#11 As Assembleias de Deus no Brasil

11.1. A chama pentecostal é acesa no Brasil

No mês de novembro de 1910, os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren vieram ao Brasil, enviados pelo Espírito Santo, por meio de profecia do irmão Alfredo Uldin (seguida de arrebatamento de sentidos), para pregarem a mensagem pentecostal em solo brasileiro.

Os missionários suecos não tinham a intenção de abrir uma nova Igreja, é necessário que isso esteja bem claro quando falamos da História da Assembleia de Deus.

Após a chegada dos missionários, em 19.11.1910, eles ficaram hospedados no porão da Igreja Batista no Pará, onde passaram a congregar.

Até que em uma visita à irmã Celina Albuquerque, após esta ser curada pela oração ministrada pelos missionários, ela ficou em oração com a irmã Maria Nazareth pela madrugada, tendo sido ambas batizadas com o Espírito Santo.

Referido acontecimento gerou a expulsão dos missionários e mais alguns irmãos, dentre eles diáconos, tesoureiro e secretário da Igreja Batista no Pará.

Na casa da irmã Celina Albuquerque, foi aberto um ponto de pregação, que passaram a chamar de “Missão da Fé Apostólica”. Em razão dos movimentos de avivamento mundial, iniciados em 1901 com Charles Fox Parham, que tiveram como mais notório acontecimento os cultos pentecostais da Rua Azusa – Los Angeles.

Contudo, mais tarde, em 11.01.1918 registrariam a Igreja como “Sociedade Evangélica Assembleia de Deus”.

O crescimento da Igreja não pode ser apenas atribuído aos pioneiros. Foram, assim como Paulo e Barnabé, chamados por Deus para acender a chama, mas cada crente que era batizado no Espírito Santo, assim como em Atos, recebia autoridade de Deus para testemunhar em todos os lugares.

  • Irmã Celina Albuquerque: Primeira alma batizada no Espírito Santo em solo brasileiro. Após ser revestida de poder, pregava em todos os lugares onde ia, se tornou um expoente da evangelização nos bairros do Pará.
  • Irmã Maria Nazareth: Amiga de oração de Celina Albuquerque, ao visitar familiares no Ceará, levou a mensagem pentecostal, e suas orações fervorosas chamaram atenção, se tornou fundadora da Assembleia de Deus no Ceará.
  • Manoel Maria Rodrigues: (diácono e secretário) foi o primeiro Presbítero, se empenhava no Evangelismo, na obra Missionária em Portugal e Argentina, e no sustento de missionários.
  • Lydia Rodrigues: filha de Manoel Maria Rodrigues, casou-se com o Missionário Sueco Nels Nelson filho dos missionários Otto e Adina Nelson.

Primeiros membros da Assembleia de Deus

Em pé: Manoel Maria Rodrigues (Secretário da Igreja e primeiro Presbítero ordenado); Henrique de Albuquerque (Diácono); sentadas: Tereza Silva de Jesus; Jesusa Dias Rodrigues; Celina Albuquerque; Maria Nazareth (considerada uma das primeiras missionárias)

Leia tabém: Reavivamento Pentecostal – parte 2 – avivamento da Rua Azusa e chegada ao Brasil

11.2. Os Missionários – Daniel Berg e Gunnar Vingren

Gunnar Vingren
1979-1933

Gunnar Vingren, sua esposa Frida e seus filhos Ivar e Margit

Formado em Teologia pelo Instituto Bíblico Batista em Chicago, ao ser batizado no Espírito Santo, se entregou à obra de Deus, tendo aceitado o chamado para o Brasil.

Em solo brasileiro, foi Pastor, dedicado aos cultos, ao ensino e com o cuidado do rebanho de Deus.

Dirigiu as Igrejas Assembleia de Deus no Pará e em São Cristóvão Rio de Janeiro, até 1932.

