#05 – A Fé e o Arrependimento

A Fé, o Arrependimento e a Confissão que se fazem em nome do Senhor Jesus Cristo, não são méritos, mas condições estabelecidas por Deus biblicamente para que se possa avançar no processo da salvação.

A Fé, o Arrependimento e a Confissão que se fazem em nome do Senhor Jesus Cristo, não são méritos, mas condições estabelecidas por Deus biblicamente para que o homem possa avançar no processo da salvação.

5.1. O que é Mecânica ou Processo da Salvação?

Também chamado de “ordo saluti” é a ordem em que se apresenta o processo da salvação (clique para ler a primeira aula), que é tema das próximas aulas. O termo “mecânica da salvação” é importante e foi aplicado pelo Pr. Silas Daniel, diretor de publicações da CPAD em seu livro sobre o Arminianismo.

Este processo compreende-se desde a graça salvadora de Deus, disponível aos homens pela morte de Cristo da Cruz do Calvário, estendendo-se à pregação do evangelho e a operação do Espírito Santo convencendo e produzindo a , que leva o homem e a mulher ao arrependimento.

Ao aceitar o evangelho, confessando a Jesus Cristo publicamente como Senhor e Salvador, o homem e a mulher são limpos de todo o pecado, purificados pela justificação em Jesus Cristo, vindo após isso o processo de regeneração, em que efetivamente permanecendo nas obras de Cristo tornam-se nova criatura.

O “status” de nova criatura deve ser alimentado espiritualmente, visto que a carne milita contra o espírito (Gl. 5:16), fazendo com que o homem e a mulher sejam tentados à retornar às práticas da velha criatura, por isso a santificação é uma etapa do processo da salvação que só terá fim com o arrebatamento da Igreja ou com a morte do crente fiel a Deus.

A última etapa é a glorificação, que torna o homem e a mulher coroados com glória que Paulo chama de “prêmio da soberana vocação de Deus” (Fp 3:14), em Cristo Jesus, nosso Senhor que já está glorificado. Os salvos, portanto, serão unidos a Cristo para sempre e receberão um corpo glorificado, e então estarão salvos da morte eterna e viverão eternamente com Jesus.

5.2. A fé e o arrependimento no Antigo Testamento

É necessário distinguirmos os tipos de fé. Existe a fé salvadora (Ef. 2:8), a fé como virtude cardeal (1 Co. 13:13), e a fé como dom espiritual (1 Co. 12:9).

Portanto, como estamos tratando de doutrina da salvação, falaremos apenas acerca da fé salvadora. Onde estiver escrito fé, entenda-se como fé salvadora.

Não vemos o termo “” nos textos do Antigo Testamento. A única vez que aparece a palavra “fé” no Velho Testamento é no livro do profeta Habacuque (Hc 2: 4), na tradução de Almeida Revista e Corrigida.

Mas em Hebreus vemos a galeria dos “heróis da fé” (Hb. 11), personagens bíblicos que passaram por lutas, dificuldades, e que tudo que passaram foi pela fé na promessa, “a promessa”, de toda a Antiga Aliança estava em Jesus Cristo, que é chamado pelo autor de Hebreus de “autor e consumador da nossa fé” (Hb 12:2).

Esta promessa foi feita pelo próprio Deus, ainda do Jardim do Éden, de que da mulher nasceria Aquele que pisaria na cabeça da serpente, que venceria a morte e o inferno, e nEle já estava a “fé” daqueles que creriam, tudo o que ocorreu posteriormente na história foi por causa dEle e tudo continua a acontecer por causa dEle. (Hb. 13:8)

Já o arrependimento aparece no Antigo Testamento por diversas vezes pelos juízos de Deus. Um grande exemplo da consequência da fala de arrependimento foi o dilúvio nos tempos de Noé conforme profetizado pelo Senhor Jesus (Mt 24:37-39).

Deus provou de todas as formas o povo da aliança para levá-lo ao arrependimento, todas as vezes que se desviavam dos mandamentos do Senhor, sobrevinha sobre o povo os juízos de Deus pelo domínio dos outros povos. O último juízo sobre o povo de Israel como consequência da falta de arrependimento e obediência foi o exílio assírio e babilônico durante 70 (setenta) anos.

Israel, portanto, havia se acostumado a tentar fugir da ira do Deus que prometeram obedecer (Js. 24:19-21) adorando outros deuses, e se desviando de cumprir os mandamentos da Lei do Senhor, não sendo possível a fuga da ira de Deus, visto que foi profetizado que sofreriam maior julgamento se não voltassem para os caminhos da promessa (Js. 24:22-24).

Era uma aliança da qual o povo não tinha como fugir.

5.3. A fé e o arrependimento no Novo Testamento

A “voz que clama no deserto”, ou seja, o profeta João Batista nos deixou a profecia que fecha a Antiga Aliança e nos traz a nova, como quem diz que colheremos o juízo de Deus se continuarmos em disputa, fingindo que podemos escapar das consequências do pecado.

