História da Assembleia de Deus Ministério de Santos

Conheça a história da Assembleia de Deus Ministério de Santos, desde seu nascedouro, com o pastorado do pastor Daniel Berg, até seus dias atuais, sob o comando do pastor Paulo Alves Corrêa.

A chegada da mensagem pentecostal no Litoral do Estado de São Paulo

A história da Assembleia de Deus Ministério de Santos é fruto da evangelização pentecostal nos estados brasileiros no início do século XX. A mensagem pentecostal chegou em Pernambuco no ano de 1916, sendo este o sexto estado brasileiro a receber a chama do batismo no Espírito Santo.

Foi deste Estado que vieram alguns irmãos para o litoral paulista, buscando novas oportunidades de trabalho.

A cidade de Santos teve o privilégio de ser uma das primeiras do Estado de São Paulo a receber a mensagem pentecostal. Foi em Santos que se estabeleceu a primeira Assembleia de Deus no Estado de São Paulo.

05.05.1924 foi a data em que se iniciou a proclamação deste trabalho.

Os irmãos que vieram do Recife/PE, não eram nem missionários, nem pastores. Ao chegarem em Santos não encontraram uma igreja pentecostal para adorar ao Senhor. Todavia, vieram com a chama pentecostal acesa, de modo que não queriam deixar apagar.

Assim, reuniram-se como crentes cheios do Espírito Santo para dar início à primeira igreja pentecostal em Santos. Dando início à história da Assembleia de Deus Ministério de Santos, entre os primeiros irmãos pentecostais estavam Vicente Limeira, Hermínia Limeira, Francelino Corrêa e Otávio Corrêa.

Os primeiros cultos realizados foram realizados em um galpão na Avenida Rei Alberto (Ponta da Praia).

A primeira pessoa convertida pela mensagem do Evangelho foi Amélia Barreiros.

Os irmãos que abriram o trabalho não tinham pastor. Eles se reuniam, cantavam, testificavam das maravilhas do Senhor Jesus e pediam que Deus lhes enviasse um pastor.

Daniel Berg: primeiro pastor da AD Santos

Deus ouviu as orações dos irmãos e lhes enviou o missionário Daniel Berg, que durante algum tempo serviu ao Senhor como pastor da Assembleia de Deus em Santos, até 1925 quando chegou o missionário John Sorhein.

Em seguida a igreja recebeu como pastor outro grande homem de Deus, o missionário Simon Lundgren, que passou a ser pastor juntamente com o missionário Anders Johnson.

Daniel Berg e Sra Berg, primeiros pastores da Assembleia de Deus Ministério de Santos

Em seu livro, transcrito pelo filho do missionário Daniel Berg, nos conta que ao chegar em Santos em maio de 1924:

“A primeira pessoa que Daniel encontrou em Santos, depois de ter desembarcado do trem era batista. Ele tinha lido um panfleto, escrito pelo pastor da Igreja Batista do Pará, que contestava a mensagem de Daniel e do irmão Vingren, isto é, a sua pregação sobre o batismo no Espírito Santo. Vinte mil exemplares do panfleto foram distribuídos às igrejas batistas no Brasil inteiro. O homem perguntou a Daniel: “O senhor se chama Daniel Berg?”, “Sim, senhor”, “Então devo lhe avisar que, aqui em Santos, ninguém vai aceitar a sua doutrina de batismo no Espírito Santo”. “Este é o seu pensamento” – respondeu Daniel.” (Enviado por Deus, CPAD, capítulo 35)

Simon Lundgren e família - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
Primeiro templo da Assembleia de Deus Ministério de Santos

O crescimento da Assembleia de Deus Ministério de Santos

Outros pastores que serviram e honraram a história da Assembleia de Deus ministério de Santos como seus pastores foram: Clímaco Bueno Aza, Francisco Gonzaga da Silva, Geraldo Machado e Bruno Skolimowski.

O pastor Clímaco Bueno Aza, como era um pastor com espírito evangelístico forte (foi fundador da AD em Minas Gerais), pastoreou o Ministério de Santos por 3 anos, de 1934 a 1937, indo pastorear duas outras Assembleias de Deus (1937/1939 – AD em Natal/RN e 1939 – AD Curitiba/PR).

Foi pastor fundador das ADs em Amapá, Maranhão e Minas Gerais.

Clímaco Bueno Aza e esposa Julia - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
Clímaco Bueno Aza e família - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos

O segundo local onde a igreja teve sua sede foi na Rua João Guerra, 266, que rapidamente ficou pequena, pelo grupo de obreiros que evangelizavam em todos os bairros e proclamavam o evangelho, as pessoas se rendiam aos pés do Senhor.

Segundo templo - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos

No dia 1º de maio de 1938 a Assembleia de Deus em Santos, sob o pastorado de Francisco Gonzaga da Silva, inaugurava o seu templo na Rua Dr. Manoel Tourinho, 351, Santos.

Francisco Gonzaga da Silva

Todavia, o templo da Rua Manoel Tourinho já havia sido adquirido durante o tempo de pastorado do Pr. Clímaco Bueno Aza, que desde então já previa o crescimento da obra em Santos.

Pr Francisco Gonzaga da Silva e Família
Primeiro Templo da Manoel Tourinho
Primeiro templo da Monoel Tourinho - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
Praça dos Andradas
Primeiro templo da Manoel Tourinho - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
Bruno Skolimowski e obreiros -

Após a passagem do Pr. Francisco Gonzaga da Silva, o Pr. Bruno Skolimowski, juntamente com sua família, assumiu a direção das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus Ministério de Santos.

Pr Bruno Skolimowski e familia

Tendo sido um homem fiel a Deus e à Igreja, com um grande grupo de obreiros e de irmãos continuou cuidando da Igreja até o último dia de sua vida.

A Assembleia de Deus em Santos toma dimensão nacional

João Alves Corrêa - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
Pr João Alves Corrêa em passeata em Santos

Em 11.02.1962 o Pr. João Alves Corrêa assumiu o pastorado da AD em Santos, após o falecimento do pastor Bruno Skolimowski. Encontrou em Santos somente 07 congregações e cerca de 20 por todo o campo, perfazendo um total de 27 congregações.

João Alves Corrêa - posse

O saudoso Pr. João fundou o Círculo de Oração, o Grupo de Mocidade, que foram crescendo durante a passagem dos anos.

O Pr João Corrêa foi eleito presidente da junta executiva das deliberações da CGADB por três gestões consecutivas (1966-1973).

Durante esta época, participou da 8ª Conferência Mundial Pentecostal, considerada a maior de toda História da Igreja em todo o mundo.

Assembleia de Deus Ministério de Santos
Assembleia de Deus Ministério de Santos
Nave do templo sede do Ministério de Santos, nos anos 1970
Pr João Alves Corrêa - Carmita Maciel Corrêa e obreiros
Almoço do Pr. João Corrêa com obreiros do campo do Ministério de Santos, nos anos 1970.
Mocidade - UMADCAMPS - Ministério de Santos
– UMADCAMPSConjunto de Mocidade da sede matriz do Ministério de Santos, nos anos 1970
João Alves Corrêa
João Alves Corrês

Inauguração de novos templos das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus Ministério de Santos nos anos 1980.

Assembleia de Deus Ministério de Santos
História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
João Alves Corrêa

Tempo de expansão e transição para um grande companheiro

Paulo Alves Corrêa - João Alves Corrêa - José Wellington Bezerra da Costa

Formado em Direito (mesmo tendo tido primeiramente o sonho de ser piloto de Formula 1, o que não pôde em razão de sua altura acima da média), o Apóstolo Paulo Alves Corrêa exerceu a advocacia por vários anos, tendo sido próspero em tudo que colocava as mãos.

Porém, o chamado para a obra de Deus falou mais forte em seu coração. O Pr. Paulo Alves Corrêa, serviu como pastor local dirigindo congregações do campo do Ministério de Santos, com uma linda e vasta história de serviço na obra de Deus, foi convocado pelo Pr. João Alves Corrêa para trabalhar como Pr. Adjunto na diretoria da Igreja e do Ministério, até que foi galgando os degraus, pelo seu esforço, empenho e dedicação, tornando-se Vice-Presidente do Ministério de Santos.

A visão para a edificação de um novo templo, para um momento de vitória com glória no Ministério, foi apenas o arremate e a confirmação dos propósitos de Deus na liderança exercida pelo Apóstolo Paulo Alves Corrêa.

