Se eu falhar ele morre

“Se eu falhar, ele morre” (do inglês: “if i fail, he dies”). Quando li esta frase eu abri a imagem e reli novamente para ver se realmente era aquilo o que estava escrito. Fiquei intrigado, me senti provocado.

Precisamos de um serviço de saúde com o lema e o coração dos voluntários da Cruz Vermelha. Se não há orçamento público, trabalhamos com o coração.

Se eu falhar ele morre. Cruz vermelha.
Voluntários da Cruz Vermelha usando máscaras durante a pandemia de gripe de 1918. Ao fundo se lê o lema: “se eu falhar, ele morre” – “if i fail, he dies” (https://edition.cnn.com/2020/04/03/americas/flu-america-1918-masks-intl-hnk)

O que é a Cruz Vermelha?

Quando o serviço de saúde pública falha, a Cruz Vermelha e seus voluntários entram em ação com o lema: “Se eu falhar, ele morre”, referência à campanha voluntária ao atendimento dos feridos em combate na primeira guerra mundial.

Fundado em 1863 em Genebra, na Suíça (o símbolo da Cruz Vermelha são as cores invertidas da bandeira da Suíça), o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é uma associação sem fins lucrativos que possui mais de 97 milhões de voluntários mundialmente.

A Cruz Vermelha tem como característica básica ser um movimento humanitário, neutro e imparcial, sem qualquer vinculação a políticas de qualquer país do mundo.

Como objetivo primário visa: proteger a vida e a saúde humana e prevenir e aliviar o sofrimento humano, sem discriminação de nacionalidade, raça, sexo, religião, classe social ou opiniões políticas.

A atuação da Cruz Vermelha na gripe espanhola em 1918-1920

A Cruz Vermelha teve papel fundamental na primeira guerra mundial (1914-1918). Tendo sido a primeira grande atuação dos voluntários da organização. Enquanto países entravam em conflito, os voluntários entravam nos campos de batalha para dar atendimento para os feridos de ambos os lados do conflito. O símbolo na roupa branca dos voluntários garantia o trânsito dos livre e seguro.

Contudo, não foi o desespero da guerra que mais teria afetado e provado o coração dos voluntários da Cruz Vermelha, mas um inimigo invisível, que surgiu durante a guerra e foi levada a muitos países pelos próprios soldados que retornavam: a gripe espanhola.

A gripe espanhola infectou 500.000.000 (quinhentas milhões) de pessoas no mundo, gerando 50.000.000 (cinquenta milhões) de mortes durante dois anos inteiros.

A organização logo entrou em ação e seus voluntários foram enviados para diversos países, inclusive para o Brasil, durante o governo do então presidente Venceslau Braz.

A gripe espanhola no Brasil

Segundo a história (que sempre se repete), naquele tempo se viu o caos social sendo explorado pelos jornais, grupos políticos e insatisfação geral e crescente da população. Isso devido à demora na adoção de medidas sanitárias pelo governo de Venceslau Braz, que estava completamente despreparado e desaparelhado para combater a doença.

Segundo ensina Adriana da Costa Goulart, Mestre em história social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em artigo intitulado “Revisitando a espanhola: a gripe pandêmica de 1918 no Rio de Janeiro”:

“A escassez de verbas destinadas à saúde pública dificultava a implementação, o aparelhamento e a manutenção de instituições e projetos de saúde pública, contribuindo para a limitação dos socorros públicos durante a epidemia.”

Naquele cenário, a política nacional, a saúde pública nacional havia falhado miseravelmente. Nesse quadro, não importam as opiniões políticas, não interessam as discussões de administração pública ou atitudes eleitoreiras. Nada mais poderia ser feito.

Quem poderia ajudar o Brasil a enfrentar toda aquela pandemia, onde não havia mais esperança no serviço público? – A Cruz Vermelha.

Adriana da Costa Goulart descreve esse momento histórico da seguinte maneira:

“O atendimento da população acabou dependendo, na maior parte do tempo, da iniciativa das esferas privadas: igrejas, escolas, clubes e a Cruz Vermelha Brasileira.”

O COVID-19 no Brasil e a Cruz Vermelha

A história é também é contada no próprio site da CV brasileira na atual pandemia de conoravírus (COVID-19) divulgou boletim informativo relembrando os esforços pela saúde dos brasileiros durante a gripe espanhola. Deixando claro que, caso seja necessário, não negará esforços para atuação em escala nacional, nunca antes vista na história da instituição.

É maravilhoso sentir a energia do voluntariado da organização, que deixou bem claro para todos nós que estão empenhando seus esforços neste momento difícil:

“Estamos abrindo mão de nossos horários com a família, nossos finais de semana, nossas tarefas pessoais e de tudo que poderíamos estar fazendo neste período de quarentena, para ajudar o nosso povo, que tanto precisa de apoio nesse momento. É importante pedir muita calma, assim como atuamos incansavelmente durante a gripe espanhola, em 1918, o legado da instituição permanece até hoje, e assim como todas as outras pandemias, venceremos essa também.”

100 (cem) anos se passaram desde o fim da gripe espanhola, e mais uma vez o desafio é grande para os voluntários da Cruz Vermelha.

Certamente é para os voluntários que deveremos lançar os nossos olhos e nossas orações, pois o sistema político possui limites. Mas o coração de um verdadeiro voluntário é ilimitado ao ponto de se auto-responsabilizar pelas vidas dizendo: “Eu não posso falhar. Se eu falhar, ele morre”.

Lema da cruz vermelha: “Se eu falhar ele morre”

Se eu falhar ele morre. Cruz Vermelha.
Sociedade Histórica de Wisconsin, Stanislaus Aloisius Iciek, Arthur G. McCoy, If i fail he dies, ID 128879. Visualizado on-line em https://www.wisconsinhistory.org/Records/Image/IM128879

A foto em destaque deste post, – aquela com os enfermeiros com máscaras dando coletiva de imprensa na cidade de São Francisco/Califórnia, – foi a primeira vez que vi o lema da Cruz Vermelha. Utilizado na campanha voluntária da primeira guerra mundial e no combate à gripe espanhola nos EUA em 1918.

“Se eu falhar, ele morre” (do inglês: “if i fail, he dies”). Quando li esta frase eu abri a imagem e reli novamente para ver se realmente era aquilo o que estava escrito. Fiquei intrigado, me senti provocado.

O serviço era voluntário, não havia qualquer retorno financeiro, as famílias dos voluntários não sabiam se eles voltariam para casa com saúde. Ainda assim, eles simplesmente entendiam que falhar em serviço seria pior do que a morte.

Isso porque se alguém morresse não seria por culpa do vírus. Não seria por culpa da baixa imunidade. Nem seria por culpa dos chineses. Não: o próprio médico/enfermeiro se responsabilizaria voluntariamente pela morte.

Isso é amor de verdade.

É o tipo de missão de vida, de dedicação, de empenho pela saúde da população que não temos visto ultimamente. Se pessoas morrerem, significa que falhamos. Se muitos estão morrendo: SIM, a culpa é daqueles que estão na responsabilidade do cuidado com a saúde das pessoas.

