A dispensação da consciência (do entendimento do bem e do mal)

O conhecimento do bem e do mal tornou o homem capaz de praticar atos tão maus que feriram o coração de Deus, tendo como resultado o juízo da destruição da grande parte da criação.

Leia também: Dispensacionalismo – as sete dispensações

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Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação iniciou com a queda do homem e da mulher, assim que foram expulsos do jardim, e durou até o dilúvio (Gn. 7.21,22), com o juízo da destruição da humanidade com água (Gn 6.5). Durou cerca de 1.656 anos: de “0” (zero) a 1.656 a.C.

Ponto de partida: o conhecimento do bem e do mal

Como vimos na aula anterior (A dispensação da inocência), o homem e a mulher, ao praticarem o pecado da desobediência, tendo sido influenciados a isto pela maldade que estava na serpente possuída por Satanás, passaram e possuir um conhecimento, chamado biblicamente de “bem e do mal”.

Conforme ensinamento do Pr. Severino Pedro da Silva:

“Pela sua desobediência, o homem agora chegou a ter um conhecimento pessoal e experimental do bem e do mal – do bem como a obediência e do mal contra a conhecida vontade de Deus, pois, fora dela, seria então, o terreno do mal. Mediante esse conhecimento, a sua consciência acorda.”

A prática de fazer o que é bom ainda estava intimamente relacionada com o que agradava a Deus. Mas as práticas da maldade começaram a atrair mais o homem, do que a prática de fazer o bem (ainda hoje é assim).

Podemos bem verificar esta realidade a partir da análise dos personagens bíblicos desta dispensação. Eles tinham em sua frente a livre escolha entre fazer o bem ou fazer o mal, contudo, muitos desejaram fazer o que era mau aos olhos do Senhor Deus e, infelizmente, se perderam pelo caminho.

Caim e Abel: a atração do mal contra a orientação divina

É na história dos dois filhos de Adão e Eva, Caim e Abel, que lemos a primeira vez na Bíblia a palavra “pecado”. Queria Deus que o homem não conhecesse o pecado, que não soubesse errar o alvo (2 Co 5:21). Mas impedir o homem destas escolhas não seria justo.

Os dois irmãos cresceram juntos e aprenderam com seus pais profissões honestas e dignas. Alguns tentam desqualificar a profissão de Caim, dizendo que a profissão de Abel como pastor de ovelhas seria superior à de seu irmão. Não concordo com este argumento.

Jesus em uma metáfora sobre as varas que dão bons frutos (que somos nós) disse que Ele é a videira verdadeira, e sabe quem é o Soberano Lavrador? O Pai (Jo 15.1). Assim como Jesus enfatizou que Ele é o Bom Pastor.

Na hora do juízo de Deus contra a maldade, nem o pastor de ovelhas e nem o lavrador é poupado, ambos são tratados igualmente diante da justiça de Deus (Jr 51.23). Por isso a razão do descontentamento de Deus em relação a Caim não tinha relação alguma com a sua profissão, ambas eram honestas e dignas.

De alguma forma Caim passou a se aborrecer contra seu irmão. Em seu coração estava sendo gerado o que era mau, ele não estava fazendo o que era bom diante do Senhor. A Bíblia não afirma exatamente do que se tratava, pois a situação era interior, tinha a ver com a consciência, Caim estava contaminado com pensamento ruins, pelo que Deus atentou à oferta de Abel, e rejeitou a oferta de Caim.

Ainda que houvesse aqueles pensamentos ruins, Deus falou com Caim e lhe deu a oportunidade de fazer o que era bem, para que sua oferta fosse recebida (Gn 4.7).

Deus deixou bem claro para Caim o que aconteceria o pecado lhe estava atraindo, se fizesse o que era bom aos olhos do Senhor, tudo lhe iria bem. Mas se não fizesse o bem, seria atraído fortemente pelo mal (desejo), ainda assim poderia sobre este desejo dominar.

Caim, atraído pela maldade, traiu seu irmão, matando-o num encontro no campo, longe de tudo e de todos (Gn 4.8). Foi o primeiro homicídio, a primeira crime de sangue de toda a humanidade. A terra pela primeira vez foi tocada pelo sangue de um homem, e isso foi doloroso ao Senhor (Gn 4.9-11), que retratou o episódio como “a voz do sangue que clama”.

Ao fim desta cena de destruição que a maldade faz na vida de um homem, vemos alguns conceitos importantes que em seguida ocorreram: Caim se arrependeu (Gn 4.13); o arrependimento de Caim gerou a proibição da vingança, dando-lhe um sinal (Gn 4.14-15).

Lameque: o homem irritadiço que praticava o mal por qualquer razão

Se pensamos que nos irritamos por muita coisa é porque ainda não paramos para estudar a vida de Lameque.

Lameque era um homem abençoado, teve muitos filhos, um deles Jabal, foi líder dos primeiros boiadeiros, outro foi Jubal, líder dos primeiros músicos, e outro foi Tubalcaim, o primeiro mestre de obras em ferro e cobre (Gn 4.19.19-22).

Lameque ao ver a bênção sobre a sua vida, sobre sua casa e seus filhos, se arrepende de como é ingrato ao Senhor, por praticar maldades por ser um homem irritadiço.