Primeiro projeto novo templo Sede - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
construção novo templo sede -
construção novo templo sede -
Paulo Alves Corrêa - Joao Alves
construção novo templo sede -
João Alves Corrêa - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
João Alves Corrêa - João Alves Corrêa Filho (Jango) - Paulo Alves Corrêa -Eliseu Alves Corrêa - Elias Alves Corrêa - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
João Alves Corrêa - Paulo Alves Corrêa - História da Assembleia de Deus Ministério de Santos
Paulo Alves Corrêa e família -

#11 As Assembleias de Deus no Brasil

11.1. A chama pentecostal é acesa no Brasil

No mês de novembro de 1910, os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren vieram ao Brasil, enviados pelo Espírito Santo, por meio de profecia do irmão Alfredo Uldin (seguida de arrebatamento de sentidos), para pregarem a mensagem pentecostal em solo brasileiro.

Os missionários suecos não tinham a intenção de abrir uma nova Igreja, é necessário que isso esteja bem claro quando falamos da História da Assembleia de Deus.

Após a chegada dos missionários, em 19.11.1910, eles ficaram hospedados no porão da Igreja Batista no Pará, onde passaram a congregar.

Até que em uma visita à irmã Celina Albuquerque, após esta ser curada pela oração ministrada pelos missionários, ela ficou em oração com a irmã Maria Nazareth pela madrugada, tendo sido ambas batizadas com o Espírito Santo.

Referido acontecimento gerou a expulsão dos missionários e mais alguns irmãos, dentre eles diáconos, tesoureiro e secretário da Igreja Batista no Pará.

Na casa da irmã Celina Albuquerque, foi aberto um ponto de pregação, que passaram a chamar de “Missão da Fé Apostólica”. Em razão dos movimentos de avivamento mundial, iniciados em 1901 com Charles Fox Parham, que tiveram como mais notório acontecimento os cultos pentecostais da Rua Azusa – Los Angeles.

Contudo, mais tarde, em 11.01.1918 registrariam a Igreja como “Sociedade Evangélica Assembleia de Deus”.

O crescimento da Igreja não pode ser apenas atribuído aos pioneiros. Foram, assim como Paulo e Barnabé, chamados por Deus para acender a chama, mas cada crente que era batizado no Espírito Santo, assim como em Atos, recebia autoridade de Deus para testemunhar em todos os lugares.

  • Irmã Celina Albuquerque: Primeira alma batizada no Espírito Santo em solo brasileiro. Após ser revestida de poder, pregava em todos os lugares onde ia, se tornou um expoente da evangelização nos bairros do Pará.
  • Irmã Maria Nazareth: Amiga de oração de Celina Albuquerque, ao visitar familiares no Ceará, levou a mensagem pentecostal, e suas orações fervorosas chamaram atenção, se tornou fundadora da Assembleia de Deus no Ceará.
  • Manoel Maria Rodrigues: (diácono e secretário) foi o primeiro Presbítero, se empenhava no Evangelismo, na obra Missionária em Portugal e Argentina, e no sustento de missionários.
  • Lydia Rodrigues: filha de Manoel Maria Rodrigues, casou-se com o Missionário Sueco Nels Nelson filho dos missionários Otto e Adina Nelson.

Primeiros membros da Assembleia de Deus

Em pé: Manoel Maria Rodrigues (Secretário da Igreja e primeiro Presbítero ordenado); Henrique de Albuquerque (Diácono); sentadas: Tereza Silva de Jesus; Jesusa Dias Rodrigues; Celina Albuquerque; Maria Nazareth (considerada uma das primeiras missionárias)

Leia tabém: Reavivamento Pentecostal – parte 2 – avivamento da Rua Azusa e chegada ao Brasil

11.2. Os Missionários – Daniel Berg e Gunnar Vingren

Gunnar Vingren
1979-1933

Gunnar Vingren, sua esposa Frida e seus filhos Ivar e Margit

Formado em Teologia pelo Instituto Bíblico Batista em Chicago, ao ser batizado no Espírito Santo, se entregou à obra de Deus, tendo aceitado o chamado para o Brasil.

Em solo brasileiro, foi Pastor, dedicado aos cultos, ao ensino e com o cuidado do rebanho de Deus.

Dirigiu as Igrejas Assembleia de Deus no Pará e em São Cristóvão Rio de Janeiro, até 1932.

Daniel Berg
1884-1962

Daniel Berg, sua esposa Sara e seus filhos David e Lisbeth

Ao ser batizado no Espírito Santo no mesmo congresso com Vingren em Chicago, também entregou-se à direção do Espírito de Deus e foi procurar Vingren, anunciando o chamado, confirmado pelo irmão Alfredo Uldin.

Em solo brasileiro, foi Evangelista, saiu do trabalho na fundição e dedicou-se ao serviço de colportagem (venda de livros e periódicos de porta em porta), tendo visto nisso oportunidade de evangelização).

Saía pela linha férrea que conectava as cidades, sendo fácil saber o caminho de volta. Apenas nos 3 primeiros anos, espalhou 2 mil Bíblias, 4 mil novos testamentos, e 6 mil panfletos.

Foi fundador das igrejas em Vitória/ES, Santos/SP e São Paulo/SP.

11.3. Surge o nome “Assembleia de Deus”

02/04/1914 – Houve um Concílio da Assembleia de Deus nos EUA. O nome foi adotado após a consolidação do movimento fé apostólica, em Hot Springs, como “Assembly of God”, desenvolvido em 1912 pelo Pr. Thomas King Leonard, que pastoreava a “Missão da Fé Apostólica” em Findley/Ohio.

Primeiro templo das Assembleias de Deus no Brasil

25/10/1914 – Chega ao Pará Otto e Andina Nelson, para auxiliarem nos trabalhos evangelísticos da Assembleia de Deus no Brasil.

08/11/1914 – A Igreja já com mais de um milhar de membros muda para o Templo na Travessa 9 de Janeiro, nº 75. Ao mudar, Vingren pede aos irmão para decidirem o nome, segundo relato do Pb. Manoel Maria Rodrigues todos concordaram com “Assembleia de Deus”, tendo sido colocado o nome na fachada do novo templo.

No mesmo ano de 1914, Berg e Vingren foram registrados na Suécia como missionários oficiais pelo Pr. Lewi Pethrus, na Igreja em Estocolmo, visto que reconheceram a obra que o Espírito Santo estava fazendo por meio deles no Brasil.

Em 1915 em viagem à Suécia, Gunnar conhece a jovem Frida Strandberg.

Em 1916, chegam ao Brasil novos missionários suecos para auxiliarem no evangelismo, Pr. Samuel e Lina Nyström, enviados pela igreja de Estocolmo.

Em 1917, Frida chega ao Brasil como missionária enviada pela mesma igreja da Suécia, para qual manda uma carta dizendo como encontrou a Igreja no campo missionário brasileiro:

“O local da Igreja era bonito, todo branco contrastando com o verde escuro. Sobre a porta está escrito “Assembleia de Deus”. Ó, como cantavam! Uma irmã sentada bem na frente dirigia os hinos com a sua forte voz de soprano, como uma flauta. Os irmãos Samuel e Adriano falaram e depois houve oração” (Frida Strandberg)

No dia 16.10.1917 – O Pr. Gunnar e a Miss. Frida se casam numa cerimônia ministrada pelo Pr. Samuel Nyström. Deste matrimônio, surge uma coluna no ministério das Assembleias de Deus, Gunnar dirigia os cultos, Frida ensinava jovens, irmãs e compunha louvores e tocava órgão e violão. Juntos fundam o jornal “Voz da Verdade”, que futuramente se chama “Mensageiro da Paz”.

Gunnar Vingren e Frida Vingren

No primeiro jornal da igreja, chamado “Voz da Verdade”, foi publicada a seguinte mensagem, onde se observa que “fé apostólica” era sinônimo de “Assembleia de Deus”:

“Os nossos irmãos Samuel Nystrom e Daniel Berg, em uma viagem evangelística que fizeram a seis igrejas da fé apostólica, no interior deste Estado, batizaram 90 pessoas. A Assembleia de Deus, em São Luiz (Pará), tem crescido tanto que o vasto salão da Casa de Oração tornou-se pequeno para acomodar os irmãos que ali se reúnem. O pastor Gunnar Vingren batizou, no batistério da Assembleia de Deus, nesta cidade (Belém), 12 pessoas que se entregaram a Jesus. O nosso irmão Severino Moreno foi para Manaus e lá testificou acerca da verdade gloriosa de que Jesus batiza no Espírito Santo; foi tão abençoado que precisou ir para aquela capital um missionário da fé apostólica (Assembleia de Deus)”

11.4. A expansão das Assembleias de Deus no Brasil

Percentual da população membro da Assembleia de Deus por estado no Brasil.png
Percentual da população pertencente à Assembleia de Deus, por Estado da federação ( Por Daniel Silva Mendanha – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, Hiperligação)
Missionários que levaram a mensagem Pentecostal a todo Brasil fundando sedes da Assembleia de Deus local

14.1. Organização

As Assembleias de Deus são organizadas em Ministérios, formados por uma Igreja-Sede, o Pastor-Presidente é o Pastor Principal da igreja e dos trabalhos e as congregações setoriais e locais são chamadas Igrejas filhas (filiais).

