As qualidades familiares do obreiro aprovado

O segundo altar do obreiro aprovado, após o seu altar individual com Deus, é o altar familiar. Se as qualidades familiares do obreiro não estiverem presentes, seu ministério estará reprovado, não importa o quanto aparente estar espiritualmente saudável.

A importância da família na vida do obreiro

A vida do cristão, principalmente do obreiro, é edificada sobre 3 (três) altares:

O primeiro é o altar individual com Deus. Nosso primeiro compromisso, como obreiros da casa do Senhor, é mantermos o hábito de comunhão e intimidade com Deus.

Uma vida espiritual saudável de relacionamento e confiança em Deus coloca em segundo plano tudo o que pode gerar frustrações e sentimentos destrutivos (como o ciúme, a desconfiança, o sentimento de posse, dentre outras coisas que podem destruir um casamento e uma vida em família).

Fundado no altar individual vem o altar da família que é a união entre um homem, uma mulher e seus filhos, célula mínima e necessária da humanidade. Sem essa estrutura, qualquer tipo de sociedade não permanece de pé.

É na família que é evidenciada a verdadeira capacidade de relacionamento de uma pessoa com outro indivíduo (marido e esposa) que teve outro tipo de criação, que possui outra personalidade e temperamento. E também é na família onde é revelada a capacidade de convívio, de tolerância, e principalmente a capacidade de ensinar e formar novas pessoas em desenvolvimento: os filhos.

O terceiro altar é aquele que reúne famílias dentro de uma família maior, a família de Deus: a igreja do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Ef 2:19), é nela que aprendemos a reparar e a manter em pé os dois primeiros altares (individual e familiar).

Podemos perceber, portanto, que o altar familiar é aquele que intermedeia o altar individual e o altar coletivo (que é a igreja). Uma família saudável, portanto, é uma demonstração ao mundo de um verdadeiro relacionamento íntimo com o Senhor e de comunhão com a noiva do Cordeiro.

Não é possível, portanto, estar bem em um ou dois dos altares e estar com algum dos demais com problemas. Todos eles devem crescer em conjunto e, assim, as qualidades do obreiro aprovado ficarão evidenciadas no seu procedimento com Deus, com sua família e com a Igreja.

Diante disso, o apóstolo Paulo deixa bem claro que são exigidas do obreiro algumas posturas no tocante à sua relação com a sua família e que estas qualidades devem ser transparentes, notórias, para que a igreja veja claramente que o que o obreiro é em casa, também é na igreja.

As qualidades familiares específicas na vida do obreiro

O apóstolo Paulo, no capítulo 3 da primeira carta ao jovem pastor Timóteo, texto que estamos estudando, chama atenção aos obreiros da casa de Deus para que mantenham o altar familiar como exemplo diante da igreja, a fim de que nosso ministério não seja reprovado.

Devemos verificar que referidas qualidades são exigidas não só de pastores, presbíteros ou evangelistas, mas de todos aqueles que são experimentados na cooperação da obra de Deus, aspirantes, diáconos e cooperadores (vs. 8-13).

Marido de uma mulher

Muitos leem essa primeira qualidade de maneira errada, como se o apóstolo estivesse colocando uma “obrigação” ao obreiro: “seja marido de uma mulher”. E não é isto o que o apóstolo estava querendo dizer.

Em primeiro lugar, não existem evidências em ambas as epístolas a Timóteo e a Tito de que eles fossem casados. E a interpretação deste ponto deve andar aliada com o que o apóstolo entendia e vivia acerca do casamento, e antes mesmo disso: acerca da virgindade e do desposo.

Apenas após sabermos o que o apóstolo entendia acerca do casamento e de como devemos servir na obra de Deus como solteiros ou casados, podemos voltar ao texto para interpretar de maneira correta o que ele quis dizer ao estabelecer a qualidade: “marido de uma mulher”.

O apóstolo, na primeira carta aos irmãos da igreja de Corinto, no capítulo 7 diz que “bom seria que o homem não tocasse em mulher”. Uma abordagem claramente radical, mas se entendermos os propósitos da epístola aos Coríntios entenderemos que o objetivo do apóstolo era tornar aqueles irmãos mais espirituais e menos carnais.

A cidade de Corinto era absurdamente promíscua, era um centro de orgias e de prostituição no mundo antigo. Era lá que ficava o grande templo de Afrodite (a deusa grega do amor), e lá foi levantada uma doutrina demoníaca (gnosticismo) de que Deus não se preocuparia com o corpo, mas apenas com a alma do homem, suprimindo a gravidade dos pecados carnais.

Portanto, o apóstolo faz esta construção radical para levá-los a entender o verdadeiro significado de uma vida espiritualmente saudável, a ponto de compreenderem que a bainha da nossa alma, ou seja, nosso corpo é templo do Espírito conforme foi escrito nos dois versículos anteriores ao capítulo 7 (1 Co 6:19-20).

Assim, no versículo 2, o apóstolo deixa claro: se é para o homem manter um relacionamento íntimo com uma mulher, para que seja poupado do pecado da fornicação e prostituição: “cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”.

O conselho do apóstolo para homens e mulheres solteiros que são crentes, é que, se possível, mantivessem comunhão apenas com o Senhor, e quem não pudesse aguentar, se casasse. Mas também deixou a advertência de que o vínculo conjugal traz consigo suas responsabilidades. (1 Co 7:32-34)

Portanto, o que queria dizer o apóstolo, quanto à qualidade de ser “marido de uma mulher”? Apenas um é o significado, diante da teologia familiar do apóstolo: o obreiro da casa de Deus não pode ser mulherengo! Isto é, não pode ser bígamo, trígamo, polígamo.

Não é, portanto, proibido que haja um obreiro solteiro, caso ele se revele uma pessoa fiel a Deus, pura, que resiste ao pecado e não dá motivo para dúvidas em seu caráter, visto que não é movido por desejos carnais e mundanos.

Contudo, é recomendado que seja casado, e com uma só mulher, para prevenir das tentações da carne, e que seja fiel conjugalmente a esta única mulher. Assim, será aprovado como um obreiro que não é descontrolado, libertino e irresponsável, a fim de que não cause escândalos à igreja do Senhor.

Que governe bem a sua própria casa

A autoridade do obreiro deve ser demonstrada primeiramente em sua própria casa. Conforme vimos, a regularidade do altar familiar vem antes do altar da igreja. Assim, se não convivemos bem com nossa família na carne, como teremos um relacionamento verdadeiro com a família espiritual?

O obreiro, portanto, deve demonstrar que sua casa está bem organizada. Não se trata aqui de demonstrar luxo, o tamanho da casa, a qualidade dos móveis. Não!

O bom governo é a demonstração de que, ainda que passando por momentos de dificuldades, o homem e a mulher sabem administrar bem sua casa nos momentos de crises, não deixando a casa vir a sucumbir.

O lar é o campo de provas do caráter cristão, assim como deve ser exemplo à igreja que é chamada de “casa de Deus” (v. 15). Assim, a casa do cristão é a sua primeira responsabilidade, notadamente quando se trata de um obreiro. Somente após se mostrar apto a governar sua casa é que deve ser considerado capaz de governar a casa de Deus.

Governar significa: “ser o cabeça, conduzir, administrar, gerir”, quando se vê um obreiro com muitos problemas familiares, que não consegue controlar sua própria casa, seja financeiramente (aqui não se falando em questão de quantidade, mas de qualidade básica), seja como exemplo de ordem, um sinal amarelo deve ser aceso sobre a igreja, a fim de que não seja a ele confiadas responsabilidades maiores.

Tendo os filhos em sujeição, com toda modéstia

Primeiramente, aqui também não é uma ordem, não significa que um pastor ou obreiro necessariamente precisa ter filhos (é muito bom que tenha, mas não é uma obrigação), mas se os tiver, deverá demonstrar, com habilidade, a capacidade de educá-los com respeito às coisas de Deus.

A verdade deste ponto é que o padrão de comportamento do obreiro deve ser respeitado primeiro pela sua própria família. Principalmente entre os filhos. O que não significa que os filhos devem ser crentes. Muito menos significa que os filhos do obreiro devem ser obreirinhos, pastorzinhos, obviamente que não (seria muito bom que fossem, mas nem sempre é assim).

O que o apóstolo quer dizer é que os filhos devem respeitar o líder da família. Mesmo que eles ainda não tenham alcançado uma experiência espiritual com Deus ímpar como a salvação, é claramente necessário que demonstrem respeito às experiências de seus pais com Deus e com a igreja.

Como se saber como o filho não crente está sujeito ao seu pai? Observando se ele respeita a igreja e o ofício de seus pais.

Um obreiro que tenha seus filhos sob sujeição não sofrerá o risco de que eles escandalizem a igreja, por meio de afrontas, oposições ou outras coisas que se faça duvidar de sua autoridade. Mesmo que o filho não frequente os cultos, ainda que não mantenha uma vida piedosa, não será capaz de desrespeitar o seu pai causando escândalos contra a igreja.

Daí vem o final desta qualidade: “com toda modéstia” ou seja “com todo o respeito”. Eis o critério para observar-se a sujeição do filho ao seu pai. Portanto, se antes de compreender isto, julgávamos que algum pastor não estava no lugar certo por ter um filho descrente, já podemos alterar nosso entendimento, pois não é isso o significado do texto.

Contudo, o exemplo ainda é capaz de atrair os filhos para a presença de Deus. Aos seus filhos, todo o pai deve três coisas: exemplo, exemplo, exemplo. Se um pai der a seus filhos o exemplo certo, será fácil para os filhos se tornarem homens e mulheres de Deus.

Uma grave advertência do apóstolo:

“se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?”

– 1 Tm 3:5

É uma advertência grave e pesada contra aqueles que possuem o segundo altar quebrado ou desorganizado.

O homem e a mulher de Deus que agem bem em seu próprio lar, também agirá corretamente na igreja, honrando a Cristo Jesus.

O problema é aquele ou aquela que não sabe (ou é completamente negligente em) governar a sua própria casa. Este terá dificuldade de ter sucesso em prestar um serviço louvável na família espiritual da igreja. (Ef 5:23, 6:9).

O pai de família que sabe cultivar as virtudes do lar, também saberá fazê-lo na igreja. A igreja, conforme os ensinos do apóstolo Paulo, também é um lar, um lar onde se congregam os irmãos, a família de Deus.

Portanto, aquele que é um fracasso em administrar seu próprio lar, em manter seus filhos sob autoridade, dificilmente poderá ser colocado como autoridade na igreja de Deus, que é uma responsabilidade mais elevada e exige maior moralidade.

As qualidades morais do obreiro aprovado

Para entendermos as qualidades morais do obreiro devemos relacionar a administração dos próprios comportamentos com a maneira que se espera que o obreiro se comporte.

O que Paulo estava querendo provocar com exigência de qualidades morais?

O apóstolo Paulo, após de colocar como base do caráter do obreiro aprovado a maneira irrepreensível de viver, começa a construir os pilares do caráter do obreiro, começando com qualidades de cunho moral.

O que é moral? Moral é o termo latino para a palavra grega “ética”. Nada mais é do que a soma das intenções, decisões e ações próprias ou impróprias do homem. Sabendo como o homem reage a instintos e determinadas situações, os homens avaliaram o que era bom e o que era ruim nesses comportamentos, concluindo como o homem deve agir.

Em primeiro momento, já conseguimos observar que a Palavra de Deus não é um mero livro sobre religião. Não é um livro sobre histórias irrelevantes de personagens do oriente médio. É O Livro que nos alerta as atitudes do homem em relação ao bem e o mal. Atitudes que nos aproximam ou que nos afastam do Deus verdadeiro.

Por isso a Bíblia não faz qualquer esforço para esconder os pecados dos homens. Muito pelo contrário, de Gênesis a Apocalipse, Deus faz questão de explicitar fortemente os pecados dos homens que os afastam de um comportamento digno da amizade de Deus.

Assim, a Bíblia é O Livro da suprema ética, que tem o poder de nos colocar no caminho de perfeição de comportamento através de Jesus Cristo (Ef 4:13).

O apóstolo Paulo, portanto, ao tratar de qualidades morais está dizendo: “vós que trabalhais na obra de Deus, sejam em tudo perfeitos em comportamento, conforme o que se espera, para que não sejais reprovados”.

Nisso, ele elege alguns comportamentos exemplificativos que expressam uma moral ilibada do homem que serve no ministério, visto que a lista de comportamentos esperados do obreiro, composta pelo apóstolo dos gentios, não pretende ser exaustiva, mas prever uma pessoa de caráter cristão amadurecido. (Ef 4:14-15)

Devemos nos ater que, nos versículos o apóstolo em alguns pontos mistura as qualidades morais com as necessidades íntimas do obreiro, que não serão abordadas neste ensino, mas no subtema que será ministrado na próxima semana: “as qualidades familiares do obreiro aprovado”.

Vigilante

Traduzido aqui como “vigilante”, significa aquele que é capacitado a visualizar os próprios atos. Auto-avaliar os próprios comportamentos. Tomando, portanto, cuidado para não incorrer em erro que lhe leve à repreensão.

