A dispensação do governo humano

Após o dilúvio os homens passaram a unir seus esforços como um só povo. Contudo a soberba encheu os corações, a ponto de se lançarem em empreendimentos que os distanciavam de Deus, que para dispersá-los pela terra interveio com o juízo de Babel.

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Leia também: Dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação iniciou-se em Gênesis 8:20, e durou até a dispersão dos homens sobre a terra, consolidando-se com a chamada de Abraão (Gn. 10.25; 12.1). O final teve como juízo a dispersão dos homens pela confusão das línguas (Gn. 11.9).

Ponto de partida: multiplicar e encher a terra

Ao sair da arca Noé edificou um altar ao Senhor, e nele ofereceu holocausto, adorou ao Senhor, que como resposta não amaldiçoaria a terra, pois assim como existe noite e frio, verão e inverno, dia e noite, o homem teria em seu coração tanto o bem como o mal (Gn. 8.20-22).

A imediata determinação do Senhor foi que Noé e seus filhos frutificassem e enchessem a terra (Gn 9.1), atribuindo mais uma vez ao homem o governo de todos os seres viventes (Gn 9.2-4) e que respeitassem a vida de seu próximo, determinando julgamento se voltassem a se comportar maldosamente como na dispensação anterior (Gn 9.5-7).

Com esta determinação de que não voltassem a transgredir a vida humana com a maldade desenfreada, garantiu que Noé e seus filhos povoassem toda a terra (Gn 9.19).

Os filhos de Noé já representavam os domínios da terra: Sem, é o pai dos semitas (Israel e países árabes), Jafé, é o pai dos Jafitas, que povoaram os países dos países do norte, Cam é o pai dos Camitas (Canaã e países sulistas – Egito, Libia, dentre outros). (Gn 9.18)

Espiritualmente, Sem simboliza o povo escolhido por Deus de onde haveria de vir a salvação do mundo (Israel) – (Gn 9.26); Jafé simboliza os gentios que aceitariam a mensagem do evangelho e assim habitaria nas tendas de Sem (Gn 9.27; 10.5); já Cam significa aqueles que desprezam a Deus, desprezam reconhecer a obediência ao Senhor e que, mesmo sem saber, acabam servindo aos demais povos (governo que não consegue lugar – vagante) (Gn 9.25).

As gerações dos filhos de Noé

O capítulo 10 de Gênesis, em semelhança como o capítulo 5, é reservado às gerações dos filhos de Noé. Aos nossos olhos podem parecer contradições às bênçãos de Noé o que ocorreu nas gerações de Cam, mas se voltarmos os olhos para as dispensações futuras verificaremos o cumprimento da profecia de Noé aos seus filhos.

JAFÉ: a geração de Jafé herdou os mares, ilhas, terras praianas, colônias fenícias, portos da costa do Oceano Índico, por eles foi divididas ilhas chamadas de “ilhas dos gentios”, tendo dado origem a várias nações (Gn 10.5).

CAM: Já Cam gerou a Cuxe que teve como filho Ninrode, que foi poderoso na terra (Gn 10.8). Podemos afirmar que Ninrode foi o primeiro “imperador” da terra, pois edificou vários reinos.

Ninrode foi o fundador de Babel (futura Babilônia), ainda edificou Nínive a capital da Assíria, e ainda diversos reinos, inclusive Patrusim e Casluim, origem dos Filisteus.

Cam também gerou a Sidom, que teve como primogênito o pai dos Heteus, e ainda gerou outros povos conhecidos (Gn 10.15-20).

SEM: a descendência de Sem já é mais simples, a Bíblia começa afirmando que ele é o pai de todos os filhos de Éber, ou seja, pai de todos os Hebreus. (Gn 10.21), tendo como filhos mais conhecidos Pelegue, que repartiu a terra, e Joctã, que habitou as montanhas do oriente. (Gn 10.25,30).

Atribuindo Deus o governo aos filhos de Noé, foram divididas neles as nações da terra após o dilúvio (Gn. 10.32).

O que intriga do poder do governo dos filhos de Cam, é que dele saíram todos os povos que oprimiram o povo de Israel, desde a peregrinação no deserto, como na conquista de Canaã, passando pelo período dos Juízes e reinado de Saul e Davi, e após a vinda dos Reis de Israel e por fim o Cativeiro Assírio e Babilônico.

Noé tinha afirmado que Canaã “serviria” a Sem (pai dos Israelitas). Mas, olhando pelos olhos humanos, aparentemente foram os semitas (judeus) que serviram os filhos de Cam, que foram por tempos mais poderosos na história antiga.

Para Deus existe uma noção completamente ilógica do servir. Nas dispensações futuras Deus se utilizou de todos estes filhos de Cam, para cumprir os seus propósitos com Israel, provando-o e aperfeiçoando-o para a vinda do Messias.

Quando terminou o serviço que Deus queria que prestassem, o governo foi retirado dos Camitas, e foi entregue para os Jafitas (conquistadores Romanos), que viviam além do mar, nas terras herdades pelos filhos de Jafé.

A Torre de Babel: a autoridade do governo de Ninrode em Sinar

Ninrode, neto de Sem, havia mesmo nascido para ser um líder, além de poderoso caçador (Gn 10.9). Com a sua força e poder para governar iniciou a reinar em 4 (quatro) reinos Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar.

