A Dispensação do Milênio e O Juízo Final

A dispensação do milênio, também chamada de dispensação do Reino de Jesus Cristo sobre a terra será um tempo de prosperidade, paz, união entre os homens, em que mortais e imortais (Igreja transformada), reinarão com o Senhor Jesus, mostrando ao mundo o que é a justiça, o amor, a harmonia e os propósitos de Deus para a humanidade desde o princípio.

Início, duração e término da dispensação

“Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.”

Apocalipse 10:7

Esta dispensação terá, de acordo com as Escrituras Sagradas, a duração de 1.000 anos (Ef. 9,10; Ap 10.7; 11.15; 20.1-60).

É também chamada de dispensação de plenitude (completude) dos tempos, ou consumação dos séculos (literalmente: em que o tempo humano se findará).

É para esta dispensação que se destinam dos os acontecimentos humanos, é para onde convergem todos os tempos, alianças e profecias Bíblicas, que, no decorrer dos séculos, foram profetizadas pelos profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Senhor Jesus.

Como ensinou o Pr. Severino Pedro da Silva, todas as dispensações podem ser chamadas de “Reino de Deus”, porém o milênio será um reinado glorioso e específico.

“O Reino de Deus é universal, incluindo todas as criaturas voluntariamente sujeitas à sua vontade, sejam os anjos, a Igreja, ou os santos do passado, do presente e do futuro, todas as dispensações da história humana podem ser apropriadamente chamadas dispensações do Reino de Deus.”

Propósitos da dispensação do Reino Milenar do Senhor Jesus entre os homens

A dispensação do milênio é também chamada de “a dispensação do governo divino”, visto que durante este tempo Deus estabelecerá seu governo teocrático na terra.

Por isso, esta última dispensação, que é a “juntura” do presente século e do vindouro, fornece para os estudantes da Bíblia um nítido exemplo de sobreposição das dispensações, ou seja, um “período” de transição entre uma e outra.

No livro chamado “Um Estudo do Milênio” (1982) de Millard J. Erickson, podemos observar que a chegada do milênio não será em um tempo de tranquilidade e paz como pode alguém desavisado imaginar:

“As suas fronteiras não são bem demarcadas. Assim vemos que certos prenúncios do Milênio apresentam-se pelo menos sete anos antes, servindo de introdução a este período”

Isso porque o Reino Milenar do Senhor Jesus sucederá o período da Grande Tribulação, quando, após vencer a trindade satânica (besta – dragão, – a prostituta e o falso profeta), e julgar as nações (Dn 12.11-13; Mt 25.31 e ss), será entronizado na cidade de Jerusalém e dali governará todo o mundo.

Vamos entender os propósitos e razões bíblicas para a necessidade de que Jesus venha consumar os séculos dos homens com um reinado terreno de mil anos (10 séculos).

Jesus disse: “… eis que estou convosco até a consumação dos séculos” (Mt ).

Um Reino Universal e Milenar

Apocalipse 20.4b diz “… e reinarão com Cristo durante mil anos”.

Como dito, o Milênio é a sétima e última dispensação (Is 2.2; Mt 19.28), no capítulo 20 de Apocalipse encontramos por seis vezes a expressão “mil anos”.

Será um futuro governo sobre a terra, exercido pelo “Príncipe da Paz”, na cidade de Jerusalém que será o centro de adoração para todos os povos e a Capital política e religiosa de todo o mundo (Jr 3.17; Zc 14.14-21).

Portanto, não será um governo local ou nacional, mas sim universal.

Um período de restauração para todas as coisas

Todas as coisas destruídas e corrompidas pelo poder das trevas sob o qual está o domínio do mundo serão restauradas. (1 Jo 5.19)

Mas para isso Satanás será preso e desterrado (retirado de qualquer influência sobre a terra), será detido com grande poder pelo arcanjo Miguel e lançado no abismo (Ap 20.1,2).

A interpretação deste fato deve ser feita literalmente, pois o apóstolo Paulo citou uma batalha diária e real que enfrentamos contra as influências do Diabo (Ef 6.12), não será possível um governo pleno de paz e justiça sobre os homens com o inimigo de Deus e dos homens à solta.

Em Apocalipse 20 versículo 4 diz que além da chave e corrente, haverá um “selo” posto sobre Satanás que o impedirá de qualquer movimento ou ação maléfica no Reino de Cristo.

Assim, sem as influências de Satanás (como ocorreu no Éden), as condições espirituais serão restauradas e serão favoráveis aos governados pelo Grande Rei do Universo.

Haverá o cumprimento pleno das profecias de Joel 2.28,29, quando o Espírito Santo será derramado sobre Israel e sobre todas as nações do mundo (Ez 36.25-27; Zc 12.10).

“… Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (Is 11.9b, Zc 8.22,23).

Será um período de prova final e não de descanso para o homem

O homem será provado em sua própria natureza, sem as influências malignas de Satanás. Será provado nas condições favoráveis, sem ter em quem colocar a culpa pelo seu erro. (At 3.21)

É a prova na melhor de suas circunstâncias, de natureza profundamente pessoal (Ez 18), visto que estará imperando a justiça, um mundo transformado, o céu aberto aos homens, Cristo na terra, e todas as nações cheias da plenitude de Deus, e ainda a lembrança dos graves juízos passados e a certeza do juízo final futuro.

Mudanças na terra durante o Reino de Cristo

A maldição do pecado será tirada: “… maldita é a terra” (Gênesis 3.17).

Durante esta dispensação será removida a maldição do pecado causada pela queda (Is 55.13). Toda a estrutura da terra, a natureza, os animais, serão profundamente modificados em razão do retorno de Cristo com glória e poder para governar.

Os grandes rios e mares impossíveis de afogar

Isaías profetizou que os rios e os mananciais surgirão até nos “cumes das montanhas” (Is 35.7; 41.8), o que revela abundância de vida e paz na natureza, até mesmo a profundidade será removida para que não haja mortes por afogamento (Is 11.15; Ap 16.12), um rio de grandes proporções atingirá uma profundidade de “5 centímetros”, haverão “espelhos d’água”, em uma extensão de 500 metros de largura (cf. Ez 47.3).

Haverá o surgimento de um grande “Rio milenar” (Ez 47.1-12; Zc 14.8). O leito deste rio será criado no momento em que Jesus tocar com seus pés sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4 e ss). E este rio nascerá debaixo da casa do Senhor (o Palácio do Governo Milenar), do lado direito do Santuário (Ez 47.1; Zc 14.8).

A paz entre os homens e os animais

Com o mal causado pelo pecado o reino animal sofreu alterações. O homem na dispensação da inocência podia conviver com todos os animais, sendo não só obedecido por eles, mas com eles se relacionava socialmente (não há outra explicação honesta para o contato aparentemente natural da mulher com a serpente), lembremos que não havia “linguagem” para comunicação social, que só passaria a existir, após o fato de Babel, na dispensação das relações humanas (do governo humano).

Após o pecado houve uma inversão no comportamento animal, os homens e os animais tornaram-se presa e predador entre si (Gn 9.13; Jz 14.5; Ez 14.21). Assim, o Reino Milenar levará os animais à sua condição primeira (Is 11.6 e ss).

Os homens nascerão, servirão ao Senhor e morrerão de extensa velhice

Haverão duas classes de pessoas: as mortais (que venceram a Grande Tribulação e aceitaram ao Senhor – como o povo de Israel) e as imortais (os ressuscitados e glorificados – a Igreja arrebatada), que reinará junto com o Senhor Jesus.

Os que morreram na Grande Tribulação e aqueles que sobreviveram à tribulação não participarão do reino, mas serão governados pelo Senhor Jesus e os salvos glorificados que governarão com Ele.

Porém os anos morrerão fartos de dias, assim como no princípio, alguns, a exemplo de Adão e Matusalém, chegarão próximo a um milênio de idade. Serão os dias do homem “… como os dias da árvore” (Is 65.22).

A adolescência irá até os 100 anos (Is 65.20), apenas o pecador será amaldiçoado e morrerá mais cedo (Is 65.20).

Lembre-mos que, apenas não haverá mais morte no novo céu e na nova terra (Ap 21).

Como está escrito:

“Assim diz o Senhor Jeová: Ainda por isso me pedirá a casa de Israel, que lho faça: multiplicar-lhe-ei os homens, como a um rebanho. Como rebanho santificado, como o rebanho de Jerusalém nas suas solenidades, assim as cidades desertas se encherão de famílias; e saberão que eu sou o Senhor”

Ez 36.37,38

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda nas praças de Jerusalém habitarão velhos e velhas, levando cada um na mão o seu bordão, por causa da sua muita idade. E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão”

Zc 8.4,5

A saúde dos homens será também modificada, como afirma o profeta Isaías “Morador nenhum dirá: Enfermo estou” (Is 33.24a).

Defeitos físicos serão corrigidos. “… Os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos ser abrirão. Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará…” (Is 35.5,6; Zc 13.1).

Igualmente as doenças psicossomáticas e perturbações mentais serão extintas (Is 65.23).

O Juízo Final

Chegará o tempo da consumação dos séculos. Após os 1.000 anos o Senhor Jesus devolverá o Reino ao Pai, para a segunda ressurreição, onde todos os homens e mulheres se apresentarão diante do grande trono branco para serem julgados. (Ap 20.11)

É um “trono isolado” do céu e da terra. Não aparecerão nem anjos ou quaisquer seres celestiais. Todos os olhos estarão fitos no trono e no julgamento.

O trono branco revela a pureza e a santidade do Senhor e o critério pelo qual serão julgados os homens: Justiça! Castigo! Purificação! Retribuição! É o Juízo Final!

A Palavra diz que “justiça e juízo são a base do seu trono” (Sl 97.2b)

Duas classes de seres ali estarão presentes e serão julgados perante aquele grande trono:

“… Os grandes” (os anjos caídos) – (2 Pd 2.4; Jd v 6).

“… Os pequenos” (os homens sem Deus) – (Sl 8.5; Hb 9.27).

O julgamento será individual, conforme o versículo 13 de Apocalipse 20: “… e foram julgados ‘cada um’ segundo as suas obras”.

Notadamente, aqueles que a Bíblica afirma que comparecerão diante do Trono de Deus e que os “nomes se encontram no livro da vida”, não fazem parte da Igreja, mas sim aqueles que precisam ser julgados para compor o Reino Eterno, ou seja, aqueles que morreram na Grande Tribulação e aceitaram ao Senhor Jesus e aqueles que morreram durante o Reino Milenar e foram fiéis ao Rei Jesus, e quando Satanás se rebelou pela última vez não o acompanharam.

Ainda, serão julgados ali aqueles que ouviram a pregação de Jonas e a Rainha de Sabá (Lc 11:30-32), visto que se converteram sem terem remetido seus pecados à cruz pela aspersão de sangue, farão parte do julgamento da segunda ressurreição, dentre os que rejeitaram ao Senhor, para os condenar (envergonhar).

Após o julgamento, só terão permissão para entrar na Jerusalém Celeste aquele que tiver com nome inscrito no livro da vida do Cordeiro (Ap 20.15), que é o livro que dá admissão ao mundo eterno.

Este livro contém a compaixão do Senhor, pois nEle exclusivamente está escrito o nome de ex-pecadores. Está aberto a todos, porém ainda muitos desprezam.

Será que temos nossos nomes escritos lá?

Se ainda há dúvidas, venha o mais depressa possível, pois “Ainda há lugar!” (Mt 11.28; Ap 22.17). Pois o Juízo de Deus vem, quando aquele que não for achado escrito no livro da vida, será lançado no Lago de Fogo (Ap 20.15).

Encerro nosso estudo sobre o dispensacionalismo com as saudosas palavras do grande ensinador Pr. Severino Pedro da Silva:

“O Reino dos Céus se tornará o Reino de Deus quando Cristo entregar o Reino a Deus, o Pai (1 Co 15.24,25). Por isso convém que Ele reine! Assim no toque da sétima trombeta, o Reino dos Céus, representado pelo Milênio, entrará na terra com poder e grande glória e depois do Juízo Final converter-se-á no Reino Eterno de Deus para todo o sempre”

Dispensação da Graça – A Grande Tribulação

O juízo que encerra a presente dispensação será composto de um período de sete anos de dor e aflição para o mundo que rejeitou a graça da salvação no Filho de Deus. A Igreja não sofrerá as dores da Grande Tribulação, pois será arrebatada. E para os que ficarem terá salvação?

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

Um período de dor

É o título atribuído a este período pelo saudoso Pr. Severino Pedro da Silva em seu livro “Escatologia – Doutrina das Últimas Coisas” lançado pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) há mais de trinta anos (em 1988).

Realmente a Palavra de Deus nos ensina que este período será um período de aflições que o mundo nunca viu. Antes deste período, conforme vimos na segunda parte sobre a dispensação da graça, a própria dispensação é envolta em ocorrências dramáticas, chamada de “princípio das dores”, que indica um aumento na angústia do mundo até a chegada deste período de grande aflição.

Jesus disse:

“Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”

Marcos 13.19

Porém, antes de falarmos sobre a Grande Tribulação, devemos entender um ponto importante: a Igreja não estará aqui, a Igreja será arrebatada pelo Senhor, pois o Espírito Santo será tirado deste mundo para que se manifeste o homem do pecado (o Anticristo).

O Arrebatamento da Igreja – o anúncio ao mundo do juízo da dispensação da graça

É viva esperança de que Cristo Jesus voltará para buscar a sua Igreja. Os sinais prometidos por Jesus que se agravariam enquanto fosse chegando o tempo do fim, conforme já vimos, o chamado “princípio das dores” (Mateus 24), estão se cumprindo dia após dia no mundo.

Por isso nós aguardamos o arrebatamento da Igreja, o maior acontecimento em toda a história das profecias bíblicas e da humanidade.

Arrebatamento, do grego “harpazo” e do latim “rapto”, significa retirada brusca, sobrenatural e inesperada da Igreja deste mundo, para se encontrar com Jesus nos ares.

O vocábulo “rapto” mostra claramente a rapidez e a precisão com que Cristo arrebatará a Igreja ao toque da última trombeta (1 Ts. 4:17).