A habilidade de examinar-se a si mesmo é um ponto alto no caráter do crente fiel, conforme os ensinos do apóstolo Paulo (1 Co 11:28). Não é uma habilidade mística ou um dom espiritual, como podem alguns até pensar; mas uma habilidade que provém da disciplina pessoal.

No original grego a palavra empregada para esta qualidade é “nephalios”, que também significa “temperante”. Veja que o fruto do Espírito tem em si a temperança, não como um dom, mas como um auxílio divino para que possamos evitar o fracasso espiritual em nosso cotidiano.

O emprego desta palavra, no tempo verbal no presente do indicativo, indica uma capacidade atual, que também tem em si a natureza de um obreiro “ajuizado”, não levado pelas suas emoções, isto é, não perde a razão ao agir, não é impulsivo, dificilmente entrará no domínio animal da carne levada pelas emoções como a raiva, o ódio e o escândalo.

Sóbrio

É um termo traduzido do grego “sophron”, que significa prudente. A imprudência é diferente da negligência, enquanto esta é uma omissão, aquela é uma ação sem se importar com as consequências.

Aquele que não se importa com as consequências de seus atos é um imprudente, portanto, falta-lhe sobriedade, age, na verdade, como um louco. Prever o que pode acontecer com os atos que pratica é uma atitude madura que evita inúmeros problemas para o obreiro e para vida da igreja.

O interessante é que este termo só aparece nas cartas pastorais, indicando o caráter singular que deveriam possuir todos aqueles que são separados para servir ao ministério.

Honesto

No original “kosmos”, significa comportar-se com dignidade. Pessoa bem comportada, serena, palavra usada apenas na epístola de I Timóteo (2:9).

A raiz da palavra advém de “ordem”, portanto, o obreiro é aquele que ama a ordem.

Para os judeus helenistas (que adotaram a cultura grega), o “kosmos” era a “beleza organizada” da criação de Deus. Portanto, demonstra-se uma boa elegância na posição do obreiro, segundo o apóstolo Paulo, visto que aquele que traz ordem é visto como um divisor de águas entre as pessoas em geral.

Assim, segundo a ideia geral desta qualidade moral, o obreiro deve ser ordeiro, conduta que lhe faz ser dono de uma boa reputação e de uma exemplar conduta.

Hospitaleiro

A ideia desta qualidade é a aproximação das pessoas, tanto de dentro como de fora da igreja com amor e amizade fraternal. O obreiro não pode repudiar as pessoas, quem quer que seja, sem dar-lhes a oportunidade de compor seu rol de irmãos em Cristo. (I Pe 4:9)

Conforme o ensino de Champlin:

“Havia necessidade de hospitalidade, na igreja cristã primitiva, portanto naquele tempo eram raríssimas as hospedarias, as quais, com grande frequência, eram apenas antros de ladrões e meretrizes. Os crentes, porém, que são membros da família divina, deveriam ter interesse por seus irmãos na fé, provendo-lhes conforto e o necessário para a vida diária. E os oficiais da igreja, por serem os representantes da igreja, com frequência tinham de abrigar visitantes, evangelistas em viagem, vindos de outros lugares, além de simples irmãos na fé, o que significa que deveriam mostrar-se dispostos a cumprir essa obrigação, com verdadeiro interesse e amor cristãos”

Não dado ao vinho

O termos grego aqui é “paroinos”, também utilizado em Tito 1:7, designa que o apóstolo não era contrário ao uso moderado do vinho. Porém, é recomendável a total abstinência do álcool, para aqueles que são salvos no Senhor Jesus.

Isso porque, a abstinência de tais substâncias alcoólicas evitará escândalos, críticas, tentações e suspeitas, especialmente em relação ao caráter do obreiro. O obreiro não pode ser e nem pode se arriscar a ser “viciado no vinho” (ou em qualquer bebida alcoólica).

O evangelho, na verdade, vem para salvar o perdido, aquele que não andava sóbrio espiritual e fisicamente, muitos que antes eram alcoólatras, quando estavam no mundo.

Portanto, os obreiros do Senhor não podem retornar a viver como o velho homem.

Não espancador

A tradução direta esbanja o significado que se resume a um homem “não violento”. A raiz desta palavra grega significa ferir, bater, com golpe direto com o punho ou com uma arma na mão.

Ofensas verbais também devem ser incluídas no conceito aqui empregado. Porém, a direção desta qualidade é para que não haja o emprego da violência física na igreja.

Lembremos que quando o nosso Senhor foi ferido, não revidou; quando foi vilipendiado, não vilipendiou; quando foi ofendido, não ofendeu. Andemos pois assim como Ele andou.

Não cobiçoso de torpe ganância

O obreiro não pode ter uma conduta que demonstre que faz as coisas por interesses, que só anda por aparências e luxos.

Quando um homem se deixa vencer pela cobiça pelo dinheiro, tão somente atrai opróbrio e vergonha contra si mesmo.

Nenhum obreiro deve ser este tipo de homem.

Não contencioso

O obreiro aprovado é “inimigo de contendas”, é chamado por Deus para ser um pacificador.

A casa de Deus não pode ser governada por homens briguentos, que vivem ansiosos por participar de contendas, levando sobre si o pretexto de “defender a fé” ou de “lutar por uma causa justa”, causam na verdade vergonha ao evangelho de Cristo.

Por causa de condutas de homens assim há divisões nas igrejas, perturbam-se as denominações, e o clima da igreja local mais parece ser um campo de batalha.

Em vez de contribuir para que as congregações sejam um local tranquilo e agradável, onde se aprenda a buscar a Deus e viver em paz.

Não avarento

A pior fase da miséria de um homem não é a extrema pobreza, pois estes que dela fazem parte acabam se tornando fragilizados e vítimas do seu estado.

Contudo, o avarento é vítima de sua extrema paixão ao dinheiro, sendo incapaz de ajudar ou colocar valor humano e espiritual ao que possui.

O obreiro aprovado não é amante do dinheiro. Um bom obreiro não deve esperar enriquecer às custas da igreja. Não pode ser este o objetivo de um verdadeiro homem de Deus.

Um obreiro, especialmente um pastor, deve ser generoso com suas possessões, dando sempre de si mesmo e de seus bens, procurando fazer avançar o seu trabalho. Seu dinheiro deve ser investido em seu trabalho.

Não deve pensar em amealhar, pensando em uma aposentadoria para dentro de poucos anos, o que gera extrema cobiça. O projeto de aposentadoria deve ser paulatino, ou seja, de pouco a pouco e também não pode visar um enriquecimento às custas de um estado precário na igreja.

O obreiro irrepreensível

A primeira advertência de Paulo a Timóteo, acerca das qualidades do obreiro de valor, é que possua uma conduta irrepreensível, para calar a boca de Satanás e de seus asseclas.

“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível…” 1 Tm 3.2

Vimos no ensino anterior que o obreiro aprovado, para iniciar um ministério verdadeiro e fiel deve estar fundamentado em alguns princípios, como: a sujeição à autoridade constituída por Deus na igreja; expressar atitudes de discípulo; dar exemplo perante a igreja; manter o espírito voluntário; e se dedicar com humildade à obra de Deus.

Passando deste estágio, o obreiro deverá expressar qualidades específicas na sua conduta, dentre elas um comportamento irrepreensível perante Deus e a igreja do Senhor, a quem deve prestar contas do seu trabalho, assim como o nosso Senhor nada nos escondeu (Jo 18.20).

I- O que é ser irrepreensível?

Em primeiro lugar é necessário que se diga que não é sempre errado ser chamado atenção. Na verdade, é sendo chamados a atenção e corrigidos que somos formados e preparados para o ministério, ou seja, faz parte do processo.

Não se está aqui querendo afirmar que apenas pelo fato de sermos obreiros da casa de Deus nós não teremos erros em nossa caminhada.

A irrepreensibilidade surge após um tempo de formação e de aprendizado, quando pressupõe-se que o obreiro já é maduro e conhecedor das regras e dos comportamentos dele esperados.

Na verdade, a irrepreensibilidade é uma atitude voltada ao esforço por fazer o melhor que podemos para não errarmos, visto que já aprendemos e conhecemos o que devemos fazer para sermos bons servos no ministério.

Ser irrepreensível, em primeiro momento é um ato de vontade, devemos querer sermos irrepreensíveis, esforçando-nos para não darmos motivos de sermos repreendidos.

Se formos sensíveis à voz de Deus e cheios do Espírito, o próprio desenvolvimento em nós do fruto do Espírito nos ajuda a mantermos esta conduta (Gl 5.22), conhecendo nossas fraquezas, nosso temperamento, dando lugar à bondade, à paz, à benignidade, à paciência, assim vamos tapando as brechas para ações que sejam repreensíveis.

Algumas atitudes nos ajudam a manter uma conduta irrepreensível.

1- Ser proativo

É uma palavra muito utilizada no meio corporativo secular, mas tem tudo a ver com a conduta irrepreensível que devemos adotar sendo verdadeiros obreiros da cada de Deus.

Proatividade, segundo o dicionário “é o comportamento de antecipação e de reponsabilização pelas próprias escolhas e ações frente às mais diversas situações”.

Assim, nós não temos que esperar sermos chamados atenção, ou sermos repreendidos para tomarmos à atitude correta.

Quando o apóstolo Paulo afirma que um verdadeiro obreiro deve manter uma conduta irrepreensível, na verdade o que ele está pressupondo é que o obreiro sabe muito bem o que deve fazer, como deve ser a sua conduta na igreja, como deve se comportar perante o pastor, perante os demais obreiros e liderança do ministério.

Assim, o próprio obreiro, que já foi verdadeiramente formado e preparado para o ministério, deve desenvolver uma atitude de preservar os seus comportamentos e atitudes, prevendo as consequências antes que elas cheguem.

Um exemplo disso são os discípulos em João 6.5-9, Jesus Ele olha para multidão e diz: “onde compraremos pão, para estes comerem?” – parecia algo impossível, o obreiro que não tem qualquer ação ignoraria esta pergunta ou logo lhe daria uma resposta sem fé como fez Filipe.

Porém ali estava André, irmão de Pedro, olhou e viu um moço com cinco pães e dois peixes, poderia não ser o suficiente, mas pelo menos foi o início de uma atitude que manifestou o milagre diante de todos.

Não poderia André ter ignorado o menino? Poderia ter também ignorado as palavras de Jesus, visto que o objetivo era provar a proatividade dos discípulos (vs. 6).

O verdadeiro discípulo não dá desculpas, antes resolve o que deve ser resolvido. Avalia seus próprios atos e se endireita, antes que chegue a repreensão.

2- Aceitar as regras do Reino de Deus e andar nessas boas obras

Desde o Antigo Testamento, o Senhor demonstrou ao povo de Israel que é um Deus de organização, um Deus que estabelece regras e zela para que sejam cumpridas. (Jr 11.11-16)

No Novo Testamento não é diferente, o Senhor mantém o fundamento na Lei e nos Profetas, e nossa repreensão é mais dura do que a dos escribas e fariseus (Mt 5.20). O Senhor ainda afirma que se não passará nenhum “i” ou um só “til”, sem que tudo se cumpra (Mt 5.17,18).

Isso significa que as balizas que nos guia no ministério são fortes, pois visam o nosso aperfeiçoamento de caráter e nisso está a necessidade de andarmos em crescimento espiritual, como maduros na fé e não como meninos. (1 Co 13.11; Ef 2:10).

3- Não dar motivo à censura

Censura significa desaprovação, opinião de um censor que visa a proteção de interesses de uma organização. A palavra diz em 2 Coríntios 6:3 “Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado”.

Quem pode ser um censor? A resposta é clara: tanto os de fora como os de dentro (1 Tm 3:7; 1 Co 5:12-13).

O mau obreiro é censurado até pelo Diabo. Parece algo dramático, mas veja o que está escrito em Atos 19:13-16, alguns homens judeus, considerando-se preparados para expulsar demônios, falavam no nome de Jesus e citavam Paulo em suas ordens, ao que o espírito maligno lhe respondeu:

“Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois? E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa”

Atos 19:15-16

Um obreiro despreparado é uma vergonha, um escândalo para o evangelho.

II- Jesus – nosso maior exemplo de irrepreensibilidade

O nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é o nosso maior exemplo de conduta irrepreensível, vários foram os momentos em que os homens religiosos e com poderes políticos em seu tempo quiseram lhe apanhar em algum erro e nada conseguiram.

1- Os fariseus procuravam acusações contra Ele e não achavam

Quando curava no sábado os fariseus armavam acusações contra o Mestre Amado, mas não conseguiam combater seu fundamento nas Escrituras. (Mc 3.1-2; Lc 6.7)

Quando Jesus ensinava, os fariseus e escribas tentavam colocá-lo em contradição, para encontrar algo em que pudessem repreendê-lo pelo erro, mas nada achavam. (Lc 11:53-54; Jo 8:6)

Faziam conluios, tramavam planos para pegá-lo em algum motivo pra prendê-lo e levá-lo ao templo para ser julgado e condenado, mas nada conseguiram antes do tempo (Lc 20:20).

