A dispensação da Lei – parte 3: cativeiro assírio e babilônico

Ainda na dispensação da Lei, após a corrupção dos reis de Israel os anos de cativeiro profetizados pelo profeta Jeremias são cumpridos.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

A dispensação da lei durou 1.430 anos: da saída do Egito, com a chegada ao monte Sinai, até a crucificação de Jesus. (Ex. 19.8). 

O Juízo desta dispensação foi o cativeiro de Israel (assírio, babilônico e persa), assim como a colonização de Israel por outras potências mundiais, como a Grécia e Roma. 

O término da dispensação se deu com a ineficácia da Lei para o plano da salvação, e com o sacrifício de Cristo na cruz do calvário (Gl. 3.24,25). 

Ponto de partida – o cativeiro assírio e babilônico

Após os reis de Israel (Norte) e Judá (Sul), terem desagradado ao Senhor, levando o povo ao erro, deixando de cumprir as Leis de Deus, chegou o tempo preparado na dispensação da Lei para que o cativeiro lhes servisse de juízo, para que se voltassem para a vontade do Senhor.

Leia antes: A dispensação da Lei – Parte 1 – Parte 2

Israel como um todo, na dispensação da Lei, foi provado pelo domínio de três impérios diferentes, o império assírio, o império babilônico e o império persa, vamos analisar sucintamente cada um deles.

O cativeiro assírio

Conhecemos muito a assíria desde a terceira dispensação (a dispensação do governo humano), visto que sua capital Assur, e em seguida Nínive (Gn 10.10). Cidade fundada pelo “grande” rei Ninrode, homem que foi feroz e conduziu toda a população do mundo a se unir em um só comando em rebelião contra o Senhor (sendo um prenúncio bíblico do anticristo).

O império assírio cresceu de maneira estrondosa entre os anos 2.500 a.C. – 612 a.C. Seu maior crescimento se deu no tempo do rei Sargão “O Grande”, que com seu forte exército dominou os egípcios, os babilônios e o povo hebreu. Foi o primeiro “maior império do mundo”, antes dos persas.

Neste tempo do apogeu do Império Assírio é houve a divisão dos reinos de Israel entre Norte e Sul.

Jeroboão, primeiro rei do norte, foi o pioneiro na provocação da ira de Deus. De modo que, quando os demais reis pecavam contra Deus, a referência do erro era Jeroboão (1 Rs 15:8-9), pois dividiu a adoração do povo.

Vendo Jeroboão que os israelitas continuavam indo a Jerusalém adorar ao Senhor, temeu que sentissem saudade da descendência da Davi. Por este ciúme da adoração em Jerusalém que lembrava a Davi, inaugurou altares pagãos em Dã e em Betel (I Rs 12:28-29).

Após Jeroboão, todos os reis do norte suscitaram a Ira de Deus, por isso as tribos de Israel que ficavam nesta parte do reino foram as primeiras a sofrerem a investida do cativeiro. (I Cro 5.26; II Rs 15:29)

Os profetas que comunicavam a ira de Deus sobre os reis do norte

Entre os profetas mais famosos que profetizaram no reino do Norte estão Elias e Eliseu. Porém, outros profetas também profetizaram para os reis nortenhos, como: Aías, Micaías, Jonas, dentre outros.

Certo que os mais famosos por tentarem converter o coração dos reis do Norte ao Senhor foram mesmo Elias e Eliseu.

Elias – profetizou duramente contra o reinado de Acabe e Jezabel. Um reinado marcado por corrupção, avareza, homicídios, latrocínio e idolatria.

Eliseu – continuando o trabalho do profeta Elias profetizou duramente contra o reinado dos filhos de Acabe e Jezabel (2 Rs 6:32), denunciando a ira de Deus sobre a aliança entre Josafá e os filhos de Acabe (2 Rs 3:13-14).

As últimas oportunidades e o cativeiro

Deus deu diversas oportunidades para que os reis mudassem seu comportamento e obedecessem às suas Leis, até mesmo Ezequias, um dos bons reis de Judá (Reino do Sul) enviou cartas suplicando-se que deixassem a idolatria e fossem adorar em Jerusalém (2 Cr 30:1-11).

Contudo, os reis do Norte nunca se converteram, nem obedeceram a Deus (2 Rs 18:11-12). Assim, o Senhor os entregou nas mãos dos Assírios (2 Rs 18:11-12). As tribos do Norte, então, foram levadas por Salmanaser nos tempos do reinado de Oséias (2 Reis 17:3-6).

Conforme 2 Reis 17:24-41, o reino do Norte nunca mais se reergueu. O rei da Assíria mandou outros povos para ali habitarem, de outros costumes e religiões, havendo uma grande miscigenação que desagradou a Deus.

