A dispensação da promessa – parte 2

Ainda na dispensação da promessa, após o livramento do povo escolhido de Deus da fome pelo cumprimento das promessas na vida de José, o povo de Israel é provado na escravidão do Egito. O Senhor levanta um libertador e concede a Lei ao povo no deserto.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação teve início com a Aliança de Deus com Abraão, cerca de 1963 a.C., ou seja, 427 anos depois do Dilúvio. Sua duração foi de 430 anos (Gl 3.17; Hb 11.9,13).

Esta dispensação é também chamada por alguns eruditos como “A Dispensação Patriarcal”. Por meio dela, Abraão e seus descendentes vieram a ser herdeiros da promessa.

A dispensação da promessa se estende de Gênesis 12.1 a Êx 19.8, e era exclusivamente israelita. A dispensação, como meio de provar a Israel, somente terminou com a libertação do povo do Egito e o estabelecimento e aceitação da Lei de Deus no Sinai.

Continuação da dispensação – a prova da escravidão no Egito

Leia primeiro: A dispensação da promessa – Parte 1

Após o falecimento de José, surge no Egito um novo governo. Lembremo-nos que o povo de Israel ficou em uma terra fértil no Egito chamada de Gósen (onde provavelmente hoje fica o Delta do Nilo – cidade futuramente chamada de Alexandria), assim o povo prosperou naquele lugar e despertou o novo Faraó do Egito, que passou a considerá-los como um povo independente dentro do próprio Egito.

Tanto é que Faraó chamou a atenção dos seus conselheiros, afirmando que se sobreviessem guerras, os hebreus poderiam se unir a outros povos para ameaçar o Egito (Êx 1.10). O que demonstra que as promessas feitas por Deus na vida do patriarca Abraão estavam se cumprindo, pois o povo estava se tornando uma grande e forte nação capaz de amedrontar os próprios egípcios.

Faraó passou então a tratar o povo hebreu com dureza, de modo a controlar-lhe o crescimento como povo, para que não se fortalecessem. Tanta foi a dureza de Faraó que ordenou às parteiras Sifrá e Puá que matassem os meninos nascidos e deixassem apenas as meninas com vida.

Contudo, as parteiras foram tementes ao Deus dos hebreus e não fizeram como Faraó lhes ordenara (Ex. 1.17). Pelo que elas foram abençoadas por Deus, pelo temor de não obedecer a Faraó e conservar com vida os filhos de Israel (vs. 20).

Faraó, então, deu uma ordem para todo o seu povo: lançarem os meninos dos hebreus no rio, mas quanto às filhas determinou que fossem mantidas com vida. (vs. 22).

Uma mulher hebreia atendeu ao quanto dito por Faraó, mas de forma diferente. Teve o menino e deixou-o crescer escondido por três meses e após este período tomou uma arca de juncos e revestiu com barro e betume e deixou nos juncos à margem do rio. (Ex. 2.3)

A filha de Faraó desceu ao rio para lavar-se e ela viu o cesto no meio dos juncos e abrindo viu o menino, que chorava, e moveu-se de compaixão dele, e logo percebeu que era diferente: “dos meninos dos hebreus é este”. (Ex. 2.6)

A filha de Faraó adotou o menino, deixando-o sob criação da própria mãe e ainda a deu salário para criar o próprio filho. Quando Deus cumpre as promessas ele proporciona todos os meios para que seja mantida de todas as formas. Não tem explicação.

dispensação da promessa

O menino já crescido voltou ao palácio, e foi adotado pela filha de Faraó que o chamou Moisés: porque das águas o tenho tirado. (Êx. 2.10)

Quando Moisés amadureceu, já um homem, percebeu a opressão que os hebreus sofriam, e ao ver um egípcio agredindo um hebreu, intentou contra a vida do egípcio e o matou e escondeu o corpo na areia. No outro dia, percebeu Moisés que era de conhecimento público o que havia feito, sabendo a penalidade de morte que sofreria em razão do crime que tinha cometido, fugiu para o deserto, para a terra de Midiã, e ali ficou por quarenta anos.

Moisés ficou quarenta anos no Egito, aprendendo toda a ciência e a arte daquela geração, porém, para que fossem cumpridos os propósitos de Deus na vida de seu povo, Moisés teve que passar pelo processo da desconstrução de Deus, para aprender a viver na dependência do Senhor. É quando o homem pensa que não tem mais nada, que o Deus das dispensações mostra que quem atribui valores é apenas Ele.

Após o período de tempo propício, Faraó faleceu, e o povo de Israel teve um momento de repouso de suas aflições, no qual choraram e clamaram a Deus por causa da servidão. E Deus se lembrou de suas promessas com Abraão, com Isaque e com Jacó (Ex. 2.23-25).