O Espírito Santo entregará a Igreja a Cristo Jesus. Temos que entender que o Espírito Santo é o agente da salvação (Jo 16:8). Portanto, quando o Espírito desceu em Atos 2, veio consolidar a obra do Senhor pela sua morada e habitação com aqueles que aceitaram ao Senhor Jesus como Rei e Senhor (1 Co 3.16).

O Espírito Santo é que ressuscitará os mortos em Cristo Jesus e elevará a Igreja no arrebatamento (Romanos 8:11).

 Iremos falar mais sobre o arrebatamento quando trabalharmos a escatologia, o que nos interessa aqui no momento é sabermos que o Senhor não deixará seu povo passar pela Grande Tribulação, pois é um tempo de maldição, de ira de Deus e a Igreja estará guardada em amor (Ap 3.10).

Devemos saber que será arrebatado aquele que vencer os males da presente dispensação em Jesus Cristo: os santos (I Ts. 3:12-13, Tt. 2:12-13); os fiéis (Hb. 10:25; I Co. 11:23; I Jo. 2:28); os salvos vivos (Hb. 9:28; I Ts. 1:10); os pacientes (Tg. 5:8); os vigilantes (Lc. 21:26); os mortos em Cristo (I Co. 15:22-23 e 52).

Após este anúncio ao mundo de que os santos e fiéis do Senhor foram retirados do mundo, será manifestado o homem do pecado, não mais detido pelo Espírito, pois terá subido com a Igreja (I Ts 2:6,7).

O que acontecerá depois do arrebatamento

Logo após o arrebatamento da Igreja se desencadeará um período sombrio de sofrimento sobre a humanidade que os escritores tanto do Antigo Testamento como do Novo Testamento, denominam de “Grande Tribulação” (não confundir com Juízo Final).

A palavra “tribulação” ocorre por dezenas de vezes, em ambos os Testamentos, porém é no Novo Testamento que encontra-se maior luz projetada sobre o problema do sofrimento e da tristeza do homem.

O termo grego para esta palavra é “thilipsis”, que em outras partes do texto bíblico é traduzido como “aflição”, “angústia”, etc. No Antigo testamento este período final da dispensação foi chamado por profecia de “Angústia de Jacó” (Jr 30:7).

Os acontecimentos que se sucederão durante este período de angústia sem precedentes na história da humanidade foram revelados ao apóstolo João na Ilha de Patmos, e estão descritos nos capítulos 6 a 19 do livro do Apocalipse.

Duração

A duração deste período de dor extrema ao mundo será de “sete anos”, e é calculado pelo estudo da passagem de Daniel 9.24-27 e de outras passagens similares.

As principais circunstâncias da Grande Tribulação são:

  • O reinado cruel do Anticristo – “a Besta que subiu do mar” (Ap 13.1 e seguintes).
  • A atividade de Satanás, tendo grande ira, e agindo numa escala se extrema destruição (Ap 12.12 e seguintes).
  • A grande atividade dos demônios emergidos do “poço do abismo” (Ap 9.1 e seguintes).

Tudo isso ocorrerá de forma abrupta, quando houver um falso sentimento de estabilidade e paz, de segurança financeira e comercial no mundo, quando disserem:

“Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão”

1 Ts 5.3b

Este tempo virá como um fogo abrasador. Será um dia (entenda-se: tempo) de angústia e de aflição sem igual, será o dia da “… vingança do nosso Deus” ao mundo que rejeitou e desprezou a salvação em seu Filho Amado (Lucas 21:22).

Será um juízo de ira

“E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo servo, e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas. E diziam aos montes e aos rochedos: Cai sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro. Porque é vindo o grande dia da sua ira…

Ap 6:15-17b

Esses termos se repetem em muitos pontos da Palavra de Deus e por isso é chamada a atenção de João Batista para que não esqueçamos que este dia é certo e os ímpios não poderão fugir dele (Mt 3.7).

A ira divida foi retratada em outros pontos da Bíblia como “ira natural”. Como uma raiva descarregada em casa, na intimidade como repreensão entre pai e filho (Ex. 4.14).

Contudo, a ira da Grande Tribulação é (e vai) muito além de uma simples repreensão e desgosto, como é exercida no momento da graça antes do arrebatamento, e o Pr. Severino Pedro da Silva destacou três motivos para isso:

  • Primeiro: a ira antes do arrebatamento, chamada ira natural, vista no contexto paterno, Deus se ira, castiga, mas não destrói, pois o objetivo é a conversão a mudança de comportamento.
  • Segundo: a ira manifesta visando estritamente uma punição é direcionada contra as nações (Is 10:25; 13.3; Jr 50:13; Ez 30:15; Mq 5.14). Visto que abandonaram as verdades de Deus e se tornaram ímpios (homens sem Deus). Esta ira não cai sem advertência prévia, há sempre um aviso (Jr 7.20). Esta ira vem em forma de julgamento sobre nações, enviando guerras, fome, pestilência (Ez. 6.11 e seguintes). Porém esta ira dura só “um momento” (cf. Sl 30.6; Is 26:20; 54:7).
  • Terceiro: o verdadeiro estado de ira, como o mundo nunca viu, é a declarada no Novo Testamento como “Ira Futura” (1 Ts 1.10), esta somente o ímpio a sofrerá. É chamada de “cólera de Deus” (Ap 14.19) e “taças da ira de Deus” (Ap 15.7; 16.1).

Desta última, o Apóstolo Paulo tranquiliza a Igreja: “Jesus… nos livra da ira futura” (1 Ts 1.1.).

Se não houver preparação em Jesus, real, para a eternidade, ninguém poderá escapar desta profecia “… indignação e ira aos que são contenciosos, e desobedientes à verdade…” (Rm 2.8).

A Igreja não passará pela grande tribulação

Esta verdade está estabelecida em Apocalipse 3.10 como vimos acima. Porém é necessário destacarmos que neste versículo, se Deus quisesse dizer o contrário, estaria escrito “…eu te guardarei na hora da tentação” e não como está escrito “… eu te guardarei da hora da tentação”, portanto não estaremos aqui.

Como houve livramento para aqueles que andavam com Deus nas demais dispensações, aqui neste juízo da dispensação da graça também haverá livramento como foi dado a Noé na Arca do dilúvio, a Ló quando foi-lhe permitido sair de Sodoma, e ainda ao livramento do povo de Israel no Êxodo das aflições do Egito.

Um último ponto a ser abordado que deixa muitos com dúvida: mas já será o fim da graça? Ou a Grande Tribulação será no tempo da graça?

Como fora dito desde o início desse grande estudo sobre as dispensações, o juízo termina uma dispensação, portanto, ele ocorre no período de transição de uma dispensação para outra, não sendo a graça a última dispensação.

Portanto:

Haverá salvação durante a Grande Tribulação

Nas palavras do Pr. Severino Pedro da Silva, a resposta é:

“… Claro, portanto, que haverá santos de Deus durante o período crítico desse sofrimento, porém, não serão “membros do Corpo de Cristo” (a Igreja da Graça), pois este é constituído por aquele grupo que pertenceu [à Igreja durante] a Dispensação da Graça. Serão crentes individuais [convertidos na tribulação], como nos tempos do Antigo Testamento e, mediante dois dispositivos (o sangue e a fé), serão capazes de testemunhar acerca de Cristo e de sua Redenção. Participarão do reino e gozarão das bênçãos do Senhor, de maneira maravilhosa, mas não serão incluídos no Corpo de Cristo, o qual ocupa um lugar bem distinto através de toda a eternidade”

(pp. 71)

Essa conclusão tão assertiva é feita a partir da análise do texto de Apocalipse capítulo 7 versículo 9 e seguintes que demonstra uma vasta multidão que diz ter “vindo da Grande Tribulação”, de todas as nações e tribos e povos e línguas.

Não sendo nem Israel e nem a Igreja, que tem seu papel bem distinto biblicamente nestes períodos finais.

Se trata de uma população que sofreu a tirania do Anticristo na Grande Tribulação e que agora no céu clama por “salvação a Deus e ao Cordeiro” (Ap 6.9-11).

Ao abordar este fato continua ensinando o Pr. Severino:

“[…] durante o tempo da Dispensação da Graça (antes do arrebatamento da Igreja), a salvação era analisada a posteriori [para o futuro]…. o pecador arrependido partia de uma premissa menor (o arrependimento) para uma premissa maior (o aperfeiçoamento) chegado até sua glorificação. Porém, segundo se depreende, com o arrebatamento da Igreja, essa fórmula inverte seu padrão”

(pp. 72)

Assim, segundo Scofield: “[…] mesmo fora da Dispensação da Graça, pode haver salvação, mas sempre baseada na morte expiatória de Cristo. A Justiça de Deus se exerceu sobre o Cordeiro, e só através da cruz pode o homem, em qualquer circunstâncias alcançar o perdão”.

Porém como diz a Palavra, aqueles que forem salvos no período da Grande Tribulação serão excluídos da próxima dispensação: O Reinado Glorioso com Cristo no Milênio:

“Bem-aventurados e santos os que tomam parte da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder algum sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com Ele pelo período de mil anos. A destruição total de Satanás”

Apocalipse 20.6

Dispensação da graça – parte 3

O recebimento do evangelho da graça pelos pecadores e a consumação da graça na morte e ressurreição de Jesus Cristo, a promessa recebida e a viva esperança na segunda vinda, na dispensação da graça.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

A graça traz consigo a operação do sobrenatural

Quando Jesus entra na sinagoga em Nazaré, cheio do Espírito, em Lucas capítulo 4, ao abrir o Livro do profeta Isaías (61.1), o Senhor deixou claro que havia chegado a hora do Reino de Deus agir entre os homens com poder sobrenatural.

Pelo que disse: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.” Lucas 4:18-21.

Ao anunciar para o que veio, nosso Senhor passou então a operar milagres no meio de todo o povo. Ensinando todas as coisas pelas quais havia de resgatar a alma do homem do pecado, ainda suas palavras eram nutridas com a expressão de poder.

Não há como dissociar a operação da salvação (remissão/perdão dos pecados) da obra sobrenatural do Senhor Jesus no tempo da graça.

Nós não recebemos ou vivemos milagres para ser salvos, mas nós vivemos milagres porque somos salvos, cremos no Senhor Jesus e podemos experimentar do que é viver diante dEle no tempo da graça.

Jesus disse que no tempo da graça haveria fome, pestes, guerras, enfermidades, terremotos, dentre muitas outras coisas. Porém, nós que somos salvos e cremos no Senhor vivemos os milagres, da providência, da cura, da ressurreição, do livramento nos dias maus.

Um exemplo disso é a passagem de Lucas 5:17-26, onde o evangelista diz que Jesus ainda estava na Galileia e estava sobre Ele virtude do Senhor para curar. Os fariseus e escribas estavam de olho no que Jesus estava fazendo, quando passaram um homem paralítico pelo telhado, diante de Jesus.

O Senhor apenas olhou para aquele homem e disse: “os teus pecados estão perdoados”. Isso significa que a operação da salvação não é menor do que o poder de operar milagres, muito menos que ela deve vir depois do milagre.

Os escribas e fariseus, então, começam a murmurar contra a atitude do Mestre Amado, quando Jesus percebendo lhes pergunta: “Qual é mais fácil? Dizer: Os teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda?”.

Jesus está dizendo: o que dentre isso é mais privilegiado, a salvação ou o milagre na vida de um homem. Porém, o que é físico e mortal parece mais fácil aos nossos olhos do que o que é espiritual.

Jesus para demonstrar que a graça opera espiritual e fisicamente lhes diz: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), eu te digo: Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa”. E o paralítico foi-se, tomou sua cama e foi para casa glorificando a Deus.

Aquele que possui a fé salvadora em Cristo Jesus no tempo da graça, vive milagres. A multidão pode estar envolta aos juízos do princípio das dores que, sem a vida do Filho de Deus só traz mesmo dores e transtornos, mas quem está em Jesus neste tempo é agraciado pelos maiores milagres.

Assim como no ministério do Senhor Jesus, o evangelho, o Caminho da graça, foi demonstrado com poder e milagres sobre aqueles que iam crendo pela fé que Jesus Cristo era o Filho de Deus, assim nós quando cremos neste tempo somos alcançados pelos milagres.

Leia também: A dispensação da Graça – Parte 1 – Parte 2

A graça traz consigo as boas obras da salvação – mudança de caráter e de vida

Além dos milagres operados na vida daquele que está firme com Jesus no tempo da graça, também a regeneração, a transformação, a mudança de vida resultante da obra salvadora gera as boas obras.

Jesus sempre que operava os milagres na vida daquele que cria em seu Glorioso Nome, enfatizava a necessidade de perseverar na fé, abandonando as atitudes pecaminosas, pois elas fazem com que as mazelas retornem ainda piores.

Nosso Senhor disse ao paralítico do tanque de Betesda, logo quando foi curado e foi adorar no templo: “Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” João 5:14.

A Lei informava aos homens o que era desagradável ao Senhor, dentre os dez mandamentos, por exemplo, condições que fazem o homem entender e se aproximar de Deus.

Contudo, ainda que se cumpram os mandamentos e os profetas, se não houver uma total mudança de caráter e de vida, através da vida do Senhor Jesus, não é possível ao homem achegar-se a Deus.

Jesus é a plaina, que aparelha nossa vida, vai tirando nossas manchas, nossos defeitos, nossas irregularidades. Não conseguimos fazer isso por nós mesmos. É necessário passarmos pelo processo do Senhor Jesus, e em seguida andar nas boas obras de salvação que nos foram preparadas.

O Apóstolo Paulo escreveu em Efésios 2.10: “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:10

Não adianta ler a Bíblia inteira, decorar o texto inteiro, sem andar como Jesus andou, sem repetir e imitar os comportamentos do Senhor Jesus.

Muitos neste tempo da graça tem imitado o mundo, o senso comum, a multidão e tem se esquecido de andar com Jesus.