Segundo este pensamento, um nível de responsabilização pessoal é exigido, mas para isto é preciso coragem. É preciso se humilhar e se responsabilizar por cada morte que esteja ocorrendo.

Em tempos de pandemia é necessário um coração de voluntário da Cruz Vermelha, um nível elevado de compromisso com a vida do outro para estar em um cargo de responsabilidade pública.

A responsabilidade pessoal pela vida do outro

O lema poderia ser coletivo, mas é individual: “Se eu falhar, ele morre”. Isso entra em completo contraste com a realidade política que vivemos.

A ausência de autocrítica, de auto-responsabilização, tem tornado a vida social um caos nas cidades do país. Não há mais compromisso público com a vida do outro, tudo gira em torno do ego e do poder.

Estamos presenciando declarações de desdém daqueles que gostaríamos que se responsabilizassem pelas perdas de familiares, de cidadãos que trabalharam pelo país. Situação muito distante da que precisamos em um momento tão difícil como este.

Nunca foi tão atual e necessário que revíssemos o papel daqueles que administram a coisa pública (República). É preciso valorizarmos daqueles que levam em alta estima a vida do outro sob os princípios da Cruz Vermelha: humanidade, isenção política e não discriminação.

Toda a vida importa. E nós somos responsáveis uns pela vida dos outros. Se continuarmos falhando, pessoas continuarão morrendo.

Pense consigo mesmo: você falhou? – Eu penso que falhei, não tendo escrito o que penso antes. Deixando de criar este espaço mais cedo para expor minhas ideias amparados em estudos.

Eu poderia ter salvado mais alguém do obscurantismo que, atualmente, está matando milhares no engodo do desdém pela vida humana.

Por que tantos crentes são facilmente enganados pelo sistema político mundial?

O primeiro passo para o “príncipe deste mundo” enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus (Mt 24.4-5), é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Fanatismo sempre é um comportamento equivocado, ainda que se ponha todo o empenho nas coisas de Deus, nem Ele se agrada de que façamos as coisas fanaticamente, sem raciocinar, sem pensar, sem criticar nossos próprios comportamentos. A autocrítica da nossa relação espiritual com Deus é um dever (Rm 12.1-2).

Atualmente há no sistema político global uma tendência a não pensar racionalmente, mas a colocar as emoções, os sentimentos, acima da razão para defender políticas e políticos que estão ensinando a prática do “não pensar”, e estão colocando até mesmo os filhos da luz em erro, como já havia alertado o nosso Senhor Jesus, que muitos viriam dizendo que seriam de “Cristo”, mas são mentirosos (Mt 24.4-5).

O sistema político é facilmente engendrado pelo diabo, pois ele é chamado de “príncipe deste mundo” e “deus deste século” (João 14.30; 2 Co 4.4), e desde o princípio é enganador e sabe seduzir os interesses dos homens para a prática da maldade, do desamor, do desprezo à vida do próximo.

Foi a força dos poderes malignos do sistema mundano que levou Jesus à crucificação: o sistema religioso judaico extremista (fariseus e saduceus), o governo local corrompido (herodiano), o povo alienado pelo sistema que gritou “crucifica-o”, e o poder político mundial representado por Roma, pela aplicação da pena romana da morte de cruz pela ordem do governador Pôncio Pilatos.

Mas como isso tudo acontece:

Satanás apresenta seu sistema mundano como se fosse a verdadeira religião

O primeiro passo para enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus, é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Não é por acaso que muitos estão sendo atraídos fanaticamente para a discussão política, chegando a lhes interessar mais do que ir à igreja, orar ou estudar a Bíblia.

Isso acontece por meio da grande influência exercida por homens em evidência, falsos apóstolos, que o Apóstolo Paulo chama de “obreiros fraudulentos”, que por estarem no palco da fama diante dos crentes, utilizam-se da influência para seus próprios interesses, e por esses desejos são usados para fazer a vontade de Satanás. (2 Co 11.13)

Mas não é motivo para se espantar, alertou o Apóstolo Paulo, pois assim é a prática do inimigo das nossas almas, ele vem sobre aquilo que aparenta ser normal, ser da parte do Senhor. Na verdade, estão transfigurados de homens de Deus, mas não são. Pois até Satanás se transfigura em “anjo de luz” (2 Co 11.14).

Assim, tal religião misturada com o sistema político é mostrada aos crentes sob o sutil disfarce da religiosidade que “aceita” a Deus e a seu Filho Jesus, mas que, na realidade, se opõe à verdade e, se necessário, persegue abertamente os crentes, basta que os crentes os corrija conforme a Palavra, e acontecerá como os profetas do antigo testamento, mortos pelo sistema (Lucas 13:34).

O engano exercido por este sistema político-religioso faz os cristãos pensarem que não há perigo em se aderir ao sistema mundial, ou os leva a se assustarem diante das perseguições, sendo isso também uma arma de controle, o terrorismo argumentativo de que: “estão massacrando a igreja, querem acabar com a igreja, se vocês não aderirem ao sistema, a igreja acabará”.

Mas não se abale, porque Deus olha para tudo isso e se ri, pois tudo isso foi profetizado por Jesus, o mundo terá seu fim com uma guerra político-religiosa, conforme revelado em Apocalipse 20.7-10, estando Deus no controle de todas as coisas, conforme Salmos 2.1-4:

“Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.” Salmos 2:1-4

Mas diante de tudo isso, o que fazer como cristãos vigilantes?

A consciência de que não fazemos parte deste mundo

Deve estar sempre presente em nossos corações e em nossas mentes a consciência de que não fazemos parte deste mundo, não podemos servir a dois senhores (Mt 6.24), nosso compromisso é fazer a vontade de Deus na pregação do evangelho e conservar a nossa esperança.

Jesus foi rejeitado pelo sistema político-religioso deste mundo, porque não era deste mundo (Jo 17.16). E assim como Ele não fazia parte em consciência de espírito, nós também não devemos fazer. A consciência deve estar desligada de depender das situações e circunstâncias políticas que nos cercam, essa foi a liberdade que Cristo nos deu.

Isso não quer dizer que não podemos trabalhar, orar, e manter a paz com os poderes políticos (Rm 13:1-3; 1 Tm 2.1-2).

Se trata de mantermos a “consciência” de que não fazemos parte do mundo, não agir como fanáticos, como se amássemos o mundo que será destruído pelo Senhor, pois quem ama o mundo não ama a Deus (1 Jo 2.15-16).

Podemos trabalhar com política, podemos fazer o bem, mas não podemos ter a consciência escravizada ao mundo, pois nossa missão não é politizar o mundo com a religião, mas levar a Jesus Cristo, que foi rejeitado pelos poderes mundanos, ao coração dos humildes que livremente o aceitarem, que precisam da libertação do cativeiro deste mundo.

Assim, devido a natureza do sistema implantado por Satanás, com sua perversa e implacável oposição ao Reino de Deus, é imprescindível que os cristãos se conscientizem de que não fazem parte do mundo.

Deus nos chamou para representarmos a Jesus Cristo no meio de uma sociedade pecadora. O sistema é, ao mesmo tempo, o inimigo e o campo missionário, por isso devemos manter a consciência e a racionalidade para pensarmos claramente nos mandamentos do Senhor para cumprirmos com exatidão a missão que nos foi proposta, para que sejamos a diferença no meio de uma geração corrompida.