Estima-se que existam hoje cerca de 10 mil Igrejas-Sede em todo o Brasil, de campos ou Ministérios, e mais de 100 mil locais de culto distribuídos nos mais de 5 mil municípios brasileiros.

14.2. Crescimento

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no último censo realizado em 2010, apontou 12,3 milhões dos evangélicos no país são da Assembleia de Deus (30%).

Contudo, esta obra realizada pelo Espírito Santo de Deus, por meio das verdades bíblicas de que Jesus Salva, Cura, Batiza no Espírito Santo e breve voltará para buscar sua igreja, desde seu início, conforme o mandamento de Jesus Cristo nas Sagradas Escrituras (Atos 1:8), já em 1967 foi visto pelo brasil inteiro.

Em 1967 o Brasil foi sede da 8ª Conferência Mundial Pentecostal, que ficou conhecida mundialmente como “A maior reunião pentecostal em toda a vitoriosa História da Igreja”.

Jonal divulga o encerramento da oitava conferência mundial pentecostal: “A maior reunião pentecostal em toda a vitoriosa história da Igreja”.

Próxima e última aula: Assembleia de Deus Ministério de Santos

“A cidade de Santos teve o privilégio de ser uma das primeiras no Estado de São Paulo a receber a mensagem pentecostal. Para sermos mais exatos, foi em Santos que se estabeleceu a primeira Assembleia de Deus no Estado de São Paulo. Cinco de maio de 1924 foi a data em que se iniciou a proclamação do trabalho pentecostal na cidade de Santos.” Emílio Conde
(História das Assembleias de Deus no Brasil, 1973, CPAD, pg. 276)

Bibliografia:

Araújo, Isael. História do Movimento Pentecostal no Brasil, CPAD, 2018.

Conde, Emílio. História das Assembleias de Deus no Brasil, CPAD, 1973.

Vingren, Ivar. Diário do Pioneiro, CPAD, 2000.

Berg, David. Enviado por Deus, CPAD, 1995.

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#10 – Reavivamento Pentecostal – parte 2 – avivamento da Rua Azusa e chegada ao Brasil

10.1. Movimentos Anteriores

Os movimentos anteriores montanismo (sec. II), pietismo (sec. XVI), puritanismo morávio (séc. XVII) e metodismo (séc. XVIII), como precursores do pentecostalismo, despertaram os cristãos “a buscarem uma nova dimensão espiritual;

O Batismo com o Espírito Santo: essa segunda obra da graça, posterior à conversão, libertaria os crentes de sua natureza moral imperfeita, que os têm induzido ao comportamento pecaminoso;

Um fortalecimento moral foi verificada nos lares dos cristãos nos EUA. Charles Finney (pregador metodista), pregava a necessidade de uma vida santificada e o batismo com o Espírito Santo;

Preocupado com a formalidade e frieza presentes na Igreja, Charles passou a usar métodos inovadores, como realizar cultos previamente anunciados por distribuição de folhetos, linguagem coloquial na pregação, horários não padronizados para os cultos, citar os nomes das pessoas nas orações públicas e nos sermões, e o “lugar dos aflitos” ao qual as pessoas com perguntas poderiam ir;

Estima-se que entre 1857 e 1858, que Charles Finney tenha ganhado 50 mil almas por semana para o Senhor Jesus.

É nesse tempo que surge o movimento Holiness, o movimento de santidade e enfatizava a imprescindível busca pela santidade com o objetivo de reformar a Igreja;

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Charles Finney pregando um de seus sermões

10.1.1. Movimento de Santidade (Holiness)

Os pastores do movimento Holiness (santidade), ensinavam que a causa das enfermidades presentes na Igreja era a ausência de santificação total e também a falta de poder espiritual;

Por isso insistiam na necessidade de uma vida consagrada e afastada do pecado, e, para tanto, passaram a pregar a orientação do Espírito Santo;

Santifica a sua vida e receba a cura divina. Daí vem o quadrilátero pentecostal Assembleiano: Jesus Salva, Cura, Batiza com Espírito Santo e em breve Voltará é a junção de todos os ensinos destes homens.

A vida controlada e guiada pelo Espírito Santo passou a ser doutrina central das Igrejas independentes;

Esse ensino provocou desvios entre alguns de seus seguidores;

Surgiram excessos a ponto de alguns se rebelarem contra as autoridades eclesiásticas, rejeitando as ordenanças e em alguns casos extremos (perigo !!) desconsiderando até mesmo a Bíblica como regra de fé;

No entanto, essa distorção foi vencida pelos próprios excessos;

Por outro lado, a experiência demonstrou o potencial explosivo de dependência aos dons espirituais;

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Cruzadas evangelísticas do movimento Holiness

10.1.2. Movimento da Fé Apostólica

Ainda mais, a emoção e a liderança do Espírito, esses fatores foram inerentes ao surgimento do pentecostalismo, poucos anos depois;

O movimento da santidade (Holiness) surgiu muitas cruzadas, chamadas “cultos do fogo”, Moody (grande teólogo americano) foi batizado com o Espírito Santo nesta época.

No início do século XX dezenas de estudantes da Escola Bíblica fundada pelo pastor Charles Fox Parham falaram línguas desconhecidas como sinal do batismo no Espírito Santo, seguindo-se daí outros avivamentos que atraíram milhares de cristãos.

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Parham (no meio) com sua esposa e alunos de do instituto Bíblico Bethel em Topeka – Kansas

Parham cria que o Espírito Santo concederia o dom de línguas com idioma humano (xenolalia), fundou em Topeka-Kansas, o Bethel Bible College;

Em 31 de dezembro e 1900, para aguardar a chegada do novo século (XX), Charles Parham e seus alunos realizaram um culto de vigília no Bible College;

Na ocasião, a estudante Agnes Ozman pediu que lhe impusessem as mãos para que recebesse o Espírito Santo;

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Irmã Agnes Ozman – primeira irmã batizada com o Espírito Santo no Instituto Bíblico Bethel

Durante a oração, para alegria de todos, ela (Agnes Ozaman) falou em línguas desconhecidas;

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Charles Parham

O fenômeno repetiu-se nas reuniões seguintes. Cerca da metade dos 34 alunos do Bible College recebeu o batismo com o Espírito Santo, inclusive o diretor Charles Parham;

Após essa experiência, Parham empenhou-se em espalhar o movimento;

No fim de 1903 aconteceu um avivamento em Galena (Kansas) que enfatizava o batismo com o Espírito Santo e a cura divina;

O movimento de 1903 atraiu milhares de cristãos e impulsionou o ministério de Parham;

Em 1905, com o propósito de treinar evangelistas-missionários, Parham fundou uma Escola Bíblica em Houston, Texas;

Os treinamentos duravam dez semanas;

A princípio, o movimento recebeu diferentes nomes: Movimento da Fé Apostólica, Movimento Pentecostal ou Chuva Serôdia;

Nesse período o EUA vivia o período da segregação racial. Lá na Escola Bíblica os alunos eram brancos, mas apareceu um negro, cego de um olho, que queria assistir aulas, ficou sentado na porta.

Nesse período o EUA vivia o período da segregação racial. Lá na Escola Bíblica os alunos eram brancos, mas apareceu um negro, cego de um olho, que queria assistir aulas, ficou sentado do lado de fora, na janela, se equilibrando com suas anotações.

Mas do lado de fora assistiu o professor ensinar que Jesus batizava com o Espírito Santo.

Depois deste período de estudo, Deus levantou William Seymour, com o coração cheio de fé, munido do conhecimento que recebeu, fundou a Igreja Missão Evangélica da Fé Apostólica na Rua Azuza em Los Angeles.

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Pr. J. William Seymour e sua esposa Jennie

Leia também: #01 A Fundação da Igreja:  Atos dos Apóstolos pt.1 – Sec. I

10.2. O avivamento da Rua Azusa – Los Angeles

O principal líder foi o pastor Joseph William Seymour, que fora aluno da Escola Bíblica liderada por Charles Fox Parham;

Ao experimentar o batismo com o Espírito Santo, Seymour alugou um salão na Rua Azuza, em Los Angeles para a pregação pentecostal;

Foi em abril de 1906, que o grupo liderado por Seymour alugou um rústico edifício de madeira, no número 312 da Rua Azuza, no centro de Los Angeles;

Esse prédio havia abrigado uma Igreja metodista negra e posteriormente fora usado como cortiço e estábulo;

Os cultos incluíam três ou quatro sermões ministrados pelos cooperadores de Seymour, que era o principal pregador;

O movimento era conhecido como Missão da Fé Apostólica.