Ao começar o seu primeiro domínio na terra de Sinar em Babel convenceu seus irmãos, parentes, todo o povo a ficarem juntos. Aproveitando-se que todos tinham a mesma língua (Gn 11.1), escolheram um vale (Gn 11.2), que os protegia de qualquer ameaça externa e ali habitaram.

Foi elaborado por eles, então, um plano de governo unificado, em que todos morariam em uma só cidade, e teriam uma grande torre que demonstraria o poderio daquele governo, e entraram em confronto direto com a ordem dada pelo Senhor Deus.

Provavelmente, utilizando do recurso da linguagem comum, colocou os homens em oposição contra Deus, vez que era um tirano temido, ensinou o povo a fugir da ira de Deus, com a construção de uma torre muito alta. Assim, utilizou do poder dos próprios homens para escapar da ira de Deus, caso resolvesse novamente inundar a terra com outro dilúvio, assim não morreriam afogados.

Queriam atribuir-se um nome, e desejavam que com esse nome seriam governados em um exclusivo ponto da terra. E o objetivo era novamente a desobediência a rebeldia contra Deus, vez que o propósito era que não fossem “espalhados sobre a face de toda a terra”.

Pelo que Deus desce na terra para ver de perto o que é que aqueles homens estavam fazendo. (Gn 11.5).

O Senhor ficou surpreso como os homens estavam sendo capazes de unirem-se em governo, pois tinham uma só língua (o que significa um só comando, uma só ordem), e se assim prosseguissem fariam todos os seus intentos em sentido oposto à vontade de Deus (Gn 11.6).

Quando o homem sai do controle, quando o homem desobedece deliberadamente a Deus, a ponto de ter a capacidade de intervir nos planos do Senhor, é sinal da chegada do fim da dispensação.

O juízo: a confusão de línguas

Para acabar com aquela união do povo em sentido oposto à vontade divina. Situação que atrapalharia os planos para a humanidade, que deveria ser espalhada por sobre a terra, tendo Deus intentos e propósitos em todos os lugares, era necessário dividir os governos dos homens.

A trindade se une neste intento: “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda a língua do outro” (Gn 11.7), Deus é quem dá a língua, Ele é especialista em língua, tanto para confundir como para unir (At 2.4).

Os homens começaram a falar outras línguas, e foram se aproximando daqueles que conseguiam entender, dividindo-se em grupos, em governos separados, em novas lideranças, assim foram espalhados de Babel para toda a terra, e cessaram de edificar a cidade (Gn 11.9).

Com os homens separados em povos e estando cada um conforme a sua família (governo, liderança), Deus já poderia cumprir os seus propósitos no povo escolhido para receber a promessa.

A Bíblia termina o capítulo 11, dispondo acerca das gerações de Sem, bisavô de Éber, de onde descende Abrão, filho de Terá, o homem escolhido para ser Pai da Fé, o patriarca da promessa.

Próxima aula: dispensação da promessa.

Sobre o carnaval gospel

Será que temos o direito de criticar e expor nossos irmãos diante da sociedade? – O que diriam os pioneiros da Assembleia de Deus?

Bloco de carnaval gospel

Sempre que eu vejo alguma coisa diferente entre os crentes, sou sincero, meus dedos coçam para fazer comentários nas redes sociais.

Mas daí o Espírito Santo fala comigo: “se a minha Palavra não é o suficiente para crerem, porque a sua seria?” – então me calo.

Busco então algum conforto na Palavra de Deus e na vida dos pioneiros.

Fico imaginando o que eles diriam, o que eles fariam.

E voltando ao estudo de nossos pastores pioneiros Deus me mostra que eles passaram pelos mesmos conflitos internos.

Gunnar Vingren, no ano de 1920, foi a uma igreja em São Paulo onde viu coisas que ele não identificou na Bíblia e o desagradaram muito.

Mas em vez de criticar seus irmãos perante a sociedade teve um conforto especial de Deus, e escreveu em seu diário:

“Deus e o Espírito Santo me fizeram prometer que eu nunca falaria mal de seus filhos. Eu disse a Deus que por minha força eu não podia cumprir aquela promessa, mas se Ele me desse forças eu cumpriria. Depois a alegria do Espírito Santo veio sobre mim. Aleluia!” (Diário do Pioneiro, pag. 116, CPAD)

Isso é uma lição para nós.

Não critiquemos nossos irmãos na fé!

Oremos por Eles porque Deus não nos dá esse direito de expor sua noiva diante da sociedade.

A Palavra já é suficiente.

Por que tantos crentes são facilmente enganados pelo sistema político mundial?

O primeiro passo para o “príncipe deste mundo” enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus (Mt 24.4-5), é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Fanatismo sempre é um comportamento equivocado, ainda que se ponha todo o empenho nas coisas de Deus, nem Ele se agrada de que façamos as coisas fanaticamente, sem raciocinar, sem pensar, sem criticar nossos próprios comportamentos. A autocrítica da nossa relação espiritual com Deus é um dever (Rm 12.1-2).

Atualmente há no sistema político global uma tendência a não pensar racionalmente, mas a colocar as emoções, os sentimentos, acima da razão para defender políticas e políticos que estão ensinando a prática do “não pensar”, e estão colocando até mesmo os filhos da luz em erro, como já havia alertado o nosso Senhor Jesus, que muitos viriam dizendo que seriam de “Cristo”, mas são mentirosos (Mt 24.4-5).