Daniel Berg
1884-1962

Daniel Berg, sua esposa Sara e seus filhos David e Lisbeth

Ao ser batizado no Espírito Santo no mesmo congresso com Vingren em Chicago, também entregou-se à direção do Espírito de Deus e foi procurar Vingren, anunciando o chamado, confirmado pelo irmão Alfredo Uldin.

Em solo brasileiro, foi Evangelista, saiu do trabalho na fundição e dedicou-se ao serviço de colportagem (venda de livros e periódicos de porta em porta), tendo visto nisso oportunidade de evangelização).

Saía pela linha férrea que conectava as cidades, sendo fácil saber o caminho de volta. Apenas nos 3 primeiros anos, espalhou 2 mil Bíblias, 4 mil novos testamentos, e 6 mil panfletos.

Foi fundador das igrejas em Vitória/ES, Santos/SP e São Paulo/SP.

11.3. Surge o nome “Assembleia de Deus”

02/04/1914 – Houve um Concílio da Assembleia de Deus nos EUA. O nome foi adotado após a consolidação do movimento fé apostólica, em Hot Springs, como “Assembly of God”, desenvolvido em 1912 pelo Pr. Thomas King Leonard, que pastoreava a “Missão da Fé Apostólica” em Findley/Ohio.

Primeiro templo das Assembleias de Deus no Brasil

25/10/1914 – Chega ao Pará Otto e Andina Nelson, para auxiliarem nos trabalhos evangelísticos da Assembleia de Deus no Brasil.

08/11/1914 – A Igreja já com mais de um milhar de membros muda para o Templo na Travessa 9 de Janeiro, nº 75. Ao mudar, Vingren pede aos irmão para decidirem o nome, segundo relato do Pb. Manoel Maria Rodrigues todos concordaram com “Assembleia de Deus”, tendo sido colocado o nome na fachada do novo templo.

No mesmo ano de 1914, Berg e Vingren foram registrados na Suécia como missionários oficiais pelo Pr. Lewi Pethrus, na Igreja em Estocolmo, visto que reconheceram a obra que o Espírito Santo estava fazendo por meio deles no Brasil.

Em 1915 em viagem à Suécia, Gunnar conhece a jovem Frida Strandberg.

Em 1916, chegam ao Brasil novos missionários suecos para auxiliarem no evangelismo, Pr. Samuel e Lina Nyström, enviados pela igreja de Estocolmo.

Em 1917, Frida chega ao Brasil como missionária enviada pela mesma igreja da Suécia, para qual manda uma carta dizendo como encontrou a Igreja no campo missionário brasileiro:

“O local da Igreja era bonito, todo branco contrastando com o verde escuro. Sobre a porta está escrito “Assembleia de Deus”. Ó, como cantavam! Uma irmã sentada bem na frente dirigia os hinos com a sua forte voz de soprano, como uma flauta. Os irmãos Samuel e Adriano falaram e depois houve oração” (Frida Strandberg)

No dia 16.10.1917 – O Pr. Gunnar e a Miss. Frida se casam numa cerimônia ministrada pelo Pr. Samuel Nyström. Deste matrimônio, surge uma coluna no ministério das Assembleias de Deus, Gunnar dirigia os cultos, Frida ensinava jovens, irmãs e compunha louvores e tocava órgão e violão. Juntos fundam o jornal “Voz da Verdade”, que futuramente se chama “Mensageiro da Paz”.

Gunnar Vingren e Frida Vingren

No primeiro jornal da igreja, chamado “Voz da Verdade”, foi publicada a seguinte mensagem, onde se observa que “fé apostólica” era sinônimo de “Assembleia de Deus”:

