#09 – A Glorificação

A glorificação é o destino do salvo, que andou nos caminhos do Senhor, buscando a santificação em sua vida e recebeu a plenitude da santidade (Hb. 12.23). Entretanto, a vida do salvo glorifica a Deus e isso faz com que o crente possa desfrutar de aspectos da glorificação ainda nesta vida.

Antes de falarmos da glorificação, é necessário abordarmos pontos necessários da vida do salvo. Visto que ninguém entrará no céu de qualquer maneira. Ainda que a pessoa aceite a Jesus em seu leito de morte, deverá demonstrar genuíno arrependimento e sua glorificação terá restrições, como veremos adiante.

A vida do salvo – peregrinando para a glorificação

Ninguém nos dias de hoje quer ouvir sobre a condenação, pois ouvir sobre a condenação é ouvir sobre o inferno. E sem falar na realidade do inferno não é possível entender a salvação. Hoje o que mais as pessoas querem é ouvir acerca da cura divina e da prosperidade financeira, tornando a palavra da redenção um aspecto secundário.

É necessário que a pregação do evangelho exponha a vida pecaminosa para que haja um confronto entre o “estado de trevas” do pecador com a luz do evangelho (Jo. 3.19). Contudo, para que a pregação atinja seu resultado é necessário haver coerência entre o discurso e a prática.

A Igreja deve refletir ao mundo o que prega, vivendo genuinamente como salvos peregrinando para seu destino, que é a glorificação eterna. Como alguém quererá ir, ou será impactado e contemplará seu pecado, se não houver luz e quem divulga a realidade da condenação e da salvação?

O anúncio do evangelho deve refletir o alto padrão exigido para a vida do salvo. (Mt 5.48) Se houver receio de demonstrar a realidade do céu e do inferno, não há verdadeira exposição do evangelho.

Como vimos na aula anterior (santificação), está no caminho para a glorificação, aquele que busca a santidade, não o santarrão, mas aquele que é puro na mente, nos olhos, na fala e honesto nas relações sociais, evitando envergonhar o evangelho. (Mt 18.7; Mt 5.29, 30)

Não há qualquer peregrinação para a glorificação eterna em uma vida de murmuração, contendas, e verdadeira mistura com os comportamentos mundanos. É necessário refletir o brilho da glória de Deus para sermos considerados irrepreensíveis e separados do mundo (Fp 2.14, 15).

Portanto, a glorificação inicia-se aqui mesmo, através do testemunho dos crentes, pois depois de o crente ter passado pelo processo da salvação (justificação, regeneração e santificação), passa a refletir algo especial, a transformação real, visível, uma mudança verdadeira. Deus é glorificado através da vida dos crentes transformados (Mt 5.16;).

Aspectos de uma vida de glória

Como visto, a vida do salvo reflete a glória de Deus, e já experimenta as coisas de Deus aqui na terra, pelo cumprimento do sobrenatural (Mt 6.10).

Reflete a liberdade em Cristo

O crente não é escravo das coisas do mundo. Ao contrário do que o mundo acha, não é uma vida de abstinências infelizes, mas uma vida que reflete a verdadeira alegria e liberdade em Jesus (Jo 8.36).

Somos livres do poder do mundo

Ao contrário do que muitos acham, os vícios, as maldades, a corrupção, a desonestidade, a mentira, não são frutos da liberdade, mas da escravidão do pecado. O homem tem a natureza pecaminosa em si, e em si mesmo não tem forças para se libertar (Jo. 8.34).

Contudo, a salvação em Cristo nos fez livres do poder do pecado que domina o mundo, pois nos tornamos seres de outro lugar (Jo 15.19). O mundo passará, porém o salvo permanecerá para sempre (1 Jo 2.17). 

Somos livres do poder da carne

As paixões carnais não mais prevalecem na vida do crente (Gl 5.19-21). Embora o salvo ainda lute diariamente contra a carte, recebeu o poder de resistir, basta andar em Espírito (Gl. 5.16).

Somos livres do poder do diabo

O diabo vem para matar, roubar e destruir (Jo 10.10), mas não tem poder na vida do salvo, pois ele é revestido das armaduras de Deus (Ef 6.10-17).

Refletimos o caráter de Cristo

Dizer que “têm Jesus no coração” não é o suficiente. É necessário andar com Ele, se parecer com Ele. Ter o Espírito de Cristo é fazer parte de sua noiva (Rm 8.9).

Temos uma vida no Espírito

Demonstramos, de maneira natural e voluntária o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gl 5.22).

Temos uma vida justa

Assim como os fariseus tentavam encontrar defeitos em Jesus e não encontravam, assim devemos ser, vivendo uma vida justa como a do nosso Senhor (Mt 5.48).

Temos uma vida honrada

O crente salvo: é honesto, paga suas contas, cumpre com sua palavra, é pontual em seus compromissos, não usa de mentiras a título de desculpas ou justificativas, não guarda pensamentos impuros, não vive de maledicência, ofensas e mau humor.

Não adianta se dizer espiritual, portador de dons (1 Co. 1.7) e se comportar como meninos (1 Co 3.1).

Servimos a obra de Deus com alegria

As boas obras na vida do salvo serão reconhecidas: (1) pela sua inclusão no Corpo de Cristo; (2) pela sua comunhão com os demais salvos; (3) pela adoração; (4) pelo testemunho; (5) pela evangelização; (6) pelo ministério do socorro; (7) pelo uso dos dons espirituais. (Ef. 2.10)

Fazemos parte do Corpo de Cristo

Todo salvo deve estar abrigado numa igreja local, sob a autoridade de um pastor (c), assumindo papel como membro do Corpo de Cristo e agindo em conformidade com os respectivos movimentos do Corpo (1 Co 12.27).

Temos comunhão uns com os outros

A comunhão dos salvos os tornam um em Cristo, e um testemunho vivo de que possuem o Espírito de Cristo (At 4.32; 1 Co. 1.10).

Somos verdadeiros adoradores

Vivemos em constante adoração ao Senhor em Espírito e em verdade (Jo 4.24).

Damos bom testemunho

Somos sal da terra e luz do mundo, nossa vida, por si só, é verdadeiro testemunho para todos os que nos veem e nos acompanham no dia a dia (Mt 5.13-16; Jo 15.8).

Evangelizamos com prazer e dedicação

Deus liberta para libertar. Os verdadeiramente salvos em Jesus não conseguem manter a mensagem do evangelho só para si, é inevitavelmente prazeroso divulgar as boas novas de Cristo, sendo uma incumbência dada pelo Senhor Jesus (Mt 28.18-20).

Somos cheios e revestidos do Poder pelos dons espirituais

A justificação e a regeneração são frutos do convencimento do Espírito Santo na vida do crente, que está como agente passivo no momento da conversão, momento em que passa a habitá-lo (1 Co 3.16), se estabelecendo como selo a fim de guarda-lo para o dia da redenção (2 Co 1.22; 5.5; Ef 1.4) – todo salvo possui essas dádivas.

Todavia, ao receber o Espírito Santo na conversão (Jo 14.17), o salvo passa a ter uma postura de agente ativo, passa a ter a possibilidade de fazer uso da presença do Espírito Santo na sua vida, adquirindo os dons espirituais (revestimento de poder), por meio da busca em oração, geralmente iniciado pelo batismo com o Espírito Santo (1 Co 12.31; Lc 11.5-13).

Temos uma vida de crescimento

2 Pedro 2.5 – o apóstolo Pedro nos propõe uma vida de crescimento diante de Deus.

“Acrescentai à vossa fé”:

  • A virtude – excelência moral.
  • A ciência – experiências espirituais.
  • A temperança – autocontrole.
  • A paciência – perseverança, saber esperar.
  • A piedade – reverência para com Deus.
  • O amor fraternal – amar uns aos outros.
  • A caridade – o amor de Deus.

Esse constante crescimento espiritual é uma trajetória de fé que faz com que os salvos se tornem pessoas ocupadas nas coisas que verdadeiramente importam, vivendo a glória de Deus e a esperança da glorificação eterna.

Quem apenas possui a esperança futura e não reflete a glória ainda aqui, não demonstrando interesse em avançar nas revelações de Deus aos salvos, é chamado pelo apóstolo Pedro de “cego” (1 Pe 1.10).

A glorificação eterna

O destino dos salvos é o céu!

Jesus foi nos preparar lugar (Jo 14), e nos deu a esperança de vermos a sua glória eterna (Jo 17.24).

Contudo, não vamos viver a glorificação de qualquer maneira.

Há uma diferença na glorificação eterna na vida do salvo que peregrinou de glória em glória (2 Co 3.18), pelos aspectos que vimos acima, e daqueles que em último momento aceitaram ao Senhor Jesus, sem a prática dos frutos da justiça.

O nosso fundamento é Jesus Cristo. E é necessário vivermos uma vida que demonstra que somos feitura do Senhor, e caminhamos nas suas boas obras (Ef 2.10).

Quando fomos chamados para viver a sua glória, deveremos manifestar o que edificamos no fundamento que é Jesus Cristo em nossas vidas. É o que o apóstolo Paulo nos ensina em 1 Co. 3.11,15.

A obra de cada um se manifestará

Por isso enfatizamos os aspectos da glorificação na vida do crente, pois na glorificação eterna, aquilo que produzimos/edificamos ao Senhor será manifestado pelo fogo.

O apóstolo Paulo se utiliza de pedras preciosas como o ouro, a prata e as demais menos nobres, para metaforizar aqueles que receberão galardão da parte de Deus. Em seguida, se utiliza de materiais que que se consomem, coo a madeira, o feno e a palha, para enfatizar aqueles que pouco produziram/edificaram nesta vida.

Aquele que nada produziu, ainda assim será salvo, como pelo fogo, porém, não receberá galardão.

Galardão é retribuição pelos serviços prestados, é recompensa dada por Deus pelas obras que praticamos em obediência à sua vontade. A Palavra diz que Cristo vem sem demora, e com Ele está o galardão para cada um segundo as suas obras (Ap 22:12).

A Palavra de Deus chama o galardão de diversos nomes como: prêmio da soberana vocação de Deus (Fp 3.14); coroa da justiça (2 Tm 4.8); coroa de glória (1 Pe 5.4); coroa da alegria (1 Ts 2.19,20); coroa da vida (Ap 2.10), coroa incorruptível (1 Co 9.25,27).

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” Apocalipse 3:11

#08 – A Santificação

A Santificação inicia-se juntamente com a justificação e a regeneração e encerra o processo da salvação na vida do crente, diferenciando-se da regeneração por seu aspecto de  continuidade (progressividade) na vida do crente.

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A santificação é aliada a um dos atributos comunicáveis de Deus, a saber: A Santidade. Por isso, a santificação tanto depende do esforço humano como da ação divina na vida do crente.

Desde o início o chamado de Deus para o seu povo é para que ele seja “santo”. (Lv. 11.44)

E esse sentido contínuo da santificação foi trazido pelos remanescentes pentecostais. Como estudamos durante o ensino acerca da História da Igreja, no século XX, um movimento denominado “holiness” (santidade), por meio de John Wesley e demais evangelistas, mantiveram o aspecto da purificação na vida e no culto de todo genuíno cristão.