O tempo de escravidão no Egito teve propósitos

dispensação da promessa

1.  consolidar um povo na cultura e na língua

Em momento algum nós vemos o povo hebreu se misturando ou se comportando como os egípcios. Isso nos revela que em meio a todo o sofrimento no Egito, o povo de Israel não perdeu a sua consciência de povo separado, em cultura, em língua, pois sabiam das promessas de Deus para as tribos de Israel que eram bem conhecidas e mantidas pelo povo, preferencialmente as tribos casavam-se entre si, pela pureza das promessas (Êx. 2.1).

2.  multiplicar o povo mesmo no sofrimento diante do Egito

Mesmo diante do sofrimento no Egito, a maior prova da presença de Deus no meio do povo de Israel era seu crescimento no meio das aflições (Êx 1.12). Por toda a história podemos contemplar que Deus mantém este povo escolhido seu, pela promessa feita a Abraão. Quando mais este povo é perseguido e afligido, mais ele cresce e se fortalece. Tanto que assim como os Egípcios, todas as nações temem o seu crescimento e sua força que certamente vem do Senhor dos Exércitos.

3.  mostrar ao mundo o poder do Deus dos Hebreus

Deus chama Israel de seu “filho primogênito” (Ex. 4.22). Os povos e as nações são indesculpáveis, pois, desde o início dos tempos é visível a mão do verdadeiro Deus sobre o seu povo (Ex 15.14-16). Por isso, um dos propósitos de Israel, ainda no Egito, era mostrar aos povos a sua glória para cumprir as suas promessas na vida de seu povo. Não é a toda que, quando o povo de Israel chega diante de Jericó, todo o povo daquele cidade temeu, pois era público e notório o poderio do Deus de Israel, as palavras de Raabe são emblemáticas ao demonstrar esta realidade (Js 2.9-13).

Deus levanta um libertador

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Deus chama Moisés no meio da sarça ardente no deserto de Midiã. Não era incomum uma sarça queimar, o incomum era queimar e não se consumir. Deus chama Moisés como libertador do povo de Israel e promete a sua presença, pois o clamor dos Israelitas havia chegado a ele.

O Senhor prometeu não apenas a libertação do povo, mas também que sairiam abençoados da terra do Egito (Ex. 3.21-22).

Deus ainda prometeu a Moisés os sinais da sua presença para libertar o povo, ainda prometeu que Arão seria porta-voz na falta de eloquência de Moisés (Ex. 4). A verdade é que, quando Deus tem um propósito não importa quantas desculpas tenhamos para colocar impedimentos, o Senhor nos proporciona todas as estratégias e ferramentas para o cumprimento da promessa (Ex 4.11).

Deus julga o Egito pela opressão que impôs aos filhos de Israel

As Dez Pragas: os juízos de Deus sobre os opressores do povo.

  1. Água em sangue (Êxodo 7:14-24)

2) Rãs (Êxodo 8:2-14)

3) Piolhos (Êxodo 8:16-19)

4) Moscas (Êxodo 8:20-32)

5) Peste sobre bois e vacas (Êxodo 9:1-7)

6) Feridas sobre os egípcios (Êxodo 9:8-12)

7) Chuva de pedras (Êxodo 9:13-35)

8) Gafanhotos (Êxodo 10:1-20)

9) Escuridão total (Êxodo 10:21-23)

10) Morte de todos os primogênitos (Êxodo 11-12)

A libertação e um grande livramento: do mar vermelho ao Sinai

A morte dos primogênitos causou o maior vexame para a religião do Egito. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR” (Êxodo 12:12). Os governantes do Egito chamavam a si mesmos de “filhos de Rá”, e se autoproclamavam divinos.

Êxodo 12:23 – Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.


Todos os primeiros filhos do Egito foram mortos pelo Anjo mandado por Jeová: os únicos lares, que tiveram seus filhos poupados foram aqueles que obedeceram a um sinal mandado pelo Senhor. A instrução dada por Moisés foi: “Quando o Senhor passar para matar os egípcios, verá o sangue ali nãos batentes e não deixará que o Anjo da Morte entre nas sua casas para matá-los” (Êxodo 12:23).

Lembre-mos que Deus já tinha dito a Moisés que isso aconteceria:

“Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que eu matarei a teu filho, o teu primogênito.” Êxodo 4:22,23

A morte dos primogênitos foi uma grande humilhação. Certamente pressionado pela demanda popular, faraó enviou seus principais oficiais, ainda enquanto era noite, para chamar os odiados líderes hebreus, aos quais havia dito nunca mais vê-los (Êxodo 12:31). A rendição de faraó foi completa. Ele não apenas ordenou que deixassem o país e levassem tudo o que possuíam, como também pediu algo que os dois irmãos não poderiam imaginar: “Levai também convosco vossas ovelhas e vosso gado, como tendes dito; ide-vos embora e abençoai-me também a mim” (Êxodo 12:32).

