#09 – A Glorificação

A glorificação é o destino do salvo, que andou nos caminhos do Senhor, buscando a santificação em sua vida e recebeu a plenitude da santidade (Hb. 12.23). Entretanto, a vida do salvo glorifica a Deus e isso faz com que o crente possa desfrutar de aspectos da glorificação ainda nesta vida.

Antes de falarmos da glorificação, é necessário abordarmos pontos necessários da vida do salvo. Visto que ninguém entrará no céu de qualquer maneira. Ainda que a pessoa aceite a Jesus em seu leito de morte, deverá demonstrar genuíno arrependimento e sua glorificação terá restrições, como veremos adiante.

A vida do salvo – peregrinando para a glorificação

Ninguém nos dias de hoje quer ouvir sobre a condenação, pois ouvir sobre a condenação é ouvir sobre o inferno. E sem falar na realidade do inferno não é possível entender a salvação. Hoje o que mais as pessoas querem é ouvir acerca da cura divina e da prosperidade financeira, tornando a palavra da redenção um aspecto secundário.

É necessário que a pregação do evangelho exponha a vida pecaminosa para que haja um confronto entre o “estado de trevas” do pecador com a luz do evangelho (Jo. 3.19). Contudo, para que a pregação atinja seu resultado é necessário haver coerência entre o discurso e a prática.

A Igreja deve refletir ao mundo o que prega, vivendo genuinamente como salvos peregrinando para seu destino, que é a glorificação eterna. Como alguém quererá ir, ou será impactado e contemplará seu pecado, se não houver luz e quem divulga a realidade da condenação e da salvação?

O anúncio do evangelho deve refletir o alto padrão exigido para a vida do salvo. (Mt 5.48) Se houver receio de demonstrar a realidade do céu e do inferno, não há verdadeira exposição do evangelho.

Como vimos na aula anterior (santificação), está no caminho para a glorificação, aquele que busca a santidade, não o santarrão, mas aquele que é puro na mente, nos olhos, na fala e honesto nas relações sociais, evitando envergonhar o evangelho. (Mt 18.7; Mt 5.29, 30)

Não há qualquer peregrinação para a glorificação eterna em uma vida de murmuração, contendas, e verdadeira mistura com os comportamentos mundanos. É necessário refletir o brilho da glória de Deus para sermos considerados irrepreensíveis e separados do mundo (Fp 2.14, 15).

Portanto, a glorificação inicia-se aqui mesmo, através do testemunho dos crentes, pois depois de o crente ter passado pelo processo da salvação (justificação, regeneração e santificação), passa a refletir algo especial, a transformação real, visível, uma mudança verdadeira. Deus é glorificado através da vida dos crentes transformados (Mt 5.16;).

Aspectos de uma vida de glória

Como visto, a vida do salvo reflete a glória de Deus, e já experimenta as coisas de Deus aqui na terra, pelo cumprimento do sobrenatural (Mt 6.10).

Reflete a liberdade em Cristo

O crente não é escravo das coisas do mundo. Ao contrário do que o mundo acha, não é uma vida de abstinências infelizes, mas uma vida que reflete a verdadeira alegria e liberdade em Jesus (Jo 8.36).

Somos livres do poder do mundo

Ao contrário do que muitos acham, os vícios, as maldades, a corrupção, a desonestidade, a mentira, não são frutos da liberdade, mas da escravidão do pecado. O homem tem a natureza pecaminosa em si, e em si mesmo não tem forças para se libertar (Jo. 8.34).

Contudo, a salvação em Cristo nos fez livres do poder do pecado que domina o mundo, pois nos tornamos seres de outro lugar (Jo 15.19). O mundo passará, porém o salvo permanecerá para sempre (1 Jo 2.17). 

Somos livres do poder da carne

As paixões carnais não mais prevalecem na vida do crente (Gl 5.19-21). Embora o salvo ainda lute diariamente contra a carte, recebeu o poder de resistir, basta andar em Espírito (Gl. 5.16).

Somos livres do poder do diabo

O diabo vem para matar, roubar e destruir (Jo 10.10), mas não tem poder na vida do salvo, pois ele é revestido das armaduras de Deus (Ef 6.10-17).

Refletimos o caráter de Cristo

Dizer que “têm Jesus no coração” não é o suficiente. É necessário andar com Ele, se parecer com Ele. Ter o Espírito de Cristo é fazer parte de sua noiva (Rm 8.9).

Temos uma vida no Espírito

Demonstramos, de maneira natural e voluntária o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gl 5.22).

Temos uma vida justa

Assim como os fariseus tentavam encontrar defeitos em Jesus e não encontravam, assim devemos ser, vivendo uma vida justa como a do nosso Senhor (Mt 5.48).

Temos uma vida honrada

O crente salvo: é honesto, paga suas contas, cumpre com sua palavra, é pontual em seus compromissos, não usa de mentiras a título de desculpas ou justificativas, não guarda pensamentos impuros, não vive de maledicência, ofensas e mau humor.

Não adianta se dizer espiritual, portador de dons (1 Co. 1.7) e se comportar como meninos (1 Co 3.1).

Servimos a obra de Deus com alegria

As boas obras na vida do salvo serão reconhecidas: (1) pela sua inclusão no Corpo de Cristo; (2) pela sua comunhão com os demais salvos; (3) pela adoração; (4) pelo testemunho; (5) pela evangelização; (6) pelo ministério do socorro; (7) pelo uso dos dons espirituais. (Ef. 2.10)

Fazemos parte do Corpo de Cristo

Todo salvo deve estar abrigado numa igreja local, sob a autoridade de um pastor (c), assumindo papel como membro do Corpo de Cristo e agindo em conformidade com os respectivos movimentos do Corpo (1 Co 12.27).

Temos comunhão uns com os outros

A comunhão dos salvos os tornam um em Cristo, e um testemunho vivo de que possuem o Espírito de Cristo (At 4.32; 1 Co. 1.10).

Somos verdadeiros adoradores

Vivemos em constante adoração ao Senhor em Espírito e em verdade (Jo 4.24).

Damos bom testemunho

Somos sal da terra e luz do mundo, nossa vida, por si só, é verdadeiro testemunho para todos os que nos veem e nos acompanham no dia a dia (Mt 5.13-16; Jo 15.8).

Evangelizamos com prazer e dedicação

Deus liberta para libertar. Os verdadeiramente salvos em Jesus não conseguem manter a mensagem do evangelho só para si, é inevitavelmente prazeroso divulgar as boas novas de Cristo, sendo uma incumbência dada pelo Senhor Jesus (Mt 28.18-20).

Somos cheios e revestidos do Poder pelos dons espirituais

A justificação e a regeneração são frutos do convencimento do Espírito Santo na vida do crente, que está como agente passivo no momento da conversão, momento em que passa a habitá-lo (1 Co 3.16), se estabelecendo como selo a fim de guarda-lo para o dia da redenção (2 Co 1.22; 5.5; Ef 1.4) – todo salvo possui essas dádivas.

Todavia, ao receber o Espírito Santo na conversão (Jo 14.17), o salvo passa a ter uma postura de agente ativo, passa a ter a possibilidade de fazer uso da presença do Espírito Santo na sua vida, adquirindo os dons espirituais (revestimento de poder), por meio da busca em oração, geralmente iniciado pelo batismo com o Espírito Santo (1 Co 12.31; Lc 11.5-13).

Temos uma vida de crescimento

2 Pedro 2.5 – o apóstolo Pedro nos propõe uma vida de crescimento diante de Deus.

“Acrescentai à vossa fé”:

  • A virtude – excelência moral.
  • A ciência – experiências espirituais.
  • A temperança – autocontrole.
  • A paciência – perseverança, saber esperar.
  • A piedade – reverência para com Deus.
  • O amor fraternal – amar uns aos outros.
  • A caridade – o amor de Deus.

Esse constante crescimento espiritual é uma trajetória de fé que faz com que os salvos se tornem pessoas ocupadas nas coisas que verdadeiramente importam, vivendo a glória de Deus e a esperança da glorificação eterna.

Quem apenas possui a esperança futura e não reflete a glória ainda aqui, não demonstrando interesse em avançar nas revelações de Deus aos salvos, é chamado pelo apóstolo Pedro de “cego” (1 Pe 1.10).

