Por que tantos crentes são facilmente enganados pelo sistema político mundial?

O primeiro passo para o “príncipe deste mundo” enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus (Mt 24.4-5), é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Fanatismo sempre é um comportamento equivocado, ainda que se ponha todo o empenho nas coisas de Deus, nem Ele se agrada de que façamos as coisas fanaticamente, sem raciocinar, sem pensar, sem criticar nossos próprios comportamentos. A autocrítica da nossa relação espiritual com Deus é um dever (Rm 12.1-2).

Atualmente há no sistema político global uma tendência a não pensar racionalmente, mas a colocar as emoções, os sentimentos, acima da razão para defender políticas e políticos que estão ensinando a prática do “não pensar”, e estão colocando até mesmo os filhos da luz em erro, como já havia alertado o nosso Senhor Jesus, que muitos viriam dizendo que seriam de “Cristo”, mas são mentirosos (Mt 24.4-5).

O sistema político é facilmente engendrado pelo diabo, pois ele é chamado de “príncipe deste mundo” e “deus deste século” (João 14.30; 2 Co 4.4), e desde o princípio é enganador e sabe seduzir os interesses dos homens para a prática da maldade, do desamor, do desprezo à vida do próximo.

Foi a força dos poderes malignos do sistema mundano que levou Jesus à crucificação: o sistema religioso judaico extremista (fariseus e saduceus), o governo local corrompido (herodiano), o povo alienado pelo sistema que gritou “crucifica-o”, e o poder político mundial representado por Roma, pela aplicação da pena romana da morte de cruz pela ordem do governador Pôncio Pilatos.

Mas como isso tudo acontece:

Satanás apresenta seu sistema mundano como se fosse a verdadeira religião

O primeiro passo para enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus, é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Não é por acaso que muitos estão sendo atraídos fanaticamente para a discussão política, chegando a lhes interessar mais do que ir à igreja, orar ou estudar a Bíblia.

Isso acontece por meio da grande influência exercida por homens em evidência, falsos apóstolos, que o Apóstolo Paulo chama de “obreiros fraudulentos”, que por estarem no palco da fama diante dos crentes, utilizam-se da influência para seus próprios interesses, e por esses desejos são usados para fazer a vontade de Satanás. (2 Co 11.13)

Mas não é motivo para se espantar, alertou o Apóstolo Paulo, pois assim é a prática do inimigo das nossas almas, ele vem sobre aquilo que aparenta ser normal, ser da parte do Senhor. Na verdade, estão transfigurados de homens de Deus, mas não são. Pois até Satanás se transfigura em “anjo de luz” (2 Co 11.14).

Assim, tal religião misturada com o sistema político é mostrada aos crentes sob o sutil disfarce da religiosidade que “aceita” a Deus e a seu Filho Jesus, mas que, na realidade, se opõe à verdade e, se necessário, persegue abertamente os crentes, basta que os crentes os corrija conforme a Palavra, e acontecerá como os profetas do antigo testamento, mortos pelo sistema (Lucas 13:34).

O engano exercido por este sistema político-religioso faz os cristãos pensarem que não há perigo em se aderir ao sistema mundial, ou os leva a se assustarem diante das perseguições, sendo isso também uma arma de controle, o terrorismo argumentativo de que: “estão massacrando a igreja, querem acabar com a igreja, se vocês não aderirem ao sistema, a igreja acabará”.

Mas não se abale, porque Deus olha para tudo isso e se ri, pois tudo isso foi profetizado por Jesus, o mundo terá seu fim com uma guerra político-religiosa, conforme revelado em Apocalipse 20.7-10, estando Deus no controle de todas as coisas, conforme Salmos 2.1-4:

“Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.” Salmos 2:1-4

Mas diante de tudo isso, o que fazer como cristãos vigilantes?

A consciência de que não fazemos parte deste mundo

Deve estar sempre presente em nossos corações e em nossas mentes a consciência de que não fazemos parte deste mundo, não podemos servir a dois senhores (Mt 6.24), nosso compromisso é fazer a vontade de Deus na pregação do evangelho e conservar a nossa esperança.

Jesus foi rejeitado pelo sistema político-religioso deste mundo, porque não era deste mundo (Jo 17.16). E assim como Ele não fazia parte em consciência de espírito, nós também não devemos fazer. A consciência deve estar desligada de depender das situações e circunstâncias políticas que nos cercam, essa foi a liberdade que Cristo nos deu.

Isso não quer dizer que não podemos trabalhar, orar, e manter a paz com os poderes políticos (Rm 13:1-3; 1 Tm 2.1-2).

Se trata de mantermos a “consciência” de que não fazemos parte do mundo, não agir como fanáticos, como se amássemos o mundo que será destruído pelo Senhor, pois quem ama o mundo não ama a Deus (1 Jo 2.15-16).

Podemos trabalhar com política, podemos fazer o bem, mas não podemos ter a consciência escravizada ao mundo, pois nossa missão não é politizar o mundo com a religião, mas levar a Jesus Cristo, que foi rejeitado pelos poderes mundanos, ao coração dos humildes que livremente o aceitarem, que precisam da libertação do cativeiro deste mundo.

Assim, devido a natureza do sistema implantado por Satanás, com sua perversa e implacável oposição ao Reino de Deus, é imprescindível que os cristãos se conscientizem de que não fazem parte do mundo.

Deus nos chamou para representarmos a Jesus Cristo no meio de uma sociedade pecadora. O sistema é, ao mesmo tempo, o inimigo e o campo missionário, por isso devemos manter a consciência e a racionalidade para pensarmos claramente nos mandamentos do Senhor para cumprirmos com exatidão a missão que nos foi proposta, para que sejamos a diferença no meio de uma geração corrompida.

O mundo está levando as pessoas a discutirem, a se odiarem, a contenderam em redes sociais, nas ruas, até mesmo dentro das igrejas, esse é o propósito de Satanás, mas se nós abrirmos os ouvidos espirituais para a vontade de Deus, saberemos bem o que devemos fazer.

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.” Filipenses 2:14-16

Autor: Rafael J. Dias

Pastor na Assembleia de Deus Ministério de Santos, advogado, escritor e ativista pelos direitos sociais. Formado em Direito pela Universidade Católica de Santos e em Teologia pelo IBAD. Especialista em Direito da Administração Pública pela Estácio. Pós-graduando em Liderança Pastoral pela FABAD.

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