e arminianos acerca da Depravação Total, ou seja, que tudo é pela graça. O homem por si mesmo não pode pensar nada de bom, nem fazer o bem, pois apenas pela graça, revelada nas Escrituras e pelo poder do Espírito Santo de Deus, o homem pode ser convencido de seu pecado.

*Artigo IV – Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e coopera. De modo que todas as obras boas e todos os movimentos para o bem, que podem ser concebidos em pensamento, devem ser atribuídos à graça de Deus em Cristo. Mas, quanto ao modo de operação, a graça não é irresistível, porque está escrito de muitos que eles resistiram ao Espírito Santo.

Aqui no artigo quarto do documento dos remonstrantes, foi afirmada a Livres pela graça para crer, demonstrando que a graça de Deus sempre esteve, por meio de Cristo, à disposição dos homens, até mesmo o homem transformado continua a depender desta graça para continuar firme em Jesus, pois ela desperta, assiste e coopera.

Este ponto afirma ainda que a graça não é irresistível, pois há muitos textos bíblicos acerca de homens que resistiram ao Espírito Santo.

*Artigo V – Que aqueles que são enxertados em Cristo por uma verdadeira fé, e que assim foram feitos participantes de seu vivificante Espírito, são abundantemente dotados de poder para lutar contra Satã, o pecado, o mundo e sua própria carne, e de ganhar a vitória; sempre – bem entendido – com o auxílio da graça do Espírito Santo, com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações, através de seu Espírito; o qual estende para eles suas mãos e (tão somente sob a condição de que eles estejam preparados para a luta, que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta, de modo que, por nenhum engano ou violência de Satã, sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo [Jo 10.28]. Mas quanto à questão se eles não são capazes de, por preguiça e negligência, esquecer o início de sua vida em Cristo e de novamente abraçar o presente mundo, de modo a se afastarem da santa doutrina que uma vez lhes foi entregue, de perder a sua boa consciência e de negligenciar a graça – isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança.

Aqui o ponto mais sensível, este quinto artigo demonstra a Segurança em Cristo, cautelosamente descrito pelos remonstrantes, afirmaram que aqueles que estão em Cristo, estão seguros para lutar contra as ciladas do diabo, o mundo e a carne e ter vitória, podendo contar com o auxílio de Jesus Cristo em todos os momentos.

Contudo, quanto à questão de voltarem à vida pecaminosa, se afastando de Cristo e retornando aos caminhos do Senhor, ou seja, o modo de funcionamento da queda da graça (perda da salvação), não é tão simples de ser explicado, devendo ser analisado caso a caso, com base nas Escrituras para que possa ser ensinado com maior segurança.

Estes são os pontos dos remonstrantes, resumidos no documento F.A.C.T.S.  detalhadamente explicado com amparo no texto das Sagradas Escrituras, o que o tornava, diante da comunidade protestante holandesa irretocáveis.

Contudo, o calvinismo servia como exclusivismo religioso, já tinha se tornado não uma doutrina, mas uma verdadeira política de Estado, o que levou à condenação de ministros arminianos/remonstrantes pelo Sínodo de Dort.

O Sínodo de Dort

Sínodo de Dort – 1618 d.C.

Como vimos no estudo sobre a História da Igreja, Lutero não queria fundar uma nova igreja, queria apenas reformar a igreja. Já Calvino queria uma nova igreja e entraram em grande atrito em razão disso.

Portanto, na época o Calvinismo era utilizado fortemente como uma diferenciação de uma “nova igreja” em relação à antiga igreja que Lutero pretendida reformar.

O surgimento das posições dos remonstrantes, que revelava erros na doutrina calvinista no ponto da doutrina da salvação, mexeu em um ponto que não era religioso, mas, sim, político.

Conforme ensina o Pr. Walter Brunelli:

“A doutrina calvinista servia como escudo para a Holanda contra a Igreja da qual ela havia se libertado, sobretudo, por se tratar do poder religioso que subjugava a Espanha, país que antes a dominava. Entretanto, os arminianos opunham-se à teologia de Calvino, alegando que Jesus morreu por todos e que a salvação não era restrita somente a alguns, mas era oferecida a todos igualmente. Armínio diferia de Calvino em questões soteriológicas, e isso ele não escondeu” (Teologia Para Pentecostais, Vol. 3 – Ed. Central Gospel, 2016, p. 269)

Assim, visando condenar o documento dos remonstrantes, instalou um grande Sínodo (concílio), na cidade de Dordrecht, na Holanda, que durou de 1618 a 1619, onde estiveram em inúmeras sessões de discussões, teólogos eruditos, o rei da Inglaterra Tiago, Condes de diversas Repúblicas reformadas (Suíça, Genebra, França, etc).