2- Montaram um teatro de acusações falsas contra Ele e não prosperaram

Procurando falso testemunho contra Jesus, não encontravam nada que fosse suficiente para repreender suas atitudes e ensinamentos, e ainda achando testemunhas falsas essas não prevaleceram no juízo informal que fizeram contra Jesus.

Ao final e ao cabo, o próprio sumo sacerdote instigou o Senhor Jesus a fazer acusação contra si mesmo, conjurando-o em nome de Deus que dissesse se era o filho de Deus, pelo que o Mestre Amado disse que veriam descendo do céu para reinar e julgar os iníquos.

Dali, o Sumo Sacerdote achou tinha obtido uma repreensão suficiente, e a acusação que o levou à morte foi: “Ele diz que é o filho de Deus”, porém, a acusação foi injusta, pois nEle estava a verdade e foi justificado no Espírito, tendo ressuscitado dentre os mortos (Mt 26:59-68; 1 Tm 3:16).

Manteve-se, no Espírito, irrepreensível.

3- Pilatos olhou para Ele no Tribunal e não viu nenhum motivo de repreensão nele

Pilatos disse: “não encontro motivo” (Lc 23:4), foram as palavras do governador, quando o trouxeram a julgamento perante o Tribunal romano.

A mulher de Pilatos disse no Tribunal, “não entre na causa deste justo” (Mt 27:19), incitando seu marido a não fazer o que aqueles homens gananciosos e invejosos o pediam, que não condenassem O Justo dos Justos.

Será que assim como Jesus, damos bom testemunho aos de dentro e aos de fora? Será que temos hoje alguém para se levantar por nós, para nos defender dos acusadores? Ou estamos em dívida com nossos próprios atos como obreiros do Senhor?

III- Obreiros repreensíveis e suas consequências

Ninguém está isento de sofrer repreensões, não importa qual cargo ou posição possua no ministério.

Porém, a diferença entre um obreiro que se aperfeiçoa e outro que é rejeitado é que o que se aperfeiçoa recebeu a repreensão e corrigiu seu comportamento, enquanto o que é rejeitado permaneceu em suas condutas erradas.

Vejamos alguns exemplos bíblicos desta realidade.

1- Pedro

Foi o discípulo que mais deu trabalho para Jesus, por apresentar comportamentos intempestivos, impulsivos, mal pensados e inconsequentes.

Sofreu duras repreensões do Mestre Amado (Mt 16.21-23; Mt 14.30-32; Mt 15:15-21), porém todas as repreensões tornaram em seu espírito como um aperfeiçoamento de seu caráter para uma missão especial que estava sendo preparada para seu ministério.

Até mesmo quando negou seu amigo, negou ao Mestre Amado, dizendo que era um desconhecido no momento em que mais precisava. Pedro se abateu, se angustiou, mas foi reconciliado, pois tinha em si as correções e o amor a Jesus Cristo, tendo a oportunidade de dizer pessoalmente ao Mestre: “Senhor, tu sabes que te amo”. (Jo 21:15)

O apóstolo Pedro aprendeu com seus erros e, no momento de maturidade espiritual, nos ensinou a moldar nosso temperamento como obreiros às práticas cristãs que o Senhor Jesus e sua amada Noiva esperam de nós como servos de Deus (1 Pe 5.1-4).

2- Judas

Se manifestava conforme lhe convinha, com uma falsa piedade. Não vemos um momento sequer Jesus chamando a sua atenção ou dando-lhe repreensão. Até mesmo no ato de traição, quando chegou próximo ao Mestre Amado no Getsêmani, foi chamado de “amigo” (Mt 26:50).

A repreensão de Judas foi no seu próprio espírito, lhe causando um abatimento espiritual tal, que, vazio de Deus, não soube como corrigir o que tinha feito (Mt 27:3-5). Não se deu oportunidade de aperfeiçoamento. Não estava preparado para resistir às aflições espirituais.

A proximidade com Jesus não significou nada. Passou três anos ao lado do Senhor e não usou de verdade e sinceridade para aprender e aperfeiçoar o seu caráter e nisso, foi terreno fértil para as artimanhas de destruição de Satanás.

Seu caráter pecaminoso apenas estava reservado, pela falta de aperfeiçoamento. Conhecia o caminho, mas deliberadamente se negou a andar por ele, sendo ao final, repreendido no próprio espírito e desistiu da vida. (Mt 27:5)

3- Diótrofes

É um personagem pouco conhecido, que foi repreendido na pequena carta de apenas um capítulo, escrita pelo apóstolo João.

Este homem impedia que os apóstolos adentrassem na igreja e aqueles que eram enviados pelo apóstolo também eram colocado para fora, pois queria o poder político da igreja, não adorava ao Senhor Jesus nem se submetia à doutrina dos apóstolos, servia ao poder terreno.

Um obreiro que deu lugar à sede pelo poder, esqueceu da sujeição aos seus pastores e ao ministério e foi símbolo de rebelião, um grande mal exemplo em sua geração. (3 Jo 9-11).

Conclusão

Seja um obreiro irrepreensível. Se errou, se falhou, saiu do caminho, se justifique antes, peça perdão e se corrija antecipadamente.

Jamais espere ser repreendido.

Princípios bíblicos do obreiro aprovado

Todo obreiro, seja homem ou mulher, deve manter uma conduta compatível ao que é exigido do serviço eclesiástico, para isso alguns princípios bíblicos devem ser observados antes de aprofundar-nos nas qualidades específicas do obreiro.

Assista ao ensino no YouTube:

Princípios do Serviço Cristão

“Jesus chamando-os a si, disse-lhes: Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre eles; Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.”

Marcos 10:42-45

O Senhor nosso Deus é Deus de ordem e decência.

O Senhor Jesus ao chamar homens e mulheres para exercer papéis dignos no ministério ensinou a andarmos em obediência e respeito à organização da sua Igreja.

Em primeiro momento é necessário termos em mente que a Igreja é do Senhor Jesus Cristo, e é sobre Ele que todos aqueles que militam no exercício do serviço cristão estão edificados e devem prestar reverência e sujeição.

Ao exercermos qualquer função que seja na Igreja, primeiramente estamos em obediência e respeito ao Senhor Jesus. Se não estivermos baseados em princípios básicos ensinados pelo nosso Mestre Amado estaremos prestando um serviço a qualquer outro ser deste mundo, menos ao Senhor Jesus.

O Senhor exige um serviço bem prestado, com respeito, reverência e compromisso com a Noiva do Cordeiro, caso isso não seja levado a sério, o Senhor Jesus não levará a sério o homem e a mulher que prestam um serviço ocioso, descompromissado e feito de qualquer maneira. (Mt 7:22,23)

Todos estamos caminhando sobre as obras que o Senhor Jesus deixou para que andássemos nelas (Ef. 2:10), e o nosso Mestre foi o exemplo de que se não apresentarmos características básicas no exercício do ministério cristão como Ele ensinou em forma de servo, estaremos envergonhando o ministério e provocando a ira de Deus.

Isso é tão sério que a própria Palavra nos revela homens e mulheres que foram rejeitados pelo Senhor pelo mau serviço prestado para as coisas santas, o que falar do Sacerdote Eli e de seus filhos Hofni e Fineas (1 Sm 4); do Rei Saul (1 Sm 16); de Roboão (2 Cro 10); do profeta novo (1 Reis 13); do profeta Hananias que proferizava mentiras (Jeremias 28); de Judas que deu lugar ao diabo (Lc 6:16); de Ananias e Safira (At 5:1-5); e de todos os fariseus e saduceus que em vão trabalhavam no templo nos tempos de Jesus e no tempo dos apóstolos; dentre outros que tiveram seu trabalho rejeitado.

Devemos fugir de sermos ociosos, relaxados, obtusos, nas coisas santas. Como observado pelo Apóstolo Tiago, aqueles que prestam serviços à casa de Deus sofrerão maior juízo, pois deverão prestar contas de seus atos.

Por isso devemos reconhecer a importância da autoavaliação da nossa conduta como servos e obreiros da obra de Deus.

1- Sujeição à autoridade constituída por Cristo Jesus

Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.”

Hebreus 13:17

Jesus Cristo era homem (1 Tm 2.5). O que diríamos nós hoje, se nos deparássemos com Jesus como os discípulos naquele tempo se depararam. Reconheceríamos nesta presente geração que Ele era Deus? Chamaríamos de Filho de Deus? O que você e eu faríamos? O seguiria ou o condenaria à morte de cruz?

Esse era um dos maiores dilemas apresentados pelo comportamento dos céticos judeus fariseus e saduceus, eles simplesmente não acreditavam em um messias humano que não os apresentasse qualquer aparência divina, digna de ser respeitada (Is 53.1-3), o profeta Isaías vaticinou que os judeus não fariam dele caso algum.

Ainda hoje esse espírito de insurreição espiritual macula a alma de muitos “pseudocrentes”, que afirmam se “submeter unicamente a Deus e não a homens”, essa é uma das sementes (ovos) da serpente do Éden (Satanás), pois aquele que viria sairia da semente da mulher, portanto seria homem.

Jesus nos disse que antes que desprezassem os discípulos e apóstolos já haviam desprezado o Filho de Deus (1 Sm 8.7; Jo 15.18). Ao negar a capacitação espiritual de alguém que foi ordenado pela imposição de mãos do ministério (1 Tm 4.14) é necessário observar-se que o que se está negando na verdade é o senhorio de Jesus Cristo homem sobre a Igreja, pois foi Ele mesmo que deu os dons ministeriais (Ef. 4.11) para o aperfeiçoamento da obra de Deus na terra.

Tudo que Ele quer do obreiro é que sirvam bem a obra do Senhor com:

1- OBEDIÊNCIA: a obediência é um subprincípio da sujeição do obreiro cristão. Se não houver a obediência não há de nenhum modo uma válida prestação de serviços diante do Pai. É o que ensina o apóstolo João em sua epístola (1 Jo 2.4), aquele que não obedece ao que foi instituído pelo Senhor Jesus não coloca o evangelho em prática, é um obreiro falastrão (Tg 1.22).

Obedecer é submeter-se à vontade de outra pessoa, é estar sob o comendo de alguém. O único critério a que estamos vinculados é que a ordem a ser obedecida deve ser bíblica, não deve constituir em atos desprovidos da finalidade espiritual da Igreja.

A título de exemplo, a todo o crente, principalmente aos obreiros, foi instituído o dever de congregar (Hb 10.24-25), é uma ordem bíblica a que todos estamos sujeitos. Se sem justificativa plausível deixarmos a congregação e os cultos quando queremos, se congregarmos do jeito que quisermos, estamos quebrando uma ordem bíblica e nos colocando debaixo da maldição da desobediência.

A obediência deve ser fiscalizada não apenas pelo pastor, mas por todos os obreiros, pois percebemos quando a vida de algum irmão não prospera por causa da desobediência. Assim devermos advertirmos uns aos outros a andar no caminho da obediência a fim de que não venhamos ver nossos irmãos pagando o preço de desviar-se da finalidade do serviço cristão.

2- SUJEIÇÃO: significa dependência, submissão, característica daquele que não se rebela, daquele que aceita passivamente o senhorio de outrem. Aquele que se sujeita, portanto, não tem vontade própria, mas está sujeito à vontade daquele a quem foi sujeito a atender as determinações.

Lembremos que o Senhor Jesus foi o maior exemplo de sujeição (Lc 22.42). Lembremos igualmente o fim daqueles que sem motivo, por razões de incredulidade e falta de fé se rebelaram contra Moisés no Deserto (Nm 16), Corá, Datã e Abirão, se recusaram se sujeitar ao líder constituído por Deus e se embrenharam em seus próprios entendimentos, em suas próprias conclusões e opiniões rebeldes, e atraíram sobre si a ira de Deus (Nm 16.28-33).

Deus não tem misericórdia de falsos obreiros autoexaltados, se não houver arrependimento a visitação do Senhor é certa. E não se iluda com o “tempo da graça”, pois esse é o tempo de maior ira para aqueles que recusam se sujeitar às ordenanças do Filho (At 5.1-5).

2- Ser discípulo

Ser discípulo também é um princípio. Ninguém pode servir ao Senhor sem primeiro ser um discípulo. Para ser discípulo devemos evidenciar comportamentos notáveis pelos quais somos sujeitos a ser julgados (Jo 13.35).

O amor cristão, principalmente pelos irmãos que estão todos os dias congregando conosco é uma demonstração do nosso verdadeiro discipulado. Por isso não há como ser obreiro sem a demonstração prática da vida de discípulo.

Muitas coisas nos impedem de ser discípulo (Pv 6.16-19):

1- A inveja: também chamado de olhos altivos, aliada íntima da soberba, achar que deve ser melhor que os outros, que merece mais do que os outros. Jesus disse que o discípulo para ser o maior deve ser o menor, não há posição inferior para o verdadeiro discípulo, pois para o discípulo que aprendeu certo todos somos iguais aos olhos do Senhor Jesus.