Por isso nossa ênfase de enfatizar a necessidade de uma vida santificada ao Senhor.

1- O que é santificação?

Ser santo, grosso modo, é a vigilância do crente em relação às coisas do mundo e ao pecado. Do hebraico “qadhash”, deriva da raiz “qad”, que significa “cortar”, “separar”. No grego “hagios”, também significa “separar”.

Portanto, é de se ver que Deus quer um povo dedicado, separado, consagrado, ao serviço do Senhor, que é a vontade expressa do Senhor na palavra (Lc. 1.70; Ef. 3.5; 2 Pe 1.21).

A santidade não se refere individualmente aos homens, mas à consagração ao Senhor, no sentido ético (indicando uma atitude diante das coisas de Deus) ou à Igreja do Senhor (Ef. 1.4; 5.27; Cl 1.22).

Santificação (hagiasmos), portanto, indica um processo na vida do cristão que o mantém na direção da exigência ética do Senhor, de que o homem e a mulher devem estar se consagrando, vigiando, se separando de tudo o que é impuro, mundano e pecaminoso.

2- Origem da santificação

Como dito, a santificação advém de um dos atributos de Deus, só é possível buscar a santificação, porque vem de Deus o caráter santo que devemos desenvolver. (1 Pe 1.15)

Santificação é um ato, um comportamento contínuo, e indica a mortificação diária do velho homem. Não é um processo que ocorre da noite para o dia, ou de imediato, como a justificação e a regeneração, pois requer uma atitude constante do crente. (Rm 6.6; 1 Pe 3.18)

3- Efeitos da santificação

Efeito interior – a santificação não é aparência exterior, mas a pureza do coração, a limpeza de toda maldade e corrupção. É o fugir da aparência do mal. Demonstração externa de santificação que não seja verdadeira interiormente é falsa. Essa foi a principal das reprimendas de Jesus contra os fariseus (Mt 23.25; 2 Co 7.1)

Efeito exterior – é o testemunho da vida cristã genuína. Não existe verdade sem o bom testemunho (Mt 5.16; Is 8:20). O bom testemunho é natural, é espontâneo, sem fingimento, como faziam os fariseus, chamados por Jesus de hipócritas (Mt 23.13-17; 19, 23, 25-27, 29).

4- Processo de santificação

  • No ato da conversão: o processo de santificação inicia-se logo em conjunto com a justificação e a regeneração (1 Co 6.11). A partir de que houve a lavagem pela água do novo nascimento no Espírito, perdoados foram os pecados, agora surgem atitudes a serem tomadas de não mais recuar, não mais olhar para trás e se misturar novamente com o mundo e com as concupiscências da carne, agora se vive para Deus (Rm 6.14).
  • No dia a dia: a santificação é progressiva (1 Ts. 3.12; 4.1,9,10). O dever diário do crente é seguir a santificação (Hb 12.14). O homem quando se converte não se torna um ser divino, mas um ser com uma natureza dúplice, humana e divina regenerada pelo Senhor. Por isso o conflito com o pecado permanece na natureza humana, e a ordem é resistir (Rm 6.12,13; 2 Co. 3.18).
  • Até chegar no céu: durante a vida não existe mais santo ou menos santo. Ainda que a Bíblica exija perfeição (Gn 17.1; Mt 5.48; Ef. 4.13), referida perfeição não é absoluta, pois o homem não está isento de pecar (Pv. 20.9; 1 Jo 1.8). Apenas no céu ninguém sofrerá das aflições do pecado, lá seremos chamados de “justos aperfeiçoados” (Hb 12.23).

5- Ação divina e esforço humano

Dividamente a santificação é obra do Pai (1 Ts 5.23), do Filho (Ef 5.25,26), e do Espírito Santo (2 Ts. 2.13).

O lado humano na santificação compreende:

(a) A fé (Hb 11.6);

(b) A consagração do corpo (Rm 6.19);

(c) A sujeição à Palavra de Deus (Jo 17.17);

6- A santificação não é legalismo

É claramente possível que alguém cumpra toda a lei, todos os mandamentos do Senhor, na vida pública e na vida privada e não estar desenvolvendo a santificação.

Segundo ensina o Pr. Walter Brunelli:

“Há um perigo aqui: alguns colocam ênfase tão exagerada na santificação que, inconscientemente, apregoam a salvação pelo caráter – o que não deixa de ser uma forma de crença em salvação pelas obras. Isso é próprio do legalismo. Tal sistema sacrifica o amor cristão, induzindo o indivíduo a julgar as pessoas pela aparência desenvolvendo um tipo inconsciente de vaidade espiritual. A salvação age no caráter, mas apenas o caráter não a representa.” (2017, Vol 2, p. 368)

Apenas Deus sonda os corações e pode julgar a santificação, a vida verdadeiramente consagrada ao Senhor. Obviamente que há comportamentos que claramente não condizem com uma vida santificada. Contudo, uma vida sem tais comportamentos, por si só, não indica santificação espiritual.

#07 – A Regeneração

Regeneração é o a mudança de natureza que acompanha a justificação do homem e da mulher recém convertidos. É o novo nascimento da água e do Espírito (Jo. 3.1-21), que torna nova criatura (2 Co. 5:17).

Regeneração é a mudança de natureza que acompanha a justificação do homem e da mulher recém convertidos. É o novo nascimento da água e do Espírito (Jo. 3.1-21), que os torna nova criatura (2 Co. 5:17).

7.1. O que é a regeneração?

Diretamente, regenerar é reconstituir algo que foi quebrado, deteriorado, machucado, gerando de novo, ou seja, retornando ao estado natural antes de ter sido corrompido. É o que Deus faz na vida da pessoa que recebe o Senhor Jesus como Senhor e Salvador, restaurando a natureza outrora perdida no pecado.

A regeneração é uma ação exclusivamente divina, na qual o homem e a mulher justificados são vestidos de uma nova natureza. A regeneração é o passo que na visão humana sucede a justificação, visto que os homens são seres visuais e a nova natureza é observada por meio dos frutos da justiça (Ef. 2.10). Todavia, devemos lembrar que Deus olha para o coração (1 Sm 16.7).

Entretanto, no plano espiritual é necessário observarmos que a justificação e a regeneração ocorrem simultaneamente, pois alguém que é selado pela salvação recebe o novo nascimento na água e no Espírito. A regeneração acompanha a conversão genuína como uma relação de causa e efeito.

Necessário relembrarmos que a salvação é um processo que se inicia com a pregação da palavra de Deus, resultando na fé, assim que a palavra é ouvida, e, como resultado da fé, o indivíduo reconhece seu pecado – pelo arrependimento – e se converte. Na conversão, está a salvação, a qual traz consigo a justificação, a regeneração e a santificação.

Para entrar no Reino de Deus é necessário ter esta nova natureza, que exige a morte do velho homem e o nascimento do novo (Jo 3.3,5; Ef. 4.22-24; Rm. 8.10).

A regeneração também é chamada de: vivificação (Ef. 2.5,6); nova natureza (Mt 12.33; Ef. 4.24); nova criatura (2 Co 5.17); recriado (Ef. 2.10); família de Deus (Ef. 3.14,15), iluminação (1 Co 2.11-15; Ef. 1.16,17).

7.2. O que a regeneração não é

(a) Não é batismo: “nascer da água” não é o mesmo que batismo nas águas. O ladrão da cruz não foi batizado em águas, (Lc 23:23); Paulo só batizou Crispo e Gaio nas águas em Corinto (1 Co 1.14). No evangelho de João a água que Jesus afirma para Nicodemos é a mesma água que Jesus anuncia à mulher samaritana logo no capítulo imediato (João 4), é um nascimento da água viva, também observada em Tito 3.5. (Ef. 5.26; Jo 15.3; 1 Pe 1.23)

(b) Não é reforma: Não é um processo de reeducação, de etiqueta, não é algo externo, mas interno, pela operação do Pai do Filho e do Espírito Santo, que torna a pessoa participante da natureza divina (2 Pe 1.3,4).

7.3. O que a regeneração produz:

O Espírito Santo produz a regeneração no espírito humano, que está latente, visto que a alma está contaminada no poder do pecado.

7.3.1. Estabelece a distinção da natureza humana e da divina

Há o homem natural, carnal e o espiritual, segundo 1 Coríntios 3.1.

Regenerado é o homem natural que ganhou natureza espiritual (1 Co 2:14,15).

7.3.2. Garante domínio sobre a carne

O crente regenerado adquire a consciência de que deve andar em Espírito (Gl 5.16; Rm 8:2,5; 1 Jo. 3.9).

7.3.3. Capacita o crente a vencer o mundo

Aqui o mundo é observado como um sistema pecaminoso, o qual o apóstolo João adverte a que não amemos (1 Jo 2.15-17). O mundo pode distanciar a pessoa de Deus, vencer o mundo é ter noção de que vivemos em constante guerra contra o sistema pecaminoso.

Nesse sentido, Deus nos propiciou a nova natureza que nos capacita a resistir e vencer o mundo (1 Jo 5.4).

7.3.4. Afasta do pecado

Quem é nascido de Deus não vive na prática do pecado (1 Jo 3.9; 1 Jo 5.4).

7.3.5. Produz amor e conhecimento de Deus

A regeneração induz à prática do amor como elemento central da vida do Cristão, não por obrigação, mas voluntariamente (1 Jo 4.7).

7.3.6. Capacita o crente à prática da justiça

A nova natureza em Deus nos torna capaz de praticar a Justiça, que foi preparada pelo Senhor Jesus para que andássemos nela (Ef. 2.10), algo que somente é possível aos regenerados (Jo 2.29).

7.4. O caráter da regeneração

Conforme ensina o Pr. Walter Brunelli (2015, p. 359): “Não existe meio nascimento: ou a pessoa é nascida ou não é. Uma vez que nasceu de novo, espera-se que cresça; caso contrário, será como os crentes de Corinto, que eram chamados de “meninos” e também de “carnais” (1 Co 3.1), embora houvessem passado pela regeneração (1 Co 6.11)”.

7.5. Resultados da regeneração

O crente regenerado:

  • Não vive pecando (1 Jo 3.9)
  • Pratica a justiça (1 Jo 2.29)
  • Vence o mundo (1 Jo 5.4)
  • Satanás não pode tocá-lo (1 Jo 5.18)
  • Manifesta o fruto do Espírito (Gl 5.22)

Não nos cabe julgar, nem mesmo a nós mesmos (1 Co 11:31), por isso devemos orar por nós e pelos demais irmãos para nos aproximarmos a cada dia mais de Deus, aperfeiçoando a nova natureza que nos foi dada (Filipenses 1.6).

Próxima aula: 08 – Santificação

#06 – A Justificação

A justificação é uma das doutrinas mais importantes da Bíblia, o fundamento do processo da salvação, por meio dela entendemos como fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10).

A justificação é uma das doutrinas mais importantes da Bíblia, o fundamento do processo da salvação, por meio dela entendemos como fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10).

Foi esta doutrina que fez com que Martinho Lutero no séc. XVI desafiasse os doutrinadores da Igreja de sua época, que condicionava o perdão de Deus ao pagamento de indulgências.

