Por que tantos crentes são facilmente enganados pelo sistema político mundial?

O primeiro passo para o “príncipe deste mundo” enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus (Mt 24.4-5), é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Fanatismo sempre é um comportamento equivocado, ainda que se ponha todo o empenho nas coisas de Deus, nem Ele se agrada de que façamos as coisas fanaticamente, sem raciocinar, sem pensar, sem criticar nossos próprios comportamentos. A autocrítica da nossa relação espiritual com Deus é um dever (Rm 12.1-2).

Atualmente há no sistema político global uma tendência a não pensar racionalmente, mas a colocar as emoções, os sentimentos, acima da razão para defender políticas e políticos que estão ensinando a prática do “não pensar”, e estão colocando até mesmo os filhos da luz em erro, como já havia alertado o nosso Senhor Jesus, que muitos viriam dizendo que seriam de “Cristo”, mas são mentirosos (Mt 24.4-5).

O sistema político é facilmente engendrado pelo diabo, pois ele é chamado de “príncipe deste mundo” e “deus deste século” (João 14.30; 2 Co 4.4), e desde o princípio é enganador e sabe seduzir os interesses dos homens para a prática da maldade, do desamor, do desprezo à vida do próximo.

Foi a força dos poderes malignos do sistema mundano que levou Jesus à crucificação: o sistema religioso judaico extremista (fariseus e saduceus), o governo local corrompido (herodiano), o povo alienado pelo sistema que gritou “crucifica-o”, e o poder político mundial representado por Roma, pela aplicação da pena romana da morte de cruz pela ordem do governador Pôncio Pilatos.

Mas como isso tudo acontece:

Satanás apresenta seu sistema mundano como se fosse a verdadeira religião

O primeiro passo para enganar a muitos, até mesmo os escolhidos de Deus, como profetizou o Senhor Jesus, é transformar pouco a pouco o sistema político em uma “grande religião”, arrastando as pessoas ao fanatismo político-religioso.

Não é por acaso que muitos estão sendo atraídos fanaticamente para a discussão política, chegando a lhes interessar mais do que ir à igreja, orar ou estudar a Bíblia.

Isso acontece por meio da grande influência exercida por homens em evidência, falsos apóstolos, que o Apóstolo Paulo chama de “obreiros fraudulentos”, que por estarem no palco da fama diante dos crentes, utilizam-se da influência para seus próprios interesses, e por esses desejos são usados para fazer a vontade de Satanás. (2 Co 11.13)

Mas não é motivo para se espantar, alertou o Apóstolo Paulo, pois assim é a prática do inimigo das nossas almas, ele vem sobre aquilo que aparenta ser normal, ser da parte do Senhor. Na verdade, estão transfigurados de homens de Deus, mas não são. Pois até Satanás se transfigura em “anjo de luz” (2 Co 11.14).

Assim, tal religião misturada com o sistema político é mostrada aos crentes sob o sutil disfarce da religiosidade que “aceita” a Deus e a seu Filho Jesus, mas que, na realidade, se opõe à verdade e, se necessário, persegue abertamente os crentes, basta que os crentes os corrija conforme a Palavra, e acontecerá como os profetas do antigo testamento, mortos pelo sistema (Lucas 13:34).

O engano exercido por este sistema político-religioso faz os cristãos pensarem que não há perigo em se aderir ao sistema mundial, ou os leva a se assustarem diante das perseguições, sendo isso também uma arma de controle, o terrorismo argumentativo de que: “estão massacrando a igreja, querem acabar com a igreja, se vocês não aderirem ao sistema, a igreja acabará”.

Mas não se abale, porque Deus olha para tudo isso e se ri, pois tudo isso foi profetizado por Jesus, o mundo terá seu fim com uma guerra político-religiosa, conforme revelado em Apocalipse 20.7-10, estando Deus no controle de todas as coisas, conforme Salmos 2.1-4:

“Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.” Salmos 2:1-4

Mas diante de tudo isso, o que fazer como cristãos vigilantes?

