Jesus não tentou obrigar as pessoas a crer nele

Nesta terceira parte da resenha do primeiro capítulo do livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, discorrerei brevemente sobre esta afirmativa simples que está dentro da visão equivocada de alguns crentes que afirmam que “o governo deve impor a religião”.

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Nesta terceira parte da resenha do primeiro capítulo do livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, discorrerei brevemente sobre esta afirmativa simples que está dentro da visão equivocada de alguns crentes que afirmam que “o governo deve impor a religião”.

Segundo Grudem, o ensinamento de Jesus é completamente oposto à visão de “obrigar” que as pessoas o sigam. Visto que, em uma passagem peculiar o Mestre repudiou imediatamente uma vontade estranha que nasceu no coração de dois de seus discípulos de simplesmente matar quem não aceitava o caminho proposto por Cristo.

“E enviou mensageiros à sua frente; estes foram e entraram num povoado de samaritanos para lhe preparar pousada. Mas os samaritanos não o receberam, pois viajava para Jerusalém. Quando viram isso, os discípulos Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” (Lc 9.52-54)

De maneira completamente equivocada, os discípulos estavam pensando que a ameaça de morte, ou de qualquer outro tipo de mal, seria suficiente para conseguir fazer com que as pessoas aceitassem facilmente a pessoa de Jesus e, assim, o evangelho pregado não teria resistências.

O recado que seria dado a toda população, não só de Samaria, mas de todo o território de Israel, seria no sentido de que aqueles que não aceitassem Jesus quando este chegasse até eles, poderiam ser consumidos por labaredas de fogo. Pronto! Haviam construído um método fácil e rápido de coação para se impor a religião perante a população local.

Segundo Grudem, referida tentativa de construir um caminho alternativo ao amor e à liberdade pessoal de crer em Jesus e segui-lo voluntariamente de corpo, alma e entendimento, saiu totalmente pela culatra, pois esta posição radical é totalmente oposta ao ensino de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

“Jesus, porém, rejeitou categoricamente essa sugestão. O versículo seguinte diz: ‘Ele, porém, voltando-se, repreendeu-os’ (Lc 9.55). Jesus recusou de modo claro qualquer tentativa de obrigar as pessoas a segui-lo ou crer nele” (Política Segundo a Bíblia, Ed. Vida Nova, pg. 30)

Qualquer tentativa de imposição da fé Cristã a indivíduos que essencialmente não querem (a não ser que sejam genuinamente convencidos pelo poder do Espírito Santo), é completamente contrária ao verdadeiro evangelho, pois gera um caminho diverso, ou seja, uma completa ruptura entre o verdadeiro ensino que “propõe”, com o ensino errado e sem o apoio de Cristo, que “impõe” – gerando uma verdadeira “Seita”.

O ultimato da resposta de Jesus aos discípulos que estavam pretendendo impor a fé pela coação violenta, foi sublime e denota que sem liberdade não existe evangelho genuíno:

“Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia” (Lc 9.55-56)

Jesus foi enfático em dizer que os discípulos não faziam ideia de onde estavam vindo aqueles pensamentos maléficos de convencer as pessoas pela violência e pela destruição de suas vidas – disse que não sabiam “de que espírito sois”, ou seja, Jesus afirmou que os discípulos estavam sendo influenciados por um “espírito estranho”, uma influência que, certamente, não vinha do Mestre.

Isso nos revela que a imposição do cristianismo não é um ato que vem de Deus, mas de uma influência maligna para provocar discórdias, mortes, guerras e perdimento de almas que devem ser salvas pelo Evangelho da Paz (Rm 10:15).

Dito isso, fica a conclusão de que a Igreja deve respeitar a liberdade dos não crentes de não serem obrigados a ser cristãos e de andarem segundo os seus caminhos perante os homens até que sejam genuinamente convencidos do pecado, da justiça e do juízo. A nós nos resta exercer grande influência em favor do bem, do correto, do caminho da Salvação, por meio da pregação do evangelho com amor e liberdade, porque não há como impor a fé autêntica, sendo este o tema do próximo post desta resenha.

Até lá.

Jesus fez distinção entre o reino de Deus e o de César

Continuo minha resenha sobre o primeiro capítulo do Livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, acerca da primeira visão equivocada a respeito de cristianismo e governo, que se trata do pensamento erroneamente difundido de que “o governo secular deve impor a religião”.

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Continuo minha resenha sobre o primeiro capítulo do Livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, acerca da primeira visão equivocada a respeito de cristianismo e governo, que se trata do pensamento erroneamente difundido de que “o governo secular deve impor a religião” (clique para ler meu primeiro texto).

Grudem, depois de explanar o erro de tal pensamento na história do cristianismo, começa a apontar biblicamente os erros nos quais incorrem aqueles que pensam que a religião cristã deve ser imposta à sociedade através do governo secular.

O primeiro ponto bíblico em que esta visão (de que o governo deve impor a religião) tropeça é no fato de que “Jesus fez distinção entre o reino de Deus e o de César”. Os fariseus, oponentes judeus às doutrinas de Jesus, buscaram apanhá-lo por meio de uma pergunta capciosa: “É correto pagar tributo a César, ou não?” (Mt 22.17).

Foi uma pergunta capciosa porque qualquer resposta dada pelo “sim” ou pelo “não”, poderia comprometer a doutrina anunciada por Jesus. Se a resposta fosse “sim” nosso Senhor arriscaria dar apoio ao governo de Roma que era odiado pelos judeus. Caso dissesse que “não” mostraria que era um revolucionário, que hostilizava o governo Romano.

