A dispensação da promessa – parte 2

Ainda na dispensação da promessa, após o livramento do povo escolhido de Deus da fome pelo cumprimento das promessas na vida de José, o povo de Israel é provado na escravidão do Egito. O Senhor levanta um libertador e concede a Lei ao povo no deserto.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação teve início com a Aliança de Deus com Abraão, cerca de 1963 a.C., ou seja, 427 anos depois do Dilúvio. Sua duração foi de 430 anos (Gl 3.17; Hb 11.9,13).

Esta dispensação é também chamada por alguns eruditos como “A Dispensação Patriarcal”. Por meio dela, Abraão e seus descendentes vieram a ser herdeiros da promessa.

A dispensação da promessa se estende de Gênesis 12.1 a Êx 19.8, e era exclusivamente israelita. A dispensação, como meio de provar a Israel, somente terminou com a libertação do povo do Egito e o estabelecimento e aceitação da Lei de Deus no Sinai.

Continuação da dispensação – a prova da escravidão no Egito

Leia primeiro: A dispensação da promessa – Parte 1

Após o falecimento de José, surge no Egito um novo governo. Lembremo-nos que o povo de Israel ficou em uma terra fértil no Egito chamada de Gósen (onde provavelmente hoje fica o Delta do Nilo – cidade futuramente chamada de Alexandria), assim o povo prosperou naquele lugar e despertou o novo Faraó do Egito, que passou a considerá-los como um povo independente dentro do próprio Egito.

Tanto é que Faraó chamou a atenção dos seus conselheiros, afirmando que se sobreviessem guerras, os hebreus poderiam se unir a outros povos para ameaçar o Egito (Êx 1.10). O que demonstra que as promessas feitas por Deus na vida do patriarca Abraão estavam se cumprindo, pois o povo estava se tornando uma grande e forte nação capaz de amedrontar os próprios egípcios.

Faraó passou então a tratar o povo hebreu com dureza, de modo a controlar-lhe o crescimento como povo, para que não se fortalecessem. Tanta foi a dureza de Faraó que ordenou às parteiras Sifrá e Puá que matassem os meninos nascidos e deixassem apenas as meninas com vida.

Contudo, as parteiras foram tementes ao Deus dos hebreus e não fizeram como Faraó lhes ordenara (Ex. 1.17). Pelo que elas foram abençoadas por Deus, pelo temor de não obedecer a Faraó e conservar com vida os filhos de Israel (vs. 20).

Faraó, então, deu uma ordem para todo o seu povo: lançarem os meninos dos hebreus no rio, mas quanto às filhas determinou que fossem mantidas com vida. (vs. 22).

Uma mulher hebreia atendeu ao quanto dito por Faraó, mas de forma diferente. Teve o menino e deixou-o crescer escondido por três meses e após este período tomou uma arca de juncos e revestiu com barro e betume e deixou nos juncos à margem do rio. (Ex. 2.3)

A filha de Faraó desceu ao rio para lavar-se e ela viu o cesto no meio dos juncos e abrindo viu o menino, que chorava, e moveu-se de compaixão dele, e logo percebeu que era diferente: “dos meninos dos hebreus é este”. (Ex. 2.6)

A filha de Faraó adotou o menino, deixando-o sob criação da própria mãe e ainda a deu salário para criar o próprio filho. Quando Deus cumpre as promessas ele proporciona todos os meios para que seja mantida de todas as formas. Não tem explicação.

dispensação da promessa

O menino já crescido voltou ao palácio, e foi adotado pela filha de Faraó que o chamou Moisés: porque das águas o tenho tirado. (Êx. 2.10)

Quando Moisés amadureceu, já um homem, percebeu a opressão que os hebreus sofriam, e ao ver um egípcio agredindo um hebreu, intentou contra a vida do egípcio e o matou e escondeu o corpo na areia. No outro dia, percebeu Moisés que era de conhecimento público o que havia feito, sabendo a penalidade de morte que sofreria em razão do crime que tinha cometido, fugiu para o deserto, para a terra de Midiã, e ali ficou por quarenta anos.

Moisés ficou quarenta anos no Egito, aprendendo toda a ciência e a arte daquela geração, porém, para que fossem cumpridos os propósitos de Deus na vida de seu povo, Moisés teve que passar pelo processo da desconstrução de Deus, para aprender a viver na dependência do Senhor. É quando o homem pensa que não tem mais nada, que o Deus das dispensações mostra que quem atribui valores é apenas Ele.