“Os nossos irmãos Samuel Nystrom e Daniel Berg, em uma viagem evangelística que fizeram a seis igrejas da fé apostólica, no interior deste Estado, batizaram 90 pessoas. A Assembleia de Deus, em São Luiz (Pará), tem crescido tanto que o vasto salão da Casa de Oração tornou-se pequeno para acomodar os irmãos que ali se reúnem. O pastor Gunnar Vingren batizou, no batistério da Assembleia de Deus, nesta cidade (Belém), 12 pessoas que se entregaram a Jesus. O nosso irmão Severino Moreno foi para Manaus e lá testificou acerca da verdade gloriosa de que Jesus batiza no Espírito Santo; foi tão abençoado que precisou ir para aquela capital um missionário da fé apostólica (Assembleia de Deus)”

11.4. A expansão das Assembleias de Deus no Brasil

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Percentual da população pertencente à Assembleia de Deus, por Estado da federação ( Por Daniel Silva Mendanha – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, Hiperligação)
Missionários que levaram a mensagem Pentecostal a todo Brasil fundando sedes da Assembleia de Deus local

14.1. Organização

As Assembleias de Deus são organizadas em Ministérios, formados por uma Igreja-Sede, o Pastor-Presidente é o Pastor Principal da igreja e dos trabalhos e as congregações setoriais e locais são chamadas Igrejas filhas (filiais).

Estima-se que existam hoje cerca de 10 mil Igrejas-Sede em todo o Brasil, de campos ou Ministérios, e mais de 100 mil locais de culto distribuídos nos mais de 5 mil municípios brasileiros.

14.2. Crescimento

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no último censo realizado em 2010, apontou 12,3 milhões dos evangélicos no país são da Assembleia de Deus (30%).

Contudo, esta obra realizada pelo Espírito Santo de Deus, por meio das verdades bíblicas de que Jesus Salva, Cura, Batiza no Espírito Santo e breve voltará para buscar sua igreja, desde seu início, conforme o mandamento de Jesus Cristo nas Sagradas Escrituras (Atos 1:8), já em 1967 foi visto pelo brasil inteiro.

Em 1967 o Brasil foi sede da 8ª Conferência Mundial Pentecostal, que ficou conhecida mundialmente como “A maior reunião pentecostal em toda a vitoriosa História da Igreja”.

Jonal divulga o encerramento da oitava conferência mundial pentecostal: “A maior reunião pentecostal em toda a vitoriosa história da Igreja”.

Próxima e última aula: Assembleia de Deus Ministério de Santos

“A cidade de Santos teve o privilégio de ser uma das primeiras no Estado de São Paulo a receber a mensagem pentecostal. Para sermos mais exatos, foi em Santos que se estabeleceu a primeira Assembleia de Deus no Estado de São Paulo. Cinco de maio de 1924 foi a data em que se iniciou a proclamação do trabalho pentecostal na cidade de Santos.” Emílio Conde
(História das Assembleias de Deus no Brasil, 1973, CPAD, pg. 276)

Bibliografia:

Araújo, Isael. História do Movimento Pentecostal no Brasil, CPAD, 2018.

Conde, Emílio. História das Assembleias de Deus no Brasil, CPAD, 1973.

Vingren, Ivar. Diário do Pioneiro, CPAD, 2000.

Berg, David. Enviado por Deus, CPAD, 1995.

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#10 – Reavivamento Pentecostal – parte 2 – avivamento da Rua Azusa e chegada ao Brasil

10.1. Movimentos Anteriores

Os movimentos anteriores montanismo (sec. II), pietismo (sec. XVI), puritanismo morávio (séc. XVII) e metodismo (séc. XVIII), como precursores do pentecostalismo, despertaram os cristãos “a buscarem uma nova dimensão espiritual;

O Batismo com o Espírito Santo: essa segunda obra da graça, posterior à conversão, libertaria os crentes de sua natureza moral imperfeita, que os têm induzido ao comportamento pecaminoso;

Um fortalecimento moral foi verificada nos lares dos cristãos nos EUA. Charles Finney (pregador metodista), pregava a necessidade de uma vida santificada e o batismo com o Espírito Santo;

Preocupado com a formalidade e frieza presentes na Igreja, Charles passou a usar métodos inovadores, como realizar cultos previamente anunciados por distribuição de folhetos, linguagem coloquial na pregação, horários não padronizados para os cultos, citar os nomes das pessoas nas orações públicas e nos sermões, e o “lugar dos aflitos” ao qual as pessoas com perguntas poderiam ir;

Estima-se que entre 1857 e 1858, que Charles Finney tenha ganhado 50 mil almas por semana para o Senhor Jesus.

