A dispensação do governo humano

Após o dilúvio os homens passaram a unir seus esforços como um só povo. Contudo a soberba encheu os corações, a ponto de se lançarem em empreendimentos que os distanciavam de Deus, que para dispersá-los pela terra interveio com o juízo de Babel.

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Leia também: Dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação iniciou-se em Gênesis 8:20, e durou até a dispersão dos homens sobre a terra, consolidando-se com a chamada de Abraão (Gn. 10.25; 12.1). O final teve como juízo a dispersão dos homens pela confusão das línguas (Gn. 11.9).

Ponto de partida: multiplicar e encher a terra

Ao sair da arca Noé edificou um altar ao Senhor, e nele ofereceu holocausto, adorou ao Senhor, que como resposta não amaldiçoaria a terra, pois assim como existe noite e frio, verão e inverno, dia e noite, o homem teria em seu coração tanto o bem como o mal (Gn. 8.20-22).

A imediata determinação do Senhor foi que Noé e seus filhos frutificassem e enchessem a terra (Gn 9.1), atribuindo mais uma vez ao homem o governo de todos os seres viventes (Gn 9.2-4) e que respeitassem a vida de seu próximo, determinando julgamento se voltassem a se comportar maldosamente como na dispensação anterior (Gn 9.5-7).

Com esta determinação de que não voltassem a transgredir a vida humana com a maldade desenfreada, garantiu que Noé e seus filhos povoassem toda a terra (Gn 9.19).

Os filhos de Noé já representavam os domínios da terra: Sem, é o pai dos semitas (Israel e países árabes), Jafé, é o pai dos Jafitas, que povoaram os países dos países do norte, Cam é o pai dos Camitas (Canaã e países sulistas – Egito, Libia, dentre outros). (Gn 9.18)

Espiritualmente, Sem simboliza o povo escolhido por Deus de onde haveria de vir a salvação do mundo (Israel) – (Gn 9.26); Jafé simboliza os gentios que aceitariam a mensagem do evangelho e assim habitaria nas tendas de Sem (Gn 9.27; 10.5); já Cam significa aqueles que desprezam a Deus, desprezam reconhecer a obediência ao Senhor e que, mesmo sem saber, acabam servindo aos demais povos (governo que não consegue lugar – vagante) (Gn 9.25).

As gerações dos filhos de Noé

O capítulo 10 de Gênesis, em semelhança como o capítulo 5, é reservado às gerações dos filhos de Noé. Aos nossos olhos podem parecer contradições às bênçãos de Noé o que ocorreu nas gerações de Cam, mas se voltarmos os olhos para as dispensações futuras verificaremos o cumprimento da profecia de Noé aos seus filhos.

JAFÉ: a geração de Jafé herdou os mares, ilhas, terras praianas, colônias fenícias, portos da costa do Oceano Índico, por eles foi divididas ilhas chamadas de “ilhas dos gentios”, tendo dado origem a várias nações (Gn 10.5).

CAM: Já Cam gerou a Cuxe que teve como filho Ninrode, que foi poderoso na terra (Gn 10.8). Podemos afirmar que Ninrode foi o primeiro “imperador” da terra, pois edificou vários reinos.

Ninrode foi o fundador de Babel (futura Babilônia), ainda edificou Nínive a capital da Assíria, e ainda diversos reinos, inclusive Patrusim e Casluim, origem dos Filisteus.

Cam também gerou a Sidom, que teve como primogênito o pai dos Heteus, e ainda gerou outros povos conhecidos (Gn 10.15-20).

SEM: a descendência de Sem já é mais simples, a Bíblia começa afirmando que ele é o pai de todos os filhos de Éber, ou seja, pai de todos os Hebreus. (Gn 10.21), tendo como filhos mais conhecidos Pelegue, que repartiu a terra, e Joctã, que habitou as montanhas do oriente. (Gn 10.25,30).

Atribuindo Deus o governo aos filhos de Noé, foram divididas neles as nações da terra após o dilúvio (Gn. 10.32).