Após o período de tempo propício, Faraó faleceu, e o povo de Israel teve um momento de repouso de suas aflições, no qual choraram e clamaram a Deus por causa da servidão. E Deus se lembrou de suas promessas com Abraão, com Isaque e com Jacó (Ex. 2.23-25).

O tempo de escravidão no Egito teve propósitos

dispensação da promessa

1.  consolidar um povo na cultura e na língua

Em momento algum nós vemos o povo hebreu se misturando ou se comportando como os egípcios. Isso nos revela que em meio a todo o sofrimento no Egito, o povo de Israel não perdeu a sua consciência de povo separado, em cultura, em língua, pois sabiam das promessas de Deus para as tribos de Israel que eram bem conhecidas e mantidas pelo povo, preferencialmente as tribos casavam-se entre si, pela pureza das promessas (Êx. 2.1).

2.  multiplicar o povo mesmo no sofrimento diante do Egito

Mesmo diante do sofrimento no Egito, a maior prova da presença de Deus no meio do povo de Israel era seu crescimento no meio das aflições (Êx 1.12). Por toda a história podemos contemplar que Deus mantém este povo escolhido seu, pela promessa feita a Abraão. Quando mais este povo é perseguido e afligido, mais ele cresce e se fortalece. Tanto que assim como os Egípcios, todas as nações temem o seu crescimento e sua força que certamente vem do Senhor dos Exércitos.

3.  mostrar ao mundo o poder do Deus dos Hebreus

Deus chama Israel de seu “filho primogênito” (Ex. 4.22). Os povos e as nações são indesculpáveis, pois, desde o início dos tempos é visível a mão do verdadeiro Deus sobre o seu povo (Ex 15.14-16). Por isso, um dos propósitos de Israel, ainda no Egito, era mostrar aos povos a sua glória para cumprir as suas promessas na vida de seu povo. Não é a toda que, quando o povo de Israel chega diante de Jericó, todo o povo daquele cidade temeu, pois era público e notório o poderio do Deus de Israel, as palavras de Raabe são emblemáticas ao demonstrar esta realidade (Js 2.9-13).

Deus levanta um libertador

dispensação da promessa

Deus chama Moisés no meio da sarça ardente no deserto de Midiã. Não era incomum uma sarça queimar, o incomum era queimar e não se consumir. Deus chama Moisés como libertador do povo de Israel e promete a sua presença, pois o clamor dos Israelitas havia chegado a ele.

O Senhor prometeu não apenas a libertação do povo, mas também que sairiam abençoados da terra do Egito (Ex. 3.21-22).

Deus ainda prometeu a Moisés os sinais da sua presença para libertar o povo, ainda prometeu que Arão seria porta-voz na falta de eloquência de Moisés (Ex. 4). A verdade é que, quando Deus tem um propósito não importa quantas desculpas tenhamos para colocar impedimentos, o Senhor nos proporciona todas as estratégias e ferramentas para o cumprimento da promessa (Ex 4.11).

Deus julga o Egito pela opressão que impôs aos filhos de Israel

As Dez Pragas: os juízos de Deus sobre os opressores do povo.

  1. Água em sangue (Êxodo 7:14-24)

2) Rãs (Êxodo 8:2-14)

3) Piolhos (Êxodo 8:16-19)

4) Moscas (Êxodo 8:20-32)

5) Peste sobre bois e vacas (Êxodo 9:1-7)

6) Feridas sobre os egípcios (Êxodo 9:8-12)

7) Chuva de pedras (Êxodo 9:13-35)

8) Gafanhotos (Êxodo 10:1-20)

9) Escuridão total (Êxodo 10:21-23)

10) Morte de todos os primogênitos (Êxodo 11-12)

A libertação e um grande livramento: do mar vermelho ao Sinai

A morte dos primogênitos causou o maior vexame para a religião do Egito. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR” (Êxodo 12:12). Os governantes do Egito chamavam a si mesmos de “filhos de Rá”, e se autoproclamavam divinos.

Êxodo 12:23 – Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.


Todos os primeiros filhos do Egito foram mortos pelo Anjo mandado por Jeová: os únicos lares, que tiveram seus filhos poupados foram aqueles que obedeceram a um sinal mandado pelo Senhor. A instrução dada por Moisés foi: “Quando o Senhor passar para matar os egípcios, verá o sangue ali nãos batentes e não deixará que o Anjo da Morte entre nas sua casas para matá-los” (Êxodo 12:23).