A imprensa local costumava divulgar notícias pejorativas e profundas críticas ao movimento.

O principal jornal da cidade mandou um repórter averiguar o fenômeno de falar em outras línguas nos cultos da Rua Azuza;

O artigo, intitulado “Estranha babel de línguas”, repudiou o sermão de Seymour, classificando-o como “confusão bíblica e gritos”;

Contudo, o artigo do jornal funcionou como propaganda, pois em seguida afluíram aos cultos dirigidos por Seymour cristãos de todas as raças e denominações, que, curiosos, queriam saber o que estava acontecendo;

As igrejas tradicionais começaram a perder membros, alguns pastores dessas igrejas foram para ver e muitos também ficaram lá.

As multidões lotavam o salão de cultos e experimentavam o batismo no Espírito Santo;

A mensagem ali ouvida era transmitida para outros lugares do país e do resto do mundo;

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Fachada da congregação da Rua Azusa no centro de Los Angeles/CA, e publicação em jornal da época

Uma das características mais impressionantes das primeiras reuniões pentecostais foi o caráter interracial em tempos de acentuado racismo nos EUA. Frase famosa na época “a linha divisória da cor havia sido lavada pelo sangue de Jesus”.

Considera-se, então, que o avivamento da Rua Azuza foi o movimento pentecostal de maior relevância em virtude de sua abrangência internacional;

No entanto, é preciso salientar que os avivamentos não estavam restritos aos EUA, existem dados que indicam, por exemplo, avivamentos entre batistas na Suécia e em outras partes do mundo;

E, ainda, temos informações relevantes que os batistas suecos, residentes nos EUA experimentaram o pentecostes antes mesmo do movimento da Rua Azusa;

Neste caso, as Assembleias de Deus no Brasil, fundada em 1911 por Gunnar Vingren e Daniel Berg, embora influenciados pelo movimento da Rua Azusa, são originalmente anteriores a tal movimento; (informações mais recentes – materiais em sueco).

10.3. A Chegada de Daniel Berg e Gunnar Vingren ao Brasil

Daniel Berg e Gunnar Vingren, quando experimentaram o batismo com o Espírito Santo em chicago e desembarcarem no Brasil em novembro de 1910, Gunnar Vingren, era Bacharel em Teologia, formado em Chicago.

Chegaram em Belém do Pará com esta mensagem pentecostal.

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Seis meses depois que chegaram ao Brasil pregando o Batismo com o Espírito Santo, nada tinha acontecido.

Houve uma noite que foram fazer um culto no lar, na casa da irmã Celina Albuquerquer, que era professora da Escola Dominical da Igreja Batista, estava afastada por um tumor nos lábios.

Eles mal sabiam o português. Ao final da mensagem disseram a ela: “a irmã crê que Jesus Cura?”. E ao final da oração Jesus operou o milagre instantaneamente e o tumor desapareceu.

A mensagem tinha sido: Jesus Salva, Cura e Batiza com o Espírito Santo. E ela assentou no coração que só faltava o Batismo com o Espírito Santo.

Determinou a não sair de casa até ser batizada, sua amiga Maria Nazaré ficou em oração com ela, e numa quinta-feira pela madrugada enquanto elas oravam, Jesus batizou a irmã Celina Albuquerque com o Espírito Santo, com a evidência das línguas estranhas.

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Irmã Celina Albuquerque – Primeiro batismo com o Espírito Santo no Brasil

Houve um alvoroço naquela Igreja Batista, e no domingo próximo, a irmã Celina Albuquerque voltou para assumir suas funções com sua revista e sua Bíblia, curada e batizada com o Espírito Santo.

Seu pastor, porém, não permitiu que entrasse para dar aula. Ela o informou que havia experimentado e estava na Bíblia, mas não foi permitida dar aula.

A liderança da Igreja, então, marcou uma reunião para uma terça-feira a noite. Naquela reunião, houve uma votação 20 irmãos dos 34 membros da Igreja concordaram com o Batismo e as línguas estranhas, e foram excluídos com os missionários da Igreja.

Aqueles irmãos juntamente com os missionários ficaram para o lado de fora da igreja, sem saber para onde ir, os missionários moravam no porão da igreja e agora estavam na rua.

• A irmã Celina Albuquerque disse: Jesus me salvou, me curou, me batizou com o Espírito Santo, e agora a minha casa é a casa dos pastores.

• E ali foi fundado o primeiro ponto de pregação que recebeu o nome: Missão da Fé Apostólica.

• O foco de evangelização era o que a igreja local não estava fazendo, os pobres, os necessitados, os marginalizados foram evangelizados.

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• A imprensa de Belém do Pará também mandou um repórter para assistir um culto na Igreja, e também falou mal da Igreja, mas os efeitos também foram inversos, o povo foi assistir e muitos foram batizados com o Espírito Santo.

Semana que vem, penúltima aula: ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL

#09 O reavivamento pentecostal – parte 1

9.1. O Pietismo, Morávios e Metodismo

Também podem ser chamados de sementes pentecostais da reforma.

9.1.1. O Pietismo

(Alemanha – 1650-1800) : (2 Co. 3.6) – (Gl. 5:16-25)

Teve como principal expoente o alemão Philip Jakob Spener (foto abaixo), que não aceitou a “ortodoxia” fria dos luteranos. Defendia a Igreja como organismo vivo de experiências reais com Deus. A “ortodoxia” deveria estar aliada a “ortopraxia”.

A prática da Igreja não pode resumir-se apenas em “palavras”, mas na vida que há na Palavra: uma vida Santa, ajudar os necessitados e dedicar-se na evangelização dos povos.

Spener cria que a reforma não estava completa até que houvesse uma verdadeira vida cristã em cada crente.

Resumo do ensino pietista:

  • Uso mais intensivo da Bíblia na vida do cristão;
  • Renovação do sacerdócio de cada crente (atividade na vida espiritual);
  • Mais prática e não somente o conhecimento das Escrituras; §Mais amor e moderação no tratamento com descrentes e desviados;
  • Preparação dos ministros não apenas academicamente, mas na piedade, devoção e sermões de fácil entendimento para os ouvintes;

9.1.2. Os irmãos Morávios

(Alemanha – 1717-1817) (Ne. 9:38; Lv. 6:12,13; Hb. 12:14)

Em 1727, fugiram de Morávia (Checoslováquia) e foram para Alemanha, eram protestantes radicais nas doutrinas de Lutero, Huss e Calvino, mas eram extremamente briguentos.

Se refugiaram na casa de um crente pietista, chamado Conde de Zinzendorf, que, ao vê-los discutindo questões de fé em acaloradas discussões, em 05 de agosto de 1727 colocou todos os morávios em oração. Passaram a noite toda orando, uns apertavam as mãos dos outros em pacto de amor.

No dia 13 de agosto (domingo), ao celebrarem a ceia, veio um avivamento sobre eles. Em lágrimas, não sabiam o que era oração, louvor, clamor. Prostraram-se ao chão e decidiram que dariam mais lugar ao Espírito Santo do que às próprias razões.

A marca do avivamento entre eles foi: oração, perdão, amor e comunhão. A igreja ali na casa do Conde de Zinzendorf se tornou uma grande Antioquia, um quartel missionário (W.Brunelli, 2016)

Gravura dos crentes morávios em fervorosa oração uns pelos outros: paz, amor e devoção

9.1.3. O Metodismo Wesleyano

(Inglaterra – 1739-atual) (Pv. 13:20; 1 Cor. 15:33; Salmos 119:63; Pv. 15:31)

A vida religiosa na Inglaterra passava por um período de declínio moral e espiritual, com a falta de fervor religioso, hábitos mundanos e egoístas do clero, jogatina e bebedice da população, etc.

Esse foi o ambiente encontrado por John Wesley, o filho de um dos poucos ministros zelosos de seu tempo e de uma mãe dedicada e preocupara com a vida espiritual de seus filhos.

John Wesley tornou-se líder de um grupo de estudantes que eram escrupulosos e metódicos em seus estudos bíblicos, por isso ganharam o nome de “metodistas” ou “clube santo”.

Numa viagem, conheceu um grupo de missionários Morávios e esse encontro o transformou, com a oração, o perdão, a vida de santidade, que o transformou no líder do maior avivamento que a Inglaterra já conheceu.

Escreveu, juntamente com muitos homens hinos e louvores. Seu expoente foi a doutrina da perfeição cristã, seu mais veemente discurso. Primava por uma conduta ilibada no meio de uma sociedade moral e espiritualmente corrompida.