O que intriga do poder do governo dos filhos de Cam, é que dele saíram todos os povos que oprimiram o povo de Israel, desde a peregrinação no deserto, como na conquista de Canaã, passando pelo período dos Juízes e reinado de Saul e Davi, e após a vinda dos Reis de Israel e por fim o Cativeiro Assírio e Babilônico.

Noé tinha afirmado que Canaã “serviria” a Sem (pai dos Israelitas). Mas, olhando pelos olhos humanos, aparentemente foram os semitas (judeus) que serviram os filhos de Cam, que foram por tempos mais poderosos na história antiga.

Para Deus existe uma noção completamente ilógica do servir. Nas dispensações futuras Deus se utilizou de todos estes filhos de Cam, para cumprir os seus propósitos com Israel, provando-o e aperfeiçoando-o para a vinda do Messias.

Quando terminou o serviço que Deus queria que prestassem, o governo foi retirado dos Camitas, e foi entregue para os Jafitas (conquistadores Romanos), que viviam além do mar, nas terras herdades pelos filhos de Jafé.

A Torre de Babel: a autoridade do governo de Ninrode em Sinar

Ninrode, neto de Sem, havia mesmo nascido para ser um líder, além de poderoso caçador (Gn 10.9). Com a sua força e poder para governar iniciou a reinar em 4 (quatro) reinos Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar.

Ao começar o seu primeiro domínio na terra de Sinar em Babel convenceu seus irmãos, parentes, todo o povo a ficarem juntos. Aproveitando-se que todos tinham a mesma língua (Gn 11.1), escolheram um vale (Gn 11.2), que os protegia de qualquer ameaça externa e ali habitaram.

Foi elaborado por eles, então, um plano de governo unificado, em que todos morariam em uma só cidade, e teriam uma grande torre que demonstraria o poderio daquele governo, e entraram em confronto direto com a ordem dada pelo Senhor Deus.

Provavelmente, utilizando do recurso da linguagem comum, colocou os homens em oposição contra Deus, vez que era um tirano temido, ensinou o povo a fugir da ira de Deus, com a construção de uma torre muito alta. Assim, utilizou do poder dos próprios homens para escapar da ira de Deus, caso resolvesse novamente inundar a terra com outro dilúvio, assim não morreriam afogados.

Queriam atribuir-se um nome, e desejavam que com esse nome seriam governados em um exclusivo ponto da terra. E o objetivo era novamente a desobediência a rebeldia contra Deus, vez que o propósito era que não fossem “espalhados sobre a face de toda a terra”.

Pelo que Deus desce na terra para ver de perto o que é que aqueles homens estavam fazendo. (Gn 11.5).

O Senhor ficou surpreso como os homens estavam sendo capazes de unirem-se em governo, pois tinham uma só língua (o que significa um só comando, uma só ordem), e se assim prosseguissem fariam todos os seus intentos em sentido oposto à vontade de Deus (Gn 11.6).

Quando o homem sai do controle, quando o homem desobedece deliberadamente a Deus, a ponto de ter a capacidade de intervir nos planos do Senhor, é sinal da chegada do fim da dispensação.

O juízo: a confusão de línguas

Para acabar com aquela união do povo em sentido oposto à vontade divina. Situação que atrapalharia os planos para a humanidade, que deveria ser espalhada por sobre a terra, tendo Deus intentos e propósitos em todos os lugares, era necessário dividir os governos dos homens.

A trindade se une neste intento: “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda a língua do outro” (Gn 11.7), Deus é quem dá a língua, Ele é especialista em língua, tanto para confundir como para unir (At 2.4).

Os homens começaram a falar outras línguas, e foram se aproximando daqueles que conseguiam entender, dividindo-se em grupos, em governos separados, em novas lideranças, assim foram espalhados de Babel para toda a terra, e cessaram de edificar a cidade (Gn 11.9).

Com os homens separados em povos e estando cada um conforme a sua família (governo, liderança), Deus já poderia cumprir os seus propósitos no povo escolhido para receber a promessa.

A Bíblia termina o capítulo 11, dispondo acerca das gerações de Sem, bisavô de Éber, de onde descende Abrão, filho de Terá, o homem escolhido para ser Pai da Fé, o patriarca da promessa.

Próxima aula: dispensação da promessa.

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