O mundo está levando as pessoas a discutirem, a se odiarem, a contenderam em redes sociais, nas ruas, até mesmo dentro das igrejas, esse é o propósito de Satanás, mas se nós abrirmos os ouvidos espirituais para a vontade de Deus, saberemos bem o que devemos fazer.

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.” Filipenses 2:14-16

Ser conservador é ser de direita?

Ser conservador nos costumes não implica em estar no espectro político à direita ou à esquerda, visto que tais posicionamentos estão mais ligados a aspectos políticos e econômicos do que a costumes individuais e coletivos sociais, culturais e religiosos.

Isso quer dizer que, independente da própria cultura, religião e construção social, temos razões políticas e econômicas que não se referem a costumes, que podem nos colocar tanto à direita como à esquerda.

Não necessariamente ser conservador nos costumes implica em ser ideologicamente de direita ou de esquerda.

Ser conservador nos costumes não implica em estar no espectro político à direita ou à esquerda, visto que tais posicionamentos estão mais ligados a aspectos políticos e econômicos do que a costumes individuais e coletivos sociais, culturais e religiosos.

Isso quer dizer que, independente da própria cultura, religião e construção social, temos razões políticas e econômicas que não se referem a costumes, que podem nos colocar tanto à direita como à esquerda.

Sejamos mais claros:

Eu posso ter minhas questões sociais, como meu trabalho, educação e minha saúde, minha religião evangélica, gostar de cinema e de arte (dimensão cultural), ser completamente contra o casamento homossexual por questões religiosas e sociais (conservador nos costumes) e ainda assim não ser de direita em razão dos aspectos econômicos e políticos não serem do meu agrado.

Para entender bem isto, devemos verificar como referida divisão ideológica (esquerda x direita) se originou e como percebemos que ser de direita não tem completamente nada a ver com ser conservador nos costumes, que é dever de todo cristão, seja de esquerda ou de direita.

A atual acepção da palavra “ideologia” foi criada pelo filósofo francês Destutt de Tracy, no final do século XVIII, na época da Revolução Francesa, que abalou o cenário político global dando o passo inicial para a participação popular no governo, a partir do brocardo “liberdade, igualdade e fraternidade”.

O objetivo era que a participação popular na política se desenvolvesse através da troca de ideias (ciência das ideias) acerca de como o governo deveria se comportar em relação ao seu povo, provendo as suas necessidades.

Se nota, portanto, que a ideologia nasce como uma discussão de política econômica e não de costumes individuais, como a famigerada ideologia de gênero e o homossexualismo, são discutidas erroneamente como ideologias nos dias atuais. Isso porque a Europa daquela época era eminentemente cristã, não havendo qualquer possibilidade de discussão política sobre comportamentos pecaminosos.

Infelizmente aquele período tornou-se um dos mais sangrentos da história moderna da Europa. Em vez da liberdade de expressão das ideias servir para unir as pessoas em seus ideais, acabou por dividi-las na intransigência causada pela sede poder político da parte burguesa (partidários do rei deposto) e da parte dos revolucionários que almejavam um governo popular.

Em razão de tais divergências, o parlamento recém-criado na França (Assembleia Nacional), após a revolução, acabou por dividir-se entre os partidários do rei (à direita) e os simpatizantes da revolução (à esquerda).

Isso não aconteceu por convicções filosóficas ou sociais em primeiro momento. O efeito prático no âmbito da Assembleia Nacional, pois um grupo ousava divergir com o outro. Os leais ao rei, que queriam que as coisas ficassem como estavam (conservadores), ficaram sentados à direita do parlamento, enquanto aqueles que não aceitavam mais a exploração do povo e exigiam uma nova forma de governo livre (liberais) sentaram-se à esquerda.

A imprensa da época ao tratar dos dois grupos passou a chamá-los simplesmente de “direita” e “esquerda”, para o aperfeiçoamento de compreensão quando estavam a tratar dos partidários do rei ou do governo popular.

Tendo referido comportamento se repetido às vésperas da promulgação da Constituição Francesa de 1791, o modelo de representação pelos assentos continuou, tendo anos depois sido adotados pelos partidos políticos, formando diversos blocos “esquerda republicana”, “centro-direita”, “centro-esquerda”, “extrema-esquerda”, “extrema-direita”, dentre outros, passando os termos a serem associados a ideologias políticas específicas, sendo usados para descrever crenças políticas dos cidadãos.

O que me parece intrigante é que após este período as posições e crenças entre “esquerda” e “direita” foram sendo modificadas.

No início do século XX na França, “direita” não eram mais os políticos que defendiam o rei (até porque o presidencialismo e a democracia já estavam firmes), mas passou a representar aqueles que apoiavam a constituição e o governo popular, e a “esquerda” passou a representar aqueles que, apesar de apoiar a constituição e o modelo republicano apoiavam mudanças radicais no sistema de governo. Daí que, atualmente na França a “esquerda” tem sido chamada de “o partido do movimento” e a direita de “o partido da ordem”.

Com referido resumo histórico do surgimento e desenvolvimento das ideologias políticas, vejo que a união das duas tem sido imprescindível, sob a ótica social, para que as pessoas escolhessem de forma sadia, no momento em que viviam, o melhor partido e crença a ser colocada no poder político da nação, pois as necessidades políticas e sociais vão se transformando no transcorrer dos anos.

Nota-se, também, que as ideologias não são hermeticamente fechadas, já concluídas, com posições absolutas e bem definidas, antes, foram mudando e continuam a mudar com o passar do tempo.  

Nada obstante a tudo isso, infelizmente, a questão político-ideológica não tem sido discutida de forma sadia, com o olhar apenas social e econômico, mas está sendo discutida nos extremos, a ponto de excluir as pessoas, estragar amizades e até mesmo destruir famílias.

E com isso, de forma maligna e completamente desagregadora, ingressou no seio da Igreja de forma a contaminar a mente de jovens, adultos, idosos, sejam membros sejam obreiros da casa de Deus.

Um conceito que, como veremos, foi formado por anos de construções mentais humanas, ou seja, raciocínios falhos, voltado, na maioria das vezes, para a maldade, ganância e ao poder, hoje quer arrebatar a mentalidade dos salvos e remidos pelo sangue de Jesus, fazendo-os, por vezes, perder o foco e o tempo de suas vidas em discussões que ao longo da história de nada serviram a não ser para gerar mais dúvida e confusão no coração humano e no seio da sociedade.

Então a conclusão é a seguinte: todos nós, salvos no Senhor Jesus Cristo, somos conservadores nos costumes (quanto à pureza sexual, relacionamento apenas entre homem e mulher, e a favor da família tradicional, biblicamente constituída). Contudo, podemos ser de esquerda ou de direita nas demais questões políticas, sociais e econômicas, isso dependendo da consciência de cada um, pelo que entende ser melhor para a população de nosso país.

A igreja e a ética da responsabilidade social

A igreja, biblicamente falando, tem uma responsabilidade perante a sociedade, que se inicia pelo amor ao próximo e pela fé em Deus, sendo manifestada através das boas obras, conforme pontilhou o apóstolo Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg. 1.27).

