Dispensação da Graça – A Grande Tribulação

O juízo que encerra a presente dispensação será composto de um período de sete anos de dor e aflição para o mundo que rejeitou a graça da salvação no Filho de Deus. A Igreja não sofrerá as dores da Grande Tribulação, pois será arrebatada. E para os que ficarem terá salvação?

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

Um período de dor

É o título atribuído a este período pelo saudoso Pr. Severino Pedro da Silva em seu livro “Escatologia – Doutrina das Últimas Coisas” lançado pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) há mais de trinta anos (em 1988).

Realmente a Palavra de Deus nos ensina que este período será um período de aflições que o mundo nunca viu. Antes deste período, conforme vimos na segunda parte sobre a dispensação da graça, a própria dispensação é envolta em ocorrências dramáticas, chamada de “princípio das dores”, que indica um aumento na angústia do mundo até a chegada deste período de grande aflição.

Jesus disse:

“Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”

Marcos 13.19

Porém, antes de falarmos sobre a Grande Tribulação, devemos entender um ponto importante: a Igreja não estará aqui, a Igreja será arrebatada pelo Senhor, pois o Espírito Santo será tirado deste mundo para que se manifeste o homem do pecado (o Anticristo).

O Arrebatamento da Igreja – o anúncio ao mundo do juízo da dispensação da graça

É viva esperança de que Cristo Jesus voltará para buscar a sua Igreja. Os sinais prometidos por Jesus que se agravariam enquanto fosse chegando o tempo do fim, conforme já vimos, o chamado “princípio das dores” (Mateus 24), estão se cumprindo dia após dia no mundo.

Por isso nós aguardamos o arrebatamento da Igreja, o maior acontecimento em toda a história das profecias bíblicas e da humanidade.

Arrebatamento, do grego “harpazo” e do latim “rapto”, significa retirada brusca, sobrenatural e inesperada da Igreja deste mundo, para se encontrar com Jesus nos ares.

O vocábulo “rapto” mostra claramente a rapidez e a precisão com que Cristo arrebatará a Igreja ao toque da última trombeta (1 Ts. 4:17).

O Espírito Santo entregará a Igreja a Cristo Jesus. Temos que entender que o Espírito Santo é o agente da salvação (Jo 16:8). Portanto, quando o Espírito desceu em Atos 2, veio consolidar a obra do Senhor pela sua morada e habitação com aqueles que aceitaram ao Senhor Jesus como Rei e Senhor (1 Co 3.16).

O Espírito Santo é que ressuscitará os mortos em Cristo Jesus e elevará a Igreja no arrebatamento (Romanos 8:11).

 Iremos falar mais sobre o arrebatamento quando trabalharmos a escatologia, o que nos interessa aqui no momento é sabermos que o Senhor não deixará seu povo passar pela Grande Tribulação, pois é um tempo de maldição, de ira de Deus e a Igreja estará guardada em amor (Ap 3.10).

Devemos saber que será arrebatado aquele que vencer os males da presente dispensação em Jesus Cristo: os santos (I Ts. 3:12-13, Tt. 2:12-13); os fiéis (Hb. 10:25; I Co. 11:23; I Jo. 2:28); os salvos vivos (Hb. 9:28; I Ts. 1:10); os pacientes (Tg. 5:8); os vigilantes (Lc. 21:26); os mortos em Cristo (I Co. 15:22-23 e 52).

Após este anúncio ao mundo de que os santos e fiéis do Senhor foram retirados do mundo, será manifestado o homem do pecado, não mais detido pelo Espírito, pois terá subido com a Igreja (I Ts 2:6,7).

O que acontecerá depois do arrebatamento

Logo após o arrebatamento da Igreja se desencadeará um período sombrio de sofrimento sobre a humanidade que os escritores tanto do Antigo Testamento como do Novo Testamento, denominam de “Grande Tribulação” (não confundir com Juízo Final).

A palavra “tribulação” ocorre por dezenas de vezes, em ambos os Testamentos, porém é no Novo Testamento que encontra-se maior luz projetada sobre o problema do sofrimento e da tristeza do homem.

O termo grego para esta palavra é “thilipsis”, que em outras partes do texto bíblico é traduzido como “aflição”, “angústia”, etc. No Antigo testamento este período final da dispensação foi chamado por profecia de “Angústia de Jacó” (Jr 30:7).

Os acontecimentos que se sucederão durante este período de angústia sem precedentes na história da humanidade foram revelados ao apóstolo João na Ilha de Patmos, e estão descritos nos capítulos 6 a 19 do livro do Apocalipse.

Duração

A duração deste período de dor extrema ao mundo será de “sete anos”, e é calculado pelo estudo da passagem de Daniel 9.24-27 e de outras passagens similares.

As principais circunstâncias da Grande Tribulação são:

  • O reinado cruel do Anticristo – “a Besta que subiu do mar” (Ap 13.1 e seguintes).
  • A atividade de Satanás, tendo grande ira, e agindo numa escala se extrema destruição (Ap 12.12 e seguintes).
  • A grande atividade dos demônios emergidos do “poço do abismo” (Ap 9.1 e seguintes).

Tudo isso ocorrerá de forma abrupta, quando houver um falso sentimento de estabilidade e paz, de segurança financeira e comercial no mundo, quando disserem:

“Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão”

1 Ts 5.3b

Este tempo virá como um fogo abrasador. Será um dia (entenda-se: tempo) de angústia e de aflição sem igual, será o dia da “… vingança do nosso Deus” ao mundo que rejeitou e desprezou a salvação em seu Filho Amado (Lucas 21:22).