2- A mentira: essa é também um dos ovos da serpente que nos últimos tempos está eclodindo até mesmo no meio da Igreja. Lembremos que foi esta a razão do juízo sobre Ananias e Safira. A mentira é o contrário do que foi apresentado pela pessoa do Senhor Jesus que é a verdade personificada. Sendo impossível alguém que vive na mentira ser um verdadeiro discípulo.

3- A ira: também chamada de “mãos que derramam sangue inocente”, é a inspiração à violência, à rebelião à insurreição contra a ordem e a descência. O espírito maligno da ira quando entra no coração de um homem ou de uma mulher lhe tira qualquer capacidade de obediência ou de sujeição e o coloca em um modo de defesa, podendo proferir ameaças e palavras de ódio.

4- O coração envenenado: chamado de “coração que maquina pensamentos perversos”, sempre maquinando e colocando perversidades no coração de outras pessoas para fazer o mal, muitas das vezes até mesmo dentro da Igreja.

5- A maldade: é a essência daquilo que despreza o bom andamento das coisas de Deus. Quem nutre o espírito da maldade faz de tudo para prejudicar os outros e evitar o bom andamento das coisas que agradam a Deus.

6- A fofoca: também chamada de “falso testemunho”, se trata de repetir informações sobre fatos e pessoas não tendo visto, ouvido ou sequer compreendido a situação. A situação é tão maligna que despreza a defesa da pessoa a quem o assunto interessa, podendo destruir a reputação do irmão, sem qualquer compaixão.

7- A contenda: é o que o Senhor Deus mais abomina, aquele que se alegra com o espírito de confusão na Igreja, gosta de ver “o circo pegar fogo”, é desprovido do desejo de ver uma Igreja pacífica, amorosa, santa e bem cuidade e dirigida pelos homens e mulheres de Deus.

Ao contrário destes comportamentos, o verdadeiro discípulo mantém uma conduta e uma postura santa, seguindo a orientação bíblica se guardando de todos esses sentimentos e pensamentos rejeitados pelo Senhor nosso Deus, dando o exemplo.

3- Dar o exemplo

O que é dar o exemplo? É ser imagem e semelhança de Cristo Jesus. É buscar ser santo como Ele é.

O apóstolo Paulo resume a santidade com o termo “exemplo dos fiéis” (1 Tm.

Todo o obreiro que é ovelha mantém em si as características de um obreiro exemplar, sabe cuidar do modo como se relaciona com o seu pastor, com seus companheiros e com a Igreja em geral.

Devemos ser exemplo dos fiéis:

1- Na palavra: o verdadeiro obreiro fiel sabe manejar bem a palavra, entende que tudo o que é resolvido na vida e na igreja deve estar pautado nas verdades bíblicas e nunca deve estribar-se em seu próprio entendimento (Pv 3.5).

2- Na trato: o obreiro ovelha sabe tratar bem as pessoas, sabe escolher bem a forma de tratar os assuntos com seu pastor, com seus companheiros e companheiras de ministério, com seus filhos, sua família e todas as pessoas. Maltratar os outros é uma palavra completamente incompatível com um verdadeiro obreiro, dentro desta palavra inclui-se: retrucar, responder, revidar, bater boca, discutir, contender – são comportamentos que não existem na vida de um verdadeiro obreiro.

3- No amor: é a expressão maior do serviço cristão. Se for falar, coloque o amor na frente, se for escrever, coloque o amor na frente. Se o que você estiver sentindo não for amor, não fale, não escreva, não trate, pois o amor é o crivo da virtude cristã (1 Co 13:13).

4- No espírito: espírito com letra minúscula refere-se ao espírito humano. Conservando um espírito limpo, não contaminado com espíritos imundos, como os antes vistos: espíritos da maldade, da inveja, da contenda, da perversão. Aqui é um espírito conservado em santidade com Deus.

5- Na fé: aqui é a fé é demonstrada como referência de confiança, de esperança, de modo que contagie os demais obreiros a que continuem trabalhando e servindo ao Senhor com alegria. A falta de fé destrói o clima de uma igreja, por isso os obreiros devem manter o compromisso de manter a fé acesa em toda e qualquer circunstância.

6- Na pureza: a pureza envolve tando o corpo como os pensamentos. O verdadeiro obreiro é livre de pensamentos impuros e comportamentos inconvenientes. Sabe tratar os assuntos como convém sem se contaminar com desejos ou pensamentos infames.

Tudo isso deve ser feito voluntariamente.

4- Espírito voluntário

Mais um dos princípios de um verdadeiro obreiro é manter o espírito voluntário. Servir na casa de Deus para o verdadeiro obreiro é um grande privilégio. O verdadeiro obreiro ovelha entende que se não fosse Jesus Ele nunca teria o privilégio de entender o tamanho da honra que existe em lavar os pés dos seus irmãos.

Davi, antes de subir ao trono ele foi: desprezado pelos seus irmãos, perseguido pelo homem mais poderoso da nação, e após subir o trono se tornou um dos homens mais poderoso da antiguidade. Porém guardou a capacidade de entender de onde veio, de onde foi tirado, que foi a benignidade e bondade do Senhor que o colocou naquela posição.

Ao orar, o Rei Davi só pode pedir uma coisa, e não foi “aumenta minha renda”. Só serei rei se eu tiver meus cofres reais cheios, se eu puder comprar uma casa, um carro, mantém minhas contas em dia. Negativo!

Lembremos que Davi perdeu um grande tempo de seu reinado fugindo no ermo, no deserto, escapando por sua vida.

Tudo o que conseguia pedir ao Senhor era: “mantenha-me com um espírito voluntário” (Is 51.12). Se alguém autovaloriza o seu trabalho feito para o Senhor, é o mais miserável entre os homens. Muitos hoje em dia não querem ser obreiros voluntários e isso retira a capacidade de ser um obreiro de valor.

O Senhor abençoa, guarda e dá prosperidade (alegria, uma família abençoada, dignidade), a obreiros voluntários. É impossível que alguém que se dedica voluntariamente às coisas de Deus não ser recompensado com uma vida feliz na presença do Senhor.

Nunca deixe as ambições do mundo, que ensina que para servir devemos sempre ter algo em troca, nos retire a capacidade de sermos obreiros de verdade.

Lembremos que o preço já foi pago e nós somos incapazes de retribuir. Não é o mais sobre o que Ele faz por nós, mas o que nós podemos fazer por Ele por gratidão pela nossa salvação.

Ainda assim, para o verdadeiro obreiro que milita bem a carreira da fé Ele promete uma recompensa: a coroa da justiça (2 Tm 4.8).

5- Dedicação humilde

1 Pedro 5:1-11 é um conselho aos obreiros, ao fechar com chave de ouro a sua primeira carta dirigida aos irmãos jovens, adultos e anciãos, e a todos que servem ao Senhor a consevar a humildade.

“Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória. Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havemos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça. A ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém.”

1 Pedro 5:1-11

A Dispensação do Milênio e O Juízo Final

A dispensação do milênio, também chamada de dispensação do Reino de Jesus Cristo sobre a terra será um tempo de prosperidade, paz, união entre os homens, em que mortais e imortais (Igreja transformada), reinarão com o Senhor Jesus, mostrando ao mundo o que é a justiça, o amor, a harmonia e os propósitos de Deus para a humanidade desde o princípio.

Início, duração e término da dispensação

“Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.”

Apocalipse 10:7

Esta dispensação terá, de acordo com as Escrituras Sagradas, a duração de 1.000 anos (Ef. 9,10; Ap 10.7; 11.15; 20.1-60).

É também chamada de dispensação de plenitude (completude) dos tempos, ou consumação dos séculos (literalmente: em que o tempo humano se findará).

É para esta dispensação que se destinam dos os acontecimentos humanos, é para onde convergem todos os tempos, alianças e profecias Bíblicas, que, no decorrer dos séculos, foram profetizadas pelos profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Senhor Jesus.

Como ensinou o Pr. Severino Pedro da Silva, todas as dispensações podem ser chamadas de “Reino de Deus”, porém o milênio será um reinado glorioso e específico.

“O Reino de Deus é universal, incluindo todas as criaturas voluntariamente sujeitas à sua vontade, sejam os anjos, a Igreja, ou os santos do passado, do presente e do futuro, todas as dispensações da história humana podem ser apropriadamente chamadas dispensações do Reino de Deus.”

Propósitos da dispensação do Reino Milenar do Senhor Jesus entre os homens

A dispensação do milênio é também chamada de “a dispensação do governo divino”, visto que durante este tempo Deus estabelecerá seu governo teocrático na terra.

Por isso, esta última dispensação, que é a “juntura” do presente século e do vindouro, fornece para os estudantes da Bíblia um nítido exemplo de sobreposição das dispensações, ou seja, um “período” de transição entre uma e outra.

No livro chamado “Um Estudo do Milênio” (1982) de Millard J. Erickson, podemos observar que a chegada do milênio não será em um tempo de tranquilidade e paz como pode alguém desavisado imaginar:

“As suas fronteiras não são bem demarcadas. Assim vemos que certos prenúncios do Milênio apresentam-se pelo menos sete anos antes, servindo de introdução a este período”

Isso porque o Reino Milenar do Senhor Jesus sucederá o período da Grande Tribulação, quando, após vencer a trindade satânica (besta – dragão, – a prostituta e o falso profeta), e julgar as nações (Dn 12.11-13; Mt 25.31 e ss), será entronizado na cidade de Jerusalém e dali governará todo o mundo.

Vamos entender os propósitos e razões bíblicas para a necessidade de que Jesus venha consumar os séculos dos homens com um reinado terreno de mil anos (10 séculos).

Jesus disse: “… eis que estou convosco até a consumação dos séculos” (Mt ).

Um Reino Universal e Milenar

Apocalipse 20.4b diz “… e reinarão com Cristo durante mil anos”.

Como dito, o Milênio é a sétima e última dispensação (Is 2.2; Mt 19.28), no capítulo 20 de Apocalipse encontramos por seis vezes a expressão “mil anos”.

Será um futuro governo sobre a terra, exercido pelo “Príncipe da Paz”, na cidade de Jerusalém que será o centro de adoração para todos os povos e a Capital política e religiosa de todo o mundo (Jr 3.17; Zc 14.14-21).

Portanto, não será um governo local ou nacional, mas sim universal.

Um período de restauração para todas as coisas

Todas as coisas destruídas e corrompidas pelo poder das trevas sob o qual está o domínio do mundo serão restauradas. (1 Jo 5.19)

Mas para isso Satanás será preso e desterrado (retirado de qualquer influência sobre a terra), será detido com grande poder pelo arcanjo Miguel e lançado no abismo (Ap 20.1,2).

A interpretação deste fato deve ser feita literalmente, pois o apóstolo Paulo citou uma batalha diária e real que enfrentamos contra as influências do Diabo (Ef 6.12), não será possível um governo pleno de paz e justiça sobre os homens com o inimigo de Deus e dos homens à solta.

Em Apocalipse 20 versículo 4 diz que além da chave e corrente, haverá um “selo” posto sobre Satanás que o impedirá de qualquer movimento ou ação maléfica no Reino de Cristo.

Assim, sem as influências de Satanás (como ocorreu no Éden), as condições espirituais serão restauradas e serão favoráveis aos governados pelo Grande Rei do Universo.

Haverá o cumprimento pleno das profecias de Joel 2.28,29, quando o Espírito Santo será derramado sobre Israel e sobre todas as nações do mundo (Ez 36.25-27; Zc 12.10).

“… Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (Is 11.9b, Zc 8.22,23).

Será um período de prova final e não de descanso para o homem

O homem será provado em sua própria natureza, sem as influências malignas de Satanás. Será provado nas condições favoráveis, sem ter em quem colocar a culpa pelo seu erro. (At 3.21)

É a prova na melhor de suas circunstâncias, de natureza profundamente pessoal (Ez 18), visto que estará imperando a justiça, um mundo transformado, o céu aberto aos homens, Cristo na terra, e todas as nações cheias da plenitude de Deus, e ainda a lembrança dos graves juízos passados e a certeza do juízo final futuro.

Mudanças na terra durante o Reino de Cristo

A maldição do pecado será tirada: “… maldita é a terra” (Gênesis 3.17).

Durante esta dispensação será removida a maldição do pecado causada pela queda (Is 55.13). Toda a estrutura da terra, a natureza, os animais, serão profundamente modificados em razão do retorno de Cristo com glória e poder para governar.

Os grandes rios e mares impossíveis de afogar

Isaías profetizou que os rios e os mananciais surgirão até nos “cumes das montanhas” (Is 35.7; 41.8), o que revela abundância de vida e paz na natureza, até mesmo a profundidade será removida para que não haja mortes por afogamento (Is 11.15; Ap 16.12), um rio de grandes proporções atingirá uma profundidade de “5 centímetros”, haverão “espelhos d’água”, em uma extensão de 500 metros de largura (cf. Ez 47.3).