A glorificação eterna

O destino dos salvos é o céu!

Jesus foi nos preparar lugar (Jo 14), e nos deu a esperança de vermos a sua glória eterna (Jo 17.24).

Contudo, não vamos viver a glorificação de qualquer maneira.

Há uma diferença na glorificação eterna na vida do salvo que peregrinou de glória em glória (2 Co 3.18), pelos aspectos que vimos acima, e daqueles que em último momento aceitaram ao Senhor Jesus, sem a prática dos frutos da justiça.

O nosso fundamento é Jesus Cristo. E é necessário vivermos uma vida que demonstra que somos feitura do Senhor, e caminhamos nas suas boas obras (Ef 2.10).

Quando fomos chamados para viver a sua glória, deveremos manifestar o que edificamos no fundamento que é Jesus Cristo em nossas vidas. É o que o apóstolo Paulo nos ensina em 1 Co. 3.11,15.

A obra de cada um se manifestará

Por isso enfatizamos os aspectos da glorificação na vida do crente, pois na glorificação eterna, aquilo que produzimos/edificamos ao Senhor será manifestado pelo fogo.

O apóstolo Paulo se utiliza de pedras preciosas como o ouro, a prata e as demais menos nobres, para metaforizar aqueles que receberão galardão da parte de Deus. Em seguida, se utiliza de materiais que que se consomem, coo a madeira, o feno e a palha, para enfatizar aqueles que pouco produziram/edificaram nesta vida.

Aquele que nada produziu, ainda assim será salvo, como pelo fogo, porém, não receberá galardão.

Galardão é retribuição pelos serviços prestados, é recompensa dada por Deus pelas obras que praticamos em obediência à sua vontade. A Palavra diz que Cristo vem sem demora, e com Ele está o galardão para cada um segundo as suas obras (Ap 22:12).

A Palavra de Deus chama o galardão de diversos nomes como: prêmio da soberana vocação de Deus (Fp 3.14); coroa da justiça (2 Tm 4.8); coroa de glória (1 Pe 5.4); coroa da alegria (1 Ts 2.19,20); coroa da vida (Ap 2.10), coroa incorruptível (1 Co 9.25,27).

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” Apocalipse 3:11

#08 – A Santificação

A Santificação inicia-se juntamente com a justificação e a regeneração e encerra o processo da salvação na vida do crente, diferenciando-se da regeneração por seu aspecto de  continuidade (progressividade) na vida do crente.

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A santificação é aliada a um dos atributos comunicáveis de Deus, a saber: A Santidade. Por isso, a santificação tanto depende do esforço humano como da ação divina na vida do crente.

Desde o início o chamado de Deus para o seu povo é para que ele seja “santo”. (Lv. 11.44)

E esse sentido contínuo da santificação foi trazido pelos remanescentes pentecostais. Como estudamos durante o ensino acerca da História da Igreja, no século XX, um movimento denominado “holiness” (santidade), por meio de John Wesley e demais evangelistas, mantiveram o aspecto da purificação na vida e no culto de todo genuíno cristão.

Por isso nossa ênfase de enfatizar a necessidade de uma vida santificada ao Senhor.

1- O que é santificação?

Ser santo, grosso modo, é a vigilância do crente em relação às coisas do mundo e ao pecado. Do hebraico “qadhash”, deriva da raiz “qad”, que significa “cortar”, “separar”. No grego “hagios”, também significa “separar”.

Portanto, é de se ver que Deus quer um povo dedicado, separado, consagrado, ao serviço do Senhor, que é a vontade expressa do Senhor na palavra (Lc. 1.70; Ef. 3.5; 2 Pe 1.21).

A santidade não se refere individualmente aos homens, mas à consagração ao Senhor, no sentido ético (indicando uma atitude diante das coisas de Deus) ou à Igreja do Senhor (Ef. 1.4; 5.27; Cl 1.22).

Santificação (hagiasmos), portanto, indica um processo na vida do cristão que o mantém na direção da exigência ética do Senhor, de que o homem e a mulher devem estar se consagrando, vigiando, se separando de tudo o que é impuro, mundano e pecaminoso.

2- Origem da santificação

Como dito, a santificação advém de um dos atributos de Deus, só é possível buscar a santificação, porque vem de Deus o caráter santo que devemos desenvolver. (1 Pe 1.15)

Santificação é um ato, um comportamento contínuo, e indica a mortificação diária do velho homem. Não é um processo que ocorre da noite para o dia, ou de imediato, como a justificação e a regeneração, pois requer uma atitude constante do crente. (Rm 6.6; 1 Pe 3.18)

3- Efeitos da santificação

Efeito interior – a santificação não é aparência exterior, mas a pureza do coração, a limpeza de toda maldade e corrupção. É o fugir da aparência do mal. Demonstração externa de santificação que não seja verdadeira interiormente é falsa. Essa foi a principal das reprimendas de Jesus contra os fariseus (Mt 23.25; 2 Co 7.1)

Efeito exterior – é o testemunho da vida cristã genuína. Não existe verdade sem o bom testemunho (Mt 5.16; Is 8:20). O bom testemunho é natural, é espontâneo, sem fingimento, como faziam os fariseus, chamados por Jesus de hipócritas (Mt 23.13-17; 19, 23, 25-27, 29).

4- Processo de santificação

  • No ato da conversão: o processo de santificação inicia-se logo em conjunto com a justificação e a regeneração (1 Co 6.11). A partir de que houve a lavagem pela água do novo nascimento no Espírito, perdoados foram os pecados, agora surgem atitudes a serem tomadas de não mais recuar, não mais olhar para trás e se misturar novamente com o mundo e com as concupiscências da carne, agora se vive para Deus (Rm 6.14).
  • No dia a dia: a santificação é progressiva (1 Ts. 3.12; 4.1,9,10). O dever diário do crente é seguir a santificação (Hb 12.14). O homem quando se converte não se torna um ser divino, mas um ser com uma natureza dúplice, humana e divina regenerada pelo Senhor. Por isso o conflito com o pecado permanece na natureza humana, e a ordem é resistir (Rm 6.12,13; 2 Co. 3.18).
  • Até chegar no céu: durante a vida não existe mais santo ou menos santo. Ainda que a Bíblica exija perfeição (Gn 17.1; Mt 5.48; Ef. 4.13), referida perfeição não é absoluta, pois o homem não está isento de pecar (Pv. 20.9; 1 Jo 1.8). Apenas no céu ninguém sofrerá das aflições do pecado, lá seremos chamados de “justos aperfeiçoados” (Hb 12.23).

5- Ação divina e esforço humano

Dividamente a santificação é obra do Pai (1 Ts 5.23), do Filho (Ef 5.25,26), e do Espírito Santo (2 Ts. 2.13).

O lado humano na santificação compreende:

(a) A fé (Hb 11.6);

(b) A consagração do corpo (Rm 6.19);

(c) A sujeição à Palavra de Deus (Jo 17.17);

6- A santificação não é legalismo

É claramente possível que alguém cumpra toda a lei, todos os mandamentos do Senhor, na vida pública e na vida privada e não estar desenvolvendo a santificação.

Segundo ensina o Pr. Walter Brunelli:

“Há um perigo aqui: alguns colocam ênfase tão exagerada na santificação que, inconscientemente, apregoam a salvação pelo caráter – o que não deixa de ser uma forma de crença em salvação pelas obras. Isso é próprio do legalismo. Tal sistema sacrifica o amor cristão, induzindo o indivíduo a julgar as pessoas pela aparência desenvolvendo um tipo inconsciente de vaidade espiritual. A salvação age no caráter, mas apenas o caráter não a representa.” (2017, Vol 2, p. 368)

Apenas Deus sonda os corações e pode julgar a santificação, a vida verdadeiramente consagrada ao Senhor. Obviamente que há comportamentos que claramente não condizem com uma vida santificada. Contudo, uma vida sem tais comportamentos, por si só, não indica santificação espiritual.

Os evangélicos podem comemorar o Natal?

Os evangélicos, nome atribuído aos cristãos de origem protestante, não só podem, como devem comemorar o Natal, que é mais uma forma de evangelização mundial, proclamando o nascimento do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

As críticas ao Natal, já são há muito tempo conhecidas, e desde logo já são dispensadas, pois se baseiam em um ódio histórico que em nada edificam, e nem atraem as pessoas para Deus.

