Ser conservador é ser de direita?

Não necessariamente ser conservador nos costumes implica em ser ideologicamente de direita ou de esquerda.

Ser conservador nos costumes não implica em estar no espectro político à direita ou à esquerda, visto que tais posicionamentos estão mais ligados a aspectos políticos e econômicos do que a costumes individuais e coletivos sociais, culturais e religiosos.

Isso quer dizer que, independente da própria cultura, religião e construção social, temos razões políticas e econômicas que não se referem a costumes, que podem nos colocar tanto à direita como à esquerda.

Sejamos mais claros:

Eu posso ter minhas questões sociais, como meu trabalho, educação e minha saúde, minha religião evangélica, gostar de cinema e de arte (dimensão cultural), ser completamente contra o casamento homossexual por questões religiosas e sociais (conservador nos costumes) e ainda assim não ser de direita em razão dos aspectos econômicos e políticos não serem do meu agrado.

Para entender bem isto, devemos verificar como referida divisão ideológica (esquerda x direita) se originou e como percebemos que ser de direita não tem completamente nada a ver com ser conservador nos costumes, que é dever de todo cristão, seja de esquerda ou de direita.

A atual acepção da palavra “ideologia” foi criada pelo filósofo francês Destutt de Tracy, no final do século XVIII, na época da Revolução Francesa, que abalou o cenário político global dando o passo inicial para a participação popular no governo, a partir do brocardo “liberdade, igualdade e fraternidade”.

O objetivo era que a participação popular na política se desenvolvesse através da troca de ideias (ciência das ideias) acerca de como o governo deveria se comportar em relação ao seu povo, provendo as suas necessidades.

Se nota, portanto, que a ideologia nasce como uma discussão de política econômica e não de costumes individuais, como a famigerada ideologia de gênero e o homossexualismo, são discutidas erroneamente como ideologias nos dias atuais. Isso porque a Europa daquela época era eminentemente cristã, não havendo qualquer possibilidade de discussão política sobre comportamentos pecaminosos.

Infelizmente aquele período tornou-se um dos mais sangrentos da história moderna da Europa. Em vez da liberdade de expressão das ideias servir para unir as pessoas em seus ideais, acabou por dividi-las na intransigência causada pela sede poder político da parte burguesa (partidários do rei deposto) e da parte dos revolucionários que almejavam um governo popular.

Em razão de tais divergências, o parlamento recém-criado na França (Assembleia Nacional), após a revolução, acabou por dividir-se entre os partidários do rei (à direita) e os simpatizantes da revolução (à esquerda).

Isso não aconteceu por convicções filosóficas ou sociais em primeiro momento. O efeito prático no âmbito da Assembleia Nacional, pois um grupo ousava divergir com o outro. Os leais ao rei, que queriam que as coisas ficassem como estavam (conservadores), ficaram sentados à direita do parlamento, enquanto aqueles que não aceitavam mais a exploração do povo e exigiam uma nova forma de governo livre (liberais) sentaram-se à esquerda.

A imprensa da época ao tratar dos dois grupos passou a chamá-los simplesmente de “direita” e “esquerda”, para o aperfeiçoamento de compreensão quando estavam a tratar dos partidários do rei ou do governo popular.

Tendo referido comportamento se repetido às vésperas da promulgação da Constituição Francesa de 1791, o modelo de representação pelos assentos continuou, tendo anos depois sido adotados pelos partidos políticos, formando diversos blocos “esquerda republicana”, “centro-direita”, “centro-esquerda”, “extrema-esquerda”, “extrema-direita”, dentre outros, passando os termos a serem associados a ideologias políticas específicas, sendo usados para descrever crenças políticas dos cidadãos.

O que me parece intrigante é que após este período as posições e crenças entre “esquerda” e “direita” foram sendo modificadas.

No início do século XX na França, “direita” não eram mais os políticos que defendiam o rei (até porque o presidencialismo e a democracia já estavam firmes), mas passou a representar aqueles que apoiavam a constituição e o governo popular, e a “esquerda” passou a representar aqueles que, apesar de apoiar a constituição e o modelo republicano apoiavam mudanças radicais no sistema de governo. Daí que, atualmente na França a “esquerda” tem sido chamada de “o partido do movimento” e a direita de “o partido da ordem”.

Com referido resumo histórico do surgimento e desenvolvimento das ideologias políticas, vejo que a união das duas tem sido imprescindível, sob a ótica social, para que as pessoas escolhessem de forma sadia, no momento em que viviam, o melhor partido e crença a ser colocada no poder político da nação, pois as necessidades políticas e sociais vão se transformando no transcorrer dos anos.

Nota-se, também, que as ideologias não são hermeticamente fechadas, já concluídas, com posições absolutas e bem definidas, antes, foram mudando e continuam a mudar com o passar do tempo.  

Nada obstante a tudo isso, infelizmente, a questão político-ideológica não tem sido discutida de forma sadia, com o olhar apenas social e econômico, mas está sendo discutida nos extremos, a ponto de excluir as pessoas, estragar amizades e até mesmo destruir famílias.

E com isso, de forma maligna e completamente desagregadora, ingressou no seio da Igreja de forma a contaminar a mente de jovens, adultos, idosos, sejam membros sejam obreiros da casa de Deus.

Um conceito que, como veremos, foi formado por anos de construções mentais humanas, ou seja, raciocínios falhos, voltado, na maioria das vezes, para a maldade, ganância e ao poder, hoje quer arrebatar a mentalidade dos salvos e remidos pelo sangue de Jesus, fazendo-os, por vezes, perder o foco e o tempo de suas vidas em discussões que ao longo da história de nada serviram a não ser para gerar mais dúvida e confusão no coração humano e no seio da sociedade.

Então a conclusão é a seguinte: todos nós, salvos no Senhor Jesus Cristo, somos conservadores nos costumes (quanto à pureza sexual, relacionamento apenas entre homem e mulher, e a favor da família tradicional, biblicamente constituída). Contudo, podemos ser de esquerda ou de direita nas demais questões políticas, sociais e econômicas, isso dependendo da consciência de cada um, pelo que entende ser melhor para a população de nosso país.

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