Não é na exaltação dos discursos humanos que podemos ouvir a Cristo e andar nos caminhos que Ele preparou, mas em oração, na meditação da palavra e na comunhão do Espírito.

Se vivemos como a multidão vive, estamos em sentido oposto a como o Senhor Jesus viveu. Pois logo quando foi anunciado que era um caminho árduo, muitas vezes solitário, muitos deixaram de segui-lo (João 6.66).

A multidão queria segui-lo pela bonança, pela boa vida, pelos milagres, pela comida, pela boa vivência na terra. Ao que Jesus anunciou: “seus pais comeram o maná e morreram”. Ou seja, não é o que temos de bom na terra que nos fará ganhar o céu! Mas sim Jesus, o pão vivo que desceu do céu.

Devemos crer, e imitar o nosso Senhor neste tempo da graça, só assim seremos dignos do céu.

A consumação da graça na cruz do Calvário

Após um ministério de remissão de pecados, curas e transformação de caráter daqueles que criam no Senhor Jesus. Chegou o momento, a hora em que era necessário que a graça fosse consumada.

É necessário sabermos que não haveria graça sem a morte do Filho de Deus.

A salvação pelo sacrifício do Filho de Deus significa a nossa esperança única para todos os males que passamos nesta vida terrena, peregrina e mui breve que temos.

O Senhor Jesus esteve entre nós para nos mostrar que Ele era homem.

Como homem teve todas as nossas emoções humanas, boas e ruins: teve fome (Mt 4.2), teve sede (Jo 19.28), foi rejeitado pelos seus (Jo 4.28-29), foi ameaçado de morte pelos do seu povo (Mt 26.3-4), foi traído pelo seu amigo, foi denunciado ao templo por quem partia o pão consigo (Mt 26.50), teve angústias de morte (Mt 26.38), foi espancado, chicoteado, cuspido, humilhado (Mc 15.16-20), morto sob entrega voluntária de seu espírito (Lc 23.46)…

Portanto, passou por tudo o que há de ruim que podemos passar nesta vida… “Mesmo sendo Deus” (Fp 2.6; Jo 1.1)… E este é o ponto principal da mensagem da graça: Sendo Deus, nos mostrou o caminho da vitória, que é suportar até o fim as aflições e angústias, confiando nEle até quando o Senhor Deus nos permitir.

Na graça encontramos a esperança na vitória que é a herança da vida eterna:

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16:33

A ressurreição como prova da eficácia da graça sobre todos os homens

A ressurreição de Jesus ao terceiro dia é a prova da nossa viva esperança, é o fiel testemunho e esperança do crente diante das adversidades.

Para aquele que realmente creu e entendeu a Mensagem da Cruz, a ressurreição nos mostra no tempo da graça que nós não temos escolha.

Em Jesus está a única chance de termos vida, pois a vida terrena é apenas uma sombra da eternidade, mas a vida eterna é a verdadeira vida que está preparada para nós, por sua promessa (1 Jo 2.25).

O evangelho se tornou real na vida dos discípulos após a ressurreição.

Após a morte todos se dispersaram, alguns foram para suas aldeias (Lc 24:13-35).

Outros voltaram para as suas antigas profissões (Jo 21.3-23).

 Mas quando Jesus ressuscitado se aproximou deles e lhes disse: “ficai em Jerusalém, se encham do poder e cumpram o que anunciem o que vos ensinei” (Lc 24.49; At 1.7-8), a história da humanidade nunca mais foi a mesma.

A promessa que nos acompanha durante a graça

“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.” João 16:7

Para a Igreja estar orientada no Senhor, edificada e consolada no tempo da graça o Senhor Jesus nos prometeu o Espírito Santo.

O Espírito Santo é o sinal da vida da Igreja e a plenitude do crente nos momentos difíceis. Ser cheio do Espírito Santo é estar anestesiado de glória em meio às adversidades deste mundo.

O Espírito Santo nos traz:

Certeza da salvação

“O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” João 14:17

Edificação e consolo

“aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14:26

Anuncia a esperança na Segunda Vinda do Senhor

“E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.” Apocalipse 22:17

Poder para testificar

“recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.” Atos 1:8

Dons espirituais

“há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1 Co 12.4,7)

A lembrança do juízo da dispensação

“quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” João 16:7,8

O Juízo da Grande Tribulação só será possível com a subida do Espírito Santo

“E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado;” 2 Tessalonicenses 2:6,7

Próxima aula: O fim da dispensação da Graça: A Grande Tribulação

Dispensação da graça – parte 2

A preparação da mensagem da dispensação da graça, o anúncio do evangelho e os sinais que acompanham a presente dispensação.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

Leia antes: A dispensação da inocência

Leia também: A dispensação da graça – parte 1

O Diabo sabia que viria o Messias e fez de tudo para não deixar crescer a criança

Como vimos na aula anterior, o Salvador do Mundo havia sido anunciado desde Gênesis 3:15, onde Deus prometeu que nasceria da mulher aquele que esmagaria a cabeça da serpente.

Até a vinda de Cristo Jesus, dentre os homens reinava o governo de Satanás em todas as nações.

Com o nascimento de Jesus, o mundo teve nova esperança, como anunciado pelo profeta Isaías (Is 9.6). Mais, ainda, os detalhes de Isaías já anunciavam os três reis magos que viriam do Oriente guiados por uma Luz (estrela), até o local do nascimento do menino (Is 9.2).

“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” Isaías 9:2

Os reis magos representavam os gentios, veja que acreditavam nos astros, nas estrelas, e o poder de Deus os conduziu pela estrela para a verdadeira salvação, para o único digno de perdoar os pecados do mundo.

Ao procurarem o local onde nasceria o menino, os reis magos foram até Herodes, que, possesso por Satanás, mandou matar todas as crianças recém nascidas. Porém, um anjo apareceu em sonho para José, anunciando que estava aos cuidados do filho de Deus.

José levou Maria e o menino para o Egito, assim a ira do inimigo não alcançou a criança.

Por todos os anos e gerações essa ira do mundo contra a obra do Filho de Deus é real, na graça passamos perseguições, tribulações, enfrentamos a morte todos os dias, mas podemos dizer como o Ap. Paulo disse:

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl. 2.20)

O anúncio da chegada da graça – A Voz.

O anúncio da dispensação foi feito por um grande homem, segundo as palavras do próprio Mestre: “entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João” (Lc 7.28).

Um homem que de fato entendeu a mensagem que estava anunciando, e pela dimensão da mensagem soube se colocar em seu devido lugar, dizendo que aquele que estava chegando com a mensagem da graça era tão digno que ele nem ao menos poderia descalçar suas alparcas (Jo 1.27).

Ensinou para as multidões que a recepção do evangelho é reconhecer quem é Jesus: “é necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). E neste reconhecimento e sujeição está a salvação do crente.

Ao perguntar o povo se era um profeta, limitou-se a dizer que era “A VOZ” do que clama no deserto, para anunciar o caminho da graça que estava por chegar, e traria consigo poder para todo aquele que corrigisse seus caminhos em arrependimento para receber a salvação. (Jo. 1.23)

Isaías já tinha profetizado o que era necessário para receber a mensagem da graça, correção de caráter, humildade e sujeição, e que a “a voz do que clama no deserto” prepararia o caminho do arrependimento:

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será exaltado, e todo monte e todo outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda carne juntamente verá que foi a boca do Senhor que disse isso.” (Is 40.3-5)

Enquanto pregava, João viu Jesus vindo para ser batizado no meio da multidão, e disse para quem estava por perto: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), e disse ainda: “esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1.33).

A graça traz consigo as tentações, tribulações e os anúncios dos juízos de Deus.

AS TENTAÇÕES

Após ser batizado por João, o Senhor, para estabelecer a sua vitória sobre o Diabo, foi levado ao deserto a fim de ser tentado.

Jesus antes de ser tentado primeiro jejuou quarenta dias e quarenta noites, a fim de que seu corpo físico ficasse necessitado das necessidades humanas. (Mt 4.2)

O tentador primeiro tentou perverter o propósito de Cristo pelas necessidades humanas. Uma das razões de muitos caírem da graça, é por se render diante das privações, das adversidades financeiras. (Mt 4.3)

Porém, Jesus nos mostrou, que quando essas artimanhas do inimigo vierem contra nós, devemos confiar na provisão de Deus prometida para aqueles que permanecem fiéis à sua palavra. (v. 4; Dt. 8.1 e 6)

O Diabo com seu certo poder maligno, “transportou” o Senhor à Jerusalém e o colocou no pináculo do templo, e o tentou, mando se atirar dali, ainda utilizando-se de versículos da palavra de Deus (v. 6).

Jesus então nos mostra, novamente, que para resistir a essas ciladas de morte do inimigo, devemos estar fazendo a vontade que sai de Deus, e não ouvir nossa própria vontade que pode estar maculada pelas tentações do inimigo. Ensinando-nos que no tempo da graça teríamos sofrimentos e aflições, mas deveríamos confiar totalmente no Senhor e não tentá-lo a nos livrar de nossas dores, mas sim do mal (v. 7; Dt 6.16; Jo 17.15)

Mais uma vez o inimigo o transporta para um monte gigantesco, mostrando ao Senhor todos os reinos do mundo, que seriam lhe dados se prostrado a o adorasse. (v. 8-9)

Muitos temendo as aflições de ser crente, as dificuldades de andar com Deus, buscam ignorar as coisas espirituais e trocá-las por coisas vãs que não podem substituir a salvação, como as riquezas, as bebedices, as prostituições e fornicações, verdadeira luxúria, ilusões que estão a serviço do Diabo.

Jesus mais uma vez nos mostra que no tempo da graça, se somente adorarmos e servirmos ao Senhor nosso Deus, somos libertos de todas essas tentações e seremos dignos da salvação, assim teremos anjos que operarão ao nosso favor (v. 10-11; Hb. 1.14).

Nosso Mestre e Senhor nos apresentou as regras morais do Reino de Deus, ao contrário de todos os ensinos deste presente século, quando estamos na graça prosseguimos para a salvação na contramão do mundo.

COMO FUNCIONA A GRAÇA DE DEUS:

Tudo isso encontramos nas bem-aventuranças no capítulo 5 do evangelho de Mateus, são salvos os: pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça, os que são vítimas de injúrias, perseguições, mentiras, por serem servos de Cristo Jesus.

E ainda disse que, o mundo pode ver essas características com mal olhos, mas que devemos nos alegrar porque é grande o nosso galardão no céu (Mt 5.12).

AS TRIBULAÇÕES DO TEMPO DA GRAÇA

O Mestre amado, ainda, nos advertiu das tribulações do tempo da graça, às quais chamou “princípio das dores” (Mt 24.12-14).

No princípio das dores Jesus ensinou que o primeiro sinal seria a destruição do templo de Jerusalém, que ocorreu no ano 70 d.C. sob o Imperador Nero. (Mt 24.1-2)

Advertiu-nos, ainda, que devemos estar vigilantes neste tempo para que ninguém venha a nos enganar, porque muitos usariam o nome de “Cristão” para enganar os crentes no tempo da graça (Mt 24.4-5).

Jesus nos avisou que haveriam guerras e rumores de guerras, mas que não nos assustássemos, pois ainda não seria o fim. (v. 6)

Anunciou que se levantaria nação contra nação e reino contra reino, e haveria fome, pestes e terremotos em vários lugares. (v. 7)

E que mais próximo ao fim, seríamos entregues para tormentos e mortes, e seríamos odiados por causa do nome de Jesus. E por essas aflições, haveria no meio dos próprios “crentes” traições e aborrecimentos (v. 9-10)

Avisou-nos, também, que surgiriam falsos profetas, enganadores, desprovidos da aliança com o Senhor para este século, deixariam de pregar o verdadeiro evangelho. (v. 11)

Alertou-nos de que a o genuíno amor ensinado por Ele esfriaria, em razão da ausência de equilíbrio (equidade) no coração dos homens. (v. 12)

Porém, nos deu a mais viva esperança de que se perseverarmos até o fim seremos salvos (v. 13).

E para que se cumpra o tempo da graça para a Igreja, o evangelho seria pregado em todo o mundo, em testemunhos entre todos os povos, e então virá o fim. (v. 14).

Para passarmos por tudo isso no presente século, temos que estar firmados com o Senhor Jesus Cristo, pois Ele nos prometeu que estaria conosco até a consumação desta dispensação (Mt 28.19-20).

“[…] Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém” (Mt. 28.20b)

Próxima aula: A dispensação da graça – parte 3

Dispensação da graça – Introdução

A dispensação da graça é a sexta dispensação, anunciada pela mensagem do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e inaugurada no calvário.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Ponto de partida: a plenitude dos tempos

Leia antes: A dispensação da Lei – parte 4: restauração e plenitude dos tempos

“Todavia, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei” Gálatas 4.4.

Vamos lembrar do ensino anterior quando falamos acerca da plenitude dos tempos.

A plenitude da dispensação da Lei. Tudo o que era necessário que Deus fizesse com o povo de Israel havia sido feito e cumprido.

Israel ficou tão firmado nos ensinamentos de Deus por meio do juízo do cativeiro, que vieram outras culturas que dominaram a palestina no pós-cativeiro, como a Grécia, com a grande helenização do mundo promovida por Alexandre “O Grande”, que teve um grande impacto quando percebeu a força moral do povo judeu, que não se dobrava perante os poderes humanos, nem negociavam a sua religião.

Os generais de Alexandre, após seu falecimento, ficaram no poder do império grego e ficaram tão interessados na ética judaica, que ao término da construção da grande biblioteca de Alexandria, no Egito, convocaram setenta e dois escribas judeus com experiência, para traduzirem o Livro Sagrado dos judeus a “Torá” para o grego.

Referida tradução ficou conhecida no mundo antigo como “a tradução dos setenta”, ou como melhor conhecida, “a septuaginta” (LVXX).

Após os gregos vieram também os imperadores romanos, que encontraram um povo que lutou pela sua liberdade de religião, pelos seus templos e sinagogas que funcionavam em várias cidades espalhadas pelos países vizinhos. Tentou por vezes impor a cultura e religião romana, mas não havia como fazê-lo, pois o povo não se rendia a outros deuses.