É nesse tempo que surge o movimento Holiness, o movimento de santidade e enfatizava a imprescindível busca pela santidade com o objetivo de reformar a Igreja;

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Charles Finney pregando um de seus sermões

10.1.1. Movimento de Santidade (Holiness)

Os pastores do movimento Holiness (santidade), ensinavam que a causa das enfermidades presentes na Igreja era a ausência de santificação total e também a falta de poder espiritual;

Por isso insistiam na necessidade de uma vida consagrada e afastada do pecado, e, para tanto, passaram a pregar a orientação do Espírito Santo;

Santifica a sua vida e receba a cura divina. Daí vem o quadrilátero pentecostal Assembleiano: Jesus Salva, Cura, Batiza com Espírito Santo e em breve Voltará é a junção de todos os ensinos destes homens.

A vida controlada e guiada pelo Espírito Santo passou a ser doutrina central das Igrejas independentes;

Esse ensino provocou desvios entre alguns de seus seguidores;

Surgiram excessos a ponto de alguns se rebelarem contra as autoridades eclesiásticas, rejeitando as ordenanças e em alguns casos extremos (perigo !!) desconsiderando até mesmo a Bíblica como regra de fé;

No entanto, essa distorção foi vencida pelos próprios excessos;

Por outro lado, a experiência demonstrou o potencial explosivo de dependência aos dons espirituais;

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Cruzadas evangelísticas do movimento Holiness

10.1.2. Movimento da Fé Apostólica

Ainda mais, a emoção e a liderança do Espírito, esses fatores foram inerentes ao surgimento do pentecostalismo, poucos anos depois;

O movimento da santidade (Holiness) surgiu muitas cruzadas, chamadas “cultos do fogo”, Moody (grande teólogo americano) foi batizado com o Espírito Santo nesta época.

No início do século XX dezenas de estudantes da Escola Bíblica fundada pelo pastor Charles Fox Parham falaram línguas desconhecidas como sinal do batismo no Espírito Santo, seguindo-se daí outros avivamentos que atraíram milhares de cristãos.

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Parham (no meio) com sua esposa e alunos de do instituto Bíblico Bethel em Topeka – Kansas

Parham cria que o Espírito Santo concederia o dom de línguas com idioma humano (xenolalia), fundou em Topeka-Kansas, o Bethel Bible College;

Em 31 de dezembro e 1900, para aguardar a chegada do novo século (XX), Charles Parham e seus alunos realizaram um culto de vigília no Bible College;

Na ocasião, a estudante Agnes Ozman pediu que lhe impusessem as mãos para que recebesse o Espírito Santo;

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Irmã Agnes Ozman – primeira irmã batizada com o Espírito Santo no Instituto Bíblico Bethel

Durante a oração, para alegria de todos, ela (Agnes Ozaman) falou em línguas desconhecidas;

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Charles Parham

O fenômeno repetiu-se nas reuniões seguintes. Cerca da metade dos 34 alunos do Bible College recebeu o batismo com o Espírito Santo, inclusive o diretor Charles Parham;

Após essa experiência, Parham empenhou-se em espalhar o movimento;

No fim de 1903 aconteceu um avivamento em Galena (Kansas) que enfatizava o batismo com o Espírito Santo e a cura divina;

O movimento de 1903 atraiu milhares de cristãos e impulsionou o ministério de Parham;

Em 1905, com o propósito de treinar evangelistas-missionários, Parham fundou uma Escola Bíblica em Houston, Texas;

Os treinamentos duravam dez semanas;

A princípio, o movimento recebeu diferentes nomes: Movimento da Fé Apostólica, Movimento Pentecostal ou Chuva Serôdia;

Nesse período o EUA vivia o período da segregação racial. Lá na Escola Bíblica os alunos eram brancos, mas apareceu um negro, cego de um olho, que queria assistir aulas, ficou sentado na porta.