Neste versículo observamos o compromisso social da igreja, que é fruto do amor de Deus derramado pelo Espírito Santo em nossos corações. Assim como Jesus se interessou e se comoveu em razão das mazelas sociais, a igreja e o ministério (serviço dado por Deus aos crentes), não podem agir diferentemente.

A responsabilidade social consiste em visitar os órfãos, as viúvas, fazer doações, ajudar os carentes, amar os desafortunados, chorar com os que choram, proclamar libertação espiritual aos cativos, fundar instituições sociais e educacionais, que realmente trabalhem com transparência e seriedade.

A igreja contemporânea vem sendo bombardeada pelo comodismo, onde muitos crentes estão com medo de trabalhar, avançar, crescer, marchar e conquistar os propósitos de Deus para o seu povo e para a humanidade. A ação social da igreja reflete o tamanho da fé e o brilho de nossa espiritualidade em Cristo Jesus.

A ética e a responsabilidade social foram vislumbradas por Jesus: “… porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão não me visitastes” (Mateus 25.42,43).

Cuidar daqueles que necessitam de nossa ajuda é uma atitude cristã e abençoadora. Que Deus nos desperte a fazer o bem, sem distinção de classe e etnia, afinal, a igreja foi chamada para ser SAL DA TERRA e LUZ DO MUNDO.

Após a Constituição Federal de 1988 o Brasil se tornou um país Comunista?

Quem faz esta afirmação não sabe o que é comunismo e não conhece a vigente Constituição da República Federativa do Brasil que é a mais democrática e protetora das liberdades de toda nossa história.

Vivemos em uma época na qual é preciso, todos os dias, dizer o óbvio. Dentre as barbaridades que ouvimos é a mentira de que após a redemocratização do país o Brasil se tornou um país comunista.

É de doer os ouvidos. Todos desejamos um dia que o nosso país se interessasse mais pela política, para que não aceitasse o que muitos políticos estavam fazendo no país, roubando os cofres públicos e institucionalizando a corrupção, sem exceção de qualquer partido.

Mas o que presenciamos foi um interesse político amparado em mentiras. Argumentos que desmerecem as conquistas democráticas e as liberdades civis e políticas. Que buscam desmoralizar nossa democracia e entregar o Estado nas mãos de um sistema opressor e fascista, que prega um revisionismo histórico e relativiza vergonhosos períodos da nossa história.

Trazendo de volta sua mentalidade para o presente texto, quero aqui rechaçar, veementemente a atitude, às vezes simplesmente ignorante (por ausência de conhecimento), mas na maioria das vezes recheada pela má-fé, em dizer que o Brasil organizado pela Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, teria se tornado um país comunista.

Primeiro, vamos entender quais são os atos dos Poderes Públicos que revelam que um país é comunista. Em seguida vamos comparar essas características comunistas com nossa identidade assegurada na ordem Constitucional, que é republicana e democrática.

O QUE É COMUNISMO?

Atualmente, quando há esse ódio e oposição violenta ao comunismo, o que se está querendo realmente evitar é o “socialismo marxista”, que segundo o Dicionário de Política de Norberto Bobbio é:

“Em geral, o Socialismo tem sido historicamente definido como programa político das classes trabalhadoras que se foram formando durante a Revolução Industrial. A base comum das múltiplas variantes do Socialismo pode ser identificada na transformação substancial do ordenamento jurídico e econômico fundado na propriedade privada dos meios de produção e troca, numa organização social na qual: a) o direito de propriedade seja fortemente limitado; b) os principais recursos econômicos estejam sob o controle das classes trabalhadoras; c) a sua gestão tenha por objetivo promover a igualdade social (e não somente jurídica ou política), através da intervenção dos poderes públicos. O termo e o conceito de Socialismo andam unidos desde a origem com os de Comunismo (v.), numa relação mutável […]”[1]

Assim, um país que adota referida mentalidade em sua organização de governo, tem como características notória e imediatamente verificáveis, as abaixo discriminadas, dentre outras:

(1) A existência de partido único: é facilmente identificável nos governos comunistas, que impedem a formação de quaisquer partidos de oposição. Todavia, não só o comunismo, mas todo governo que se torna “autoritário” acaba tendo como um de seus métodos a extinção dos demais partidos por ventura existentes. Ou seja, toda a ditadura, seja de esquerda, seja de direita, prega a extinção dos opositores e o governo por meio de um único partido.

(2) A socialização dos meios de produção: o governo comunista, a grosso modo, extingue o direito de propriedade. Os meios de produção são colocados sob propriedade comum da comunidade, que exerce por meio de divisão de trabalho encarregada de elaborar planos de produção anuais. Segundo Bobbio “cada cidadão dá à coletividade uma quantidade igual de trabalho e recebe de um armazém público o necessário para a própria vida”[2].

(3) Controle da mídia: nos governos comunistas a censura é a regra. Há um controle absoluto sobre a mídia e toda a informação prestada ao público é filtrada. Exemplo disso é o controle que era exercido pelo governo soviético (1922-1991), onde todas as informações comerciais, impressos em geral, músicas, obras de arte, romances teatrais, fotografia, cinema, rádio, televisão e toda fonte de informações eram filtrados com o fim de impedir a divulgação de conteúdo “não oficial”.

(4) Ateísmo como política de Estado: para o comunismo toda e qualquer religião enfraquece a população, ou seja, entende que é uma criação dos mais ricos para oprimir o proletariado, fazendo-o aceitar o sofrimento como um tipo de expiação divina, a fim de aceitar a opressão dos detentores dos meios de produção, pois a recompensa não está na Terra.

(5) Organizações de massa de controle do indivíduo ou do cidadão: para fim de fiscalizar que entre a população não surgirão aqueles que concentram bens, burlando o sistema, para se tornar, eventualmente, com mais posses que a maioria da população, um governo comunista cria organizações que controlam a vida cotidiana dos cidadãos, para saber tudo o que produzem e o que possuem.

(6) Passaportes internos para deslocamento entre estados federados: a circulação em um país comunista não é livre. Há a exigência de que se tire passaporte para a locomoção interna, altamente vigiada e fiscalizada. A fim de impedir a circulação e troca clandestina dos meios de produção e realizar o controle populacional nas comunidades. Um exemplo de país no qual este passaporte é exigido é a Coréia do Norte.

FUNDAMENTOS E LIBERDADES DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL QUE SÃO CONTRÁRIOS AO COMUNISMO OU QUALQUER OUTRO TIPO DE TOTALITARISMO POLÍTICO

Nossos princípios constitucionais democráticos impedem veementemente que o governo de nosso país se torne autoritário, e está há anos luz de admitir governos autocráticos como os comunistas. Tornar-se um país comunista exigiria uma completa quebra do pacto republicano feito pela Assembleia Geral Constituinte, que no artigo da Constituição consagrou a República brasileira como “Estado Democrático de Direito”, previu como seus fundamentos:

(1) Pluralismo político (Art. 1º, inciso V): ao contrário do comunismo, o Brasil tem como fundamento o pluripartidarismo. Todo cidadão é livre para se filiar a partidos políticos, sejam de quaisquer pensamentos filosóficos ou ideológicos, o que caracteriza o caráter plural e democrático da sociedade brasileira.