A Justificação pela Fé foi a base da reforma protestante, visto que é através dela que podemos entender a gratuidade do evangelho e como não somos merecedores da graça de Deus, recebendo a salvação gratuita e unicamente pela Fé, pois Cristo nos justificou pela sua morte e ressurreição (preço que não podemos pagar).

6.1. O que é Justificação?

Justificação é um ato da graça de Deus, pelo qual Ele imputa à pessoa que crê em Jesus a justiça de Cristo, declarando-a justa.

Pela justificação, Deus trata o homem arrependido através dos méritos da pessoa de seu Mediador, Jesus Cristo.

Portanto, a justificação é uma posição jurídica do homem perante Deus. Isto é, Deus é justo, a justiça é a base de seu trono e denota sua santidade (Salmos 89.14). Assim, o homem jamais seria capaz de cumprir a justiça. Deus se fez homem e habitou entre nós, e cumpriu toda a justiça, morrendo em nosso lugar (Rm 5.10).

Logo, por este ato de justiça, todos fomos feitos participantes da glória do Filho, pela fé. (1 Pe. 4:13)

6.2. Por que o homem e a mulher precisam ser justificados?

A Bíblia é enfática em dizer: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3.23).

Assim:

  • todos são culpados (Rm. 3.9),
  • ninguém é justo (Rm 3.10; Jó 25.4)
  • todos os pecados estão escritos no livro de Deus (Ap. 20.12)
  • e registrados na sua consciência (Jr 17.1).

O resultado só pode ser um: todos estão debaixo da condenação (Rm 3.10, 2.2,3; 1 Tm 5.24).

Isso porque, nenhum homem ou mulher tem condições próprias para livrar-se da sua culpa. Adão e Eva tentaram esconder a vergonha de terem pecado, mas isso não resolveu o problema diante de Deus (Gn 4.3; Is 64.6).

Boas obras não justificam o indivíduo diante de Deus (Gl. 2.16; Ef. 2.8,9). Os fariseus buscavam se justificar por meio de suas próprias obras, mostrando publicamente que cumpriam à risca a lei, mas isso não era suficiente (Mt. 5.20; Lc. 18.14).

Não existe ser algum em todo o universo que tenha condições de justificar o homem diante de Deus. Por isso todas as religiões, em todo o mundo, que procuram justificar o homem diante de Deus por obras são falhas; não produzem justificação.

Diante dessa situação triste e desesperadora, o homem pergunta: “Quem me livrará o corpo desta morte?” (Rm 7.24) e: “Como se justificaria o homem para com Deus?” (Jó 9.2).

A própria Palavra de Deus responde: “Esta é a herança dos servos do Senhor e a sua justiça que vem de mim, diz o Senhor” (Is 54.17).

6.3. Cristo é a nossa Justiça

6.3.1. A Justiça de Deus é perfeita e imutável

Deus jamais pode usar “dois pesos e duas medidas”. Ele feriria a sua justiça caso perdoasse ao pecador sem um meio eficaz de perdão, porque disse: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

6.3.2. Deus providenciou um sacrifício perfeito

Deus então, no seu grande amor, providenciou o sacrifício de seu próprio Filho para, por esse ato, satisfazer a justa exigência da justiça divina (Jo 3.16).

Isso foi possível porque:

  • Jesus, para ser mediador entre Deus e os homens, tinha de ser homem (Fp. 2.6-8; Hb 2.14).
  • Jesus tinha de tomar sobre si a culpa dos homens. A tremenda dívida na conta humana diante de Deus tinha de ser transferida para a conta de Jesus. Foi por isso que Jesus se tornou devedor diante da lei de Deus. A Bíblia diz que Ele foi feito pecado por nós (2 Co. 5.21) e até tornou-se maldição por nós (Gl. 3.13). Isso aconteceu quando Ele, no Getsêmani, tomou o cálice que continha a nossa culpa (Lc. 22.42).
  • Jesus morreu cumprindo a sentença que nossos pecados mereciam. O justo morreu pelos injustos (1 Pe 3.18). Ele levou as nossas transgressões (Is 53.10,4,5,). Aniquilou-se o nosso pecado pelo seu sacrifício, o sacrifício de si mesmo (Hb 9.26; Ef 5.2), e proporcionou, assim, condições para a remissão dos nossos pecados e para nossa justificação.

6.3.3. Jesus tornou-se a nossa Justiça (Jr 23.6)

Ele é a nossa justiça porque tudo o que fez, fez por nós, em nosso favor, como o nosso substituto diante de Deus e da Lei. A Bíblia diz que “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação” (Rm 4.24,25).

Quando Jesus verteu o seu sangue nesse sacrifício inigualável, abriu-se a fonte da graça para a justificação de todo aquele que nEle crê (Rm 5.9; 1 Pe 1.18,19; Cl 1.20).

6.4. Todos os que agora Crêem “estão em Cristo” (Rm 8.1; 2 Co 5.17)

E é por essa aceitação que são declarados justos, porque Jesus é a sua justiça (Jr 23.6). Quando Deus olha para o crente, Ele o vê através da pessoa de Jesus, na qual todos somos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21).

Pela conta credora de Jesus (que não se esgota) foi feito o pagamento do nosso débito, que agora já não mais existe. Assim, o crente pode, vestido do manto da justiça de Jesus (Is 61.10), apresentar-se diante de Deus justificado.

6.5. Passos para a justificação

6.5.1. O caminho da justificação

A Bíblia mostra o caminho da justificação ao afirmar: “Justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue” (Rm 3.24,25).

A justificação é oferecida por Deus pela sua graça (favor imerecido), que Ele agora pode mostrar, por causa da redenção efetuada por Jesus, que remiu o homem vertendo o seu precioso sangue.

Deus agora apresenta Jesus como único meio da justificação e todo aquele que crer no seu sangue, isto é, que aceitar o sacrifício feito por Jesus em seu próprio favor, é justificado, ou seja, declarado justo diante de Deus.

6.5.2. Esse caminho da justificação é único

É o único caminho para grandes e pequenos, para ricos e pobres, para dirigentes e dirigidos! A todos quantos queiram ser justificados, lhes é imposta uma só condição: crer no valor do sangue de Jesus para perdoar e para justificar (Rm 3.25).

6.5.3. Esse caminho não admite vanglória

A fé com a qual o homem crê no sangue justificador de Jesus não constitui nenhum mérito. Representa apenas a aceitação da graça, isto é, do meio que Deus oferece para a nossa justificação (Rm 4.5, 21; At 13.39).

A fé exclui as obras e, assim, não deixa nenhum lugar para a arrogância (Rm 3.27), pois o homem é justificado pela fé sem obras (Rm 3.28; Gl 2.16).

Se a nossa justificação dependesse das obras, ninguém se salvaria, pois nenhum homem conseguiu cumprir a lei. Assim, permaneceríamos todos debaixo da maldição (Gl 3.10).

Quando Tiago escreveu “que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé” (Tg 2.24) não estava contradizendo Paulo, mas completando o pensamento deste. Tiago mostra que a verdadeira fé sempre é acompanhada pelas obras (que são um resultado da fé) e que a fé sem obras é morta.

Ainda, segundo Tiago, a fé sem obras, consequentemente, nada obtém de Deus (Tg 2.14-22). As obras que acompanham a fé são chamadas de “frutos da justiça” (2 Co 9.10), constituindo-se em evidência de que uma fé viva opera na vida daqueles que as praticam.

6.6. Os resultados da justificação na vida do homem

São muitos e maravilhosos os resultados da justificação em nossas vidas. Devemos avançar para que desfrutemos de tudo aquilo que Deus preparou para os justificados pela sua graça.

6.6.1. “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus” (Rm. 5.1)

Essa paz não é somente um sentimento agradável de sossego e tranquilidade, mas é como um estado de “pós-guerra”, quando a beligerância cessa e as relações interrompidas são reatadas. O homem que vive em pecado está separado de Deus (Is 59.2) e debaixo de sua ira (Ef. 2.3).

Quando é declarado justo, entra em um estado de paz com Deus, experimentando harmonia com a divindade, pois passa a ter livre acesso a Deus (Ef. 2.18; Rm 5.2).

6.6.2. “Temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes” (Rm 5.2.)

As bênçãos que acompanham a permanência na graça são grandes. Os crentes crescem na graça (2 Pe 3.18) e essa se manifesta de muitas maneiras para o enriquecimento da vida espiritual dos servos do Senhor.

Veja algumas dessas bênçãos:

  • “Nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.2.). Para os que são “declarados justos”, Deus concede a alegria de participar da sua glória. É uma bênção que eleva os nossos corações às coisas que são de cima (Cl 3.1-3; 1 Ts 1.9,10; Tt 2.13).
  • “Nos gloriamos nas tribulações” (Rm 5.3.). Os sofrimentos que aparecem na vida não abaterão o crente, pois a alegria que Deus lhe deu com a justificação opera nele e é a sua força (Ne 8.10). Em lugar de gemer, se alegra, pois para o crente a tribulação produz paciência, experiência e esperança (Rm 5.3-5).
  • A graça, na vida do justo, constitui também uma certeza da presença do Espírito Santo que derrama o amor de Deus em seu coração (Rm 5.5.). Assim, com a fé e o amor que há em Cristo, a graça transborda (1 Tm 1.14). É bem verdade que “bênçãos há sobre a cabeça do justo” (Pv 10.6). Assim, “todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16).

6.6.3. A Justiça torna o crente ousadamente inabalável (Rm 8.21-29)

A graça de Deus opera no crente tornando manifestas as seguintes declarações da Palavra de Deus:

  • “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31)
  • “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8.32)
  • “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8.33).
  • “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.35-37).

6.6.4. A Justiça é acompanhada de frutos (Fp 1.11; Pv 12.17)

Isso significa que a justiça é posta em prática e opera na maneira de viver do crente (Hb 11.33; 1 Jo 2.29; 1 Ts 2.10).

As obras justas que o crente pratica estão diante dos olhos do povo (Mt 5.16; 1 Pe 2.12,15). Elas são prova de que “Cristo vive em mim” (Gl 2.20; 2 Co 4.10,11).

6.6.5. O caminho dos justos é sempre aperfeiçoado

“A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18), pois aquele que é justificado tem um perpétuo fundamento (Pv 10.25) e não se abala (Pv 10:30), pois tem segurança (Is 32.17).

O Reio de Deus é justiça (Rm 14.17), pelo que o crente é vestido com o “linho fino” da justiça dos santos (Ap 19.7,8). Por isso o justo alegra-se esperando a vinda de Jesus, que é a nossa justiça (Jr 23.6).

E é pelo poderoso sangue do Cordeiro, que nos purificou, que entraremos na sua glória (Ap 7.14; 22.14) e seremos coroados com a coroa da justiça (2 Tm 4.8).

Próxima aula: #07 – Regeneração

#05 – A Fé e o Arrependimento

A Fé, o Arrependimento e a Confissão que se fazem em nome do Senhor Jesus Cristo, não são méritos, mas condições estabelecidas por Deus biblicamente para que se possa avançar no processo da salvação.

A Fé, o Arrependimento e a Confissão que se fazem em nome do Senhor Jesus Cristo, não são méritos, mas condições estabelecidas por Deus biblicamente para que o homem possa avançar no processo da salvação.