A consciência de que não fazemos parte deste mundo

Deve estar sempre presente em nossos corações e em nossas mentes a consciência de que não fazemos parte deste mundo, não podemos servir a dois senhores (Mt 6.24), nosso compromisso é fazer a vontade de Deus na pregação do evangelho e conservar a nossa esperança.

Jesus foi rejeitado pelo sistema político-religioso deste mundo, porque não era deste mundo (Jo 17.16). E assim como Ele não fazia parte em consciência de espírito, nós também não devemos fazer. A consciência deve estar desligada de depender das situações e circunstâncias políticas que nos cercam, essa foi a liberdade que Cristo nos deu.

Isso não quer dizer que não podemos trabalhar, orar, e manter a paz com os poderes políticos (Rm 13:1-3; 1 Tm 2.1-2).

Se trata de mantermos a “consciência” de que não fazemos parte do mundo, não agir como fanáticos, como se amássemos o mundo que será destruído pelo Senhor, pois quem ama o mundo não ama a Deus (1 Jo 2.15-16).

Podemos trabalhar com política, podemos fazer o bem, mas não podemos ter a consciência escravizada ao mundo, pois nossa missão não é politizar o mundo com a religião, mas levar a Jesus Cristo, que foi rejeitado pelos poderes mundanos, ao coração dos humildes que livremente o aceitarem, que precisam da libertação do cativeiro deste mundo.

Assim, devido a natureza do sistema implantado por Satanás, com sua perversa e implacável oposição ao Reino de Deus, é imprescindível que os cristãos se conscientizem de que não fazem parte do mundo.

Deus nos chamou para representarmos a Jesus Cristo no meio de uma sociedade pecadora. O sistema é, ao mesmo tempo, o inimigo e o campo missionário, por isso devemos manter a consciência e a racionalidade para pensarmos claramente nos mandamentos do Senhor para cumprirmos com exatidão a missão que nos foi proposta, para que sejamos a diferença no meio de uma geração corrompida.

O mundo está levando as pessoas a discutirem, a se odiarem, a contenderam em redes sociais, nas ruas, até mesmo dentro das igrejas, esse é o propósito de Satanás, mas se nós abrirmos os ouvidos espirituais para a vontade de Deus, saberemos bem o que devemos fazer.

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.” Filipenses 2:14-16

Jesus não tentou obrigar as pessoas a crer nele

Nesta terceira parte da resenha do primeiro capítulo do livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, discorrerei brevemente sobre esta afirmativa simples que está dentro da visão equivocada de alguns crentes que afirmam que “o governo deve impor a religião”.

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Nesta terceira parte da resenha do primeiro capítulo do livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, discorrerei brevemente sobre esta afirmativa simples que está dentro da visão equivocada de alguns crentes que afirmam que “o governo deve impor a religião”.

Segundo Grudem, o ensinamento de Jesus é completamente oposto à visão de “obrigar” que as pessoas o sigam. Visto que, em uma passagem peculiar o Mestre repudiou imediatamente uma vontade estranha que nasceu no coração de dois de seus discípulos de simplesmente matar quem não aceitava o caminho proposto por Cristo.

“E enviou mensageiros à sua frente; estes foram e entraram num povoado de samaritanos para lhe preparar pousada. Mas os samaritanos não o receberam, pois viajava para Jerusalém. Quando viram isso, os discípulos Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” (Lc 9.52-54)

De maneira completamente equivocada, os discípulos estavam pensando que a ameaça de morte, ou de qualquer outro tipo de mal, seria suficiente para conseguir fazer com que as pessoas aceitassem facilmente a pessoa de Jesus e, assim, o evangelho pregado não teria resistências.

O recado que seria dado a toda população, não só de Samaria, mas de todo o território de Israel, seria no sentido de que aqueles que não aceitassem Jesus quando este chegasse até eles, poderiam ser consumidos por labaredas de fogo. Pronto! Haviam construído um método fácil e rápido de coação para se impor a religião perante a população local.