(2) Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e a garantia do direito de propriedade (Art. , IV e art. , XXII da CF): ao contrário dos governos comunistas, onde é pregada a apropriação dos meios de produção e a extinção do direito de propriedade, no Brasil é garantido o trabalho e a livre iniciativa, onde é livre a oferta de trabalho e a contratação pelos donos dos meios de produção desta força de trabalho para desenvolver seu capital. Ainda, é garantida pela Constituição Federal o direito à propriedade, conforme se pode ler no artigo , que diz que o direito de propriedade é inviolável. Esta garantia permite que qualquer pessoa, que engendre esforços em seu ganho de capital se torne proprietário de um meio de produção (ex. empresários individual – pessoas físicas).

(3) É livre a expressão e informação pelas mídias em geral: referida liberdade está prevista no artigo , inciso IX, da Constituição, que garante que a atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, é livre independentemente de censura ou licença. Assim, o governo brasileiro não tem autoridade para limitar a expressão fora dos limites constitucionais.

(4) É livre a consciência, pensamento e crença religiosa: O Brasil tem como princípio a laicidade estatal, que não é sinônimo de que vivemos em um país que rejeita as religiões, muito pelo contrário. A Laicidade Estatal impõe neutralidade axiológica ao Estado em frente a qualquer denominação religiosa, devendo tratar todas as religiões com igualmente e acolher todas as formas de crença, e proteger suas liturgias, respeitados os princípios fundamentais previstos na Constituição, principalmente a vida, a liberdade e a igualdade de todos. Impossível seria no Brasil, portanto, falar-se em “guerra santa”, como vivenciado na Europa entre as cruzadas nos séculos X a XIII. Referido pensamento viola a Constituição.

(5) É livre a concentração de riquezas. E é assegurado o direito de reunião e de associação, vedada a de caráter paramilitar (art. , incisos XVI, XVII, LIV, da CF): No Brasil não há controle de ganho de recursos ou de posses, é o próprio indivíduo que tem o dever cívico de declarar sua renda para fins fiscais (tributários) a fim de que haja a redistribuição justa da renda em serviços públicos (saúde, educação, segurança, saneamento, etc.), mas, caso não o faça, não será privado da sua liberdade, nem serão confiscados seus bens. No caso de sonegação, ou simplesmente falta de pagamento de tributo, responderá ao Devido Processo Legal, assegurados seus direitos constitucionais de defesa. Ainda, é assegurado a todos associarem-se em grupos ou organizações, e nelas fazerem suas reuniões, sem que temam qualquer tipo de fiscalização ou ingerência do Estado.

(6) É livre a locomoção em território nacional (art. , XV da CF): não há no Brasil qualquer exigência de passaporte interno, como ocorre em países comunistas. É livre o direito de ir e vir dentro do território nacional, e ainda o de sair (com passaporte), com ou sem os seus bens. O único caso em que a liberdade de locomoção no território nacional fica restrita é no caso de guerra declarada, em que o governo terá mais responsabilidade em relação aos seus cidadãos, restringindo até mesmo o direito de reunião.Em razão de tais direitos e garantias expressos em nossa Carta Constitucional, se observa que o Brasil não é um país comunista e quem assim chama o nosso país, ofende a democracia e a liberdade tanto almejada pela Constituição, que deseja que todos os tipos de opiniões convivam pacificamente, para que se possa discutir em nossos plenários legislativos as melhores formas para o crescimento e o desenvolvimento sadio de nossa nação.

EXEMPLOS DE MECANISMOS DEMOCRÁTICOS QUE FUNCIONAM NO SISTEMA POLÍTICO QUE NÃO FUNCIONARIAM EM UM PAÍS COMUNISTA

Além do todo acima demonstrado, existem mecanismos democráticos em nossa Constituição, que estão em pleno funcionamento, que jamais funcionariam em um país comunista:

a) As eleições diretas e secretas – os países comunistas não possuem eleições livres. Ainda que mantenham a pecha de “democráticos”, mantém um absoluto controle dos votos da população, fazendo com que os resultados das eleições sejam predeterminados. No Brasil temos a Justiça Eleitoral, que tem feito um brilhante trabalho nos últimos anos, prezando pela higidez de nossas eleições em todas as esferas de nosso governo.

b) O processo de impeachment – referido processo de retirada de um governante do poder, realizado pelos “checks and balances” (freios e contrapesos), do Poder Legislativo, na figura da Câmara dos Deputados e o Senado Federal, também nunca funcionaria em um país comunista. E já temos em nossa história, em um período de pouco mais de 20 (vinte) anos, e atualmente chegando aos 31 (trinta e um) anos da nossa Constituição Federal, dois presidentes da República foram depostos por meio de referido processo constitucional e democrático.

Os mecanismos constitucionais de alternância e controle dos atos do poder governamental, estando em pleno funcionamento, demonstram que o Brasil não é nem de longe semelhante a qualquer dos países comunistas que existem ou já existiram. Podemos ter orgulho de viver num país onde a democracia tem funcionado normalmente, sendo livre o direito de protestarmos contra os atos do governo e votarmos melhor quando governados por um governo inepto.

Portanto, após este texto, tenho a plena certeza que você poderá dizer para qualquer pessoa que, com base em nossos princípios e regras constitucionais, não vivemos e nunca vivemos em um país totalitário que possui o comunismo como regime de governo.


[1] Bobbio, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 11ª ed., 1998. p. 1196-1197

[2] Op. Cit. p. 208

A nomeação de Eduardo Bolsonaro para embaixador nos EUA é prática de nepotismo, segundo o STF

O fato da nomeação de um parente para o cargo diplomático de embaixador é inédito no Brasil, sendo inevitável que esta questão passe pela análise do Supremo Tribunal Federal, caso se concretize.

O fato da nomeação de um parente para o cargo diplomático de embaixador é inédito no Brasil, sendo inevitável que esta questão passe pela análise do Supremo Tribunal Federal, caso se concretize.

O STF tem entendimento que orienta que esta hipótese da nomeação de Eduardo Bolsonaro seja prática de nepotismo, proibida pela Súmula Vinculante nº 13, do STF.

Primeiramente vejamos o que diz a Súmula Vinculante nº 13 do STF:

A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.” grifei

A primeira questão que se coloca no caso da nomeação do filho do presidente da República Jair Bolsonaro é se o cargo de embaixador tem natureza política ou de agente administrativo (cargo em comissão ou confiança que não seja de natureza superior na estrutura do órgão), ou se seria, até mesmo, uma terceira natureza de representante de Estado e não de Governo.

Isso porque, apenas os cargos de natureza política (ou de Governo), – que é o caso de Ministros de Estado e Secretários estaduais e municipais, – podem ser ocupados por parentes da autoridade nomeante, visto que são cargos que exigem alto grau de confiança, que representam a pessoa do mandatário (presidente, governador ou prefeito). Mas não é por causa disso que a nomeação para cargo político não tenha critérios e possa ser feita de qualquer maneira.

