A dispensação da inocência

Lugar de onde Deus nunca quis que o homem tivesse saído

Estamos aprendendo o dispensacionalismo (leia aqui a primeira lição), que, como aprendemos, são os tempos em que Deus provou o homem, dando-lhe a oportunidade de obedecê-lo e andar em seus caminhos.

A primeira das sete dispensações é a dispensação da inocência. No princípio Deus criou os céus e a terra, e tudo o que nela há. O Senhor fez tudo de maneira perfeita, dando à sua criação sua análise: “viu Deus que era bom”.

Podemos notar, assim, que no ato da criação não havia o mau, absolutamente todas as coisas eram boas. O Senhor é a própria bondade. O Salmista Davi já exaltava esta realidade, de que a bondade de Deus permeia as gerações (dispensações) – (Sl. 100:5).

Na primeira dispensação havia a plenitude da bondade de Deus sobre toda a criação. É nessas condições que Deus cria o homem, e o coloca no núcleo, no meio, de tudo o que tinha feito de bom: o jardim do Éden (que significa “lugar de prazer”).

Era um ambiente tão bom e agradável, livre de qualquer maldade, que ninguém em sã consciência quereria sair dali.

A inocência – vontade de Deus para o homem

O Senhor Deus ama o princípio. Quando desejamos viver como no princípio Deus se alegra. Pois havia comunhão plena com o homem, havia prazer inocente nesse relacionamento divino entre Deus e o ser humano recém-criado.

Deus tanto amou a sua criação, tanto amou o homem que não atribuiu a ele qualquer maldade. Visto que nunca foi da vontade de Deus que o homem se contaminasse, pois o jardim foi feito para ser um ambiente de prazer e paz sem contaminação.

O Senhor nunca perdeu esse desejo, de se relacionar com o homem na inocência, na ausência de culpa e maldade. Não é por acaso que Jesus ao ver os discípulos maliciosamente disputando quem seria o maior entre eles, pegou uma criança e colocou no meio deles e disse: “se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”. (Mt 18:1-3)

Inocência é ausência de culpa. Quando Deus chegava no jardim, na viração do dia, era o momento mais perfeito de todos. Era momento de relacionamento íntimo, pois havia perfeita comunhão de espírito, o Espírito de Deus, em sua eterna bondade, e o espírito do homem, sem qualquer mácula.

O que podemos aprender com a dispensação da inocência é que Deus ama a bondade, e ser bom é um esforço diário, de se fazer menino diante de Deus, desprezando a malícia do mundo, e fazendo a vontade de Deus. (Ec. 9:8)

A vontade de Deus era que tudo permanecesse assim. Era que o homem andasse em obediência, pois obedecer era a opção em querer ser inocente e não conhecer as maldades do maligno.

A primeira ordem de obediência

Resultado de imagem para obediência

O homem havia acabado de ser criado. Não havia nele defeito algum. Tudo o que poderia ser mal, ou seja, a opção pelo mal, não poderia ser inerente ao ser humano, mas exterior.

A ordem da primeira dispensação era “obedecer a Deus”, para conservar a inocência e as qualidades perfeitas dadas por Deus. Mas a bondade de Deus exigia que não fosse tirada do homem a oportunidade de escolha.

Deus então coloca a árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim e dá a ordem para que o homem não coma dela. Comer da árvore significava a morte de tudo o que havia de bom no ser humano.

Cumprir a determinação, a princípio, não foi difícil. A desobediência não fazia parte dos atributos do homem, pois havia sido criado como um ser bom, e quem é bom não desobedece. Assim, não poderia a desobediência vir do interior do homem. Era necessário um fator exterior para mudar a relação do homem com o Criador.

Para que houvesse justiça no Éden, para que fosse um lugar perfeito e amoroso, Deus permitiu (vontade permissiva) que o homem e a mulher fossem tentados, tendo ali no Éden os atributos espirituais suficientes para que pudessem resistir à tentação.

Se o homem e a mulher não pudessem ter escolha entre obedecer a Deus ou cair na tentação do inimigo, não haveria amor. Deus não obrigou o homem a obedecê-lo, antes lhe deu oportunidade de escolha.

Em nossos dias ainda é assim. Quando nos aproximamos de Deus não nos tornamos livres das tentações. Na verdade, ficamos ainda mais tentados, entramos em luta e batalhas espirituais. Ainda que nossa natureza tenha sido alterada pelo pecado, fatores externos colaboram para influenciar-nos negativamente a entrar em conflito com Deus.

Obedecer é a ordem de Deus para todas as dispensações. Não há salvação na desobediência, no conflito com o Senhor. É necessário que sejamos atentos à Palavra, que é a vontade de Deus revelada a nós.

A luta do inimigo para corromper nossa inocência

Resultado de imagem para serpente eden

Desde o princípio a vontade de satanás é aniquilar o nosso relacionamento com Deus. A maldade, a malícia, a astúcia, são criação do Diabo. (Jo 8:44) O inimigo matou o que era de mais precioso para Deus, o relacionamento perfeito com o homem, de onde adveio a morte espiritual.

O fator externo utilizado pelo inimigo para influenciar o homem e plantar a maldade em seu coração foi a “mentira”. Deus havia determinado que o homem não comesse, para que conservasse a sua inocência e não morresse espiritualmente. O inimigo, de outro lado, disse que o que Deus havia dito não aconteceria, e que o homem e a mulher poderiam ser “deuses” se comessem do fruto. (Gn 3:1-4)

A sedução pela desobediência, plantada pela mentira do diabo no coração de Eva, fez com que a visão da mulher mudasse de foco em relação à ordem de obediência dada pelo Senhor Deus, tendo em seguida cedido à tentação e comido do fruto e ainda o deu a seu marido.