O sistema político é facilmente engendrado pelo diabo, pois ele é chamado de “príncipe deste mundo” e “deus deste século” (João 14.30; 2 Co 4.4), e desde o princípio é enganador e sabe seduzir os interesses dos homens para a prática da maldade, do desamor, do desprezo à vida do próximo.

Foi a força dos poderes malignos do sistema mundano que levou Jesus à crucificação: o sistema religioso judaico extremista (fariseus e saduceus), o governo local corrompido (herodiano), o povo alienado pelo sistema que gritou “crucifica-o”, e o poder político mundial representado por Roma, pela aplicação da pena romana da morte de cruz pela ordem do governador Pôncio Pilatos.

Mas como isso tudo acontece:

Satanás apresenta seu sistema mundano como se fosse a verdadeira religião

O primeiro passo para enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus, é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Não é por acaso que muitos estão sendo atraídos fanaticamente para a discussão política, chegando a lhes interessar mais do que ir à igreja, orar ou estudar a Bíblia.

Isso acontece por meio da grande influência exercida por homens em evidência, falsos apóstolos, que o Apóstolo Paulo chama de “obreiros fraudulentos”, que por estarem no palco da fama diante dos crentes, utilizam-se da influência para seus próprios interesses, e por esses desejos são usados para fazer a vontade de Satanás. (2 Co 11.13)

Mas não é motivo para se espantar, alertou o Apóstolo Paulo, pois assim é a prática do inimigo das nossas almas, ele vem sobre aquilo que aparenta ser normal, ser da parte do Senhor. Na verdade, estão transfigurados de homens de Deus, mas não são. Pois até Satanás se transfigura em “anjo de luz” (2 Co 11.14).

Assim, tal religião misturada com o sistema político é mostrada aos crentes sob o sutil disfarce da religiosidade que “aceita” a Deus e a seu Filho Jesus, mas que, na realidade, se opõe à verdade e, se necessário, persegue abertamente os crentes, basta que os crentes os corrija conforme a Palavra, e acontecerá como os profetas do antigo testamento, mortos pelo sistema (Lucas 13:34).

O engano exercido por este sistema político-religioso faz os cristãos pensarem que não há perigo em se aderir ao sistema mundial, ou os leva a se assustarem diante das perseguições, sendo isso também uma arma de controle, o terrorismo argumentativo de que: “estão massacrando a igreja, querem acabar com a igreja, se vocês não aderirem ao sistema, a igreja acabará”.

Mas não se abale, porque Deus olha para tudo isso e se ri, pois tudo isso foi profetizado por Jesus, o mundo terá seu fim com uma guerra político-religiosa, conforme revelado em Apocalipse 20.7-10, estando Deus no controle de todas as coisas, conforme Salmos 2.1-4:

“Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.” Salmos 2:1-4

Mas diante de tudo isso, o que fazer como cristãos vigilantes?

A consciência de que não fazemos parte deste mundo

Deve estar sempre presente em nossos corações e em nossas mentes a consciência de que não fazemos parte deste mundo, não podemos servir a dois senhores (Mt 6.24), nosso compromisso é fazer a vontade de Deus na pregação do evangelho e conservar a nossa esperança.

Jesus foi rejeitado pelo sistema político-religioso deste mundo, porque não era deste mundo (Jo 17.16). E assim como Ele não fazia parte em consciência de espírito, nós também não devemos fazer. A consciência deve estar desligada de depender das situações e circunstâncias políticas que nos cercam, essa foi a liberdade que Cristo nos deu.

Isso não quer dizer que não podemos trabalhar, orar, e manter a paz com os poderes políticos (Rm 13:1-3; 1 Tm 2.1-2).

Se trata de mantermos a “consciência” de que não fazemos parte do mundo, não agir como fanáticos, como se amássemos o mundo que será destruído pelo Senhor, pois quem ama o mundo não ama a Deus (1 Jo 2.15-16).

Podemos trabalhar com política, podemos fazer o bem, mas não podemos ter a consciência escravizada ao mundo, pois nossa missão não é politizar o mundo com a religião, mas levar a Jesus Cristo, que foi rejeitado pelos poderes mundanos, ao coração dos humildes que livremente o aceitarem, que precisam da libertação do cativeiro deste mundo.

Assim, devido a natureza do sistema implantado por Satanás, com sua perversa e implacável oposição ao Reino de Deus, é imprescindível que os cristãos se conscientizem de que não fazem parte do mundo.

Deus nos chamou para representarmos a Jesus Cristo no meio de uma sociedade pecadora. O sistema é, ao mesmo tempo, o inimigo e o campo missionário, por isso devemos manter a consciência e a racionalidade para pensarmos claramente nos mandamentos do Senhor para cumprirmos com exatidão a missão que nos foi proposta, para que sejamos a diferença no meio de uma geração corrompida.

O mundo está levando as pessoas a discutirem, a se odiarem, a contenderam em redes sociais, nas ruas, até mesmo dentro das igrejas, esse é o propósito de Satanás, mas se nós abrirmos os ouvidos espirituais para a vontade de Deus, saberemos bem o que devemos fazer.