Os partidários religiosos Fariseus e Saduceus, os primeiros adoravam a Lei Escrita, mas de fato não a cumpriam (Mat. 23:13), e os segundos adoravam o templo de pedra, mas o templo espiritual continuava podre, chegando a serem chamados de sepulcro caiado por Jesus e pelo apóstolo Paulo (Mat. 23:27;

João lhes diz que o arrependimento dos pecados produz frutos. Frutos são vistosos, uma árvore boa não consegue esconder seus frutos, portanto, é impossível para uma pessoa esconder seu comportamento diante de Deus e diante dos homens, por mais que digam que conhecem e servem a Deus e que vão todos os dias ao templo, são apenas os frutos que revelam o arrependimento. (Mat. 3:5-11).

É a fé salvadora, concebida pela pregação do evangelho, que gera o arrependimento, mas tudo isso vem primeiramente da graça salvadora de Deus. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

A salvação é fruto da graça, mas concedida mediante a fé (Ef. 2:8). Por isso, João preparou o caminho para o evangelho, para as boas novas da salvação em Cristo, de modo que ao voltar da tentação no deserto, Jesus confirmou a pregação de João: “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mat. 4:17).

Onde não há pregação não há fé e onde não há fé não há salvação; por isso o evangelho tem que ser pregado. A graça é favor imerecido, como vimos na primeira aula, é de iniciativa divina, é preveniente, vem antes de qualquer conduta humana.

Por sua vez, a fé que nasce no coração do homem mediante a pregação da Palavra de Deus é elemento humano, e assim é cobrada do homem. Jesus queixou-se diversas vezes da falta de fé – em todas as suas dimensões – por parte dos que o assistiam (Mt. 21.21; Mc 4.40; Lc. 12:28).

Pelo arrependimento a pessoa enxerga seu próprio estado de miséria, pela a pessoa é capaz de enxergar a força que necessita para caminhar com Cristo. A fé salvadora é uma disposição interior espontânea, gerada pela Palavra de Deus, que capacita o homem a responder positivamente à oferta da graça e essa fé é possível a todos os homens. (Jo 6:29).

“A Bíblia não ensina, em parte alguma, que a fé salvífica é um dom especial de Deus destinado somente a um grupo seleto. Além disso, a Bíblia assume em toda parte que todos que desejarem a salvação podem exercer a fé salvífica. Todas as passagens bíblicas que incitam os descrentes a crerem ou a se arrependerem para a salvação implicam esta verdade” (Geisler, 2010, p. 390)

A missão da Igreja, com a revelação do evangelho de Jesus Cristo é anunciar a Palavra para que todo o ouvinte que queira possa crer no Senhor Jesus, sendo cientes desta boa-nova de salvação poderão crer ou serão julgados (Atos 17:30-31; 16:31). 

5.4. Como o Espírito Santo convence o mundo?

Em João 16:8, o mundo é retratado como a coletividade de pessoas. O Espírito Santo na Igreja é testemunho vivo da Palavra de Deus, da morte e ressurreição do filho (Atos 2), e assim o trabalhar do Espírito Santo faz com que o homem e a mulher revejam os seus próprios caminhos contrários à revelação de Jesus Cristo.

O convencimento é a atividade do Espírito no arrependimento, a fim de que ninguém se declare desavisado, tornando-se todos indesculpáveis perante o Senhor.

O arrependimento faz com que o homem enxergue seus erros, suas falhas, ou seja, entenda que está pecando e que isso o afasta de Deus, pois quem Crê em Cristo cumpre seus mandamentos e anda na luz (Jo 16:9; 1 Jo. 1:5:7).

O arrependimento faz com que saibamos que Cristo é a Justiça de Deus que se cumpre em nós pela sua Palavra, ainda aqui o Espírito Santo nos faz testemunhas da Justiça de Deus em Cristo. (Jo 16:8)

O arrependimento faz com que vejamos que não há escapatória para este mundo, pois Cristo já venceu o mundo e se não deixarmos o mundo, seremos condenados juntamente com os que estão no mundo (Jo 16:10; 1 Co. 11:30-31)

5.5. O Pecado, A Justiça e o Juízo – Pregação do Evangelho

O pecado, a justiça e o juízo são proclamados pela Pregação do Evangelho, por meio deste ministério da palavra atribuído aos homens, e assim o Espírito Santo trabalha em nós operando o convencimento.

A pregação do evangelho é tarefa confiada à Igreja, e não aos seres angelicais. Eles desejariam muito fazer isso “para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pe. 1:12), todavia, não foi aos anjos que o Senhor confiou essa tarefa, mas aos salvos (Hb 2:5).

O retrato desta realidade bíblica foi o dia de pentecostes. Pois, depois que os discípulos forem cheios do Espírito Santo, de todos os que estavam em Jerusalém foi chamada a atenção, permitindo com que Pedro proclamasse o evangelho, chegando aqueles homens, inspirados pela fé no que viram e ouviram a dizer-lhe: “que faremos, homens irmãos?”.

Ao que Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” Atos 2:38,39

O início do processo da salvação, portanto, é uma atuação conjunta do Espírito Santo, pela graça salvadora já presente, a pregação do evangelho pelos homens, a fé em Jesus Cristo que leva ao arrependimento pelo convencimento do pecado, da justiça e do juízo.

Próxima aula: #06 – A Justificação

Autor: Rafael J. Dias

Pastor na Assembleia de Deus Ministério de Santos, advogado, escritor e ativista pelos direitos sociais. Formado em Direito pela Universidade Católica de Santos e em Teologia pelo IBAD. Especialista em Direito da Administração Pública pela Estácio. Pós-graduando em Liderança Pastoral pela FABAD.

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