Naquele exato instante o homem e a mulher perderam o que era mais caro em sua criação, a essência da bondade, a ausência de conhecimento do mal. O sentimento de culpa foi imediato, a vergonha, o medo, o pânico, a tristeza, a depressão, tudo o que havia de mal agora fazia parte de seu íntimo. (Gn 3:7)

Ainda hoje, o inimigo luta para corromper nossa inocência. As maiores influências para o mal continuam vindo do exterior, do mundo que também foi corrompido por ser o lugar de habitação do homem. Mesmo assim, devemos continuar nos esforçando para alcançarmos a inocência perdida, lavando nossas vestes pelo sangue precioso de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que nos justifica (nos inocenta) perante o Pai (Rm 8:1,33).

O conhecimento do mal nos afasta de Deus

Resultado de imagem para adao e eva se escondendo de deus

Com a natureza maligna agora fazendo parte do homem e da mulher, Deus não pôde mais se aproximar deles. Deus, agora, com sua voz os chama (Gn 3:8a). E quando ouviram a voz santa do Senhor não conseguiram ir até Ele. A sensação da culpa, da vergonha, do medo, do desânimo, pela primeira vez os privou da comunhão com Deus (Gn 3:8-10).

A pergunta de Deus para Adão é emblemática, pois revela que antes da mentira ter corrompido a comunhão do homem com Deus, não era possível ao homem discernir, por si só, o estado de vergonha (Gn 3:11). Esse é um momento de profunda tristeza para o Senhor, pois havia entrado no homem a oposição à bondade divina.

O que era antes um relacionamento pacífico e de comunhão, foi substituído por um momento de julgamento. Antes, desfrutando da mesma natureza espiritual, o homem não sabia o que era se justificar diante de Deus (1 Co. 11:31), e no estado de solidão, sem saber o que fazer, tenta justificar-se atribuindo a culpa para sua mulher (Gn 3:12).

A mulher, por sua vez, tentou se justificar atribuindo a culpa para a serpente. E, como é do feitio de satanás, é o único dos réus que não apresenta qualquer justificativa, pois é a origem do mal, assim, ele não poderia atribuir a culpa a mais ninguém (1 Jo 3:8).

O juízo de Deus contra o discernimento da maldade

Resultado de imagem para juiz

Não havia mais perfeição no homem. Sua desobediência e escolha em dar ouvidos à mentira do inimigo, ignorando a ordem de Deus, fez com que fosse réu de juízo.

O juízo de Deus começou da origem do mal, com a punição da serpente, que agora recebeu a maldição entre todos os animais do campo, sua condenação foi arrastar-se sobre o próprio ventre e comer pó todos os dias. Esta realidade ainda é vista (por experiência espiritual nossa) em possessões demoníacas, onde pessoas se arrastam no chão como serpentes.

A semente da serpente (Gn 3:15), é plantada pelas potestades do ar, espírito que domina aqueles que, assim como o homem no Éden dão ouvidos à voz maligna da desobediência e permanecem em guerra contra o Senhor Deus (Ef 2:1-4).

O juízo da mulher é, do privilégio que possui de gerar uma vida, não desfrutar deste milagre sem dores, agora gerar uma vida inocente causa dores. E o desejo da mulher torna-se ao seu marido, e ela passa a ser dominada por ele (até que Cristo venha a libertar do jugo da maldição, por meio do seu amor vertido por nós – Ef. 5:25-27).

O juízo do homem é ser responsabilizado pela maldição da terra (Gn 3:17-18). A abundância agora não era mais o estado natural da terra. Deveria plantar, se preocupar, se gastar para poder comer. Sem o esforço, está condenado a passar necessidades. Ainda que haja o esforço, no lugar onde planta surgirão espinhos e cardos.

No lugar de frutos viçosos, que se dão em estação própria, terá que se servir por muitas vezes da erva do campo. O futuro do homem se tornou certo na terra, além de comer do suor do rosto, também se tornou condenado à voltar ao pó, sabendo que a carne em si mesmo não possui nenhum valor, senão o espírito que havia perdido a comunhão com o Criador. (Gn 18:19)

O juízo que conclui a dispensação da inocência é a expulsão do homem e da mulher do lugar de prazer. Não há prazer em conhecer o mal (Gn. 3:23-24). Ainda assim, a Palavra nos revela que Deus, em seu eterno amor e bondade, fez túnicas com as próprias mãos e os vestiu, predizendo-nos a graça que nos foi dada e que hoje conhecemos (Gn 3:21).

O Salvador: o plano perfeito das dispensações

Resultado de imagem para jesus salvador

Já na dispensação da inocência foi anunciado o Salvador (Gn 3:15). Aquele que iria destruir as mentiras da serpente, que iria aniquilar as maldições que vieram sobre os homens, as palavras de Jesus nos revelam que Ele veio para desfazer as obras do diabo. (1 Jo 3:8).

O diabo veio no princípio destruir o relacionamento do ser humano com o Senhor Deus. Jesus veio para nos reconciliar com Deus (2 Co 5:19). O diabo veio para roubar, matar e destruir (Jo 10:10a), Jesus veio para dar vida e vida com abundância (Jo 10.10b).

E a promessa é viva, a promessa da dispensação da inocência se cumprirá, no dia em que o Filho aparecer com seus santos para julgar as nações, para esmagar satanás debaixo de nossos pés (Rom 16:20).

Jesus é o plano perfeito das dispensações.

Leia também: A dispensação da consciência (do entendimento do bem e do mal)