Inspirou o movimento Holiness (santidade) dos EUA, William Seymour (pastor da igreja da Rua Azusa) pertencia a este movimento, que defendia que a partir de uma experiência real com a promessa do batismo com Espírito Santo (segunda experiência), o crente é capacitado para viver uma vida de vitória sobre o pecado.

Um reflexo do pensamento Wesleyano é o hino 266 da nossa Harpa Cristã, traduzido por Paulo Leivas Macalão: Resgatados fomos.

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“Nós resgatados fomos,
Por quem nos quis salvar;
Em Cristo livres somos,
Pra nunca mais pecar!
Em Cristo livres somos,
Pra nunca mais pecar!

Resgatados fomos,
Resgatados fomos,
Resgatados fomos,
P’ra nunca mais pecar!”

9.2. A gênese do Pentecostalismo Clássico

Charles Fox Parham (em 1905)

Diretor do Instituto Bíblico Bethel de Topeka/Kansas.

Levou o conjunto (pietista, morávio, metodista), para a sala de aula, juntamente com a doutrina do Batismo no Espírito Santo, e na doutrina dos dons espirituais (inclusive cura divina), visto que o homem, por si, não é capaz de plenamente resistir ao pecado e de testemunhar sem a capacitação espiritual: O Revestimento de Poder.

Próxima aula: Reavivamento da Rua Azusa e os Missionários Suecos.

#08 Reforma Protestante: os cinco solas

8.1. Martinho Lutero – O Cisne

Cem anos antes, quando o pré-reformador John Huss passava pelo seu martírio, profetizou que surgiria um cisne que iria reformar a igreja. Este cisne era Martinho Lutero, monge agostiniano (importância do monasticismo) – que viveu entre 1483-1546.

Características de Lutero:

• No início da caminhada de fé tinha uma noção radical acerca da justiça de Deus (Hb. 10:38)

• Mudou a visão acerca do que estava acontecendo na Igreja quando visitou a cidade de Roma. Indignação com as pregações de Johann Tetzel acerca das indulgências. (concessão de Indulgência Plenária)

• Buscou mais ardentemente as Escrituras, e teve um encontro real com a Justificação por Cristo (Romanos 5:1-2).

• Desenvolveu, com base das escrituras, suas 95 teses, que pregou na porta da Igreja do castelo de Wittenberg na Alemanha, em 31 de outubro de 1517, com base em Mateus 4:17.

O que aconteceu depois:

Lutero enviou cópia das suas 95 teses para o Cardeal Caetano da Alemanha, que a leva para Roma. Após 2 (dois) anos suas teses estão sendo comentadas abertamente em todo o “sacro império Romano” (como chamavam após a coroação de Carlos Magno como imperador em 800 d.C.)

Lutero, então, foi chamado para um Concílio para se explicar e não vai. Pede que seja feito seu julgamento na Alemanha ao chegar mandam que se retrate. Ele apenas diz: “provem-me nas escrituras que estou errado e me retratarei. De outro modo, permanecerei com minha consciência cativa escrituras”. Ali foi chamado de Hussita (seguidor de Jhon Huss). E declaram-no “herege” (Édito de Worms – documento da excomunhão de Lutero).

Ao sair dali condenado, Lutero foi sequestrado por uma horda de cavaleiros mascarados, que cercaram o carro onde estava, e o aprisionaram no castelo de Wartburg.

Escondido naquele castelo, mudou o nome para Jörg, e ficou escondido onde escreveu vários escritos e traduziu o novo testamento para o Alemão. Ali naquela prisão, foram escritos os maiores trabalhos do reformista.

Em 1523, ajudou 12 freiras a escaparem do cativeiro no convento de Nimbschen, e casou-se com Caterina Von Bora, em 13 de junho de 1525, com quem teve seis filhos.

Gravura de Lutero pregando as 95 teses na Igreja do Castelo de Wittenberg em 31 de outubro de 1517

8.2. Os cinco solas. As pedras de toque da reforma.

1. SOMENTE AS ESCRITURAS (Sola Scriptura)

A Bíblia é nossa única regra de conduta e fé. Tem absoluta primazia sobre qualquer construção humana, aquilo que for conflitante com seus ensinamentos não é doutrina. (2 Tm. 3:16)

Lutero disse:

“um simples leigo armado com as escrituras é maior que o mais poderoso papa sem elas”

2. SOMOS SALVOS APENAS PELA GRAÇA (Sola Gratia)

A salvação é pela graça preveniente de Deus, por meio da atuação do Espírito Santo no convencimento do homem. (João 16:8)

Efésios 2:8

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”

3. SOMENTE A FÉ NOS CONDUZ À SALVAÇÃO (Sola Fide)

O crente não é justificado por obras, nem pelo que tem ou que possa oferecer, mas pela fé em Jesus Cristo. (Rm. 5.1-2; Rom. 3:28).

Romanos 3:28

“Concluimos, pois, que o homem é justificado pela fé sem obras da lei.”

4. SOMENTE A DEUS DAI GLÓRIA (Soli Deo Gloria)

Toda a glória é dada apenas a Deus, por si só, a salvação foi dada por Deus, Não há outro intermediador entre Deus e o homem, apenas Jesus Cristo.

Romanos 11.36

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”

5. Somente em Cristo há Salvação (Solus Christus)

O poder salvador da fé reside, não em si mesma, mas apenas na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: autor e consumador da fé verdadeira (Hb. 12.2).

1 Timóteo 2:5

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”

É necessário decorar

#07 O alvorecer da reforma: os pré-reformadores

7.1. Fatores que desencadearam a necessidade da Reforma

O total afastamento das escrituras, com atitudes antibíblicas:

tráfico de cargos eclesiásticos (simonia); submissão inquestionável (infalibilidade papal); Inquisição; Indulgências (compra e  venda do perdão de pecados).

– Corrupção do Clero: cruzadas, renascimento: revolução cultural, exagero nas artes, supervalorização da forma humana, luxúria.

O cativeiro babilônico do papado: 72 anos em que a sede da Igreja permaneceu em Avignon, França.  (Clemente V se submeteu ao Rei da França).

O grande Cisma do Papado: Urbano VI (Roma) e Clemente VII (Avignon). Transformaram a Igreja num sistema de Impostos e exploração.

Gravura de uma mulher pagando indulgência

7.2. Os Pré-reformadores

1305-1517d.C – O ápice das Nações-Estado

• Os constantes conflitos entre “papas” e cardeais (concílios), chegando ao ponto de existir três papas (Alexandre V). Fez surgir a ideia de “Igrejas Nacionais”, nas que cada local tivesse seu corpo representativo.

O movimento Místico: creram que Jesus estabeleceu entre nós um contato com Deus, de forma que administração da Igreja é uma coisa, mas o relacionamento com Deus é direto (1 Pe.2:9). A liderança espiritual devia cuidar (apascentar) deste relacionamento com Deus, e não ser “mediador”. (erro: valorizaram mais a experiência do que a doutrina)

JhonWycliff:

Para ele o evangelho e a liderança tinha que ter simplicidade, não podia ser cercada por luxos.

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Viveu durante o grande cisma do papado. Para ele a liderança bíblica deveria consistir em humildade e dedicação ao serviço espiritual da igreja.

Criticou as indulgências, confissões anuais, peregrinações e adoração de imagens. Se empenhou na tradução das escrituras para o Inglês. Seus ensinos influenciaram outro jovem.

John Huss:

Camponês, do Sul da Boêmia, estudou Teologia e conheceu os escritos de Wycliff e adotou as ideias.

Pregava e ensinava, chegando a mandar pintar nas paredes contradições: papa a cavalo e Cristo descalço, Jesus lavando os pés dos discípulos e o papa tendo o pé beijado.

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Ficou muito conhecido, e também pregou contra as indulgências, por sua causa a Boêmia ficou sob Interdição e Huss teve que se exilar. Pensando que seria ouvido em um concílio, expôs suas ideias e foi condenado, e levado à fogueira da Inquisição.

Morreu cantando. E profetizou: “Hoje vocês estão matando um ganso, mas daqui 100 anos Deus levantará um cisne que não poderão queimar” (morreu em 1415 d.C).

Jerônimo Savonarola:

Em Florença – Itália. Nos tempos dos Borgias. Fez o trabalho dos pré-reformadores, preparando o caminho da reforma.

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Denunciou os desvios bíblicos da Igreja, enfrentou os governantes da cidade. Como dito, sua carreira não foi fácil, pois conviveu com os piores papas desde o início da história do papado.

Florença era o principal lugar do renascimento que ocorreu na Italia, dali surgiram Leonardo da Vinci, Michelangelo, e outros artistas integrantes da “Escola Florentina”.