5.1. O que é Mecânica ou Processo da Salvação?

Também chamado de “ordo saluti” é a ordem em que se apresenta o processo da salvação (clique para ler a primeira aula), que é tema das próximas aulas. O termo “mecânica da salvação” é importante e foi aplicado pelo Pr. Silas Daniel, diretor de publicações da CPAD em seu livro sobre o Arminianismo.

Este processo compreende-se desde a graça salvadora de Deus, disponível aos homens pela morte de Cristo da Cruz do Calvário, estendendo-se à pregação do evangelho e a operação do Espírito Santo convencendo e produzindo a , que leva o homem e a mulher ao arrependimento.

Ao aceitar o evangelho, confessando a Jesus Cristo publicamente como Senhor e Salvador, o homem e a mulher são limpos de todo o pecado, purificados pela justificação em Jesus Cristo, vindo após isso o processo de regeneração, em que efetivamente permanecendo nas obras de Cristo tornam-se nova criatura.

O “status” de nova criatura deve ser alimentado espiritualmente, visto que a carne milita contra o espírito (Gl. 5:16), fazendo com que o homem e a mulher sejam tentados à retornar às práticas da velha criatura, por isso a santificação é uma etapa do processo da salvação que só terá fim com o arrebatamento da Igreja ou com a morte do crente fiel a Deus.

A última etapa é a glorificação, que torna o homem e a mulher coroados com glória que Paulo chama de “prêmio da soberana vocação de Deus” (Fp 3:14), em Cristo Jesus, nosso Senhor que já está glorificado. Os salvos, portanto, serão unidos a Cristo para sempre e receberão um corpo glorificado, e então estarão salvos da morte eterna e viverão eternamente com Jesus.

5.2. A fé e o arrependimento no Antigo Testamento

É necessário distinguirmos os tipos de fé. Existe a fé salvadora (Ef. 2:8), a fé como virtude cardeal (1 Co. 13:13), e a fé como dom espiritual (1 Co. 12:9).

Portanto, como estamos tratando de doutrina da salvação, falaremos apenas acerca da fé salvadora. Onde estiver escrito fé, entenda-se como fé salvadora.

Não vemos o termo “” nos textos do Antigo Testamento. A única vez que aparece a palavra “fé” no Velho Testamento é no livro do profeta Habacuque (Hc 2: 4), na tradução de Almeida Revista e Corrigida.

Mas em Hebreus vemos a galeria dos “heróis da fé” (Hb. 11), personagens bíblicos que passaram por lutas, dificuldades, e que tudo que passaram foi pela fé na promessa, “a promessa”, de toda a Antiga Aliança estava em Jesus Cristo, que é chamado pelo autor de Hebreus de “autor e consumador da nossa fé” (Hb 12:2).

Esta promessa foi feita pelo próprio Deus, ainda do Jardim do Éden, de que da mulher nasceria Aquele que pisaria na cabeça da serpente, que venceria a morte e o inferno, e nEle já estava a “fé” daqueles que creriam, tudo o que ocorreu posteriormente na história foi por causa dEle e tudo continua a acontecer por causa dEle. (Hb. 13:8)

Já o arrependimento aparece no Antigo Testamento por diversas vezes pelos juízos de Deus. Um grande exemplo da consequência da fala de arrependimento foi o dilúvio nos tempos de Noé conforme profetizado pelo Senhor Jesus (Mt 24:37-39).

Deus provou de todas as formas o povo da aliança para levá-lo ao arrependimento, todas as vezes que se desviavam dos mandamentos do Senhor, sobrevinha sobre o povo os juízos de Deus pelo domínio dos outros povos. O último juízo sobre o povo de Israel como consequência da falta de arrependimento e obediência foi o exílio assírio e babilônico durante 70 (setenta) anos.

Israel, portanto, havia se acostumado a tentar fugir da ira do Deus que prometeram obedecer (Js. 24:19-21) adorando outros deuses, e se desviando de cumprir os mandamentos da Lei do Senhor, não sendo possível a fuga da ira de Deus, visto que foi profetizado que sofreriam maior julgamento se não voltassem para os caminhos da promessa (Js. 24:22-24).

Era uma aliança da qual o povo não tinha como fugir.

5.3. A fé e o arrependimento no Novo Testamento

A “voz que clama no deserto”, ou seja, o profeta João Batista nos deixou a profecia que fecha a Antiga Aliança e nos traz a nova, como quem diz que colheremos o juízo de Deus se continuarmos em disputa, fingindo que podemos escapar das consequências do pecado.

Os partidários religiosos Fariseus e Saduceus, os primeiros adoravam a Lei Escrita, mas de fato não a cumpriam (Mat. 23:13), e os segundos adoravam o templo de pedra, mas o templo espiritual continuava podre, chegando a serem chamados de sepulcro caiado por Jesus e pelo apóstolo Paulo (Mat. 23:27;

João lhes diz que o arrependimento dos pecados produz frutos. Frutos são vistosos, uma árvore boa não consegue esconder seus frutos, portanto, é impossível para uma pessoa esconder seu comportamento diante de Deus e diante dos homens, por mais que digam que conhecem e servem a Deus e que vão todos os dias ao templo, são apenas os frutos que revelam o arrependimento. (Mat. 3:5-11).

É a fé salvadora, concebida pela pregação do evangelho, que gera o arrependimento, mas tudo isso vem primeiramente da graça salvadora de Deus. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

A salvação é fruto da graça, mas concedida mediante a fé (Ef. 2:8). Por isso, João preparou o caminho para o evangelho, para as boas novas da salvação em Cristo, de modo que ao voltar da tentação no deserto, Jesus confirmou a pregação de João: “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mat. 4:17).

Onde não há pregação não há fé e onde não há fé não há salvação; por isso o evangelho tem que ser pregado. A graça é favor imerecido, como vimos na primeira aula, é de iniciativa divina, é preveniente, vem antes de qualquer conduta humana.

Por sua vez, a fé que nasce no coração do homem mediante a pregação da Palavra de Deus é elemento humano, e assim é cobrada do homem. Jesus queixou-se diversas vezes da falta de fé – em todas as suas dimensões – por parte dos que o assistiam (Mt. 21.21; Mc 4.40; Lc. 12:28).

Pelo arrependimento a pessoa enxerga seu próprio estado de miséria, pela a pessoa é capaz de enxergar a força que necessita para caminhar com Cristo. A fé salvadora é uma disposição interior espontânea, gerada pela Palavra de Deus, que capacita o homem a responder positivamente à oferta da graça e essa fé é possível a todos os homens. (Jo 6:29).

“A Bíblia não ensina, em parte alguma, que a fé salvífica é um dom especial de Deus destinado somente a um grupo seleto. Além disso, a Bíblia assume em toda parte que todos que desejarem a salvação podem exercer a fé salvífica. Todas as passagens bíblicas que incitam os descrentes a crerem ou a se arrependerem para a salvação implicam esta verdade” (Geisler, 2010, p. 390)

A missão da Igreja, com a revelação do evangelho de Jesus Cristo é anunciar a Palavra para que todo o ouvinte que queira possa crer no Senhor Jesus, sendo cientes desta boa-nova de salvação poderão crer ou serão julgados (Atos 17:30-31; 16:31). 

5.4. Como o Espírito Santo convence o mundo?

Em João 16:8, o mundo é retratado como a coletividade de pessoas. O Espírito Santo na Igreja é testemunho vivo da Palavra de Deus, da morte e ressurreição do filho (Atos 2), e assim o trabalhar do Espírito Santo faz com que o homem e a mulher revejam os seus próprios caminhos contrários à revelação de Jesus Cristo.

O convencimento é a atividade do Espírito no arrependimento, a fim de que ninguém se declare desavisado, tornando-se todos indesculpáveis perante o Senhor.

O arrependimento faz com que o homem enxergue seus erros, suas falhas, ou seja, entenda que está pecando e que isso o afasta de Deus, pois quem Crê em Cristo cumpre seus mandamentos e anda na luz (Jo 16:9; 1 Jo. 1:5:7).

O arrependimento faz com que saibamos que Cristo é a Justiça de Deus que se cumpre em nós pela sua Palavra, ainda aqui o Espírito Santo nos faz testemunhas da Justiça de Deus em Cristo. (Jo 16:8)

O arrependimento faz com que vejamos que não há escapatória para este mundo, pois Cristo já venceu o mundo e se não deixarmos o mundo, seremos condenados juntamente com os que estão no mundo (Jo 16:10; 1 Co. 11:30-31)

5.5. O Pecado, A Justiça e o Juízo – Pregação do Evangelho

O pecado, a justiça e o juízo são proclamados pela Pregação do Evangelho, por meio deste ministério da palavra atribuído aos homens, e assim o Espírito Santo trabalha em nós operando o convencimento.

A pregação do evangelho é tarefa confiada à Igreja, e não aos seres angelicais. Eles desejariam muito fazer isso “para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pe. 1:12), todavia, não foi aos anjos que o Senhor confiou essa tarefa, mas aos salvos (Hb 2:5).

O retrato desta realidade bíblica foi o dia de pentecostes. Pois, depois que os discípulos forem cheios do Espírito Santo, de todos os que estavam em Jerusalém foi chamada a atenção, permitindo com que Pedro proclamasse o evangelho, chegando aqueles homens, inspirados pela fé no que viram e ouviram a dizer-lhe: “que faremos, homens irmãos?”.

Ao que Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” Atos 2:38,39

O início do processo da salvação, portanto, é uma atuação conjunta do Espírito Santo, pela graça salvadora já presente, a pregação do evangelho pelos homens, a fé em Jesus Cristo que leva ao arrependimento pelo convencimento do pecado, da justiça e do juízo.

Próxima aula: #06 – A Justificação

#04 Arminianismo: FACTS – os cinco artigos dos remonstrantes e o vergonhoso Sínodo de Dort

Após o falecimento de Armínio em 1609, quarenta e seis de seus seguidores se reuniram na cidade de Haia, na Holanda, e formalizaram um documento chamado “Remonstrância”.

Estamos em nossa quarta aula sobre a Doutrina da Salvação, onde pontuamos os erros da doutrina calvinista (leia aqui), e iniciamos o estudo da doutrina arminiana sobre a salvação (leia aqui).

Quem eram os Remonstrantes

Estamos agora diante de um cenário triste do início do século XVII, onde, após o falecimento de Armínio em 1609, quarenta e seis de seus seguidores se reuniram na cidade de Haia, na Holanda, e formalizaram um documento chamado “Remonstrância”.

Entre os remonstrantes estavam grandes nomes da filosofia e do direito como Simon Episcopius (1583-1643) e o conhecido jurista Hugo Grócio (1583-1645).

O termo Remonstrância vem de “remonstrar” que significa, por intermédio de argumentos, tornar evidente uma situação.

O documento dos Remonstrantes

A remonstrância, documento dos remonstrantes, foi resumida em 5 (cinco) pontos, assim como os cinco pontos do calvinismo, de forma a refutá-los biblicamente.