Segundo Grudem, referida tentativa de construir um caminho alternativo ao amor e à liberdade pessoal de crer em Jesus e segui-lo voluntariamente de corpo, alma e entendimento, saiu totalmente pela culatra, pois esta posição radical é totalmente oposta ao ensino de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

“Jesus, porém, rejeitou categoricamente essa sugestão. O versículo seguinte diz: ‘Ele, porém, voltando-se, repreendeu-os’ (Lc 9.55). Jesus recusou de modo claro qualquer tentativa de obrigar as pessoas a segui-lo ou crer nele” (Política Segundo a Bíblia, Ed. Vida Nova, pg. 30)

Qualquer tentativa de imposição da fé Cristã a indivíduos que essencialmente não querem (a não ser que sejam genuinamente convencidos pelo poder do Espírito Santo), é completamente contrária ao verdadeiro evangelho, pois gera um caminho diverso, ou seja, uma completa ruptura entre o verdadeiro ensino que “propõe”, com o ensino errado e sem o apoio de Cristo, que “impõe” – gerando uma verdadeira “Seita”.

O ultimato da resposta de Jesus aos discípulos que estavam pretendendo impor a fé pela coação violenta, foi sublime e denota que sem liberdade não existe evangelho genuíno:

“Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia” (Lc 9.55-56)

Jesus foi enfático em dizer que os discípulos não faziam ideia de onde estavam vindo aqueles pensamentos maléficos de convencer as pessoas pela violência e pela destruição de suas vidas – disse que não sabiam “de que espírito sois”, ou seja, Jesus afirmou que os discípulos estavam sendo influenciados por um “espírito estranho”, uma influência que, certamente, não vinha do Mestre.

Isso nos revela que a imposição do cristianismo não é um ato que vem de Deus, mas de uma influência maligna para provocar discórdias, mortes, guerras e perdimento de almas que devem ser salvas pelo Evangelho da Paz (Rm 10:15).

Dito isso, fica a conclusão de que a Igreja deve respeitar a liberdade dos não crentes de não serem obrigados a ser cristãos e de andarem segundo os seus caminhos perante os homens até que sejam genuinamente convencidos do pecado, da justiça e do juízo. A nós nos resta exercer grande influência em favor do bem, do correto, do caminho da Salvação, por meio da pregação do evangelho com amor e liberdade, porque não há como impor a fé autêntica, sendo este o tema do próximo post desta resenha.

Até lá.

Jesus fez distinção entre o reino de Deus e o de César

Continuo minha resenha sobre o primeiro capítulo do Livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, acerca da primeira visão equivocada a respeito de cristianismo e governo, que se trata do pensamento erroneamente difundido de que “o governo secular deve impor a religião”.

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Continuo minha resenha sobre o primeiro capítulo do Livro “Política Segundo a Bíblia” de Wayne Grudem, acerca da primeira visão equivocada a respeito de cristianismo e governo, que se trata do pensamento erroneamente difundido de que “o governo secular deve impor a religião” (clique para ler meu primeiro texto).

Grudem, depois de explanar o erro de tal pensamento na história do cristianismo, começa a apontar biblicamente os erros nos quais incorrem aqueles que pensam que a religião cristã deve ser imposta à sociedade através do governo secular.

O primeiro ponto bíblico em que esta visão (de que o governo deve impor a religião) tropeça é no fato de que “Jesus fez distinção entre o reino de Deus e o de César”. Os fariseus, oponentes judeus às doutrinas de Jesus, buscaram apanhá-lo por meio de uma pergunta capciosa: “É correto pagar tributo a César, ou não?” (Mt 22.17).

Foi uma pergunta capciosa porque qualquer resposta dada pelo “sim” ou pelo “não”, poderia comprometer a doutrina anunciada por Jesus. Se a resposta fosse “sim” nosso Senhor arriscaria dar apoio ao governo de Roma que era odiado pelos judeus. Caso dissesse que “não” mostraria que era um revolucionário, que hostilizava o governo Romano.