Se as palavras de Moisés e Arão tinham trazido maldição, faraó deve ter suposto que elas também poderiam trazer bênção. Não se sabe como seu pedido foi recebido, mas o fato de ter sido feito é um forte indício de quão subjugado estava o seu orgulho.

Em três dias, o faraó recebeu notícias do progresso dos filhos de Israel. Agora arrependia-se por ter permitido que se fossem. Por esse motivo, mobilizou seu exército e liderou pessoalmente a cavalaria e os carros de guerra mais selecionados, em furiosa perseguição a seus antigos escravos. Alcançou-os perto das margens do mar Vermelho, e pressionou-os contra a água, num esforço para impedir-lhes de escapar.

Alguns grupos do povo judeu estavam prontos a combater os egípcios: outros preferiam afogar-se no mar ou fugir para o deserto, que arriscar-se a uma derrota e a volta à escravidão. Outras começaram a reclamar contra Moisés, temendo que ele os tivesse tirado da segurança do Egito para morrer no deserto. “Porque não havia túmulos no Egito,” exclamaram, “você nos tirou de lá às pressas para morrermos no deserto? Por que motivo nos tirou de lá? Por acaso não lhe dissemos no Egito: ‘Deixe-nos em paz, que serviremos aos egípcios? Pois é melhor para nós servirmos aos egípcios do que morrermos no deserto’” (Ex 14.11).

Porém Moisés, calmo e firme num dos mais difíceis momentos de sua vida, disse: “Não tenham medo, fiquem firmes e vejam a salvação do Senhor, que Ele mostrará hoje a vocês” (vs. 13).

Moisés liderou os israelitas até que chegaram bem às margens do mar Vermelho. A coluna de nuvens então trocou de posição: mudando da frente para trás das hostes hebraicas, flutuou entre os dois exércitos.

Então Deus falou a Moisés: “Levante seu cajado, estenda a mão sobre o mar, e o divida; e os filhos de Israel caminharão sobre o fundo do mar como em terra seca” (vs. 16). Moisés fez como Deus lhe ordenara. Levantou o bastão, estendendo a mão sobre o mar; levantou-se um forte vento leste que soprou por toda a noite. Com aquela tempestade, as águas do Mar Vermelho se dividiram, formando doze passagens, uma para cada tribo, juntando-se em paredes de água de cada lado, deixando doze trilhas secas no meio. Os israelitas marcharam ao longo destes caminhos secos que se estendiam de uma praia à outra.

Os egípcios continuaram sua perseguição, sem hesitar, pela mesma trilha. Porém as rodas de suas carruagens ficaram bloqueadas no fundo do mar. Não puderam continuar; sentiram que mais uma vez, estavam lutando em vão contra o Senhor. Voltaram-se para fugir, mas era tarde demais; a um comando de Deus, Moisés estendeu o cajado e as águas retomaram seu curso normal, fechando-se sobre os carros, cavalos e guerreiros, sobre todo o exército do faraó. Dessa maneira Deus salvou os filhos de Israel dos egípcios naquele dia. Israel testemunhou Seus grandes poderes; reconheceram Deus e acreditaram n’Ele e no seu servo Moisés. Então Moisés e toda a congregação cantou a Canção de Louvor a Deus pelo seu resgate maravilhoso.

Três dias após a saída do Egito, firmaram acampamento por um tempo próximo ao Sinai, onde Deus tinha determinado a Moisés que adorasse a Ele assim que saíssem da terra do Egito (Ex. 19), ali entregou Deus a Moisés a Lei Universal de Deus. (Ex. 20).

No Sinai, pelas mãos de Moisés, Israel recebe a Lei Universal de Deus (o decálogo).

Há uma diferença entre a Lei Universal, Civil e Sacerdotal.

A Lei Universal de Deus, ou os dez mandamentos (decálogo), são leis éticas válidas universalmente para todos os povos e todos os tempos.

As leis civis e sacerdotais de Israel serviram para organizar o povo no Deserto, e para instituir a cultura do povo escolhido de Deus, bem como para organizar os trabalhos sacerdotais no tempo, a adoração, os sacrifícios, as festas e os dias de guarda, como veremos na próxima dispensação.

Para todos os tempos e para todos os povos, a Ética do Sinai, a Lei Universal de Deus permanece válida e é o significado de que Deus quer que todos os povos obedeçam às suas ordenanças, pois no seguir e cumprir o determinado pelo caráter do Senhor, todos os povos podem usufruir das misericórdias do Senhor.

Próxima aula: a dispensação da Lei – parte 1

Autor: Rafael J. Dias

Pastor na Assembleia de Deus Ministério de Santos, advogado, escritor e ativista pelos direitos sociais. Formado em Direito pela Universidade Católica de Santos e em Teologia pelo IBAD. Especialista em Direito da Administração Pública pela Estácio. Pós-graduando em Liderança Pastoral pela FABAD.

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