De todos os inúmeros teólogos e políticos participantes, apenas 13 (treze) remonstrantes foram chamados, liderados por Simon Episcopus, porém ficaram trancafiados em uma sala, sem poder participar das sessões, nem mesmo direito a assento tiveram, ficavam em pé o tempo todo.

Apenas na vigésima segunda sessão foram chamados para defender a doutrina da salvação ensinada por armínio, que foi atacada por 102 calvinistas que estavam no plenário. O triunfo dos calvinistas foi absoluto.

Os remonstrantes foram expulsos do sínodo, aos gritos pelo teólogo calvinista John Borgerman, que os declarou hereges (calúnia), que ainda defendia a pena de morte aos arminianos.

Após o sínodo diversos arminianos/remonstrantes foram presos, destituídos das igrejas, banidos por não se calarem contra o calvinismo. O presbítero e jurista Hugo Grócio foi confinado em uma masmorra.

Todavia, anos mais tarde surgiu um homem chamado Frederick Henry, que permitir que os arminianos retomassem seus postos, e por toda a Holanda foram restabelecidas as igrejas remonstrantes e criaram também uma universidade.

Henry foi sucessor de Mauricio de Nassau, o famoso “o Brasileiro”, conde alemão-holandês, que governou a colônia holandesa no Recife/PE em 1637.

Próxima aula: A Mecânica da Salvação.

A possibilidade da prisão após a condenação em segunda instância

A prisão penal depende da ocorrência do trânsito em julgado, conforme o texto constitucional. Todavia, o momento em que se dá o trânsito em julgado não é cláusula pétrea.

A prisão penal depende da ocorrência do trânsito em julgado, conforme o texto constitucional. Todavia, o momento em que se dá o trânsito em julgado não é cláusula pétrea.

A execução provisória não é a única possibilidade de prisão antes do trânsito em julgado

Assunto muito comentado nos últimos dias é a possibilidade jurídica da prisão após a condenação em segunda instância. O texto constitucional é claro ao afirmar que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;” (art. 5º, inciso LVII, da CF). Portanto, para que haja possibilidade de execução da pena é necessário que não caibam mais recursos contra a condenação do acusado. 

Para que não pairem dúvidas, isto não quer dizer que não haja a possibilidade de que criminosos perigosos, como estupradores, assassinos, traficantes, dentre outros, sejam desde logo presos. Para estes existem as prisões cautelares (que asseguram o cumprimento da lei e da ordem), sendo a principal delas a prisão preventiva, cabível no caso de perigo à ordem pública e econômica, à aplicação da lei penal e à instrução do processo

A maioria dos crimes bárbaros ameaçam a ordem pública, sendo este o fundamento da grande parte das prisões preventivas decretadas pelos magistrados brasileiros, a fim de assegurar que os deliquentes perigosos não cometam outros crimes e que também não fujam da aplicação da lei. 

Outra coisa é a execução provisória da pena, instituto jurídico criado pelos tribunais, que não está previsto em Lei e que afirma que após condenação por órgão colegiado (a partir da segunda instância – tribunais de apelação), poder-se-ia iniciar a execução da pena aplicada, ou seja, a prisão não seria mais cautelar, teria caráter da sanção aplicada ao mal cometido. 

A necessidade do trânsito em julgado

Em nosso sistema jurídico não é possível qualquer “execução de pena”, ou seja, admitir-se que o réu é definitivamente culpado se não houver o trânsito em julgado, isto é, se não houver a cessação de todas as possibilidades de recurso contra a condenação.

Isso porque, a ocorrência do trânsito em julgado dá definitividade à situação julgada, atribuindo-se terminantemente a pecha de culpado ao indivíduo. Com isto, cumpre-se o previsto na Constituição de que até aquele momento pendia sobre o acusado a “presunção de inocência”, mas do trânsito em julgado em diante deve ele ser tratado como culpado, sofrendo as penas impostas pela condenação criminal. 

“trânsito em julgado” é Cláusula Pétrea em nosso sistema constitucional (art. 60, § 4º, inciso IV, da CF), visto que está no rol de “direitos e garantias individuais e coletivas” que, em sua maioria, estão no artigo 5º da Constituição da República. Assim, não pode nem mesmo por emenda à constituição alterar-se o teor de tal garantia de ser o indivíduo considerado inocente até que não caiba mais recurso contra a sentença que o condenou.

Contudo, o que era para ser uma garantia se tornou um “abuso de direito” exercido por muitos, que se tornaram profissionais não em apenas se defender, mas de recorrer das decisões infinitamente, evitando-se (protelando) a ocorrência do trânsito em julgado, até que haja a prescrição da pena aplicada (extinção da possibilidade de cumprimento da condenação pelo decurso do tempo). 