Nesse período o EUA vivia o período da segregação racial. Lá na Escola Bíblica os alunos eram brancos, mas apareceu um negro, cego de um olho, que queria assistir aulas, ficou sentado do lado de fora, na janela, se equilibrando com suas anotações.

Mas do lado de fora assistiu o professor ensinar que Jesus batizava com o Espírito Santo.

Depois deste período de estudo, Deus levantou William Seymour, com o coração cheio de fé, munido do conhecimento que recebeu, fundou a Igreja Missão Evangélica da Fé Apostólica na Rua Azuza em Los Angeles.

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Pr. J. William Seymour e sua esposa Jennie

Leia também: #01 A Fundação da Igreja:  Atos dos Apóstolos pt.1 – Sec. I

10.2. O avivamento da Rua Azusa – Los Angeles

O principal líder foi o pastor Joseph William Seymour, que fora aluno da Escola Bíblica liderada por Charles Fox Parham;

Ao experimentar o batismo com o Espírito Santo, Seymour alugou um salão na Rua Azuza, em Los Angeles para a pregação pentecostal;

Foi em abril de 1906, que o grupo liderado por Seymour alugou um rústico edifício de madeira, no número 312 da Rua Azuza, no centro de Los Angeles;

Esse prédio havia abrigado uma Igreja metodista negra e posteriormente fora usado como cortiço e estábulo;

Os cultos incluíam três ou quatro sermões ministrados pelos cooperadores de Seymour, que era o principal pregador;

O movimento era conhecido como Missão da Fé Apostólica.

A imprensa local costumava divulgar notícias pejorativas e profundas críticas ao movimento.

O principal jornal da cidade mandou um repórter averiguar o fenômeno de falar em outras línguas nos cultos da Rua Azuza;

O artigo, intitulado “Estranha babel de línguas”, repudiou o sermão de Seymour, classificando-o como “confusão bíblica e gritos”;

Contudo, o artigo do jornal funcionou como propaganda, pois em seguida afluíram aos cultos dirigidos por Seymour cristãos de todas as raças e denominações, que, curiosos, queriam saber o que estava acontecendo;

As igrejas tradicionais começaram a perder membros, alguns pastores dessas igrejas foram para ver e muitos também ficaram lá.

As multidões lotavam o salão de cultos e experimentavam o batismo no Espírito Santo;

A mensagem ali ouvida era transmitida para outros lugares do país e do resto do mundo;

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Fachada da congregação da Rua Azusa no centro de Los Angeles/CA, e publicação em jornal da época

Uma das características mais impressionantes das primeiras reuniões pentecostais foi o caráter interracial em tempos de acentuado racismo nos EUA. Frase famosa na época “a linha divisória da cor havia sido lavada pelo sangue de Jesus”.

Considera-se, então, que o avivamento da Rua Azuza foi o movimento pentecostal de maior relevância em virtude de sua abrangência internacional;

No entanto, é preciso salientar que os avivamentos não estavam restritos aos EUA, existem dados que indicam, por exemplo, avivamentos entre batistas na Suécia e em outras partes do mundo;

E, ainda, temos informações relevantes que os batistas suecos, residentes nos EUA experimentaram o pentecostes antes mesmo do movimento da Rua Azusa;

Neste caso, as Assembleias de Deus no Brasil, fundada em 1911 por Gunnar Vingren e Daniel Berg, embora influenciados pelo movimento da Rua Azusa, são originalmente anteriores a tal movimento; (informações mais recentes – materiais em sueco).

10.3. A Chegada de Daniel Berg e Gunnar Vingren ao Brasil

Daniel Berg e Gunnar Vingren, quando experimentaram o batismo com o Espírito Santo em chicago e desembarcarem no Brasil em novembro de 1910, Gunnar Vingren, era Bacharel em Teologia, formado em Chicago.

