Dispensação da graça – Introdução

A dispensação da graça é a sexta dispensação, anunciada pela mensagem do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e inaugurada no calvário.

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Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Ponto de partida: a plenitude dos tempos

Leia antes: A dispensação da Lei – parte 4: restauração e plenitude dos tempos

“Todavia, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei” Gálatas 4.4.

Vamos lembrar do ensino anterior quando falamos acerca da plenitude dos tempos.

A plenitude da dispensação da Lei. Tudo o que era necessário que Deus fizesse com o povo de Israel havia sido feito e cumprido.

Israel ficou tão firmado nos ensinamentos de Deus por meio do juízo do cativeiro, que vieram outras culturas que dominaram a palestina no pós-cativeiro, como a Grécia, com a grande helenização do mundo promovida por Alexandre “O Grande”, que teve um grande impacto quando percebeu a força moral do povo judeu, que não se dobrava perante os poderes humanos, nem negociavam a sua religião.

Os generais de Alexandre, após seu falecimento, ficaram no poder do império grego e ficaram tão interessados na ética judaica, que ao término da construção da grande biblioteca de Alexandria, no Egito, convocaram setenta e dois escribas judeus com experiência, para traduzirem o Livro Sagrado dos judeus a “Torá” para o grego.

Referida tradução ficou conhecida no mundo antigo como “a tradução dos setenta”, ou como melhor conhecida, “a septuaginta” (LVXX).

Após os gregos vieram também os imperadores romanos, que encontraram um povo que lutou pela sua liberdade de religião, pelos seus templos e sinagogas que funcionavam em várias cidades espalhadas pelos países vizinhos. Tentou por vezes impor a cultura e religião romana, mas não havia como fazê-lo, pois o povo não se rendia a outros deuses.

Assim, a única religião que foi tolerada perante todo o vasto império romano foi o “monoteísmo judaico”, tendo sido feito juntamente com os líderes religiosos locais e os políticos romanos um compromisso, uma aliança, entre o templo que reunia dois partidos religiosos: os saduceus e os fariseus, e entre os governadores e pontífices (prefeitos e tribunos) romanos.

Com o tempo tal relação foi se tornando corrupta, foi deixando de ser santa e pura, os rituais começaram a estar mais ligados ao domínio social do povo do que propriamente a servir a Deus de coração e entendimento.

A Lei de Deus realmente começou a ser cumprida, visto que tanto os líderes como todo o povo tinha como grande valor o cumprimento total e literal das Escrituras Sagradas.

Porém, não era bem esse cumprimento que Deus queria dos homens, e pelo exagero, pela religiosidade, também não conseguiram agradar a Deus, tendo Ele que enviar seu filho para cumprir toda a Lei no lugar dos homens, para nos mostrar o que Ele espera de nós.

A Lei não se mostra suficiente para agradar a Deus, senão pela maravilhosa graça de Jesus Cristo, que se fez Lei por nós na cruz do calvário, e com seu poder aniquilou a morte e nos perdoou de todo pecado.

Mas…

O que é pecado?

Segundo Richard Beal (citado pelo Pr. Billy Graham – Paz com Deus (pp. 52-55). CPAD. Edição do Kindle), podemos notar na Bíblia cinco palavras para o pecado:

Em primeiro lugar, o pecado é a ilegalidade, a transgressão da Lei de Deus (1 Jo 3.4).

Deus estabeleceu o limite entre o bem e o mal, e sempre que ultrapassarmos esse limite, sempre que formos culpados por invadir a área proibida do mal, estaremos infringindo a Lei.

Sempre que não conseguirmos obedecer aos Dez Mandamentos, sempre que agirmos de maneira contrária aos preceitos do Sermão da Montanha, teremos transgredido a Lei de Deus e seremos culpados do pecado.

Se você examinar os Dez Mandamentos, um por um, perceberá como hoje a humanidade está, deliberadamente, não apenas transgredindo-os, mas também tornando a transgressão atraente!

Desde a idolatria, que é qualquer coisa que colocamos antes de Deus, até a falta de nos lembrarmos do dia de repouso e adoração, e guardá-lo como um dia santo (onde estariam o futebol se os cristãos se recusassem a assistir aos jogos aos domingos?), até honrar os pais, até a cobiça, até o adultério: parece que tem havido um esforço concentrado para infringir cada um dos mandamentos.