Há diversos precedentes do STF autorizando a ocupação de cargos políticos por parentes da autoridade nomeante, dentre os quais: A Reclamação Constitucional nº 22.339, na qual o Supremo Tribunal Federal reformou decisão que condenou por improbidade prefeita do município de Pilar do Sul (SP) que nomeou marido para secretaria municipal, ou seja, o STF permitiu que o marido da prefeita fosse nomeado secretário, pois se trata de cargo político, mas pontuou os critérios a serem observados nestes casos.

Naquele caso, os critérios da nomeação do parente da prefeita foram avaliados com base no entendimento do Ministro Celso de Mello, decano da Corte, -onde se encontra a nossa resposta para a questão que se coloca: se a nomeação de Eduardo Bolsonaro é ou não nepotismo.

Segundo o Ministro Celso de Mello:

A jurisprudência do STF tem afastado a incidência da SV 13 nos casos que envolvem a investidura de cônjuges ou a nomeação de parentes em cargos públicos de natureza política, como ministro de Estado ou de secretário estadual ou municipal, desde que não se configurem hipóteses de fraude à lei ou no caso de ausência evidente de qualificação técnica ou de idoneidade moral para o desempenho da função pública” grifei

Com este parecer, o Ministro decano nos deu alguns requisitos para avaliarmos se a nomeação de Eduardo Bolsonaro é ou não é nepotismo: (a) é cargo político? (presumamos aqui que seja, sendo possível a nomeação); (b) a nomeação de alguma forma frauda a legislação vigente? Não frauda a lei, então é possível a nomeação; (c) o nomeado tem a qualificação técnica para o cargo? Não, então não é possível a nomeação; (d) o nomeado tem idoneidade moral? Sim, porque não há ciência de cometimento de crimes ou atos que o deslegitimem pessoalmente.

O entendimento pautado nos referidos requisitos para a (des)caracterização da prática de nepotismo continuam sendo aplicados, como se observa de recente julgado de relatoria do eminente Ministro Roberto Barroso:

“Ementa: Medida Cautelar em reclamação. Direito administrativo. Súmula vinculante 13. cargos políticos. 1. O Supremo Tribunal Federal tem afirmado a inaplicabilidade da vedação ao nepotismo ao provimento de cargos políticos, ressalvados os casos de inequívoca falta de razoabilidade, por ausência de manifesta qualificação técnica ou inidoneidade moral. Precedentes. 2. Medida liminar deferida. 1. Trata-se de reclamação, com pedido liminar, ajuizada em face de decisão judicial que, deferindo medida cautelar em ação civil pública por ato de improbidade administrativa, determinou o afastamento de nomeados para cargos de Secretário do Município de João Dourado/BA, em razão da suposta prática de nepotismo.” (STF MC Rcl 32659 BA, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe-265 11.12.2017, julg. 06.12.2018) grifei

Portanto, a nomeação de Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador em Washington D.C. configura nepotismo, proibido pela Súmula Vinculante nº 13, do STF, porque fere o terceiro requisito abalizado pelo Ministro Celso de Mello, pois o nomeado não possui qualificação técnica para o cargo, sendo a nomeação apenas por afinidade pessoal, ignorando a importância do desenvolvimento da função do cargo para o interesse da sociedade.

Isso porque, vimos nesta semana que o nomeado nem ao menos sabe falar bem o inglês, errando palavras simples, como podemos ver no vídeo dos profissionais da língua inglesa Universidade do Inglês. Pior, nunca estudou Relações Internacionais ou prestou quaisquer serviços diplomáticos, e desconhece as relações entre Estados soberanos, não possuindo o currículo necessário para ocupar o cargo.

A única experiência que o potencial nomeado alega é ter exercido emprego temporário fazendo hambúrgueres nos Estados Unidos. Esta declaração é inacreditável e desdenha do serviço diplomático brasileiro, que deve prezar pelo conhecimento técnico da relação entre países para onde são comissionados.

Conclui-se, portanto, que, faltando-lhe evidente qualificação técnica para o cargo, a nomeação de Eduardo Bolsonaro, pelo seu pai, presidente Jair Bolsonaro, configura explícito ato de nepotismo, ferindo a Súmula 13 do Supremo Tribunal Federal, violando o texto constitucional brasileiro.

Jesus não tentou obrigar as pessoas a crer nele

Nesta terceira parte da resenha do primeiro capítulo do livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, discorrerei brevemente sobre esta afirmativa simples que está dentro da visão equivocada de alguns crentes que afirmam que “o governo deve impor a religião”.

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Nesta terceira parte da resenha do primeiro capítulo do livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, discorrerei brevemente sobre esta afirmativa simples que está dentro da visão equivocada de alguns crentes que afirmam que “o governo deve impor a religião”.

Segundo Grudem, o ensinamento de Jesus é completamente oposto à visão de “obrigar” que as pessoas o sigam. Visto que, em uma passagem peculiar o Mestre repudiou imediatamente uma vontade estranha que nasceu no coração de dois de seus discípulos de simplesmente matar quem não aceitava o caminho proposto por Cristo.

“E enviou mensageiros à sua frente; estes foram e entraram num povoado de samaritanos para lhe preparar pousada. Mas os samaritanos não o receberam, pois viajava para Jerusalém. Quando viram isso, os discípulos Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” (Lc 9.52-54)

De maneira completamente equivocada, os discípulos estavam pensando que a ameaça de morte, ou de qualquer outro tipo de mal, seria suficiente para conseguir fazer com que as pessoas aceitassem facilmente a pessoa de Jesus e, assim, o evangelho pregado não teria resistências.

O recado que seria dado a toda população, não só de Samaria, mas de todo o território de Israel, seria no sentido de que aqueles que não aceitassem Jesus quando este chegasse até eles, poderiam ser consumidos por labaredas de fogo. Pronto! Haviam construído um método fácil e rápido de coação para se impor a religião perante a população local.

Segundo Grudem, referida tentativa de construir um caminho alternativo ao amor e à liberdade pessoal de crer em Jesus e segui-lo voluntariamente de corpo, alma e entendimento, saiu totalmente pela culatra, pois esta posição radical é totalmente oposta ao ensino de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

“Jesus, porém, rejeitou categoricamente essa sugestão. O versículo seguinte diz: ‘Ele, porém, voltando-se, repreendeu-os’ (Lc 9.55). Jesus recusou de modo claro qualquer tentativa de obrigar as pessoas a segui-lo ou crer nele” (Política Segundo a Bíblia, Ed. Vida Nova, pg. 30)

Qualquer tentativa de imposição da fé Cristã a indivíduos que essencialmente não querem (a não ser que sejam genuinamente convencidos pelo poder do Espírito Santo), é completamente contrária ao verdadeiro evangelho, pois gera um caminho diverso, ou seja, uma completa ruptura entre o verdadeiro ensino que “propõe”, com o ensino errado e sem o apoio de Cristo, que “impõe” – gerando uma verdadeira “Seita”.