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.” Filipenses 2:14-16

A dispensação da consciência (do entendimento do bem e do mal)

O conhecimento do bem e do mal tornou o homem capaz de praticar atos tão maus que feriram o coração de Deus, tendo como resultado o juízo da destruição da grande parte da criação.

Leia também: Dispensacionalismo – as sete dispensações

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Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação iniciou com a queda do homem e da mulher, assim que foram expulsos do jardim, e durou até o dilúvio (Gn. 7.21,22), com o juízo da destruição da humanidade com água (Gn 6.5). Durou cerca de 1.656 anos: de “0” (zero) a 1.656 a.C.

Ponto de partida: o conhecimento do bem e do mal

Como vimos na aula anterior (A dispensação da inocência), o homem e a mulher, ao praticarem o pecado da desobediência, tendo sido influenciados a isto pela maldade que estava na serpente possuída por Satanás, passaram e possuir um conhecimento, chamado biblicamente de “bem e do mal”.

Conforme ensinamento do Pr. Severino Pedro da Silva:

“Pela sua desobediência, o homem agora chegou a ter um conhecimento pessoal e experimental do bem e do mal – do bem como a obediência e do mal contra a conhecida vontade de Deus, pois, fora dela, seria então, o terreno do mal. Mediante esse conhecimento, a sua consciência acorda.”

A prática de fazer o que é bom ainda estava intimamente relacionada com o que agradava a Deus. Mas as práticas da maldade começaram a atrair mais o homem, do que a prática de fazer o bem (ainda hoje é assim).

Podemos bem verificar esta realidade a partir da análise dos personagens bíblicos desta dispensação. Eles tinham em sua frente a livre escolha entre fazer o bem ou fazer o mal, contudo, muitos desejaram fazer o que era mau aos olhos do Senhor Deus e, infelizmente, se perderam pelo caminho.

Caim e Abel: a atração do mal contra a orientação divina

É na história dos dois filhos de Adão e Eva, Caim e Abel, que lemos a primeira vez na Bíblia a palavra “pecado”. Queria Deus que o homem não conhecesse o pecado, que não soubesse errar o alvo (2 Co 5:21). Mas impedir o homem destas escolhas não seria justo.

Os dois irmãos cresceram juntos e aprenderam com seus pais profissões honestas e dignas. Alguns tentam desqualificar a profissão de Caim, dizendo que a profissão de Abel como pastor de ovelhas seria superior à de seu irmão. Não concordo com este argumento.

Jesus em uma metáfora sobre as varas que dão bons frutos (que somos nós) disse que Ele é a videira verdadeira, e sabe quem é o Soberano Lavrador? O Pai (Jo 15.1). Assim como Jesus enfatizou que Ele é o Bom Pastor.

Na hora do juízo de Deus contra a maldade, nem o pastor de ovelhas e nem o lavrador é poupado, ambos são tratados igualmente diante da justiça de Deus (Jr 51.23). Por isso a razão do descontentamento de Deus em relação a Caim não tinha relação alguma com a sua profissão, ambas eram honestas e dignas.

De alguma forma Caim passou a se aborrecer contra seu irmão. Em seu coração estava sendo gerado o que era mau, ele não estava fazendo o que era bom diante do Senhor. A Bíblia não afirma exatamente do que se tratava, pois a situação era interior, tinha a ver com a consciência, Caim estava contaminado com pensamento ruins, pelo que Deus atentou à oferta de Abel, e rejeitou a oferta de Caim.

Ainda que houvesse aqueles pensamentos ruins, Deus falou com Caim e lhe deu a oportunidade de fazer o que era bem, para que sua oferta fosse recebida (Gn 4.7).

Deus deixou bem claro para Caim o que aconteceria o pecado lhe estava atraindo, se fizesse o que era bom aos olhos do Senhor, tudo lhe iria bem. Mas se não fizesse o bem, seria atraído fortemente pelo mal (desejo), ainda assim poderia sobre este desejo dominar.

Caim, atraído pela maldade, traiu seu irmão, matando-o num encontro no campo, longe de tudo e de todos (Gn 4.8). Foi o primeiro homicídio, a primeira crime de sangue de toda a humanidade. A terra pela primeira vez foi tocada pelo sangue de um homem, e isso foi doloroso ao Senhor (Gn 4.9-11), que retratou o episódio como “a voz do sangue que clama”.

Ao fim desta cena de destruição que a maldade faz na vida de um homem, vemos alguns conceitos importantes que em seguida ocorreram: Caim se arrependeu (Gn 4.13); o arrependimento de Caim gerou a proibição da vingança, dando-lhe um sinal (Gn 4.14-15).

Lameque: o homem irritadiço que praticava o mal por qualquer razão

Se pensamos que nos irritamos por muita coisa é porque ainda não paramos para estudar a vida de Lameque.

Lameque era um homem abençoado, teve muitos filhos, um deles Jabal, foi líder dos primeiros boiadeiros, outro foi Jubal, líder dos primeiros músicos, e outro foi Tubalcaim, o primeiro mestre de obras em ferro e cobre (Gn 4.19.19-22).

Lameque ao ver a bênção sobre a sua vida, sobre sua casa e seus filhos, se arrepende de como é ingrato ao Senhor, por praticar maldades por ser um homem irritadiço.