Todavia, sendo Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus deu uma resposta que calou a todos os hipócritas que tentavam comprometer seus ensinamentos. Mandou primeiramente que mostrassem a Ele uma moeda do tributo: “Mostrai-me uma moeda do tributo”, e a Bíblia diz que alguém lhe entregou um “denário” (vs. 19).

Em seguida, ensinou a todos ali da seguinte maneira: “De quem são esta imagem e inscrição? E eles responderam: César. Então lhes disse: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22.20,21).

Esta foi uma declaração impactante para aqueles que ouviam e também para nós nos dias atuais. Jesus deixou bem claro que existem no mundo âmbitos diferentes de influência nos quais seus discípulos estão inseridos, um é temporal e o outro é espiritual, ambos podem até conviver, mas não se submetem entre si e muito menos devem, necessariamente, andar juntos.

Segundo Grudem:

“Trata-se de uma declaração notável, pois Jesus mostra que devem existir dois âmbitos distintos de influência, um para o governo, outro para a vida religiosa do povo de Deus. Algumas coisas, como impostos, dizem respeito ao governo civil (“o que é de César”), logo, a igreja não devem tentar controlá-las. Em contrapartida, outras coisas dizem respeito à vida religiosa das pessoas (“o que é de Deus”), logo, o governo civil não deve tentar controlá-las.”

Nesse ensino de Jesus nós podemos verificar claramente a mudança de vida em sociedade do povo de Israel do Antigo Testamento em relação ao do Novo Testamento. As leis e o convívio entre os outros povos e principalmente em relação ao Império Romano, haviam se alterado radicalmente e era necessário estabelecer-se uma diferença, uma ruptura do governo civil em relação à religião, ou seja, como o povo é organizado socialmente (englobando-se como convívio com outros povos e culturas) e como deve se relacionar com Deus.

Claramente, Jesus não enumera os pontos em que as duas categorias (governo civil e Igreja) deveriam andar separados, mas a simples distinção que Jesus fez entre estes dois âmbitos nos indica a aprovação de Cristo de um sistema diferente do que foi atribuído à nação de Israel no Antigo Testamento (quando o povo era governado civilmente e espiritualmente por Deus – teocracia).

Todos que faziam parte da nação de Israel no Antigo Testamento faziam parte do “povo de Deus”, pois as leis abrangiam “questões seculares”, como homicídio e roubo, e também as “questões religiosas”, como o sacrifício de de animais e penalidades no caso de adoração a outros deuses (cf. Lv. 21-23; Dt 13.6-11).

A declaração de Jesus (sendo Novo Testamento), revela uma alteração que faz a separação entre as “questões seculares” e as “questões religiosas”, conforme nos elucida Grudem:

“Na declaração de Jesus a respeito de Deus e de César, ele definiu os contornos mais amplos de uma nova ordem na qual ‘o que é de Deus’ não deve estar sob o controle do governo civil (‘o que é de César’). Esse sistema é muito diferente da teocracia que governava o povo de Israel no Antigo Testamento.”

Fica, portanto, claro o erro da visão de querer comparar e misturar o governo secular com a Igreja, impondo uma religião sobre o povo, trazendo-se alianças que podem comprometer o bom uso da doutrina e a visão que o mundo precisa ter de uma Igreja Santa e Imaculada diante de Deus e dos homens caídos que precisam de perdão e de um encontro real com Jesus.

Deve ser esclarecida e corrigida, ainda, a má interpretação de Salmos 33:12, que diz em sua parte “a”: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor”. Muitos “líderes” utilizam desta expressão para levar o povo a crer que o governo civil deve ser religioso e fomentar uma cruzada civil-religiosa, quando, na verdade, estão omitindo o final do texto (parte “b”) que diz: “e o povo ao qual escolheu para sua herança”. Sabemos que a herança de Deus é o nosso Senhor Jesus Cristo, que já veio a partir de Israel, a nação bem-aventurada de onde veio o Messias: O Salvador do mundo.

Portanto, o citado versículo bendiz a nação de Israel escolhida por Deus na Antiga Aliança, da onde viria o nosso Rei Jesus. O paralelismo poético hebraico nos ensina que tanto a parte “a” como a parte “b” deste Salmo estão tratando da mesma nação. Sendo assim, este texto não serve para ensinar que os governos civis devem ser religiosos, esta é uma interpretação errada.

Assim, conclui-se que, pelo ensino do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, todos os governos civis, inclusive os de hoje, até a sua vinda (arrebatamento da Igreja), devem garantir a liberdade religiosa sem imposição ou intervenção de qualquer natureza à sociedade, dando a possibilidade de que o povo livremente escolha ou não seguir às doutrinas religiosas e o modo que as praticam pela incorruptível pregação do evangelho da paz (Rm 10.15), sem imposição de governos arbitrários.

E mais, “César” não pode intervir na liberdade do povo de crer e de professar religião, pois são coisas “de Deus” para a salvação dos homens (Ef 2.8). A falta de liberdade para crer e expressar sua religião leva à corrupção do evangelho, pois dá-se a entender que as alianças erradas de “líderes religiosos” feitas com governos civis estão a obrigar as pessoas a qual caminho seguir, tirando delas a escolha por seguir a Jesus genuinamente, que é a próxima parte de nossa resenha: “Jesus não tentou obrigar as pessoas a crer nele”.

Nos vemos lá.