Dispensação da graça – parte 3

O recebimento do evangelho da graça pelos pecadores e a consumação da graça na morte e ressurreição de Jesus Cristo, a promessa recebida e a viva esperança na segunda vinda, na dispensação da graça.

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Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

A graça traz consigo a operação do sobrenatural

Quando Jesus entra na sinagoga em Nazaré, cheio do Espírito, em Lucas capítulo 4, ao abrir o Livro do profeta Isaías (61.1), o Senhor deixou claro que havia chegado a hora do Reino de Deus agir entre os homens com poder sobrenatural.

Pelo que disse: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.” Lucas 4:18-21.

Ao anunciar para o que veio, nosso Senhor passou então a operar milagres no meio de todo o povo. Ensinando todas as coisas pelas quais havia de resgatar a alma do homem do pecado, ainda suas palavras eram nutridas com a expressão de poder.

Não há como dissociar a operação da salvação (remissão/perdão dos pecados) da obra sobrenatural do Senhor Jesus no tempo da graça.

Nós não recebemos ou vivemos milagres para ser salvos, mas nós vivemos milagres porque somos salvos, cremos no Senhor Jesus e podemos experimentar do que é viver diante dEle no tempo da graça.

Jesus disse que no tempo da graça haveria fome, pestes, guerras, enfermidades, terremotos, dentre muitas outras coisas. Porém, nós que somos salvos e cremos no Senhor vivemos os milagres, da providência, da cura, da ressurreição, do livramento nos dias maus.

Um exemplo disso é a passagem de Lucas 5:17-26, onde o evangelista diz que Jesus ainda estava na Galileia e estava sobre Ele virtude do Senhor para curar. Os fariseus e escribas estavam de olho no que Jesus estava fazendo, quando passaram um homem paralítico pelo telhado, diante de Jesus.

O Senhor apenas olhou para aquele homem e disse: “os teus pecados estão perdoados”. Isso significa que a operação da salvação não é menor do que o poder de operar milagres, muito menos que ela deve vir depois do milagre.

Os escribas e fariseus, então, começam a murmurar contra a atitude do Mestre Amado, quando Jesus percebendo lhes pergunta: “Qual é mais fácil? Dizer: Os teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda?”.

Jesus está dizendo: o que dentre isso é mais privilegiado, a salvação ou o milagre na vida de um homem. Porém, o que é físico e mortal parece mais fácil aos nossos olhos do que o que é espiritual.

Jesus para demonstrar que a graça opera espiritual e fisicamente lhes diz: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), eu te digo: Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa”. E o paralítico foi-se, tomou sua cama e foi para casa glorificando a Deus.

Aquele que possui a fé salvadora em Cristo Jesus no tempo da graça, vive milagres. A multidão pode estar envolta aos juízos do princípio das dores que, sem a vida do Filho de Deus só traz mesmo dores e transtornos, mas quem está em Jesus neste tempo é agraciado pelos maiores milagres.

Assim como no ministério do Senhor Jesus, o evangelho, o Caminho da graça, foi demonstrado com poder e milagres sobre aqueles que iam crendo pela fé que Jesus Cristo era o Filho de Deus, assim nós quando cremos neste tempo somos alcançados pelos milagres.

Leia também: A dispensação da Graça – Parte 1 – Parte 2

A graça traz consigo as boas obras da salvação – mudança de caráter e de vida

Além dos milagres operados na vida daquele que está firme com Jesus no tempo da graça, também a regeneração, a transformação, a mudança de vida resultante da obra salvadora gera as boas obras.

Jesus sempre que operava os milagres na vida daquele que cria em seu Glorioso Nome, enfatizava a necessidade de perseverar na fé, abandonando as atitudes pecaminosas, pois elas fazem com que as mazelas retornem ainda piores.

Nosso Senhor disse ao paralítico do tanque de Betesda, logo quando foi curado e foi adorar no templo: “Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” João 5:14.

A Lei informava aos homens o que era desagradável ao Senhor, dentre os dez mandamentos, por exemplo, condições que fazem o homem entender e se aproximar de Deus.

Contudo, ainda que se cumpram os mandamentos e os profetas, se não houver uma total mudança de caráter e de vida, através da vida do Senhor Jesus, não é possível ao homem achegar-se a Deus.

Jesus é a plaina, que aparelha nossa vida, vai tirando nossas manchas, nossos defeitos, nossas irregularidades. Não conseguimos fazer isso por nós mesmos. É necessário passarmos pelo processo do Senhor Jesus, e em seguida andar nas boas obras de salvação que nos foram preparadas.

O Apóstolo Paulo escreveu em Efésios 2.10: “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:10

Não adianta ler a Bíblia inteira, decorar o texto inteiro, sem andar como Jesus andou, sem repetir e imitar os comportamentos do Senhor Jesus.