Assim, a única religião que foi tolerada perante todo o vasto império romano foi o “monoteísmo judaico”, tendo sido feito juntamente com os líderes religiosos locais e os políticos romanos um compromisso, uma aliança, entre o templo que reunia dois partidos religiosos: os saduceus e os fariseus, e entre os governadores e pontífices (prefeitos e tribunos) romanos.

Com o tempo tal relação foi se tornando corrupta, foi deixando de ser santa e pura, os rituais começaram a estar mais ligados ao domínio social do povo do que propriamente a servir a Deus de coração e entendimento.

A Lei de Deus realmente começou a ser cumprida, visto que tanto os líderes como todo o povo tinha como grande valor o cumprimento total e literal das Escrituras Sagradas.

Porém, não era bem esse cumprimento que Deus queria dos homens, e pelo exagero, pela religiosidade, também não conseguiram agradar a Deus, tendo Ele que enviar seu filho para cumprir toda a Lei no lugar dos homens, para nos mostrar o que Ele espera de nós.

A Lei não se mostra suficiente para agradar a Deus, senão pela maravilhosa graça de Jesus Cristo, que se fez Lei por nós na cruz do calvário, e com seu poder aniquilou a morte e nos perdoou de todo pecado.

Mas…

O que é pecado?

Segundo Richard Beal (citado pelo Pr. Billy Graham – Paz com Deus (pp. 52-55). CPAD. Edição do Kindle), podemos notar na Bíblia cinco palavras para o pecado:

Em primeiro lugar, o pecado é a ilegalidade, a transgressão da Lei de Deus (1 Jo 3.4).

Deus estabeleceu o limite entre o bem e o mal, e sempre que ultrapassarmos esse limite, sempre que formos culpados por invadir a área proibida do mal, estaremos infringindo a Lei.

Sempre que não conseguirmos obedecer aos Dez Mandamentos, sempre que agirmos de maneira contrária aos preceitos do Sermão da Montanha, teremos transgredido a Lei de Deus e seremos culpados do pecado.

Se você examinar os Dez Mandamentos, um por um, perceberá como hoje a humanidade está, deliberadamente, não apenas transgredindo-os, mas também tornando a transgressão atraente!

Desde a idolatria, que é qualquer coisa que colocamos antes de Deus, até a falta de nos lembrarmos do dia de repouso e adoração, e guardá-lo como um dia santo (onde estariam o futebol se os cristãos se recusassem a assistir aos jogos aos domingos?), até honrar os pais, até a cobiça, até o adultério: parece que tem havido um esforço concentrado para infringir cada um dos mandamentos.

E não apenas isso, mas parece haver um esforço deliberado para tornar atraente o fato de infringi-los!

Tiago deixou claro que todos nós somos culpados, quando disse: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.14, 15).

É porque todos nós infringimos as Leis de Deus, todos nós transgredimos os seus mandamentos, que todos nós somos classificados como pecadores.

Em segundo lugar, a Bíblia descreve o pecado como iniquidade.

A iniquidade é o desvio do que é correto, quer o ato particular tenha ou não sido expressamente proibido.

A iniquidade tem a ver com nossas motivações interiores, as mesmas coisas que tão frequentemente tentamos esconder dos olhos dos homens e de Deus.

Esses são os erros que se originam de nossa própria natureza corrompida, e não os demais atos que as circunstâncias às vezes nos obrigam a cometer.

Jesus descreveu essa corrupção interior, quando disse: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23).

Em terceiro lugar, a Bíblia define o pecado como errar o alvo, ou seja, não alcançar o objetivo que foi estipulado. O objetivo de Deus é Cristo.

O objeto e propósito final de toda a vida é viver à altura da vida de Cristo.

Ele veio para nos mostrar o que é possível para o homem alcançar aqui na terra, e quando não seguimos o seu exemplo, erramos o alvo e não alcançamos o padrão divino.

Em quarto lugar, o pecado é uma forma de entrada ilegal. É a intrusão da tenacidade na esfera da autoridade divina.

O pecado não é meramente uma coisa negativa; é simplesmente a ausência do amor por Deus.

O pecado é fazer uma escolha, a preferência de si mesmo em lugar de Deus. É a concentração do sentimento em si mesmo, em lugar de tentar, com todo o coração, alcançar a Deus.

O egoísmo e a falta de abnegação são os sinais do pecado, tão certamente como o roubo e o homicídio.

Talvez esta seja a mais sutil e destrutiva forma do pecado, pois nesta forma é muito fácil ignorar o rótulo no frasco do veneno.

Aqueles que se apegam a si mesmos, que concentram toda a sua atenção em si mesmos, que consideram apenas os seus próprios interesses e se empenham por proteger apenas os seus próprios interesses, esses são tão pecadores quanto o bêbado ou a prostituta.

Jesus disse: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Mc 8.36).

Usando palavras modernas, poderíamos dizer: “Pois que aproveitaria ao homem construir um vasto império industrial, se estiver devorado por úlceras e não puder desfrutar a vida? Que aproveitaria ao ditador, ainda que conquistasse um hemisfério, se vivesse em constante temor da bala de um vingador ou da faca de um assassino? Que aproveitaria a um pai criar filhos com áspera dominação, se for rejeitado por eles mais tarde e abandonado para sofrer uma velhice solitária?”

Sem dúvida, o pecado do egoísmo é um pecado mortal.

Em quinto lugar, o pecado é descrença. A descrença é um pecado, porque é um insulto à honestidade de Deus.

“Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” (1 Jo 5.10).

É a descrença que fecha a porta do céu e abre a do inferno. É a descrença que rejeita a Palavra de Deus e recusa Cristo como Salvador.

É a descrença que faz com que o homem se faça de surdo para o Evangelho e negue os milagres de Cristo.

O pecado traz a punição da morte, e nenhum homem tem, em si mesmo, a capacidade de salvar-se da punição do pecado, ou purificar o seu próprio coração da sua corrupção.

Os anjos e os homens não podem expiar o pecado. É somente em Cristo que pode ser encontrado o remédio para o pecado.

É somente Cristo que pode salvar o pecador do destino que certamente o espera.

“O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

“A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).

“Nenhum deles, de modo algum, pode remir a seu irmão ou dar a Deus o resgate dele” (Sl 49.7).

“Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do Senhor” (Sf 1.18).

A verdade que Jesus veio transmitir para nos redimir é que a Lei mostra o pecado, mas não tem poder para nos redimir, nos transformar, nos tornar justos diante de Deus.

Pela Lei – como estava o homem?

A Lei não era um fim em si mesmo. A Lei de Moisés era uma preparação para a aceitação da justiça plena de Deus que viria pela graça em Jesus Cristo. Era imprescindível que Jesus viesse e a Lei nunca poderia ou conseguiria tomar o lugar de um salvador, de um remidor para a humanidade.

Quando Jesus inicia seu ministério, a sociedade judaica está envolta em um legalismo absoluto, como se a Lei fosse a razão única e exclusiva de sua salvação, ou seja, não reconheciam que por si mesmos não bastava que cumprissem a Lei, sempre haveria transgressão após transgressão.

Como escreveu o Pr. Billy Graham em seu famoso livro “Paz com Deus” (CPAD), pelo sangue de Jesus:

“Não apenas somos redimidos das mãos do Diabo, mas das mãos da Lei que foi entregue por Deus por intermédio de Moisés. A morte de Cristo me tira do controle da Lei. A Lei me condenou, mas Cristo satisfez cada acusação.”

O apóstolo Paulo, antes legalista, do partido dos fariseus que serviam ao Sinédrio, após seu encontro real com Jesus teve que admitir, que todos os homens judeus, apesar de disporem da Lei de Deus, sem Jesus ela nada valia, estavam todos mortos:

“Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” 1 Coríntios 15:56

Cristo veio, portanto, para nos dar a vida que a Lei não tinha a capacidade de dar, mas apenas de orientar o caminho até a chegada do Filho de Deus, que é maior que toda a Lei.

Jesus veio para nos dar vitória sobre o pecado, sobre a morte, sobre o Diabo, sobre o inferno, e firmados nEle somos mais que vencedores neste presente século da graça.

“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” 1 Coríntios 15:57,58

Deus enviou o seu filho para morrer

A promessa de um salvador feita na dispensação da inocência foi cumprida na graça

Jesus era e é o único remédio para o pecado. Toda a Lei e todas as tipologias do Antigo Testamento apresentavam o Senhor Jesus Cristo, anunciado por Deus desde o Jardim do Éden, na dispensação da inocência.

Deus enviou o seu filho. Jesus é o filho unigênito. Unigênito significa o único gerado, eternamente gerado, não possui início e nem fim. (Jo. 1.1-2)

O filho é a segunda pessoa da trindade divina. Não é que existam três “deuses”, mas um único Deus que subsiste em três pessoas: O Pai, O Filho e O Espírito Santo, e a Bíblia é bem clara ao fazer a distinção das três pessoas da trindade e de demonstrar que estão intimamente ligadas e entre elas não há contradição, não há divergência, há um único entendimento, propósito, pensamento e direção.

Deus já havia anunciado ao Diabo no Jardim do Éden que da mulher sairia alguém que pisaria na cabeça da serpente, ainda que esta lhe ferisse o calcanhar, que é uma parte do corpo que não é vital. (Gn. 3.15)

O Diabo trouxe o pecado a o coração e à mente do homem e o mundo estava e está repleto do pecado. Todos os distúrbios mentais, todas as doenças, todas as perversões, toda a destruição, todas as guerras, tudo isso encontra a sua raiz original no pecado. Ele causa loucura no cérebro e veneno no coração.

Foi o que aconteceu durante aquelas cinco primeiras dispensações, depois que o homem, representado por Adão deixou o Diabo dominar a sua vida e as suas decisões, produzindo em si a morte, opondo-se contra Deus que é vida (veja que havia a árvore do conhecimento do bem e do mal e da vida). (Rm 5.12)

A única solução para resgatar o homem da condição em que estava, primeiro, era preparar um caminho para que o homem pudesse começar (uma sombra) a seguir, e nisso foram escolhidos os judeus, sendo-lhes entregue a Lei de Deus, em segundo lugar, no meio deste povo escolhido o próprio Deus teria que descer para justificar o pecador.

O próprio Filho de Deus era a única personalidade do universo que tinha a capacidade de carregar, em seu próprio corpo, os pecados de todo o mundo. Teria que ser desprezado e rejeitado por todos, um homem de tristezas, familiarizado com a angústia. Teria que ser ferido por Deus e separado dEle.

Teria que ser ferido pelas transgressões dos homens e moído pelas iniquidades deles. O seu sangue teria que ser derramado para expiar o pecado da raça humana, pois sem derramamento de sangue não há expiação de pecado (Lv. 17.11). E tudo isso, voluntariamente. (Jo 10.17-18)

Jesus veio para ser o substituto perfeito o Grande Mediador da história. Ele se fez carne e sangue para que pudesse morrer por nós (Hb 2.14; 1 Jo 3.5).

O propósito da vinda de Cristo ao mundo foi para que Ele pudesse oferecer a sua vida como um sacrifício pelos pecados dos homens. Ele veio para morrer.

Próxima aula: A dispensação da Graça – parte 2

A dispensação da Lei – parte 4: restauração e plenitude dos tempos

Ainda na dispensação da Lei, os judeus ficaram 70 anos cativos sob o império babilônico e persa. Cumprido o tempo determinado, Deus usa os imperadores persas para libertarem o povo de Israel em três fases. Com a restauração de Israel como nação é iniciado o processo da “plenitude dos tempos”.

dispensação da lei

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

A dispensação da lei durou 1.430 anos: da saída do Egito, com a chegada ao monte Sinai, até a crucificação de Jesus. (Ex. 19.8). 

O Juízo desta dispensação foi o cativeiro de Israel (assírio, babilônico e persa), assim como a colonização de Israel por outras potências mundiais, como a Grécia e Roma. 

O término da dispensação se deu com a ineficácia da Lei para o plano da salvação, e com o sacrifício de Cristo na cruz do calvário (Gl. 3.24,25). 

Ponto de partida – os primeiros e últimos anos do cativeiro

O Senhor Deus deixou bem claro que o povo de Judá não ficaria pouco tempo no cativeiro. Assim, advertiu-os a construírem casas, construir jardim, desfrutar do que conseguissem no lugar para onde foram. (Jeremias 29:5)

Ainda, recomendou que constituíssem suas famílias e se multiplicassem e continuassem sendo um único povo, sem diminuírem de número. (vs. 6)

Ordenou que procurassem viver em paz para onde foram levados. Isto é, que não tentassem a violência nem qualquer ato de rebelião, pois havia sido o Senhor que permitiu que fossem transportados para lá. (vs. 7)

Portanto, deveriam orar pelo lugar para onde foram, porque tendo paz naquele lugar eles teriam anos de paz.

Leia antes: A dispensação da Lei – Parte 1 – Parte 2 – Parte 3

Daniel e seus amigos

O jovem Daniel e seus amigos Ananias, Misael e Azarias, ao chegarem na Babilônia tiveram seus nomes trocados para tornarem-se pertencentes à classe dos nobres daquela nação. Foram chamados de Baltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-nego. (Dn. 1.6-7)

Contudo, sendo fiéis a Deus, cientes de haviam sido transportados para a Babilônia, decidiram manter um programa de oração e consagração ao Senhor. Em primeiro lugar, ainda sendo classificados entre os nobres, não quiserem se comportar como os tais se comportavam. (Dn. 1.8-21)

Daniel recebeu do Senhor o dom da revelação no cativeiro (Dn. 1.17), tendo interpretado o sonho de Nabucodonozor, em que uma grande estátua feita de diversos tipos de metais, havia sido derrubada por uma pedra cortada sem a ajuda de mãos (Dn. 2.31-39), que esmiuçou a estátua e se tornou um monte que encheu a terra.

