#08 – A Santificação

A Santificação inicia-se juntamente com a justificação e a regeneração e encerra o processo da salvação na vida do crente, diferenciando-se da regeneração por seu aspecto de  continuidade (progressividade) na vida do crente.

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A santificação é aliada a um dos atributos comunicáveis de Deus, a saber: A Santidade. Por isso, a santificação tanto depende do esforço humano como da ação divina na vida do crente.

Desde o início o chamado de Deus para o seu povo é para que ele seja “santo”. (Lv. 11.44)

E esse sentido contínuo da santificação foi trazido pelos remanescentes pentecostais. Como estudamos durante o ensino acerca da História da Igreja, no século XX, um movimento denominado “holiness” (santidade), por meio de John Wesley e demais evangelistas, mantiveram o aspecto da purificação na vida e no culto de todo genuíno cristão.

Por isso nossa ênfase de enfatizar a necessidade de uma vida santificada ao Senhor.

1- O que é santificação?

Ser santo, grosso modo, é a vigilância do crente em relação às coisas do mundo e ao pecado. Do hebraico “qadhash”, deriva da raiz “qad”, que significa “cortar”, “separar”. No grego “hagios”, também significa “separar”.

Portanto, é de se ver que Deus quer um povo dedicado, separado, consagrado, ao serviço do Senhor, que é a vontade expressa do Senhor na palavra (Lc. 1.70; Ef. 3.5; 2 Pe 1.21).

A santidade não se refere individualmente aos homens, mas à consagração ao Senhor, no sentido ético (indicando uma atitude diante das coisas de Deus) ou à Igreja do Senhor (Ef. 1.4; 5.27; Cl 1.22).

Santificação (hagiasmos), portanto, indica um processo na vida do cristão que o mantém na direção da exigência ética do Senhor, de que o homem e a mulher devem estar se consagrando, vigiando, se separando de tudo o que é impuro, mundano e pecaminoso.

2- Origem da santificação

Como dito, a santificação advém de um dos atributos de Deus, só é possível buscar a santificação, porque vem de Deus o caráter santo que devemos desenvolver. (1 Pe 1.15)

Santificação é um ato, um comportamento contínuo, e indica a mortificação diária do velho homem. Não é um processo que ocorre da noite para o dia, ou de imediato, como a justificação e a regeneração, pois requer uma atitude constante do crente. (Rm 6.6; 1 Pe 3.18)

3- Efeitos da santificação

Efeito interior – a santificação não é aparência exterior, mas a pureza do coração, a limpeza de toda maldade e corrupção. É o fugir da aparência do mal. Demonstração externa de santificação que não seja verdadeira interiormente é falsa. Essa foi a principal das reprimendas de Jesus contra os fariseus (Mt 23.25; 2 Co 7.1)

Efeito exterior – é o testemunho da vida cristã genuína. Não existe verdade sem o bom testemunho (Mt 5.16; Is 8:20). O bom testemunho é natural, é espontâneo, sem fingimento, como faziam os fariseus, chamados por Jesus de hipócritas (Mt 23.13-17; 19, 23, 25-27, 29).

4- Processo de santificação

  • No ato da conversão: o processo de santificação inicia-se logo em conjunto com a justificação e a regeneração (1 Co 6.11). A partir de que houve a lavagem pela água do novo nascimento no Espírito, perdoados foram os pecados, agora surgem atitudes a serem tomadas de não mais recuar, não mais olhar para trás e se misturar novamente com o mundo e com as concupiscências da carne, agora se vive para Deus (Rm 6.14).
  • No dia a dia: a santificação é progressiva (1 Ts. 3.12; 4.1,9,10). O dever diário do crente é seguir a santificação (Hb 12.14). O homem quando se converte não se torna um ser divino, mas um ser com uma natureza dúplice, humana e divina regenerada pelo Senhor. Por isso o conflito com o pecado permanece na natureza humana, e a ordem é resistir (Rm 6.12,13; 2 Co. 3.18).
  • Até chegar no céu: durante a vida não existe mais santo ou menos santo. Ainda que a Bíblica exija perfeição (Gn 17.1; Mt 5.48; Ef. 4.13), referida perfeição não é absoluta, pois o homem não está isento de pecar (Pv. 20.9; 1 Jo 1.8). Apenas no céu ninguém sofrerá das aflições do pecado, lá seremos chamados de “justos aperfeiçoados” (Hb 12.23).

5- Ação divina e esforço humano

Dividamente a santificação é obra do Pai (1 Ts 5.23), do Filho (Ef 5.25,26), e do Espírito Santo (2 Ts. 2.13).

O lado humano na santificação compreende:

(a) A fé (Hb 11.6);

(b) A consagração do corpo (Rm 6.19);

(c) A sujeição à Palavra de Deus (Jo 17.17);

6- A santificação não é legalismo

É claramente possível que alguém cumpra toda a lei, todos os mandamentos do Senhor, na vida pública e na vida privada e não estar desenvolvendo a santificação.

Segundo ensina o Pr. Walter Brunelli:

“Há um perigo aqui: alguns colocam ênfase tão exagerada na santificação que, inconscientemente, apregoam a salvação pelo caráter – o que não deixa de ser uma forma de crença em salvação pelas obras. Isso é próprio do legalismo. Tal sistema sacrifica o amor cristão, induzindo o indivíduo a julgar as pessoas pela aparência desenvolvendo um tipo inconsciente de vaidade espiritual. A salvação age no caráter, mas apenas o caráter não a representa.” (2017, Vol 2, p. 368)

Apenas Deus sonda os corações e pode julgar a santificação, a vida verdadeiramente consagrada ao Senhor. Obviamente que há comportamentos que claramente não condizem com uma vida santificada. Contudo, uma vida sem tais comportamentos, por si só, não indica santificação espiritual.

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