Chegaram em Belém do Pará com esta mensagem pentecostal.

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Seis meses depois que chegaram ao Brasil pregando o Batismo com o Espírito Santo, nada tinha acontecido.

Houve uma noite que foram fazer um culto no lar, na casa da irmã Celina Albuquerquer, que era professora da Escola Dominical da Igreja Batista, estava afastada por um tumor nos lábios.

Eles mal sabiam o português. Ao final da mensagem disseram a ela: “a irmã crê que Jesus Cura?”. E ao final da oração Jesus operou o milagre instantaneamente e o tumor desapareceu.

A mensagem tinha sido: Jesus Salva, Cura e Batiza com o Espírito Santo. E ela assentou no coração que só faltava o Batismo com o Espírito Santo.

Determinou a não sair de casa até ser batizada, sua amiga Maria Nazaré ficou em oração com ela, e numa quinta-feira pela madrugada enquanto elas oravam, Jesus batizou a irmã Celina Albuquerque com o Espírito Santo, com a evidência das línguas estranhas.

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Irmã Celina Albuquerque – Primeiro batismo com o Espírito Santo no Brasil

Houve um alvoroço naquela Igreja Batista, e no domingo próximo, a irmã Celina Albuquerque voltou para assumir suas funções com sua revista e sua Bíblia, curada e batizada com o Espírito Santo.

Seu pastor, porém, não permitiu que entrasse para dar aula. Ela o informou que havia experimentado e estava na Bíblia, mas não foi permitida dar aula.

A liderança da Igreja, então, marcou uma reunião para uma terça-feira a noite. Naquela reunião, houve uma votação 20 irmãos dos 34 membros da Igreja concordaram com o Batismo e as línguas estranhas, e foram excluídos com os missionários da Igreja.

Aqueles irmãos juntamente com os missionários ficaram para o lado de fora da igreja, sem saber para onde ir, os missionários moravam no porão da igreja e agora estavam na rua.

• A irmã Celina Albuquerque disse: Jesus me salvou, me curou, me batizou com o Espírito Santo, e agora a minha casa é a casa dos pastores.

• E ali foi fundado o primeiro ponto de pregação que recebeu o nome: Missão da Fé Apostólica.

• O foco de evangelização era o que a igreja local não estava fazendo, os pobres, os necessitados, os marginalizados foram evangelizados.

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• A imprensa de Belém do Pará também mandou um repórter para assistir um culto na Igreja, e também falou mal da Igreja, mas os efeitos também foram inversos, o povo foi assistir e muitos foram batizados com o Espírito Santo.

Semana que vem, penúltima aula: ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL

#09 O reavivamento pentecostal – parte 1

9.1. O Pietismo, Morávios e Metodismo

Também podem ser chamados de sementes pentecostais da reforma.

9.1.1. O Pietismo

(Alemanha – 1650-1800) : (2 Co. 3.6) – (Gl. 5:16-25)

Teve como principal expoente o alemão Philip Jakob Spener (foto abaixo), que não aceitou a “ortodoxia” fria dos luteranos. Defendia a Igreja como organismo vivo de experiências reais com Deus. A “ortodoxia” deveria estar aliada a “ortopraxia”.

A prática da Igreja não pode resumir-se apenas em “palavras”, mas na vida que há na Palavra: uma vida Santa, ajudar os necessitados e dedicar-se na evangelização dos povos.

Spener cria que a reforma não estava completa até que houvesse uma verdadeira vida cristã em cada crente.