Morreu enforcado e foi queimado. Mas a obra e coragem também ficou produzindo resultados no meio da igreja.

7.3. Observações da Pré-reforma

• Foi o acontecimento mais importante dentro da Igreja depois do Pentecostes. (reinauguração – retorno à doutrina dos apóstolos).

• No período dos pré-reformadores, mudanças extraordinárias estavam ocorrendo no mundo (1305-1517d.C) da Idade Média à Idade Moderna (era dos descobrimentos.

• Somos fruto desta época de mudanças, em que tudo se tornou propício para a reforma. O que temos a ver com as cruzadas? Tudo!

• Ordem dos Templários (primeiros bancos). Corrupção e inveja dos papas, morte e excomunhão. Dom Henrique Rei de Portugal. Ordem de Cristo (expansão marítima) financiamento das expedições de expansão marítima, que levaram ao Descobrimento do Brasil.

• Em 15 de outubro de 1517, 17 anos depois que o Brasil foi descoberto, algo de muito extraordinário ocorreria do outro lado do mundo, em uma Cidade chamada Wittenberg, pela coragem de um Monge Agostiniano, chamado Martinho Lutero.

#06 Idade Média – parte 2: papado, monasticismo e cruzadas

6.1. O Papado

Pilares do papado: 1) Religião Oficial do Império; 2) Ausência dos Césares; 3) Distanciamento da Igreja Apostólica Primitiva; 4) Associação com o paganismo.

  • Foi a primeira instituição inovadora da Idade Média, após a morte dos apóstolos, a cristianização e queda do Império Romano, alguém tinha que manter-se no trono de Roma.
  • Não haviam mais imperadores, os bárbaros tinham invadido a região. Tudo o que sobrou foi a Igreja em Roma.
  • O Papado nasce de uma heresia (que também serviu de defesa contra outras falsas doutrinas – dos males o menor), denominada “sucessão apostólica”, que ensinava que havia uma continuidade de transmissão da autoridade sobre toda a Igreja, iniciada no “pontificado” (aquele que está na ponta), que seria de Pedro.
  • Para ensinarem isso, foi necessário a completa deturpação do texto de Mateus c. 16 v. 16-19. Jesus é a pedra (petra), chama Pedro de petros (fragmento de pedra).

6.1.1. Primeiros Pontífices e os mais famosos

Leão Magno (440-461) – o primeiro Papa.

Gregório Magno (590-604) – primeiro a tomar o lugar dos imperadores. Ensinou o purgatório, penitências e transubstanciação.

Gregório VII (1073-1085) – implementou a reforma monástica e determinou o celibato de todos os clérigos. Disse que o Papa era senhor absoluto da igreja e do mundo, e não comete(u) erros.

Inocêncio III (1198-1216) – ápice do poder papal, os reis temiam. Poder da interdição. A devoção de Francisco de Assis (ordem mendicante). Implementou também a inquisição e a confissão auricular.

6.1.2. A CORRUPÇÃO DO PAPADO

•O “Exílio Babilônico” do papado (1309-1377), período em que o papa Clemente V, por problemas do pontífice anterior, Bonifácio VIII, com o Rei Felipe IV, transferiu o poder político de seu governo, por interesses políticos para Avignon no Sul da França, onde permaneceu 70 anos como um joguete nas mãos do rei da França. Diziam que ouviam gritos no castelo de Avignon, gritos de tortura e de orgias que o papa fazia.

O Grande Cisma do Ocidente (1378) – os cardeais franceses nomearam um papa e os cardeais romanos nomearam outro papa, e essa luta dos papas perdurou até o Concílio de Constância (1416).

Os papas do Renascimento – todos eles foram papas que amavam as artes. Foi um período em que afloraram as artes e as letras clássicas. Amavam o luxo, as artes plásticas. Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, todos eles recebiam dinheiro dos papas para pintar as capelas e fazer grandes obras em Roma, e nas cidades mais famosa: Florença, Veneza.

Castelo de Avignon serviu como a grande Diocese francesa no período chamado “Cativeiro do papado”

6.2. Monasticismo Medieval

Distinções importantes:

– Monasticismo Anacoreta (Anachoréo = do grego retirar-se) – alguém que se isola. Modelo adotado pelos monges eremitas, especialmente nos primórdios do cristianismo.

Monasticismo Cenobítico: Modelo em que o monge leva uma vida retirada, mas em comum com outros. Vem dos termos gregos koinos e bios – vida em comum.

Pacômio (m. 348) é reconhecido como o fundador do monasticismo cenobítico. Ele iniciou, em 320, uma comunidade monástica no Egito.

6.2.1. Famosas Regras de S. Bento

Moderação na prática ascética – não aceitavam exageros de nenhuma espécie. Martinho Lutero era exemplo de Monge Ascético, que chegava a desmaiar de tanto jejuar.

Permanência no mosteiro de origem – problemas nos mosteiros não permitiam que se mudassem de um mosteiro a outro. O Monge que entrava em um mosteiro tinha que ficar lá até o fim da vida. Só poderia sair diante de ordem das autoridades monásticas.

Pronta obediência ao abade.

Disciplina para recuperação do rebelde (admoestação particular -> repreensão pública -> excomunhão -> açoite -> expulsão do mosteiro).

Trabalho braçal – lema dos monges “ora et labora” – ore e trabalhe.

Igualdade (baseada na pobreza comum) – para se tornar monge era necessário abrir mão de tudo que tinha. A pobreza era absoluta, todas as doações eram dos mosteiros, os monges, em si, não tinham nada.

Oração e recitação das Escrituras (sete vezes durante o dia e uma vez no meio da noite)

6.2.2. Benefícios do Monasticismo na História

Preservação de manuscritos. “Scriptorium” – Lugar onde se escreve, copiavam livros – Monges copistas.

Preservação dos conhecimentos antigos (centro de estudo).

Educação de crianças

Nova concepção acerca do trabalho árduo.

Socorro às vítimas da guerra, da fome e das doenças.

Trabalho missionário: Agostinho de Canterbury (Inglaterra) e Bonifácio (Alemanha).

6.2.3. Reforma Monástica

O monasticismo se corrompeu, assim como a igreja (como organização na Idade Média).

O Mosteiro de Cluny: Fundado em 909 d.C. pelo duque da Aquitânia, Guilherme III. Combateram a simonia (compra de cargos eclesiásticos – Atos 9).

• Propriedade doada aos apóstolos Pedro e Paulo, sob proteção da Santa Sé.

• Ênfase na estrita observância da Regra de São Bento. Estendeu seu alvo reformador a outros mosteiros.

• Por fim, estendeu sua reforma a toda a igreja (século XI), combatendo a simonia, a investidura leiga e o casamento de clérigos.

Mosteiro Agostiniano Luterano

6.3. AS CRUZADAS

Foram campanhas militares promovidas pelos cristãos europeus entre os séculos XI e XIII visando repelir o avanço turco e libertar a Terra Santa das mãos dos “infiéis” islâmicos.

As cruzadas aconteceram porque essa ameaça islâmica punha em risco algumas práticas cristãs, como a prática da peregrinação. Existia, também, o interesse dos nobres europeus de obter terras, dinheiro e poder com as cruzadas.

IMPORTANTE: Ao tempo da Primeira Cruzada surgiram as ordens militares: os Hospitalárias (cuidavam do hospital, mas pegavam em armas), os Cavaleiros Teutônicos e os Cavaleiros Templários. Estes últimos, cuja ordem foi criada em 1118, seriam destruídos em 1312 devido a pressões de Filipe IV da França sobre o Papa Clemente V, que pediu para mandar mata-los por interesse econômico. Eram monges cristãos, denominados soldados/cavaleiros de Cristo.

Cavaleiros Templários sob ótica Romantizada
Gravura mais próxima do que é realmente foi uma cruzada, com pobres, mulheres e crianças

6.4. O LEGADO DAS CRUZADAS

No total foram 9 (nove) cruzadas, entre 1096-1272.

• A antipatia entre cristãos e muçulmanos.

• Enfraquecimento do Império Bizantino.

• Fortalecimento do papado.

• Impacto sobre o monasticismo.

• Nova ênfase no combate às heresias (os cátaros – seita gnóstica que se estabeleceu no sul da França, em Albi, também eram chamados de Albigences).

• Cristianismo mais militante e agressivo.

• Maior intercâmbio econômico e cultural entre o Oriente e o Ocidente.

#05 A Igreja na Idade Média – pt. 1: o domínio bárbaro, o surgimento e o conflito com o islamismo

Nesta aula ensinamos as ocorrências após o término do período chamado de Igreja Antiga (até o séc. V), o surgimento do domínio bárbaro, sua queda e o surgimento, avanço e perda de força do islamismo na Europa.