Em seguida, em outros tempos, seus três amigos vão para um pátio onde foi erguida uma grande estátua de ouro, diante da qual todos os moradores da Babilônia e os grandes e nobres deveriam curvar-se. (Dn. 3)

Contudo aqueles jovens se negaram a curvar-se diante do rei, pois tinham a completa ciência do porquê foram parar na Babilônia: em razão da idolatria do povo de Israel. (Dn. 3.16-18)

Sadraque, Mesaque e Abede-nego, ainda que sendo apenas três jovens, simbolizam o propósito da purificação da adoração do povo judeu a um único Deus. A conversão do caráter do povo judeu que havia sido escolhido para ser monoteísta (adorar apenas ao único Deus e Senhor).

Anos depois, ainda no cativeiro, houve um banquete em que o filho de Nabucodonozor, Belsazar, utilizou dos utensílios que foram apreendidos do templo do Senhor em Jerusalém, e escarneceu deles, quando uma mão escreveu na parede: “mene, mene, tequel, parsim”. (Dn. 5)

Apenas Daniel, que não estava em referida festa foi capaz de interpretar a escrita na parede que significava: “pesado foste na balança e foste achado em falta, teu reino está sendo retirado de ti”. (Dn. 5.26-31)

Vieram então os medo-persas e tomaram todo o império babilônico, iniciando-se o período do Império Persa. Contudo, Daniel continuou como um dos grandes também neste vasto império que era o maior daquele tempo.

O comportamento de Daniel de se consagrar ao Senhor e fazer muitas orações incomodou aos persas, pois tinham para eles que seu imperador era um “deus” e somente a ele deveriam se fazer petições. (Dn. 6)

Estes homens conspiraram contra a vida de Daniel fazendo o rei assinar um decreto de que qualquer homem que fizesse orações a outros “deuses” senão ao rei seria lançado na cova dos leões.

Como as leis persas eram impossíveis de serem revogadas, Daniel foi pego e lançado na cova dos leões. Como o imperador gostava muito de Daniel ficou apreensivo para ver como ele estava no outro dia pela manhã, quando ouviu a voz de Daniel dizendo do fundo da cova que estava tudo bem e que Deus tinha enviado um anjo que fechou a boca dos leões.

Os demais capítulos de Daniel são revelações escatológicas que serão analisadas ao final da dispensação da graça. (Dn. 7-12)

Ezequiel – o profeta do cativeiro

Já o profeta Ezequiel, também como um profeta do cativeiro, teve revelações profundas acerca da situação espiritual do povo judeu. Pregou suas profecias ao povo que estava cativo na Babilônia e para parcela dos pobres que ficaram morando em Jerusalém.

Deus falou a Ezequiel por várias visões. Um dos principais ensinos das profecias de Ezequiel é o da “responsabilidade individual” pelos pecados, sendo necessário uma renovação íntima, mudando o coração. (Ez. 18)

As profecias de Ezequiel também continham uma porção de esperança que sobreviria se Israel começasse a viver uma vida nova de obediência aos preceitos da Lei de Deus.

Ezequiel teve também revelações acerca do templo de Jerusalém e que se os adoradores do Senhor viverem uma vida dedicada a ele, o tempo de restauração estaria próximo.

O surgimento das sinagogas

Durante o período de cativeiro do povo de Israel na Babilônia os israelitas sentiram a ausência de um templo onde pudessem adorar a Deus. Assim, com o passar dos anos estando espalhados pelo império babilônico cada comunidade judaica foi montando seus pequenos templos que chamaram de “sinagoga” (assembleia ou congregação).

As sinagogas passaram a ser o local de encontro para as reuniões dos judeus para fazerem suas orações e onde resgataram o hábito dado ao Senhor Deus a Josué, meditar nas Escrituras. O hábito da leitura nas sinagogas tornou-se comum ao ponto de um dia exclusivo na semana ser reservado para esta leitura dedicada: o sábado. (Lucas 4.16)

Estima-se que no início da era cristã havia entre 395 a 480 sinagogas espalhadas em todas as nações do mundo antigo. Essa dispersão dos judeus em outras nações chama-se diáspora.

Restauração – as principais instituições dos judeus

Quando chegou o tempo certo profetizado pelo profeta Isaías, Deus deu graça a um dos imperadores da Pérsia chamado Ciro, que ao ler seu próprio nome nos escritos do profeta Isaías foi tomado pelo senso de responsabilidade em libertar o povo de Israel e restaurar seu local de culto: o templo. (Esdras 1.4)

Retorno com Zorobabel – a restauração do templo

A primeira parte do retorno dos Israelitas para seu país foi com um homem chamado Zorobabel, também chamado de príncipe entre os judeus. Foi dado a ele ouro, materiais e os homens que fossem necessários para edificar o templo. (Esdras 1.5-11)

Contudo, homens contrários à Israel enviaram cartas ao rei da Pérsia, difamando os homens judeus, dizendo que iriam construir fortalezas e ameaçar o império. Assim a obra foi parada.

Durante a paralisação da obra Deus usou os profetas Ageu e Zacarias para profetizar ao povo, para que tivessem responsabilidade e não gastassem dinheiro reformando suas casas e se esquecessem do Templo do Senhor. (Esdras 5.1)

Após um período sobreveio a autorização do rei da Pérsia para a conclusão do templo, que foi reerguido diante dos olhos do povo com muita emoção.

O templo reerguido não tinha o mesmo esplendor do templo de Salomão, mas só de estarem novamente em seu lugar próprio de adoração na Terra Santa foi motivo de muita emoção. Principalmente para os mais velhos que tinham visto a ruína do primeiro templo pelas mãos de Nabucodonozor. (Esdras 3.12-13)

Retorno com Esdras – a restauração da Lei

O que seria de um templo novo reerguido sem a que fosse ministrado sobre ele tudo aquilo que o povo não cumpriu da forma correta antes do cativeiro. O rei da Pérsia então ordena que o escriba Esdras fosse enviado para Jerusalém para oficiar como o sumo-sacerdote do templo de Jerusalém. (Esdras 7.6)

Lá chegando, diante de todo o povo pegou o livro da Lei em suas mãos, era indescritível a emoção. Colocou-o sobre o altar e começou a lê-lo e ensiná-lo com ousadia e graça diante de todo o povo de Israel. (Esdras 10.1)

Após algum tempo ministrando a palavra diante do povo de Israel, celebrando os cultos, os sacrifícios e as festas, percebeu que havia algo que ainda não estava correto. A leitura da palavra estava cansando o povo, estava em falta alguma coisa.

Ao passar os seus olhos sobre todo aquele povo, percebeu que ali não havia nenhum levita. Ou seja, o povo que estava diante dele recebendo a palavra estava sedento pela adoração. (Esdras 8.15-20)

Esdras então envia homens para trazerem levitas para Jerusalém para que ministrassem os louvores no templo, para que a adoração de corpo, alma e espírito fosse completa no templo do Senhor.

Retorno com Neemias – a restauração da Cidade Santa

O povo já havia restaurado seu templo, já havia restaurado a Lei e a adoração ao Senhor. Mas ainda não havia restaurado o seu orgulho como nação.

Jerusalém ainda estava queimada, destruída, com os muros caídos. Era necessário alguém que pudesse restaurar a Cidade Santa liderando o povo em uma grande obra pública.

Neemias, servindo o rei da Pérsia como copeiro, ao ler uma carta de um de seus irmãos fica entristecido por saber que a Cidade Santa ainda permanecia destruída, sendo incapaz de esconder a sua tristeza diante do rei.

Pelo que o rei é tomado pelo sentimento de Neemias e autoriza que ele pudesse retornar a Jerusalém e restaurar os muros da Cidade Santa, podendo levar o que ele precisasse para que esta obra fosse realizada.

Neemias, então, reúne homens e vai a Jerusalém constatar a situação e dar início à grande obra. Ele passa por várias situações complicadas, como a afronta de homens cruéis como Sambalate e Tobias que queriam parar a obra com suas conspirações.

Contudo, a determinação e a fé inabalável de Neemias fortalecia o ânimo de todo o povo que, além de encontrar forças no Senhor para concluir a obra em cinquenta e dois dias, aprendeu ficar alerta e vigiando as brechas do muro para se defender de todo perigo que surgisse.

Ao término do muro, o governador Neemias se reuniu com Esdras no templo, e juntos celebraram um grande culto de ação de graças, lendo a Lei do Senhor diante de todos.

A leitura conjunta da Lei de Deus se tornou rotineira, demonstrando que haviam aprendido com o cativeiro, que tudo o que o Senhor lhes requeria era o cumprimento da sua Lei (Ne 8.1-3, 8-10; 9.3, 32-38).

“E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse. E Neemias, que era o governador, e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus, então não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei.” Neemias 8:8,9

A Plenitude dos Tempos

A plenitude da dispensação da Lei. Tudo o que era necessário que Deus fizesse com o povo de Israel havia sido feito e cumprido.

Israel ficou tão firmado nos ensinamentos de Deus por meio do juízo do cativeiro, que vieram outras culturas que dominaram a palestina no pós-cativeiro, como a Grécia, com a grande helenização do mundo promovida por Alexandre “O Grande”, que teve um grande impacto quando percebeu a força moral do povo judeu, que não se dobrava perante os poderes humanos, nem negociavam a sua religião.

Os generais de Alexandre, após seu falecimento, ficaram no poder do império grego e ficaram tão interessados na ética judaica, que ao término da construção da grande biblioteca de Alexandria, no Egito, convocaram setenta e dois escribas judeus com experiência, para traduzirem o Livro Sagrado dos judeus a “Torá” para o grego.

Referida tradução ficou conhecida no mundo antigo como “a tradução dos setenta”, ou como melhor conhecida, “a septuaginta” (LVXX).

Após os gregos vieram também os imperadores romanos, que encontraram um povo que lutou pela sua liberdade de religião, pelos seus templos e sinagogas que funcionavam em várias cidades espalhadas pelos países vizinhos. Tentou por vezes impor a cultura e religião romana, mas não havia como fazê-lo, pois o povo não se rendia a outros deuses.

Assim, a única religião que foi tolerada perante todo o vasto império romano foi o “monoteísmo judaico”, tendo sido feito juntamente com os líderes religiosos locais e os políticos romanos um compromisso, uma aliança, entre o templo que reunia dois partidos religiosos: os saduceus e os fariseus, e entre os governadores e pontífices (prefeitos e tribunos) romanos.

Com o tempo tal relação foi se tornando corrupta, foi deixando de ser santa e pura, os rituais começaram a estar mais ligados ao domínio social do povo do que propriamente a servir a Deus de coração e entendimento.

A Lei de Deus realmente começou a ser cumprida, visto que tanto os líderes como todo o povo tinha como grande valor o cumprimento total e literal das Escrituras Sagradas.

Porém, não era bem esse cumprimento que Deus queria dos homens, e pelo exagero, pela religiosidade, também não conseguiram agradar a Deus, tendo Ele que enviar seu filho para cumprir toda a Lei no lugar dos homens, para nos mostrar o que Ele espera de nós.

A Lei não se mostra suficiente para agradar a Deus, senão pela maravilhosa graça de Jesus Cristo, que se fez Lei por nós na cruz do calvário.

Próxima aula: A dispensação da Graça – Parte 1

A dispensação da Lei – parte 3: cativeiro assírio e babilônico

Ainda na dispensação da Lei, após a corrupção dos reis de Israel os anos de cativeiro profetizados pelo profeta Jeremias são cumpridos.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

A dispensação da lei durou 1.430 anos: da saída do Egito, com a chegada ao monte Sinai, até a crucificação de Jesus. (Ex. 19.8). 

O Juízo desta dispensação foi o cativeiro de Israel (assírio, babilônico e persa), assim como a colonização de Israel por outras potências mundiais, como a Grécia e Roma. 

O término da dispensação se deu com a ineficácia da Lei para o plano da salvação, e com o sacrifício de Cristo na cruz do calvário (Gl. 3.24,25). 

Ponto de partida – o cativeiro assírio e babilônico

Após os reis de Israel (Norte) e Judá (Sul), terem desagradado ao Senhor, levando o povo ao erro, deixando de cumprir as Leis de Deus, chegou o tempo preparado na dispensação da Lei para que o cativeiro lhes servisse de juízo, para que se voltassem para a vontade do Senhor.

Leia antes: A dispensação da Lei – Parte 1 – Parte 2

Israel como um todo, na dispensação da Lei, foi provado pelo domínio de três impérios diferentes, o império assírio, o império babilônico e o império persa, vamos analisar sucintamente cada um deles.

O cativeiro assírio

Conhecemos muito a assíria desde a terceira dispensação (a dispensação do governo humano), visto que sua capital Assur, e em seguida Nínive (Gn 10.10). Cidade fundada pelo “grande” rei Ninrode, homem que foi feroz e conduziu toda a população do mundo a se unir em um só comando em rebelião contra o Senhor (sendo um prenúncio bíblico do anticristo).

O império assírio cresceu de maneira estrondosa entre os anos 2.500 a.C. – 612 a.C. Seu maior crescimento se deu no tempo do rei Sargão “O Grande”, que com seu forte exército dominou os egípcios, os babilônios e o povo hebreu. Foi o primeiro “maior império do mundo”, antes dos persas.

Neste tempo do apogeu do Império Assírio é houve a divisão dos reinos de Israel entre Norte e Sul.

Jeroboão, primeiro rei do norte, foi o pioneiro na provocação da ira de Deus. De modo que, quando os demais reis pecavam contra Deus, a referência do erro era Jeroboão (1 Rs 15:8-9), pois dividiu a adoração do povo.

Vendo Jeroboão que os israelitas continuavam indo a Jerusalém adorar ao Senhor, temeu que sentissem saudade da descendência da Davi. Por este ciúme da adoração em Jerusalém que lembrava a Davi, inaugurou altares pagãos em Dã e em Betel (I Rs 12:28-29).

Após Jeroboão, todos os reis do norte suscitaram a Ira de Deus, por isso as tribos de Israel que ficavam nesta parte do reino foram as primeiras a sofrerem a investida do cativeiro. (I Cro 5.26; II Rs 15:29)

Os profetas que comunicavam a ira de Deus sobre os reis do norte

Entre os profetas mais famosos que profetizaram no reino do Norte estão Elias e Eliseu. Porém, outros profetas também profetizaram para os reis nortenhos, como: Aías, Micaías, Jonas, dentre outros.