Na verdade, desde a antiguidade, as heresias surgem a partir da diminuição da pessoa de Jesus Cristo, dizendo que não era humano ou que não era divino.

Criticar a comemoração do nascimento do Filho de Deus nada mais é do que abrir novamente portas para novas heresias.

Muitos querem criticar a data (25 de dez) em razão de ter sido há muitos séculos atrás uma data pagã (Sec. IV – em Roma – o dia do deus sol “invictus”). Alguns outros a criticam pelas várias e várias lendas urbanas, como exemplo clássico o “Santa Claus”, mais conhecido como Papai Noel, aqui no Brasil. Quantas coisas já inventaram sobre esse sujeito…

Discursos esses que são de maneira vã proferidos até mesmo por quem se diz cristão, e de nada servem para edificar a fé ou atrair as pessoas ao evangelho.

Convém, primeiramente, dizer que o nosso Deus é especialista em transformar maldições em bênçãos (Ne. 13:2b), e se antes (naquela remota época) o Natal era uma festa pagã, hoje podemos usar esta data como um dia de Evangelização Universal. Porque o que importa é que a Palavra da Salvação seja pregada, com prudência, moralidade e sabedoria. (Fp. 1:18)

Resumindo o fundamento e o fantástico significado do Natal – Jesus Cristo veio mudar as nossas vidas, nos trazer a libertação deste mundo, onde tanto sofremos opressões, angústias, perseguições, tribulações, e todos os males que nos aprisionam todos os dias.

Antes de Cristo, a salvação, purificação de pecados, – na origem judaica, e até mesmo em outras religiões, – era eminentemente dependente de patrimônio. A clássica salvação patrimonialista: tinha-se que comprar cada qual o seu cordeiro, pombas, etc, para oferecer em sacrifício, para purificação de pecados.
(chegando tal prática a virar comércio no templo – Jesus arrebentou com esses caras – Mt. 21:12-13)

Imperava no sistema religioso o egoísmo, quem não tinha condições não tinha salvação, não poderia se achegar a Deus sem o seu sacrifício individual de sangue de animais perfeitos, que substituiriam a pessoa no merecido castigo. Quem não podia adquirir animais bons para sacrifício não era digno de remissão de pecados. As pessoas eram discriminadas e não podiam sem esse sacrifício ter parte com o Criador.

Quando Cristo, já prenunciado, veio ao mundo, João Batista já anunciou que o basta nos sacrifícios de animais havia chegado, pois ao ver o Mestre ao longe anunciou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29).

Hoje, depois da vinda, morte e ressurreição de Cristo, sabemos que Ele foi partido por nós. E agora cada um e nós temos uma parte com Ele. Todos fazemos parte de seu sacrifício, basta aceitarmos que somos dependentes do seu Amor, da sua libertação, para fazermos parte de sua paz e podermos nos achegar a Deus, pois por sua perfeição era o único digno de remir todos os nossos pecados, porque nada fez, jamais pecou (1 Timóteo 2:6).

Sua morte foi estritamente necessária. Às vezes podemos nos perguntar, como alguém tão perfeito, a imagem absoluta de Deus, o único filho, aquele que está assemelhado em tudo com Deus, ainda que na forma humana, teria que morrer para que pessoas tão pecadoras como nós fossem justificadas por Ele?
O apóstolo Paulo em 2 Coríntios 5:21, nos ensina que: “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nEle, fôssemos feitos justiça de Deus.”

O presbiteriano J. Edgar Hoover uma vez disse que “o legado de um homem só se define quando a vida dele termina”, e isso é uma grande realidade. Nós não poderíamos ser participantes da salvação que o cordeiro oferece sem o seu sacrifício voluntário naquela cruz. Cristo pregou sobre a herança do Reino dos Céus, uma passagem para a eternidade, somente acessível por aqueles que passam por Ele, pois Ele é a Porta e o Único Caminho, Verdade e a Vida. (João 14:6)

Cristo precisava consumar sua vida aqui, para que sua palavra surtisse efeitos para a salvação de todos nós. O Legado da promessa, o legado da herança.

Ao pensar no Natal não podemos deixar de lembrar que é o nascimento do nosso REI.

Cristo é o nosso governo: em Isaías, está escrito que o Principado está sobre os seus ombros (Is. 9:6). Sabemos que o que está sobre os ombros significa encargo, dever, responsabilidade. E principado, nada mais era na época da tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida (Séc. XVIII), que o sistema de governo mais comum no mundo em razão das pequenas colonizações de territórios.

Nas versões Almeida Revista e Atualizada, bem como na Nova Versão Internacional, consta que “O GOVERNO está sobre os seus ombros”. Assim, Cristo é o nosso comando, a nossa direção, a quem devemos seguir. Toda autoridade e todo o poder pertencem a Ele, pois lhe foi dado no Céu e na Terra (Mateus 28:18).

Por isso, absolutamente todas as coisas do mundo passam, as tecnologias passam, a ciência passa, mas as palavras de Cristo não passam, porque tudo que é transmitido no mundo depende da linguagem, e as Mensagens de Cristos são as únicas que nos atrai o coração. Ele vive em nós, Ele está conosco como prometeu, até a consumação dos séculos. (Mateus 28:20)

Desejo para todos, um Feliz Natal, lembrando o dia que Cristo veio a este mundo para se fazer sacrifício vivo por nós, para que por seu sangue fossemos justificados e atraídos a Deus, enxertados na árvore genealógica da fé, que conduz à vida Eterna.

#04 Arminianismo: FACTS – os cinco artigos dos remonstrantes e o vergonhoso Sínodo de Dort

Após o falecimento de Armínio em 1609, quarenta e seis de seus seguidores se reuniram na cidade de Haia, na Holanda, e formalizaram um documento chamado “Remonstrância”.

Estamos em nossa quarta aula sobre a Doutrina da Salvação, onde pontuamos os erros da doutrina calvinista (leia aqui), e iniciamos o estudo da doutrina arminiana sobre a salvação (leia aqui).

Quem eram os Remonstrantes

Estamos agora diante de um cenário triste do início do século XVII, onde, após o falecimento de Armínio em 1609, quarenta e seis de seus seguidores se reuniram na cidade de Haia, na Holanda, e formalizaram um documento chamado “Remonstrância”.

Entre os remonstrantes estavam grandes nomes da filosofia e do direito como Simon Episcopius (1583-1643) e o conhecido jurista Hugo Grócio (1583-1645).

O termo Remonstrância vem de “remonstrar” que significa, por intermédio de argumentos, tornar evidente uma situação.

O documento dos Remonstrantes

A remonstrância, documento dos remonstrantes, foi resumida em 5 (cinco) pontos, assim como os cinco pontos do calvinismo, de forma a refutá-los biblicamente.

Apenas para relembrar, os cinco pontos do calvinismo formam o acróstico T.U.L.I.P.:

  1. Total Depravity (Depravação Total); – o homem é incapaz de por si mesmo ir a Deus.
  2. Unconditional Election (Eleição incondicional); – Deus faria a escolha de quem será ou não salvo, independente das atitudes humanas.
  3. Limited Atonement (Expiação limitada); – Jesus não teria morrido por todas as pessoas.
  4. Irresistible Grace (Graça Irresistível); – Aquele que é “eleito” viria para a salvação de qualquer maneira, independente de suas próprias decisões.
  5. Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos); – Seria impossível para um “eleito” perder a salvação.

Enquanto os cinco pontos dos remonstrantes formam o acróstico F.A.C.T.S., que na língua inglesa traduzido livremente significa FATOS:

  1. Free by grace to believe (Livres pela graça para crer), onde há graça há liberdade para crer ou não crer. É a expressão da graça preveniente.
  2. Atonement for all: (Expiação Ilimitada); Jesus morreu por todas as pessoas.
  3. Condicional Election (Eleição Condicional); existem condições para a salvação disponíveis para todos os homens: arrependimento, fé e confissão.
  4. Total Depravity (Depravação Total); o homem por si mesmo não é capaz de chegar a Deus, apenas diante das revelações disponíveis pela graça.
  5. Security in Christ (Segurança em Cristo); perseverar é estar seguro em Cristo, em constante arrependimento e santificação, fora dEle não há salvação.