5.1. Divisões principais da Idade Média

  • BAIXA IDADE MÉDIA: Século VI a XI – até o cisma de 1.054 d.C. (Igreja do oriente – católica romana – e do ocidente – ortodoxa grega).
  • A ALTA IDADE MÉDIA: Abrange os séculos XI a XIV – vai até o começo da decadência do papado, com o fim do pontificado de Bonifácio VIII (1.303 d.C).
  • FIM DA IDADE MÉDIA: Século XIV a XV, com a queda de Constantinopla em 1.453 e o surgimento dos pré-reformistas.

5.2. ACONTECIMENTOS APÓS A QUEDA DE ROMA

Os conflitos se estenderam pelo mundo, e a fé cristã sempre foi o catalisador para apaziguar os ânimos, ainda que diante de muitas mortes de missionários, diante do risco que se tornou pregar o evangelho, com o fim da chamada “pax romana”.

Tudo o que ocorreu na Idade Média foi cumprimento da profecia de Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador:

“Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores.” Mateus 24:4-8

Os Reinos Bárbaros, por terem sido mais fortes, pressionaram as fronteiras em busca de lugares melhores para viverem, pois não tinham conhecimento de agricultura e comércio, dominavam um lugar, espoliavam e iam para outros. Os hunos, vândalos, os visigodos, os ostrogodos, os francos, os lombardos e os anglo-saxões invadiram o império e foi um choque para o mundo da época.

Haviam muitos Bárbaros Cristãos, mas por serem analfabetos acreditavam naquilo que houviam, muito deles eram Arianos (doutrina herege de Ario, que dizia que Jesus não era divino, teria sido criado pelo Deus Pai), assim, não respeitavam os Pastores que ensinavam Jesus Cristo.

Porém, aos poucos, os Pastores e Missionários, mesmo perseguidos pelos Bárbaros não desistiram de ensiná-los acerca da divindade de Jesus, e o Arianismo dos Bárbaros não prosperou.

5.3. O SURGIMENTO E AVANÇO DO ISLAMISMO

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” 1 Tm 4:1

Como aprendemos na aula anterior, o primeiro passo de qualquer heresia é diminuir a pessoa, a humanidade e a divindade do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. As seitas e heresias constroem seus falsos ensinos negando a deidade de Cristo Jesus e a eficácia da morte e da ressurreição, negando a Cruz do Calvário, que é o ápice da mensagem cristã. Isso não é diferente no islamismo, que diz que Jesus foi apenas um profeta.

Para o Islã, Maomé dirige os profetas Abraão, Moisés e Jesus. Jesus seria apenas um profeta. Maomé também teve contato com o cristianismo Ariano, que não cria na divindade de Jesus. Pois os Bárbaros foram também para a Arábia, onde influenciou Maomé.

Numa viagem com seu tio à Síria, foi identificado por um monge cristão chamado Bahira, como profeta cuja missão estava predita (lenda).

Diz-se que aos 40 anos (cerca de 610 d.C.) foi chamado pelo anjo Gabriel para ser profeta de Alá (lenda).

Aos 50 anos (620 d.C.) teve a experiência mística de viajar para Jerusalém e ser levado até o céu. Aos 52 anos (622 d.C.) fugiu de Meca para Medina. Meca era uma cidade idólatra e politeísmo, que dava dinheiro, muito dinheiro pela idolatria, e Maomé teve que fugir da cidade. É a Hégira que marca o início do calendário muçulmano. (lenda)

Aos 60 anos (630 d.C.), após vencer várias batalhas, tornou-se o Senhor de Meca e de toda a Arábia. Morreu aos 62 anos (632 d.C.), em Medina, nos braços de sua esposa favorita, Aisha. (lenda)

Em 661 a igreja cristã estava enfraquecida, e o Islamismo dominou facilmente a palestina o Egito a Arábia, o golfo pérsico. Igreja que não tem solidez doutrinária, se os crentes não têm interesse em aprofundar seu conhecimento na sã doutrina. Se o púlpito não prega uma doutrina neotestamentária, quando chega um movimento novo, facilmente é arrastada por esse movimento.

5.4. ONDA DE AVANÇO DO ISLAMISMO NA IDADE MÉDIA

Século IX e X: os muçulmanos ocupam ou atacam vários pontos do Mediterrâneo cristão: Creta, Sicília, Itália.

Século XI: os turcos seljúcidas, povo nômade das estepes da Ásia central, surgem como uma nova força islâmica.

Os turcos vencem os bizantinos na batalha de Manzikert (1.071).

Bizâncio apela várias vezes à cristandade latina em busca de socorro. Anos depois a Europa ocidental responde com a Primeira Cruzada.

Na igreja antiga (até o século V), essa ameaça não existia. Com o enfraquecimento doutrinário e o domínio da ignorância bárbara, passa a existir e ameaça as nações e facilita a dominação de muitos povos.

RAZÃO PRINCIPAL DO AVANÇO: ensino fácil. O Islã se expandiu com facilidade e rapidez por causa, inclusive, da simplicidade de sua mensagem. O muçulmano tem em sua religião cinco pilares básicos que ele deve respeitar ao longo de toda a sua vida. Os cinco pilares são:

1) Recitação da shahadah: “não existe nenhum deus além de Allah e Muhammad (Maomé) é seu profeta”.

2) Realizar as cinco orações diárias voltando-se para a direção de Meca.

3) Realizar o jejum obrigatório durante o período do Ramadã. 40 (quarenta) dias.

4) Realizar a zakat, a doação de 2,5% de seus lucros para as pessoas mais pobres.

5) Visitar Meca ao menos uma vez na vida (ação que só deve ser realizada se a pessoa tiver condição financeira para tal).

Alcorão – livro considerado sagrado pelos adeptos do islamismo
Praça central de Meca, cidade considerada sagrada pelo islamismo

5.5. A PERDA DA FORÇA DO ISLAMISMO DURANTE A IDADE MÉDIA – A RESISTÊNCIA E RECONQUISTA ESPANHOLA

A Espanha foi o berço do conflito para se libertar do Islamismo, pelo qual foi dominada em 711 d.C. – Nós somos originados nesse meio. Nós somos herdeiros históricos da península ibérica (união entre os reinos da Espanha e de Portugal).

Haviam lendas que contavam que o Apóstolo Tiago, filho do trovão, filho de Zebedeu, havia evangelizado na Espanha, e ali tinha vivido e morrido. Isso criou uma rota de peregrinação dos Cristão na Idade Média.

Alguns alegam terem tido visões em sonhos de Tiago descendo do céu a cavalo com uma espada na mão, ajudando a luta, libertando os Espanhóis dos muçulmanos.

Isso reforçou a Ideia de Guerra Santa, que ali se iniciou próximo ao ano 800 e a libertação completa da dominação muçulmana se deu em 1.492 d.C., quando se iniciaram as eras dos descobrimentos, dentro os quais as missões que levaram ao descobrimento do Brasil.

Gravura da entrega do Reino muçulmano de Granada ao Rei Fernando e à Rainha Isabel I de Castela (ESPANHA – surgiu da união dos reinos conquistados de Galiza, Leão, Castela, Navarra e Aragão)

Porque ainda hoje é tão difícil fazer Missões na Espanha e em Portugal?

Os descobridores da américa, colonizadores, do Brasil, inclusive, chegam com a ideia de que se pode matar para impor a fé Cristã. Durante 800 anos acostumaram com esse comportamento. Quando chegaram na terra encontraram pagãos, e não foi difícil para eles destruírem essas civilizações. Para matarem essas pessoas, pelo pensamento deles era muito simples.

Os reis católicos, Fernando e Isabel, recuperam todo o território ocupado pelos muçulmanos. A Espanha se tornou rigorosamente católica. Até hoje são países rigorosamente católicos. Amizades não se mantém entre católicos e crentes na Espanha e em Portugal.

Até hoje em Portugal se encontra sinais da presença dos muçulmanos no cenário português, como o Castelo de Sintra. A presença islâmica arábica na arte lá é muito nítida.

#04 Patrística, cristianização e queda do Império Romano

Na quarta aula sobre História da Igreja, ensinamos as heresias combatidas pela patrística (Pais da Igreja Antiga), tecemos comentários sobre os efeitos da cristianização e a derrocada (queda) do Império Romano.

imagem destacada: ruínas do local onde outrora funcionava o Fórum romano.