E não apenas isso, mas parece haver um esforço deliberado para tornar atraente o fato de infringi-los!

Tiago deixou claro que todos nós somos culpados, quando disse: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.14, 15).

É porque todos nós infringimos as Leis de Deus, todos nós transgredimos os seus mandamentos, que todos nós somos classificados como pecadores.

Em segundo lugar, a Bíblia descreve o pecado como iniquidade.

A iniquidade é o desvio do que é correto, quer o ato particular tenha ou não sido expressamente proibido.

A iniquidade tem a ver com nossas motivações interiores, as mesmas coisas que tão frequentemente tentamos esconder dos olhos dos homens e de Deus.

Esses são os erros que se originam de nossa própria natureza corrompida, e não os demais atos que as circunstâncias às vezes nos obrigam a cometer.

Jesus descreveu essa corrupção interior, quando disse: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23).

Em terceiro lugar, a Bíblia define o pecado como errar o alvo, ou seja, não alcançar o objetivo que foi estipulado. O objetivo de Deus é Cristo.

O objeto e propósito final de toda a vida é viver à altura da vida de Cristo.

Ele veio para nos mostrar o que é possível para o homem alcançar aqui na terra, e quando não seguimos o seu exemplo, erramos o alvo e não alcançamos o padrão divino.

Em quarto lugar, o pecado é uma forma de entrada ilegal. É a intrusão da tenacidade na esfera da autoridade divina.

O pecado não é meramente uma coisa negativa; é simplesmente a ausência do amor por Deus.

O pecado é fazer uma escolha, a preferência de si mesmo em lugar de Deus. É a concentração do sentimento em si mesmo, em lugar de tentar, com todo o coração, alcançar a Deus.

O egoísmo e a falta de abnegação são os sinais do pecado, tão certamente como o roubo e o homicídio.

Talvez esta seja a mais sutil e destrutiva forma do pecado, pois nesta forma é muito fácil ignorar o rótulo no frasco do veneno.

Aqueles que se apegam a si mesmos, que concentram toda a sua atenção em si mesmos, que consideram apenas os seus próprios interesses e se empenham por proteger apenas os seus próprios interesses, esses são tão pecadores quanto o bêbado ou a prostituta.

Jesus disse: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Mc 8.36).

Usando palavras modernas, poderíamos dizer: “Pois que aproveitaria ao homem construir um vasto império industrial, se estiver devorado por úlceras e não puder desfrutar a vida? Que aproveitaria ao ditador, ainda que conquistasse um hemisfério, se vivesse em constante temor da bala de um vingador ou da faca de um assassino? Que aproveitaria a um pai criar filhos com áspera dominação, se for rejeitado por eles mais tarde e abandonado para sofrer uma velhice solitária?”

Sem dúvida, o pecado do egoísmo é um pecado mortal.

Em quinto lugar, o pecado é descrença. A descrença é um pecado, porque é um insulto à honestidade de Deus.

“Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” (1 Jo 5.10).

É a descrença que fecha a porta do céu e abre a do inferno. É a descrença que rejeita a Palavra de Deus e recusa Cristo como Salvador.

É a descrença que faz com que o homem se faça de surdo para o Evangelho e negue os milagres de Cristo.

O pecado traz a punição da morte, e nenhum homem tem, em si mesmo, a capacidade de salvar-se da punição do pecado, ou purificar o seu próprio coração da sua corrupção.

Os anjos e os homens não podem expiar o pecado. É somente em Cristo que pode ser encontrado o remédio para o pecado.

É somente Cristo que pode salvar o pecador do destino que certamente o espera.

“O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

“A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).

“Nenhum deles, de modo algum, pode remir a seu irmão ou dar a Deus o resgate dele” (Sl 49.7).

“Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do Senhor” (Sf 1.18).

A verdade que Jesus veio transmitir para nos redimir é que a Lei mostra o pecado, mas não tem poder para nos redimir, nos transformar, nos tornar justos diante de Deus.

Pela Lei – como estava o homem?

A Lei não era um fim em si mesmo. A Lei de Moisés era uma preparação para a aceitação da justiça plena de Deus que viria pela graça em Jesus Cristo. Era imprescindível que Jesus viesse e a Lei nunca poderia ou conseguiria tomar o lugar de um salvador, de um remidor para a humanidade.