Os cinco artigos dos Remonstrantes

*Artigo I – Que Deus, por um eterno e imutável plano em Jesus Cristo, seu Filho, antes que fossem postos os fundamentos do mundo, determinou salvar, de entre a raça humana que tinha caído no pecado – em Cristo, por causa de Cristo e através de Cristo – aqueles que, pela graça do Santo Espírito, crerem neste seu Filho e que, pela mesma graça, perseverarem na mesma fé e obediência de fé até o fim; e, por outro lado, deixar sob o pecado e a ira os contumazes e descrentes, condenando-os como alheios a Cristo, segundo a palavra do Evangelho de Jo 3.36 e outras passagens da Escritura.

Este primeiro artigo revela a Salvação Condicional. As condições resumidas impostas por Deus são “crer no Filho, e perseverar em obediência”. Para ser condenado basta não crer no Filho e permanecer desobediente à Deus, permanecendo ou voltando à vida pecaminosa, que torna o homem e a mulher alheios a Cristo.

*Artigo II – Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes. João 3:16

O segundo artigo é o ponto denominado Expiação Ilimitada, que afirma, biblicamente, que a morte de Cristo na Cruz do Calvário é para todos os homens, porém, deixa claro que só pode fazer parte deste perdão aqueles que crerem e aceitarem este perdão concedido pelo preço de sangue.

*Artigo III – Que o homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de sua própria vontade, de modo que, em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si mesmo, não pode pensar nada que seja bom – nada, a saber, que seja verdadeiramente bom, tal como a fé que salva antes de qualquer outra coisa. Mas que é necessário que, por Deus em Cristo e através de seu Santo Espírito, seja gerado de novo e renovado em entendimento, afeições e vontade e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar, querer e praticar o que é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus [Jo 15.5].

O terceiro ponto demonstra a concordância entre calvinistas e arminianos acerca da Depravação Total, ou seja, que tudo é pela graça. O homem por si mesmo não pode pensar nada de bom, nem fazer o bem, pois apenas pela graça, revelada nas Escrituras e pelo poder do Espírito Santo de Deus, o homem pode ser convencido de seu pecado.

*Artigo IV – Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e coopera. De modo que todas as obras boas e todos os movimentos para o bem, que podem ser concebidos em pensamento, devem ser atribuídos à graça de Deus em Cristo. Mas, quanto ao modo de operação, a graça não é irresistível, porque está escrito de muitos que eles resistiram ao Espírito Santo.

Aqui no artigo quarto do documento dos remonstrantes, foi afirmada a Livres pela graça para crer, demonstrando que a graça de Deus sempre esteve, por meio de Cristo, à disposição dos homens, até mesmo o homem transformado continua a depender desta graça para continuar firme em Jesus, pois ela desperta, assiste e coopera.

Este ponto afirma ainda que a graça não é irresistível, pois há muitos textos bíblicos acerca de homens que resistiram ao Espírito Santo.

*Artigo V – Que aqueles que são enxertados em Cristo por uma verdadeira fé, e que assim foram feitos participantes de seu vivificante Espírito, são abundantemente dotados de poder para lutar contra Satã, o pecado, o mundo e sua própria carne, e de ganhar a vitória; sempre – bem entendido – com o auxílio da graça do Espírito Santo, com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações, através de seu Espírito; o qual estende para eles suas mãos e (tão somente sob a condição de que eles estejam preparados para a luta, que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta, de modo que, por nenhum engano ou violência de Satã, sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo [Jo 10.28]. Mas quanto à questão se eles não são capazes de, por preguiça e negligência, esquecer o início de sua vida em Cristo e de novamente abraçar o presente mundo, de modo a se afastarem da santa doutrina que uma vez lhes foi entregue, de perder a sua boa consciência e de negligenciar a graça – isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança.

Aqui o ponto mais sensível, este quinto artigo demonstra a Segurança em Cristo, cautelosamente descrito pelos remonstrantes, afirmaram que aqueles que estão em Cristo, estão seguros para lutar contra as ciladas do diabo, o mundo e a carne e ter vitória, podendo contar com o auxílio de Jesus Cristo em todos os momentos.

Contudo, quanto à questão de voltarem à vida pecaminosa, se afastando de Cristo e retornando aos caminhos do Senhor, ou seja, o modo de funcionamento da queda da graça (perda da salvação), não é tão simples de ser explicado, devendo ser analisado caso a caso, com base nas Escrituras para que possa ser ensinado com maior segurança.

Estes são os pontos dos remonstrantes, resumidos no documento F.A.C.T.S.  detalhadamente explicado com amparo no texto das Sagradas Escrituras, o que o tornava, diante da comunidade protestante holandesa irretocáveis.

Contudo, o calvinismo servia como exclusivismo religioso, já tinha se tornado não uma doutrina, mas uma verdadeira política de Estado, o que levou à condenação de ministros arminianos/remonstrantes pelo Sínodo de Dort.

O Sínodo de Dort

Sínodo de Dort – 1618 d.C.

Como vimos no estudo sobre a História da Igreja, Lutero não queria fundar uma nova igreja, queria apenas reformar a igreja. Já Calvino queria uma nova igreja e entraram em grande atrito em razão disso.

Portanto, na época o Calvinismo era utilizado fortemente como uma diferenciação de uma “nova igreja” em relação à antiga igreja que Lutero pretendida reformar.

O surgimento das posições dos remonstrantes, que revelava erros na doutrina calvinista no ponto da doutrina da salvação, mexeu em um ponto que não era religioso, mas, sim, político.

Conforme ensina o Pr. Walter Brunelli:

“A doutrina calvinista servia como escudo para a Holanda contra a Igreja da qual ela havia se libertado, sobretudo, por se tratar do poder religioso que subjugava a Espanha, país que antes a dominava. Entretanto, os arminianos opunham-se à teologia de Calvino, alegando que Jesus morreu por todos e que a salvação não era restrita somente a alguns, mas era oferecida a todos igualmente. Armínio diferia de Calvino em questões soteriológicas, e isso ele não escondeu” (Teologia Para Pentecostais, Vol. 3 – Ed. Central Gospel, 2016, p. 269)

Assim, visando condenar o documento dos remonstrantes, instalou um grande Sínodo (concílio), na cidade de Dordrecht, na Holanda, que durou de 1618 a 1619, onde estiveram em inúmeras sessões de discussões, teólogos eruditos, o rei da Inglaterra Tiago, Condes de diversas Repúblicas reformadas (Suíça, Genebra, França, etc).

De todos os inúmeros teólogos e políticos participantes, apenas 13 (treze) remonstrantes foram chamados, liderados por Simon Episcopus, porém ficaram trancafiados em uma sala, sem poder participar das sessões, nem mesmo direito a assento tiveram, ficavam em pé o tempo todo.

Apenas na vigésima segunda sessão foram chamados para defender a doutrina da salvação ensinada por armínio, que foi atacada por 102 calvinistas que estavam no plenário. O triunfo dos calvinistas foi absoluto.

Os remonstrantes foram expulsos do sínodo, aos gritos pelo teólogo calvinista John Borgerman, que os declarou hereges (calúnia), que ainda defendia a pena de morte aos arminianos.

Após o sínodo diversos arminianos/remonstrantes foram presos, destituídos das igrejas, banidos por não se calarem contra o calvinismo. O presbítero e jurista Hugo Grócio foi confinado em uma masmorra.

Todavia, anos mais tarde surgiu um homem chamado Frederick Henry, que permitir que os arminianos retomassem seus postos, e por toda a Holanda foram restabelecidas as igrejas remonstrantes e criaram também uma universidade.

Henry foi sucessor de Mauricio de Nassau, o famoso “o Brasileiro”, conde alemão-holandês, que governou a colônia holandesa no Recife/PE em 1637.

Próxima aula: A Mecânica da Salvação.

A doutrina Arminiana acerca da Salvação

ando a Europa foi tomada pela doutrina calvinista, Deus levantou um pastor chamado Jacó Armínio (Jacobus Arminius, 1560-1609), que se contrapôs à doutrina da “graça irresistível” de Calvino, defendendo biblicamente a “graça preveniente”.