O ultimato da resposta de Jesus aos discípulos que estavam pretendendo impor a fé pela coação violenta, foi sublime e denota que sem liberdade não existe evangelho genuíno:

“Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia” (Lc 9.55-56)

Jesus foi enfático em dizer que os discípulos não faziam ideia de onde estavam vindo aqueles pensamentos maléficos de convencer as pessoas pela violência e pela destruição de suas vidas – disse que não sabiam “de que espírito sois”, ou seja, Jesus afirmou que os discípulos estavam sendo influenciados por um “espírito estranho”, uma influência que, certamente, não vinha do Mestre.

Isso nos revela que a imposição do cristianismo não é um ato que vem de Deus, mas de uma influência maligna para provocar discórdias, mortes, guerras e perdimento de almas que devem ser salvas pelo Evangelho da Paz (Rm 10:15).

Dito isso, fica a conclusão de que a Igreja deve respeitar a liberdade dos não crentes de não serem obrigados a ser cristãos e de andarem segundo os seus caminhos perante os homens até que sejam genuinamente convencidos do pecado, da justiça e do juízo. A nós nos resta exercer grande influência em favor do bem, do correto, do caminho da Salvação, por meio da pregação do evangelho com amor e liberdade, porque não há como impor a fé autêntica, sendo este o tema do próximo post desta resenha.

Até lá.

O sistema de distribuição de renda do Antigo Testamento revela que Deus rejeita a ganância dos poderosos

Ouça o texto:

Nosso texto bíblico base para o presente texto se encontra no versículo 8 do capítulo 5, do livro do Profeta Isaías, que profetizou ao povo de Israel dizendo:

“Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra!”

Em breves linhas introdutórias, Isaías, sendo profeta pré-exílico (antes de o povo de Judá ser levado cativo à Babilônia), foi levantado por Deus para denunciar os erros do povo que estava atraindo a ira de Deus, dentre esses erros a “ganância” e o desprezo aos mais pobres.

“Os ricos acumulavam bens tratando injustamente os pobres e criando uma economia latifundiária. Isso ia contra a legislação israelita, que considerava a terra um patrimônio inalienável de cada família (Lv 25.10, 13-16, 23-24). Miqueias, que foi contemporâneo de Isaías, lança a mesma acusação (Mq 2.1-2,9)” (notas de comentário de Is 5.8 na Bíblia da Escola Bíblica, Sociedade Bíblica do Brasil: Editora Cristã Evangélica, p. 980 – “in fine”)

Mas qual era a razão de tal repreensão tão dura por Deus? Deus condena os investimentos financeiros? A economia na época do Antigo Testamento era expressada na posse de terras capazes de produzir riquezas. Por que acumular essas terras era errado?

A AGRICULTURA ATÉ HOJE É PRÓSPERA NO SUL ISRAELENSE (CRÉDITOS: http://www.veredgo.com.br/tour-agricola-no-sul-de-israel/)

DEUS CONDENA O INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO OU FINANCEIRO?

Uma resposta a essa pergunta não é tão simples, portanto, comecemos considerando o contexto desses grandes proprietários de terras judeus.

Desde o princípio de Israel, a posse da terra é um direito legítimo de todo judeu. A terra é recebida como herança e dividida por lei (Josué 14.1-5). A identificação do judeu como membro do povo de Deus estava intimamente ligada à posse de porção da Terra Prometida, por isso era proibida a sua venda permanente.

Vejamos o que diz Levítico 25.23:

“Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois para mim estrangeiros e peregrinos”

Lembremos que, após Cristo vir julgar as nações junto de seus Santos arrebatados (Igreja), estabelecerá seu reino milenar na Terra Santa (Is 2.1-3; 60.3), que sempre foi dEle o local que estabeleceu para ser Rei no meio de seu povo (Mt 25.31-46).

Jesus referenda esta profecia veterotestamentária ao exortar que o acúmulo de posses na terra é facilmente corrompido pela força dos opressores, advertindo-nos que acumulemos tesouros nos céus que são infinitos para todos que o buscarem (Mat 6.19).

Retornando ao ponto chave, não obstante a isso, era permitida a venda de terras, e seu valor era baseado em sua produtividade, até o Ano do Jubileu, conforme Levítico 25.14-17, tempo dividido em cada 50 (cinquenta) anos, segundo a Lei, e consistia no período em que (memorize isto) todos os judeus deveriam voltar à sua terra recebida por herança e devolver toda terra comprada (Lv 25.10,13).

Então vem a grande pergunta: qual era o sentido disso? Era espiritual ou social? – a resposta é claramente percebida se levarmos em consideração a pequena extensão do território israelita e como a possessão exclusiva de terra nas mãos de poucos poderia levar à miséria, pobreza e desapropriação de muitos. A razão final desta ordem divina era estabilizar e controlar a economia do povo israelita.

Assim, o Ano do Jubileu regularia toda a economia da sociedade judaica, impedindo que uns enriquecessem muito e outros empobrecessem muito, mas garantindo a dinâmica econômica que qualquer nação emergente precisa ter (Lv 25.24-34).

Um povo explorado por pessoas gananciosas, com maioria pobre e uma minoria concentrando renda é contra os padrões bíblicos divinos. A ordem de Deus é a circulação da riqueza, por meio do trabalho, empregos e desenvolvimento social – o que o povo israelita não havia respeitado, e agora estava sendo julgado por Deus por acumular riquezas para uma minoria.

O problema, no entanto, não estava na compra de imóveis, mas na desobediência dos padrões econômicos legais, que organizavam a sociedade. Miqueias também denuncia a injustiça da expropriação de terras (Mq 2.1-2) e as palavras de Isaías apontam para o acúmulo permanente de terras que precisariam ser de usufruto de outros.

Vejamos o que profetizou o profeta menor Miqueias, naquele mesmo tempo:

“Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniquidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos. Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas, as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança”

É notório o controle divino contra a exploração, se levarmos analogicamente o mesmo princípio aqui em discussão às leis de servos e senhores. Que dizia que, ainda que um homem se tornasse um servo (escravo) em razão de suas dívidas (empobrecimento), não poderia ser assim mantido perpetuamente, deveria ser libertado após um prazo legal, subentendendo-se que teria pago o que era devido ao seu credor, através de seu trabalho e também deveria, durante esse tempo, ser tratado com dignidade juntamente com sua família (Ex. 21.2).

Nesse sentido, o monopólio ganancioso não é aceito por Deus, por significar a exploração e a opressão da qual havia libertado o povo de Israel do Egito. Numa sociedade rural, como a israelita, o monopólio da terra significa o domínio dos meios de produção que é o sustento da maioria da população, revelando-se, pois, seu caráter maléfico.

Concluímos, então, que, com a determinação contra a ganância dos poderosos por acumularem posses em detrimento de toda a população, Deus não está condenando o investimento imobiliário e financeiro, mas a conduta que muitos especuladores assumem, qual seja: o ato de privar pessoas do direito à moradia, ao trabalho, e ainda o ato diabólico de se beneficiar do pobre por meio de altas taxas de juros e aluguéis abusivos.

Jesus fez distinção entre o reino de Deus e o de César

Continuo minha resenha sobre o primeiro capítulo do Livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, acerca da primeira visão equivocada a respeito de cristianismo e governo, que se trata do pensamento erroneamente difundido de que “o governo secular deve impor a religião”.