Apenas para relembrar, os cinco pontos do calvinismo formam o acróstico T.U.L.I.P.:

  1. Total Depravity (Depravação Total); – o homem é incapaz de por si mesmo ir a Deus.
  2. Unconditional Election (Eleição incondicional); – Deus faria a escolha de quem será ou não salvo, independente das atitudes humanas.
  3. Limited Atonement (Expiação limitada); – Jesus não teria morrido por todas as pessoas.
  4. Irresistible Grace (Graça Irresistível); – Aquele que é “eleito” viria para a salvação de qualquer maneira, independente de suas próprias decisões.
  5. Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos); – Seria impossível para um “eleito” perder a salvação.

Enquanto os cinco pontos dos remonstrantes formam o acróstico F.A.C.T.S., que na língua inglesa traduzido livremente significa FATOS:

  1. Free by grace to believe (Livres pela graça para crer), onde há graça há liberdade para crer ou não crer. É a expressão da graça preveniente.
  2. Atonement for all: (Expiação Ilimitada); Jesus morreu por todas as pessoas.
  3. Condicional Election (Eleição Condicional); existem condições para a salvação disponíveis para todos os homens: arrependimento, fé e confissão.
  4. Total Depravity (Depravação Total); o homem por si mesmo não é capaz de chegar a Deus, apenas diante das revelações disponíveis pela graça.
  5. Security in Christ (Segurança em Cristo); perseverar é estar seguro em Cristo, em constante arrependimento e santificação, fora dEle não há salvação.

Os cinco artigos dos Remonstrantes

*Artigo I – Que Deus, por um eterno e imutável plano em Jesus Cristo, seu Filho, antes que fossem postos os fundamentos do mundo, determinou salvar, de entre a raça humana que tinha caído no pecado – em Cristo, por causa de Cristo e através de Cristo – aqueles que, pela graça do Santo Espírito, crerem neste seu Filho e que, pela mesma graça, perseverarem na mesma fé e obediência de fé até o fim; e, por outro lado, deixar sob o pecado e a ira os contumazes e descrentes, condenando-os como alheios a Cristo, segundo a palavra do Evangelho de Jo 3.36 e outras passagens da Escritura.

Este primeiro artigo revela a Salvação Condicional. As condições resumidas impostas por Deus são “crer no Filho, e perseverar em obediência”. Para ser condenado basta não crer no Filho e permanecer desobediente à Deus, permanecendo ou voltando à vida pecaminosa, que torna o homem e a mulher alheios a Cristo.

*Artigo II – Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes. João 3:16

O segundo artigo é o ponto denominado Expiação Ilimitada, que afirma, biblicamente, que a morte de Cristo na Cruz do Calvário é para todos os homens, porém, deixa claro que só pode fazer parte deste perdão aqueles que crerem e aceitarem este perdão concedido pelo preço de sangue.

*Artigo III – Que o homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de sua própria vontade, de modo que, em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si mesmo, não pode pensar nada que seja bom – nada, a saber, que seja verdadeiramente bom, tal como a fé que salva antes de qualquer outra coisa. Mas que é necessário que, por Deus em Cristo e através de seu Santo Espírito, seja gerado de novo e renovado em entendimento, afeições e vontade e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar, querer e praticar o que é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus [Jo 15.5].

O terceiro ponto demonstra a concordância entre calvinistas e arminianos acerca da Depravação Total, ou seja, que tudo é pela graça. O homem por si mesmo não pode pensar nada de bom, nem fazer o bem, pois apenas pela graça, revelada nas Escrituras e pelo poder do Espírito Santo de Deus, o homem pode ser convencido de seu pecado.

*Artigo IV – Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e coopera. De modo que todas as obras boas e todos os movimentos para o bem, que podem ser concebidos em pensamento, devem ser atribuídos à graça de Deus em Cristo. Mas, quanto ao modo de operação, a graça não é irresistível, porque está escrito de muitos que eles resistiram ao Espírito Santo.

Aqui no artigo quarto do documento dos remonstrantes, foi afirmada a Livres pela graça para crer, demonstrando que a graça de Deus sempre esteve, por meio de Cristo, à disposição dos homens, até mesmo o homem transformado continua a depender desta graça para continuar firme em Jesus, pois ela desperta, assiste e coopera.

Este ponto afirma ainda que a graça não é irresistível, pois há muitos textos bíblicos acerca de homens que resistiram ao Espírito Santo.

*Artigo V – Que aqueles que são enxertados em Cristo por uma verdadeira fé, e que assim foram feitos participantes de seu vivificante Espírito, são abundantemente dotados de poder para lutar contra Satã, o pecado, o mundo e sua própria carne, e de ganhar a vitória; sempre – bem entendido – com o auxílio da graça do Espírito Santo, com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações, através de seu Espírito; o qual estende para eles suas mãos e (tão somente sob a condição de que eles estejam preparados para a luta, que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta, de modo que, por nenhum engano ou violência de Satã, sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo [Jo 10.28]. Mas quanto à questão se eles não são capazes de, por preguiça e negligência, esquecer o início de sua vida em Cristo e de novamente abraçar o presente mundo, de modo a se afastarem da santa doutrina que uma vez lhes foi entregue, de perder a sua boa consciência e de negligenciar a graça – isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança.

Aqui o ponto mais sensível, este quinto artigo demonstra a Segurança em Cristo, cautelosamente descrito pelos remonstrantes, afirmaram que aqueles que estão em Cristo, estão seguros para lutar contra as ciladas do diabo, o mundo e a carne e ter vitória, podendo contar com o auxílio de Jesus Cristo em todos os momentos.

Contudo, quanto à questão de voltarem à vida pecaminosa, se afastando de Cristo e retornando aos caminhos do Senhor, ou seja, o modo de funcionamento da queda da graça (perda da salvação), não é tão simples de ser explicado, devendo ser analisado caso a caso, com base nas Escrituras para que possa ser ensinado com maior segurança.

Estes são os pontos dos remonstrantes, resumidos no documento F.A.C.T.S.  detalhadamente explicado com amparo no texto das Sagradas Escrituras, o que o tornava, diante da comunidade protestante holandesa irretocáveis.

Contudo, o calvinismo servia como exclusivismo religioso, já tinha se tornado não uma doutrina, mas uma verdadeira política de Estado, o que levou à condenação de ministros arminianos/remonstrantes pelo Sínodo de Dort.

O Sínodo de Dort

Sínodo de Dort – 1618 d.C.

Como vimos no estudo sobre a História da Igreja, Lutero não queria fundar uma nova igreja, queria apenas reformar a igreja. Já Calvino queria uma nova igreja e entraram em grande atrito em razão disso.

Portanto, na época o Calvinismo era utilizado fortemente como uma diferenciação de uma “nova igreja” em relação à antiga igreja que Lutero pretendida reformar.

O surgimento das posições dos remonstrantes, que revelava erros na doutrina calvinista no ponto da doutrina da salvação, mexeu em um ponto que não era religioso, mas, sim, político.

Conforme ensina o Pr. Walter Brunelli:

“A doutrina calvinista servia como escudo para a Holanda contra a Igreja da qual ela havia se libertado, sobretudo, por se tratar do poder religioso que subjugava a Espanha, país que antes a dominava. Entretanto, os arminianos opunham-se à teologia de Calvino, alegando que Jesus morreu por todos e que a salvação não era restrita somente a alguns, mas era oferecida a todos igualmente. Armínio diferia de Calvino em questões soteriológicas, e isso ele não escondeu” (Teologia Para Pentecostais, Vol. 3 – Ed. Central Gospel, 2016, p. 269)

Assim, visando condenar o documento dos remonstrantes, instalou um grande Sínodo (concílio), na cidade de Dordrecht, na Holanda, que durou de 1618 a 1619, onde estiveram em inúmeras sessões de discussões, teólogos eruditos, o rei da Inglaterra Tiago, Condes de diversas Repúblicas reformadas (Suíça, Genebra, França, etc).

De todos os inúmeros teólogos e políticos participantes, apenas 13 (treze) remonstrantes foram chamados, liderados por Simon Episcopus, porém ficaram trancafiados em uma sala, sem poder participar das sessões, nem mesmo direito a assento tiveram, ficavam em pé o tempo todo.

Apenas na vigésima segunda sessão foram chamados para defender a doutrina da salvação ensinada por armínio, que foi atacada por 102 calvinistas que estavam no plenário. O triunfo dos calvinistas foi absoluto.

Os remonstrantes foram expulsos do sínodo, aos gritos pelo teólogo calvinista John Borgerman, que os declarou hereges (calúnia), que ainda defendia a pena de morte aos arminianos.

Após o sínodo diversos arminianos/remonstrantes foram presos, destituídos das igrejas, banidos por não se calarem contra o calvinismo. O presbítero e jurista Hugo Grócio foi confinado em uma masmorra.

Todavia, anos mais tarde surgiu um homem chamado Frederick Henry, que permitir que os arminianos retomassem seus postos, e por toda a Holanda foram restabelecidas as igrejas remonstrantes e criaram também uma universidade.

Henry foi sucessor de Mauricio de Nassau, o famoso “o Brasileiro”, conde alemão-holandês, que governou a colônia holandesa no Recife/PE em 1637.

Próxima aula: A Mecânica da Salvação.

A doutrina Arminiana acerca da Salvação

ando a Europa foi tomada pela doutrina calvinista, Deus levantou um pastor chamado Jacó Armínio (Jacobus Arminius, 1560-1609), que se contrapôs à doutrina da “graça irresistível” de Calvino, defendendo biblicamente a “graça preveniente”.

A doutrina arminiana não prega que a responsabilidade pela salvação seja do homem, nem que o homem ainda possui capacidade de chegar a Deus. Muito pelo contrário, mostra uma graça eterna, preveniente, que está presente e se manifesta na pregação do evangelho, capacitada pelo poder de convencimento do Espírito Santo, que gera a fé necessária ao homem para responder ao chamado da salvação.

A vida de Jacob Armínio

Jacob Armínio

Estamos aprendendo a doutrina da salvação, conforme resumida na primeira aula (clique aqui para ler). Na última aula apontamos os erros da doutrina calvinista acerca da salvação, e biblicamente demonstramos ponto a ponto os erros que os calvinistas cometem em sua tentativa de explicar o processo da salvação pela “predestinação individual para salvação e para perdição”.

Quando a Europa foi tomada pela doutrina calvinista, Deus levantou um pastor chamado Jacó Armínio (Jacobus Arminius, 1560-1609), que se contrapôs à doutrina da “graça irresistível” de Calvino, defendendo biblicamente a “graça preveniente” ou “graça preparatória”, que ensina que a vontade do homem é essencial no processo de salvação, em cooperação com o chamado de Deus.

Igreja em Amsterdã

Sendo Holandês, nasceu em um momento que que seu país estava sendo tomado pela doutrina calvinista, que fortemente investia em conflitos políticos para libertar a Holanda do domínio da Espanha. Nesse contexto foi formado e ordenado ao ministério assumindo a Igreja Reformada de Amsterdã como pastor em 1587, aos 27 anos de idade.

O primeiro ponto que chocava Armínio, e contra a qual ele fazia oposição aberta, era o ensino do suplalapsarianismo pelos calvinistas, o que ele atacava veementemente em suas pregações, causando um alvoroço entre a maioria calvinista na época.