A doutrina arminiana não prega que a responsabilidade pela salvação seja do homem, nem que o homem ainda possui capacidade de chegar a Deus. Muito pelo contrário, mostra uma graça eterna, preveniente, que está presente e se manifesta na pregação do evangelho, capacitada pelo poder de convencimento do Espírito Santo, que gera a fé necessária ao homem para responder ao chamado da salvação.

A vida de Jacob Armínio

Jacob Armínio

Estamos aprendendo a doutrina da salvação, conforme resumida na primeira aula (clique aqui para ler). Na última aula apontamos os erros da doutrina calvinista acerca da salvação, e biblicamente demonstramos ponto a ponto os erros que os calvinistas cometem em sua tentativa de explicar o processo da salvação pela “predestinação individual para salvação e para perdição”.

Quando a Europa foi tomada pela doutrina calvinista, Deus levantou um pastor chamado Jacó Armínio (Jacobus Arminius, 1560-1609), que se contrapôs à doutrina da “graça irresistível” de Calvino, defendendo biblicamente a “graça preveniente” ou “graça preparatória”, que ensina que a vontade do homem é essencial no processo de salvação, em cooperação com o chamado de Deus.

Igreja em Amsterdã

Sendo Holandês, nasceu em um momento que que seu país estava sendo tomado pela doutrina calvinista, que fortemente investia em conflitos políticos para libertar a Holanda do domínio da Espanha. Nesse contexto foi formado e ordenado ao ministério assumindo a Igreja Reformada de Amsterdã como pastor em 1587, aos 27 anos de idade.

O primeiro ponto que chocava Armínio, e contra a qual ele fazia oposição aberta, era o ensino do suplalapsarianismo pelos calvinistas, o que ele atacava veementemente em suas pregações, causando um alvoroço entre a maioria calvinista na época.

Após isso, também passou a pregar contra a “eleição incondicional” e a “graça irresistível”, pois defendeu a literalidade do texto de Romanos 9, segundo o qual é a Igreja a predestinada à salvação e não indivíduos específicos, sendo a “predestinação” corporativa e não individual. Ou seja, se é salvo porque é Igreja, está unido à noiva de Cristo, fora dela não há salvação. (A Igreja é a grande embarcação dirigida por Cristo com destino ao Céu, quem nela embarca, será salvo)

Em meados de 1603 de levantou um teólogo radicalmente calvinista que colocou a população em polvorosa contra Armínio. Francisco Gomaro, dizia que Calvino era jesuíta e socianista. E o que é pior, caluniava Armínio, dizendo que ele negava a salvação pela graça mediante a fé em Cristo, conforme fundamentado pela Reforma Protestante.

Francisco Gomaro

Assim, a distorções feitas por Gomaro, influenciaram negativamente a opinião pública contra Armínio, que fez com que houvesse uma perseguição e uma guerra civil em 1604, nas províncias dos Países Baixos (Holanda). Armínio foi publicamente acusado de herege.

Armínio faleceu de tuberculose cinco anos depois, em 1609, sendo injustiçado até os dias de hoje, pois ainda é taxado de “semipelagianista” pelos calvinistas mais radicais, o que não é realidade.

Nos debates que continuaram, Armínio foi sucedido por Konrad Vorstius, que derrotou Gomaro com argumentos bíblicos, sendo que Gomaro utilizava-se da política e das ofensas públicas contra os remonstrantes (alunos de Armínio – veremos na próxima aula).

Placa dos alunos da Universidade de Leiden, em homenagem ao professor Jacob Armínio

O ponto central da divergência entre a doutrina de Armínio e de Calvino (presciência x soberania)

Como já vimos, os calvinistas são deterministas. Utilizando-se peremptoriamente da doutrina dos decretos afirmam que tudo o que ocorre foi decretado por Deus não havendo nada que o homem pudesse fazer. A isso chamam de “Soberania Divina”.

Portanto, se Deus é quem decreta quem será salvo e quem será condenado é porque Ele é soberano, e, segundo os calvinistas, dizer o contrário (que Deus não escolhe quem irá para o céu ou quem irá para o inferno) seria o mesmo que negar a “soberania” de Deus.

Em sentido inverso, Armínio se opunha ao ensino Calvinista, pois afirmava que muitas coisas eram decretadas por Deus, mas não todas as coisas, visto que se Deus decreta o cometimento de pecados, seria ele o responsável pelo mal no mundo.

Portanto, Armínio ensinava que Deus  decretou o plano da salvação, antes da fundação do mundo, por meio de Jesus Cristo, nomeando-o eternamente mediador, redentor, salvador, sacerdote e rei, decretou consequentemente que quem se arrependesse e cresse em Jesus Cristo seria salvo se firme continuassem até o fim, todavia os incrédulos seriam condenados. Deus teria decretado também o modo (as condições) necessárias para a suficiência e eficaz salvação sob o fundamento do arrependimento e da fé.

O último ponto do ensino de Armínio contra os “decretos totalitários” calvinistas, era o que alinhava todo seu ensinamento: defendia que Deus decretou, sim, a salvação ou a perdição de pessoas, mas não pelo dedo “tirano” de escolher previamente quem seria ou não salvo (ao que eles erroneamente chamam de “soberania” que é mais uma “tirania”), mas, sim, elege (escolhe) os salvos pela sua “presciência” sabendo que responderia ao chamado da salvação (graça), por intermédio da fé semeada pela pregação do evangelho, tendo dado todos os que creem previamente a Jesus, pela sua onisciência.

É o que está escrito na carta de 1 Pedro 1.2:

Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” 1 Pedro 1:2

Isso porque a soberania não é um atributo absoluto, ou seja, Deus não pode utilizá-la a todo momento, sob pena de subverter sua própria Justiça. Paulo em 1 Timóteo 2:13, deixa muito claro que Deus não pode negar a fidelidade à sua própria Justiça, pois seria negar-se a si mesmo.

O cerne da doutrina de Armínio acerca da salvação está muito bem sintetizado nas palavras do teólogo Roger Olson:

“É importante lembrar que Armínio insistia que toda a questão da predestinação estava relacionada à condição caída dos seres humanos carentes da redenção. Para Armínio, o decreto divino de permitir a queda, em outras palavras, não dizia respeito à salvação. Os decretos de Deus a respeito da salvação vêm depois (são logicamente posteriores) da permissão divina da queda de Adão e de Eva. Como Armínio concebia a queda? Deixou isso claro em seu tratado Certos artigos a serem diligentemente examinados e ponderados: “Adão não caiu por decreto de Deus, nem por estar destinado a cair, nem por ter sido deserdado por Deus, mas por mera permissão de Deus, que não está subordinada a nenhuma predestinação, nem à salvação ou à morte, mas que pertence à providência, que é distinta e oposta à predestinação” (in OLSON, Roger. 1999. P. 479 apud Works of James Arminius. 1695. P. 653,654, apud BRUNELLI, Walter, Teologia para pentecostais, Vol. 3, 2016, p. 266)

Esta doutrina Arminiana é encontrada em muitos grupos diversificados hoje: luteranos, metodistas, episcopais, anglicanos, pentecostais, batistas do livre-arbítrio e muitos carismáticos e crentes do movimento holiness. (Op. Cit.)

Próxima Aula: #04 Arminianismo: os cinco pontos dos remonstrantes FACTS e o vergonhoso Sínodo de Dort

Sínodo de Dort

Os erros da doutrina Calvinista acerca da Salvação

Nesta segunda aula acerca da doutrina da salvação trata de um importantíssimo alerta contra os erros da doutrina calvinista, que prega sobre um deus tirano que escolhe de antemão quem vai para o céu e quem irá para o inferno.

Leia também a aula introdutória: A doutrina da salvação

João Calvino foi um teólogo francês nascido na cidade de Picardia, na França em 1509 (faleceu em 1564), estudou na Universidade de Paris (entre 1523-1527).

Não foi ordenado a sacerdote, embora fosse chamado de “padre” por muitos. Entre 1532 e 1533 tornou-se protestante, no auge das divulgações por toda a Europa sobre as doutrinas de Lutero.

Fundou a Universidade de Genebra, onde vinham estudar jovens de toda a Europa. Com seu falecimento Teodoro de Beza (um de seus discípulos) assumiu a direção da Universidade, tornando seus ensinos ainda mais conhecidos.

