A Dispensação do Milênio e O Juízo Final

dispensação do milênio

A dispensação do milênio, também chamada de dispensação do Reino de Jesus Cristo sobre a terra será um tempo de prosperidade, paz, união entre os homens, em que mortais e imortais (Igreja transformada), reinarão com o Senhor Jesus, mostrando ao mundo o que é a justiça, o amor, a harmonia e os propósitos de Deus para a humanidade desde o princípio.

Início, duração e término da dispensação

“Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.”

Apocalipse 10:7

Esta dispensação terá, de acordo com as Escrituras Sagradas, a duração de 1.000 anos (Ef. 9,10; Ap 10.7; 11.15; 20.1-60).

É também chamada de dispensação de plenitude (completude) dos tempos, ou consumação dos séculos (literalmente: em que o tempo humano se findará).

É para esta dispensação que se destinam dos os acontecimentos humanos, é para onde convergem todos os tempos, alianças e profecias Bíblicas, que, no decorrer dos séculos, foram profetizadas pelos profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Senhor Jesus.

Como ensinou o Pr. Severino Pedro da Silva, todas as dispensações podem ser chamadas de “Reino de Deus”, porém o milênio será um reinado glorioso e específico.

“O Reino de Deus é universal, incluindo todas as criaturas voluntariamente sujeitas à sua vontade, sejam os anjos, a Igreja, ou os santos do passado, do presente e do futuro, todas as dispensações da história humana podem ser apropriadamente chamadas dispensações do Reino de Deus.”

Propósitos da dispensação do Reino Milenar do Senhor Jesus entre os homens

A dispensação do milênio é também chamada de “a dispensação do governo divino”, visto que durante este tempo Deus estabelecerá seu governo teocrático na terra.

Por isso, esta última dispensação, que é a “juntura” do presente século e do vindouro, fornece para os estudantes da Bíblia um nítido exemplo de sobreposição das dispensações, ou seja, um “período” de transição entre uma e outra.

No livro chamado “Um Estudo do Milênio” (1982) de Millard J. Erickson, podemos observar que a chegada do milênio não será em um tempo de tranquilidade e paz como pode alguém desavisado imaginar:

“As suas fronteiras não são bem demarcadas. Assim vemos que certos prenúncios do Milênio apresentam-se pelo menos sete anos antes, servindo de introdução a este período”

Isso porque o Reino Milenar do Senhor Jesus sucederá o período da Grande Tribulação, quando, após vencer a trindade satânica (besta – dragão, – a prostituta e o falso profeta), e julgar as nações (Dn 12.11-13; Mt 25.31 e ss), será entronizado na cidade de Jerusalém e dali governará todo o mundo.

Vamos entender os propósitos e razões bíblicas para a necessidade de que Jesus venha consumar os séculos dos homens com um reinado terreno de mil anos (10 séculos).

Jesus disse: “… eis que estou convosco até a consumação dos séculos” (Mt ).

Um Reino Universal e Milenar

Apocalipse 20.4b diz “… e reinarão com Cristo durante mil anos”.

Como dito, o Milênio é a sétima e última dispensação (Is 2.2; Mt 19.28), no capítulo 20 de Apocalipse encontramos por seis vezes a expressão “mil anos”.

Será um futuro governo sobre a terra, exercido pelo “Príncipe da Paz”, na cidade de Jerusalém que será o centro de adoração para todos os povos e a Capital política e religiosa de todo o mundo (Jr 3.17; Zc 14.14-21).

Portanto, não será um governo local ou nacional, mas sim universal.

Um período de restauração para todas as coisas

Todas as coisas destruídas e corrompidas pelo poder das trevas sob o qual está o domínio do mundo serão restauradas. (1 Jo 5.19)

Mas para isso Satanás será preso e desterrado (retirado de qualquer influência sobre a terra), será detido com grande poder pelo arcanjo Miguel e lançado no abismo (Ap 20.1,2).

A interpretação deste fato deve ser feita literalmente, pois o apóstolo Paulo citou uma batalha diária e real que enfrentamos contra as influências do Diabo (Ef 6.12), não será possível um governo pleno de paz e justiça sobre os homens com o inimigo de Deus e dos homens à solta.