Certo que os mais famosos por tentarem converter o coração dos reis do Norte ao Senhor foram mesmo Elias e Eliseu.

Elias – profetizou duramente contra o reinado de Acabe e Jezabel. Um reinado marcado por corrupção, avareza, homicídios, latrocínio e idolatria.

Eliseu – continuando o trabalho do profeta Elias profetizou duramente contra o reinado dos filhos de Acabe e Jezabel (2 Rs 6:32), denunciando a ira de Deus sobre a aliança entre Josafá e os filhos de Acabe (2 Rs 3:13-14).

As últimas oportunidades e o cativeiro

Deus deu diversas oportunidades para que os reis mudassem seu comportamento e obedecessem às suas Leis, até mesmo Ezequias, um dos bons reis de Judá (Reino do Sul) enviou cartas suplicando-se que deixassem a idolatria e fossem adorar em Jerusalém (2 Cr 30:1-11).

Contudo, os reis do Norte nunca se converteram, nem obedeceram a Deus (2 Rs 18:11-12). Assim, o Senhor os entregou nas mãos dos Assírios (2 Rs 18:11-12). As tribos do Norte, então, foram levadas por Salmanaser nos tempos do reinado de Oséias (2 Reis 17:3-6).

Conforme 2 Reis 17:24-41, o reino do Norte nunca mais se reergueu. O rei da Assíria mandou outros povos para ali habitarem, de outros costumes e religiões, havendo uma grande miscigenação que desagradou a Deus.

O versículo 41 revela que eles nunca deixaram seus costumes idólatras, ainda que também temessem ao Senhor. Assim permaneceu os costumes dos Samaritanos, situação que só seria resolvida com a graça do Evangelho (João 4:20-24).

O cativeiro babilônico

Deus livrou o reino do Sul (Judá) do cativeiro assírio (mais violento e perverso). Mas não poupou os reis do Sul do Juízo pelo descumprimento dos preceitos da Lei.

Um dos melhores reis de Judá foi Ezequias, que derrubou os altares idólatras, levou o povo a adorar em Jerusalém de modo que desde o reino de Salomão não tinha ocorrido tamanha adoração (2 Cro 30:25).

Ezequias liderou a resistência ao cerco de Senaqueribe, rei da assíria, contra o reino de Judá, com 185 mil soldados assírios.

Ocorre que após a enfermidade de Ezequias, tendo chorado perante Deus recebeu mais 15 (quinze) anos de idade, tendo o Senhor revogado a enfermidade e a morte que sobreviria (Is 38.1-5).

Ezequias gerou a Manassés uns dos piores reis de Judá. Foi um assassino terrível e irritou sobremaneira ao Senhor. Após veio o reinado de Josias, um excelente rei de Israel, em seguida os últimos reis (Josias, Jeioaquim, Joás e Zedequias) foram reprovados por Deus e sobreveio o cativeiro ao Sul para a babilônia.

Os profetas que anunciaram o cativeiro babilônico

Os profetas pré-exílicos mais famosos, que demonstraram os pecados do reino de Judá foram Isaías e Jeremias. Ambos viveram um tempo de religiosidade fingida, apenas voltada a ofertas e sacrifícios mascarando o desprezo e preconceito com os oprimidos entre o povo.

Isaías

Isaías foi o profeta entre os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (portanto, foi contemporâneo do cativeiro do reino do Norte), provavelmente foi morto por ordem de Manassés filho de Zedequias.

O profeta Isaías denunciou a falsa religiosidade e o desrespeito ao verdadeiro sentido do culto e da adoração a Deus entre o povo de Judá (Isaías 1:16-17).

Foi usado por Deus para tecer críticas contra a injustiça social praticada por todo o povo, incentivado por seus monarcas, grandes e ricos que oprimiam o trabalho dos pobres (Isaías 5:8-24).

Jeremias

O profeta Jeremias foi também chamado por Deus para entregar mensagens duras de juízo para o povo de Judá. Jeremias começou a profetizar no reinado de Josias. Um reinado de bonança, de reformas estruturais no templo.

Mas o tempo de bonança não impediu a profecia crítica de Jeremias por causa da infidelidade do povo e sua adesão a outros deuses (idolatria), principalmente aos baalins. E razão da aparente prosperidade de Judá, o povo desprezou a mensagem e não lhe deu ouvidos. (Jr 22.1-5, 15-16).

Josias porém deixou de pagar impostos para a Assíria, e ali começou o intento dos dominadores sobre Judá (2 Rs 22.1-23,27).

Após a sucessão de Josias por seu filho Jeoaquim, Jeremias criticou duramente as atitudes desse rei (Jr. 22.13-19), proferindo o discurso sobre o templo (Jr. 7.1-15), o versículo 11 seria reproduzido pelo Senhor Jesus no templo, no final da dispensação da Lei.

Zedequias, o último rei de Judá, assume o trono com 21 anos de idade, para dirigir um Judá arruinado, com várias cidades destruídas e uma economia desorganizada, se submete aos babilônios e se mostra indeciso.

Nesse momento surge uma disputa para determinar a identidade do Povo de Deus entre aqueles que foram para o Exílio na Babilônia e aqueles que ficaram em Judá.

Jeremias se nega a participar de uma visão simplista (cap. 24) e coloca o assunto dentro da política realista: Zedequias e a corte de Jerusalém são incapazes de salvar o povo do desastre.

Essa profecia também causa perseguição contra Jeremias. Mas Nabucodonozor chega com seus oficiais, incendeia o Templo, o palácio, as casas e derruba as muralhas e leva o restante do povo cativo, ficando apenas os pobres e os desprezados.

Assim cumpriu-se a profecia:

“Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram. Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do Senhor pela boca de Jeremias), despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, o Senhor seu Deus seja com ele, e suba.” 2 Crônicas 36:21-23

Próxima aula: A dispensação da Lei – Parte 4

A dispensação da Lei – parte 2: Juízes e Reis de Israel

Após a conquista da terra prometida sob o comando de Josué, o povo de Israel é provado no cumprimento voluntário da Lei, mas falha e é julgado por homens levantados por Deus para livrar o povo. Em seguida Israel pede um Rei para seguir, dando início ao tempo dos reis de israel, muitos maus e poucos bons, o que distanciou o povo do cumprimento das Leis de Deus, que levou o povo a sofrer o juízo do cativeiro.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

A dispensação da lei durou 1.430 anos: da saída do Egito, com a chegada ao monte Sinai, até a crucificação de Jesus. (Ex. 19.8). 

O Juízo desta dispensação foi o cativeiro de Israel (assírio, babilônico e persa), assim como a colonização de Israel por outras potências mundiais, como a Grécia e Roma. 

O término da dispensação se deu com a ineficácia da Lei para o plano da salvação, e com o sacrifício de Cristo na cruz do calvário (Gl. 3.24,25). 

Ponto de partida – a divisão da terra de Canaã na conquista de Josué

Após a conquista de Canaã, o povo de Israel sob a liderança de Josué recebeu a divisão da terra conforme as tribos dos filhos de Jacó.

Quando o Senhor entregou os amorreus nas mãos de Israel, o sol parou em Gibeão e, a lua, no vale de Aijalom. Segundo especialistas, essa manifestação poderosa na natureza pode ter durado entre doze e vinte horas (Js 10.12-15).

Dos capítulos dez ao doze do livro de Josué, uma sucessão de vitórias sobre diversos reis cananeus é narrada. À medida que os israelitas avançavam, a terra era conquistada e a distribuição dela aconteceu através de sorteiro, supervisionado por Josué, Eleazar e líderes das tribos (Js. 14.1-5).

Assim, a tribu de Rúbem, Gade e meia tribo de Manassés ocuparam a terra situada a leste do rio Jordão. Judá, Efraim, a outra parte de Manassés, Benjamim, Simeão, Issacar, Aser, Naftali e Dã, instalaram-se a oeste do mesmo rio. Posterior à divisão da terra, o tabernáculo foi edificado em Siló (Js 18) – que foi, por assim dizer, o primeiro Distrito Federal (sede da nação), local de adoração e centro de realização das festas e cultos de Israel.

Mapa da divisão da terra:

Vale ressaltar que os levitas não herdaram terra, pois o Senhor Deus lhes disse que Ele mesmo (o próprio Deus) seria a sua herança, visto que a eles foi concedido os direitos sacerdotais do Templo/Tabernáculo (Js 13.33).

Em todo o território, dividiram-se entre quarenta e oito cidades (Js 21.41).

Josué, em seus últimos dias antes de falecer, conclamou o povo a obedecer aos mandamentos do Senhor e os alertou acerca dos perigos da desobediência. Advertiu que o povo lembrasse que todas as conquistas feitas foram possível pelo braço forte do Senhor Deus Jeová, pois foi o Todo Poderoso quem pelejou por Israel (Js. 23.6-9).

Josué, por fim, reuniu todas as tribos, e advertiu que o povo que naquele ato fizesse a escolha entre servir a Deus ou aos outros deuses cananeus, e o povo escolheu servir ao Senhor (Js. 24:14-18), tendo Josué advertido que Deus é Deus zeloso que não abrandaria suas mãos sobre os desobedientes (Js 24.19-27).

Leia também: A dispensação da Lei – parte 1

O tempo dos Juízes de Israel – ciclo vicioso entre infidelidade, domínio e livramento

Após o compromisso feito perante o Deus de Josué, o povo não foi fiel às suas próprias palavras e cada um começou a fazer “o que bem parecia aos seus olhos” (Jz 17.6).

Isso porque a Lei não foi respeitada voluntariamente pelo povo. Não havia ninguém para impor a Lei, fazendo-os cumprir sob coação o que Deus ordenou.

Assim, sem uma liderança forte, a rebelião, a corrupção a apostasia dominaram todo o povo, o que trouxe grandes sofrimento e opressão por parte dos inimigos, sob permissão de Deus. Quando o povo se arrependia, e voltava a buscar ao Senhor, ele levantava um Juiz (seja homem ou mulher) para livrar o povo das mãos dos opressores.

Bastou que morresse Josué, simplesmente a ausência de um liderança, para que o pecado, a idolatria e as alianças com outros povos (o que era abominado por Deus), corrompesse a nação. O Senhor, então, por seu Anjo, repreende duramente ao povo de Israel dizendo que “os deuses dos povos vizinhos (isto é, a idolatria) lhes seriam por laço” (Jz 2.1-3).

O que vem em seguida é um tempo de sofrimento, de distanciamento de Deus, de arrependimento e de livramento por intermédio de um homem ou uma mulher cheia do Espírito de Deus para livrar o povo das mãos dos povos vizinhos.

Tabela dos Juízes de Israel

JUIZPOVOS OPRESSORESTEMPO DE OPRESSÃOTEMPO DE PAZ
OtnielMesopotâmia08 anos40 anos
EúdeMoabitas18 anos80 anos
SangarFilisteusNão informadoNão informado
DéboraCananeus20 anos40 anos
GideãoMidinitas07 anos40 anos
TolaNão InformadoNão Informado23 anos
JairNão InformadoNão InformadoNão Informado
JeftéAmonitas18 anos06 anos
IbsãNão InformadoNão Informado07 anos
ElomNão InformadoNão Informado10 anos
AbdomNão InformadoNão Informado08 anos
SansãoFilisteus40 anos20 anos

Ao fim do livro de Juízes vemos um cenário triste em que o povo, sem uma liderança, relutava em cumprir as Leis de Deus voluntariamente, a idolatria, a degradação moral e espiritual são evidenciadas.

O tempo dos Juízes termina de maneira triste, em que o povo, em razão do triste episódio de feminicídio (Jz 20-21), entra em guerra civil, todas as tribos de Israel contra homens degradados moralmente da pequena tribo de benjamim. Ao vencer a tribo de benjamim após muitas perdas de vidas, a fim de que a pequena tribo não deixasse de existir, mulheres foram trazidas de outras tribos para que suscitassem descendência a benjamim e assim mantivesse viva a tribo, da qual viria o Apóstolo Paulo.

O povo pede um Rei ao Senhor

Samuel, o sacerdote, juiz e profeta avisa o povo dos perigos desta escolha

Todos conhecemos a história de Ana, Elcana e Penina, acerca do nascimento de Samuel, uma criança fruto de um milagre (visto que Deus abru o ventre de Ana que era estéril) e foi entregue para servir ao sumo sacerdote Eli no templo em Siló, que julgou Israel por quarenta anos, mas era fraco em caráter e permissivo, instruiu mal os seus filhos Hofni e Fineias que eram corruptos, roubavam ofertas do templo, eram adúlteros, promoviam o pecado e Eli, seu pai, os acobertava (I Sm. 2.22-25).

O Senhor Deus, então, usa Samuel ainda criança, para profetizar para Eli que seu sacerdócio fora rejeitado, comprovação disso os dois filhos de Eli foram mortos e a arca da aliança foi roubada pelos filisteus e ao receber a notícia Eli caiu da cadeira e quebrou o pescoço (I Sm 4.17,18), assim foi a demonstração a todo o povo que Deus era com Samuel (I Sm. 3.19-21).

O povo, então, depois de anos sendo julgado e cultuado perante Samuel em Siló, pede um rei, a exemplo das demais nações que tinham um rei para saírem para guerras. Cedo ou tarde isso aconteceria, visto que Deus, em sua onisciência, já havia dado um estatuto para quando isto acontecesse, mesmo que não fosse de sua plena vontade, mas permitiu que ocorresse (Dt 17.14-20).

Samuel se sentiu mal com o pedido do povo, mas Deus disse que Samuel não se sentisse assim, pois quem estava na verdade sendo rejeitado era o próprio Deus (I Sm 8.6,7). Os israelitas, em vez de colocar a culpa em seus próprios desvios, erros e pecados, colocou a culpa no sistema (teocrático) e achavam que com um rei no comando (monarquia), os erros não mais aconteceriam.

