Dispensação da graça – parte 2

A preparação da mensagem da dispensação da graça, o anúncio do evangelho e os sinais que acompanham a presente dispensação.

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Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

Leia antes: A dispensação da inocência

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O Diabo sabia que viria o Messias e fez de tudo para não deixar crescer a criança

Como vimos na aula anterior, o Salvador do Mundo havia sido anunciado desde Gênesis 3:15, onde Deus prometeu que nasceria da mulher aquele que esmagaria a cabeça da serpente.

Até a vinda de Cristo Jesus, dentre os homens reinava o governo de Satanás em todas as nações.

Com o nascimento de Jesus, o mundo teve nova esperança, como anunciado pelo profeta Isaías (Is 9.6). Mais, ainda, os detalhes de Isaías já anunciavam os três reis magos que viriam do Oriente guiados por uma Luz (estrela), até o local do nascimento do menino (Is 9.2).

“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” Isaías 9:2

Os reis magos representavam os gentios, veja que acreditavam nos astros, nas estrelas, e o poder de Deus os conduziu pela estrela para a verdadeira salvação, para o único digno de perdoar os pecados do mundo.

Ao procurarem o local onde nasceria o menino, os reis magos foram até Herodes, que, possesso por Satanás, mandou matar todas as crianças recém nascidas. Porém, um anjo apareceu em sonho para José, anunciando que estava aos cuidados do filho de Deus.

José levou Maria e o menino para o Egito, assim a ira do inimigo não alcançou a criança.

Por todos os anos e gerações essa ira do mundo contra a obra do Filho de Deus é real, na graça passamos perseguições, tribulações, enfrentamos a morte todos os dias, mas podemos dizer como o Ap. Paulo disse:

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl. 2.20)

O anúncio da chegada da graça – A Voz.

O anúncio da dispensação foi feito por um grande homem, segundo as palavras do próprio Mestre: “entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João” (Lc 7.28).

Um homem que de fato entendeu a mensagem que estava anunciando, e pela dimensão da mensagem soube se colocar em seu devido lugar, dizendo que aquele que estava chegando com a mensagem da graça era tão digno que ele nem ao menos poderia descalçar suas alparcas (Jo 1.27).

Ensinou para as multidões que a recepção do evangelho é reconhecer quem é Jesus: “é necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). E neste reconhecimento e sujeição está a salvação do crente.

Ao perguntar o povo se era um profeta, limitou-se a dizer que era “A VOZ” do que clama no deserto, para anunciar o caminho da graça que estava por chegar, e traria consigo poder para todo aquele que corrigisse seus caminhos em arrependimento para receber a salvação. (Jo. 1.23)

Isaías já tinha profetizado o que era necessário para receber a mensagem da graça, correção de caráter, humildade e sujeição, e que a “a voz do que clama no deserto” prepararia o caminho do arrependimento:

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será exaltado, e todo monte e todo outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda carne juntamente verá que foi a boca do Senhor que disse isso.” (Is 40.3-5)

Enquanto pregava, João viu Jesus vindo para ser batizado no meio da multidão, e disse para quem estava por perto: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), e disse ainda: “esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1.33).

A graça traz consigo as tentações, tribulações e os anúncios dos juízos de Deus.

AS TENTAÇÕES

Após ser batizado por João, o Senhor, para estabelecer a sua vitória sobre o Diabo, foi levado ao deserto a fim de ser tentado.

Jesus antes de ser tentado primeiro jejuou quarenta dias e quarenta noites, a fim de que seu corpo físico ficasse necessitado das necessidades humanas. (Mt 4.2)

O tentador primeiro tentou perverter o propósito de Cristo pelas necessidades humanas. Uma das razões de muitos caírem da graça, é por se render diante das privações, das adversidades financeiras. (Mt 4.3)

Porém, Jesus nos mostrou, que quando essas artimanhas do inimigo vierem contra nós, devemos confiar na provisão de Deus prometida para aqueles que permanecem fiéis à sua palavra. (v. 4; Dt. 8.1 e 6)

O Diabo com seu certo poder maligno, “transportou” o Senhor à Jerusalém e o colocou no pináculo do templo, e o tentou, mando se atirar dali, ainda utilizando-se de versículos da palavra de Deus (v. 6).