Resumo do ensino pietista:

  • Uso mais intensivo da Bíblia na vida do cristão;
  • Renovação do sacerdócio de cada crente (atividade na vida espiritual);
  • Mais prática e não somente o conhecimento das Escrituras; §Mais amor e moderação no tratamento com descrentes e desviados;
  • Preparação dos ministros não apenas academicamente, mas na piedade, devoção e sermões de fácil entendimento para os ouvintes;

9.1.2. Os irmãos Morávios

(Alemanha – 1717-1817) (Ne. 9:38; Lv. 6:12,13; Hb. 12:14)

Em 1727, fugiram de Morávia (Checoslováquia) e foram para Alemanha, eram protestantes radicais nas doutrinas de Lutero, Huss e Calvino, mas eram extremamente briguentos.

Se refugiaram na casa de um crente pietista, chamado Conde de Zinzendorf, que, ao vê-los discutindo questões de fé em acaloradas discussões, em 05 de agosto de 1727 colocou todos os morávios em oração. Passaram a noite toda orando, uns apertavam as mãos dos outros em pacto de amor.

No dia 13 de agosto (domingo), ao celebrarem a ceia, veio um avivamento sobre eles. Em lágrimas, não sabiam o que era oração, louvor, clamor. Prostraram-se ao chão e decidiram que dariam mais lugar ao Espírito Santo do que às próprias razões.

A marca do avivamento entre eles foi: oração, perdão, amor e comunhão. A igreja ali na casa do Conde de Zinzendorf se tornou uma grande Antioquia, um quartel missionário (W.Brunelli, 2016)

Gravura dos crentes morávios em fervorosa oração uns pelos outros: paz, amor e devoção

9.1.3. O Metodismo Wesleyano

(Inglaterra – 1739-atual) (Pv. 13:20; 1 Cor. 15:33; Salmos 119:63; Pv. 15:31)

A vida religiosa na Inglaterra passava por um período de declínio moral e espiritual, com a falta de fervor religioso, hábitos mundanos e egoístas do clero, jogatina e bebedice da população, etc.

Esse foi o ambiente encontrado por John Wesley, o filho de um dos poucos ministros zelosos de seu tempo e de uma mãe dedicada e preocupara com a vida espiritual de seus filhos.

John Wesley tornou-se líder de um grupo de estudantes que eram escrupulosos e metódicos em seus estudos bíblicos, por isso ganharam o nome de “metodistas” ou “clube santo”.

Numa viagem, conheceu um grupo de missionários Morávios e esse encontro o transformou, com a oração, o perdão, a vida de santidade, que o transformou no líder do maior avivamento que a Inglaterra já conheceu.

Escreveu, juntamente com muitos homens hinos e louvores. Seu expoente foi a doutrina da perfeição cristã, seu mais veemente discurso. Primava por uma conduta ilibada no meio de uma sociedade moral e espiritualmente corrompida.

Inspirou o movimento Holiness (santidade) dos EUA, William Seymour (pastor da igreja da Rua Azusa) pertencia a este movimento, que defendia que a partir de uma experiência real com a promessa do batismo com Espírito Santo (segunda experiência), o crente é capacitado para viver uma vida de vitória sobre o pecado.

Um reflexo do pensamento Wesleyano é o hino 266 da nossa Harpa Cristã, traduzido por Paulo Leivas Macalão: Resgatados fomos.

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“Nós resgatados fomos,
Por quem nos quis salvar;
Em Cristo livres somos,
Pra nunca mais pecar!
Em Cristo livres somos,
Pra nunca mais pecar!

Resgatados fomos,
Resgatados fomos,
Resgatados fomos,
P’ra nunca mais pecar!”

9.2. A gênese do Pentecostalismo Clássico

Charles Fox Parham (em 1905)

Diretor do Instituto Bíblico Bethel de Topeka/Kansas.

Levou o conjunto (pietista, morávio, metodista), para a sala de aula, juntamente com a doutrina do Batismo no Espírito Santo, e na doutrina dos dons espirituais (inclusive cura divina), visto que o homem, por si, não é capaz de plenamente resistir ao pecado e de testemunhar sem a capacitação espiritual: O Revestimento de Poder.

Próxima aula: Reavivamento da Rua Azusa e os Missionários Suecos.