Lembre-mos que Deus já tinha dito a Moisés que isso aconteceria:

“Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que eu matarei a teu filho, o teu primogênito.” Êxodo 4:22,23

A morte dos primogênitos foi uma grande humilhação. Certamente pressionado pela demanda popular, faraó enviou seus principais oficiais, ainda enquanto era noite, para chamar os odiados líderes hebreus, aos quais havia dito nunca mais vê-los (Êxodo 12:31). A rendição de faraó foi completa. Ele não apenas ordenou que deixassem o país e levassem tudo o que possuíam, como também pediu algo que os dois irmãos não poderiam imaginar: “Levai também convosco vossas ovelhas e vosso gado, como tendes dito; ide-vos embora e abençoai-me também a mim” (Êxodo 12:32).

Se as palavras de Moisés e Arão tinham trazido maldição, faraó deve ter suposto que elas também poderiam trazer bênção. Não se sabe como seu pedido foi recebido, mas o fato de ter sido feito é um forte indício de quão subjugado estava o seu orgulho.

Em três dias, o faraó recebeu notícias do progresso dos filhos de Israel. Agora arrependia-se por ter permitido que se fossem. Por esse motivo, mobilizou seu exército e liderou pessoalmente a cavalaria e os carros de guerra mais selecionados, em furiosa perseguição a seus antigos escravos. Alcançou-os perto das margens do mar Vermelho, e pressionou-os contra a água, num esforço para impedir-lhes de escapar.

Alguns grupos do povo judeu estavam prontos a combater os egípcios: outros preferiam afogar-se no mar ou fugir para o deserto, que arriscar-se a uma derrota e a volta à escravidão. Outras começaram a reclamar contra Moisés, temendo que ele os tivesse tirado da segurança do Egito para morrer no deserto. “Porque não havia túmulos no Egito,” exclamaram, “você nos tirou de lá às pressas para morrermos no deserto? Por que motivo nos tirou de lá? Por acaso não lhe dissemos no Egito: ‘Deixe-nos em paz, que serviremos aos egípcios? Pois é melhor para nós servirmos aos egípcios do que morrermos no deserto’” (Ex 14.11).

Porém Moisés, calmo e firme num dos mais difíceis momentos de sua vida, disse: “Não tenham medo, fiquem firmes e vejam a salvação do Senhor, que Ele mostrará hoje a vocês” (vs. 13).

Moisés liderou os israelitas até que chegaram bem às margens do mar Vermelho. A coluna de nuvens então trocou de posição: mudando da frente para trás das hostes hebraicas, flutuou entre os dois exércitos.

Então Deus falou a Moisés: “Levante seu cajado, estenda a mão sobre o mar, e o divida; e os filhos de Israel caminharão sobre o fundo do mar como em terra seca” (vs. 16). Moisés fez como Deus lhe ordenara. Levantou o bastão, estendendo a mão sobre o mar; levantou-se um forte vento leste que soprou por toda a noite. Com aquela tempestade, as águas do Mar Vermelho se dividiram, formando doze passagens, uma para cada tribo, juntando-se em paredes de água de cada lado, deixando doze trilhas secas no meio. Os israelitas marcharam ao longo destes caminhos secos que se estendiam de uma praia à outra.

Os egípcios continuaram sua perseguição, sem hesitar, pela mesma trilha. Porém as rodas de suas carruagens ficaram bloqueadas no fundo do mar. Não puderam continuar; sentiram que mais uma vez, estavam lutando em vão contra o Senhor. Voltaram-se para fugir, mas era tarde demais; a um comando de Deus, Moisés estendeu o cajado e as águas retomaram seu curso normal, fechando-se sobre os carros, cavalos e guerreiros, sobre todo o exército do faraó. Dessa maneira Deus salvou os filhos de Israel dos egípcios naquele dia. Israel testemunhou Seus grandes poderes; reconheceram Deus e acreditaram n’Ele e no seu servo Moisés. Então Moisés e toda a congregação cantou a Canção de Louvor a Deus pelo seu resgate maravilhoso.

Três dias após a saída do Egito, firmaram acampamento por um tempo próximo ao Sinai, onde Deus tinha determinado a Moisés que adorasse a Ele assim que saíssem da terra do Egito (Ex. 19), ali entregou Deus a Moisés a Lei Universal de Deus. (Ex. 20).