Em síntese, os adeptos de seus ensinos creem que os “decretos” de Deus asseguram a salvação dos eleitos (predestinados), e a perdição dos rejeitados de antemão por Deus (predestinados para a condenação).

Segundo o ensino calvinista, sendo “predestinado”, aquele que é salvo jamais sofre o risco de perder a salvação. (Negam a existência da apostasia – 1 Tm. 1.19,20; 4.1; Hb. 6.4-6; 10.26-29; Gl. 4.2-6)

Calvinismo x Arminianismo

Armínio e Calvino

Trata-se de um debate histórico e humano, acerca de um ponto secundário, acerca da Mecânica da Salvação (ou seja, como a salvação opera na vida do crente). A controvérsia principal pode ser resumida sobre o ponto de vista da operação da Graça Salvadora na vida do crente.

Para os Calvinistas, a Graça é “irresistível”, o homem que é “predestinado” não teria capacidade de rejeitar o evangelho. Já, para os Arminianos a Graça é “preveniente”, ela está disponível desde sempre no plano da salvação a todos os homens que livremente a aceitarem, por meio da fé.

IMPORTANTE: “monergismo x sinergismo” – Os Calvinistas são “monergistas”, pois acreditam que não há qualquer relação humana do processo da salvação, pauta tal predicado na “Soberania Divina”.

Já os Arminianos são “sinergistas”, pois acreditam que o homem tem um papel fundamental no processo de salvação, tanto na pregação, como por deixar-se convencer e aceitar o chamado salvífico, pautam sua conclusão no “Livre-Arbítrio” dado por Deus ao homem.

Contudo, para além dos referidos conceitos desenvolvidos por homens na história, devemos nos ater à Bíblia Sagrada, que revela-nos a verdade de todas as coisas.

As interpretações equivocadas do texto bíblico acerca da salvação podem gerar inúmeros efeitos negativos como:

• Esfriamento espiritual (ligação quase que sempre presente com o cessacionismo).

• Redução da eficácia espiritual das escrituras. (restrição temporal dos atos do Espírito Santo na Igreja – ponto principal do cessacionismo)

• Redução (ou até mesmo a extinção) do evangelismo e da atividade missionária;

• Negligência da importância da pregação apelativa (chamamento à conversão).

A teologia de João Calvino sobre a Salvação

Tem como pilar a doutrina da “predestinação” para a salvação. Assim explicada, por suas próprias palavras:

“Chamamos de predestinação o eterno decreto de Deus pelo qual houve por bem determinar o que acerca de cada homem quis que acontecesse. Pois ele não quis criar a todos em igual condição; ao contrário, preordenou a uns a vida eterna; a outros, a condenação eterna. Portanto, como cada um foi criado para um ou outro desses dois destinos, assim dizemos que um foi predestinado ou para a vida, ou para a morte” (CALVINO, João. As Institutas. Tradução de Carlos Eduardo de Oliveira et al. São Paulo: Editora UNESP, 2008, Tomo III. 21.5)

A influência de João Calvino

Calvino não chegou em suas equivocadas conclusões sozinho, sua maior influência foi Agostinho de Hipona, que, mais de mil anos antes (354-430), abriu discussão com um teólogo britânico chamado Pelágio (360-420).

Agostinho de Hipona

Agostinho escreveu em sua obra: “Dá-me o que tu pedes, e pede-me o que quiseres”, ou seja, pautava sua teologia da salvação unicamente na “soberania” divina, visto que a natureza humana era totalmente depravada, não podia achegar-se a Deus voluntariamente. O que revoltou Pelágio, que não acreditava na passividade do homem, sendo ele “absolutamente livre”.

Em suma, Pelágio ensinava que o homem, responsável por si mesmo, poderia chegar-se a Deus em arrependimento para a salvação, pois a queda do homem não lhe tirou a essência divina (imago dei), – conclusão chamada de pelagianismo.

Outros, associados ao pensamento de Pelágio, ensinavam que o homem tinha guardado em si um resquício da imagem de Deus perdida na queda, e, assim, poderia achegar-se até Deus e Deus viria na outra parte até o homem (conclusão chamada de semi-pelagianismo).

Pelágio

Nenhum desses dois pontos radicais (excluir o homem do processo de salvação – agostinianismo; ou atribuir-lhe condição de achegar-se até Deus por vontade própria, auxiliada por Deus – semi-pelagianismo – ou não – pelagianismo), não encontram amparo nas escrituras.

Calvino era agostiniano, e os calvinistas são agostinianos. Contudo, devemos pautar nosso entendimento a partir da verdade das Escrituras Sagradas.

Os apóstolos ao falarem acerca do processo de salvação, tanto acreditavam na ação da graça divina como na disposição dos homens para responderem à fé (At. 6.7).

Os primeiros cristãos acreditavam na salvação pela graça, mediante a fé (Ef. 2.8). Assim, a ação de Deus sempre vem primeiro, dando condição a todo homem de tomar sua decisão (tanto pela revelação natural, como especial – que são expressões da Graça Preveniente).

Os cinco pontos do Calvinismo (T.U.L.I.P.)

Broche de Tulipa

Os cinco pontos do calvinismo são:

  1. T = Total Depravation – Depravação Total
  2. U = Uncondicional Election – Eleição Incodicional
  3. L = Limited Atonement – Expiação Limitada
  4. I = Irresistible Grace – Graça Irresistível
  5. P = Perseverance of the Saints – Perseverança dos Santos

PONTO EM COMUM: Depravação Total – “Total depravity”

Adão e Eva expulsos do Eden

Neste único ponto, tanto Arminianos, quanto Calvinistas, concordam. Visto que é o ponto principal para a eficácia do evangelho, conforme a Palavra de Deus. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3:23).

Todos os homens estão destituídos da glória de Deus. E não possuem condições de voluntariamente buscarem a Deus (Não há só um homem que busque a Deus).

O pecado fez separação total entre o homem e Deus. Israel do Antigo Testamento é um excelente exemplo da dificuldade enfrentada pelos homens de estarem de acordo com a vontade divina. O pecado os fazia desviar de Deus constantemente, por meio da depravação moral, sensual, idolatria, falta de amor ao próximo.

cruz

A providência para restaurar a possibilidade do homem de achegar-se à Deus, era o cumprimento do plano da Salvação, em Jesus Cristo, pois como por um homem veio o pecado e a morte, também por um homem veio a salvação para vida. (Rm. 5.17)

É o encontro real com Jesus que nos faz nascer de novo da água e do espírito, e assim, capacitados de reconciliar-nos com Deus. Vivendo nesta nova aliança no Espírito, temos a imagem de Deus restaurada em nós, e, assim, podemos novamente sermos chamados de Filhos, por adoção, em Cristo Jesus.

Salvar ou não salvar?

Os erros da soteriologia Calvinista

Neste tópico relacionaremos os demais pontos como erros bíblicos da doutrina calvinista, que não se relacionam com a verdade bíblica acerca do processo da salvação.

Eleição Incondicional: “Unconditional Election”

Será mesmo que Deus escolhe pessoas para a perdição?

A “eleição incondicional” afirma que Deus escolhe (decreta) algumas pessoas para a salvação e outras para a condenação, simplesmente porque quer, e não em nada que seja inerente à pessoa.

Nesse sentido, a salvação não teria qualquer condição, seria única e exclusivamente vontade de Deus que alguns se percam e outros sejam salvos.

Referido entendimento entra em confronto direto com o que a Palavra de Deus diz em 2 Pedro 3:9. E, ainda, com o texto de 1 Timóteo 2.3-4.

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” 2 Pedro 3:9

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.”
1 Timóteo 2:3,4

Expiação Limitada: “Limited Atonement”

A “expiação limitada” é a crença de que Jesus morreu apenas pelos eleitos (predestinados, segundo os calvinistas), ou seja, ensinam e pregam que Jesus não morreu por toda a humanidade.

É a expressão do “monergismo” calvinista, que ensina erroneamente que o sacrifício de Cristo foi apenas para algumas pessoas.

Tal radicalismo calvinista contraria tudo o que se aprende sobre Cristo na Bíblia Sagrada, principalmente no que tange à bondade, misericórdia, justiça e amor para com os homens, limitando a obra redentora de Cristo na cruz do calvário.