Queriam um líder humano para representá-los, como tinhas as demais nações (I Sm 8.20), deixando, assim, de reconhecer o governo de Deus sobre eles (teocracia), (I Sm 8.7).

Samuel, tomado por Deus, então, alerta o povo de que quando chegasse o momento da opressão dos povos, pela desobediência, pela rebeldia, quando clamassem por ajuda não os atenderia (I Sm 8.10), visto que escolheu ser governado pelos homens. Mas, ainda assim, permaneceram na vontade de ter um rei, para imitar as demais nações (I Sm 8.19,20).

Os Reis de Israel – a divisão do reino e o cativeiro anunciado

A Soberba de Saul

Saul foi o primeiro rei de Israel, ovacionado pelo povo e permitido por Deus. Deveria iniciar seu reinado com humildade, visto que vinha da menor das tribos, a tribo de Benjamim. Todavia, a sede pelo poder tomou conta do seu coração ao ponto de nem mesmo respeitar o sacerdócio de Samuel.

Saul passou a pensar que era o sacerdote, representante do próprio Deus que lhe devia obediência, e usurpou o seu lugar sacrificando, o que não era da sua alçada. A obediência à Lei de Deus era melhor do que os procedimentos, os sacrifícios. E isso ele aprendeu da pior maneira, sendo rejeitado pelo Senhor.

A humildade de Davi

Em alguns momentos o poder também tomou conta de Davi, visto que seu pior erro foi o adultério, pois achava que estava acima da Lei e poderia ter o que queria, matando Urias e casando-se com Bate-Seba. Aprendeu que não lhe era permitido oprimir a vida de ninguém, e o aprendizado foi da pior maneira. Foi julgado por Deus em sua própria casa, seus filhos se voltaram contra ele, se tornou um fugitivo no prórpio reino.

O diferencial de Davi para Saul, é que Davi, independente de quem estava no trono, teve por vezes a humildade e plena convicção de reconhecer que quem governa os tempos e as épocas é o Senhor, que está acima de todas as coisas. Ao quebrantar o seu coração, Davi era chamado de “homem segundo o coração de Deus” e recebia as misericórdias do Senhor.

A vaidade de Salomão

Salomão não foi um Rei ruim, porém seu problema foi ter colocado o glamour da posição do reinado, na frente de desfrutar sua vida com Deus. A materialidade tomou conta do seu coração, e ao fim da vida percebeu que tudo era passageiro e mais valia ao jovem lembrar do Senhor.

Por isso Jesus nos alerta para ajuntar tesouros nos céus em primeiro lugar, para que não vivamos uma vida servindo às vaidades da vida, no lugar de enriquecer os céus, que é a única esperança que temos quando chega a idade e os dias em que não podemos mais fazer muitas coisas sozinhos.

Os demais reis de Israel:

Após a morte do Rei Salomão, subiu o trono seu filho Roboão, que fez um discurso duro perante o povo, de que seriam mais pesado (em impostos) de que o seu pai, e nisso foi rejeitado por parte do povo que seguiu Jeroboão, e o reino foi dividido em Reino do Sul (Judá) e Reino do Norte (Israel).

Todavia, Reino divido não subsiste e os reinos não duraram muito tempo sem ameaças de nações inimigas.

REIS DO NORTE

REISDATASTEMPO DE REINADO
Jeroboão931 – 910 a.C22 anos
Nadabe910 – 909 a.C.02 anos
Baasa909 – 886 a.C.24 anos
Elá886 – 885 a.C.02 anos
Zinri885 a.C.7 dias
Onri885 a.C.12 anos
Acabe874-85322 anos
Acazias853-8522 anos
Jorão852 – 84112 anos
Jeú841-81428 anos
Jeoacaz814-79817 anos
Jeoás798-78216 anos
Jeroboão II793-75341 anos
Zacarias753 a.C.06 meses
Salum752 a.C.01 mês
Menaém752-74210 anos
Pecaías741-740 a.C.02 anos
Peca752-732 a.C.20 anos
Oseias731-72209 anos

Ao todo 19 (dezenove) reis reinaram no norte, todos os reis do norte foram ímpios e desagradaram ao Senhor.

REIS DO SUL

REIS DE JUDÁDATATEMPO DE REINADO
Roboão931-91317 anos
Abias913-91003 anos
Asa910-86941 anos
Josafá872-84825 anos
Jeorão853-84108 anos
Acazias84101 ano
Atalia841-83506 anos
Joás835-79640 anos
Amazias796-76729 anos
Uzias792-74052 anos
Jotão750-73218 anos
Acaz732-71516 anos
Ezequias715-68629 anos
Manassés697-64255 anos
Amom642-64002 anos
Josias640-60931 anos
Joacaz60903 meses
Jeoaquim609-59811 meses
Joaquim59703 meses
Zedequias597-58611 anos

Ao todo 20 (vinte) reis reinaram no sul, alguns reis do sul foram aprovados por Deus.

O Juízo do cativeiro

Em virtude da conduta dos reis e da rebeldia do povo, em reiteradamente descumprir as Leis de Deus, o Senhor os entrega nas mãos das nações estranhas, para sofrer 70 (setenta) anos de cativeiro, pelos 70 anos em que descumpriu os anos sabáticos, em que a terra deveria descansar.

“Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram. Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do Senhor pela boca de Jeremias), despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, o Senhor seu Deus seja com ele, e suba.” 2 Crônicas 36:21-23

Próxima aula: A dispensação da Lei – Parte 3

A dispensação da Lei – parte 1

Após escolher para si um povo, o Senhor Deus estabelece as regras de comportamento daquela nação separada para ser chamada pelo seu glorioso nome.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

A dispensação da lei durou 1.430 anos: da saída do Egito, com a chegada ao monte Sinai, até a crucificação de Jesus. (Ex. 19.8). 

O Juízo desta dispensação foi o cativeiro de Israel (assírio, babilônico e persa), assim como a colonização de Israel por outras potências mundiais, como a Grécia e Roma. 

O término da dispensação se deu com a ineficácia da Lei para o plano da salvação, e com o sacrifício de Cristo na cruz do calvário (Gl. 3.24,25). 

Ponto de partida – a entrega da Lei para Moisés no Monte Sinai

Após a chegada do povo de Israel no monte Sinai, três meses após terem atravessado o Mar Vermelho, o Senhor ordenou que Moisés subisse ao monte para lhe dizer como deveria conduzir o povo, e se o povo lhe obedecesse, seria sua “propriedade peculiar, reino sacerdotal e povo santo” (Ex. 19.5). 

O povo, ainda que tendo visto as pragas no deserto, mesmo tendo visto o livramento de Deus a abertura do mar vermelho, ainda estava se sentindo abandonado, desamparado, sem direção. 

O Senhor Deus, mais uma vez, desejou manifestar a sua glória diante de todo o povo, como demonstração de sua santa direção e autoridade sobre todo o povo. 

Para isso, o senhor ordenou que Moisés preparasse todo o povo diante do monte Sinai, e quando o povo estivesse preparado, desceria sobre o monte na forma de nuvem (Ex. 19.9-13). 

Moisés obedeceu a ordem do Senhor, tirou o povo do arraial e postou-o ao pé do monte Sinai. Quando lá estavam a glória do Senhor lhes apareceu, de modo que ouviam Deus responder a Moisés no meio de fogo e glória (Ex. 19.16-19). Ninguém podia traspassar o limite para ver o Senhor, quem subisse, sofreria juízo.

No meio de toda aquela glória, Deus dá a Moisés os dez principais mandamentos:

  1. Não terás outros deuses além de mim.
  2. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor,o teu Deus, sou Deus zelo­so, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e obedecem aos meus man­damentos.
  3. Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão.
  4. Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor,o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou.
  5. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor,o teu Deus, te dá.
  6. Não matarás.
  7. Não adulterarás.
  8. Não furtarás.
  9. Não darás falso testemunho contra o teu próximo.
  10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.

As Leis de Israel

Na sequência o Senhor dá a Israel, além dos dez principais mandamentos, outros mandamentos de ordem social (cultura) e sacerdotal (cerimonial). 

Assim, o Senhor estabeleceu sua relação com o povo escolhido. As Leis demonstravam o caráter de Deus e suas promessas estavam sobre aqueles que bem cumprissem com suas ordenanças (Salmos 1; Josué 1.9). 

Todavia, é necessário compreender porque eram tão necessárias as Leis, e como elas são divididas para cada aplicação específica. 

Leia também: A dispensação da promessa – Parte 1 – Parte 2

Lei Ética ou Moral

A Lei Ética ou Moral de Deus é o decálogo (os dez mandamentos). Por meio dela se contempla a obediência básica do homem a postulados básicos que se cumpridos geram o temor de Deus e as bênçãos prometidas seguem aquele que for fiel a estes principais mandamentos. 

Mandamentos como o amor a Deus acima de todas as coisas, desprezar a idolatria, não praticar o roubo ou furto, honrar os pais, não matar, não adulterar, não dar falso testemunho e nem cultivar a inveja, revelam em si um aspecto moral que aproxima o homem e a mulher de um coração limpo e puro diante de Deus.

Lei Civil ou Cultural

As Leis Civis estão espalhadas em alguns pontos do Livro de Êxodo e no livro de Deuteronômio, elas revelam um comportamento social adequado que Deus queria do povo santo, para que não se deixasse levar pelos procedimentos e costumes dos povos vizinhos. 

Regras como o tratamento dos servos (escravos), não era permitido privar a vida inteira da liberdade. Servos não eram fruto de exploração e usura, mas decorrente de cobranças de dívidas que não podiam ser pagas (Ex. 20.2-3). Em consideração com leis de nações vizinhas, as regras colocadas para os hebreus foram muito mais brandas.

Outras diversas leis civis foram disciplinadas, como o casamento, o julgamento de um homicídio, a legítima defesa, e muitas foram comparadas com leis de países vizinhos, como a Lei de Talião (olho por olho e dente por dente), que já tinha sido colocada pelo Rei Hamurabi, centenas de anos antes. Parecia ser a legislação mais respeitada na época que ensinava a retaliação, preço por preço (Ex. 21). 

Lei Cerimonial ou Sacerdotal

É o livro de Levítico que ordena os rituais sagrados do templo, os sacrifícios do povo, as festas, os dias de guarda. Podemos ver alguns exemplos:

Os cinco sacrifícios (ofertas)

  1. Holocausto = consagração do povo a Deus (Lv. 1) – Sacerdote como mediador.
  2. Ofertas Pacíficas = comunhão (Lv. 3) – Sacerdote como mediador.
  3. Oferta de Manjares = gratidão (Lv. 2) – Sacerdote como mediador.
  4. Sacrifício pelo pecado = perdão (sangue derramado – Lv. 4-6) – Oferta obrigatória, sacerdote como intercessor.
  5. Sacrifício pela culpa (expiação) = restauração (Lv. 7) – Oferta obrigatória, sacerdote como intercessor.

As cinco festas

  1. Páscoa (Lv. 23:4-8) – Festa dos Asmos – Independência do Povo de Israel (Libertação do Egito).
  2. Primícias (Lv. 23:9-14) – Primeira colheita ao Senhor, trigo, espigas verdes, etc.
  3. Pentecostes (Lv. 23.15-25) – Sete semanas após a páscoa, contados 50 dias, uma segunda oferta de manjares ao Senhor.
  4. Tabernáculos (Lv. 23.33-44) – Memória do deserto. 7 dias habitando em tendas. 
  5. Expiação nacional (Lv. 23:26-32) – Expiação dos pecados do povo.

Os cinco dias de guarda

  1. Sábado (Lv. 23:3) – Descanso, lembrança do criador. 
  2. Lua nova – gratidão a Deus por um novo mês.
  3. Ano novo – gratidão a Deus por um novo ano. 
  4. Ano sabático – a cada 6 (seis) anos de plantação e colheita, Israel deveria consagrar um ano inteiro sem plantar nem colher, ao Senhor. (Lv. 25.1-7)
  5. Ano do Jubileu – a cada 49 anos, os Israelitas deveriam devolveu o acúmulo de posses e voltar para sua primeira habitação, dando graças a Deus por serem seu povo. (Lv. 25:8-55).

A Lei de Deus guiou o povo no Deserto

Tendo o povo de Deus recebido as Leis do Senhor, peregrinou no deserto, ergueu o tabernáculo para cumprimento das Leis Sacerdotais estabelecidas pelo Senhor, e foi garantida por Deus a obediência à Lei pela vida de Moisés, que instruía o povo. 

Contudo, até mesmo Moisés sofreu dificuldades no deserto em virtude do impulso da natureza humana em não querer cumprir ordens. Moisés experimentou a rebeldia de alguns, mas Deus mostrou a ele sua presença e direção no deserto, julgando todos aqueles que se levantavam contra a Lei do Senhor e seu líder escolhido para conduzir o povo.

Episódios do livro de Números, nos demonstram como, mesmo no início da dispensação da Lei já era difícil fazer com que o povo permanecesse na obediência e fidelidade a Deus. 

Podemos citar, brevemente, a murmuração por carne tendo Maná diário à disposição do povo (Nm 11); a sedição de Miriã e Arão (Nm 12); murmuração pelas guerras que enfrentariam na possessão da terra (Nm 14.22); A rebelião de Corá, Datã e Abirão (Nm 16), dentre outros episódios.

Ainda assim, com a força dos preceitos estabelecidos por Deus, Moisés conduziu o povo diante do Senhor até a terra prometida, de modo aos murmuradores e rebeldes terem morrido no deserto e seus filhos e filhas entraram na terra prometida.

A Lei de Deus garantiu a conquista da terra prometida

Não seria fácil a tarefa da conquista da Terra. Mais de 400 (quatrocentos) anos haviam se passado desde a dispensação da promessa. Povos de outras nações já tinham construído cidades e diversas fortalezas na terra que Deus tinha prometido a Abraão lhe daria.

Josué recebe apenas uma ordem do Senhor, para garantir perante o povo a presença de Deus, e a certeza da conquista da terra, com a vitória sobre todos os povos que estavam habitando na terra prometida: 

“Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boa o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás” Josué 1.7-8

E debaixo da obediência à Lei de Deus. Que era a ordem para esta dispensação, a vitória sobre aqueles povos foi certa. 