Era algo que ele não conseguia controlar, não podiam pisar no calo dele, nem mesmo arranhá-lo, que ele tirava a vida. Lameque matou um homem apenas por lhe ferir, e matou um jovem apenas por pisar nele.

Quando Lameque reconheceu e se arrependeu de seu pecado, aceitou setenta vezes sete a repreensão do Senhor (Gn 4.23-24).

A maldade a cada dia que se seguia se multiplicada na alma humana, a ponto de aviltar, desprezar, desvalorizar a vida humana.

A descendência de Sete: geração dos “filhos de Deus”

Adão e Eva tiveram outro filho, e deram o nome de Sete. Sete gerou Enos, e a sua descendência “começou a invocar o nome do Senhor”. (Gn 4.25-26)

O capítulo 5 de Gênesis foca na descendência de Sete, que é a descendência dos que fazem o bem e invocam o nome do Senhor, a podendo ser chamada de “geração dos filhos de Deus”(Gn 6.2).

O conhecimento do bem e do mal faz a plena separação daqueles que amam a Deus e aqueles que aborrecem a vontade de Deus e desejam o mal. Assim o Apóstolo João definia que os “filhos de Deus” são aqueles que praticam a justiça de Deus que é fazer o bem, sendo esta uma verdade intertemporal, existente desde o princípio (1 Jo 3.10-11).

A geração de Sete, diante de tanta maldade que se multiplicava no coração dos filhos dos homens, tocou o coração do Senhor, tendo sido um homem chamado Enoque seu maior expoente, que, antes mesmo que o Apóstolo Paulo nos ensinasse (Gl. 5.16), soube que a única solução para vencer a maldade deste mundo era “andando com Deus”.

Quando Enoque descobriu esta realidade, de que a plenitude do bem era “andar com Deus”, Deus não suportou tanta alegria, tinha deixado o relacionamento com o homem no jardim, estava vendo a maldade se multiplicar, mas finalmente apareceu alguém que sentiu saudade de viver o que era vivido no jardim, uma comunhão real com o Senhor. (Gn 5.22)

O toque que Enoque gerou no coração de Deus foi tão forte (Gn. 5.24), que Deus o tomou para si, porque ninguém mais encontrou Enoque, sendo este o nosso anúncio, se andarmos com Deus, chegará o tempo em que muitos nos procurarão e não mais encontrarão, pois ele toma para si aqueles que ama.

Ainda diante de uma geração maldosa e perversa, Enoque nos mostrou que é possível andar com Deus.

O Juízo de Deus para a maldade dos homens: Noé, a Arca e o Dilúvio

A escolha de alguns homes da geração de Sete, por mulheres de outras descendências, que não serviam ao Senhor, desagradou ao Senhor. Houve a percepção divina de que por algum tempo na vida o homem agradava ao Senhor e noutros tempos não o agradava, então abreviou o tempo de vida do homem para que essa contenda (entre o bem e o mal) não durasse tanto tempo (Gn 6.2-4).

O homem passou a viver uma vida deliberada, traindo a sua consciência com Deus com a união com as filhas dos homens, nascendo desta união uma descendência de homens valentes e de fama. O que não impediu de a maldade continuar se multiplicando, a ponto de refletir o Senhor que “toda a imaginação dos pensamentos” do coração do homem “era só má continuamente”. (Gn 6.4-5)

Em um lapso de indignação com a maldade do homem, o Senhor se arrependeu de ter feito o homem, e decidiu que viria com juízo sobre a maldade destruindo os homens da face da terra.

Nesse momento os olhos do Senhor repousam sobre um homem chamado Noé. Que sendo justo e obediente ao Senhor, achou graça aos seus olhos, sendo homem “justo e perfeito” e que “andava com Deus” (Gn. 6.8-9).

Não havia como dar sequência àquela maldade que imperava sobre a terra. A violência era demasiada, a humanidade estava corrompida, e decidiu que iria vir com juízo sobre a maldade. Mas de tanta graça que tinha Noé diante de Deus, recebeu os planos do Senhor e o livramento com toda a sua família. (Gn 6.11-13).

Prometeu um dilúvio sobre a terra, para desfazer toda a carne cheia de maldade (Gn 6.17). Determinou que levasse animais, um casal de toda a espécie, e sua família, e Noé em sua obediência fez tudo o que foi determinado pelo Senhor (Gn 6.22).

Assim o Senhor permitiu um dilúvio inundar toda a terra, destruindo os homens e sua maldade. Assim a ira do Senhor foi manifesta sobre a corrupção dos homens conhecedores do bem e do mal naquela dispensação.

Ao saírem Noé e sua família da Arca, Deus disse em seu coração:

“Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz. Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão.” Gênesis 8:21,22

Assim, ao término da dispensação, o Senhor fez aliança com o home, de que a terra não seria mais destruída pelas águas do dilúvio, colocando o arco da aliança nas nuvens, sendo sinal da aliança que pôs fim à dispensação do conhecimento do bem e do mal, e deu início à dispensação do governo humano.

Leia a próxima aula: A dispensação do governo humano

A dispensação da inocência

Lugar de onde Deus nunca quis que o homem tivesse saído

Estamos aprendendo o dispensacionalismo (leia aqui a primeira lição), que, como aprendemos, são os tempos em que Deus provou o homem, dando-lhe a oportunidade de obedecê-lo e andar em seus caminhos.