O momento da ocorrência do trânsito em julgado não é cláusula pétrea

Interpretando-se o art. 60, § 4º, inciso IV da Constitução, verificamos que é proibida a emenda constitucional que intente abolir (extinguir, excluir) cláusula pétrea. Assim, o instituto do “transito em julgado” não pode ser extinto. Contudo, nada aduz o texto constitucional quanto à modificação do momento da ocorrência do trânsito em julgado no processo

É plenamente possível que após a decisão por órgão colegiado (segunda instância), ocorra o trânsito em julgado, dando-se definitividade à condenação nas instâncias ordinárias (onde é possível a produção das provas). 

Nesta ordem de ideias, os recursos cabíveis aos tribunais superiores (STJ, STF), teriam efeitos rescisórios, isto é, caso os tribunais recebam, conheçam e deem provimento ao Recurso Especial (STJ) e Recurso Extraordinário (STF), ou demais medidas cabíveis (como o Habeas Corpus), todas estas decisões possuirão efeitos de desconstituir o trânsito em julgado podendo cassar a sentença e o acórdão (decisão de segunda instância) condenatórios.

Com isso, mantêm-se a cláusula pétrea da exigência do trânsito em julgado plenamente válida, apenas antecipando-se sua ocorrência, para a execução em definitivo da pena aplicada após a certidão do trânsito em julgado expedida após o acórdão do tribunal que mantém a sentença condenatória ou condena o réu em segunda instância. 

Atribuir-se efeitos rescisórios às decisões dos tribunais superiores, dando eficácia imediata às decisões dos tribunais dos estados, traria a diminuição do sentimento de impunidade e certamente beneficiaria o sistema, dando fluidez e melhor respeito às medidas cabíveis aos tribunais superiores, que não mais seriam utilizadas como meros “ganha-tempos” para evitar-se o cumprimento da condenação criminal.

A doutrina Arminiana acerca da Salvação

ando a Europa foi tomada pela doutrina calvinista, Deus levantou um pastor chamado Jacó Armínio (Jacobus Arminius, 1560-1609), que se contrapôs à doutrina da “graça irresistível” de Calvino, defendendo biblicamente a “graça preveniente”.

A doutrina arminiana não prega que a responsabilidade pela salvação seja do homem, nem que o homem ainda possui capacidade de chegar a Deus. Muito pelo contrário, mostra uma graça eterna, preveniente, que está presente e se manifesta na pregação do evangelho, capacitada pelo poder de convencimento do Espírito Santo, que gera a fé necessária ao homem para responder ao chamado da salvação.

A vida de Jacob Armínio

Jacob Armínio

Estamos aprendendo a doutrina da salvação, conforme resumida na primeira aula (clique aqui para ler). Na última aula apontamos os erros da doutrina calvinista acerca da salvação, e biblicamente demonstramos ponto a ponto os erros que os calvinistas cometem em sua tentativa de explicar o processo da salvação pela “predestinação individual para salvação e para perdição”.

Quando a Europa foi tomada pela doutrina calvinista, Deus levantou um pastor chamado Jacó Armínio (Jacobus Arminius, 1560-1609), que se contrapôs à doutrina da “graça irresistível” de Calvino, defendendo biblicamente a “graça preveniente” ou “graça preparatória”, que ensina que a vontade do homem é essencial no processo de salvação, em cooperação com o chamado de Deus.

Igreja em Amsterdã

Sendo Holandês, nasceu em um momento que que seu país estava sendo tomado pela doutrina calvinista, que fortemente investia em conflitos políticos para libertar a Holanda do domínio da Espanha. Nesse contexto foi formado e ordenado ao ministério assumindo a Igreja Reformada de Amsterdã como pastor em 1587, aos 27 anos de idade.

O primeiro ponto que chocava Armínio, e contra a qual ele fazia oposição aberta, era o ensino do suplalapsarianismo pelos calvinistas, o que ele atacava veementemente em suas pregações, causando um alvoroço entre a maioria calvinista na época.

Após isso, também passou a pregar contra a “eleição incondicional” e a “graça irresistível”, pois defendeu a literalidade do texto de Romanos 9, segundo o qual é a Igreja a predestinada à salvação e não indivíduos específicos, sendo a “predestinação” corporativa e não individual. Ou seja, se é salvo porque é Igreja, está unido à noiva de Cristo, fora dela não há salvação. (A Igreja é a grande embarcação dirigida por Cristo com destino ao Céu, quem nela embarca, será salvo)

Em meados de 1603 de levantou um teólogo radicalmente calvinista que colocou a população em polvorosa contra Armínio. Francisco Gomaro, dizia que Calvino era jesuíta e socianista. E o que é pior, caluniava Armínio, dizendo que ele negava a salvação pela graça mediante a fé em Cristo, conforme fundamentado pela Reforma Protestante.