Jesus então nos mostra, novamente, que para resistir a essas ciladas de morte do inimigo, devemos estar fazendo a vontade que sai de Deus, e não ouvir nossa própria vontade que pode estar maculada pelas tentações do inimigo. Ensinando-nos que no tempo da graça teríamos sofrimentos e aflições, mas deveríamos confiar totalmente no Senhor e não tentá-lo a nos livrar de nossas dores, mas sim do mal (v. 7; Dt 6.16; Jo 17.15)

Mais uma vez o inimigo o transporta para um monte gigantesco, mostrando ao Senhor todos os reinos do mundo, que seriam lhe dados se prostrado a o adorasse. (v. 8-9)

Muitos temendo as aflições de ser crente, as dificuldades de andar com Deus, buscam ignorar as coisas espirituais e trocá-las por coisas vãs que não podem substituir a salvação, como as riquezas, as bebedices, as prostituições e fornicações, verdadeira luxúria, ilusões que estão a serviço do Diabo.

Jesus mais uma vez nos mostra que no tempo da graça, se somente adorarmos e servirmos ao Senhor nosso Deus, somos libertos de todas essas tentações e seremos dignos da salvação, assim teremos anjos que operarão ao nosso favor (v. 10-11; Hb. 1.14).

Nosso Mestre e Senhor nos apresentou as regras morais do Reino de Deus, ao contrário de todos os ensinos deste presente século, quando estamos na graça prosseguimos para a salvação na contramão do mundo.

COMO FUNCIONA A GRAÇA DE DEUS:

Tudo isso encontramos nas bem-aventuranças no capítulo 5 do evangelho de Mateus, são salvos os: pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça, os que são vítimas de injúrias, perseguições, mentiras, por serem servos de Cristo Jesus.

E ainda disse que, o mundo pode ver essas características com mal olhos, mas que devemos nos alegrar porque é grande o nosso galardão no céu (Mt 5.12).

AS TRIBULAÇÕES DO TEMPO DA GRAÇA

O Mestre amado, ainda, nos advertiu das tribulações do tempo da graça, às quais chamou “princípio das dores” (Mt 24.12-14).

No princípio das dores Jesus ensinou que o primeiro sinal seria a destruição do templo de Jerusalém, que ocorreu no ano 70 d.C. sob o Imperador Nero. (Mt 24.1-2)

Advertiu-nos, ainda, que devemos estar vigilantes neste tempo para que ninguém venha a nos enganar, porque muitos usariam o nome de “Cristão” para enganar os crentes no tempo da graça (Mt 24.4-5).

Jesus nos avisou que haveriam guerras e rumores de guerras, mas que não nos assustássemos, pois ainda não seria o fim. (v. 6)

Anunciou que se levantaria nação contra nação e reino contra reino, e haveria fome, pestes e terremotos em vários lugares. (v. 7)

E que mais próximo ao fim, seríamos entregues para tormentos e mortes, e seríamos odiados por causa do nome de Jesus. E por essas aflições, haveria no meio dos próprios “crentes” traições e aborrecimentos (v. 9-10)

Avisou-nos, também, que surgiriam falsos profetas, enganadores, desprovidos da aliança com o Senhor para este século, deixariam de pregar o verdadeiro evangelho. (v. 11)

Alertou-nos de que a o genuíno amor ensinado por Ele esfriaria, em razão da ausência de equilíbrio (equidade) no coração dos homens. (v. 12)

Porém, nos deu a mais viva esperança de que se perseverarmos até o fim seremos salvos (v. 13).

E para que se cumpra o tempo da graça para a Igreja, o evangelho seria pregado em todo o mundo, em testemunhos entre todos os povos, e então virá o fim. (v. 14).

Para passarmos por tudo isso no presente século, temos que estar firmados com o Senhor Jesus Cristo, pois Ele nos prometeu que estaria conosco até a consumação desta dispensação (Mt 28.19-20).

“[…] Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém” (Mt. 28.20b)

Próxima aula: A dispensação da graça – parte 3

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