Haverá o surgimento de um grande “Rio milenar” (Ez 47.1-12; Zc 14.8). O leito deste rio será criado no momento em que Jesus tocar com seus pés sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4 e ss). E este rio nascerá debaixo da casa do Senhor (o Palácio do Governo Milenar), do lado direito do Santuário (Ez 47.1; Zc 14.8).

A paz entre os homens e os animais

Com o mal causado pelo pecado o reino animal sofreu alterações. O homem na dispensação da inocência podia conviver com todos os animais, sendo não só obedecido por eles, mas com eles se relacionava socialmente (não há outra explicação honesta para o contato aparentemente natural da mulher com a serpente), lembremos que não havia “linguagem” para comunicação social, que só passaria a existir, após o fato de Babel, na dispensação das relações humanas (do governo humano).

Após o pecado houve uma inversão no comportamento animal, os homens e os animais tornaram-se presa e predador entre si (Gn 9.13; Jz 14.5; Ez 14.21). Assim, o Reino Milenar levará os animais à sua condição primeira (Is 11.6 e ss).

Os homens nascerão, servirão ao Senhor e morrerão de extensa velhice

Haverão duas classes de pessoas: as mortais (que venceram a Grande Tribulação e aceitaram ao Senhor – como o povo de Israel) e as imortais (os ressuscitados e glorificados – a Igreja arrebatada), que reinará junto com o Senhor Jesus.

Os que morreram na Grande Tribulação e aqueles que sobreviveram à tribulação não participarão do reino, mas serão governados pelo Senhor Jesus e os salvos glorificados que governarão com Ele.

Porém os anos morrerão fartos de dias, assim como no princípio, alguns, a exemplo de Adão e Matusalém, chegarão próximo a um milênio de idade. Serão os dias do homem “… como os dias da árvore” (Is 65.22).

A adolescência irá até os 100 anos (Is 65.20), apenas o pecador será amaldiçoado e morrerá mais cedo (Is 65.20).

Lembre-mos que, apenas não haverá mais morte no novo céu e na nova terra (Ap 21).

Como está escrito:

“Assim diz o Senhor Jeová: Ainda por isso me pedirá a casa de Israel, que lho faça: multiplicar-lhe-ei os homens, como a um rebanho. Como rebanho santificado, como o rebanho de Jerusalém nas suas solenidades, assim as cidades desertas se encherão de famílias; e saberão que eu sou o Senhor”

Ez 36.37,38

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda nas praças de Jerusalém habitarão velhos e velhas, levando cada um na mão o seu bordão, por causa da sua muita idade. E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão”

Zc 8.4,5

A saúde dos homens será também modificada, como afirma o profeta Isaías “Morador nenhum dirá: Enfermo estou” (Is 33.24a).

Defeitos físicos serão corrigidos. “… Os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos ser abrirão. Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará…” (Is 35.5,6; Zc 13.1).

Igualmente as doenças psicossomáticas e perturbações mentais serão extintas (Is 65.23).

O Juízo Final

Chegará o tempo da consumação dos séculos. Após os 1.000 anos o Senhor Jesus devolverá o Reino ao Pai, para a segunda ressurreição, onde todos os homens e mulheres se apresentarão diante do grande trono branco para serem julgados. (Ap 20.11)

É um “trono isolado” do céu e da terra. Não aparecerão nem anjos ou quaisquer seres celestiais. Todos os olhos estarão fitos no trono e no julgamento.

O trono branco revela a pureza e a santidade do Senhor e o critério pelo qual serão julgados os homens: Justiça! Castigo! Purificação! Retribuição! É o Juízo Final!

A Palavra diz que “justiça e juízo são a base do seu trono” (Sl 97.2b)

Duas classes de seres ali estarão presentes e serão julgados perante aquele grande trono:

“… Os grandes” (os anjos caídos) – (2 Pd 2.4; Jd v 6).

“… Os pequenos” (os homens sem Deus) – (Sl 8.5; Hb 9.27).

O julgamento será individual, conforme o versículo 13 de Apocalipse 20: “… e foram julgados ‘cada um’ segundo as suas obras”.

Notadamente, aqueles que a Bíblica afirma que comparecerão diante do Trono de Deus e que os “nomes se encontram no livro da vida”, não fazem parte da Igreja, mas sim aqueles que precisam ser julgados para compor o Reino Eterno, ou seja, aqueles que morreram na Grande Tribulação e aceitaram ao Senhor Jesus e aqueles que morreram durante o Reino Milenar e foram fiéis ao Rei Jesus, e quando Satanás se rebelou pela última vez não o acompanharam.

Ainda, serão julgados ali aqueles que ouviram a pregação de Jonas e a Rainha de Sabá (Lc 11:30-32), visto que se converteram sem terem remetido seus pecados à cruz pela aspersão de sangue, farão parte do julgamento da segunda ressurreição, dentre os que rejeitaram ao Senhor, para os condenar (envergonhar).

Após o julgamento, só terão permissão para entrar na Jerusalém Celeste aquele que tiver com nome inscrito no livro da vida do Cordeiro (Ap 20.15), que é o livro que dá admissão ao mundo eterno.

Este livro contém a compaixão do Senhor, pois nEle exclusivamente está escrito o nome de ex-pecadores. Está aberto a todos, porém ainda muitos desprezam.

Será que temos nossos nomes escritos lá?

Se ainda há dúvidas, venha o mais depressa possível, pois “Ainda há lugar!” (Mt 11.28; Ap 22.17). Pois o Juízo de Deus vem, quando aquele que não for achado escrito no livro da vida, será lançado no Lago de Fogo (Ap 20.15).

Encerro nosso estudo sobre o dispensacionalismo com as saudosas palavras do grande ensinador Pr. Severino Pedro da Silva:

“O Reino dos Céus se tornará o Reino de Deus quando Cristo entregar o Reino a Deus, o Pai (1 Co 15.24,25). Por isso convém que Ele reine! Assim no toque da sétima trombeta, o Reino dos Céus, representado pelo Milênio, entrará na terra com poder e grande glória e depois do Juízo Final converter-se-á no Reino Eterno de Deus para todo o sempre”

Dispensação da Graça – A Grande Tribulação

O juízo que encerra a presente dispensação será composto de um período de sete anos de dor e aflição para o mundo que rejeitou a graça da salvação no Filho de Deus. A Igreja não sofrerá as dores da Grande Tribulação, pois será arrebatada. E para os que ficarem terá salvação?

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

Um período de dor

É o título atribuído a este período pelo saudoso Pr. Severino Pedro da Silva em seu livro “Escatologia – Doutrina das Últimas Coisas” lançado pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) há mais de trinta anos (em 1988).

Realmente a Palavra de Deus nos ensina que este período será um período de aflições que o mundo nunca viu. Antes deste período, conforme vimos na segunda parte sobre a dispensação da graça, a própria dispensação é envolta em ocorrências dramáticas, chamada de “princípio das dores”, que indica um aumento na angústia do mundo até a chegada deste período de grande aflição.

Jesus disse:

“Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”

Marcos 13.19

Porém, antes de falarmos sobre a Grande Tribulação, devemos entender um ponto importante: a Igreja não estará aqui, a Igreja será arrebatada pelo Senhor, pois o Espírito Santo será tirado deste mundo para que se manifeste o homem do pecado (o Anticristo).

O Arrebatamento da Igreja – o anúncio ao mundo do juízo da dispensação da graça

É viva esperança de que Cristo Jesus voltará para buscar a sua Igreja. Os sinais prometidos por Jesus que se agravariam enquanto fosse chegando o tempo do fim, conforme já vimos, o chamado “princípio das dores” (Mateus 24), estão se cumprindo dia após dia no mundo.

Por isso nós aguardamos o arrebatamento da Igreja, o maior acontecimento em toda a história das profecias bíblicas e da humanidade.

Arrebatamento, do grego “harpazo” e do latim “rapto”, significa retirada brusca, sobrenatural e inesperada da Igreja deste mundo, para se encontrar com Jesus nos ares.

O vocábulo “rapto” mostra claramente a rapidez e a precisão com que Cristo arrebatará a Igreja ao toque da última trombeta (1 Ts. 4:17).

O Espírito Santo entregará a Igreja a Cristo Jesus. Temos que entender que o Espírito Santo é o agente da salvação (Jo 16:8). Portanto, quando o Espírito desceu em Atos 2, veio consolidar a obra do Senhor pela sua morada e habitação com aqueles que aceitaram ao Senhor Jesus como Rei e Senhor (1 Co 3.16).

O Espírito Santo é que ressuscitará os mortos em Cristo Jesus e elevará a Igreja no arrebatamento (Romanos 8:11).

 Iremos falar mais sobre o arrebatamento quando trabalharmos a escatologia, o que nos interessa aqui no momento é sabermos que o Senhor não deixará seu povo passar pela Grande Tribulação, pois é um tempo de maldição, de ira de Deus e a Igreja estará guardada em amor (Ap 3.10).

Devemos saber que será arrebatado aquele que vencer os males da presente dispensação em Jesus Cristo: os santos (I Ts. 3:12-13, Tt. 2:12-13); os fiéis (Hb. 10:25; I Co. 11:23; I Jo. 2:28); os salvos vivos (Hb. 9:28; I Ts. 1:10); os pacientes (Tg. 5:8); os vigilantes (Lc. 21:26); os mortos em Cristo (I Co. 15:22-23 e 52).

Após este anúncio ao mundo de que os santos e fiéis do Senhor foram retirados do mundo, será manifestado o homem do pecado, não mais detido pelo Espírito, pois terá subido com a Igreja (I Ts 2:6,7).

O que acontecerá depois do arrebatamento

Logo após o arrebatamento da Igreja se desencadeará um período sombrio de sofrimento sobre a humanidade que os escritores tanto do Antigo Testamento como do Novo Testamento, denominam de “Grande Tribulação” (não confundir com Juízo Final).

A palavra “tribulação” ocorre por dezenas de vezes, em ambos os Testamentos, porém é no Novo Testamento que encontra-se maior luz projetada sobre o problema do sofrimento e da tristeza do homem.

O termo grego para esta palavra é “thilipsis”, que em outras partes do texto bíblico é traduzido como “aflição”, “angústia”, etc. No Antigo testamento este período final da dispensação foi chamado por profecia de “Angústia de Jacó” (Jr 30:7).

Os acontecimentos que se sucederão durante este período de angústia sem precedentes na história da humanidade foram revelados ao apóstolo João na Ilha de Patmos, e estão descritos nos capítulos 6 a 19 do livro do Apocalipse.

Duração

A duração deste período de dor extrema ao mundo será de “sete anos”, e é calculado pelo estudo da passagem de Daniel 9.24-27 e de outras passagens similares.

As principais circunstâncias da Grande Tribulação são:

  • O reinado cruel do Anticristo – “a Besta que subiu do mar” (Ap 13.1 e seguintes).
  • A atividade de Satanás, tendo grande ira, e agindo numa escala se extrema destruição (Ap 12.12 e seguintes).
  • A grande atividade dos demônios emergidos do “poço do abismo” (Ap 9.1 e seguintes).

Tudo isso ocorrerá de forma abrupta, quando houver um falso sentimento de estabilidade e paz, de segurança financeira e comercial no mundo, quando disserem:

“Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão”

1 Ts 5.3b

Este tempo virá como um fogo abrasador. Será um dia (entenda-se: tempo) de angústia e de aflição sem igual, será o dia da “… vingança do nosso Deus” ao mundo que rejeitou e desprezou a salvação em seu Filho Amado (Lucas 21:22).

Será um juízo de ira

“E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo servo, e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas. E diziam aos montes e aos rochedos: Cai sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro. Porque é vindo o grande dia da sua ira…

Ap 6:15-17b

Esses termos se repetem em muitos pontos da Palavra de Deus e por isso é chamada a atenção de João Batista para que não esqueçamos que este dia é certo e os ímpios não poderão fugir dele (Mt 3.7).

A ira divida foi retratada em outros pontos da Bíblia como “ira natural”. Como uma raiva descarregada em casa, na intimidade como repreensão entre pai e filho (Ex. 4.14).

Contudo, a ira da Grande Tribulação é (e vai) muito além de uma simples repreensão e desgosto, como é exercida no momento da graça antes do arrebatamento, e o Pr. Severino Pedro da Silva destacou três motivos para isso:

  • Primeiro: a ira antes do arrebatamento, chamada ira natural, vista no contexto paterno, Deus se ira, castiga, mas não destrói, pois o objetivo é a conversão a mudança de comportamento.
  • Segundo: a ira manifesta visando estritamente uma punição é direcionada contra as nações (Is 10:25; 13.3; Jr 50:13; Ez 30:15; Mq 5.14). Visto que abandonaram as verdades de Deus e se tornaram ímpios (homens sem Deus). Esta ira não cai sem advertência prévia, há sempre um aviso (Jr 7.20). Esta ira vem em forma de julgamento sobre nações, enviando guerras, fome, pestilência (Ez. 6.11 e seguintes). Porém esta ira dura só “um momento” (cf. Sl 30.6; Is 26:20; 54:7).
  • Terceiro: o verdadeiro estado de ira, como o mundo nunca viu, é a declarada no Novo Testamento como “Ira Futura” (1 Ts 1.10), esta somente o ímpio a sofrerá. É chamada de “cólera de Deus” (Ap 14.19) e “taças da ira de Deus” (Ap 15.7; 16.1).