No Sinai, pelas mãos de Moisés, Israel recebe a Lei Universal de Deus (o decálogo).

Há uma diferença entre a Lei Universal, Civil e Sacerdotal.

A Lei Universal de Deus, ou os dez mandamentos (decálogo), são leis éticas válidas universalmente para todos os povos e todos os tempos.

As leis civis e sacerdotais de Israel serviram para organizar o povo no Deserto, e para instituir a cultura do povo escolhido de Deus, bem como para organizar os trabalhos sacerdotais no tempo, a adoração, os sacrifícios, as festas e os dias de guarda, como veremos na próxima dispensação.

Para todos os tempos e para todos os povos, a Ética do Sinai, a Lei Universal de Deus permanece válida e é o significado de que Deus quer que todos os povos obedeçam às suas ordenanças, pois no seguir e cumprir o determinado pelo caráter do Senhor, todos os povos podem usufruir das misericórdias do Senhor.

Próxima aula: a dispensação da Lei – parte 1

NOITE DE UNÇÃO na IEADMS Vila Fátima – Setor 4

O coronavírus (covid-19), é mais um dos juízos profetizados por Cristo Jesus, e que está parando o mundo inteiro. Mas como Igreja não podemos desanimar diante das aflições e dificuldades, temos que colocar nossa fé no Senhor (Sl 46).

Não existe juízo que não decorra da direção ou permissão de Deus (vontade diretiva ou permissiva), para fazer o seu povo orar mais, meditar na Palavra, interceder e buscar santificar-se cada vez mais (II Cr. 7:13-14).

Os juízos de Deus são mais graves no tempo da graça, visto que a Palavra está disponível, mas os homens (a sociedade) insiste em rejeitar andar nas boas obras do Filho de Deus (Mt 24).

Fomos ungidos (separados, santificados) pelo Senhor, por seu Santo Espírito, para sermos um povo que clama pela proteção de Deus (II Co. 1.21-22). Apenas nEle pode estar nossa esperança e confiança. (Sl 121.1-2)

Que haja compromisso com o Senhor nesse momento! Que a Igreja seja Igreja, sem mistura com entendimentos e “ideologias políticas” humanas que para Deus são loucura (Ec. 2.12-13). Mas em compromisso com a verdade, a ÚNICA VERDADE, que é a Palavra de Deus! (Jr 15.16).

Deus provou o povo de Israel, que foi massacrado, destruído e levado ao cativeiro, mas tinha um propósito, santificá-lo no cativeiro para que valorizasse a LEI DE DEUS, e colocasse a esperança unicamente em DEUS, aprendendo a não se ajoelhar aos poderes deste mundo! (Dn 3.14-17).

Somente o SENHOR pode nos guardar e nos livrar! Se Deus não guardar, o homem nada pode fazer! (Sl 127.1).

Por isso, nossa esperança está no SENHOR, e quem é filho confia no PAI, porque Ele cuida e é o único que pode nos livrar de todo mal que sobrevém ao mundo! (João 17.15-17).

A Contrario Sensu: Direitos Humanos – episódio piloto

“A Contrario Sensu” é o seu mais novo podcast jurídico, disponível nos melhores serviços de streaming, como Spotify e Apple Music, onde você poderá ouvir as atualidades jurídicas com fundamento profissional da área do direito, sem achismos jornalísticos ou políticos. Em nossa estréia falamos sobre os Direitos Humanos.

Logomarca do podcast “A Contrario Sensu”

Os episódios do podcast vão ao ar semanalmente, toda a terça-feira pela manhã e são apresentados pelos advogados Yuri Faco Tomanik (instagram) e Rafael J. Dias (instragram), que recebem também comentários e sugestões de pautas pelo e-mail acontrariosensupodcast@gmail.com.

Direitos Humanos – pauta do episódio #00 – Piloto

  1. Surgimento dos direitos humanos na história antiga.
  2. Direitos humanos na idade moderna pós revolução industrial.
  3. As grandes guerras e o ressurgimento da proteção a direitos humanos mínimos.
  4. A falta de compreensão das pessoas acerca dos direitos humanos. Como alguém pode ser contra seus próprios direitos.
  5. Direitos humanos e constituição federal.
  6. Direitos humanos não é comunismo, pois foram criados pelos liberais.
  7. Direitos humanos e a criminalidade. Muita proteção jurídica ou aplicação inapropriada da legislação e sucateamento dos órgãos criminais?