Objetivamente, para se concordar com a doutrina calvinista acerca da salvação é necessário negar que Jesus Cristo morreu por todas as pessoas.

Este entendimento entra em confronto direto com o que ensina o texto bíblico em João 3:16, Tito 2.11, 1 João 2.2 (dentre outros textos).

“Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens,” Tito 2:11

E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” 1 João 2:2

João 3:16

Graça Irresistível: “Irresistible Grace”

A “graça irresistível” defende que quando Deus chama alguém para a salvação, esta pessoa inevitavelmente virá para a salvação.

Não conseguem afirmar conclusivamente como este “chamado” acontece, visto que os maiores pregadores da Bíblia Sagrada foram resistidos, inclusive Cristo (ex: o jovem rico Mc. 10:17-31), Estêvão (Atos. 7.51), Paulo (Atos 28).

Marionetes humanas?

Assim, a afirmação de que a “graça salvadora” seria irresistível, seria transformar o homem e a mulher em marionetes de Deus. Conclusão com a qual não concordamos.

A essência do Evangelho de Jesus Cristo é a liberdade de escolha: Mateus 16.24. A Bíblia ensina que é o Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Ora! Se há um convencimento, há a plena capacidade de o homem resistir ao chamado de Deus à salvação. Só se convence aquele que está relutante, resistente, obstinado a recusar a força persuasiva de alguém.

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;” Mateus 16:24

O homem tem a predisposição de escolher seus próprios caminhos

Perseverança dos Santos: “Perseverance of the Saints”

A “perseverança dos santos” se refere ao conceito de que a pessoa que é eleita por Deus irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviará Dele. Ou seja, este ponto está intimamente ligado ao conceito calvinista de que não seria possível “perder a salvação”, ou seja, “uma vez salvo, salvo para sempre”.

Pedro negou a Jesus três vezes

É um erro, pois nega a existência da apostasia. Jesus profetizou que nos últimos dias a apostasia faria muitos se desviarem (Mateus 24:10-13) (perderem a salvação – saírem do caminho que leva à Deus). 2 Ts.2-4.

A Bíblia nos ensina que devemos perseverar, mas há uma diferença em nosso conceito arminiano de perseverança em relação ao conceito calvinista de perseverança.

Perseverar é uma atitude humana

Para nós, a perseverança é para vigiarmos para preservarmos nossa salvação, ou seja, perseveramos para não perdermos a salvação. É o que Jesus ensina em Mateus 24:13.

“Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.” Mateus 24:13

Já, este conceito calvinista (perseverança dos santos), ensina que aquele que é salvo (escolhido por Deus para a salvação) jamais se desviaria, pois seria impossível para um “predestinado” perder a salvação. Conclusão que contraria os textos bíblicos (1 Tm. 1.19,20; 4.1; Hb. 6.4-6; 10.26-29; Gl. 4.2-6).

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” 1 Timóteo 4:1

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,
E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,
E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.”
Hebreus 6:4-6

“Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído. Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça.” Gálatas 5:4,5

– Próxima aula: A doutrina Arminiana da Salvação.

Armínio

A Doutrina da Salvação

Ser salvo é uma situação espiritual, que nas escrituras lemos por diversos tratamentos, como: “nascido de novo”, “resgatado”, “nascido de Deus”, “eleito”, “adotado”, “filho de Deus em Cristo”, “homem espiritual”, “liberto”, “ovelha”, “rebanho de Deus”, “justificado”, “santificado”, dentre outros

Aula introdutória acerca da doutrina da salvação. O estudo desta doutrina nos capacita a evangelizarmos melhor e a sermos a cada dia mais gratos a Deus por sua eterna e preveniente graça.

O que é Salvação?

O termo bíblico original no grego é “sotéroos”. Portanto a doutrina da salvação chama-se “soteriologia” = estudo da salvação.

Ser salvo é uma situação espiritual, que nas escrituras lemos por diversos tratamentos, como: “nascido de novo”, “resgatado”, “nascido de Deus”, “eleito”, “adotado”, “filho de Deus em Cristo”, “homem espiritual”, “liberto”, “ovelha”, “rebanho de Deus”, “justificado”, “santificado”, dentre outros.

Apenas compreende esta doutrina aquele que passa pela experiência da salvação e começa a viver as revelações que regem a fé cristã. Pois as coisas de Deus só se compreendem espiritualmente (1 Co. 2.14).

Por quê precisamos ser salvos?

Photo of Woman Raising Both Hands

Há salvação porque existe uma perdição. (Rm. 3.23)

Deus criou o homem e a mulher perfeitos, em imagem e semelhança, homem e mulher os criou (Gn. 1:27).

A desobediência (provocada pelo autor do mal – inimigo das nossas almas), influenciou o homem e a mulher a buscarem igualdade em essência. (Gn. 3:1-5). Deus não divide sua glória (Isaías 42:8).

A queda do homem gerou um distanciamento profundo do homem com Deus, visto que Deus é Santo (um de seus atributos). Destituídos da glória de Deus. (Rm. 3.23)

O plano da Salvação

Person Hand Reaching Body of Water

Se há uma perdição, em razão da entrada do mal na criação de Deus, como soberano e perfeito, precisava providenciar divinamente um plano para resolver este estado de perdição no qual se encontram todos os seres humanos.

O louvor da salvação feita pelo Apóstolo Paulo nos revela a verdade do Plano da Salvação (Rom. 8:29-31).

A metáfora da Noiva e do Esposo é utilizada por Jesus em suas parábolas sobre resgate (Mat. 25).

Assim, o Apóstolo Paulo também utiliza esta metáfora para compreendermos o plano elaborado por Deus, em Jesus Cristo, para a salvação da humanidade (Rm. 7).

O dom da Salvação: A graça

A Graça (favor, dom, sem merecimento). O plano foi elaborado, e executado sem qualquer mérito humano, foi completamente obra de Deus. (Tito 2.11)

  • Graça natural – sustentação da vida e da humanidade. (Lm. 3:22, Mt. 5:45) Preservação do mal (Sl. 81:12; Rm 1:24,26,28).
  • Graça como presente especial (Lc. 1:28-30).
  • Graça como unção (At. 11:23).
  • Graça, ainda, como o próprio Evangelho (At. 13:43).
  • Graça criativa, o domínio sobre toda a criação (Gn. 1:28)

A Graça Salvadora (Ef. 2:8,9)

  • A Graça Preveniente (Jo. 3:16, Ap. 13:8, 1 Pedro 1:20) – Arminianismo.
  • A Graça Irresistível (Atos 7:51) – Calvinismo.

A Graça salvadora é sobrenatural. Ela é o meio pelo qual o Espírito Santo trabalha no interior do homem e faz com que a Palavra de Deus, pregada (Rm. 10:17), produza fé no coração, e ele seja atraído por Deus. (Jo. 16:8) (ouvir + agir do Espírito)

Unicidade da Multiforme Graça: 1 Pe. 4:10

Toda a graça dispensada por Deus na humanidade, desde a criação, servem para revelar o Criador, dando responsabilidade ao homem, ao ponto de torná-lo indesculpável.

A força da graça é maior que a força do pecado (Rm 5.20)

O reino do pecado é substituído pelo Reino da Graça (Rm 5.21)

A Graça tem efeito positivo e negativo: Positivo: nos ensina a vivermos sóbrios, equilibrados, bem conosco e com os outros, e piamente; Negativo: implica renúncia ao pecado, à impiedade e às concupiscências mundanas. (Tt. 2:12)

A Graça nos dá a esperança da glória (Tt. 2:13). O meio da Graça é a Cruz de Cristo: “E disse-me: A minha graça de basta (…)” (2 Co. 12.9).

A graça custou o sacrifício de Jesus na cruz. Nos reconciliou (Rm 5.10), nos redimiu (Tt. 2:14), nos substituiu (1 Pedro 2:24) nos justificou e perdoou (Rm 4.25).

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja em todos vós! (1 Ts. 5:28)

O sacrifício na Cruz do Calvário trouxe Libertação da Morte (Hb. 2:9, Rm. 8.10), o Dom da Vida Eterna (Jo. 3.15,16; Rm 6:23) e a Vida Vitoriosa (Ap. 12.11).

