Escravidão e tempos bíblicos

Não há qualquer responsabilidade em comparar o CRIME da escravidão dos séculos XV – XIX, com a servidão dos tempos bíblicos. Fazer isso é uma ignorância sem tamanho.

Explico: não havia moeda nos tempos bíblicos anteriores ao domínio assírio e babilônico. Tudo era comercializado pelo escambo e permuta (troca e bens e terras).

Aquele que se endividava, para quitar suas dívidas vendia o seu trabalho por determinado tempo.

Muitos grandes homens, por tal razão se tornaram servos, pois era o costume daquele que não tinha como pagar com bens seu alimento e sua vestimenta. Pagava com um período de trabalho e poderia constituir família, e viver de parte do que plantava e trabalhava (tinha salário).

Jacó (próprio filho de Abraão pai dos judeus) se tornou servo de seu próprio tio por 14 anos. José do Egito (filho de Jacó) se tornou servo durante anos no Egito mas teve estudo, educação e se tornou Governador do Egito.

Deus mesmo mandou aos israelitas em Êxodo 21, que não poderia haver servos pagando dívidas por mais de 6 anos. Depois deste tempo seria considerado abuso, deveriam ser libertos.

Não tem nada a ver a cultura bíblica com a cultura CRIMINOSA do século XV a XIX, que colocou a cor da pele como sinônimo de escravo.

Quando o próprio termo escravo surge em uma localidade de conquista e coisificação de pessoas brancas (eslavos – do inglês slave).

Falando em cor da pele, a coisa mais linda do mundo foi o que aconteceu durante a crucificação.

Um homem negro de Cirene na África, estava em Jerusalém na Páscoa e estava no caminho do Gólgota vendo Jesus apanhando e carregando a cruz.

Os soldados romanos obrigaram este homem negro, Simão de Cirene, a ajudar Jesus a carregar sua cruz.

É uma passagem linda e marcante, que mostra a reconciliação e a igualdade de todos homens, que todos nós somos participantes do sofrimento e da glorificação de Cristo Jesus.

Uma grande lição moral para os diabólicos escravocratas. Todos estamos em Cristo e ele está em todos nós.

Leia: Escravidão de Laurentino Gomes.

A dispensação da Lei – parte 1

Após escolher para si um povo, o Senhor Deus estabelece as regras de comportamento daquela nação separada para ser chamada pelo seu glorioso nome.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

A dispensação da lei durou 1.430 anos: da saída do Egito, com a chegada ao monte Sinai, até a crucificação de Jesus. (Ex. 19.8). 

O Juízo desta dispensação foi o cativeiro de Israel (assírio, babilônico e persa), assim como a colonização de Israel por outras potências mundiais, como a Grécia e Roma. 

O término da dispensação se deu com a ineficácia da Lei para o plano da salvação, e com o sacrifício de Cristo na cruz do calvário (Gl. 3.24,25). 

Ponto de partida – a entrega da Lei para Moisés no Monte Sinai

Após a chegada do povo de Israel no monte Sinai, três meses após terem atravessado o Mar Vermelho, o Senhor ordenou que Moisés subisse ao monte para lhe dizer como deveria conduzir o povo, e se o povo lhe obedecesse, seria sua “propriedade peculiar, reino sacerdotal e povo santo” (Ex. 19.5). 

O povo, ainda que tendo visto as pragas no deserto, mesmo tendo visto o livramento de Deus a abertura do mar vermelho, ainda estava se sentindo abandonado, desamparado, sem direção. 

O Senhor Deus, mais uma vez, desejou manifestar a sua glória diante de todo o povo, como demonstração de sua santa direção e autoridade sobre todo o povo. 

Para isso, o senhor ordenou que Moisés preparasse todo o povo diante do monte Sinai, e quando o povo estivesse preparado, desceria sobre o monte na forma de nuvem (Ex. 19.9-13). 

Moisés obedeceu a ordem do Senhor, tirou o povo do arraial e postou-o ao pé do monte Sinai. Quando lá estavam a glória do Senhor lhes apareceu, de modo que ouviam Deus responder a Moisés no meio de fogo e glória (Ex. 19.16-19). Ninguém podia traspassar o limite para ver o Senhor, quem subisse, sofreria juízo.

No meio de toda aquela glória, Deus dá a Moisés os dez principais mandamentos:

  1. Não terás outros deuses além de mim.
  2. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor,o teu Deus, sou Deus zelo­so, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e obedecem aos meus man­damentos.
  3. Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão.
  4. Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor,o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou.
  5. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor,o teu Deus, te dá.
  6. Não matarás.
  7. Não adulterarás.
  8. Não furtarás.
  9. Não darás falso testemunho contra o teu próximo.
  10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.

As Leis de Israel

Na sequência o Senhor dá a Israel, além dos dez principais mandamentos, outros mandamentos de ordem social (cultura) e sacerdotal (cerimonial). 

Assim, o Senhor estabeleceu sua relação com o povo escolhido. As Leis demonstravam o caráter de Deus e suas promessas estavam sobre aqueles que bem cumprissem com suas ordenanças (Salmos 1; Josué 1.9). 

Todavia, é necessário compreender porque eram tão necessárias as Leis, e como elas são divididas para cada aplicação específica. 

Leia também: A dispensação da promessa – Parte 1 – Parte 2

Lei Ética ou Moral

A Lei Ética ou Moral de Deus é o decálogo (os dez mandamentos). Por meio dela se contempla a obediência básica do homem a postulados básicos que se cumpridos geram o temor de Deus e as bênçãos prometidas seguem aquele que for fiel a estes principais mandamentos. 