A primeira das sete dispensações é a dispensação da inocência. No princípio Deus criou os céus e a terra, e tudo o que nela há. O Senhor fez tudo de maneira perfeita, dando à sua criação sua análise: “viu Deus que era bom”.

Podemos notar, assim, que no ato da criação não havia o mau, absolutamente todas as coisas eram boas. O Senhor é a própria bondade. O Salmista Davi já exaltava esta realidade, de que a bondade de Deus permeia as gerações (dispensações) – (Sl. 100:5).

Na primeira dispensação havia a plenitude da bondade de Deus sobre toda a criação. É nessas condições que Deus cria o homem, e o coloca no núcleo, no meio, de tudo o que tinha feito de bom: o jardim do Éden (que significa “lugar de prazer”).

Era um ambiente tão bom e agradável, livre de qualquer maldade, que ninguém em sã consciência quereria sair dali.

A inocência – vontade de Deus para o homem

O Senhor Deus ama o princípio. Quando desejamos viver como no princípio Deus se alegra. Pois havia comunhão plena com o homem, havia prazer inocente nesse relacionamento divino entre Deus e o ser humano recém-criado.

Deus tanto amou a sua criação, tanto amou o homem que não atribuiu a ele qualquer maldade. Visto que nunca foi da vontade de Deus que o homem se contaminasse, pois o jardim foi feito para ser um ambiente de prazer e paz sem contaminação.

O Senhor nunca perdeu esse desejo, de se relacionar com o homem na inocência, na ausência de culpa e maldade. Não é por acaso que Jesus ao ver os discípulos maliciosamente disputando quem seria o maior entre eles, pegou uma criança e colocou no meio deles e disse: “se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”. (Mt 18:1-3)

Inocência é ausência de culpa. Quando Deus chegava no jardim, na viração do dia, era o momento mais perfeito de todos. Era momento de relacionamento íntimo, pois havia perfeita comunhão de espírito, o Espírito de Deus, em sua eterna bondade, e o espírito do homem, sem qualquer mácula.

O que podemos aprender com a dispensação da inocência é que Deus ama a bondade, e ser bom é um esforço diário, de se fazer menino diante de Deus, desprezando a malícia do mundo, e fazendo a vontade de Deus. (Ec. 9:8)

A vontade de Deus era que tudo permanecesse assim. Era que o homem andasse em obediência, pois obedecer era a opção em querer ser inocente e não conhecer as maldades do maligno.

A primeira ordem de obediência

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O homem havia acabado de ser criado. Não havia nele defeito algum. Tudo o que poderia ser mal, ou seja, a opção pelo mal, não poderia ser inerente ao ser humano, mas exterior.

A ordem da primeira dispensação era “obedecer a Deus”, para conservar a inocência e as qualidades perfeitas dadas por Deus. Mas a bondade de Deus exigia que não fosse tirada do homem a oportunidade de escolha.

Deus então coloca a árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim e dá a ordem para que o homem não coma dela. Comer da árvore significava a morte de tudo o que havia de bom no ser humano.

Cumprir a determinação, a princípio, não foi difícil. A desobediência não fazia parte dos atributos do homem, pois havia sido criado como um ser bom, e quem é bom não desobedece. Assim, não poderia a desobediência vir do interior do homem. Era necessário um fator exterior para mudar a relação do homem com o Criador.

Para que houvesse justiça no Éden, para que fosse um lugar perfeito e amoroso, Deus permitiu (vontade permissiva) que o homem e a mulher fossem tentados, tendo ali no Éden os atributos espirituais suficientes para que pudessem resistir à tentação.

Se o homem e a mulher não pudessem ter escolha entre obedecer a Deus ou cair na tentação do inimigo, não haveria amor. Deus não obrigou o homem a obedecê-lo, antes lhe deu oportunidade de escolha.

Em nossos dias ainda é assim. Quando nos aproximamos de Deus não nos tornamos livres das tentações. Na verdade, ficamos ainda mais tentados, entramos em luta e batalhas espirituais. Ainda que nossa natureza tenha sido alterada pelo pecado, fatores externos colaboram para influenciar-nos negativamente a entrar em conflito com Deus.

Obedecer é a ordem de Deus para todas as dispensações. Não há salvação na desobediência, no conflito com o Senhor. É necessário que sejamos atentos à Palavra, que é a vontade de Deus revelada a nós.

A luta do inimigo para corromper nossa inocência

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Desde o princípio a vontade de satanás é aniquilar o nosso relacionamento com Deus. A maldade, a malícia, a astúcia, são criação do Diabo. (Jo 8:44) O inimigo matou o que era de mais precioso para Deus, o relacionamento perfeito com o homem, de onde adveio a morte espiritual.

O fator externo utilizado pelo inimigo para influenciar o homem e plantar a maldade em seu coração foi a “mentira”. Deus havia determinado que o homem não comesse, para que conservasse a sua inocência e não morresse espiritualmente. O inimigo, de outro lado, disse que o que Deus havia dito não aconteceria, e que o homem e a mulher poderiam ser “deuses” se comessem do fruto. (Gn 3:1-4)

A sedução pela desobediência, plantada pela mentira do diabo no coração de Eva, fez com que a visão da mulher mudasse de foco em relação à ordem de obediência dada pelo Senhor Deus, tendo em seguida cedido à tentação e comido do fruto e ainda o deu a seu marido.