Muitos neste tempo da graça tem imitado o mundo, o senso comum, a multidão e tem se esquecido de andar com Jesus.

Não é na exaltação dos discursos humanos que podemos ouvir a Cristo e andar nos caminhos que Ele preparou, mas em oração, na meditação da palavra e na comunhão do Espírito.

Se vivemos como a multidão vive, estamos em sentido oposto a como o Senhor Jesus viveu. Pois logo quando foi anunciado que era um caminho árduo, muitas vezes solitário, muitos deixaram de segui-lo (João 6.66).

A multidão queria segui-lo pela bonança, pela boa vida, pelos milagres, pela comida, pela boa vivência na terra. Ao que Jesus anunciou: “seus pais comeram o maná e morreram”. Ou seja, não é o que temos de bom na terra que nos fará ganhar o céu! Mas sim Jesus, o pão vivo que desceu do céu.

Devemos crer, e imitar o nosso Senhor neste tempo da graça, só assim seremos dignos do céu.

A consumação da graça na cruz do Calvário

Após um ministério de remissão de pecados, curas e transformação de caráter daqueles que criam no Senhor Jesus. Chegou o momento, a hora em que era necessário que a graça fosse consumada.

É necessário sabermos que não haveria graça sem a morte do Filho de Deus.

A salvação pelo sacrifício do Filho de Deus significa a nossa esperança única para todos os males que passamos nesta vida terrena, peregrina e mui breve que temos.

O Senhor Jesus esteve entre nós para nos mostrar que Ele era homem.

Como homem teve todas as nossas emoções humanas, boas e ruins: teve fome (Mt 4.2), teve sede (Jo 19.28), foi rejeitado pelos seus (Jo 4.28-29), foi ameaçado de morte pelos do seu povo (Mt 26.3-4), foi traído pelo seu amigo, foi denunciado ao templo por quem partia o pão consigo (Mt 26.50), teve angústias de morte (Mt 26.38), foi espancado, chicoteado, cuspido, humilhado (Mc 15.16-20), morto sob entrega voluntária de seu espírito (Lc 23.46)…

Portanto, passou por tudo o que há de ruim que podemos passar nesta vida… “Mesmo sendo Deus” (Fp 2.6; Jo 1.1)… E este é o ponto principal da mensagem da graça: Sendo Deus, nos mostrou o caminho da vitória, que é suportar até o fim as aflições e angústias, confiando nEle até quando o Senhor Deus nos permitir.

Na graça encontramos a esperança na vitória que é a herança da vida eterna:

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16:33

A ressurreição como prova da eficácia da graça sobre todos os homens

A ressurreição de Jesus ao terceiro dia é a prova da nossa viva esperança, é o fiel testemunho e esperança do crente diante das adversidades.

Para aquele que realmente creu e entendeu a Mensagem da Cruz, a ressurreição nos mostra no tempo da graça que nós não temos escolha.

Em Jesus está a única chance de termos vida, pois a vida terrena é apenas uma sombra da eternidade, mas a vida eterna é a verdadeira vida que está preparada para nós, por sua promessa (1 Jo 2.25).

O evangelho se tornou real na vida dos discípulos após a ressurreição.

Após a morte todos se dispersaram, alguns foram para suas aldeias (Lc 24:13-35).

Outros voltaram para as suas antigas profissões (Jo 21.3-23).

 Mas quando Jesus ressuscitado se aproximou deles e lhes disse: “ficai em Jerusalém, se encham do poder e cumpram o que anunciem o que vos ensinei” (Lc 24.49; At 1.7-8), a história da humanidade nunca mais foi a mesma.

A promessa que nos acompanha durante a graça

“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.” João 16:7

Para a Igreja estar orientada no Senhor, edificada e consolada no tempo da graça o Senhor Jesus nos prometeu o Espírito Santo.

O Espírito Santo é o sinal da vida da Igreja e a plenitude do crente nos momentos difíceis. Ser cheio do Espírito Santo é estar anestesiado de glória em meio às adversidades deste mundo.

O Espírito Santo nos traz:

Certeza da salvação

“O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” João 14:17

Edificação e consolo

“aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14:26

Anuncia a esperança na Segunda Vinda do Senhor

“E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.” Apocalipse 22:17

Poder para testificar

“recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.” Atos 1:8

Dons espirituais

“há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1 Co 12.4,7)

A lembrança do juízo da dispensação

“quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” João 16:7,8

O Juízo da Grande Tribulação só será possível com a subida do Espírito Santo

“E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado;” 2 Tessalonicenses 2:6,7

Próxima aula: O fim da dispensação da Graça: A Grande Tribulação

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