Ouça agora o episódio completo:

A dispensação da promessa – parte 1

Na dispensação da promessa, após a dispersão dos homens sobre a face da terra o Senhor voltou seus olhos para um homem de fé, prometendo-lhe, contra a esperança, a paternidade de um povo e possessão de um território específico: uma nação que teria Deus como seu governo.

dispensação da promessa
Ouça esta aula completa no Spotify (clique para abrir o app)

Leia também: Dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação teve início com a Aliança de Deus com Abraão, cerca de 1963 a.C., ou seja, 427 anos depois do Dilúvio. Sua duração foi de 430 anos (Gl 3.17; Hb 11.9,13).

Esta dispensação é também chamada por alguns eruditos como “A Dispensação Patriarcal”. Por meio dela, Abraão e seus descendentes vieram a ser herdeiros da promessa.

A dispensação da promessa se estende de Gênesis 12.1 a Êx 19.8, e era exclusivamente israelita. A dispensação, como meio de provar a Israel, somente terminou com a libertação do povo do Egito e o estabelecimento e aceitação da Lei de Deus no Sinai.

Ponto de partida – a escolha de Deus: um patriarca e um território.

Um grande povo só poderia começar com um grande homem da descendência dos Semitas e dos Hebreus (Gn 9.21, Gn 14.13). Abrão, antes de ter seu nome mudado por Deus para Abraão, residia com seu pai em uma cidade idólatra, chamada Ur dos Caldeus.

Abrão era filho de Terá e irmão de Naor e Harã, que é pai de Ló. Segundo a Palavra de Deus, Harã era o filho mais novo de Terá e até então era o único que tinha dado um neto para Terá. E assim que gerou Ló, Harã veio a falecer em Ur dos Caldeus (Gn 11.28).

Nem Abrão e nem Naor tinham ainda dado netos ao seu pai Terá, sendo os filhos mais velhos.

Ter um clã (família) forte era sinônimo de fertilidade, multiplicação, de honra, de prosperidade na cidade idólatra de Ur dos Caldeus que adoravam uma deusa chamada Inanna, da fecundidade e fertilidade.

Multiplicarem-se e encher a terra de descendentes, foi a ordem dada por Deus a toda a descendência de Noé (Gn 9). A vergonha de perder um filho (o que não era comum naquela época) e ter outros estéreis (Gn 11:30), tirou Terá de Ur dos Caldeus, levando seus filhos e seu único neto Ló (Gn 11.30).

O objetivo de Terá era ir até Canaã, mas o luto e a depressão o detiveram, e acampou seus últimos dias incapacitado de ir até Canaã e morreu ali em Harã. (Gn 11.32)

A família havia perdido seu patriarca, que deixou apenas um único neto e filhos que não tinham filhos e possivelmente não teriam. Na lógica humana era o fim de uma família, mas para Deus era o início de uma grande promessa.

Como estamos vendo nestas aulas sobre dispensacionalismo, Deus não atua sob a ótica da lógica humana, o impossível é apenas um detalhe para o Senhor, pelo que ao chamar Abrão ele lhe faz promessas em meio ao luto e a tristeza em Harã, que seria impossíveis na atual situação em que sua família se encontrava:

“Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação” (Gn 12.1-2)

A Fé era a fagulha necessária para uma grande nação

Após Deus dar um grande livramento à vida de Ló por meio da liderança e garra de Abrão, na guerra dos quatro reis contra cinco, ceou com Melquisedeque pão e vinho, e nele encontrou um sacerdote do Deus Altíssimo, que o abençoou e Abrão, ainda na dispensação da promessa, quando ainda não havia lei, deu-lhe o dízimo de tudo. (Gn 14.18-20).

Melquisedeque reconheceu algo diferente na vida de Abrão, pelo que não era comum uma vitória em uma guerra por um homem hebreu com 318 homens, criados em sua casa, contra cinco reis. A diferença era a promessa que resplandecia na sua vida.

Novamente o Senhor se apresenta a Abrão e lhe promete um filho (Gn 15.1-7). Promete um grande clã, um grande povo, gerações, pelo que Abrão não tinha terra, vivia em uma confederação no meio de outras famílias (Gn 14.13), pelo que Deus faz uma Aliança de possessão com Abrão (Gn 15.8,13-16), predizendo a escravidão no Egito e o juízo que sobreviria sobre o Egito ao fim da dispensação com a libertação do povo prometido, e a ainda prometeu que o povo hebreu subsistiria a todos os ataques dos descendentes de Canaã que sobre eles viriam em guerras no deserto (Gn 15.18-21).