Era algo que ele não conseguia controlar, não podiam pisar no calo dele, nem mesmo arranhá-lo, que ele tirava a vida. Lameque matou um homem apenas por lhe ferir, e matou um jovem apenas por pisar nele.

Quando Lameque reconheceu e se arrependeu de seu pecado, aceitou setenta vezes sete a repreensão do Senhor (Gn 4.23-24).

A maldade a cada dia que se seguia se multiplicada na alma humana, a ponto de aviltar, desprezar, desvalorizar a vida humana.

A descendência de Sete: geração dos “filhos de Deus”

Adão e Eva tiveram outro filho, e deram o nome de Sete. Sete gerou Enos, e a sua descendência “começou a invocar o nome do Senhor”. (Gn 4.25-26)

O capítulo 5 de Gênesis foca na descendência de Sete, que é a descendência dos que fazem o bem e invocam o nome do Senhor, a podendo ser chamada de “geração dos filhos de Deus”(Gn 6.2).

O conhecimento do bem e do mal faz a plena separação daqueles que amam a Deus e aqueles que aborrecem a vontade de Deus e desejam o mal. Assim o Apóstolo João definia que os “filhos de Deus” são aqueles que praticam a justiça de Deus que é fazer o bem, sendo esta uma verdade intertemporal, existente desde o princípio (1 Jo 3.10-11).

A geração de Sete, diante de tanta maldade que se multiplicava no coração dos filhos dos homens, tocou o coração do Senhor, tendo sido um homem chamado Enoque seu maior expoente, que, antes mesmo que o Apóstolo Paulo nos ensinasse (Gl. 5.16), soube que a única solução para vencer a maldade deste mundo era “andando com Deus”.

Quando Enoque descobriu esta realidade, de que a plenitude do bem era “andar com Deus”, Deus não suportou tanta alegria, tinha deixado o relacionamento com o homem no jardim, estava vendo a maldade se multiplicar, mas finalmente apareceu alguém que sentiu saudade de viver o que era vivido no jardim, uma comunhão real com o Senhor. (Gn 5.22)

O toque que Enoque gerou no coração de Deus foi tão forte (Gn. 5.24), que Deus o tomou para si, porque ninguém mais encontrou Enoque, sendo este o nosso anúncio, se andarmos com Deus, chegará o tempo em que muitos nos procurarão e não mais encontrarão, pois ele toma para si aqueles que ama.

Ainda diante de uma geração maldosa e perversa, Enoque nos mostrou que é possível andar com Deus.

O Juízo de Deus para a maldade dos homens: Noé, a Arca e o Dilúvio

A escolha de alguns homes da geração de Sete, por mulheres de outras descendências, que não serviam ao Senhor, desagradou ao Senhor. Houve a percepção divina de que por algum tempo na vida o homem agradava ao Senhor e noutros tempos não o agradava, então abreviou o tempo de vida do homem para que essa contenda (entre o bem e o mal) não durasse tanto tempo (Gn 6.2-4).

O homem passou a viver uma vida deliberada, traindo a sua consciência com Deus com a união com as filhas dos homens, nascendo desta união uma descendência de homens valentes e de fama. O que não impediu de a maldade continuar se multiplicando, a ponto de refletir o Senhor que “toda a imaginação dos pensamentos” do coração do homem “era só má continuamente”. (Gn 6.4-5)

Em um lapso de indignação com a maldade do homem, o Senhor se arrependeu de ter feito o homem, e decidiu que viria com juízo sobre a maldade destruindo os homens da face da terra.

Nesse momento os olhos do Senhor repousam sobre um homem chamado Noé. Que sendo justo e obediente ao Senhor, achou graça aos seus olhos, sendo homem “justo e perfeito” e que “andava com Deus” (Gn. 6.8-9).

Não havia como dar sequência àquela maldade que imperava sobre a terra. A violência era demasiada, a humanidade estava corrompida, e decidiu que iria vir com juízo sobre a maldade. Mas de tanta graça que tinha Noé diante de Deus, recebeu os planos do Senhor e o livramento com toda a sua família. (Gn 6.11-13).

Prometeu um dilúvio sobre a terra, para desfazer toda a carne cheia de maldade (Gn 6.17). Determinou que levasse animais, um casal de toda a espécie, e sua família, e Noé em sua obediência fez tudo o que foi determinado pelo Senhor (Gn 6.22).

Assim o Senhor permitiu um dilúvio inundar toda a terra, destruindo os homens e sua maldade. Assim a ira do Senhor foi manifesta sobre a corrupção dos homens conhecedores do bem e do mal naquela dispensação.

Ao saírem Noé e sua família da Arca, Deus disse em seu coração:

“Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz. Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão.” Gênesis 8:21,22

Assim, ao término da dispensação, o Senhor fez aliança com o home, de que a terra não seria mais destruída pelas águas do dilúvio, colocando o arco da aliança nas nuvens, sendo sinal da aliança que pôs fim à dispensação do conhecimento do bem e do mal, e deu início à dispensação do governo humano.

Leia a próxima aula: A dispensação do governo humano

3 comentários em “A dispensação da consciência (do entendimento do bem e do mal)

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