Após isso, também passou a pregar contra a “eleição incondicional” e a “graça irresistível”, pois defendeu a literalidade do texto de Romanos 9, segundo o qual é a Igreja a predestinada à salvação e não indivíduos específicos, sendo a “predestinação” corporativa e não individual. Ou seja, se é salvo porque é Igreja, está unido à noiva de Cristo, fora dela não há salvação. (A Igreja é a grande embarcação dirigida por Cristo com destino ao Céu, quem nela embarca, será salvo)

Em meados de 1603 de levantou um teólogo radicalmente calvinista que colocou a população em polvorosa contra Armínio. Francisco Gomaro, dizia que Calvino era jesuíta e socianista. E o que é pior, caluniava Armínio, dizendo que ele negava a salvação pela graça mediante a fé em Cristo, conforme fundamentado pela Reforma Protestante.

Francisco Gomaro

Assim, a distorções feitas por Gomaro, influenciaram negativamente a opinião pública contra Armínio, que fez com que houvesse uma perseguição e uma guerra civil em 1604, nas províncias dos Países Baixos (Holanda). Armínio foi publicamente acusado de herege.

Armínio faleceu de tuberculose cinco anos depois, em 1609, sendo injustiçado até os dias de hoje, pois ainda é taxado de “semipelagianista” pelos calvinistas mais radicais, o que não é realidade.

Nos debates que continuaram, Armínio foi sucedido por Konrad Vorstius, que derrotou Gomaro com argumentos bíblicos, sendo que Gomaro utilizava-se da política e das ofensas públicas contra os remonstrantes (alunos de Armínio – veremos na próxima aula).

Placa dos alunos da Universidade de Leiden, em homenagem ao professor Jacob Armínio

O ponto central da divergência entre a doutrina de Armínio e de Calvino (presciência x soberania)

Como já vimos, os calvinistas são deterministas. Utilizando-se peremptoriamente da doutrina dos decretos afirmam que tudo o que ocorre foi decretado por Deus não havendo nada que o homem pudesse fazer. A isso chamam de “Soberania Divina”.

Portanto, se Deus é quem decreta quem será salvo e quem será condenado é porque Ele é soberano, e, segundo os calvinistas, dizer o contrário (que Deus não escolhe quem irá para o céu ou quem irá para o inferno) seria o mesmo que negar a “soberania” de Deus.

Em sentido inverso, Armínio se opunha ao ensino Calvinista, pois afirmava que muitas coisas eram decretadas por Deus, mas não todas as coisas, visto que se Deus decreta o cometimento de pecados, seria ele o responsável pelo mal no mundo.

Portanto, Armínio ensinava que Deus  decretou o plano da salvação, antes da fundação do mundo, por meio de Jesus Cristo, nomeando-o eternamente mediador, redentor, salvador, sacerdote e rei, decretou consequentemente que quem se arrependesse e cresse em Jesus Cristo seria salvo se firme continuassem até o fim, todavia os incrédulos seriam condenados. Deus teria decretado também o modo (as condições) necessárias para a suficiência e eficaz salvação sob o fundamento do arrependimento e da fé.

O último ponto do ensino de Armínio contra os “decretos totalitários” calvinistas, era o que alinhava todo seu ensinamento: defendia que Deus decretou, sim, a salvação ou a perdição de pessoas, mas não pelo dedo “tirano” de escolher previamente quem seria ou não salvo (ao que eles erroneamente chamam de “soberania” que é mais uma “tirania”), mas, sim, elege (escolhe) os salvos pela sua “presciência” sabendo que responderia ao chamado da salvação (graça), por intermédio da fé semeada pela pregação do evangelho, tendo dado todos os que creem previamente a Jesus, pela sua onisciência.

É o que está escrito na carta de 1 Pedro 1.2:

Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” 1 Pedro 1:2

Isso porque a soberania não é um atributo absoluto, ou seja, Deus não pode utilizá-la a todo momento, sob pena de subverter sua própria Justiça. Paulo em 1 Timóteo 2:13, deixa muito claro que Deus não pode negar a fidelidade à sua própria Justiça, pois seria negar-se a si mesmo.

O cerne da doutrina de Armínio acerca da salvação está muito bem sintetizado nas palavras do teólogo Roger Olson:

“É importante lembrar que Armínio insistia que toda a questão da predestinação estava relacionada à condição caída dos seres humanos carentes da redenção. Para Armínio, o decreto divino de permitir a queda, em outras palavras, não dizia respeito à salvação. Os decretos de Deus a respeito da salvação vêm depois (são logicamente posteriores) da permissão divina da queda de Adão e de Eva. Como Armínio concebia a queda? Deixou isso claro em seu tratado Certos artigos a serem diligentemente examinados e ponderados: “Adão não caiu por decreto de Deus, nem por estar destinado a cair, nem por ter sido deserdado por Deus, mas por mera permissão de Deus, que não está subordinada a nenhuma predestinação, nem à salvação ou à morte, mas que pertence à providência, que é distinta e oposta à predestinação” (in OLSON, Roger. 1999. P. 479 apud Works of James Arminius. 1695. P. 653,654, apud BRUNELLI, Walter, Teologia para pentecostais, Vol. 3, 2016, p. 266)

Esta doutrina Arminiana é encontrada em muitos grupos diversificados hoje: luteranos, metodistas, episcopais, anglicanos, pentecostais, batistas do livre-arbítrio e muitos carismáticos e crentes do movimento holiness. (Op. Cit.)

Próxima Aula: #04 Arminianismo: os cinco pontos dos remonstrantes FACTS e o vergonhoso Sínodo de Dort

Sínodo de Dort

Os erros da doutrina Calvinista acerca da Salvação

Nesta segunda aula acerca da doutrina da salvação trata de um importantíssimo alerta contra os erros da doutrina calvinista, que prega sobre um deus tirano que escolhe de antemão quem vai para o céu e quem irá para o inferno.

Leia também a aula introdutória: A doutrina da salvação

João Calvino foi um teólogo francês nascido na cidade de Picardia, na França em 1509 (faleceu em 1564), estudou na Universidade de Paris (entre 1523-1527).

Não foi ordenado a sacerdote, embora fosse chamado de “padre” por muitos. Entre 1532 e 1533 tornou-se protestante, no auge das divulgações por toda a Europa sobre as doutrinas de Lutero.

Fundou a Universidade de Genebra, onde vinham estudar jovens de toda a Europa. Com seu falecimento Teodoro de Beza (um de seus discípulos) assumiu a direção da Universidade, tornando seus ensinos ainda mais conhecidos.

Em síntese, os adeptos de seus ensinos creem que os “decretos” de Deus asseguram a salvação dos eleitos (predestinados), e a perdição dos rejeitados de antemão por Deus (predestinados para a condenação).

Segundo o ensino calvinista, sendo “predestinado”, aquele que é salvo jamais sofre o risco de perder a salvação. (Negam a existência da apostasia – 1 Tm. 1.19,20; 4.1; Hb. 6.4-6; 10.26-29; Gl. 4.2-6)

Calvinismo x Arminianismo

Armínio e Calvino

Trata-se de um debate histórico e humano, acerca de um ponto secundário, acerca da Mecânica da Salvação (ou seja, como a salvação opera na vida do crente). A controvérsia principal pode ser resumida sobre o ponto de vista da operação da Graça Salvadora na vida do crente.

Para os Calvinistas, a Graça é “irresistível”, o homem que é “predestinado” não teria capacidade de rejeitar o evangelho. Já, para os Arminianos a Graça é “preveniente”, ela está disponível desde sempre no plano da salvação a todos os homens que livremente a aceitarem, por meio da fé.

IMPORTANTE: “monergismo x sinergismo” – Os Calvinistas são “monergistas”, pois acreditam que não há qualquer relação humana do processo da salvação, pauta tal predicado na “Soberania Divina”.

Já os Arminianos são “sinergistas”, pois acreditam que o homem tem um papel fundamental no processo de salvação, tanto na pregação, como por deixar-se convencer e aceitar o chamado salvífico, pautam sua conclusão no “Livre-Arbítrio” dado por Deus ao homem.

Contudo, para além dos referidos conceitos desenvolvidos por homens na história, devemos nos ater à Bíblia Sagrada, que revela-nos a verdade de todas as coisas.

As interpretações equivocadas do texto bíblico acerca da salvação podem gerar inúmeros efeitos negativos como:

• Esfriamento espiritual (ligação quase que sempre presente com o cessacionismo).

• Redução da eficácia espiritual das escrituras. (restrição temporal dos atos do Espírito Santo na Igreja – ponto principal do cessacionismo)

• Redução (ou até mesmo a extinção) do evangelismo e da atividade missionária;

• Negligência da importância da pregação apelativa (chamamento à conversão).

A teologia de João Calvino sobre a Salvação

Tem como pilar a doutrina da “predestinação” para a salvação. Assim explicada, por suas próprias palavras:

“Chamamos de predestinação o eterno decreto de Deus pelo qual houve por bem determinar o que acerca de cada homem quis que acontecesse. Pois ele não quis criar a todos em igual condição; ao contrário, preordenou a uns a vida eterna; a outros, a condenação eterna. Portanto, como cada um foi criado para um ou outro desses dois destinos, assim dizemos que um foi predestinado ou para a vida, ou para a morte” (CALVINO, João. As Institutas. Tradução de Carlos Eduardo de Oliveira et al. São Paulo: Editora UNESP, 2008, Tomo III. 21.5)

A influência de João Calvino

Calvino não chegou em suas equivocadas conclusões sozinho, sua maior influência foi Agostinho de Hipona, que, mais de mil anos antes (354-430), abriu discussão com um teólogo britânico chamado Pelágio (360-420).

Agostinho de Hipona

Agostinho escreveu em sua obra: “Dá-me o que tu pedes, e pede-me o que quiseres”, ou seja, pautava sua teologia da salvação unicamente na “soberania” divina, visto que a natureza humana era totalmente depravada, não podia achegar-se a Deus voluntariamente. O que revoltou Pelágio, que não acreditava na passividade do homem, sendo ele “absolutamente livre”.

Em suma, Pelágio ensinava que o homem, responsável por si mesmo, poderia chegar-se a Deus em arrependimento para a salvação, pois a queda do homem não lhe tirou a essência divina (imago dei), – conclusão chamada de pelagianismo.

Outros, associados ao pensamento de Pelágio, ensinavam que o homem tinha guardado em si um resquício da imagem de Deus perdida na queda, e, assim, poderia achegar-se até Deus e Deus viria na outra parte até o homem (conclusão chamada de semi-pelagianismo).

Pelágio

Nenhum desses dois pontos radicais (excluir o homem do processo de salvação – agostinianismo; ou atribuir-lhe condição de achegar-se até Deus por vontade própria, auxiliada por Deus – semi-pelagianismo – ou não – pelagianismo), não encontram amparo nas escrituras.

Calvino era agostiniano, e os calvinistas são agostinianos. Contudo, devemos pautar nosso entendimento a partir da verdade das Escrituras Sagradas.

Os apóstolos ao falarem acerca do processo de salvação, tanto acreditavam na ação da graça divina como na disposição dos homens para responderem à fé (At. 6.7).