Desta última, o Apóstolo Paulo tranquiliza a Igreja: “Jesus… nos livra da ira futura” (1 Ts 1.1.).

Se não houver preparação em Jesus, real, para a eternidade, ninguém poderá escapar desta profecia “… indignação e ira aos que são contenciosos, e desobedientes à verdade…” (Rm 2.8).

A Igreja não passará pela grande tribulação

Esta verdade está estabelecida em Apocalipse 3.10 como vimos acima. Porém é necessário destacarmos que neste versículo, se Deus quisesse dizer o contrário, estaria escrito “…eu te guardarei na hora da tentação” e não como está escrito “… eu te guardarei da hora da tentação”, portanto não estaremos aqui.

Como houve livramento para aqueles que andavam com Deus nas demais dispensações, aqui neste juízo da dispensação da graça também haverá livramento como foi dado a Noé na Arca do dilúvio, a Ló quando foi-lhe permitido sair de Sodoma, e ainda ao livramento do povo de Israel no Êxodo das aflições do Egito.

Um último ponto a ser abordado que deixa muitos com dúvida: mas já será o fim da graça? Ou a Grande Tribulação será no tempo da graça?

Como fora dito desde o início desse grande estudo sobre as dispensações, o juízo termina uma dispensação, portanto, ele ocorre no período de transição de uma dispensação para outra, não sendo a graça a última dispensação.

Portanto:

Haverá salvação durante a Grande Tribulação

Nas palavras do Pr. Severino Pedro da Silva, a resposta é:

“… Claro, portanto, que haverá santos de Deus durante o período crítico desse sofrimento, porém, não serão “membros do Corpo de Cristo” (a Igreja da Graça), pois este é constituído por aquele grupo que pertenceu [à Igreja durante] a Dispensação da Graça. Serão crentes individuais [convertidos na tribulação], como nos tempos do Antigo Testamento e, mediante dois dispositivos (o sangue e a fé), serão capazes de testemunhar acerca de Cristo e de sua Redenção. Participarão do reino e gozarão das bênçãos do Senhor, de maneira maravilhosa, mas não serão incluídos no Corpo de Cristo, o qual ocupa um lugar bem distinto através de toda a eternidade”

(pp. 71)

Essa conclusão tão assertiva é feita a partir da análise do texto de Apocalipse capítulo 7 versículo 9 e seguintes que demonstra uma vasta multidão que diz ter “vindo da Grande Tribulação”, de todas as nações e tribos e povos e línguas.

Não sendo nem Israel e nem a Igreja, que tem seu papel bem distinto biblicamente nestes períodos finais.

Se trata de uma população que sofreu a tirania do Anticristo na Grande Tribulação e que agora no céu clama por “salvação a Deus e ao Cordeiro” (Ap 6.9-11).

Ao abordar este fato continua ensinando o Pr. Severino:

“[…] durante o tempo da Dispensação da Graça (antes do arrebatamento da Igreja), a salvação era analisada a posteriori [para o futuro]…. o pecador arrependido partia de uma premissa menor (o arrependimento) para uma premissa maior (o aperfeiçoamento) chegado até sua glorificação. Porém, segundo se depreende, com o arrebatamento da Igreja, essa fórmula inverte seu padrão”

(pp. 72)

Assim, segundo Scofield: “[…] mesmo fora da Dispensação da Graça, pode haver salvação, mas sempre baseada na morte expiatória de Cristo. A Justiça de Deus se exerceu sobre o Cordeiro, e só através da cruz pode o homem, em qualquer circunstâncias alcançar o perdão”.

Porém como diz a Palavra, aqueles que forem salvos no período da Grande Tribulação serão excluídos da próxima dispensação: O Reinado Glorioso com Cristo no Milênio:

“Bem-aventurados e santos os que tomam parte da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder algum sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com Ele pelo período de mil anos. A destruição total de Satanás”

Apocalipse 20.6

Por que, como cristãos, somos provocados todos os dias?

Como cristãos somos tentados todos os dias a reagir à forma de pensar deste mundo, que busca nos fazer irar, nos vingar e provocar um comportamento que não condiz com o evangelho; o que devemos fazer nessa situação?

Esta pergunta me levou à primeira carta do apóstolo Pedro, mais especificamente ao capítulo 2, no versículo 11 e 12 o apóstolo escreveu:

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma; Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.”

1 Pedro 2:11-12

A primeira atenção que o apóstolo Pedro nos chama é de que somos peregrinos, ou seja, estamos de passagem por aqui. O reino deste mundo ainda não é o Reino que habitaremos eternamente, portanto, não devemos nos prender às filosofias e os comportamentos com que vivem aqueles que já estão sob o domínio do mundo.

O primeiro aviso do apóstolo é:

Não caia na tentação da carne

Que tentação é esta? É a vontade de reagir e de responder às provocações que o mundo nos faz todos os dias. Muitas das vezes tocando em nossos princípios mais absolutos, como a família, como os filhos e a própria relação que temos com o nosso Deus.

Porém quando caímos nesta tentação de reagir pela carne a essas investidas malignas, nossa alma pode ser atingida por consequências dramáticas como a angústia, a tristeza e o desespero.

Vamos lembrar que o apóstolo Pedro, antes de se converter realmente à vontade do Senhor Jesus, era um homem facilmente provocado pelas tentações de Satanás. Jesus uma vez lhe disse que Satanás conhecia suas fraquezas, assim cirandava ao redor de Pedro como ao trigo, para destruí-lo.

Pedro chegou a atacar violentamente um servidor do templo chamado Malco, que fora designado para prender Jesus. E Pedro foi avisado pelo mestre que todas as reações que temos na carne causam consequências contrárias contra nós, nas mesmas proporções.

Portanto, em meio às provocações, devemos nos manter em um nível espiritual elevado. Acima das tentações, para não cairmos nelas, pois combatem contra a nossa alma, para gerar tristeza, desespero, insegurança e fraqueza espiritual.

A maior forma de respondermos a isto, conforme escreve o apóstolo é

Andarmos honestamente conforme as obras de Jesus Cristo

Quer respondamos ou não às provocações do mundo, sempre como cristãos seremos afligidos por mentiras, por investidas contra nossos princípios e valores.

Assim, o foco é mantermos a atenção aos nossos comportamentos (andar honestamente) e não se importar com as atitudes que o mundo pratica para nos provocar, pois nós somos referência ao mundo, somos luz em meio às trevas, e não o contrário.

O resultado dos comportamentos pecaminosos do mundo não veremos se cumprir totalmente aqui. Por isso devemos combater contra o mal em nossas vidas em primeiro lugar, sem desviar a atenção, pois o que está guardado para o nosso bem, como diz o apóstolo, será revelado:

No dia da visitação

Não podemos esperar que o mundo concorde conosco, pois como disse Jesus, o mundo nos odeia.

No dia da visitação do Senhor seremos recompensados e junto com Ele reinaremos e todo o olho verá que em meio às investidas e tentações malignas para nos desviar deste foco que é o Reino Eterno, suportamos e vencemos.

Por isso não é lícito andarmos soberbamente contendendo contra o mundo, como se pudéssemos impedir as tentações e provocações que o inimigo que o governa intenta contra nós. O foco é cansar aqueles que foram salvos e fazê-los se perder pelo caminho.

Contudo, quem mantém o foco no Senhor, mesmo em meio a estas provocações e tentações, chegará até o fim e herdará a glória.

Leia-mos o que o apóstolo conclui no final deste capítulo, nos versículos 20 ao 25:

“Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas.”

1 Pedro 2:20-25

Conclusão: somos provocados para pecarmos irrogando injúrias e ameaças

Dias com Deus, Rafael J. Dias, R. J. Dias

Que possamos permanecer sempre na vontade de Deus. Não se importando com as tentações e vãs provocações do mundo contra nós, pois o mundo já perdeu e nós já vencemos se estivermos sempre firmes com o Senhor Jesus.

Conforme o parecer final do apóstolo quem quando tentado pelas forças malignas deste mundo reage com palavras de injúrias e ameaças comete pecado, não compartilhando das boas obras que Jesus Cristo praticou, pois em tudo isso venceu apenas prosseguindo em fazer a vontade de Deus.

Dispensação da graça – parte 3

O recebimento do evangelho da graça pelos pecadores e a consumação da graça na morte e ressurreição de Jesus Cristo, a promessa recebida e a viva esperança na segunda vinda, na dispensação da graça.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

A graça traz consigo a operação do sobrenatural

Quando Jesus entra na sinagoga em Nazaré, cheio do Espírito, em Lucas capítulo 4, ao abrir o Livro do profeta Isaías (61.1), o Senhor deixou claro que havia chegado a hora do Reino de Deus agir entre os homens com poder sobrenatural.

Pelo que disse: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.” Lucas 4:18-21.

Ao anunciar para o que veio, nosso Senhor passou então a operar milagres no meio de todo o povo. Ensinando todas as coisas pelas quais havia de resgatar a alma do homem do pecado, ainda suas palavras eram nutridas com a expressão de poder.

Não há como dissociar a operação da salvação (remissão/perdão dos pecados) da obra sobrenatural do Senhor Jesus no tempo da graça.

Nós não recebemos ou vivemos milagres para ser salvos, mas nós vivemos milagres porque somos salvos, cremos no Senhor Jesus e podemos experimentar do que é viver diante dEle no tempo da graça.

Jesus disse que no tempo da graça haveria fome, pestes, guerras, enfermidades, terremotos, dentre muitas outras coisas. Porém, nós que somos salvos e cremos no Senhor vivemos os milagres, da providência, da cura, da ressurreição, do livramento nos dias maus.

Um exemplo disso é a passagem de Lucas 5:17-26, onde o evangelista diz que Jesus ainda estava na Galileia e estava sobre Ele virtude do Senhor para curar. Os fariseus e escribas estavam de olho no que Jesus estava fazendo, quando passaram um homem paralítico pelo telhado, diante de Jesus.

O Senhor apenas olhou para aquele homem e disse: “os teus pecados estão perdoados”. Isso significa que a operação da salvação não é menor do que o poder de operar milagres, muito menos que ela deve vir depois do milagre.

Os escribas e fariseus, então, começam a murmurar contra a atitude do Mestre Amado, quando Jesus percebendo lhes pergunta: “Qual é mais fácil? Dizer: Os teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda?”.

Jesus está dizendo: o que dentre isso é mais privilegiado, a salvação ou o milagre na vida de um homem. Porém, o que é físico e mortal parece mais fácil aos nossos olhos do que o que é espiritual.

Jesus para demonstrar que a graça opera espiritual e fisicamente lhes diz: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), eu te digo: Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa”. E o paralítico foi-se, tomou sua cama e foi para casa glorificando a Deus.

Aquele que possui a fé salvadora em Cristo Jesus no tempo da graça, vive milagres. A multidão pode estar envolta aos juízos do princípio das dores que, sem a vida do Filho de Deus só traz mesmo dores e transtornos, mas quem está em Jesus neste tempo é agraciado pelos maiores milagres.

Assim como no ministério do Senhor Jesus, o evangelho, o Caminho da graça, foi demonstrado com poder e milagres sobre aqueles que iam crendo pela fé que Jesus Cristo era o Filho de Deus, assim nós quando cremos neste tempo somos alcançados pelos milagres.

Leia também: A dispensação da Graça – Parte 1 – Parte 2

A graça traz consigo as boas obras da salvação – mudança de caráter e de vida

Além dos milagres operados na vida daquele que está firme com Jesus no tempo da graça, também a regeneração, a transformação, a mudança de vida resultante da obra salvadora gera as boas obras.

Jesus sempre que operava os milagres na vida daquele que cria em seu Glorioso Nome, enfatizava a necessidade de perseverar na fé, abandonando as atitudes pecaminosas, pois elas fazem com que as mazelas retornem ainda piores.

Nosso Senhor disse ao paralítico do tanque de Betesda, logo quando foi curado e foi adorar no templo: “Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” João 5:14.

A Lei informava aos homens o que era desagradável ao Senhor, dentre os dez mandamentos, por exemplo, condições que fazem o homem entender e se aproximar de Deus.

Contudo, ainda que se cumpram os mandamentos e os profetas, se não houver uma total mudança de caráter e de vida, através da vida do Senhor Jesus, não é possível ao homem achegar-se a Deus.

Jesus é a plaina, que aparelha nossa vida, vai tirando nossas manchas, nossos defeitos, nossas irregularidades. Não conseguimos fazer isso por nós mesmos. É necessário passarmos pelo processo do Senhor Jesus, e em seguida andar nas boas obras de salvação que nos foram preparadas.