4.1. Purificação e reflexão da Igreja –heresias (falsas doutrinas) que ameaçaram a Igreja Antiga

As heresias que tentaram contaminar a Igreja Antiga (até Século V):

a) Gnosticismo

b) Ebionismo

c) Marcionismo

d) Montanismo

e) Sabelionismo (ou Modalismo)

f) Arianismo

g) Nestorianismo

h) Apolinarismo

i) Eutiquianismo

j) Maniqueísmo

k) Donatismo

l) Pelagianismo

4.2. Os “Pais” da Igreja (patrística ou patrologia)

Quem são: foram grandes pastores e teólogos essenciais para a ortodoxia (doutrina correta). Mantiveram a integridade da sã doutrina – pelo menos as questões mais essenciais da fé cristã, como a divindade de Cristo Jesus e sua indissociável natureza humana e divina.

Para facilitar o estudo, são divididos conforme sua produção literária em “apostólicos” aqueles que enviaram cartas para outras Igrejas, pois sucederam os apóstolos como pastores das igrejas abertas; “apologistas” visto que defendiam a Igreja diante das calúnias, ofensas e acusações irrogadas à Igreja; e “polemistas” aqueles que combatiam as falsas doutrinas – são a maioria.

a) Inácio de Antioquia (Bispo da Igreja de Antioquia da Turquia), foi um mártir e escreveu uma famosa Carta aos Irmãos da Igreja de Roma.

b) Policarpo de Esmirna (foi bispo da Igreja de Esmirna), foi um mártir e personagem da Carta Circular da Igreja de Esmirna (que você pode ler aqui no blog).

c) Justino Mártir

d) Atenágoras

e) Irineu de Lyon

f) Orígenes de Alexandria

g) Tertuliano de Cartago

h) Atanásio de Alexandria

i) Basílio de Cesareia

j) Gregório de Nissa

k) Macrina

l) João Crisóstomo

m) Ambrósio de Milão

n) Jerônimo

o) Agostinho de Hipona

Todos estes foram homens que, em meio às calúnias e heresias que se levantavam contra a Igreja, apascentaram o rebanho em meio a muitas perseguições e foram fundamentais para a manutenção da reflexão teológica da Igreja Antiga.

4.3. A Era Constantino – alguns fatos da “cristianização” do governo romano.

a) Surgimento do cesaropapismo

b) Fim das perseguições

c) Surgimento do sistema de penitências

d) Donatismo institucionalizado

e) Declínio Moral na Igreja

f) Paganização da Igreja (templos suntuosos, incensos, vestes sacerdotais suntuosas, veneração de ídolos, etc)

g) Monasticismo

h) Engrandecimento do bispo de Roma

i) Fomento à reflexão teológica

4.4. Entendendo os motivos da queda do Império Romano

Historiadores tentam até hoje convergir os motivos que levaram À queda do Império Romano. Dentre eles estão a incapacidade de expansão pela baixa do contingente do exército romano, a saúde da população (pragas e doenças), a baixa força da economia, visto que a expansão rápida levou à rápida queda da espoliação dos países conquistados.

Ainda, outros fatores dizem ter cooperado com a queda do império, como a má-administração do imperador Constantino em diante, as mudanças religiosas (cristianismo institucionalizado como religião do governo), acusado de ter tirado a fúria imperialista que havia no exército romano e a crescente pressão dos bárbaros de diversas regiões que, conforme escreveu Edward Gibbon “como um dilúvio, os bárbaros esmagaram o mundo romano”.

Nós cremos que isto foi um juízo de Deus sobre os perseguidores da Igreja, visto que o sangue dos mártires clama por justiça (Ap. 6:9-10). O Império perseguidor não poderia ficar de pé. De tudo o que sobrou da glória de outrora, ficou apenas a Igreja, completamente fora do padrão da Igreja Primitiva de Atos dos Apóstolos, contaminada pelo Papismo.

É necessário que todos os perseguidores da Igreja sejam julgados

#03 A Perseguição Romana: O sangue dos cristãos é semente (slides para download)

3. A Perseguição Romana: O Sangue dos Cristãos é Semente

3.1. Organização política Grega e Romana

3.1.1. GRÉCIA: Ágora, Acrópoli e Areópago (Ágora: governo; Acrópoli: deuses; Areópago: filósofos)

3.1.2. Os Limites do Império Romano (história, nascimento do império, poderio militar, religião e superstições.

formação de uma legião militar romana
mapa do Império Romano

3.1.3. A MISERICÓRDIA DE DEUS NO SOFRIMENTO DE SEUS FILHOS •Tertuliano de Cartago, teólogo e advogado. Presenciou de perto os martírios – do grego “testemunhas”.

“O sangue dos cristãos é semente”

3.2. PERSEGUIÇÃO NO SÉCULO I

3.2.1. IMPERADOR NERO (54-68 d.C.)

Incendiou a cidade de Roma e colocou a culpa nos cristãos. Lançou os cristãos às feras, aos gladiadores e à fogueira. Institucionalizou a matança de cristãos no Circo (anfiteatro ovalado).

3.2.2. IMPERADOR DOMICIANO (81-96 d.C.)

Instituiu impostos sobre os cultos. Com a recusa dos cristãos em pagar, realizou grande perseguição contra eles, chegando a exilar o Apóstolo João na Ilha de Patmos.

crucificação de cristãos sob Nero

3.2.3. LUGARES DOS MARTÍRIOS EM ROMA

a) PRISÃO MARMETINA Próximo ao Fórum Imperial (Capitólio). Foi onde Paulo ficou preso em uma masmorra pequena e fria.

b) COLISEU: construído no ano 80, por escravos.

c) CATACUMBAS ROMANAS: Grandes corredores subterrâneos que serviam como cemitérios.

interior da prisão marmetina
catacumbas de Roma

3.3. AS PERSEGUIÇÕES NO SÉCULO II

3.3.1. A POLÍTICA DE PERSEGUIÇÃO DE TRAJANO (98-117 a.C.)

Um governador chamado Plínio “o moço”, ao ver os templos pagãos esvaziando, e enfraquecendo os senhores que vendiam animais para sacrifício e outras coisas, propõe uma política de perseguição, sob denúncias externas. A defesa de Tertuliano de Cartago.

O Martírio do Pastor Inácio de Antioquia (110 d.C.)

O Martírio do Pastor Policarpo de Esmirna (156 d.C.)

3.3.2. A PERSEGUIÇÃO SOB MARCO AURÉLIO O IMPERADOR E FILÓSOFO (161-180)

Nesse período grandes pragas e epidemias de doenças aconteceram. Como era estoico e supersticioso, acusou os cristãos, por não adorarem os “deuses” pagãos.

Martírio da viúva Felicidade

Martírio da jovem Blandina

3.4.1. IMPERADOR SÉTIMO SEVERO (183-211 d.C.)

Declara os cristãos inimigos do império, e responsáveis pela fraqueza militar e econômica do império.

3.4.2. IMPERADOR DÉCIO (249-251 d.C.)

Estabeleceu a regra do “Libellum” – certificado de paganismo. Para identificar quem era e quem não era cristão.

certificado de queima de incenso ao imperador e aos deuses pagãos romanos

3.4. PERSEGUIÇÕES NO SÉCULO III

3.4.3. IMPERADOR DIOCLECIANO (284-305 d.C.)

Assinou a tormenta final, mandado queimar toda e qualquer das escrituras utilizadas pelos cristãos.

Daí surgiu a consciência de canon” (Novo Testamento). Os cristãos avaliaram quais das epístolas e evangelhos eram mais inspirados, pelos quais valia a pena morrer.

Quem entregava era chamado de “traditore” (traidor – aquele que entrega).

3.5.1. O ÉDITO DE TOLERÂNCIA DE GALÉRIO (311 d.C.)

Documento que deu liberdade de religião aos Cristãos. Era próximo a Diocleciano, e o estimulou a perseguir os cristãos. Disse que as perseguições foram benignas, a fim de que abandonassem tal “superstição”, mas foram teimosos.

3.5.2. A VITÓRIA DE CONSTANTINO CONTRA MAJÊNCIO

Constantino era um general militar, marchou contra o Imperador Majêncio, e, depois de uma visão (“in hoc signo vinces”), trocou os símbolos militares da águia e do sol pela cruz, e conquistou o senhorio absoluto no oriente e no ocidente. Assinando o Édito de Milão, tornando oficialmente o Cristianismo colo Religião Lícita, e se declarou cristão.

Estátua de Constantino em York

3.6. AS LIÇÕES IMPORTANTES DA PERSEGUIÇÃO

3.6.1. A IGREJA É INDESTRUTÍVEL •A igreja sempre vai ser odiada pelo mundo (1 Jo 5.19). Jesus disse que é natural que o mundo odeie a Igreja, porque os verdadeiros Cristãos não são do mundo (Jo 17:16). Não há como destruir a igreja.

Assim aprendemos que a PERSEGUIÇÃO ROMANA…

ajudou na expansão da igreja;

ajudou na purificação da igreja;

ajudou na reflexão da igreja.