Leia também: Os erros da doutrina Calvinista acerca da Salvação

Arminianos ou Calvinistas, de qual vertente soteriológica somos?

João Calvino e Jacó Arminio. Quem vê pensa que tiveram um mano a mano no século XVI…. mas, na realidade, quando Calvino faleceu, Arminio tinha apenas 4 anos de idade.

O Calvinismo e o Arminianismo são dois sistemas teológicos que tentam explicar a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana em relação à salvação. O Calvinismo recebeu este nome por causa de John Calvin (João Calvino), teólogo francês que viveu de 1509 a 1564. O Arminianismo recebeu este nome por causa de Jacobus Arminius, teólogo holandês que viveu de 1560 a 1609.

Os dois sistemas podem ser resumidos em cinco pontos.

  1. O Calvinismo defende a “depravação total”, enquanto o Arminianismo defende, igualmente, a “depravação total”, porém com visão completamente diferente. Segundo a “depravação total” Calvinista, cada aspecto da humanidade está contaminado pelo pecado, e por isso, os seres humanos são incapazes de vir a Deus por iniciativa própria, sendo dependente única e exclusivamente de Deus a aproximação do homem para a transformação salvífica. A “depravação Total” Arminiana defende, igualmente, que cada aspecto da humanidade está contaminado pelo pecado, e necessita de que Deus aproxime os homens (seja pela revelação especial através da pregação da palavra, seja através de sua revelação geral pelas coisas criadas – Rm. 1:19-20), todavia exige que o homem coopere em parte para que seja salvo, isto é, Deus aproxima se revelando ao homem, porém o homem tem a livre decisão de aceitar a este chamado para a salvação – ficando assim, como escreveu Paulo, inescusáveis.
  2. O Calvinismo defende a “eleição incondicional”, enquanto o Arminianismo defende a “eleição condicional”. A “eleição incondicional” afirma que Deus elege pessoas para a salvação baseado inteiramente em Sua vontade, e não em nada que seja inerente à pessoa. A “eleição condicional” afirma que Deus elege pessoas para a salvação baseado em sua pré-ciência de quem crerá em Cristo para a salvação.
  3. O Calvinismo defende a “expiação limitada”, e o Arminianismo defende a “expiação ilimitada”. Este, dos cinco pontos, é o mais polêmico. A “expiação limitada” é a crença de que Jesus morreu apenas pelos eleitos. A “expiação ilimitada” é a crença de que Jesus morreu por todos, mas que Sua morte não tem efeito enquanto a pessoa não crê.
  4. O Calvinismo defende a “graça irresistível” e o Arminianismo, a “graça resistível”. A “graça irresistível” defende que quando Deus chama alguém para a salvação, esta pessoa inevitavelmente virá para a salvação. A “graça resistível” afirma que Deus chama a todos para a salvação, mas muitas pessoas resistem e rejeitam este chamado.
  5. O Calvinismo defende a “perseverança dos santos”, enquanto o Arminianismo defende a “salvação condicional”. A “perseverança dos santos” se refere ao conceito de que a pessoa que é eleita por Deus irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviará Dele. A “salvação condicional” é a visão de que um crente em Cristo pode, por seu livre arbítrio, se desviar de Cristo e, assim, perder a salvação.

Sendo nós Jovens Pentecostais, portanto, nos alinhamos à doutrina da salvação conforme os cinco pontos dos remostrantes arminianos, conforme se observa abaixo, segundo a sã doutrina bíblica:

  1. Depravação total, todavia, apesar de a humanidade estar contaminada pelo pecado, o homem, após o chamado de Deus para a salvação, tem a responsabilidade (livre escolha) de colocar sua fé em Deus, escolhendo por crer em Cristo Jesus (Mc. 16:16). A graça preveniente, portanto, é dada mediante a fé voluntária para a salvação (Ef. 2:8), sendo diferente daquela fé que é fruto do Espírito, que é aliada ao conceito de confiança e fidelidade à Deus perante os homens, revelando a justiça de Deus em nós que nos foi ensinada pelo Espírito Santo após a salvação (Gl. 5:22).
  2. Eleição condicional, pois são eleitos aqueles que são participantes da noiva do cordeiro: a Igreja! A eleição segundo o beneplácito da vontade de Deus é plural (Ef. 1:5), trata-se da escolha da noiva do cordeiro, corpo coletivo da Igreja, e não cada indivíduo singularmente considerado. Portanto, compor o Corpo de Cristo é condição para ingressar no navio (chamado Igreja) que está predestinado ao seu desiderato final (destino – Céu com Cristo). E Deus, por sua presciência, sabe quem é que ingressará neste navio ou não, mas ainda assim o ingresso é grátis (graça) e ilimitado.
  3. Expiação ilimitada, é vontade de Deus que ninguém se perca (2 Pe. 3:9), mas todos sejam salvos (1 Tm. 2:4). Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho. Devemos pregar o evangelho a toda a criatura, quem crer será salvo, quem não crer será condenado (Mc. 16:15-16). A salvação está disponível a todos que crerem, sem limites! Assim, Cristo morreu por todas as pessoas (Rm 5:18), mas delas é a escolha de compor o Corpo da Igreja que vai morar no Céu, ou não (Rm. 12:5). A Igreja já foi dada por Deus a Cristo Jesus, mas ainda há tempo de que todos os homens escolham compô-la (Mt. 16:18).
  4. Graça resistível, decorre da depravação parcial, pois Deus mediante a graça oportuniza a salvação a todos os homens, porém se o homem não tiver fé em Cristo Jesus, por sua própria escolha, estará livremente resistindo à graça da salvação oportunizada por Deus. Esta resistência fica bem demonstrada quando Estêvão denunciou que os homens que lhe ouviam estavam a resistir ao Espírito Santo (1 Ts. 5:19), sabendo-se que é o Espírito Santo que convence o homem do pecado e do juízo (João 16:8), o homem tem a capacidade de resistir ao chamado de Deus à salvação.
  5. Salvação condicional, conforme visto nos demais pontos, é necessário que aquele que deseja ser e estar salvo em Cristo Jesus seja cumpridor de sua vontade e participante de seu Corpo (Igreja de Cristo – Rm. 12:5). Foi dado à Igreja o poder de ligar e desligar (Mt. 16:19), ou seja, aquela pessoa que demonstrar sua inaptidão para cumprir os mandamentos do Senhor de modo a ferir o corpo, pode ser desligada do Corpo, perdendo sua salvação, até que pelo arrependimento e disciplina possa ser religada. A condição para ser salvo é estar se santificando, senão não poderá ver a Deus (Hb. 12:14). E é papel da Igreja vigiar para ter em seu corpo pessoas aptas à salvação (1 Co. 5:12,13).

Visto isso, se nota que nossa corrente soteriológica não é antibíblica, não é herege, muito menos ilógica. A Bíblia relata que a responsabilidade do homem é apenas dele, não atribuível ao Senhor, que dá todas as oportunidades e condições para que o homem seja liberto e seja salvo pelo Poder do Evangelho de Jesus Cristo.

Se você entrou neste nosso blog e ainda não aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador, mas sentiu o chamado do Espírito Santo para entregar a Ele a sua vida, faça isto neste momento repetindo estas palavras:

"Senhor Jesus, eu acredito que o Senhor é Deus, nasceu de uma virgem, concebido pelo Espírito Santo, e veio ao mundo para me trazer esperança da vida eterna e para salvar-me deste mundo pecaminoso. Acredito que o Senhor morreu na cruz em sacrifício em meu lugar para me reconciliar com Deus. Acredito que ao terceiro dia o Senhor ressuscitou e hoje vive e reina para todo o sempre à destra de Deus. Por isso, eu entrego a minha vida nesta hora em tuas mãos, para fazer parte da sua Igreja que vai morar nos céus, me ajuda a ser Santo, para que eu possa ver a Deus, é o que te peço e te agradeço. Amém"  

Agora, procure uma Igreja Local, próxima de sua casa, se apresente diante da Igreja e confesse ao Senhor Jesus entregando-lhe sua vida. Busque o batismo nas águas e o batismo com o Espírito Santo para ser revestido de Poder para evangelizar outras pessoas, e em breve nos veremos na Glória com o Senhor Jesus. Deus abençoe.