Naquele exato instante o homem e a mulher perderam o que era mais caro em sua criação, a essência da bondade, a ausência de conhecimento do mal. O sentimento de culpa foi imediato, a vergonha, o medo, o pânico, a tristeza, a depressão, tudo o que havia de mal agora fazia parte de seu íntimo. (Gn 3:7)

Ainda hoje, o inimigo luta para corromper nossa inocência. As maiores influências para o mal continuam vindo do exterior, do mundo que também foi corrompido por ser o lugar de habitação do homem. Mesmo assim, devemos continuar nos esforçando para alcançarmos a inocência perdida, lavando nossas vestes pelo sangue precioso de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que nos justifica (nos inocenta) perante o Pai (Rm 8:1,33).

O conhecimento do mal nos afasta de Deus

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Com a natureza maligna agora fazendo parte do homem e da mulher, Deus não pôde mais se aproximar deles. Deus, agora, com sua voz os chama (Gn 3:8a). E quando ouviram a voz santa do Senhor não conseguiram ir até Ele. A sensação da culpa, da vergonha, do medo, do desânimo, pela primeira vez os privou da comunhão com Deus (Gn 3:8-10).

A pergunta de Deus para Adão é emblemática, pois revela que antes da mentira ter corrompido a comunhão do homem com Deus, não era possível ao homem discernir, por si só, o estado de vergonha (Gn 3:11). Esse é um momento de profunda tristeza para o Senhor, pois havia entrado no homem a oposição à bondade divina.

O que era antes um relacionamento pacífico e de comunhão, foi substituído por um momento de julgamento. Antes, desfrutando da mesma natureza espiritual, o homem não sabia o que era se justificar diante de Deus (1 Co. 11:31), e no estado de solidão, sem saber o que fazer, tenta justificar-se atribuindo a culpa para sua mulher (Gn 3:12).

A mulher, por sua vez, tentou se justificar atribuindo a culpa para a serpente. E, como é do feitio de satanás, é o único dos réus que não apresenta qualquer justificativa, pois é a origem do mal, assim, ele não poderia atribuir a culpa a mais ninguém (1 Jo 3:8).

O juízo de Deus contra o discernimento da maldade

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Não havia mais perfeição no homem. Sua desobediência e escolha em dar ouvidos à mentira do inimigo, ignorando a ordem de Deus, fez com que fosse réu de juízo.

O juízo de Deus começou da origem do mal, com a punição da serpente, que agora recebeu a maldição entre todos os animais do campo, sua condenação foi arrastar-se sobre o próprio ventre e comer pó todos os dias. Esta realidade ainda é vista (por experiência espiritual nossa) em possessões demoníacas, onde pessoas se arrastam no chão como serpentes.

A semente da serpente (Gn 3:15), é plantada pelas potestades do ar, espírito que domina aqueles que, assim como o homem no Éden dão ouvidos à voz maligna da desobediência e permanecem em guerra contra o Senhor Deus (Ef 2:1-4).

O juízo da mulher é, do privilégio que possui de gerar uma vida, não desfrutar deste milagre sem dores, agora gerar uma vida inocente causa dores. E o desejo da mulher torna-se ao seu marido, e ela passa a ser dominada por ele (até que Cristo venha a libertar do jugo da maldição, por meio do seu amor vertido por nós – Ef. 5:25-27).

O juízo do homem é ser responsabilizado pela maldição da terra (Gn 3:17-18). A abundância agora não era mais o estado natural da terra. Deveria plantar, se preocupar, se gastar para poder comer. Sem o esforço, está condenado a passar necessidades. Ainda que haja o esforço, no lugar onde planta surgirão espinhos e cardos.

No lugar de frutos viçosos, que se dão em estação própria, terá que se servir por muitas vezes da erva do campo. O futuro do homem se tornou certo na terra, além de comer do suor do rosto, também se tornou condenado à voltar ao pó, sabendo que a carne em si mesmo não possui nenhum valor, senão o espírito que havia perdido a comunhão com o Criador. (Gn 18:19)

O juízo que conclui a dispensação da inocência é a expulsão do homem e da mulher do lugar de prazer. Não há prazer em conhecer o mal (Gn. 3:23-24). Ainda assim, a Palavra nos revela que Deus, em seu eterno amor e bondade, fez túnicas com as próprias mãos e os vestiu, predizendo-nos a graça que nos foi dada e que hoje conhecemos (Gn 3:21).

O Salvador: o plano perfeito das dispensações

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Já na dispensação da inocência foi anunciado o Salvador (Gn 3:15). Aquele que iria destruir as mentiras da serpente, que iria aniquilar as maldições que vieram sobre os homens, as palavras de Jesus nos revelam que Ele veio para desfazer as obras do diabo. (1 Jo 3:8).

O diabo veio no princípio destruir o relacionamento do ser humano com o Senhor Deus. Jesus veio para nos reconciliar com Deus (2 Co 5:19). O diabo veio para roubar, matar e destruir (Jo 10:10a), Jesus veio para dar vida e vida com abundância (Jo 10.10b).

E a promessa é viva, a promessa da dispensação da inocência se cumprirá, no dia em que o Filho aparecer com seus santos para julgar as nações, para esmagar satanás debaixo de nossos pés (Rom 16:20).