Próxima aula: A dispensação da Lei – parte 2

A dispensação da promessa – parte 2

Ainda na dispensação da promessa, após o livramento do povo escolhido de Deus da fome pelo cumprimento das promessas na vida de José, o povo de Israel é provado na escravidão do Egito. O Senhor levanta um libertador e concede a Lei ao povo no deserto.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Esta dispensação teve início com a Aliança de Deus com Abraão, cerca de 1963 a.C., ou seja, 427 anos depois do Dilúvio. Sua duração foi de 430 anos (Gl 3.17; Hb 11.9,13).

Esta dispensação é também chamada por alguns eruditos como “A Dispensação Patriarcal”. Por meio dela, Abraão e seus descendentes vieram a ser herdeiros da promessa.

A dispensação da promessa se estende de Gênesis 12.1 a Êx 19.8, e era exclusivamente israelita. A dispensação, como meio de provar a Israel, somente terminou com a libertação do povo do Egito e o estabelecimento e aceitação da Lei de Deus no Sinai.

Continuação da dispensação – a prova da escravidão no Egito

Leia primeiro: A dispensação da promessa – Parte 1

Após o falecimento de José, surge no Egito um novo governo. Lembremo-nos que o povo de Israel ficou em uma terra fértil no Egito chamada de Gósen (onde provavelmente hoje fica o Delta do Nilo – cidade futuramente chamada de Alexandria), assim o povo prosperou naquele lugar e despertou o novo Faraó do Egito, que passou a considerá-los como um povo independente dentro do próprio Egito.

Tanto é que Faraó chamou a atenção dos seus conselheiros, afirmando que se sobreviessem guerras, os hebreus poderiam se unir a outros povos para ameaçar o Egito (Êx 1.10). O que demonstra que as promessas feitas por Deus na vida do patriarca Abraão estavam se cumprindo, pois o povo estava se tornando uma grande e forte nação capaz de amedrontar os próprios egípcios.

Faraó passou então a tratar o povo hebreu com dureza, de modo a controlar-lhe o crescimento como povo, para que não se fortalecessem. Tanta foi a dureza de Faraó que ordenou às parteiras Sifrá e Puá que matassem os meninos nascidos e deixassem apenas as meninas com vida.

Contudo, as parteiras foram tementes ao Deus dos hebreus e não fizeram como Faraó lhes ordenara (Ex. 1.17). Pelo que elas foram abençoadas por Deus, pelo temor de não obedecer a Faraó e conservar com vida os filhos de Israel (vs. 20).

Faraó, então, deu uma ordem para todo o seu povo: lançarem os meninos dos hebreus no rio, mas quanto às filhas determinou que fossem mantidas com vida. (vs. 22).

Uma mulher hebreia atendeu ao quanto dito por Faraó, mas de forma diferente. Teve o menino e deixou-o crescer escondido por três meses e após este período tomou uma arca de juncos e revestiu com barro e betume e deixou nos juncos à margem do rio. (Ex. 2.3)

A filha de Faraó desceu ao rio para lavar-se e ela viu o cesto no meio dos juncos e abrindo viu o menino, que chorava, e moveu-se de compaixão dele, e logo percebeu que era diferente: “dos meninos dos hebreus é este”. (Ex. 2.6)

A filha de Faraó adotou o menino, deixando-o sob criação da própria mãe e ainda a deu salário para criar o próprio filho. Quando Deus cumpre as promessas ele proporciona todos os meios para que seja mantida de todas as formas. Não tem explicação.

dispensação da promessa

O menino já crescido voltou ao palácio, e foi adotado pela filha de Faraó que o chamou Moisés: porque das águas o tenho tirado. (Êx. 2.10)

Quando Moisés amadureceu, já um homem, percebeu a opressão que os hebreus sofriam, e ao ver um egípcio agredindo um hebreu, intentou contra a vida do egípcio e o matou e escondeu o corpo na areia. No outro dia, percebeu Moisés que era de conhecimento público o que havia feito, sabendo a penalidade de morte que sofreria em razão do crime que tinha cometido, fugiu para o deserto, para a terra de Midiã, e ali ficou por quarenta anos.

Moisés ficou quarenta anos no Egito, aprendendo toda a ciência e a arte daquela geração, porém, para que fossem cumpridos os propósitos de Deus na vida de seu povo, Moisés teve que passar pelo processo da desconstrução de Deus, para aprender a viver na dependência do Senhor. É quando o homem pensa que não tem mais nada, que o Deus das dispensações mostra que quem atribui valores é apenas Ele.

Após o período de tempo propício, Faraó faleceu, e o povo de Israel teve um momento de repouso de suas aflições, no qual choraram e clamaram a Deus por causa da servidão. E Deus se lembrou de suas promessas com Abraão, com Isaque e com Jacó (Ex. 2.23-25).

O tempo de escravidão no Egito teve propósitos

dispensação da promessa

1.  consolidar um povo na cultura e na língua

Em momento algum nós vemos o povo hebreu se misturando ou se comportando como os egípcios. Isso nos revela que em meio a todo o sofrimento no Egito, o povo de Israel não perdeu a sua consciência de povo separado, em cultura, em língua, pois sabiam das promessas de Deus para as tribos de Israel que eram bem conhecidas e mantidas pelo povo, preferencialmente as tribos casavam-se entre si, pela pureza das promessas (Êx. 2.1).

2.  multiplicar o povo mesmo no sofrimento diante do Egito

Mesmo diante do sofrimento no Egito, a maior prova da presença de Deus no meio do povo de Israel era seu crescimento no meio das aflições (Êx 1.12). Por toda a história podemos contemplar que Deus mantém este povo escolhido seu, pela promessa feita a Abraão. Quando mais este povo é perseguido e afligido, mais ele cresce e se fortalece. Tanto que assim como os Egípcios, todas as nações temem o seu crescimento e sua força que certamente vem do Senhor dos Exércitos.

3.  mostrar ao mundo o poder do Deus dos Hebreus

Deus chama Israel de seu “filho primogênito” (Ex. 4.22). Os povos e as nações são indesculpáveis, pois, desde o início dos tempos é visível a mão do verdadeiro Deus sobre o seu povo (Ex 15.14-16). Por isso, um dos propósitos de Israel, ainda no Egito, era mostrar aos povos a sua glória para cumprir as suas promessas na vida de seu povo. Não é a toda que, quando o povo de Israel chega diante de Jericó, todo o povo daquele cidade temeu, pois era público e notório o poderio do Deus de Israel, as palavras de Raabe são emblemáticas ao demonstrar esta realidade (Js 2.9-13).

Deus levanta um libertador

dispensação da promessa

Deus chama Moisés no meio da sarça ardente no deserto de Midiã. Não era incomum uma sarça queimar, o incomum era queimar e não se consumir. Deus chama Moisés como libertador do povo de Israel e promete a sua presença, pois o clamor dos Israelitas havia chegado a ele.

O Senhor prometeu não apenas a libertação do povo, mas também que sairiam abençoados da terra do Egito (Ex. 3.21-22).

Deus ainda prometeu a Moisés os sinais da sua presença para libertar o povo, ainda prometeu que Arão seria porta-voz na falta de eloquência de Moisés (Ex. 4). A verdade é que, quando Deus tem um propósito não importa quantas desculpas tenhamos para colocar impedimentos, o Senhor nos proporciona todas as estratégias e ferramentas para o cumprimento da promessa (Ex 4.11).

Deus julga o Egito pela opressão que impôs aos filhos de Israel

As Dez Pragas: os juízos de Deus sobre os opressores do povo.

  1. Água em sangue (Êxodo 7:14-24)

2) Rãs (Êxodo 8:2-14)

3) Piolhos (Êxodo 8:16-19)

4) Moscas (Êxodo 8:20-32)

5) Peste sobre bois e vacas (Êxodo 9:1-7)

6) Feridas sobre os egípcios (Êxodo 9:8-12)

7) Chuva de pedras (Êxodo 9:13-35)

8) Gafanhotos (Êxodo 10:1-20)

9) Escuridão total (Êxodo 10:21-23)

10) Morte de todos os primogênitos (Êxodo 11-12)

A libertação e um grande livramento: do mar vermelho ao Sinai

A morte dos primogênitos causou o maior vexame para a religião do Egito. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR” (Êxodo 12:12). Os governantes do Egito chamavam a si mesmos de “filhos de Rá”, e se autoproclamavam divinos.

Êxodo 12:23 – Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.


Todos os primeiros filhos do Egito foram mortos pelo Anjo mandado por Jeová: os únicos lares, que tiveram seus filhos poupados foram aqueles que obedeceram a um sinal mandado pelo Senhor. A instrução dada por Moisés foi: “Quando o Senhor passar para matar os egípcios, verá o sangue ali nãos batentes e não deixará que o Anjo da Morte entre nas sua casas para matá-los” (Êxodo 12:23).

Lembre-mos que Deus já tinha dito a Moisés que isso aconteceria:

“Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que eu matarei a teu filho, o teu primogênito.” Êxodo 4:22,23

A morte dos primogênitos foi uma grande humilhação. Certamente pressionado pela demanda popular, faraó enviou seus principais oficiais, ainda enquanto era noite, para chamar os odiados líderes hebreus, aos quais havia dito nunca mais vê-los (Êxodo 12:31). A rendição de faraó foi completa. Ele não apenas ordenou que deixassem o país e levassem tudo o que possuíam, como também pediu algo que os dois irmãos não poderiam imaginar: “Levai também convosco vossas ovelhas e vosso gado, como tendes dito; ide-vos embora e abençoai-me também a mim” (Êxodo 12:32).

Se as palavras de Moisés e Arão tinham trazido maldição, faraó deve ter suposto que elas também poderiam trazer bênção. Não se sabe como seu pedido foi recebido, mas o fato de ter sido feito é um forte indício de quão subjugado estava o seu orgulho.

Em três dias, o faraó recebeu notícias do progresso dos filhos de Israel. Agora arrependia-se por ter permitido que se fossem. Por esse motivo, mobilizou seu exército e liderou pessoalmente a cavalaria e os carros de guerra mais selecionados, em furiosa perseguição a seus antigos escravos. Alcançou-os perto das margens do mar Vermelho, e pressionou-os contra a água, num esforço para impedir-lhes de escapar.

Alguns grupos do povo judeu estavam prontos a combater os egípcios: outros preferiam afogar-se no mar ou fugir para o deserto, que arriscar-se a uma derrota e a volta à escravidão. Outras começaram a reclamar contra Moisés, temendo que ele os tivesse tirado da segurança do Egito para morrer no deserto. “Porque não havia túmulos no Egito,” exclamaram, “você nos tirou de lá às pressas para morrermos no deserto? Por que motivo nos tirou de lá? Por acaso não lhe dissemos no Egito: ‘Deixe-nos em paz, que serviremos aos egípcios? Pois é melhor para nós servirmos aos egípcios do que morrermos no deserto’” (Ex 14.11).

Porém Moisés, calmo e firme num dos mais difíceis momentos de sua vida, disse: “Não tenham medo, fiquem firmes e vejam a salvação do Senhor, que Ele mostrará hoje a vocês” (vs. 13).

Moisés liderou os israelitas até que chegaram bem às margens do mar Vermelho. A coluna de nuvens então trocou de posição: mudando da frente para trás das hostes hebraicas, flutuou entre os dois exércitos.

Então Deus falou a Moisés: “Levante seu cajado, estenda a mão sobre o mar, e o divida; e os filhos de Israel caminharão sobre o fundo do mar como em terra seca” (vs. 16). Moisés fez como Deus lhe ordenara. Levantou o bastão, estendendo a mão sobre o mar; levantou-se um forte vento leste que soprou por toda a noite. Com aquela tempestade, as águas do Mar Vermelho se dividiram, formando doze passagens, uma para cada tribo, juntando-se em paredes de água de cada lado, deixando doze trilhas secas no meio. Os israelitas marcharam ao longo destes caminhos secos que se estendiam de uma praia à outra.

Os egípcios continuaram sua perseguição, sem hesitar, pela mesma trilha. Porém as rodas de suas carruagens ficaram bloqueadas no fundo do mar. Não puderam continuar; sentiram que mais uma vez, estavam lutando em vão contra o Senhor. Voltaram-se para fugir, mas era tarde demais; a um comando de Deus, Moisés estendeu o cajado e as águas retomaram seu curso normal, fechando-se sobre os carros, cavalos e guerreiros, sobre todo o exército do faraó. Dessa maneira Deus salvou os filhos de Israel dos egípcios naquele dia. Israel testemunhou Seus grandes poderes; reconheceram Deus e acreditaram n’Ele e no seu servo Moisés. Então Moisés e toda a congregação cantou a Canção de Louvor a Deus pelo seu resgate maravilhoso.

Três dias após a saída do Egito, firmaram acampamento por um tempo próximo ao Sinai, onde Deus tinha determinado a Moisés que adorasse a Ele assim que saíssem da terra do Egito (Ex. 19), ali entregou Deus a Moisés a Lei Universal de Deus. (Ex. 20).

No Sinai, pelas mãos de Moisés, Israel recebe a Lei Universal de Deus (o decálogo).

Há uma diferença entre a Lei Universal, Civil e Sacerdotal.

A Lei Universal de Deus, ou os dez mandamentos (decálogo), são leis éticas válidas universalmente para todos os povos e todos os tempos.

As leis civis e sacerdotais de Israel serviram para organizar o povo no Deserto, e para instituir a cultura do povo escolhido de Deus, bem como para organizar os trabalhos sacerdotais no tempo, a adoração, os sacrifícios, as festas e os dias de guarda, como veremos na próxima dispensação.

Para todos os tempos e para todos os povos, a Ética do Sinai, a Lei Universal de Deus permanece válida e é o significado de que Deus quer que todos os povos obedeçam às suas ordenanças, pois no seguir e cumprir o determinado pelo caráter do Senhor, todos os povos podem usufruir das misericórdias do Senhor.

Próxima aula: a dispensação da Lei – parte 1