Em Apocalipse 20 versículo 4 diz que além da chave e corrente, haverá um “selo” posto sobre Satanás que o impedirá de qualquer movimento ou ação maléfica no Reino de Cristo.

Assim, sem as influências de Satanás (como ocorreu no Éden), as condições espirituais serão restauradas e serão favoráveis aos governados pelo Grande Rei do Universo.

Haverá o cumprimento pleno das profecias de Joel 2.28,29, quando o Espírito Santo será derramado sobre Israel e sobre todas as nações do mundo (Ez 36.25-27; Zc 12.10).

“… Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (Is 11.9b, Zc 8.22,23).

Será um período de prova final e não de descanso para o homem

O homem será provado em sua própria natureza, sem as influências malignas de Satanás. Será provado nas condições favoráveis, sem ter em quem colocar a culpa pelo seu erro. (At 3.21)

É a prova na melhor de suas circunstâncias, de natureza profundamente pessoal (Ez 18), visto que estará imperando a justiça, um mundo transformado, o céu aberto aos homens, Cristo na terra, e todas as nações cheias da plenitude de Deus, e ainda a lembrança dos graves juízos passados e a certeza do juízo final futuro.

Mudanças na terra durante o Reino de Cristo

A maldição do pecado será tirada: “… maldita é a terra” (Gênesis 3.17).

Durante esta dispensação será removida a maldição do pecado causada pela queda (Is 55.13). Toda a estrutura da terra, a natureza, os animais, serão profundamente modificados em razão do retorno de Cristo com glória e poder para governar.

Os grandes rios e mares impossíveis de afogar

Isaías profetizou que os rios e os mananciais surgirão até nos “cumes das montanhas” (Is 35.7; 41.8), o que revela abundância de vida e paz na natureza, até mesmo a profundidade será removida para que não haja mortes por afogamento (Is 11.15; Ap 16.12), um rio de grandes proporções atingirá uma profundidade de “5 centímetros”, haverão “espelhos d’água”, em uma extensão de 500 metros de largura (cf. Ez 47.3).

Haverá o surgimento de um grande “Rio milenar” (Ez 47.1-12; Zc 14.8). O leito deste rio será criado no momento em que Jesus tocar com seus pés sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4 e ss). E este rio nascerá debaixo da casa do Senhor (o Palácio do Governo Milenar), do lado direito do Santuário (Ez 47.1; Zc 14.8).

A paz entre os homens e os animais

Com o mal causado pelo pecado o reino animal sofreu alterações. O homem na dispensação da inocência podia conviver com todos os animais, sendo não só obedecido por eles, mas com eles se relacionava socialmente (não há outra explicação honesta para o contato aparentemente natural da mulher com a serpente), lembremos que não havia “linguagem” para comunicação social, que só passaria a existir, após o fato de Babel, na dispensação das relações humanas (do governo humano).

Após o pecado houve uma inversão no comportamento animal, os homens e os animais tornaram-se presa e predador entre si (Gn 9.13; Jz 14.5; Ez 14.21). Assim, o Reino Milenar levará os animais à sua condição primeira (Is 11.6 e ss).

Os homens nascerão, servirão ao Senhor e morrerão de extensa velhice

Haverão duas classes de pessoas: as mortais (que venceram a Grande Tribulação e aceitaram ao Senhor – como o povo de Israel) e as imortais (os ressuscitados e glorificados – a Igreja arrebatada), que reinará junto com o Senhor Jesus.

Os que morreram na Grande Tribulação e aqueles que sobreviveram à tribulação não participarão do reino, mas serão governados pelo Senhor Jesus e os salvos glorificados que governarão com Ele.

Porém os anos morrerão fartos de dias, assim como no princípio, alguns, a exemplo de Adão e Matusalém, chegarão próximo a um milênio de idade. Serão os dias do homem “… como os dias da árvore” (Is 65.22).

A adolescência irá até os 100 anos (Is 65.20), apenas o pecador será amaldiçoado e morrerá mais cedo (Is 65.20).

Lembre-mos que, apenas não haverá mais morte no novo céu e na nova terra (Ap 21).