Leia também: A dispensação do governo humano

Os filhos de Abraão: Ismael e Isaque (os árabes e os judeus)

Entendendo a história da promessa feita por Deus também aos países árabes (descendentes de Ismael), também podemos entender o porquê do conflito entre Judeus e Árabes (ismaelitas) subsistir até os dias de hoje, e como devemos orar para que haja paz em todas estas nações.

Uma vez mais o homem ouviu a voz da mulher. Sarai transformou sua serva Agar em barriga de aluguel, porque não podia ter filhos (Gn 16.2). Agar concebeu e foi mandada embora por sua patroa, sob permissão de Abrão, vez que quando percebeu que estava grávida, a serva passou a desprezar as ordens de Sarai (Gn 16.5-6).

No deserto o anjo do Senhor encontrou Agar junto a uma fonte de água e prometeu-lhe que seria multiplicada a sua descendência, que não será contada, por numerosa que seria, por ser descendência de Abraão (Gn 21.13), e lhe prometeu Ismael, que significa: “Deus ouve”. Pelo que Agar chamou a Deus de “Deus que me vê”. (Gn 15.7-13).

Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu da terra da sua parentela (Gn 12.4), e já tinha noventa e nove anos (Gn 17.1), quando Deus novamente reafirmou a promessa e mudou o seu nome e de sua mulher para Abraão e Sara (Gn 17.5, 15). O Senhor prometeu-lhe que o filho da promessa estava chegando e o nome dele seria Isaque, e abençoou a ambos os filhos de Abraão (Gn 17.19-21).

Visitou o Senhor a Sara, como tinha dito, e cumpriu sua promessa, e puseram o nome do filho de Isaque (Gn 21.1-3). Ao crescer o menino Sara viu que Ismael zombava de Isaque, e mandou-o embora da terra junto com sua mãe Agar (Gn 21.9-14), porém Deus reiterou sua promessa para Agar, ouvindo o choro do menino no deserto (Gn 21.15-21), dando um grande livramento.

O propósito de Ismael também seria cumprido ainda na dispensação da promessa, pois a Bíblia afirma que Agar tomou mulher egípcia para seu filho (Gn 21.21, 25.28). Ismael se tornaria patriarca da ordem dos ismaelitas, que futuramente iriam comprar José, filho de Jacó, para ser servo no Egito (Gn 37.28).

A prova de Deus a Abraão – não há promessa sem prova

dispensação da promessa

Dispensação é prova de caráter, de obediência, e assim Deus fez a Abraão a fim de provar sua fé. Pediu o Senhor que Abraão sacrificasse seu único filho no monte Moriá (Gn 22.1-2).

Abraão tinha acabado de mandar seu primeiro filho embora com sua mãe para o deserto, agora tinha que oferecer o filho mais novo ao Senhor. Abraão iria ficar sem filhos na velhice e morrer sem esperanças numa geração futura de sua família, assim como seu pai Terá.

Mas não foi isso que surgiu nos pensamentos de Abraão, que não reclamou, não suplicou a Deus por misericórdia, apenas confiou e obedeceu: creu contra a esperança, ou seja, pela fé contra toda a lógica humana foi fiel a Deus (Rm 4.16-22).

Quando Abraão no Moriá estendeu a mão ao cutelo para imolar seu único filho, o anjo do Senhor bradou dos céus dizendo: “agora seu que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho (Gn 22.12). Foi quando Abraão olhou para atrás dele e viu um carneiro travado pelos chifres num mato, o tomou e ofereceu em holocausto no lugar de seu filho (Gn 22.13), pelo que chamou o lugar de “o Senhor proverá”.

Por este ato, o Senhor confirmou pela última vez a Abraão as promessas feitas pela multiplicação de sua descendência para fazer uma grande nação (Gn 22.16-18).

O que fará Deus a uma família que o teme? Que deixou seus ídolos para obedecer e confiar somente no Criador dos céus e da terra? – Uma descendência precisava surgir da família da Abraão. Sara era estéril, e agora gerou um filho, mas quem casaria com Isaque se a família Abraão, por parte de Ló se havia corrompido, e por parte de Naor até então não havia filhos, muito menos filhas.