Os primeiros cristãos acreditavam na salvação pela graça, mediante a fé (Ef. 2.8). Assim, a ação de Deus sempre vem primeiro, dando condição a todo homem de tomar sua decisão (tanto pela revelação natural, como especial – que são expressões da Graça Preveniente).

Os cinco pontos do Calvinismo (T.U.L.I.P.)

Broche de Tulipa

Os cinco pontos do calvinismo são:

  1. T = Total Depravation – Depravação Total
  2. U = Uncondicional Election – Eleição Incodicional
  3. L = Limited Atonement – Expiação Limitada
  4. I = Irresistible Grace – Graça Irresistível
  5. P = Perseverance of the Saints – Perseverança dos Santos

PONTO EM COMUM: Depravação Total – “Total depravity”

Adão e Eva expulsos do Eden

Neste único ponto, tanto Arminianos, quanto Calvinistas, concordam. Visto que é o ponto principal para a eficácia do evangelho, conforme a Palavra de Deus. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3:23).

Todos os homens estão destituídos da glória de Deus. E não possuem condições de voluntariamente buscarem a Deus (Não há só um homem que busque a Deus).

O pecado fez separação total entre o homem e Deus. Israel do Antigo Testamento é um excelente exemplo da dificuldade enfrentada pelos homens de estarem de acordo com a vontade divina. O pecado os fazia desviar de Deus constantemente, por meio da depravação moral, sensual, idolatria, falta de amor ao próximo.

cruz

A providência para restaurar a possibilidade do homem de achegar-se à Deus, era o cumprimento do plano da Salvação, em Jesus Cristo, pois como por um homem veio o pecado e a morte, também por um homem veio a salvação para vida. (Rm. 5.17)

É o encontro real com Jesus que nos faz nascer de novo da água e do espírito, e assim, capacitados de reconciliar-nos com Deus. Vivendo nesta nova aliança no Espírito, temos a imagem de Deus restaurada em nós, e, assim, podemos novamente sermos chamados de Filhos, por adoção, em Cristo Jesus.

Salvar ou não salvar?

Os erros da soteriologia Calvinista

Neste tópico relacionaremos os demais pontos como erros bíblicos da doutrina calvinista, que não se relacionam com a verdade bíblica acerca do processo da salvação.

Eleição Incondicional: “Unconditional Election”

Será mesmo que Deus escolhe pessoas para a perdição?

A “eleição incondicional” afirma que Deus escolhe (decreta) algumas pessoas para a salvação e outras para a condenação, simplesmente porque quer, e não em nada que seja inerente à pessoa.

Nesse sentido, a salvação não teria qualquer condição, seria única e exclusivamente vontade de Deus que alguns se percam e outros sejam salvos.

Referido entendimento entra em confronto direto com o que a Palavra de Deus diz em 2 Pedro 3:9. E, ainda, com o texto de 1 Timóteo 2.3-4.

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” 2 Pedro 3:9

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.”
1 Timóteo 2:3,4

Expiação Limitada: “Limited Atonement”

A “expiação limitada” é a crença de que Jesus morreu apenas pelos eleitos (predestinados, segundo os calvinistas), ou seja, ensinam e pregam que Jesus não morreu por toda a humanidade.

É a expressão do “monergismo” calvinista, que ensina erroneamente que o sacrifício de Cristo foi apenas para algumas pessoas.

Tal radicalismo calvinista contraria tudo o que se aprende sobre Cristo na Bíblia Sagrada, principalmente no que tange à bondade, misericórdia, justiça e amor para com os homens, limitando a obra redentora de Cristo na cruz do calvário.

Objetivamente, para se concordar com a doutrina calvinista acerca da salvação é necessário negar que Jesus Cristo morreu por todas as pessoas.

Este entendimento entra em confronto direto com o que ensina o texto bíblico em João 3:16, Tito 2.11, 1 João 2.2 (dentre outros textos).

“Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens,” Tito 2:11

E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” 1 João 2:2

João 3:16

Graça Irresistível: “Irresistible Grace”

A “graça irresistível” defende que quando Deus chama alguém para a salvação, esta pessoa inevitavelmente virá para a salvação.

Não conseguem afirmar conclusivamente como este “chamado” acontece, visto que os maiores pregadores da Bíblia Sagrada foram resistidos, inclusive Cristo (ex: o jovem rico Mc. 10:17-31), Estêvão (Atos. 7.51), Paulo (Atos 28).

Marionetes humanas?

Assim, a afirmação de que a “graça salvadora” seria irresistível, seria transformar o homem e a mulher em marionetes de Deus. Conclusão com a qual não concordamos.

A essência do Evangelho de Jesus Cristo é a liberdade de escolha: Mateus 16.24. A Bíblia ensina que é o Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Ora! Se há um convencimento, há a plena capacidade de o homem resistir ao chamado de Deus à salvação. Só se convence aquele que está relutante, resistente, obstinado a recusar a força persuasiva de alguém.

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;” Mateus 16:24

O homem tem a predisposição de escolher seus próprios caminhos

Perseverança dos Santos: “Perseverance of the Saints”

A “perseverança dos santos” se refere ao conceito de que a pessoa que é eleita por Deus irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviará Dele. Ou seja, este ponto está intimamente ligado ao conceito calvinista de que não seria possível “perder a salvação”, ou seja, “uma vez salvo, salvo para sempre”.

Pedro negou a Jesus três vezes

É um erro, pois nega a existência da apostasia. Jesus profetizou que nos últimos dias a apostasia faria muitos se desviarem (Mateus 24:10-13) (perderem a salvação – saírem do caminho que leva à Deus). 2 Ts.2-4.

A Bíblia nos ensina que devemos perseverar, mas há uma diferença em nosso conceito arminiano de perseverança em relação ao conceito calvinista de perseverança.

Perseverar é uma atitude humana

Para nós, a perseverança é para vigiarmos para preservarmos nossa salvação, ou seja, perseveramos para não perdermos a salvação. É o que Jesus ensina em Mateus 24:13.

“Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.” Mateus 24:13

Já, este conceito calvinista (perseverança dos santos), ensina que aquele que é salvo (escolhido por Deus para a salvação) jamais se desviaria, pois seria impossível para um “predestinado” perder a salvação. Conclusão que contraria os textos bíblicos (1 Tm. 1.19,20; 4.1; Hb. 6.4-6; 10.26-29; Gl. 4.2-6).

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” 1 Timóteo 4:1

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,
E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,
E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.”
Hebreus 6:4-6

“Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído. Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça.” Gálatas 5:4,5

– Próxima aula: A doutrina Arminiana da Salvação.

Armínio

A Doutrina da Salvação

Ser salvo é uma situação espiritual, que nas escrituras lemos por diversos tratamentos, como: “nascido de novo”, “resgatado”, “nascido de Deus”, “eleito”, “adotado”, “filho de Deus em Cristo”, “homem espiritual”, “liberto”, “ovelha”, “rebanho de Deus”, “justificado”, “santificado”, dentre outros

Aula introdutória acerca da doutrina da salvação. O estudo desta doutrina nos capacita a evangelizarmos melhor e a sermos a cada dia mais gratos a Deus por sua eterna e preveniente graça.

O que é Salvação?

O termo bíblico original no grego é “sotéroos”. Portanto a doutrina da salvação chama-se “soteriologia” = estudo da salvação.

Ser salvo é uma situação espiritual, que nas escrituras lemos por diversos tratamentos, como: “nascido de novo”, “resgatado”, “nascido de Deus”, “eleito”, “adotado”, “filho de Deus em Cristo”, “homem espiritual”, “liberto”, “ovelha”, “rebanho de Deus”, “justificado”, “santificado”, dentre outros.

Apenas compreende esta doutrina aquele que passa pela experiência da salvação e começa a viver as revelações que regem a fé cristã. Pois as coisas de Deus só se compreendem espiritualmente (1 Co. 2.14).

Por quê precisamos ser salvos?

Photo of Woman Raising Both Hands

Há salvação porque existe uma perdição. (Rm. 3.23)

Deus criou o homem e a mulher perfeitos, em imagem e semelhança, homem e mulher os criou (Gn. 1:27).

A desobediência (provocada pelo autor do mal – inimigo das nossas almas), influenciou o homem e a mulher a buscarem igualdade em essência. (Gn. 3:1-5). Deus não divide sua glória (Isaías 42:8).

A queda do homem gerou um distanciamento profundo do homem com Deus, visto que Deus é Santo (um de seus atributos). Destituídos da glória de Deus. (Rm. 3.23)

O plano da Salvação

Person Hand Reaching Body of Water

Se há uma perdição, em razão da entrada do mal na criação de Deus, como soberano e perfeito, precisava providenciar divinamente um plano para resolver este estado de perdição no qual se encontram todos os seres humanos.

O louvor da salvação feita pelo Apóstolo Paulo nos revela a verdade do Plano da Salvação (Rom. 8:29-31).

A metáfora da Noiva e do Esposo é utilizada por Jesus em suas parábolas sobre resgate (Mat. 25).

Assim, o Apóstolo Paulo também utiliza esta metáfora para compreendermos o plano elaborado por Deus, em Jesus Cristo, para a salvação da humanidade (Rm. 7).

O dom da Salvação: A graça

A Graça (favor, dom, sem merecimento). O plano foi elaborado, e executado sem qualquer mérito humano, foi completamente obra de Deus. (Tito 2.11)

  • Graça natural – sustentação da vida e da humanidade. (Lm. 3:22, Mt. 5:45) Preservação do mal (Sl. 81:12; Rm 1:24,26,28).
  • Graça como presente especial (Lc. 1:28-30).
  • Graça como unção (At. 11:23).
  • Graça, ainda, como o próprio Evangelho (At. 13:43).
  • Graça criativa, o domínio sobre toda a criação (Gn. 1:28)

A Graça Salvadora (Ef. 2:8,9)

  • A Graça Preveniente (Jo. 3:16, Ap. 13:8, 1 Pedro 1:20) – Arminianismo.
  • A Graça Irresistível (Atos 7:51) – Calvinismo.

A Graça salvadora é sobrenatural. Ela é o meio pelo qual o Espírito Santo trabalha no interior do homem e faz com que a Palavra de Deus, pregada (Rm. 10:17), produza fé no coração, e ele seja atraído por Deus. (Jo. 16:8) (ouvir + agir do Espírito)

Unicidade da Multiforme Graça: 1 Pe. 4:10

Toda a graça dispensada por Deus na humanidade, desde a criação, servem para revelar o Criador, dando responsabilidade ao homem, ao ponto de torná-lo indesculpável.

A força da graça é maior que a força do pecado (Rm 5.20)

O reino do pecado é substituído pelo Reino da Graça (Rm 5.21)

A Graça tem efeito positivo e negativo: Positivo: nos ensina a vivermos sóbrios, equilibrados, bem conosco e com os outros, e piamente; Negativo: implica renúncia ao pecado, à impiedade e às concupiscências mundanas. (Tt. 2:12)

A Graça nos dá a esperança da glória (Tt. 2:13). O meio da Graça é a Cruz de Cristo: “E disse-me: A minha graça de basta (…)” (2 Co. 12.9).