Quando Jesus inicia seu ministério, a sociedade judaica está envolta em um legalismo absoluto, como se a Lei fosse a razão única e exclusiva de sua salvação, ou seja, não reconheciam que por si mesmos não bastava que cumprissem a Lei, sempre haveria transgressão após transgressão.

Como escreveu o Pr. Billy Graham em seu famoso livro “Paz com Deus” (CPAD), pelo sangue de Jesus:

“Não apenas somos redimidos das mãos do Diabo, mas das mãos da Lei que foi entregue por Deus por intermédio de Moisés. A morte de Cristo me tira do controle da Lei. A Lei me condenou, mas Cristo satisfez cada acusação.”

O apóstolo Paulo, antes legalista, do partido dos fariseus que serviam ao Sinédrio, após seu encontro real com Jesus teve que admitir, que todos os homens judeus, apesar de disporem da Lei de Deus, sem Jesus ela nada valia, estavam todos mortos:

“Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” 1 Coríntios 15:56

Cristo veio, portanto, para nos dar a vida que a Lei não tinha a capacidade de dar, mas apenas de orientar o caminho até a chegada do Filho de Deus, que é maior que toda a Lei.

Jesus veio para nos dar vitória sobre o pecado, sobre a morte, sobre o Diabo, sobre o inferno, e firmados nEle somos mais que vencedores neste presente século da graça.

“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” 1 Coríntios 15:57,58

Deus enviou o seu filho para morrer

A promessa de um salvador feita na dispensação da inocência foi cumprida na graça

Jesus era e é o único remédio para o pecado. Toda a Lei e todas as tipologias do Antigo Testamento apresentavam o Senhor Jesus Cristo, anunciado por Deus desde o Jardim do Éden, na dispensação da inocência.

Deus enviou o seu filho. Jesus é o filho unigênito. Unigênito significa o único gerado, eternamente gerado, não possui início e nem fim. (Jo. 1.1-2)

O filho é a segunda pessoa da trindade divina. Não é que existam três “deuses”, mas um único Deus que subsiste em três pessoas: O Pai, O Filho e O Espírito Santo, e a Bíblia é bem clara ao fazer a distinção das três pessoas da trindade e de demonstrar que estão intimamente ligadas e entre elas não há contradição, não há divergência, há um único entendimento, propósito, pensamento e direção.

Deus já havia anunciado ao Diabo no Jardim do Éden que da mulher sairia alguém que pisaria na cabeça da serpente, ainda que esta lhe ferisse o calcanhar, que é uma parte do corpo que não é vital. (Gn. 3.15)

O Diabo trouxe o pecado a o coração e à mente do homem e o mundo estava e está repleto do pecado. Todos os distúrbios mentais, todas as doenças, todas as perversões, toda a destruição, todas as guerras, tudo isso encontra a sua raiz original no pecado. Ele causa loucura no cérebro e veneno no coração.

Foi o que aconteceu durante aquelas cinco primeiras dispensações, depois que o homem, representado por Adão deixou o Diabo dominar a sua vida e as suas decisões, produzindo em si a morte, opondo-se contra Deus que é vida (veja que havia a árvore do conhecimento do bem e do mal e da vida). (Rm 5.12)

A única solução para resgatar o homem da condição em que estava, primeiro, era preparar um caminho para que o homem pudesse começar (uma sombra) a seguir, e nisso foram escolhidos os judeus, sendo-lhes entregue a Lei de Deus, em segundo lugar, no meio deste povo escolhido o próprio Deus teria que descer para justificar o pecador.

O próprio Filho de Deus era a única personalidade do universo que tinha a capacidade de carregar, em seu próprio corpo, os pecados de todo o mundo. Teria que ser desprezado e rejeitado por todos, um homem de tristezas, familiarizado com a angústia. Teria que ser ferido por Deus e separado dEle.

Teria que ser ferido pelas transgressões dos homens e moído pelas iniquidades deles. O seu sangue teria que ser derramado para expiar o pecado da raça humana, pois sem derramamento de sangue não há expiação de pecado (Lv. 17.11). E tudo isso, voluntariamente. (Jo 10.17-18)

Jesus veio para ser o substituto perfeito o Grande Mediador da história. Ele se fez carne e sangue para que pudesse morrer por nós (Hb 2.14; 1 Jo 3.5).

O propósito da vinda de Cristo ao mundo foi para que Ele pudesse oferecer a sua vida como um sacrifício pelos pecados dos homens. Ele veio para morrer.

Próxima aula: A dispensação da Graça – parte 2

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