O Apóstolo Paulo escreveu em Efésios 2.10: “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:10

Não adianta ler a Bíblia inteira, decorar o texto inteiro, sem andar como Jesus andou, sem repetir e imitar os comportamentos do Senhor Jesus.

Muitos neste tempo da graça tem imitado o mundo, o senso comum, a multidão e tem se esquecido de andar com Jesus.

Não é na exaltação dos discursos humanos que podemos ouvir a Cristo e andar nos caminhos que Ele preparou, mas em oração, na meditação da palavra e na comunhão do Espírito.

Se vivemos como a multidão vive, estamos em sentido oposto a como o Senhor Jesus viveu. Pois logo quando foi anunciado que era um caminho árduo, muitas vezes solitário, muitos deixaram de segui-lo (João 6.66).

A multidão queria segui-lo pela bonança, pela boa vida, pelos milagres, pela comida, pela boa vivência na terra. Ao que Jesus anunciou: “seus pais comeram o maná e morreram”. Ou seja, não é o que temos de bom na terra que nos fará ganhar o céu! Mas sim Jesus, o pão vivo que desceu do céu.

Devemos crer, e imitar o nosso Senhor neste tempo da graça, só assim seremos dignos do céu.

A consumação da graça na cruz do Calvário

Após um ministério de remissão de pecados, curas e transformação de caráter daqueles que criam no Senhor Jesus. Chegou o momento, a hora em que era necessário que a graça fosse consumada.

É necessário sabermos que não haveria graça sem a morte do Filho de Deus.

A salvação pelo sacrifício do Filho de Deus significa a nossa esperança única para todos os males que passamos nesta vida terrena, peregrina e mui breve que temos.

O Senhor Jesus esteve entre nós para nos mostrar que Ele era homem.

Como homem teve todas as nossas emoções humanas, boas e ruins: teve fome (Mt 4.2), teve sede (Jo 19.28), foi rejeitado pelos seus (Jo 4.28-29), foi ameaçado de morte pelos do seu povo (Mt 26.3-4), foi traído pelo seu amigo, foi denunciado ao templo por quem partia o pão consigo (Mt 26.50), teve angústias de morte (Mt 26.38), foi espancado, chicoteado, cuspido, humilhado (Mc 15.16-20), morto sob entrega voluntária de seu espírito (Lc 23.46)…

Portanto, passou por tudo o que há de ruim que podemos passar nesta vida… “Mesmo sendo Deus” (Fp 2.6; Jo 1.1)… E este é o ponto principal da mensagem da graça: Sendo Deus, nos mostrou o caminho da vitória, que é suportar até o fim as aflições e angústias, confiando nEle até quando o Senhor Deus nos permitir.

Na graça encontramos a esperança na vitória que é a herança da vida eterna:

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16:33

A ressurreição como prova da eficácia da graça sobre todos os homens

A ressurreição de Jesus ao terceiro dia é a prova da nossa viva esperança, é o fiel testemunho e esperança do crente diante das adversidades.

Para aquele que realmente creu e entendeu a Mensagem da Cruz, a ressurreição nos mostra no tempo da graça que nós não temos escolha.

Em Jesus está a única chance de termos vida, pois a vida terrena é apenas uma sombra da eternidade, mas a vida eterna é a verdadeira vida que está preparada para nós, por sua promessa (1 Jo 2.25).

O evangelho se tornou real na vida dos discípulos após a ressurreição.

Após a morte todos se dispersaram, alguns foram para suas aldeias (Lc 24:13-35).

Outros voltaram para as suas antigas profissões (Jo 21.3-23).

 Mas quando Jesus ressuscitado se aproximou deles e lhes disse: “ficai em Jerusalém, se encham do poder e cumpram o que anunciem o que vos ensinei” (Lc 24.49; At 1.7-8), a história da humanidade nunca mais foi a mesma.

A promessa que nos acompanha durante a graça

“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.” João 16:7

Para a Igreja estar orientada no Senhor, edificada e consolada no tempo da graça o Senhor Jesus nos prometeu o Espírito Santo.

O Espírito Santo é o sinal da vida da Igreja e a plenitude do crente nos momentos difíceis. Ser cheio do Espírito Santo é estar anestesiado de glória em meio às adversidades deste mundo.

O Espírito Santo nos traz:

Certeza da salvação

“O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” João 14:17

Edificação e consolo

“aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14:26

Anuncia a esperança na Segunda Vinda do Senhor

“E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.” Apocalipse 22:17

Poder para testificar

“recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.” Atos 1:8

Dons espirituais

“há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1 Co 12.4,7)

A lembrança do juízo da dispensação

“quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” João 16:7,8

O Juízo da Grande Tribulação só será possível com a subida do Espírito Santo

“E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado;” 2 Tessalonicenses 2:6,7

Próxima aula: O fim da dispensação da Graça: A Grande Tribulação

Dispensação da graça – parte 2

A preparação da mensagem da dispensação da graça, o anúncio do evangelho e os sinais que acompanham a presente dispensação.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Continuação:

Leia antes: A dispensação da inocência

Leia também: A dispensação da graça – parte 1

O Diabo sabia que viria o Messias e fez de tudo para não deixar crescer a criança

Como vimos na aula anterior, o Salvador do Mundo havia sido anunciado desde Gênesis 3:15, onde Deus prometeu que nasceria da mulher aquele que esmagaria a cabeça da serpente.

Até a vinda de Cristo Jesus, dentre os homens reinava o governo de Satanás em todas as nações.

Com o nascimento de Jesus, o mundo teve nova esperança, como anunciado pelo profeta Isaías (Is 9.6). Mais, ainda, os detalhes de Isaías já anunciavam os três reis magos que viriam do Oriente guiados por uma Luz (estrela), até o local do nascimento do menino (Is 9.2).

“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” Isaías 9:2

Os reis magos representavam os gentios, veja que acreditavam nos astros, nas estrelas, e o poder de Deus os conduziu pela estrela para a verdadeira salvação, para o único digno de perdoar os pecados do mundo.

Ao procurarem o local onde nasceria o menino, os reis magos foram até Herodes, que, possesso por Satanás, mandou matar todas as crianças recém nascidas. Porém, um anjo apareceu em sonho para José, anunciando que estava aos cuidados do filho de Deus.

José levou Maria e o menino para o Egito, assim a ira do inimigo não alcançou a criança.

Por todos os anos e gerações essa ira do mundo contra a obra do Filho de Deus é real, na graça passamos perseguições, tribulações, enfrentamos a morte todos os dias, mas podemos dizer como o Ap. Paulo disse:

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl. 2.20)

O anúncio da chegada da graça – A Voz.

O anúncio da dispensação foi feito por um grande homem, segundo as palavras do próprio Mestre: “entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João” (Lc 7.28).

Um homem que de fato entendeu a mensagem que estava anunciando, e pela dimensão da mensagem soube se colocar em seu devido lugar, dizendo que aquele que estava chegando com a mensagem da graça era tão digno que ele nem ao menos poderia descalçar suas alparcas (Jo 1.27).

Ensinou para as multidões que a recepção do evangelho é reconhecer quem é Jesus: “é necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). E neste reconhecimento e sujeição está a salvação do crente.

Ao perguntar o povo se era um profeta, limitou-se a dizer que era “A VOZ” do que clama no deserto, para anunciar o caminho da graça que estava por chegar, e traria consigo poder para todo aquele que corrigisse seus caminhos em arrependimento para receber a salvação. (Jo. 1.23)

Isaías já tinha profetizado o que era necessário para receber a mensagem da graça, correção de caráter, humildade e sujeição, e que a “a voz do que clama no deserto” prepararia o caminho do arrependimento:

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será exaltado, e todo monte e todo outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda carne juntamente verá que foi a boca do Senhor que disse isso.” (Is 40.3-5)

Enquanto pregava, João viu Jesus vindo para ser batizado no meio da multidão, e disse para quem estava por perto: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), e disse ainda: “esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1.33).

A graça traz consigo as tentações, tribulações e os anúncios dos juízos de Deus.

AS TENTAÇÕES

Após ser batizado por João, o Senhor, para estabelecer a sua vitória sobre o Diabo, foi levado ao deserto a fim de ser tentado.

Jesus antes de ser tentado primeiro jejuou quarenta dias e quarenta noites, a fim de que seu corpo físico ficasse necessitado das necessidades humanas. (Mt 4.2)

O tentador primeiro tentou perverter o propósito de Cristo pelas necessidades humanas. Uma das razões de muitos caírem da graça, é por se render diante das privações, das adversidades financeiras. (Mt 4.3)

Porém, Jesus nos mostrou, que quando essas artimanhas do inimigo vierem contra nós, devemos confiar na provisão de Deus prometida para aqueles que permanecem fiéis à sua palavra. (v. 4; Dt. 8.1 e 6)

O Diabo com seu certo poder maligno, “transportou” o Senhor à Jerusalém e o colocou no pináculo do templo, e o tentou, mando se atirar dali, ainda utilizando-se de versículos da palavra de Deus (v. 6).

Jesus então nos mostra, novamente, que para resistir a essas ciladas de morte do inimigo, devemos estar fazendo a vontade que sai de Deus, e não ouvir nossa própria vontade que pode estar maculada pelas tentações do inimigo. Ensinando-nos que no tempo da graça teríamos sofrimentos e aflições, mas deveríamos confiar totalmente no Senhor e não tentá-lo a nos livrar de nossas dores, mas sim do mal (v. 7; Dt 6.16; Jo 17.15)

Mais uma vez o inimigo o transporta para um monte gigantesco, mostrando ao Senhor todos os reinos do mundo, que seriam lhe dados se prostrado a o adorasse. (v. 8-9)

Muitos temendo as aflições de ser crente, as dificuldades de andar com Deus, buscam ignorar as coisas espirituais e trocá-las por coisas vãs que não podem substituir a salvação, como as riquezas, as bebedices, as prostituições e fornicações, verdadeira luxúria, ilusões que estão a serviço do Diabo.

Jesus mais uma vez nos mostra que no tempo da graça, se somente adorarmos e servirmos ao Senhor nosso Deus, somos libertos de todas essas tentações e seremos dignos da salvação, assim teremos anjos que operarão ao nosso favor (v. 10-11; Hb. 1.14).

Nosso Mestre e Senhor nos apresentou as regras morais do Reino de Deus, ao contrário de todos os ensinos deste presente século, quando estamos na graça prosseguimos para a salvação na contramão do mundo.

COMO FUNCIONA A GRAÇA DE DEUS:

Tudo isso encontramos nas bem-aventuranças no capítulo 5 do evangelho de Mateus, são salvos os: pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça, os que são vítimas de injúrias, perseguições, mentiras, por serem servos de Cristo Jesus.

E ainda disse que, o mundo pode ver essas características com mal olhos, mas que devemos nos alegrar porque é grande o nosso galardão no céu (Mt 5.12).

AS TRIBULAÇÕES DO TEMPO DA GRAÇA

O Mestre amado, ainda, nos advertiu das tribulações do tempo da graça, às quais chamou “princípio das dores” (Mt 24.12-14).

No princípio das dores Jesus ensinou que o primeiro sinal seria a destruição do templo de Jerusalém, que ocorreu no ano 70 d.C. sob o Imperador Nero. (Mt 24.1-2)

Advertiu-nos, ainda, que devemos estar vigilantes neste tempo para que ninguém venha a nos enganar, porque muitos usariam o nome de “Cristão” para enganar os crentes no tempo da graça (Mt 24.4-5).

Jesus nos avisou que haveriam guerras e rumores de guerras, mas que não nos assustássemos, pois ainda não seria o fim. (v. 6)

Anunciou que se levantaria nação contra nação e reino contra reino, e haveria fome, pestes e terremotos em vários lugares. (v. 7)

E que mais próximo ao fim, seríamos entregues para tormentos e mortes, e seríamos odiados por causa do nome de Jesus. E por essas aflições, haveria no meio dos próprios “crentes” traições e aborrecimentos (v. 9-10)

Avisou-nos, também, que surgiriam falsos profetas, enganadores, desprovidos da aliança com o Senhor para este século, deixariam de pregar o verdadeiro evangelho. (v. 11)

Alertou-nos de que a o genuíno amor ensinado por Ele esfriaria, em razão da ausência de equilíbrio (equidade) no coração dos homens. (v. 12)

Porém, nos deu a mais viva esperança de que se perseverarmos até o fim seremos salvos (v. 13).

E para que se cumpra o tempo da graça para a Igreja, o evangelho seria pregado em todo o mundo, em testemunhos entre todos os povos, e então virá o fim. (v. 14).

Para passarmos por tudo isso no presente século, temos que estar firmados com o Senhor Jesus Cristo, pois Ele nos prometeu que estaria conosco até a consumação desta dispensação (Mt 28.19-20).

“[…] Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém” (Mt. 28.20b)

Próxima aula: A dispensação da graça – parte 3

Dispensação da graça – Introdução

A dispensação da graça é a sexta dispensação, anunciada pela mensagem do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e inaugurada no calvário.