Isaque, o filho da promessa, se misturaria com mulheres estranhas? – Obviamente que não!

Deus estava trabalhando na família de Abraão em Harã. E essa notícia veio logo depois de descer Abraão do monte Moriá: Naor, seu irmão, – filho de Terá seu pai, que morreu envergonhado por ter perdido um filho na velhice e sem esperanças de futuro, – teve filhos em Harã (Gn 22.23).

Os filhos de Isaque e de Jacó

Isaque casou-se com Rebeca, e tiveram dois filhos: Jacó e Esaú. Jacó, mesmo tendo enganado seu pai e seu irmão, recebeu a benção da sucessão da promessa de Deus feita a seu pai (Gn 27.28-29).

Jacó fugiu da ira de seu irmão, e foi mandado por sua mãe para Harã, onde habitavam seus parentes (Gn 27.43-44), ali trabalhou quatorze anos para Labão, seu tio, tendo lhe prometido casamento com Raquel. (Gn. 29.18,27)

Em Harã, Deus deu filhos a Jacó: Ruben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim. Dez deles formariam dez tribos de Israel, que no Egito se tornariam uma grande nação, ainda que debaixo de grande e dura servidão. (Gn 27 e 28)

José é levado ao Egito e livra as tribos de Israel da morte pela fome

José, o jovem sonhador, foi levado cativo ao Egito, vendido por seus irmãos, por inveja, aos ismaelitas (descendentes de Abraão) (Gn 37.25-27). No Egito se tornou criado na casa de Potifar. Foi acusado falsamente pela mulher de Potifar e lançado numa prisão (Gn 39.12-20). Mas ali ainda estava a promessa, pois Deus era com José. (Gn 39.21-23).

Deus lhe deu o dom de não apenas ter revelações em sonhos, mas de interpretar os sonhos daqueles que estavam com ele na prisão, como um padeiro e um copeiro. (Gn 40)

O copeiro, depois de anos, informou a Faraó que havia na prisão um jovem que tinha o dom de interpretar sonhos, pois nele estava o “Espírito de Deus”. Pelo que Faraó chamou José diante dele, que interpretou o sonho. (Gn 41)

José, na revelação do sonho deu uma verdadeira aula de economia para todos aqueles que estavam na corte de Faraó, pelo que Faraó não teve qualquer hesitação em colocar José como Governador (administrador) do Egito.

Anos depois, a fome interpretada por José chegou até Canaã, onde estavam seu pai e seus irmãos. Pelo que saíram e foram ao Egito comprar comida, e ali foram recebidos pelo Governador do Egito, que conteve suas lágrimas ao vê-los.

Fez uma proposta, de que daria o alimento se trouxessem o irmão mais novo Benjamim. Pelo que disseram que se o irmão mais novo não retornasse o pai morreria, mas o Governador se manteve irredutível.

Os hebreus, ainda que sob resistência de seu pai e sob fiança de Judá, trouxeram-lhe o irmão menor. O Governador pôs um copo de prata dentro das coisas do menino e o prendeu como ladrão, para que não retornasse com seus irmãos. Pelo que Judá faz algo sobrenatural, um capítulo lindo em Gênesis chamado “a súplica de Judá” na qual ele oferece sua própria vida no lugar da de seu irmão (Gn 44.18).

Judá se oferece no lugar de seu irmão mais novo, para que não angustiasse de morte seu pai Jacó em sua velhice. Ao ver a cena e ouvir as palavras de Judá, José não contém o seu choro e se revela a seus irmãos.

José diz a eles que não tem qualquer ressentimento, pois agora sabia porque ele tinha sido vendido ao Egito, porque Deus tinha permitido que ele fosse preso em uma masmorra durante anos, e que Deus o tinha guardado: PELA PROMESSA, para que seus irmãos, os filhos de Jacó, as tribos de Israel, não morressem de fome. (Gn 45.1-7).

José trouxe todos os seus irmãos e seu pai ao Egito, sendo que habitaram na terra de Gósen (próximo onde hoje é Alexandria), e ali faleceu Jacó, deixando a promessa aos seus filhos de retornarem a Canaã, à terra prometida, e José ao falecer pediu para que seus ossos fossem levados a terra prometida. (Gn 48.11)

No Egito, os hebreus não tinham nada. Nada além da promessa.

Próxima aula: A dispensação da promessa – parte 2