O versículo 41 revela que eles nunca deixaram seus costumes idólatras, ainda que também temessem ao Senhor. Assim permaneceu os costumes dos Samaritanos, situação que só seria resolvida com a graça do Evangelho (João 4:20-24).

O cativeiro babilônico

Deus livrou o reino do Sul (Judá) do cativeiro assírio (mais violento e perverso). Mas não poupou os reis do Sul do Juízo pelo descumprimento dos preceitos da Lei.

Um dos melhores reis de Judá foi Ezequias, que derrubou os altares idólatras, levou o povo a adorar em Jerusalém de modo que desde o reino de Salomão não tinha ocorrido tamanha adoração (2 Cro 30:25).

Ezequias liderou a resistência ao cerco de Senaqueribe, rei da assíria, contra o reino de Judá, com 185 mil soldados assírios.

Ocorre que após a enfermidade de Ezequias, tendo chorado perante Deus recebeu mais 15 (quinze) anos de idade, tendo o Senhor revogado a enfermidade e a morte que sobreviria (Is 38.1-5).

Ezequias gerou a Manassés uns dos piores reis de Judá. Foi um assassino terrível e irritou sobremaneira ao Senhor. Após veio o reinado de Josias, um excelente rei de Israel, em seguida os últimos reis (Josias, Jeioaquim, Joás e Zedequias) foram reprovados por Deus e sobreveio o cativeiro ao Sul para a babilônia.

Os profetas que anunciaram o cativeiro babilônico

Os profetas pré-exílicos mais famosos, que demonstraram os pecados do reino de Judá foram Isaías e Jeremias. Ambos viveram um tempo de religiosidade fingida, apenas voltada a ofertas e sacrifícios mascarando o desprezo e preconceito com os oprimidos entre o povo.

Isaías

Isaías foi o profeta entre os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (portanto, foi contemporâneo do cativeiro do reino do Norte), provavelmente foi morto por ordem de Manassés filho de Zedequias.

O profeta Isaías denunciou a falsa religiosidade e o desrespeito ao verdadeiro sentido do culto e da adoração a Deus entre o povo de Judá (Isaías 1:16-17).

Foi usado por Deus para tecer críticas contra a injustiça social praticada por todo o povo, incentivado por seus monarcas, grandes e ricos que oprimiam o trabalho dos pobres (Isaías 5:8-24).

Jeremias

O profeta Jeremias foi também chamado por Deus para entregar mensagens duras de juízo para o povo de Judá. Jeremias começou a profetizar no reinado de Josias. Um reinado de bonança, de reformas estruturais no templo.

Mas o tempo de bonança não impediu a profecia crítica de Jeremias por causa da infidelidade do povo e sua adesão a outros deuses (idolatria), principalmente aos baalins. E razão da aparente prosperidade de Judá, o povo desprezou a mensagem e não lhe deu ouvidos. (Jr 22.1-5, 15-16).

Josias porém deixou de pagar impostos para a Assíria, e ali começou o intento dos dominadores sobre Judá (2 Rs 22.1-23,27).

Após a sucessão de Josias por seu filho Jeoaquim, Jeremias criticou duramente as atitudes desse rei (Jr. 22.13-19), proferindo o discurso sobre o templo (Jr. 7.1-15), o versículo 11 seria reproduzido pelo Senhor Jesus no templo, no final da dispensação da Lei.

Zedequias, o último rei de Judá, assume o trono com 21 anos de idade, para dirigir um Judá arruinado, com várias cidades destruídas e uma economia desorganizada, se submete aos babilônios e se mostra indeciso.

Nesse momento surge uma disputa para determinar a identidade do Povo de Deus entre aqueles que foram para o Exílio na Babilônia e aqueles que ficaram em Judá.

Jeremias se nega a participar de uma visão simplista (cap. 24) e coloca o assunto dentro da política realista: Zedequias e a corte de Jerusalém são incapazes de salvar o povo do desastre.

Essa profecia também causa perseguição contra Jeremias. Mas Nabucodonozor chega com seus oficiais, incendeia o Templo, o palácio, as casas e derruba as muralhas e leva o restante do povo cativo, ficando apenas os pobres e os desprezados.

Assim cumpriu-se a profecia:

“Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram. Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do Senhor pela boca de Jeremias), despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, o Senhor seu Deus seja com ele, e suba.” 2 Crônicas 36:21-23

Próxima aula: A dispensação da Lei – Parte 4

Autor: Rafael J. Dias

Pastor na Assembleia de Deus Ministério de Santos, advogado, escritor e ativista pelos direitos sociais. Formado em Direito pela Universidade Católica de Santos e em Teologia pelo IBAD. Especialista em Direito da Administração Pública pela Estácio. Pós-graduando em Liderança Pastoral pela FABAD.

Deixe uma resposta