A graça custou o sacrifício de Jesus na cruz. Nos reconciliou (Rm 5.10), nos redimiu (Tt. 2:14), nos substituiu (1 Pedro 2:24) nos justificou e perdoou (Rm 4.25).

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja em todos vós! (1 Ts. 5:28)

O sacrifício na Cruz do Calvário trouxe Libertação da Morte (Hb. 2:9, Rm. 8.10), o Dom da Vida Eterna (Jo. 3.15,16; Rm 6:23) e a Vida Vitoriosa (Ap. 12.11).

Leia também: Os erros da doutrina Calvinista acerca da Salvação

As crianças quando morrem na infância vão para o céu?

Ótimo material de consulta que utilizei para escrever o presente texto são os 4 volumes da obra Teologia para Pentecostais, do Pastor Walter Brunelli (disponível na Amazon). O pastor Brunelli é um Mestre reconhecido no meio evangélico pentecostal.

Admiro muito a sua história, visto que estudou e conviveu academicamente em cursos de teologia reformada (calvinista) não tendo perdido sua essência e fé pentecostal, pois na época em que iniciou seus estudos teológicos era muito difícil encontrar faculdades de teologia que fossem baseadas na doutrina pentecostal.

Ainda assim, o pastor Walter manteve sua interpretação literal e poderosa das Sagradas Escrituras nos pontos da doutrina do Espirito Santo (pneumatologia), da doutrina da salvação (soteriologia), e também da doutrina das últimas coisas (escatologia), conforme nossa fé veementemente pentecostal, biblicamente, nos ensina, enchendo-nos os corações e nossas mentes com o poder de Deus ao lermos a Santa Palavra.

A presente questão que ora se põe nada mais é do que um desses pontos polêmicos capaz de dividir teologias, que, entendo eu, apenas a interpretação literal e soteriológica pentecostal se amolda ao que o texto Sagrado nos revela. A resposta para a questão da Salvação Infantil está doutrinariamente localizada, para fins didáticos, na soteriologia bíblica, ou seja, na doutrina da salvação.

As crianças, ao morrerem ainda na primeira infância, ou seja, quando não fazem o uso pleno da razão, irão ou não para o céu? Isto é, serão ou não salvas? Comecemos analisando o texto chave e básico para a fiel resolução de tal celeuma, as palavras do Senhor Jesus no evangelho de Mateus 19.14: “Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos Céus”.

A interpretação exegética deste texto é simplória, de modo que se Jesus quisesse ensinar de outra maneira diretamente o faria, pois nenhum de nós, meros leitores e aplicadores da Palavra do Senhor, podemos subentender o entendimento do Senhor Jesus quando suas palavras são tão diretas desta maneira.

Primeiramente, não havia uma ou duas crianças ali sendo levadas aos Senhor Jesus. O evangelista escreve que levaram a ele “alguns meninos” (vs. 18) para que os impusesse as mãos, estando os discípulos a repreendê-los de diante do Mestre. Não se pode, então, dizer-se que Jesus estava a tratar de cada criança em sua individualidade, mas estava a tratar-lhes coletiva e igualmente, simplesmente em seu critério biopsicológico: “pequeninos” (crianças).

Dirigindo-se, pois, às várias crianças que ali estavam, tratando-as como iguais diante de si, foi categórico em dizer-lhes: “dos tais é o Reino dos Céus”. Veja que não há um “talvez seja das tais”, ou para “alguma das tais”, ou para “parte das tais” é o Reino dos Céus. Muito menos Ele disse “as tais foram escolhidas por mim para herdarem o Reino dos Céus”.

A Palavra “É” deriva do verbo “ser”, que denota um direito adquirido, uma passagem direta, a expressão de algo que já está há muito tempo definido por Deus. Elas simplesmente são possuidoras dos Céus. Não poderia ser diferente. Vemos em Romanos 10:9, que “se com a boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.

Crianças não tem possibilidade alguma de bem articular utilizando-se da fala, nem mesmo os juízos estão formados para bem entenderem e colocarem o coração no que é santo ou profano. Seria Deus mal ao ponto de lançar um ser indefeso e desprovido de livre expressão e juízo no inferno? Absolutamente que não, pois tornaríamos o Senhor Deus o autor do mal.

O Senhor Jesus, explicita e abertamente nos ensinou que a sua graça já estava derramada sobre os pequeninos. Independentemente da postura dos seus pais ou de suas mães, se são ímpios ou se são crentes, não tendo as crianças entendimento para corresponder à Graça Preveniente, Jesus já demonstrou que esta graça lhes havia sido dada por direito adquirido e passagem direta ao Reino dos Céus.

Qualquer outra interpretação é colocar nas Palavras de Jesus um entendimento humano reducionista, inventado e manipulado que não nos cabe. Veja-se que o evangelista Marcos anotou que Jesus, ao ver os discípulos impugnando o acesso das crianças às suas bênçãos, indignou-se (Marcos 10.14). Como quem diz: “quem dera vocês fossem crianças para terem acesso direto aos Céus”.

Realmente eles não faziam ideia do que estavam fazendo. Estavam bloqueando os possuidores por excelência de terem contato com o dono da propriedade. Se delas é o Reino, quem somos nós para impedi-las de serem abençoadas pelo Senhor Jesus?

Sendo assim, tomamos por certo que as crianças são salvas, até o momento que se tornarem capazes de fazer o uso da razão e entenderem o bem e o mal e assim autodeterminar-se, aflorando-se a natureza pecaminosa. Veja-se, igualmente, a postura do SENHOR Deus ao determinar a Josué quem entraria na Canaã terrena:

“E vossos meninos, de que dissestes: por presa serão; e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem, ali entrarão, e a eles darei, e eles a possuirão” (Dt. 1.39).

Ora! Se foi assim na Canaã da terra, como seria diferente na Celestial? Haveria injustiça no tratamento do SENHOR? De modo algum! De igual sorte, há um raciocínio lógico, desvelado pela doutrina soteriológica do Apóstolo Paulo, especialmente nos versículos 12 e 14 do capitulo 5 de Romanos, onde ensina que

“[…] como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. […] no entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão, o qual é a figura daquele que havia de vir”

Isto significa que, se o pecado de Adão foi capaz de fazer com que os homens nascessem em pecado, o Sangue de Jesus Cristo que tira o pecado do mundo é suficiente para anular o pecado com a benção da salvação àqueles que não fazem uso da razão para se autodeterminar pela natureza pecaminosa ou pelas boas obras da salvação, que são frutos da fé em Cristo Jesus (Efésios 2.10).

Nesse sentido ensina Strong:

“Como sem o seu ato pessoal os infantes herdaram a corrupção da parte de Adão, assim, sem o seu ato pessoal foi-lhes provida a salvação em Cristo” (Strong, 2003. p. 300).

Nesse ponto, há o interesse em saber qual é o momento em que a “criança” torna-se entendedora do bem e do mal, passando-se a ser capaz de se autodeterminar por um destes dois lados. Consoante o ensinamento do catedrático Pr. Walter Brunelli:


​​”Não é possível acomodar-se no argumento de que ‘das tais é o reino dos céus’ como doutrina absoluta de salvação infantil. É necessário considerar os limites demonstrados pelo próprio contexto, à luz do original, o qual põe em destaque crianças realmente inocentes. A responsabilização pelos atos infantis, a partir de certa idade, varia de criança para criança. Até completar os 18 anos de idade, o indivíduo é considerado ‘menor de idade’; se cometer delito, não será condenado, porque é apenas ‘infrator da lei’, isentando-se, assim, da responsabilidade penal aplicável a um indivíduo ‘maior’. O parâmetro bíblico certamente é outro. Em Lucas 18.15-17, começa a narrativa em que Jesus abençoa as crianças, aplicando o termo brephos, que no grego quer dizer ‘crianças recém nascida’; ‘criança de colo’; ‘lactante’. Embora o texto, a seguir, empregue o termo paidia, que indica criança, sem especificar idade, subentende-se, ainda, pelo contexto de Marcos 10.13-16, que se trate de crianças pequenas, porque contribui o texto informando que Ele as tomou nos braços, o que parece indicar que eram crianças de colo. Enquanto inocente, a criança está debaixo da proteção do sangue de Jesus. Seria uma contradição da própria lei condenar um inocente (Jó 4.7). Enquanto Jesus falou que ‘das tais é o reino de Deus’ (referindo-se às criancinhas), em Mateus 18, depois de haver dado uma lição de conversão aos discípulos, tomando uma criança como modelo, pela sua simplicidade, confiança, humildade e facilidade em acreditar, Ele concluiu dizendo que não é da vontade do Pai que nenhum desses pequeninos se perca. Ora, nessa expressão, Jesus admitiu a possibilidade de perda (cf. 2 Pe 3.9). Em Apocalipse 20.12, João diz que viu grandes e pequenos que compareciam para juízo, diante do trono do Cordeiro.”

Fica, assim, explicado, que não existe idade certa para que a criança seja consciente de estar fazendo bem ou estar fazendo o mal. Tal capacidade varia para cada ser humano. Portanto, caso você seja pai ou mãe e esteja lendo este texto preste atenção nas atitudes e comportamentos de seu filho e veja como se comporta para o bem ou para o mal, para saber se está consciente de suas ações.

Ensine-o no caminho em que deve andar e se empenhe para que ele corresponda com fé neste caminho. De outro lado, caso você seja uma criança prodígio e esteja lendo e compreendendo este texto, saiba que você tem pleno conhecimento do bem e do mal e pode sim vir a sofrer a perdição se não andar nos caminhos do Senhor Jesus com fé, demonstrando os frutos da salvação que são as práticas de boas obras (Efésios 2.10).

Tomemos cuidado, entretanto, com a interpretação de textos isolados para explicar a Salvação Infantil, em passagens nas quais não está sendo abordado tal assunto. A exemplo do ensino do Apóstolo Paulo no qual explica acerca da santificação do matrimônio com cônjuge descrente:

“Porque o marido descrente é santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo marido. Doutra sorte, os filhos seriam imundos; mas, agora, são santos” (1 Co. 7.14).

Na interpretação deste versículo não pode ser confundida a “santificação” aqui atribuída pelo SENHOR, com a “santificação” que é a dedicação piedosa e diária do “salvo” perante Deus. O Apóstolo está ensinando que ser um dos cônjuges descrente não torna o casamento um pecado perante o cônjuge crente.

Assim, tendo Deus santificado o cônjuge descrente pela fé do cônjuge crente, não é necessário pôr fim ao matrimônio. De igual maneira, gerar filhos deste relacionamento também não é pecado, pois Deus os santificou pela fé do cônjuge crente.

Utilizar-se deste versículo para explicar que “a fé de um dos pais pode gerar a salvação dos filhos” é um completo erro de interpretação bíblica.

Esperamos que este texto tenha sido esclarecedor de todas as dúvidas que permeiam esta área soteriológica da Salvação das Crianças que não fazem uso da razão e não conseguem se autodeterminar racionalmente para o bem ou para o mal.

Ainda que existem interpretações diversas por outros intérpretes das diversas “teologias” que hoje existem, leia o texto sagrado e confronte com nossas conclusões, assim como fizeram os irmãos Bereanos (Atos 17.10-11), certamente o SENHOR Deus falará com você por intermédio de sua Santa Palavra.