Todavia, sendo Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus deu uma resposta que calou a todos os hipócritas que tentavam comprometer seus ensinamentos. Mandou primeiramente que mostrassem a Ele uma moeda do tributo: “Mostrai-me uma moeda do tributo”, e a Bíblia diz que alguém lhe entregou um “denário” (vs. 19).

Em seguida, ensinou a todos ali da seguinte maneira: “De quem são esta imagem e inscrição? E eles responderam: César. Então lhes disse: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22.20,21).

Esta foi uma declaração impactante para aqueles que ouviam e também para nós nos dias atuais. Jesus deixou bem claro que existem no mundo âmbitos diferentes de influência nos quais seus discípulos estão inseridos, um é temporal e o outro é espiritual, ambos podem até conviver, mas não se submetem entre si e muito menos devem, necessariamente, andar juntos.

Segundo Grudem:

“Trata-se de uma declaração notável, pois Jesus mostra que devem existir dois âmbitos distintos de influência, um para o governo, outro para a vida religiosa do povo de Deus. Algumas coisas, como impostos, dizem respeito ao governo civil (“o que é de César”), logo, a igreja não devem tentar controlá-las. Em contrapartida, outras coisas dizem respeito à vida religiosa das pessoas (“o que é de Deus”), logo, o governo civil não deve tentar controlá-las.”

Nesse ensino de Jesus nós podemos verificar claramente a mudança de vida em sociedade do povo de Israel do Antigo Testamento em relação ao do Novo Testamento. As leis e o convívio entre os outros povos e principalmente em relação ao Império Romano, haviam se alterado radicalmente e era necessário estabelecer-se uma diferença, uma ruptura do governo civil em relação à religião, ou seja, como o povo é organizado socialmente (englobando-se como convívio com outros povos e culturas) e como deve se relacionar com Deus.

Claramente, Jesus não enumera os pontos em que as duas categorias (governo civil e Igreja) deveriam andar separados, mas a simples distinção que Jesus fez entre estes dois âmbitos nos indica a aprovação de Cristo de um sistema diferente do que foi atribuído à nação de Israel no Antigo Testamento (quando o povo era governado civilmente e espiritualmente por Deus – teocracia).

Todos que faziam parte da nação de Israel no Antigo Testamento faziam parte do “povo de Deus”, pois as leis abrangiam “questões seculares”, como homicídio e roubo, e também as “questões religiosas”, como o sacrifício de de animais e penalidades no caso de adoração a outros deuses (cf. Lv. 21-23; Dt 13.6-11).

A declaração de Jesus (sendo Novo Testamento), revela uma alteração que faz a separação entre as “questões seculares” e as “questões religiosas”, conforme nos elucida Grudem:

“Na declaração de Jesus a respeito de Deus e de César, ele definiu os contornos mais amplos de uma nova ordem na qual ‘o que é de Deus’ não deve estar sob o controle do governo civil (‘o que é de César’). Esse sistema é muito diferente da teocracia que governava o povo de Israel no Antigo Testamento.”

Fica, portanto, claro o erro da visão de querer comparar e misturar o governo secular com a Igreja, impondo uma religião sobre o povo, trazendo-se alianças que podem comprometer o bom uso da doutrina e a visão que o mundo precisa ter de uma Igreja Santa e Imaculada diante de Deus e dos homens caídos que precisam de perdão e de um encontro real com Jesus.

Deve ser esclarecida e corrigida, ainda, a má interpretação de Salmos 33:12, que diz em sua parte “a”: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor”. Muitos “líderes” utilizam desta expressão para levar o povo a crer que o governo civil deve ser religioso e fomentar uma cruzada civil-religiosa, quando, na verdade, estão omitindo o final do texto (parte “b”) que diz: “e o povo ao qual escolheu para sua herança”. Sabemos que a herança de Deus é o nosso Senhor Jesus Cristo, que já veio a partir de Israel, a nação bem-aventurada de onde veio o Messias: O Salvador do mundo.