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Continuo minha resenha sobre o primeiro capítulo do Livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, acerca da primeira visão equivocada a respeito de cristianismo e governo, que se trata do pensamento erroneamente difundido de que “o governo secular deve impor a religião” (clique para ler meu primeiro texto).

Grudem, depois de explanar o erro de tal pensamento na história do cristianismo, começa a apontar biblicamente os erros nos quais incorrem aqueles que pensam que a religião cristã deve ser imposta à sociedade através do governo secular.

O primeiro ponto bíblico em que esta visão (de que o governo deve impor a religião) tropeça é no fato de que “Jesus fez distinção entre o reino de Deus e o de César”. Os fariseus, oponentes judeus às doutrinas de Jesus, buscaram apanhá-lo por meio de uma pergunta capciosa: “É correto pagar tributo a César, ou não?” (Mt 22.17).

Foi uma pergunta capciosa porque qualquer resposta dada pelo “sim” ou pelo “não”, poderia comprometer a doutrina anunciada por Jesus. Se a resposta fosse “sim” nosso Senhor arriscaria dar apoio ao governo de Roma que era odiado pelos judeus. Caso dissesse que “não” mostraria que era um revolucionário, que hostilizava o governo Romano.

Todavia, sendo Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus deu uma resposta que calou a todos os hipócritas que tentavam comprometer seus ensinamentos. Mandou primeiramente que mostrassem a Ele uma moeda do tributo: “Mostrai-me uma moeda do tributo”, e a Bíblia diz que alguém lhe entregou um “denário” (vs. 19).

Em seguida, ensinou a todos ali da seguinte maneira: “De quem são esta imagem e inscrição? E eles responderam: César. Então lhes disse: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22.20,21).

Esta foi uma declaração impactante para aqueles que ouviam e também para nós nos dias atuais. Jesus deixou bem claro que existem no mundo âmbitos diferentes de influência nos quais seus discípulos estão inseridos, um é temporal e o outro é espiritual, ambos podem até conviver, mas não se submetem entre si e muito menos devem, necessariamente, andar juntos.

Segundo Grudem:

“Trata-se de uma declaração notável, pois Jesus mostra que devem existir dois âmbitos distintos de influência, um para o governo, outro para a vida religiosa do povo de Deus. Algumas coisas, como impostos, dizem respeito ao governo civil (“o que é de César”), logo, a igreja não devem tentar controlá-las. Em contrapartida, outras coisas dizem respeito à vida religiosa das pessoas (“o que é de Deus”), logo, o governo civil não deve tentar controlá-las.”

Nesse ensino de Jesus nós podemos verificar claramente a mudança de vida em sociedade do povo de Israel do Antigo Testamento em relação ao do Novo Testamento. As leis e o convívio entre os outros povos e principalmente em relação ao Império Romano, haviam se alterado radicalmente e era necessário estabelecer-se uma diferença, uma ruptura do governo civil em relação à religião, ou seja, como o povo é organizado socialmente (englobando-se como convívio com outros povos e culturas) e como deve se relacionar com Deus.

Claramente, Jesus não enumera os pontos em que as duas categorias (governo civil e Igreja) deveriam andar separados, mas a simples distinção que Jesus fez entre estes dois âmbitos nos indica a aprovação de Cristo de um sistema diferente do que foi atribuído à nação de Israel no Antigo Testamento (quando o povo era governado civilmente e espiritualmente por Deus – teocracia).

Todos que faziam parte da nação de Israel no Antigo Testamento faziam parte do “povo de Deus”, pois as leis abrangiam “questões seculares”, como homicídio e roubo, e também as “questões religiosas”, como o sacrifício de de animais e penalidades no caso de adoração a outros deuses (cf. Lv. 21-23; Dt 13.6-11).

A declaração de Jesus (sendo Novo Testamento), revela uma alteração que faz a separação entre as “questões seculares” e as “questões religiosas”, conforme nos elucida Grudem:

“Na declaração de Jesus a respeito de Deus e de César, ele definiu os contornos mais amplos de uma nova ordem na qual ‘o que é de Deus’ não deve estar sob o controle do governo civil (‘o que é de César’). Esse sistema é muito diferente da teocracia que governava o povo de Israel no Antigo Testamento.”

Fica, portanto, claro o erro da visão de querer comparar e misturar o governo secular com a Igreja, impondo uma religião sobre o povo, trazendo-se alianças que podem comprometer o bom uso da doutrina e a visão que o mundo precisa ter de uma Igreja Santa e Imaculada diante de Deus e dos homens caídos que precisam de perdão e de um encontro real com Jesus.

Deve ser esclarecida e corrigida, ainda, a má interpretação de Salmos 33:12, que diz em sua parte “a”: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor”. Muitos “líderes” utilizam desta expressão para levar o povo a crer que o governo civil deve ser religioso e fomentar uma cruzada civil-religiosa, quando, na verdade, estão omitindo o final do texto (parte “b”) que diz: “e o povo ao qual escolheu para sua herança”. Sabemos que a herança de Deus é o nosso Senhor Jesus Cristo, que já veio a partir de Israel, a nação bem-aventurada de onde veio o Messias: O Salvador do mundo.

Portanto, o citado versículo bendiz a nação de Israel escolhida por Deus na Antiga Aliança, da onde viria o nosso Rei Jesus. O paralelismo poético hebraico nos ensina que tanto a parte “a” como a parte “b” deste Salmo estão tratando da mesma nação. Sendo assim, este texto não serve para ensinar que os governos civis devem ser religiosos, esta é uma interpretação errada.

Assim, conclui-se que, pelo ensino do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, todos os governos civis, inclusive os de hoje, até a sua vinda (arrebatamento da Igreja), devem garantir a liberdade religiosa sem imposição ou intervenção de qualquer natureza à sociedade, dando a possibilidade de que o povo livremente escolha ou não seguir às doutrinas religiosas e o modo que as praticam pela incorruptível pregação do evangelho da paz (Rm 10.15), sem imposição de governos arbitrários.

E mais, “César” não pode intervir na liberdade do povo de crer e de professar religião, pois são coisas “de Deus” para a salvação dos homens (Ef 2.8). A falta de liberdade para crer e expressar sua religião leva à corrupção do evangelho, pois dá-se a entender que as alianças erradas de “líderes religiosos” feitas com governos civis estão a obrigar as pessoas a qual caminho seguir, tirando delas a escolha por seguir a Jesus genuinamente, que é a próxima parte de nossa resenha: “Jesus não tentou obrigar as pessoas a crer nele”.

Nos vemos lá.

Sem Papas na Língua: Licitação, Transporte Público, Consumidor, Previdência e muito mais – ASSISTA

Hoje participamos do Programa Sem Papas na Língua da WebTV “Conexão 013“, transmitido ao vivo, por streaming, pelo facebook, youtube e em breve em aplicativo e outras plataformas digitais.

No Programa de hoje discorremos acerca de vários assuntos da Região da Baixada Santista e também da política nacional, como: licitação, transporte público, direito do consumidor, reforma da previdência e muito mais.

Assista à íntegra do programa:

PROGRAMA SEM PAPAS NA LÍNGUA DE 02/07/2019