Francisco Gomaro

Assim, a distorções feitas por Gomaro, influenciaram negativamente a opinião pública contra Armínio, que fez com que houvesse uma perseguição e uma guerra civil em 1604, nas províncias dos Países Baixos (Holanda). Armínio foi publicamente acusado de herege.

Armínio faleceu de tuberculose cinco anos depois, em 1609, sendo injustiçado até os dias de hoje, pois ainda é taxado de “semipelagianista” pelos calvinistas mais radicais, o que não é realidade.

Nos debates que continuaram, Armínio foi sucedido por Konrad Vorstius, que derrotou Gomaro com argumentos bíblicos, sendo que Gomaro utilizava-se da política e das ofensas públicas contra os remonstrantes (alunos de Armínio – veremos na próxima aula).

Placa dos alunos da Universidade de Leiden, em homenagem ao professor Jacob Armínio

O ponto central da divergência entre a doutrina de Armínio e de Calvino (presciência x soberania)

Como já vimos, os calvinistas são deterministas. Utilizando-se peremptoriamente da doutrina dos decretos afirmam que tudo o que ocorre foi decretado por Deus não havendo nada que o homem pudesse fazer. A isso chamam de “Soberania Divina”.

Portanto, se Deus é quem decreta quem será salvo e quem será condenado é porque Ele é soberano, e, segundo os calvinistas, dizer o contrário (que Deus não escolhe quem irá para o céu ou quem irá para o inferno) seria o mesmo que negar a “soberania” de Deus.

Em sentido inverso, Armínio se opunha ao ensino Calvinista, pois afirmava que muitas coisas eram decretadas por Deus, mas não todas as coisas, visto que se Deus decreta o cometimento de pecados, seria ele o responsável pelo mal no mundo.

Portanto, Armínio ensinava que Deus  decretou o plano da salvação, antes da fundação do mundo, por meio de Jesus Cristo, nomeando-o eternamente mediador, redentor, salvador, sacerdote e rei, decretou consequentemente que quem se arrependesse e cresse em Jesus Cristo seria salvo se firme continuassem até o fim, todavia os incrédulos seriam condenados. Deus teria decretado também o modo (as condições) necessárias para a suficiência e eficaz salvação sob o fundamento do arrependimento e da fé.

O último ponto do ensino de Armínio contra os “decretos totalitários” calvinistas, era o que alinhava todo seu ensinamento: defendia que Deus decretou, sim, a salvação ou a perdição de pessoas, mas não pelo dedo “tirano” de escolher previamente quem seria ou não salvo (ao que eles erroneamente chamam de “soberania” que é mais uma “tirania”), mas, sim, elege (escolhe) os salvos pela sua “presciência” sabendo que responderia ao chamado da salvação (graça), por intermédio da fé semeada pela pregação do evangelho, tendo dado todos os que creem previamente a Jesus, pela sua onisciência.

É o que está escrito na carta de 1 Pedro 1.2:

Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” 1 Pedro 1:2

Isso porque a soberania não é um atributo absoluto, ou seja, Deus não pode utilizá-la a todo momento, sob pena de subverter sua própria Justiça. Paulo em 1 Timóteo 2:13, deixa muito claro que Deus não pode negar a fidelidade à sua própria Justiça, pois seria negar-se a si mesmo.

O cerne da doutrina de Armínio acerca da salvação está muito bem sintetizado nas palavras do teólogo Roger Olson:

“É importante lembrar que Armínio insistia que toda a questão da predestinação estava relacionada à condição caída dos seres humanos carentes da redenção. Para Armínio, o decreto divino de permitir a queda, em outras palavras, não dizia respeito à salvação. Os decretos de Deus a respeito da salvação vêm depois (são logicamente posteriores) da permissão divina da queda de Adão e de Eva. Como Armínio concebia a queda? Deixou isso claro em seu tratado Certos artigos a serem diligentemente examinados e ponderados: “Adão não caiu por decreto de Deus, nem por estar destinado a cair, nem por ter sido deserdado por Deus, mas por mera permissão de Deus, que não está subordinada a nenhuma predestinação, nem à salvação ou à morte, mas que pertence à providência, que é distinta e oposta à predestinação” (in OLSON, Roger. 1999. P. 479 apud Works of James Arminius. 1695. P. 653,654, apud BRUNELLI, Walter, Teologia para pentecostais, Vol. 3, 2016, p. 266)

Esta doutrina Arminiana é encontrada em muitos grupos diversificados hoje: luteranos, metodistas, episcopais, anglicanos, pentecostais, batistas do livre-arbítrio e muitos carismáticos e crentes do movimento holiness. (Op. Cit.)

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