Mandamentos como o amor a Deus acima de todas as coisas, desprezar a idolatria, não praticar o roubo ou furto, honrar os pais, não matar, não adulterar, não dar falso testemunho e nem cultivar a inveja, revelam em si um aspecto moral que aproxima o homem e a mulher de um coração limpo e puro diante de Deus.

Lei Civil ou Cultural

As Leis Civis estão espalhadas em alguns pontos do Livro de Êxodo e no livro de Deuteronômio, elas revelam um comportamento social adequado que Deus queria do povo santo, para que não se deixasse levar pelos procedimentos e costumes dos povos vizinhos. 

Regras como o tratamento dos servos (escravos), não era permitido privar a vida inteira da liberdade. Servos não eram fruto de exploração e usura, mas decorrente de cobranças de dívidas que não podiam ser pagas (Ex. 20.2-3). Em consideração com leis de nações vizinhas, as regras colocadas para os hebreus foram muito mais brandas.

Outras diversas leis civis foram disciplinadas, como o casamento, o julgamento de um homicídio, a legítima defesa, e muitas foram comparadas com leis de países vizinhos, como a Lei de Talião (olho por olho e dente por dente), que já tinha sido colocada pelo Rei Hamurabi, centenas de anos antes. Parecia ser a legislação mais respeitada na época que ensinava a retaliação, preço por preço (Ex. 21). 

Lei Cerimonial ou Sacerdotal

É o livro de Levítico que ordena os rituais sagrados do templo, os sacrifícios do povo, as festas, os dias de guarda. Podemos ver alguns exemplos:

Os cinco sacrifícios (ofertas)

  1. Holocausto = consagração do povo a Deus (Lv. 1) – Sacerdote como mediador.
  2. Ofertas Pacíficas = comunhão (Lv. 3) – Sacerdote como mediador.
  3. Oferta de Manjares = gratidão (Lv. 2) – Sacerdote como mediador.
  4. Sacrifício pelo pecado = perdão (sangue derramado – Lv. 4-6) – Oferta obrigatória, sacerdote como intercessor.
  5. Sacrifício pela culpa (expiação) = restauração (Lv. 7) – Oferta obrigatória, sacerdote como intercessor.

As cinco festas

  1. Páscoa (Lv. 23:4-8) – Festa dos Asmos – Independência do Povo de Israel (Libertação do Egito).
  2. Primícias (Lv. 23:9-14) – Primeira colheita ao Senhor, trigo, espigas verdes, etc.
  3. Pentecostes (Lv. 23.15-25) – Sete semanas após a páscoa, contados 50 dias, uma segunda oferta de manjares ao Senhor.
  4. Tabernáculos (Lv. 23.33-44) – Memória do deserto. 7 dias habitando em tendas. 
  5. Expiação nacional (Lv. 23:26-32) – Expiação dos pecados do povo.

Os cinco dias de guarda

  1. Sábado (Lv. 23:3) – Descanso, lembrança do criador. 
  2. Lua nova – gratidão a Deus por um novo mês.
  3. Ano novo – gratidão a Deus por um novo ano. 
  4. Ano sabático – a cada 6 (seis) anos de plantação e colheita, Israel deveria consagrar um ano inteiro sem plantar nem colher, ao Senhor. (Lv. 25.1-7)
  5. Ano do Jubileu – a cada 49 anos, os Israelitas deveriam devolveu o acúmulo de posses e voltar para sua primeira habitação, dando graças a Deus por serem seu povo. (Lv. 25:8-55).

A Lei de Deus guiou o povo no Deserto

Tendo o povo de Deus recebido as Leis do Senhor, peregrinou no deserto, ergueu o tabernáculo para cumprimento das Leis Sacerdotais estabelecidas pelo Senhor, e foi garantida por Deus a obediência à Lei pela vida de Moisés, que instruía o povo. 

Contudo, até mesmo Moisés sofreu dificuldades no deserto em virtude do impulso da natureza humana em não querer cumprir ordens. Moisés experimentou a rebeldia de alguns, mas Deus mostrou a ele sua presença e direção no deserto, julgando todos aqueles que se levantavam contra a Lei do Senhor e seu líder escolhido para conduzir o povo.

Episódios do livro de Números, nos demonstram como, mesmo no início da dispensação da Lei já era difícil fazer com que o povo permanecesse na obediência e fidelidade a Deus. 

Podemos citar, brevemente, a murmuração por carne tendo Maná diário à disposição do povo (Nm 11); a sedição de Miriã e Arão (Nm 12); murmuração pelas guerras que enfrentariam na possessão da terra (Nm 14.22); A rebelião de Corá, Datã e Abirão (Nm 16), dentre outros episódios.

Ainda assim, com a força dos preceitos estabelecidos por Deus, Moisés conduziu o povo diante do Senhor até a terra prometida, de modo aos murmuradores e rebeldes terem morrido no deserto e seus filhos e filhas entraram na terra prometida.

A Lei de Deus garantiu a conquista da terra prometida

Não seria fácil a tarefa da conquista da Terra. Mais de 400 (quatrocentos) anos haviam se passado desde a dispensação da promessa. Povos de outras nações já tinham construído cidades e diversas fortalezas na terra que Deus tinha prometido a Abraão lhe daria.

Josué recebe apenas uma ordem do Senhor, para garantir perante o povo a presença de Deus, e a certeza da conquista da terra, com a vitória sobre todos os povos que estavam habitando na terra prometida: 

“Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boa o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás” Josué 1.7-8

E debaixo da obediência à Lei de Deus. Que era a ordem para esta dispensação, a vitória sobre aqueles povos foi certa. 

Próxima aula: A dispensação da Lei – parte 2