Jesus é o plano perfeito das dispensações.

Leia também: A dispensação da consciência (do entendimento do bem e do mal)

Dispensacionalismo – as sete dispensações

o homem se desenvolveu em seu relacionamento com Deus em períodos nos quais a revelação foi se tornando a cada momento mais específica para orientá-lo para a direção da vontade de Deus.

Deus está no controle de todos os acontecimentos da humanidade, tanto por meio da vontade permissiva, como diretiva. Para entendermos as revelações para o tempo presente é necessário estudarmos o dispensacionalismo.

Esta aula é uma aula introdutória acerca do dispensacionalismo, para entrarmos no estudo da doutrina das últimas coisas (Escatologia) é necessário entendermos a ordem dos acontecimentos, a fim de sabermos como Deus ordenou e interferiu com juízo na história da humanidade para que seus propósitos para a sua Igreja e para Israel fossem cumpridos.

Não há como entendermos a escatologia sem o conhecimento do dispensacionalismo. Visto que o aliancismo, defendido por muitos teólogos reformados, não explica profundamente os juízos de Deus, sem fazer com que pensemos que Deus é mal, e agiu com juízo apenas para demonstrar que é “soberano” e fez um acordo com os “pecadores eleitos”.

Scofield nos ensina a não confundir as coisas: “Importa distinguir dispensação de aliança. A primeira é um modo de experimentar o estado espiritual do povo; a segunda, porém, é eterna, porque é incondicional. A lei não anulou a aliança abraâmica (Gl. 3.15-18), mas era uma medida disciplinar ‘até que viesse a posteridade a quem fora dada a promessa’ (Gl. 3.19-29; 4.1-7). A dispensação somente, como meio de provar a Israel, terminou com o estabelecimento e aceitação da Lei”.

Uma “dispensação”, conforme o Pr. Severino Pedro da Silva, em seu livro Escatologia – doutrina das últimas coisas, nos ensina: “é um período de tempo em que o homem é experimentado em relação à sua obediência a alguma revelação especial da vontade tanto permissiva quanto diretiva de Deus”.

O que é dispensacionalismo?

O contato de Deus com o homem sempre teve propósitos. A experiência de Deus com o ser humano sempre foi relacional. Por este motivo, o homem se desenvolveu em seu relacionamento com Deus em períodos nos quais a revelação foi se tornando a cada momento mais específica para orientá-lo para a direção da vontade de Deus.

Dispensação significa “dispensar”, “distribuir”, ou seja, é como e onde Deus em cada momento da história revela (dispensa, distribui) uma parte de sua vontade, para orientar o homem e o curso da história segundo a sua vontade, tendo isto também um sentido probatório divino, para que seja provado o caráter e a obediência do homem para com Deus. (1 Co. 9.16,17)

O estudo das dispensações, chama-se dispensacionalismo.

Quais são as sete dispensações?

São as sete maiores dispensações:

1) Dispensação da Inocência:

Teve início na criação, até a queda de Adão no jardim. O período não nos foi revelado. Juízo: expulsão do casal do Jardim do Éden (Gn. 3.24).

Leia o estudo completo: A dispensação da inocência

dispensacionalismo - inocência


2) Dispensação da Consciência (entendimento do bem e do mal):

Durou da queda do homem até o dilúvio (Gn 7.21,22). Juízo: a destruição da humanidade com água (Gn. 6.5).

Leia o estudo completo: A dispensação da consciência


3) Dispensação do Governo humano:

Iniciou-se em Gn. 8.20 e durou até a dispersão dos homens sobre a terra, consolidando-se com a chamada de Abração (Gn. 10.25; 12.1). Juízo: a dispersão dos homens pela confusão das línguas (Gn. 11:9).

Leia o estudo completo: A dispensação do governo humano


4) Dispensação da Promessa (ou Patriarcal):

Iniciou-se com a Aliança de Deus com Abraão, estende-se de Gn. 12.1 a Êx. 19.8, e já estava adstrita a um povo escolhido – Israel. Juízo: a escravidão do povo no Egito – esta dispensação durou 430 anos (Gl. 3.17)

Leia o estudo completo: A dispensação da promessa – Parte 1Parte 2

dispensacionalismo - dispensação da promessa


5) Dispensação da Lei:

Durou 1430 anos: da saída do Egito até a crucificação de Jesus. (Ex. 19.8). Juízo: cativeiro – mas o término foi a cruz. (Gl. 3.24,25).

Leia o estudo completo: A dispensação da Lei – Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4

dispensacionalismo - dispensação da lei

6) Dispensação da Graça:

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja. Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4). Juízo: a grande tribulação (Ap. 3.10).

Leia o estudo completo: A dispensação da Graça – Parte 1Parte 2Parte 3A Grande Tribulação


7) Reino (milênio):

é o último tema regular do dispensacionalismo. Ele terá duração de 1.000 anos (Ef. 1.9,10; Ap. 10.7; 11.15). Também chamada de “dispensação do governo divino”. Durante sua vigência Deus estabelecerá seu governo teocrático na terra. Juízo: “O juízo final” (Ap. 20.11-15) – será o último de todos os julgamentos divinos, e que acontecerá ao fim do reinado milenar de Cristo, para julgar Satanás e os incrédulos impenitentes.

Leia o estudo completo: A Dispensação do Milênio e O Juízo Final

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