Leia também: dispensacionalismo – as sete dispensações

Início, duração e término da dispensação

Iniciou-se com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e terminará com o arrebatamento da Igreja.

Estamos nesta dispensação, da nova aliança no sangue de Cristo. (Romanos 10.4).

O juízo que findará esta dispensação será a grande tribulação (Ap. 3.10).

Ponto de partida: a plenitude dos tempos

Leia antes: A dispensação da Lei – parte 4: restauração e plenitude dos tempos

“Todavia, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei” Gálatas 4.4.

Vamos lembrar do ensino anterior quando falamos acerca da plenitude dos tempos.

A plenitude da dispensação da Lei. Tudo o que era necessário que Deus fizesse com o povo de Israel havia sido feito e cumprido.

Israel ficou tão firmado nos ensinamentos de Deus por meio do juízo do cativeiro, que vieram outras culturas que dominaram a palestina no pós-cativeiro, como a Grécia, com a grande helenização do mundo promovida por Alexandre “O Grande”, que teve um grande impacto quando percebeu a força moral do povo judeu, que não se dobrava perante os poderes humanos, nem negociavam a sua religião.

Os generais de Alexandre, após seu falecimento, ficaram no poder do império grego e ficaram tão interessados na ética judaica, que ao término da construção da grande biblioteca de Alexandria, no Egito, convocaram setenta e dois escribas judeus com experiência, para traduzirem o Livro Sagrado dos judeus a “Torá” para o grego.

Referida tradução ficou conhecida no mundo antigo como “a tradução dos setenta”, ou como melhor conhecida, “a septuaginta” (LVXX).

Após os gregos vieram também os imperadores romanos, que encontraram um povo que lutou pela sua liberdade de religião, pelos seus templos e sinagogas que funcionavam em várias cidades espalhadas pelos países vizinhos. Tentou por vezes impor a cultura e religião romana, mas não havia como fazê-lo, pois o povo não se rendia a outros deuses.

Assim, a única religião que foi tolerada perante todo o vasto império romano foi o “monoteísmo judaico”, tendo sido feito juntamente com os líderes religiosos locais e os políticos romanos um compromisso, uma aliança, entre o templo que reunia dois partidos religiosos: os saduceus e os fariseus, e entre os governadores e pontífices (prefeitos e tribunos) romanos.

Com o tempo tal relação foi se tornando corrupta, foi deixando de ser santa e pura, os rituais começaram a estar mais ligados ao domínio social do povo do que propriamente a servir a Deus de coração e entendimento.

A Lei de Deus realmente começou a ser cumprida, visto que tanto os líderes como todo o povo tinha como grande valor o cumprimento total e literal das Escrituras Sagradas.

Porém, não era bem esse cumprimento que Deus queria dos homens, e pelo exagero, pela religiosidade, também não conseguiram agradar a Deus, tendo Ele que enviar seu filho para cumprir toda a Lei no lugar dos homens, para nos mostrar o que Ele espera de nós.

A Lei não se mostra suficiente para agradar a Deus, senão pela maravilhosa graça de Jesus Cristo, que se fez Lei por nós na cruz do calvário, e com seu poder aniquilou a morte e nos perdoou de todo pecado.

Mas…

O que é pecado?

Segundo Richard Beal (citado pelo Pr. Billy Graham – Paz com Deus (pp. 52-55). CPAD. Edição do Kindle), podemos notar na Bíblia cinco palavras para o pecado:

Em primeiro lugar, o pecado é a ilegalidade, a transgressão da Lei de Deus (1 Jo 3.4).

Deus estabeleceu o limite entre o bem e o mal, e sempre que ultrapassarmos esse limite, sempre que formos culpados por invadir a área proibida do mal, estaremos infringindo a Lei.

Sempre que não conseguirmos obedecer aos Dez Mandamentos, sempre que agirmos de maneira contrária aos preceitos do Sermão da Montanha, teremos transgredido a Lei de Deus e seremos culpados do pecado.

Se você examinar os Dez Mandamentos, um por um, perceberá como hoje a humanidade está, deliberadamente, não apenas transgredindo-os, mas também tornando a transgressão atraente!

Desde a idolatria, que é qualquer coisa que colocamos antes de Deus, até a falta de nos lembrarmos do dia de repouso e adoração, e guardá-lo como um dia santo (onde estariam o futebol se os cristãos se recusassem a assistir aos jogos aos domingos?), até honrar os pais, até a cobiça, até o adultério: parece que tem havido um esforço concentrado para infringir cada um dos mandamentos.

E não apenas isso, mas parece haver um esforço deliberado para tornar atraente o fato de infringi-los!

Tiago deixou claro que todos nós somos culpados, quando disse: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.14, 15).

É porque todos nós infringimos as Leis de Deus, todos nós transgredimos os seus mandamentos, que todos nós somos classificados como pecadores.

Em segundo lugar, a Bíblia descreve o pecado como iniquidade.

A iniquidade é o desvio do que é correto, quer o ato particular tenha ou não sido expressamente proibido.

A iniquidade tem a ver com nossas motivações interiores, as mesmas coisas que tão frequentemente tentamos esconder dos olhos dos homens e de Deus.

Esses são os erros que se originam de nossa própria natureza corrompida, e não os demais atos que as circunstâncias às vezes nos obrigam a cometer.

Jesus descreveu essa corrupção interior, quando disse: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23).

Em terceiro lugar, a Bíblia define o pecado como errar o alvo, ou seja, não alcançar o objetivo que foi estipulado. O objetivo de Deus é Cristo.

O objeto e propósito final de toda a vida é viver à altura da vida de Cristo.

Ele veio para nos mostrar o que é possível para o homem alcançar aqui na terra, e quando não seguimos o seu exemplo, erramos o alvo e não alcançamos o padrão divino.

Em quarto lugar, o pecado é uma forma de entrada ilegal. É a intrusão da tenacidade na esfera da autoridade divina.

O pecado não é meramente uma coisa negativa; é simplesmente a ausência do amor por Deus.

O pecado é fazer uma escolha, a preferência de si mesmo em lugar de Deus. É a concentração do sentimento em si mesmo, em lugar de tentar, com todo o coração, alcançar a Deus.

O egoísmo e a falta de abnegação são os sinais do pecado, tão certamente como o roubo e o homicídio.

Talvez esta seja a mais sutil e destrutiva forma do pecado, pois nesta forma é muito fácil ignorar o rótulo no frasco do veneno.

Aqueles que se apegam a si mesmos, que concentram toda a sua atenção em si mesmos, que consideram apenas os seus próprios interesses e se empenham por proteger apenas os seus próprios interesses, esses são tão pecadores quanto o bêbado ou a prostituta.

Jesus disse: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Mc 8.36).

Usando palavras modernas, poderíamos dizer: “Pois que aproveitaria ao homem construir um vasto império industrial, se estiver devorado por úlceras e não puder desfrutar a vida? Que aproveitaria ao ditador, ainda que conquistasse um hemisfério, se vivesse em constante temor da bala de um vingador ou da faca de um assassino? Que aproveitaria a um pai criar filhos com áspera dominação, se for rejeitado por eles mais tarde e abandonado para sofrer uma velhice solitária?”

Sem dúvida, o pecado do egoísmo é um pecado mortal.

Em quinto lugar, o pecado é descrença. A descrença é um pecado, porque é um insulto à honestidade de Deus.

“Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” (1 Jo 5.10).

É a descrença que fecha a porta do céu e abre a do inferno. É a descrença que rejeita a Palavra de Deus e recusa Cristo como Salvador.

É a descrença que faz com que o homem se faça de surdo para o Evangelho e negue os milagres de Cristo.

O pecado traz a punição da morte, e nenhum homem tem, em si mesmo, a capacidade de salvar-se da punição do pecado, ou purificar o seu próprio coração da sua corrupção.

Os anjos e os homens não podem expiar o pecado. É somente em Cristo que pode ser encontrado o remédio para o pecado.

É somente Cristo que pode salvar o pecador do destino que certamente o espera.

“O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

“A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).

“Nenhum deles, de modo algum, pode remir a seu irmão ou dar a Deus o resgate dele” (Sl 49.7).

“Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do Senhor” (Sf 1.18).

A verdade que Jesus veio transmitir para nos redimir é que a Lei mostra o pecado, mas não tem poder para nos redimir, nos transformar, nos tornar justos diante de Deus.

Pela Lei – como estava o homem?

A Lei não era um fim em si mesmo. A Lei de Moisés era uma preparação para a aceitação da justiça plena de Deus que viria pela graça em Jesus Cristo. Era imprescindível que Jesus viesse e a Lei nunca poderia ou conseguiria tomar o lugar de um salvador, de um remidor para a humanidade.

Quando Jesus inicia seu ministério, a sociedade judaica está envolta em um legalismo absoluto, como se a Lei fosse a razão única e exclusiva de sua salvação, ou seja, não reconheciam que por si mesmos não bastava que cumprissem a Lei, sempre haveria transgressão após transgressão.

Como escreveu o Pr. Billy Graham em seu famoso livro “Paz com Deus” (CPAD), pelo sangue de Jesus:

“Não apenas somos redimidos das mãos do Diabo, mas das mãos da Lei que foi entregue por Deus por intermédio de Moisés. A morte de Cristo me tira do controle da Lei. A Lei me condenou, mas Cristo satisfez cada acusação.”

O apóstolo Paulo, antes legalista, do partido dos fariseus que serviam ao Sinédrio, após seu encontro real com Jesus teve que admitir, que todos os homens judeus, apesar de disporem da Lei de Deus, sem Jesus ela nada valia, estavam todos mortos:

“Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” 1 Coríntios 15:56

Cristo veio, portanto, para nos dar a vida que a Lei não tinha a capacidade de dar, mas apenas de orientar o caminho até a chegada do Filho de Deus, que é maior que toda a Lei.

Jesus veio para nos dar vitória sobre o pecado, sobre a morte, sobre o Diabo, sobre o inferno, e firmados nEle somos mais que vencedores neste presente século da graça.

“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” 1 Coríntios 15:57,58

Deus enviou o seu filho para morrer

A promessa de um salvador feita na dispensação da inocência foi cumprida na graça

Jesus era e é o único remédio para o pecado. Toda a Lei e todas as tipologias do Antigo Testamento apresentavam o Senhor Jesus Cristo, anunciado por Deus desde o Jardim do Éden, na dispensação da inocência.

Deus enviou o seu filho. Jesus é o filho unigênito. Unigênito significa o único gerado, eternamente gerado, não possui início e nem fim. (Jo. 1.1-2)

O filho é a segunda pessoa da trindade divina. Não é que existam três “deuses”, mas um único Deus que subsiste em três pessoas: O Pai, O Filho e O Espírito Santo, e a Bíblia é bem clara ao fazer a distinção das três pessoas da trindade e de demonstrar que estão intimamente ligadas e entre elas não há contradição, não há divergência, há um único entendimento, propósito, pensamento e direção.

Deus já havia anunciado ao Diabo no Jardim do Éden que da mulher sairia alguém que pisaria na cabeça da serpente, ainda que esta lhe ferisse o calcanhar, que é uma parte do corpo que não é vital. (Gn. 3.15)

O Diabo trouxe o pecado a o coração e à mente do homem e o mundo estava e está repleto do pecado. Todos os distúrbios mentais, todas as doenças, todas as perversões, toda a destruição, todas as guerras, tudo isso encontra a sua raiz original no pecado. Ele causa loucura no cérebro e veneno no coração.

Foi o que aconteceu durante aquelas cinco primeiras dispensações, depois que o homem, representado por Adão deixou o Diabo dominar a sua vida e as suas decisões, produzindo em si a morte, opondo-se contra Deus que é vida (veja que havia a árvore do conhecimento do bem e do mal e da vida). (Rm 5.12)

A única solução para resgatar o homem da condição em que estava, primeiro, era preparar um caminho para que o homem pudesse começar (uma sombra) a seguir, e nisso foram escolhidos os judeus, sendo-lhes entregue a Lei de Deus, em segundo lugar, no meio deste povo escolhido o próprio Deus teria que descer para justificar o pecador.

O próprio Filho de Deus era a única personalidade do universo que tinha a capacidade de carregar, em seu próprio corpo, os pecados de todo o mundo. Teria que ser desprezado e rejeitado por todos, um homem de tristezas, familiarizado com a angústia. Teria que ser ferido por Deus e separado dEle.

Teria que ser ferido pelas transgressões dos homens e moído pelas iniquidades deles. O seu sangue teria que ser derramado para expiar o pecado da raça humana, pois sem derramamento de sangue não há expiação de pecado (Lv. 17.11). E tudo isso, voluntariamente. (Jo 10.17-18)

Jesus veio para ser o substituto perfeito o Grande Mediador da história. Ele se fez carne e sangue para que pudesse morrer por nós (Hb 2.14; 1 Jo 3.5).

O propósito da vinda de Cristo ao mundo foi para que Ele pudesse oferecer a sua vida como um sacrifício pelos pecados dos homens. Ele veio para morrer.

Próxima aula: A dispensação da Graça – parte 2