Portanto, o citado versículo bendiz a nação de Israel escolhida por Deus na Antiga Aliança, da onde viria o nosso Rei Jesus. O paralelismo poético hebraico nos ensina que tanto a parte “a” como a parte “b” deste Salmo estão tratando da mesma nação. Sendo assim, este texto não serve para ensinar que os governos civis devem ser religiosos, esta é uma interpretação errada.

Assim, conclui-se que, pelo ensino do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, todos os governos civis, inclusive os de hoje, até a sua vinda (arrebatamento da Igreja), devem garantir a liberdade religiosa sem imposição ou intervenção de qualquer natureza à sociedade, dando a possibilidade de que o povo livremente escolha ou não seguir às doutrinas religiosas e o modo que as praticam pela incorruptível pregação do evangelho da paz (Rm 10.15), sem imposição de governos arbitrários.

E mais, “César” não pode intervir na liberdade do povo de crer e de professar religião, pois são coisas “de Deus” para a salvação dos homens (Ef 2.8). A falta de liberdade para crer e expressar sua religião leva à corrupção do evangelho, pois dá-se a entender que as alianças erradas de “líderes religiosos” feitas com governos civis estão a obrigar as pessoas a qual caminho seguir, tirando delas a escolha por seguir a Jesus genuinamente, que é a próxima parte de nossa resenha: “Jesus não tentou obrigar as pessoas a crer nele”.

Nos vemos lá.

A visão equivocada dos evangélicos brasileiros é achar que o governo secular deve impor a religião

Enquanto escrevia estas linhas, saiu uma publicação da revista Época noticiando que muitos irmãos evangélicos já estão abrindo os olhos e abandonando o absurdo que está ocorrendo em nosso país, que estava arrastando milhares de evangélicos incautos para uma visão distorcida da missão dada por Cristo. Graças dou ao nosso bom Deus!

Hoje inicio uma série acerca dos erros que nós evangélicos cometemos na política e ao pensarmos em sociedade (me incluo, pois não posso deixar de estar no meio do meu povo).

Esta série de artigos comporão uma grande resenha da primeira das “cinco visões equivocadas acerca de cristianismo e governo”, que estão descritas no Capítulo 1 do livro “Política Segundo a Bíblia” do teólogo americano Wayne Grudem. (compre clicando na imagem ao lado).

Se hoje, após ler o primeiro capítulo deste denso e alarmante livro de Grudem, eu fosse questionado pelo próprio autor qual das cinco visões equivocadas por ele destacadas a Igreja Evangélica brasileira está praticando, eu diria que estamos patinando sobre a primeira, por falta de conhecimento bíblico e social.

As cinco visões destacadas por Grudem são equivocadas e igualmente graves, mas a primeira é a base do comportamento social da Igreja para relacionar-se com as demais pessoas na sociedade. É através desta visão distorcida que praticamos o mesmo erro dos fariseus tão criticados por Jesus, que já os denunciava dizendo:

“ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.” Mateus 23:13

A visão equivocada acerca de cristianismo e governo que a Igreja Evangélica brasileira está cometendo é pensar de maneira inflamada que o governo civil deve impor a religião, estabelecer preferência religiosa, adotar como oficial nossos cultos em detrimento de todas as demais religiões que estejam presentes na nação.

Este pensamento de se utilizar do cristianismo para diminuir, desprezar e subjugar as demais pessoas já foi utilizado por muitos políticos no decorrer da história, na maioria das vezes apoiada por quase que a inteireza da população cristã da época. Porém, as consequência de tal visão foi de densas trevas no transcorrer dos mil anos da era medieval.

Segundo Grudem, a visão de que o governo civil deve obrigar as pessoas a apoiar ou seguir determinada religião é completamente equivocada. Para corroborar sua opinião ele chama o leitor a fazer uma releitura da história da religião e do Estado para perceber as calamidades históricas que foram decorrentes desta visão.