Como está escrito:

“Assim diz o Senhor Jeová: Ainda por isso me pedirá a casa de Israel, que lho faça: multiplicar-lhe-ei os homens, como a um rebanho. Como rebanho santificado, como o rebanho de Jerusalém nas suas solenidades, assim as cidades desertas se encherão de famílias; e saberão que eu sou o Senhor”

Ez 36.37,38

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda nas praças de Jerusalém habitarão velhos e velhas, levando cada um na mão o seu bordão, por causa da sua muita idade. E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão”

Zc 8.4,5

A saúde dos homens será também modificada, como afirma o profeta Isaías “Morador nenhum dirá: Enfermo estou” (Is 33.24a).

Defeitos físicos serão corrigidos. “… Os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos ser abrirão. Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará…” (Is 35.5,6; Zc 13.1).

Igualmente as doenças psicossomáticas e perturbações mentais serão extintas (Is 65.23).

O Juízo Final

Chegará o tempo da consumação dos séculos. Após os 1.000 anos o Senhor Jesus devolverá o Reino ao Pai, para a segunda ressurreição, onde todos os homens e mulheres se apresentarão diante do grande trono branco para serem julgados. (Ap 20.11)

É um “trono isolado” do céu e da terra. Não aparecerão nem anjos ou quaisquer seres celestiais. Todos os olhos estarão fitos no trono e no julgamento.

O trono branco revela a pureza e a santidade do Senhor e o critério pelo qual serão julgados os homens: Justiça! Castigo! Purificação! Retribuição! É o Juízo Final!

A Palavra diz que “justiça e juízo são a base do seu trono” (Sl 97.2b)

Duas classes de seres ali estarão presentes e serão julgados perante aquele grande trono:

“… Os grandes” (os anjos caídos) – (2 Pd 2.4; Jd v 6).

“… Os pequenos” (os homens sem Deus) – (Sl 8.5; Hb 9.27).

O julgamento será individual, conforme o versículo 13 de Apocalipse 20: “… e foram julgados ‘cada um’ segundo as suas obras”.

Notadamente, aqueles que a Bíblica afirma que comparecerão diante do Trono de Deus e que os “nomes se encontram no livro da vida”, não fazem parte da Igreja, mas sim aqueles que precisam ser julgados para compor o Reino Eterno, ou seja, aqueles que morreram na Grande Tribulação e aceitaram ao Senhor Jesus e aqueles que morreram durante o Reino Milenar e foram fiéis ao Rei Jesus, e quando Satanás se rebelou pela última vez não o acompanharam.

Ainda, serão julgados ali aqueles que ouviram a pregação de Jonas e a Rainha de Sabá (Lc 11:30-32), visto que se converteram sem terem remetido seus pecados à cruz pela aspersão de sangue, farão parte do julgamento da segunda ressurreição, dentre os que rejeitaram ao Senhor, para os condenar (envergonhar).

Após o julgamento, só terão permissão para entrar na Jerusalém Celeste aquele que tiver com nome inscrito no livro da vida do Cordeiro (Ap 20.15), que é o livro que dá admissão ao mundo eterno.

Este livro contém a compaixão do Senhor, pois nEle exclusivamente está escrito o nome de ex-pecadores. Está aberto a todos, porém ainda muitos desprezam.

Será que temos nossos nomes escritos lá?

Se ainda há dúvidas, venha o mais depressa possível, pois “Ainda há lugar!” (Mt 11.28; Ap 22.17). Pois o Juízo de Deus vem, quando aquele que não for achado escrito no livro da vida, será lançado no Lago de Fogo (Ap 20.15).

Encerro nosso estudo sobre o dispensacionalismo com as saudosas palavras do grande ensinador Pr. Severino Pedro da Silva:

“O Reino dos Céus se tornará o Reino de Deus quando Cristo entregar o Reino a Deus, o Pai (1 Co 15.24,25). Por isso convém que Ele reine! Assim no toque da sétima trombeta, o Reino dos Céus, representado pelo Milênio, entrará na terra com poder e grande glória e depois do Juízo Final converter-se-á no Reino Eterno de Deus para todo o sempre”

Autor: Rafael J. Dias

Pastor na Assembleia de Deus Ministério de Santos, advogado, escritor e ativista pelos direitos sociais. Formado em Direito pela Universidade Católica de Santos e em Teologia pelo IBAD. Especialista em Direito da Administração Pública pela Estácio. Pós-graduando em Liderança Pastoral pela FABAD.

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