Será um juízo de ira

“E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo servo, e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas. E diziam aos montes e aos rochedos: Cai sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro. Porque é vindo o grande dia da sua ira…

Ap 6:15-17b

Esses termos se repetem em muitos pontos da Palavra de Deus e por isso é chamada a atenção de João Batista para que não esqueçamos que este dia é certo e os ímpios não poderão fugir dele (Mt 3.7).

A ira divida foi retratada em outros pontos da Bíblia como “ira natural”. Como uma raiva descarregada em casa, na intimidade como repreensão entre pai e filho (Ex. 4.14).

Contudo, a ira da Grande Tribulação é (e vai) muito além de uma simples repreensão e desgosto, como é exercida no momento da graça antes do arrebatamento, e o Pr. Severino Pedro da Silva destacou três motivos para isso:

  • Primeiro: a ira antes do arrebatamento, chamada ira natural, vista no contexto paterno, Deus se ira, castiga, mas não destrói, pois o objetivo é a conversão a mudança de comportamento.
  • Segundo: a ira manifesta visando estritamente uma punição é direcionada contra as nações (Is 10:25; 13.3; Jr 50:13; Ez 30:15; Mq 5.14). Visto que abandonaram as verdades de Deus e se tornaram ímpios (homens sem Deus). Esta ira não cai sem advertência prévia, há sempre um aviso (Jr 7.20). Esta ira vem em forma de julgamento sobre nações, enviando guerras, fome, pestilência (Ez. 6.11 e seguintes). Porém esta ira dura só “um momento” (cf. Sl 30.6; Is 26:20; 54:7).
  • Terceiro: o verdadeiro estado de ira, como o mundo nunca viu, é a declarada no Novo Testamento como “Ira Futura” (1 Ts 1.10), esta somente o ímpio a sofrerá. É chamada de “cólera de Deus” (Ap 14.19) e “taças da ira de Deus” (Ap 15.7; 16.1).

Desta última, o Apóstolo Paulo tranquiliza a Igreja: “Jesus… nos livra da ira futura” (1 Ts 1.1.).

Se não houver preparação em Jesus, real, para a eternidade, ninguém poderá escapar desta profecia “… indignação e ira aos que são contenciosos, e desobedientes à verdade…” (Rm 2.8).

A Igreja não passará pela grande tribulação

Esta verdade está estabelecida em Apocalipse 3.10 como vimos acima. Porém é necessário destacarmos que neste versículo, se Deus quisesse dizer o contrário, estaria escrito “…eu te guardarei na hora da tentação” e não como está escrito “… eu te guardarei da hora da tentação”, portanto não estaremos aqui.

Como houve livramento para aqueles que andavam com Deus nas demais dispensações, aqui neste juízo da dispensação da graça também haverá livramento como foi dado a Noé na Arca do dilúvio, a Ló quando foi-lhe permitido sair de Sodoma, e ainda ao livramento do povo de Israel no Êxodo das aflições do Egito.

Um último ponto a ser abordado que deixa muitos com dúvida: mas já será o fim da graça? Ou a Grande Tribulação será no tempo da graça?

Como fora dito desde o início desse grande estudo sobre as dispensações, o juízo termina uma dispensação, portanto, ele ocorre no período de transição de uma dispensação para outra, não sendo a graça a última dispensação.

Portanto:

Haverá salvação durante a Grande Tribulação

Nas palavras do Pr. Severino Pedro da Silva, a resposta é:

“… Claro, portanto, que haverá santos de Deus durante o período crítico desse sofrimento, porém, não serão “membros do Corpo de Cristo” (a Igreja da Graça), pois este é constituído por aquele grupo que pertenceu [à Igreja durante] a Dispensação da Graça. Serão crentes individuais [convertidos na tribulação], como nos tempos do Antigo Testamento e, mediante dois dispositivos (o sangue e a fé), serão capazes de testemunhar acerca de Cristo e de sua Redenção. Participarão do reino e gozarão das bênçãos do Senhor, de maneira maravilhosa, mas não serão incluídos no Corpo de Cristo, o qual ocupa um lugar bem distinto através de toda a eternidade”

(pp. 71)

Essa conclusão tão assertiva é feita a partir da análise do texto de Apocalipse capítulo 7 versículo 9 e seguintes que demonstra uma vasta multidão que diz ter “vindo da Grande Tribulação”, de todas as nações e tribos e povos e línguas.

Não sendo nem Israel e nem a Igreja, que tem seu papel bem distinto biblicamente nestes períodos finais.

Se trata de uma população que sofreu a tirania do Anticristo na Grande Tribulação e que agora no céu clama por “salvação a Deus e ao Cordeiro” (Ap 6.9-11).

Ao abordar este fato continua ensinando o Pr. Severino:

“[…] durante o tempo da Dispensação da Graça (antes do arrebatamento da Igreja), a salvação era analisada a posteriori [para o futuro]…. o pecador arrependido partia de uma premissa menor (o arrependimento) para uma premissa maior (o aperfeiçoamento) chegado até sua glorificação. Porém, segundo se depreende, com o arrebatamento da Igreja, essa fórmula inverte seu padrão”

(pp. 72)

Assim, segundo Scofield: “[…] mesmo fora da Dispensação da Graça, pode haver salvação, mas sempre baseada na morte expiatória de Cristo. A Justiça de Deus se exerceu sobre o Cordeiro, e só através da cruz pode o homem, em qualquer circunstâncias alcançar o perdão”.

Porém como diz a Palavra, aqueles que forem salvos no período da Grande Tribulação serão excluídos da próxima dispensação: O Reinado Glorioso com Cristo no Milênio:

“Bem-aventurados e santos os que tomam parte da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder algum sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com Ele pelo período de mil anos. A destruição total de Satanás”

Apocalipse 20.6

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