A título de exemplo Grudem faz referência à Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que teve seu estopim com um conflito entre protestantes e católicos desejosos de controlar posses de terras, principalmente na Alemanha. Dentre muitas outras “guerras religiosas” que ocorreram nos séculos 16 e 17 na Europa, entre católicos e protestantes.

Nas palavras de Grudem:

“Também no século 16, protestantes reformados luteranos perseguiram e mataram milhares de membros de grupos anabatistas na Suíça e na Alemanha, que desejavam ter igrejas “só para os crentes” e que batizavam por imersão aqueles que faziam uma profissão pessoal de fé”

Contudo, ouso ir além do contexto histórico utilizado por Grudem, pois a questão da visão distorcida sobre cristianismo e governo, antes de existir a disputa das próprias denominações religiosas guerreando entre si para conseguir poder e espaço no controle da sociedade, era o próprio governo secular (Estado) que guerreava contra a própria Igreja. Até que o governo percebeu que utilizar-se da visão da imposição da religião sobre o povo seria a solução, em meio à ignorância política do povo cristão.

Referido quadro se deu com a ascensão do Imperador Constantino que, após ter entendido que a perseguição do Império Romano contra o crescimento dos cristãos não tinha dado certo por mais de três séculos, decidiu arrefecer os ânimos dos cristãos em face da perseguição (que só os fazia crescer) tornando o cristianismo a religião oficial do Estado, impondo-o sobre as religiões pagãs existentes.

Mesmo que houvesse sinceridade na conversão do Imperador Constantino, não há que se negar que também tratou-se de um ato político. Constantino se considerou o Sacerdote Supremo do povo, se consultando com cristãos para decidir os seus rumos. Após 100 anos desta mistura, o Império ruiu pela ocupação bárbara, que fez com que Roma ficasse destituída de Imperadores.

Surge, então, a figura Papal. Sem Imperadores, o bispo de Roma se torna Supremo Sacerdote, legislador e administrador de Roma e do mundo ocidental que deveria se subjugar aos seus comandos. Surge o período das trevas, em que as pessoas não tinham entendimento das escrituras, nem podiam se reunir para bem decidir se queriam seguir a religião papal, sem que fossem perseguidas e mortas.

Referida mistura de poder entre Estado e Igreja chegaria em seu ápice na Reforma Protestante, diante do completo desvirtuamento das tradições da Igreja Católica com o que as Escrituras ensinavam. Mas o flerte da Igreja com o Estado permanece grande até hoje e sendo ensinado erroneamente por muitos e agora está castigando a mentalidade dos evangélicos brasileiros.

Os cristãos (Católicos Romanos) brigaram tanto por territórios e poder político na Idade Média (cruzadas e outros conflitos), que muitas religiões atualmente continuam a perseguir os cristãos e nutrem um preconceito com o Cristianismo, como o hinduísmo e o islamismo, por razões históricas.

Conforme escreve Grudem, após conflitos religiosos, em 1779, três anos após a Declaração da Independência dos Estados Unidos, Thomas Jefferson redigiu a “Declaração de Virgínia para a Instituição da Liberdade Religiosa”, que refletia o apoio crescente à liberdade de expressão religiosa nos Estados Unidos. Seguem as palavras de Jefferson:

“Seja decretado pela Assembleia Geral que nenhum homem poderá ser obrigado a frequentar ou apoiar qualquer culto, local ou ministério religioso, nem será forçado, impedido, prejudicado ou afligido, em seu corpo ou em seus bens, nem sofrerá de qualquer outro modo em razão de suas opiniões ou crenças religiosas. Antes, todos os homens terão liberdade de professar e, por argumentos, defender suas opiniões em questões religiosas, o que não diminuirá, nem aumentará, nem afetará de qualquer outro modo sua capacidade civil”

Igualmente, no Brasil, temos o direito à liberdade religiosa, por meio da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que prevê no artigo 5º, inciso VI, a liberdade de consciência, de crença e de culto religioso, tendo o Estado brasileiro inclusive o dever de proteger os locais de culto e suas liturgias.

Quem somos nós, então, para achar que uma religião deve sobressair politicamente sobre a outra se a política é sempre aliciada pela maldade e pelo pecado que rondam o mundo? Podemos, sim, exercer influência com bons políticos e governantes cristãos, mas querer transformar o Brasil numa nação com religião oficial é repetir erros históricos – nunca há sucesso em utilizar-se da Palavra de Cristo pela conquista do poder secular.

Nosso Reino não é daqui. Nosso Reino será juntamente com o nosso Rei Jesus, Salvador do mundo. A Igreja não pode se misturar com a maldade. É incogitável que a Igreja habite como um só no meio de cães devoradores.

Temos homens escolhidos para a missão específica de atuar na Política, cheios do Espírito Santo de Deus para impedir que o Anticristo reine antes do tempo determinado por Deus. Mas o papel da Igreja é proclamar o evangelho de paz do Reino de Deus que está infinitamente acima do governo secular, tendo como objetivo: Salvar as vidas que se perdem, abrindo as portas dos Céus.

Poderíamos mudar tal mentalidade do povo evangélico brasileiro, mas a história continua a se repetir, por falta de conhecimento e de ensinamento de que a Bíblia mostra que a visão de que o governo deve impor a religião é equivocada e contrária ao próprio ensino bíblico, como demonstraremos nos próximos posts, inciando-se com a verdade de que “Jesus fez distinção entre o reino de Deus e o de César”.

O cristão protestante e as ideologias

As ideologias humanas ingressaram com força no círculo evangélico após as eleições presidenciais de 2018 no Brasil. À luz da Palavra de Deus a mistura das ideias humanas com a doutrina bíblica fere os bons costumes, contamina a comunhão e provoca contenda entre os irmãos, além de fazer com que a igreja esqueça de cumprir com seu papel social.

Primeiramente, inicio este texto com a afirmação de que os crentes verdadeiros, que possuem sua confiança e esperança em Cristo Jesus devem estar acima de quaisquer discussões humanas, pois estamos além de qualquer razão social ou jurídica formulada pelos homens. Isto porque vivemos em uma dimensão sobrenatural como igreja, ou seja, estamos acima do natural, do que o mundo ensina, do que o mundo vive.


O Apóstolo Paulo foi bem claro ao afirmar que não vivemos por vista, mas vivemos por fé (2 Cor. 2:7). Fé não se explica, fé se vive. Os homens, desprovidos da sabedoria de Deus, vivem por vista. Tentam explicar racionalmente aquilo que não conseguem compreender. Assim eram os filósofos pré-socráticos. Assim foi Sócrates, mesmo utilizando-se de seu método de questionamentos para ensinar seus pupilos, o objetivo era buscar a verdade; e depois dele os demais filósofos que o sucederam.


As discussões sobre as ideias humanas para explicar os dilemas sociais (ideologias), seguem o mesmo raciocínio dos filósofos, buscando verificar através das discussões do mundo que se vê o que seria “certo” e o que seria “errado”. Diante disso contendem diuturnamente e vivem frustrados, pois a maldade, o sofrimento e a morte são destinos humanos que não há solução no mundo natural.


Sobrevindo os ensinamentos de Jesus Cristo, tudo mudou. Ele, sendo Deus em forma de homem, veio solucionar tais contendas intermináveis em si mesmo, se entregando e fundando a igreja, para que por meio dele realizasse a missão de resgatar os homens da maldade, do sofrimento e da morte, por intermédio da fé que se fundamenta da graça salvadora, encontrando apenas em Jesus as soluções para as mazelas sociais.


O Senhor e Salvador Jesus Cristo foi enfático e definitivo em dizer que apenas Ele é “O Caminho, a Verdade e a Vida”. Todas as ideias humanas devem ser construídas tendo por base o que Ele ensinou para seus discípulos e que foram testemunhas no mundo da época e chegou até nós. Não é Marx, Engels, Jeremy Bentham, Edmund Burke entre expoentes da “esquerda” e “direita” da política moderna que vão dizer para a igreja o que fazer ou como se comportar no meio social. Nossa única e principal fonte de ensino e conduta social é Jesus Cristo, através da Bíblia Sagrada.


A fonte da direção de como a sociedade deve ser conduzida deve ser trazida pela Palavra de Deus. É triste ver no Brasil, pouquíssimas pessoas que se dizem cristãos, mas não usam a Bíblia como fonte de suas “opiniões” políticas. Quando sua posição não se confirma pela Palavra de Deus, são rápidos em dizer que não se pode misturar política com religião. E quando a crítica do outro contra seu candidato político, trata de utilizar texto isolado dizendo que devemos ser “sujeitos às autoridades”, como se isso significasse que devemos descumprir preceitos bíblicos para concordar com posições que não passam pelo crivo da Palavra de Deus.


A verdade é que, a pretexto de buscarem seus próprios interesses muitos cristãos estão relativizando a Palavra de Deus. Negociando o seu “entendimento político” sobrepondo-o à realidade do evangelho de Cristo. Seja o posicionamento ideológico de seu partido ou candidato preferido, sempre que seus argumentos destoarem dos ensinos bíblicos, é dever do verdadeiro cristão discordar dele e exigir a correção de seu pensamento.

Alguns textos bíblicos são maravilhosos para ilustrar o proceder de verdadeiros governantes, que possuem condutas básicas que agradam a Deus. Provérbios 31 foi escrito por um rei árabe, chamado Lemuel, com ensinamentos ilustres que obteve de sua sábia mãe, que, após adverti-lo de se afastar dos prazeres lhe mostrou o caminho correto de um bom governo dizendo:

“Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição. Abre a tua boca; julga retamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados.” Provérbios 31:8,9


Fazer justiça a quem precisa não é “fazer a justiça que queremos”, mas fazer a justiça que as pessoas precisam para viverem suas vidas em paz e com suas necessidades básicas supridas. Isso nos orienta a cumprirmos a responsabilidade social atribuída à Igreja por Jesus Cristo, visto que não mais andamos vivendo para nós mesmos, quando encontramos Jesus vivemos em razão de todos aqueles destinatários da salvação, como nós.


A igreja, biblicamente falando, tem uma responsabilidade perante a sociedade, que se inicia pelo amor ao próximo e pela fé em Deus, sendo manifestada através das boas obras, conforme pontilhou o apóstolo Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg. 1.27).

Neste versículo observamos o compromisso social da igreja, que é fruto do amor de Deus derramado pelo Espírito Santo em nossos corações. Assim como Jesus se interessou e se comoveu em razão das mazelas sociais, a igreja e o ministério, não podem agir diferentemente.

A responsabilidade social consiste em visitar os órfãos, as viúvas, fazer doações, ajudar os carentes, amar os desafortunados, chorar com os que choram, proclamar libertação espiritual aos cativos, fundar instituições sociais e educacionais, que realmente trabalhem com transparência e seriedade.

A igreja contemporânea vem sendo bombardeada pelo comodismo, onde muitos crentes estão com medo de trabalhar, avançar, crescer, marchar e conquistar os propósitos de Deus para o seu povo e para a humanidade. A ação social da igreja reflete o tamanho da fé e o brilho de nossa espiritualidade em Cristo Jesus.

A ética e a responsabilidade social foram vislumbradas por Jesus: “… porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão não me visitastes” (Mateus 25.42,43).

Cuidar daqueles que necessitam de nossa ajuda é uma atitude cristã e abençoadora. Que Deus nos desperte a fazer o bem, sem distinção de classe e etnia, afinal, a igreja foi chamada para ser SAL DA TERRA e LUZ DO MUNDO.


Fujamos, pois, das ideologias humanas e voltemo-nos para a Palavra de Deus, para vivermos um verdadeiros evangelho que traz paz e atrai pessoas para o caminho da verdade que é a salvação em Jesus Cristo.